terça-feira, 31 de março de 2009

31 DE MARÇO: ESQUECER, JAMAIS!

Há 45 anos, em 31 de março de 1964, forças militares, aliadas às elites econômicas brasileiras, derrubaram o governo democrático de João Goulart. Desde então e por 21 anos, até 1985, esses militares ocuparam o poder no Brasil e instalaram uma DITADURA MILITAR. Esse período, conhecido como a “A LONGA NOITE DE TERROR”, promoveu a perseguição e a demissão de seus empregos de mais de 500 mil brasileiros e brasileiras; dezenas de milhares foram presos e torturados; centenas foram covardemente assassinados pelos agentes públicos do Estado. Muitos militantes políticos que reagiram ao golpe militar continuam desaparecidos até hoje.

O Brasil até então altivo e soberano, com os militares no poder, submeteu-se aos interesses americanos durante a Guerra Fria. Foi permitida a exploração do rico subsolo brasileiro por empresas estrangeiras. A política externa passou a ser dirigida, na prática, pelos interesses dos Estados Unidos. Uma nova lei de remessas de lucros permitiu às multinacionais mandar mais dinheiro para fora do país.

Os sindicatos sofreram intervenção, garantindo o conformismo do trabalhador brasileiro à exploração ainda maior das elites econômicas e das multinacionais. A reforma agrária e urbana foram banidas da política brasileira e, os que por isso lutassem, amordaçados e calados. Os movimentos sociais passaram a ser criminalizados e seus militantes covardemente perseguidos. O POVO FOI PROIBIDO DE SE ORGANIZAR E SE MANIFESTAR. Os socialistas, os comunistas, a esquerda brasileira e os democratas foram declarados inimigos do regime, submetidos ao cárcere, à tortura e ao exílio forçado.

A Ditadura Militar levou o país ao excessivo endividamento junto aos banqueiros internacionais ao assumir o Brasil com 2,6 bilhões de dólares de dívida externa e entregá-lo com 110 bilhões de dólares. Tornou o país dependente e controlado pelo Fundo Monetário Internacional, a serviço dos interesses dos países ricos.

A reação do povo brasileiro, com os movimentos de trabalhadores e estudantes, as campanhas pela anistia e o grande movimento pelas DIRETAS JÁ, puseram fim ao Regime Militar e a esta longa noite de terror.

Os golpistas de 1964, no entanto, nunca responderam por seus crimes. Os torturadores e assassinos da Ditadura Militar permanecem impunes e ainda contam com a conivência das elites políticas, econômicas e jurídicas brasileiras. Ainda hoje, após 24 anos do fim do período ditatorial, o Estado brasileiro resiste a abrir os ARQUIVOS DA REPRESSÃO. O Brasil não completou a sua transição democrática. Na legislação brasileira ainda há um imenso entulho autoritário, construído ilegitimamente durante a ditadura, que precisa ser desmantelado. Os movimentos sociais continuam sendo criminalizados pelo aparato repressivo do país. A doutrina de segurança nacional estabelecida durante a ditadura é a que prevalece, ainda hoje, no seio das forças de segurança. A tortura continua sendo o principal método investigatório da polícia brasileira. Os desaparecidos políticos ainda não foram localizados.

Outros países da América Latina como a Argentina, o Uruguai e o Chile, que foram vítimas de golpes militares no mesmo período, vêm passando a limpo o seu passado. Os responsáveis por crimes de lesa humanidade como a tortura, o desaparecimento político e o assassinato sob tortura vêm sendo punidos exemplarmente. Presidentes ditadores e agentes públicos da repressão estão sendo condenados e cumprem penas de prisão. Os presidentes Videla na Argentina e Bordaberry no Uruguai e o general Contreras no Chile foram condenados e presos. O presidente e general Pinochet do Chile morreu desmoralizado e sob prisão domiciliar. No Brasil, apesar de todos os males ocasionados pela ditadura militar, os responsáveis pela tortura e os assassinatos políticos permanecem impunes.

Para completar a transição democrática, o Brasil precisa instituir uma COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE E JUSTIÇA, composta por organismos governamentais e sociedade civil engajada. Os torturadores e assassinos do regime militar precisam ser responsabilizados civil e criminalmente. Os arquivos militares e civis da repressão precisam ser abertos e disponibilizados ao povo brasileiro. Os movimentos sociais precisam ser descriminalizados. A atual doutrina de segurança nacional precisa ser execrada e uma nova perspectiva precisa ser construída, à luz da democracia brasileira e dos princípios inaugurados pela Constituição de 1.988, respondendo aos novos desafios internos e externos, tendo como centros a soberania do país, o desenvolvimento e a eliminação da miséria, da fome, da mortalidade infantil e do analfabetismo.

DITADURA, NUNCA MAIS!!

NARCISO PIRES Presidente do GRUPO TORTURA NUNCA MAIS DO PARANÁ

segunda-feira, 30 de março de 2009

Governo do Paraná vai realizar discussões mensais sobre a crise

O governador Roberto Requião anunciou, ao fim do seminário “Crise: Desafios e Soluções na América do Sul”, na manhã desta sexta-feira (27), em Foz do Iguaçu, que o Governo do Paraná vai promover, mensalmente, discussões sobre a situação econômica mundial. “Vamos organizar um pequeno espaço de revisão deste processo, com as pessoas que têm participado até agora e outras que serão selecionadas pela nossa equipe de organização”, disse o governador.

O presidente do Instituto Desemprego Zero e assessor da presidência do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), José Carlos de Assis, sugeriu a criação de uma câmara contínua para acompanhamento da crise. Contudo, destacou a necessidade da apresentação de propostas.

“Daqui pra frente, devemos focar em assuntos prepositivos. Já sabemos as causas da crise e a destruição que o sistema financeiro especulativo fez. Agora, temos que começar a pensar em como reestruturar este sistema e como vamos sair dessa situação. Aprofundarmos as discussões em torno de alternativas”, opinou Assis.

O seminário teve início na quarta-feira (25), no Marco das Três Fronteiras, com a participação da ministra da Casa Civil Dilma Roussef; do ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger; e de economistas do Brasil, Paraguai, Venezuela, Argentina e Uruguai. Eles debateram sobre a crise no continente sul-americano, sob o ponto de vista de cenários políticos, econômicos e sociais, desafios e riscos, além de medidas adotadas pelos países.

O evento foi transmitido ao vivo pela TV Paraná Educativa, que vai retransmiti-lo. O seminário também poderá ser assistido pela Sky, no canal 115. A transmissão será por partes e terá intervenções dos especialistas que participaram do evento.

“Este seminário e a atuação da televisão estatal Paraná Educativa são uma manifestação concreta de rebeldia em relação à dominação da mídia e à hegemonia de algumas ideias que roubam ao país um espaço de discussão”, afirmou Requião.

“Fizemos valer a essência de uma televisão pública, que se preocupa com o aspecto nacional. Esta não é a televisão do mercado. Não vendemos remédios, não vendemos aspirinas. Não temos o domínio das verdades, mas um instrumento aberto para as opiniões dos brasileiros e dos latino-americanos”, acrescentou Requião.

Os participantes estrangeiros foram o dirigente do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai, Gustavo Soverina; o presidente do Banco Alba (Alternativa Bolivariana para as Américas, Bernardo Alvarez; o gerente de Acordos Internacionais do Banco Central da República da Argentina, Cristina Pasin; e o gerente de Investigações Econômicas do Banco Central do Uruguai, Gerardo Licandro.

Representando o Brasil, além dos ministros, estiveram o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Antônio Henrique Pinheiro da Silveira; o presidente do Instituto Latino-americano da Universidade Federal de Santa Catarina, Nildo Ouriques; o professor da Uicamp, Wilson Cano; o presidente do Instituto Desemprego Zero e assessor da presidência do BNDES, José Carlos de Assis; e os jornalistas Renato Rabelo (presidente nacional do Partido Comunista do Brasil) e César Benjamin, que foram moderadores do debate.

Mais informações podem ser obtidas no site www.crise.pr.gov.br.

terça-feira, 10 de março de 2009

Artigo: Excomunga EU!

O “santo homem”, Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda e Recife, feito um zumbi, no sentido de fantasma que vaga pela noite morta, ressucita o “Santo Ofício”, e nos arrasta aos tempos da “Santa Inquisição”.

Amaldiçoou toda uma equipe de profissionais de saúde, uma desgraçada e miserável brasileira, mãe de uma criança de nove anos, desgraçadamente estuprada pelo próprio “pai”.

Saindo das catacumbas,de uma sacristia cheirando a morte, Dom José, veio a luz e excomungou por atacado, a granel.

A equipe de saúde, a pobre mãe, sem direito de defesa, foram lançados a fogueira.

O Cardeal Giovanni Battista Re, presidente da Comissão Pontifícia para a América Latina, de sua matriz, no Vaticano, abençoou a medida.

O responsável pelo brutal, hediondo e bestial ato do estupro, que resultou em gravidez da menina, passou incólume.

O ato da “excumunhão”(meu Deus,que palavra horrorosa),previsto no direito canônico, salvo melhor juízo, só pode apenar Católicos Romanos. Já pensou se dessem a esse pobre-diabo o direito de excomungar a alma de qualquer vivente?

Já ouvi certa vez, não sei se faz parte das escrituras sagradas, que, prova de amor maior não há, que doar a vida pelo irmão. Bem, se isso procede, quero me oferecer em holocausto numa prova de amor ainda maior.

Se doar a vida é uma grande prova, quero oferecer minha “eternidade” doando minha alma.

Certo que a décadas não frequento os cultos da ICAR, mas nela recebi os sacramentos, batismo, crisma, comunhão etc... Imagino que como não oficializei meu afastamento, não pedi desligamento ou desfiliação, para os efeitos draconianos do “Direito Canônico”, consto em sua lista de militante,amigo ou ao menos simpatizante, o que me dá também o “direito” de Excumunhão.

Peço então humildemente a Dom José, que reconsidere a maldição que jogou sobre meus irmãos excomungados, e deposite sobre mim toda sua ira. Seja misericordioso, veja até a possibilidade, de não podendo voltar atrás por “atacado”, ao menos no caso da desgraçada mãe, perdoá-la e me botar no lugar.

Eu lhe suplico Dom José, excomunga EU!

Paulo Roberto Aguilera.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Veja quanto o Instituto de Direito de Gilmar Mendes recebeu do Governo. Foi mais ou menos do que o MST que ele denunciou?

Paulo Henrique Amorim

Embora a Lei Orgânica da Magistratura não proíba expressamente a participação societária de magistrados em empresas privadas, a participação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, no controle acionário do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), abala a imagem do Judiciário e coloca novamente a Justiça brasileira em delicada situação junto à opinião pública.

A situação se agrava ainda mais quando o presidente da maior Corte de Justiça do país - aliando a atividade de magistrado a de empresário da educação - compra terrenos de R$ 2 milhões por um quinto do valor e fecha contratos sem licitação para cursos diversos com entidades estatais - desde a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional até o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, conforme informações da revista Carta Capital, em reportagem do jornalista Leandro Fortes.

Criado em 1998, o Instituto de Gilmar Mendes faturou, entre 2000 e 2008, cerca de R$ 2,4 milhões em contratos com órgãos ligados ao governo federal - todos firmados sem licitação. Depois que Gilmar Mendes assumiu o cargo de presidente do STF o faturamento em contratos com a União cresceu. De 2003 para cá, o valor somou R$ 1,6 milhão, segundo dados disponíveis no site Contas Abertas. Só no mês passado, o IDP recebeu R$ 350 mil com a celebração de convênios.

No site da Transparência da Controladoria Geral da União (CGU) verifica-se que nas guias de pagamento aparece um acordo do IDP com a Receita Federal até para trabalho aduaneiro. O Ministério da Defesa - de Nelson Jobim - pagou R$ 55 mil ao Instituto, e a CGU, R$ 15 mil. O IDP tem contrato, sem licitação, com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e até com a Força Aérea Brasileira (FAB).

De acordo com a revista Carta Capital, os valores recebidos da União pelo Instituto Brasiliense de Direito Público, em 2008, devem-se, sobretudo, a três contratos firmados com o Senado Federal, Superior Tribunal de Justiça (STJ) e a Receita Federal. Do Senado, o instituto recebeu R$ 125 mil, do STJ R$ 88,2 mil e da Receita Federal R$ 117,9 mil. Os cursos oferecidos pelo IDP também foram contratados pela Procuradoria-Geral do Distrito Federal, que pagou R$ 690 mil. Assim como nos outros contratos, a licitação foi considerada “inexigível”. No período em que Nelson Jobim presidiu o STF - entre 2005 e 2006 - aquele tribunal gastou quase R$ 50 mil em cursos e eventos oferecidos pelo Instituto de Gilmar Mendes.

Em 2006, o jornal O Globo denunciou relações estranhas entre o IDP e o STF. Então presidente interino do Supremo - a titular Ellen Gracie Northfleet, estava de licença médica - Gilmar Mendes transformou em “bolsa de estudos” um empenho de R$ 3,6 mil referente a um curso de Mestrado em Ações Constitucionais, ministrado pelo IDP a três funcionários do STF.
Todas as tentativas do Ministério Publico Federal para impedir Gilmar Mendes de usar de influência para conseguir contratos no governo foram em vão. A primeira delas ocorreu em abril de 2002, pouco antes de ele ser nomeado para o STF. Na época, o Ministério Público chegou a instaurar uma ação de improbidade administrativa por Gilmar Mendes ter contratado o IDP para dar cursos no órgão do qual era o principal dirigente - a Advocacia-Geral da União.
A construção da sede do IDP - um amplo prédio de quatro andares - foi financiada com recursos do Fundo Constitucional do Centro Oeste - R$ 3 milhões - dinheiro gerenciado pelo Banco do Brasil. Quando começou a funcionar, em 1998, o IDP comprou um terreno por R$ 2,2 milhões, com recursos do Programa de Promoção do Desenvolvimento Econômico Integrado e Sustentável, que ilegalmente o enquadrou com a rubrica de “setor produtivo”, garantindo-lhe um desconto de 80% na aquisição da área. Gravitam ao redor do IDP nomes de peso como o de Nelson Jobim (Defesa) e Jorge Hage (CGU). Entre os professores incluem-se Carlos Alberto Direito, Carlos Ayres Britto, Eros Grau e Marco Aurélio Mello - todos do STF.
STF compra sofá de dois lugares por R$ 10.650,00

O Supremo Tribunal Federal (STF) comprou esta semana um sofá de dois lugares por R$ 10.650,00. A aquisição foi feita na véspera da posse do ministro e presidente do STF, Gilmar Mendes, no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ocasião em que criticou a construção de novas sedes para o Poder Judiciário e defendeu critérios para as obras. O ministro também disse que, em alguns casos, pode estar havendo excessos.

Rádio CBN - STF gastou mais de R$ 170 mil em viagens de ministros
De acordo com a rádio CBN, o Supremo Tribunal Federal (STF) gastou mais de R$ 170 mil com pagamentos de diárias a ministros durante o ano passado. Somente o ex-presidente do STF, Nelson Jobim, recebeu quase R$ 28 mil. Muitas das viagens foram para participar de eventos realizados por universidades particulares, associações e cursos pagos pelos organizadores. Mesmo assim, foi pedido o ressarcimento dos gastos. Num desses encontros, Jobim ficou hospedado, com a mulher, quatro dias num hotel cinco estrelas, em Salvador. O presidente do STF recebeu R$ 693 por diária. Os dados fazem parte de um levantamento feito pela Organização Não Governamental (ONG) CONTAS ABERTAS, com base em números do Sistema de Acompanhamento de Gastos Federais (Siaf). O STF informou que as viagens ressarcidas têm caráter oficial e que os ministros não cobram dos organizadores para ministrar palestras ou participar das solenidades.

Solenidade de posse do presidente do STF custará aproximadamente R$ 40 mil
O Supremo Tribunal Federal (STF) está preparando a tradicional solenidade de posse de ministros. Amanhã, tomarão posse oficialmente no órgão o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, e o vice-presidente, ministro Cesar Peluso. O evento, que contará com a presença de 3,5 mil convidados, tem custo estimado de pelo menos R$ 39,9 mil. A quantia servirá para pagar as contratações de um grupo musical e de uma empresa especializada em promoção de eventos, que deverá prestar serviços de recepção, transporte, hospedagem, alimentação, impressão de materiais, entre outros, às autoridades e aos demais convidados. A cerimônia será realizada a partir das 16 horas no plenário do órgão em Brasília.
Carrinho de Compras: STF reserva R$ 5,5 mil para compra de cortinas e forro blecaute
No embalo da polêmica interminável no caso Dantas, solta ou não solta, o Carrinho de Compras de hoje mostra que o Supremo Tribunal Federal (STF) parece está querendo se esconder ou pelo menos se proteger do sol. Isso porque o órgão empenhou (reservou em orçamento) R$ 5,9 mil com a compra de cortinas, de forros blecaute e de bandôs de alumínio revestido com tecido.
Carrinho de Compras: STF reserva R$ 67,7 mil para reformar 32 sofás e poltronas
Na semana em que o Supremo Tribunal Federal julgou inadequado o uso de algemas nas operações da Polícia Federal, “contra a espetacularização”, o órgão máximo do Poder Judiciário brasileiro também “reservou” outras surpresas. Na última terça feira, o tribunal empenhou (reservou em orçamento) quase R$ 70 mil com o pagamento de serviços de reforma em 32 sofás, poltronas e cadeiras. Os móveis se dividem em estofados individuais, de dois, três e quatro lugares, além de duas cadeiras de madeira. Duas poltronas são de recepção de gabinete. A nota de empenho só não informa qual seria esse gabinete…

Carrinho de Compras: STF compra baldes para gelo, saca-rolhas, bandejas de garçom e colheres de pau
A polêmica envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF) e a 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo no caso Daniel Dantas parece ter aumentado os ânimos na corte mais alta do Poder Judiciário brasileiro. Isso porque o STF reservou em orçamento (empenhou) R$ 9,8 mil com a compra de diversos itens, entre eles dois baldes para gelo, 12 bandejas de garçom, três saca-rolhas e duas colheres de pau. Será que a 6ª Vara Federal Criminal fez o mesmo? Se fez, passou despercebido pelo rastreamento do Carrinho de Compras…
Carrinho de Compras: STF reserva R$ 359,00 com compra de tênis Mizuno
O “Carrinho de Compras” de hoje destaca as compras esportivas realizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) durante a semana. O órgão máximo da esfera judiciária brasileira empenhou R$ 359,00 com a compra de um tênis Mizuno, modelo “Genesis”, preto. Além disso, o STF comprometeu R$ 123,00 com a aquisição de duas calças azul marinho de tactel, com friso branco nas laterais e “elástico forte e cordão na cintura”, tamanho P, e três camisas em malha fria branca, tamanho G, com gola pólo e logotipo do Supremo no peito esquerdo. Resta saber quem serão os “atletas de plantão” ou as atletas que irão vestir as vestimentas típicas das academias de ginástica…

Carrinho de Compras: STF reserva R$ 7,2 mil para compra de oito bolsas de couro
O “Carrinho de Compras” de hoje, coluna dominical do Contas Abertas que traz o registro dos gastos mais interessantes dos órgãos públicos federais realizados durante a semana, destaca os empenhos (reservas orçamentárias de recursos) do Supremo Tribunal Federal (STF). A instância máxima do Poder Judiciário brasileiro empenhou 7,2 mil para a compra de oito bolsas de couro “confeccionada em couro preto, espessura 14/16 linhas, forrado em curvin automotivo, acolchoada, três bolsos, cinco zíperes reforçados, fundo rígido, cinco pés, velcro, duas argolas, três botões” e mais algumas exigenciazinhas descritas na nota de empenho emitida pelo STF. Cada bolsinha dessa, que ainda deverá ter o símbolo da TV Justiça bordado na lateral das bolsas, custou R$ 895,00.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

ARTIGO: POLÍTICA É COMO NUVEM...

As nuvens da política nos céus do Paraná durante esse período, determinam uma aliança político-eleitoral entre o PMDB do governador Roberto Requião e o PSDB.
Em São Paulo já estão juntos e preparando a candidatura de José Serra ao Planalto.
O governador que durante o baile momesco na Casa Grande, foi relegado a Senzala, anda bastante ressabiado com os "companheiros", não sem razão, diga-se de passagem.
Aliás, não seria a primeira vez que Requião se entende com Serra.
O PMDB, uma "confederação" de caciques regionais, desde a muito, dança conforme a música, ou como diria o senador Pedro Simon, se vende pela melhor oferta, feito rapariga infiel.
Em sua sanha de rapinagem,tentaram essa semana pilhar mais um fundo de pensão. Ainda bem, não passou.
No plano nacional, devem ficar "neutros", "liberar" as bases sem cerimônias.
Voltando ao Paraná, que de fato, se diferencia das características da direção nacional,o PMDB do governador Roberto Requião, se notabiliza pela dissidência e postura republicana.
Tem o PMDB/PR, postura moral, independência e história política para regionalmente, construir uma aliança como protagonista, nunca como codjuvante ou agregado.
Esse protagonismo não significa necessariamente uma "cabeça" de chapa,mas presença nas majoritárias e viabilidade eleitoral para as candidaturas proporcionais.
Causa espécie a simbologia do "ato presidencial" nos camarotes da Sapucaí. Especialmente para nós paranaenses. Qual o recado ao "pular" carnaval com Samek e relegar O GOVERNADOR ?
SameK, bom rapaz, só existe para política, é bom lembrar, por ter sido catapultado por Requião, assim como o afilhado ingrato, senador Osmar, que foi ao senado puxado pelas barbas pelo governador.
Deve-se reconhecer o esforço que Requião fez e tem feito na sustentação do presidente Lula. Defende de forma política e sustenta na prática, distribuindo cargões e carguinhos, (não largo a "foia" já disse um formiga),aos "companheiros".
Gostem ou não,aprovem ou não, o Paraná tem governo, tem opinião, tem postura, e bem ao gosto do governador...Se caráter custa caro, paga o preço...
Não se cutuca Requião com vara curta.
Pois bem, se os tucanos paranaenses não cometerem nenhuma sandice, uma chapa PSDB/PMDB seria imbatível, tanto no plano majoritário como no proporcional e isso interessa muito, especialmente aos deputados federais e estaduais de ambas agremiações.
Bem, mas política é como nuvem, quem viver verá...

Paulo Roberto Aguilera
sociólogo,jornalista e colaborador do Bóia.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Definido horário eleitoral em Londrina

Terminou ontem o prazo para que Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Barbosa Neto (PDT) apresentassem uma proposta sobre a veiculação da propaganda eleitoral no rádio e TV. No início deste mês, os candidatos chegaram e ventilar um acordo, o que acabou não acontecendo. Sendo assim, a Justiça Eleitoral determinou que a campanha no rádio e na TV obedecerá as normas e será veiculada entre os dias 14 a 26 de março.

Segundo o juiz eleitoral Luiz Gonzaga Tucunduva de Moura “O horário eleitoral é um direito dos candidatos. Se quisessem abrir mão de tudo ou até de mudar o formato da propaganda, isso para a Justiça Eleitoral é indiferente. Mas não havendo acordo, vale a propaganda conforme as regras eleitorais”.

O próximo passo agora será a realização de um sorteio para decidir a ordem de apresentação dos candidato, bem como a geração do plano de mídia. A propaganda seguirá o formato igual ao do segundo turno realizado em outubro de 2008: na TV começando às 13 horas e 20h30 e no rádio
às 7 horas e às 12 horas, além das inserções diárias de 30 segundos em ambos os veículos.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

EM BLOG, ÁLVARO DIAS TECE ELOGIOS A PESSUTI

Parece que a boa impressão que teve do vice-governador Orlando Pessuti (PMDB) no encontro casual em Caiobá (Matinhos) não ficou restrita às areias do litoral do Paraná. O senador Álvaro Dias (PSDB) usou seu blog no www.jornale.com.br para tecer elogios a Pessuti, acirrando ainda mais as urticárias tucanato paranaense e no PDT, de seu irmão Osmar Dias. Será que o namoro PSDB-PMDB pode vingar em 2010? Leia a íntegra da nota do senador:

Carnaval da política - O vice-governador Orlando Pessutti econtra-se com o Ministro Paulo Bernardo, no Balneário Inajá, litoral do Paraná, e ouve: “Nossa prioridade é a eleição de Dilma. Nosso desejo é unir aqui, o PT, PDT e o PMDB. Esperamos que o PMDB abra mão de apresentar candidato ao Governo”. Pessutti reafirma seu desejo de disputar a eleição. Informa que levará sua candidatura às últimas consequências, mas que não fará aventuras. Antes das eleições fará a necessária avaliação das suas possibilidades eleitorais. Inteligentemente submeterá sua postulação à imprescindível consulta popular.
(com a colaboração do site Boca Maldita - www.bocamaldita.com - Foto: Ronildo Pimentel)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

ARTIGO: LONDRINA NÃO PODE ERRAR DE NOVO!

O olhos do Paraná estão voltados com todo interesse para Londrina.
Do alto do Planalto Central muito mais que olhos, cabeças troncos e membros fazem varredura e marcação cerrada.
Desta feita, até ou justamente pelas circunstâncias, o processo eleitoral de Londrina se reveste de importância sui-generis.
Não bastasse a questão nacional com todas suas nuances, joga-se também o xadrez do Palácio Iguaçu.
Campo de batalha, Teatro de Operações, laboratório de experiências. Pensa-se e se opera de tudo em Londrina nos últimos dias e até 29 de março.
Enfim, faz-se alianças políticas, divide-se o espólio, mistura-se água e vinho, acende-se vela de sete dias pra Deus e pro Diabo.
Bem, é isso, afinal trata-se de política. Uma atividade que carece de forte empenho estomacal.
Justo ou não, as forças políticas estão definindo o futuro político do município. Isto significa em última instância o futuro daquela criança que hoje frequenta ou a partir deste ano deveria frequentar uma creche pública pra que sua mamãe fosse ao trabalho.
Se por um lado Política é isso, por outro, no caso de Londrina ao menos desta vez deveria ser diferente.

Não só pela importância econômica,cultural e histórica desta vez Londrina sempre tão altruísta penso que deveria assumir uma postura, uma posição "egoísta".
Sejamos sinceros honestos e meu caro Londrinense, já faz algum tempinho que elejemos e arrependemos.
Quando lembro que Londrina já teve Hosken de Novaes, José Richa, Wilson Moreira e vejo oque tem sido eleito ultimamente, me perdoem,mas dá dó.
Creio que deveria se criar imediatamente um movimento da sociedade civil pra alertar sobre as consequências de um voto irresponsável.
A despeito das questões nacional e estadual, desta vez Londrina deve ser egoísta e pensar só em sí.
São apenas dois candidatos. Não é possível não identificar de forma bem clara quem é quem.
LONDRINA NÃO PODE ERRAR DENOVO

Se faz necessário a intervenção concreta da sociedade. Não vai adiantar depois ficar a culpa nos políticos.
Esse trabalho deve iniciar imediatamente. Corpo-a-corpo, mente-a-mente. É nítida a diferença entre os dois candidatos.
Chega ser covardia compara-los.
Hauly já disputou este cargo por mais de uma vez. Por duas vezes ao menos foi o segundo candidato da maioria dos eleitores.Agora é a vez de ser o primeiro.

Sim, meus irmãos londrinenses. O Paraná estará com olhos pregados nas eleições de Londrina.
Vocês já elegeram o cavaleiro de triste figura por três vezes, corrigiram o erro e o "cassaram" por duas vezes.Não é possível que desta vez vão repetir o erro e elegerem seu aprendiz, seu preposto, o caudatário de práticas políticas inomináveis que novamente dará um baita trabalho pra ser defenestrado, disperdiçando energias e jogando novamente o nome e o futuro de toda uma cidade num lamaçal.
Não.Londrina não pode errar de novo!
Há tempo suficiente para reflexão. Há tempo suficiente para a organização.
Londrinenses, não permitam que mais uma vez tomem de assalto a Prefeitura.
Retomem o espírito cívico e consciente que sempre foi marca registrada da gloriosa Londrina de outrora.
A tarefa é de cada um. Cada cidadão de bem deve chamar pra sí a responsabilidade com o futuro. Que cada um conquiste mais um voto para a candidatura de Hauly.
Elevar a auto-estima de toda uma população pode ser o primeiro passo pra recolocar Londrina nos trilhos.
Hão de convir que por exemplo, uma administração que termina com apenas 5% de aprovação, demonstra a quantas andam a estima de seu povo.
Reconstruir Londrina, Elevar o moral da população, só com a eleição de Hauly prefeito.
Vamos lá Londrina!

Paulo Roberto Aguilera.
Sociólogo, Jornalista colaborador do BOIAQUENTE.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Alvaro Dias recebe troféu de melhor senador do País

"Ele foi o vencedor do Prêmio em 2006 e já mostrou que é imbatível em votações pela internet". Foi assim que os apresentadores Cristina Serra e Heraldo Pereira, da TV Globo, convidaram o senador Alvaro Dias (PSDB/PR) para subir ao palco do auditório e receber o troféu de melhor senador do País.

Valorização da Instituição
A festa do Prêmio Congresso em Foco 2008 foi na noite desta segunda-feira (01/12), na sede do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Brasília. No auditório lotado, Alvaro Dias recebeu o troféu das mãos do presidente da OAB, Cezar Britto, e do diretor do Congresso em Foco, Sylvio Costa. Em um breve discurso, agradeceu os votos e a confiança dos internautas que, pela segunda vez, o elegeram. "Com este prêmio, o Congresso em Foco está valorizando a instituição parlamentar. O Legislativo tem sido achincalhado, mas é preciso mostrar o outro lado. Os parlamentares são passageiros, a instituição é definitiva. Preservá-la é preservar a democracia", disse.

O dobro dos votos
Alvaro Dias foi eleito melhor senador com o dobro dos votos do segundo colocado. Em dois meses, o site Congresso em Foco registrou mais de um milhão de votos. 42 parlamentares (26 deputados e 16 senadores) foram pré-selecionados por jornalistas que fazem a cobertura política no Congresso Nacional. Segundo o Congresso em Foco, o Prêmio foi criado para estimular os brasileiros a analisarem o desempenho dos parlamentares e a prestarem mais atenção no que se passa no Legislativo. "Com este prêmio, combatemos a imagem de que todos os políticos são iguais", disse o diretor do site, Sylvio Costa, na festa de premiação.

Público da festa
O troféu de melhor senador, recebido por Alvaro Dias, foi criado pela artista plástica Suzana Gouveia. O deputado Fernando Gabeira (PV/RJ) recebeu o prêmio de melhor deputado. Além do presidente do Senado, Garibaldi Alves, e dos parlamentares premiados, a solenidade contou com a presença de representantes do Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal (Sindilegis), da Associação dos Delegados da Polícia Federal (ADPF), do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF (SJPDF), da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) e da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe). A festa terminou com uma apresentação do grupo paulistano Samba de Rainha.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

MR8 sai do PMDB e vira Partido Pátria Livre

Leia o Documento do Comitê Central do MR8 que define a fundação do Partido Pátria Livre:

O Brasil vive um momento decisivo da sua história.

A crise econômica produzida pela especulação irrefreada dos monopólios para obter mega-lucros à margem da produção explodiu no coração de Wall Street e se alastra pela Europa e o Japão.
As superstições neoliberais, que livraram de qualquer controle social a ganância devastadora das feras, elevaram a níveis inauditos a desproporção entre a capacidade de produção e o nível de consumo das grandes massas empobrecidas – e acabaram por cobrar seu amargo preço.
Nunca houve período em que os monopólios desfrutassem de tamanha liberdade para afrontar a resistência a seus interesses com os métodos que derivam da sua condição intrínseca de perseguir um lucro além do obtido pela extração direta da mais-valia de seus empregados: fixação de sobrepreços, especulação, fraude, suborno, espionagem, chantagem, intimidação, assassinato, pilhagem e genocídio.

O grau de profundidade da depressão que fatalmente ocorrerá nos países mais atingidos está na razão inversa da capacidade dos governos e da mobilização popular de estabelecerem sólidos mecanismos de contenção dessas práticas - enquanto não for possível superá-las por um ordenamento econômico onde as empresas públicas ocupem o lugar dos monopólios privados.

Os monopólios são o fruto podre e envenenado do modo de produção capitalista. Brotaram da impotência do mercado frente ao processo de concentração e centralização do capital e se voltam contra ele para livrar-se das amarras da concorrência e impor sua tirania. Por isso já se disse, com muita propriedade, que seu surgimento anuncia o esgotamento do sistema.

Mas seria tolice pensar que o socialismo, por ser a alternativa mais avançada ao domínio dos monopólios, seja a única opção quando se trata de combatê-los efetivamente. O mercado não tem como evitar o nascimento de seus edipianos rebentos. E, manietado por eles, não pode restringir a sua ação. Mas o Estado, a depender da força que tenham dentro e fora dele os trabalhadores e o capital privado não-monopolista, pode contê-los. Mais: pode evitá-los, e inclusive eliminá-los, através da constituição de empresas estatais, sem que o socialismo tenha sido implantado. Portanto, não é recomendável fugir das complexidades da vida, porque a conseqüência seria trocar a luta política por um propagandismo estéril e imobilista.

Como toda a crise ocorrida no centro do sistema imperialista, esta também pode, em decorrência das medidas que adotemos para enfrentá-la, nos levar de roldão ou fortalecer a nossa independência.

Os monopólios de mídia e a oposição, em absoluta discrepância com os interesses da Nação, difundem toda a espécie de boatos, pseudoteorias e previsões alarmistas que possam ajudar a crise a se introduzir no país.

No afã de responsabilizar o presidente Lula pelas dificuldades econômicas que adviriam desta invasão, os corvos semeiam a desordem, sem medir as conseqüências. A perspectiva de poderem extrair algum dividendo eleitoral do sacrifício do país os cega para o alto preço que acabaria tendo que ser pago por todos.

No entanto, é perfeitamente possível derrotá-los mais esta vez, barrando a crise e acelerando o crescimento econômico.

Antes de mais nada, é preciso reduzir as taxas de juros astronômicas praticadas no Brasil.
Sem erradicar essa praga, cultivada pelos setores interessados em transferir renda do setor produtivo aos monopólios financeiros, nenhuma medida de combate à crise terá eficácia e sequer será levada a sério pelos agentes econômicos.

A própria imagem do Brasil no G-20 sofreria um dano considerável se ele fizesse internamente o oposto do que nosso presidente aprova e defende nas reuniões internacionais.

Paralelamente, é preciso intensificar o processo iniciado pelo governo Lula de fortalecer a ação do Estado na economia, através do investimento público, da expansão do mercado interno, da ampliação da infra-estrutura, da substituição de importações - e reforçá-lo com o controle sobre o fluxo de capitais e a regulação econômica estatal onde ela se fizer necessária. Em uma palavra: retomar e aprofundar o projeto nacional-desenvolvimentista, cujos alicerces foram plantados na era Vargas, e depositar no lixo da história os restos do modelo dependente em sua versão mais extremada, a neoliberal.

O projeto nacional-desenvolvimentista tem por base a aliança entre o Estado, os trabalhadores e o setor privado nacional para defender o país da voragem dos monopólios e promover, simultaneamente, crescimento econômico e distribuição da renda.

Historicamente, quando ele foi implantado, não tinha sentido falar de monopólios nacionais, pois eram todos externos, ainda que mantivessem filiais no Brasil.

Hoje, não se pode dizer o mesmo. No ramo financeiro, no das telecomunicações, mineração, siderurgia, petroquímica, construção e outros surgiram empresas nacionais - nove entre dez cevadas à sombra do criminoso processo de privatizações - que reproduzem as práticas
anti-sociais dos monopólios externos e compartilham com eles o espaço nos mesmos cartéis para açambarcar o mercado, esfolar consumidores, esmagar fornecedores e sugar o Estado, bloqueando, em conseqüência, o livre desenvolvimento das forças produtivas nacionais.
Confundir esses setores com o capital privado nacional não-monopolista seria um erro de conseqüências desastrosas. A pior coisa que o governo poderia fazer ao Brasil e a si mesmo no momento de empregar o máximo de firmeza para conjurar a ameaça de penetração da crise seria facilitar a qualquer espécie de monopólio privado o acesso aos recursos públicos, em detrimento dos setores que podem, de fato, alavancar o desenvolvimento: o setor estatal e o setor privado nacional não-monopolista.

Ao fazer balançar dentro dos EUA velhos mastodontes como o Citibank, a General Motors e outros tantos, a crise internacional abre largas avenidas para o desenvolvimento do Brasil. Mas nenhuma delas passa pelo fortalecimento da ação dos monopólios no interior da nossa economia.
Mostra disso foi dada com a escandalosa utilização do compulsório pelos bancos para adquirir patrimônios e não para liberar crédito conforme o prometido; com as falcatruas da Odebrecht, às expensas do BNDES, no Equador e na Venezuela; com as manobras da Vale do Rio Doce para catapultar o preço dos minérios; com o seqüestro das máquinas dos agricultores do Mato Grosso, por bancos que sequer lhes emprestaram recursos próprios, pois operavam como repassadores de recursos do BNDES; com a reedição da prática terrorista das montadoras de usarem as férias coletivas como prenúncio de demissões, apesar de receberem R$ 8 bilhões do setor público - Banco do Brasil e Nossa Caixa - para financiar as vendas de veículos.

É verdade que nosso dever de brasileiros nos obriga a assumir a defesa de qualquer empresa nacional (mesmo monopolista) nas eventuais disputas resultantes de suas contradições com os monopólios externos, pois as primeiras não têm por meta remeter lucros - declarados ou não - para fora do país.

Porém, o mais importante é deixar claro para o conjunto da sociedade o antagonismo entre os monopólios privados de qualquer origem e a perspectiva de desenvolvimento com distribuição da renda, o único que interessa aos trabalhadores e à esmagadora maioria do empresariado nacional - pois crescimento econômico com concentração da renda é, e não tem como deixar de ser, a ante-sala de todas as crises.

Ao contrário dos monopólios externos, cujos 500 maiores controlam através de 420 filiais cerca de 40% da nossa economia, os monopólios nacionais não chegam a duas dezenas. A médio prazo, têm apenas duas possibilidades: serem engolidos por monopólios externos ou cruzarem as fronteiras para piratear os vizinhos. Como a formação histórica, social e cultural do Brasil é um poderoso freio ao exercício do segundo papel, o caminho que acabaria se impondo seria a desnacionalização dessas empresas.

Portanto, a idéia de compensar a drenagem de nossos recursos para fora, realizada pelas multinacionais estrangeiras, com a drenagem de recursos para dentro, através de “multinacionais brasileiras”, é um atalho que leva ao precipício. Ilusão vadia, dispendiosa e suicida, quando implica em retirar recursos vitais à expansão da produção interna para financiar via BNDES - ou seja, com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador - uma versão caricata da aventura ultramarina.

Hoje, mais do que nunca, o que interessa ao povo brasileiro é avançar no caminho indicado pelo presidente Lula com o PAC: crescimento econômico com expansão do mercado interno - mais produção, mais emprego e mais salário.

Para isso é indispensável ampliar, no interior da economia nacional, o peso do setor estatal e do setor privado nacional não-monopolista em relação aos monopólios, pois no Brasil, assim como no mundo, são eles a fonte dos maiores problemas e das maiores desgraças.
Ao enfraquecê-los, a crise internacional nos oferece uma oportunidade ímpar de acelerar esse processo. Não devemos desperdiçá-la.

Os mais de 40 anos de experiência do Movimento Revolucionário 8 de Outubro nas lutas políticas e sociais do nosso povo nos dão a convicção de que para fazer frente a esse momento é imprescindível o registro de um novo partido político no Brasil.
Esse partido deve se guiar por cinco pressupostos básicos:

1º. Que na atual etapa do nosso desenvolvimento histórico a principal questão da luta mais ampla e fundamental pelo avanço da democracia está na superação das relações de produção dependentes, ou seja, na conquista da plena independência nacional.

2º. Que esta luta corresponde às necessidades e interesses de todos os setores da sociedade brasileira, à exceção dos monopólios, e implica na constituição de uma frente de forças políticas e sociais que abrace e transforme cada vez mais em realidade viva o projeto nacional-desenvolvimentista.

3º. Que politicamente esta frente está hoje constituída pelos partidos que integram a base do governo, com destaque para o PT e o PMDB, que são os maiores e mais influentes. A principal expressão e o principal líder dessa aliança é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Fora dela o que existe é o retrocesso. Por isso, utilizar reais ou supostas limitações da frente para combatê-la, ao invés de lutar para impulsioná-la, só tem levado setores que se pretendem à esquerda ao vexatório papel de linha auxiliar das viúvas do neoliberalismo encasteladas no PSDB e no Dem.

4º. Que o ritmo de desenvolvimento de todo esse processo de lutas é ditado pelo grau de consciência e organização de seus maiores interessados, os trabalhadores. Portanto, a atuação do partido no movimento sindical e nos movimentos sociais é fundamental e decisiva.
5º. Que no horizonte da luta pela ampliação da democracia está a construção de uma sociedade socialista, onde o mercado, ao invés de devastado pelos monopólios, seja superado pelo planejamento consciente do conjunto das atividades econômicas, à medida que os meios de produção se convertam em propriedade pública, através de um Estado que incorpore crescentemente às suas atividades as amplas massas da população, até esgotar seu papel e extinguir-se.

Da letra do Hino da Independência vem o nome deste novo partido que convocamos a brava gente brasileira a construir conosco: Partido Pátria Livre. Porque é exatamente disso que se trata: concentrar todas as energias para completar a grande obra da independência nacional.
Esta obra ainda não foi concluída. Várias gerações de brasileiros ao longo da história deram o melhor de si para desenvolvê-la e obtiveram êxitos notáveis. A maior parte dessa construção, que começou com Tiradentes, passou por Getúlio e chegou a Lula, já foi realizada. Mas a que falta deixa o país e o povo vulneráveis à espoliação externa que tolhe o nosso desenvolvimento econômico, político, social e cultural.

Concluí-la aceleradamente será o principal objetivo do Pátria Livre.

O primeiro passo dessa caminhada é recolher as 500 mil assinaturas, até o mês de junho de 2009, para que o PPL possa apresentar seus candidatos às eleições de 2010.
Aos companheiros do PMDB, com os quais tivemos a honra de conviver por mais de 30 anos no interior da mesma estrutura partidária, repartindo o pão, as glórias e eventuais desventuras, o nosso sincero e comovido reconhecimento. Seguiremos juntos na grande frente nacional que se aglutina em torno do presidente Lula, pela qual tanto nos batemos e que, ainda mais do que antes, continuará a contar com a nossa plena dedicação.

São Paulo, 7 de dezembro de 2008
Comitê Central do Movimento Revolucionário 8 de Outubro

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Copom afronta Lula e mantém juro; Fiep pede mudança no BC

O Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu ''ainda'' manter a taxa básica de juro (Selic) em 13,75% ao ano, sem viés nem de alta e nem de baixa. A decisão, condenada por protestos das centrais sindicais e uma ''calamidade inaceitável'' por entidades patronais, é também uma afronta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo os rumores que chegaram à imprensa nos últimos dias.

A decisão veio após quatro horas de reunião. A lacônica nota oficial de praxe admite desta vez que ''a maioria dos membros do Comitê discutiu a possibilidade de reduzir o juro'', mas anuncia que a decisão tomada, ''ainda'', foi ''por unanimidade''. Veja a íntegra da nota:
''Tendo a maioria dos membros do Comitê discutido a possibilidade de reduzir a taxa básica de juros já nesta reunião, em ambiente macroeconômico que continua cercado por grande incerteza, o Copom decidiu por unanimidade, ainda manter a taxa Selic em 13,75% a. a., sem viés, neste momento. O Comitê irá monitorar atentamente a evolução do cenário prospectivo para a inflação com vistas a definir tempestivamente os próximos passos de sua estratégia de política monetária.''

Finanças dizem amém, indústria não
Conforme a liturgia do Banco Central, a ata desta reunião será divulgada em 18 de dezembro, próxima quinta-feira, às 8h30. A próxima reunião do Copom ocorre nos dias 20 e 21 de janeiro de 2009.

A taxa Selic está em 13,75% desde 10 de setembro de 2008, após sucessivas majorações que a elevaram em 2,5 pontos. Essa é a segunda estabilidade seguida da taxa, após a do fim de outubro.

Entre os analistas das chamadas instituições financeiras, esta era a previsão amplamente majoritária. De 60 dessas instituições consultadas pelo AE Projeções, 58 esperavam a manutenção da taxa e apenas duas aguardavam redução, com o menor índice conforme a praxe do Copom, de 0,25 ponto porcentual.

Já na esfera do chamado capital produtivo, a primeira reação foi francamente crítica: o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Rodrigo da Rocha Loures, afirmou que é preciso mudar a condução do Banco Central. “Ao manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano a equipe do Banco Central se mostrou obsoleta para lidar com o cenário e os efeitos da crise”, disse.

Horas antes, as manifestações promovidas pelas centrais sindicais na tentativa de sensibilizar o Copom insistiram nesta mesma tecla: 'Ou caem os juros, ou cai Meirelles', foi a palavra-de-ordem (clique aqui para ver mais).

''Uma verdadeira calamidade''
Na avaliação do dirigente da Fiep, deixar a taxa neste nível representa a validação de uma política recessiva. “Não podemos aceitar a decisão do Copom. Ela se mostra uma verdadeira calamidade ao não agir para evitar a destruição do espírito empreendedor que fez o país crescer nos últimos anos. O governo precisa agir rápida e pesadamente em favor da produção, ajustando a política monetária e cambial para que tenhamos capacidade de financiar o setor produtivo”, destaca.

“Não se justifica o uso da pseudo-ortodoxia em vigor em nome de uma suposta ameaça inflacionária que só é enxergada pelos `guardiões da moeda`. Em termos do balanceamento de riscos entre inflação e recessão, não há nenhuma dúvida de que o risco de recessão é muitíssimo maior e possui, caso se confirme, conseqüências mais negativas para a economia como um todo”, argumentou Rocha Loures.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Centrais mobilizam 35 mil em Brasília pelo desenvolvimento

Vindos de todos os cantos do país, mais de 35 mil trabalhadores, sob forte chuva que atingiu o Plano Piloto, ocuparam a Esplanada dos Ministérios, nesta quarta-feira (3), para defender medidas que afastem os efeitos da crise internacional do Brasil e mantenham o crescimento econômico e a geração de empregos. A manifestação fez parte da já tradicional Marcha Nacional da Classe Trabalhadora, que este ano chegou a sua quinta edição.

Embora portando uma pauta com 18 propostas, a redução da taxa básica de juros foi a frase mais proferida pelos dirigentes da CUT, Força, CGTB, CTB, Nova Central e UGT, que além de marcharem por mais de seis quilômetros do estádio Mané Garrincha até o Congresso, tiveram uma agenda cheia de reuniões com representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário.

“Viemos mostrar ao presidente Lula que a classe trabalhadora está unida e mobilizada para defender as medidas necessárias para não deixar que o Brasil seja atingido pela crise. A primeira, e mais importante delas, é que é preciso parar com essa política econômica perversa de juros nas alturas. É preciso dar uma demonstração para a sociedade e abaixar os juros. Em segundo lugar, precisamos controlar o fluxo de capitais, dar um basta na farra das multinacionais, que remetem bilhões para as suas matrizes e aparecem de pires na mão diante do governo para pedir dinheiro, ameaçando com demissões. Não somos contra as empresas remeterem lucros, mas não da forma como está sendo feito. Uma parte do dinheiro deve ser reinvestido no Brasil”, afirmou o presidente da CGTB, Antonio Neto.

Após a caminhada, os trabalhadores realizaram um ato político em frente ao Congresso Nacional, contando com a presença de uma série de parlamentares que foram manifestar o apoio às reivindicações das centrais. Um deles a discursar, o deputado Vicentinho (PT-SP), foi portador da notícia de que duas das bandeiras da Marcha haviam tido um andamento significativo neste mesmo dia. O parlamentar informou que a Convenção 151 da OIT (que regulamenta a negociação coletiva no serviço público), tinha sido aprovada na Comissão de Trabalho da Casa e seria remetida ao Plenário. A segunda viria a se concretizar logo a tarde, quando o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, anunciou que pediria regime de urgência para a tramitação do projeto que prevê a redução da jornada de trabalho para 40 horas sem redução de salário.

Encerrada a manifestação, considerada a maior das cinco já realizadas, os dirigentes das centrais foram recebidos, inicialmente, pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci, e na sequência pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. De acordo com o presidente da CUT, Artur Henrique, as centrais foram dar seguimento à agenda apresentada para o ministro Dulci e para o próprio presidente Lula na semana passada.

Artur afirmou que as centrais cobraram do governo urgência na criação de mecanismos que proporcionem, por um lado, que o dinheiro liberado pelo governo através do compulsório e dos empréstimos públicos chegue às empresas e, por outro, que os financiamentos assegurem contrapartidas sociais. O presidente cutista disse que é um absurdo uma empresa como a Vale do Rio Doce, que recebe financiamentos do BNDES, que tem participação acionária de fundos de pensão das estatais, anunciar a demissão de 1.400 trabalhadores.

“Nós queremos que o governo reduza os juros, para que o dinheiro chegue na produção. Queremos que o governo baixe o superávit primário, para que sobre dinheiro para investir na infra-estrutura. Nós precisamos que o governo acabe com o fator previdenciário. Queremos que o governo corrija a tabela do imposto de Renda e propomos que o governo faça uma nova tabela par quem ganha mais, pague mais, e quem ganha menos, não pague imposto. Nós queremos também aumentar as parcelas do seguro desemprego. Queremos ainda que todas as empresas que recebem dinheiro público garantam os empregos dos trabalhadores”, destacou o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva (Paulinho), ao discursar no final da Marcha.

No documento entregue pelos sindicalistas, assinado pelos presidentes da centrais citadas acima e pelos presidentes da UGT, Ricardo Patah, e da NCST, José Calixto Ramos, os trabalhadores enfatizam que a desregulamentação da economia pelo modelo neoliberal provocou a crise e que é necessário uma maior intervenção e controle estatal na atividade econômica. “Assim, é fundamental uma intervenção rápida, correta e decisiva do Estado brasileiro, para impedir que estes efeitos se espraiem sobre todos os setores, interrompendo bruscamente um processo de crescimento econômico em curso desde 2004”, diz o texto.

Segundo o presidente da CTB, Wagner Gomes, a marcha teve o objetivo de “dizer que o governo precisa baixar os juros, para dizer que o superávit deve ser usado em investimentos”.

A CUT ainda agendou para depois da V Marcha um ato público em frente ao Ministério do Trabalho, cobrando o envio e a aprovação do projeto de lei que institui a contribuição negocial, além da revogação da instrução normativa que institui o desconto da contribuição sindical para os servidores públicos.

Fonte: Hora do Povo

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Presidente da Petrobras desmente Miriam Leitão

Em carta direcionada a Miriam Leitão, colunista de O Globo, o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli recomendou a ela que faça “comentários baseados em fatos e dados e não em informações inverídicas.” Ao comentar o empréstimo de R$ 2 bilhões feito pela estatal do petróleo junto à Caixa Econômica Federal (CEF), a jornalista diz que se a revelação do mesmo veio de um senador da oposição, as críticas feitas pelos jornalistas especializados são técnicas.

“Não é verdade que a revelação do empréstimo da CEF veio de um senador da oposição. Os dados deste empréstimo foram publicados, de forma absolutamente normal, nas informações regulares que prestamos às autoridades e a todo o mercado financeiro quando da divulgação do nosso balanço trimestral”, diz Sérgio Gabrielli.

Segundo ele, os dados poderiam se acessados no site da empresa na seção de relatórios financeiros. “Ele está reportado nas Informações Trimestrais - ITR do terceiro trimestre de 2008, nas páginas 84 e 85, que foram arquivados na Comissão de Valores Mobiliários e amplamente divulgados pela Petrobras em 11 de novembro de 2008”, explicou.

Diz a jornalista, depois de ressaltar a robustez da empresa e uma extraordinária história de crescimento, que por ter como acionista o controlador do Tesouro e milhões de acionistas, teria que prestar contas, “ter accountability e transparência”.

O presidente da empresa afirma que também não é correta a “insinuação de que a empresa não possui critérios contábeis transparentes.” “Adotamos práticas e procedimentos de forma amplamente reconhecida pelo mercado e analistas como dos mais transparentes da indústria. Atendemos a todos os requisitos contábeis da legislação brasileira e dos Estados Unidos da América”, refuta.

Ele ressalta que o empréstimo da CEF de fato apresenta algumas “singularidades” pelo seu volume e por ter sido realizado com instituição bancária brasileira no mercado nacional. “Singular, aliás, é o momento que vivem o mercado financeiro e as empresas em todo o mundo em conseqüência da grave crise originada pelos Estados Unidos e países ricos.”

Até recentemente, segundo ele, a empresa vinha realizando de forma trivial, operações semelhantes no mercado internacional, “mas sem a repercussão provocada pela politização, muitas vezes irresponsável, tão conveniente à oposição.”

Explicação técnica
A colunista diz que a empresa informou que gastou R$ 4,9 bilhões subsidiando o diesel, o que para ela “é uma informação espantosa, por vários motivos.” Afirma que o diesel é uma ferida na imagem da empresa.

“Quem acompanhou o debate sabe que o Conama aprovou uma resolução, em 2002, para reduzir o teor de enxofre no diesel, que é de 500 partes por milhão (ppm) nas grandes cidades e 2.000 partes por milhão no resto do país.”

Para ilustrar o disparate, a jornalista revela que no México são 50 ppm, nos Estados Unidos 10 ppm e na Europa 5ppm. “O mundo caminha para limpar o enxofre do diesel, pelos terríveis efeitos nocivos que ele tem na poluição atmosférica e na saúde da população”, argumenta.

“A informação lateral que se tem, a partir do caso Caixa-Petrobras, é que a empresa tem comprado lixo no mundo. O mundo não quer mais um diesel tão sujo. E o contribuinte e o acionista têm subsidiado o consumo de um produto que o consumidor, se pudesse escolher, rejeitaria. É uma situação absurda”.

Gabrielli diz que é mentirosa a afirmação de que a resolução do Conama define limites para a redução do enxofre. “Ela (a resolução) se refere a emissões de particulados, o que não é tecnicamente a mesma coisa.”

Também explica que é equivocada a relação que a colunistas faz entre importações e presença de enxofre do diesel. “A diferença entre preços de importação e vendas do mercado brasileiro se ampliou devido ao ritmo rápido de aumento dos preços internacionais em meados do ano de 2008, quando o preço do barril atingiu a faixa dos 140-150 dólares.”

Entre outras divergências, o presidente da Petrobras lamentou os comentários da colunista que, na sua opinião, possui uma visão preconcebida sobre as motivações políticas das empresa e que as críticas que são feitas tem origem técnica.

“Não concordo com esta visão e acredito que a maior parte das críticas neste momento é motivada por razões profundamente políticas e ideológicas, sem embasamento técnico”, conclui.

Fonte: Portal Vermelho

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

O SONHO BOLIVARIANO

Paulo Roberto Aguilera

Verdade que nós brasileiros conhecemos muito pouco Simon Bolívar. Na verdade conhecemos muito pouco também Tiradentes.

A verdade é que Bolívar tinha um sonho, o de unificar toda nossa América. Por circunstâncias somos os únicos latinos que falamos Português.

Há tempos vem ocorrendo um fenômeno em nossa latinoamerica. Governantes identificados à "esquerda" têm vencido seguidos pleitos eleitorais, quando não, chegam muito próximo da vitória.

Mesmo na Colômbia que tem uma das mais "tristes-putas" classe política, com um narco-traficante na presidência da república, surge uma esperança de saída política. Na Colômbia, a esquerda teve quase 3.000 lideranças, deputados, senadores covardemente assassinados e mesmo assim a "gorda Imprensa" não entende o surgimento e manutenção das FARC's. Mesmo lá o "Pólo Democrático" através de seu candidato Carlos Gaviria obteve quase 3 milhões de votos!

No Peru, mesmo com todo terrorismo Ollanta Humala, quase vence as eleições e hoje passado dois anos das eleições é a principal liderança do povo Peruano diante do desgastado e repudiado Allan Garcia.

Nosso querido Paraguay se levanta e elege Fernando Lugo! O sexagenário partido Colorado, finalmente foi defenestrado, e pela "esquerda".

Nosso grande México(pobrezinho tão longe de Deus e tão perto dos EUA) não fosse texana fraude, a "tsunâmica" fraude, estava sob a direção de López Obrador, mesmo oriundo do PRI, representa a nova base do Nacionalismo, è hoje a principal liderança política mexicana e não tarda sua chegada ao poder.

A tibiês da Chilena Bachelet e do companheiro Tabaré no Uruguai, terá suas nuances com o advento da crise, óbvio, no leito da esperança se elegeram, comportadinhos ficaram, agora terão que se "picar". Merecem nosso crédito, mas SE PICA! Tabaré!

A Nicaraguá menina, luta bravamente e tenta resistir com o companheiro Ortega. El Salvador com sua heróica Frente Farabundo Martí, terá titânica tarefa para se levantar mas também é a única esperança de seu povo diante da covarde postura dos EUA.

Nosso querido amigo, comandante e líder da Revolução Bolivariana, Hugo Chavez, acaba de vencer mais uma eleição, se não me engano, a décima! E a "Imprensa Gorda" ainda tenta questionar a democracia venezuelana. Como pregou na campanha, Chavez irá APROFUNDAR A DEMOCRACIA!

Rafael Correa restabelece a dignidade e a soberania aos irmãos Equatorianos, Beleza!

E nossa historicamente usurpada BOLÍVIA? Vê ressurgir a sombra ou ao "grande espectro" de CHE a construção de uma Nova Política! Evo Morales derrotou os golpistas, os assassinos, venceu as eleições e mandou o Agente Terrorista da CIA, disfarçado de embaixador, Picar a Mula!, voltar as profundezas do inferno com seu Pai, o Bush.(El diablo estuvo acá)

Brasil, a meu Brasil brasileiro...

Vamos lá LULA querido, solta o serviço rapaz! Aproveita a Marola e despacha o Meirelles e sua "curríola". Não perca o bonde da história!

E pra não perder a rima, que não era intenção, ficará pra traz, com a brocha na mão...

Paulo Roberto Aguilera é jornalista, sociólogo e colaborador do BÓIA.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

A mídia e as eleições na Venezuela

Altamiro Borges

Na entrevista coletiva em que reconheceu os resultados das eleições e enalteceu a vitalidade da democracia na Venezuela, o presidente Hugo Chávez aproveitou para criticar a cobertura da rede estadunidense CNN. Lembrou que de apoiadora do golpe de abril de 2002, a emissora ianque se transformou no principal cabo eleitoral da oposição direitista no país, manipulando informações para desqualificar o governo venezuelano. A crítica de Chávez serve perfeitamente para analisar a cobertura da mídia brasileira das eleições deste domingo.

Antes do pleito, Folha, Estadão e TV Globo, entre outros veículos, tentaram vender a imagem de que o processo eleitoral seria viciado e de que o governo apelaria à truculência contra a oposição. O correspondente da Folha em Caracas, Fabiano Maisonnave, ex-petista que virou um rancoroso antichavista, pinçou trechos dos discursos de Chávez, descontextualizando-os, para mostrar um governo autoritário, violento, ditatorial. “Chávez usa ameaças para tentar conquistar estado mais rico”, foi uma das manchetes do cínico jornal, que apoiou o golpe militar e as torturas no Brasil.

Sucursal rastaqüera da CNN
Concluída a apuração, a mesma mídia venal passou a festejar a “vitória da oposição”. Os âncoras do Jornal Nacional da TV Globo saudaram, alegremente, “a derrota do presidente Chávez”. O correspondente antichavista da Folha, guindado agora ao posto de colunista e puxa-saco oficial da famíglia Frias, vaticinou o declínio da revolução bolivariana. “Chávez sai desta eleição mais parecido com o caudilhismo rural do século 19”, escreveu o postulante a intelectual da direita.

A manipulação da mídia nativa, sempre tão servil às opiniões do “império do mal”, uma sucursal rastaqüera da CNN, é grosseira. Ela não deu manchetes para os resultados objetivos do pleito, realçando apenas os êxitos da direita. Um jornalismo mais imparcial noticiaria que os chavistas venceram em 17 dos 22 estados; em 233 prefeituras, contra 57 dos oposicionistas; que o PSUV, o partido recém-fundado do presidente Chávez, conquistou 5,6 milhões de votos – no referendo de dezembro passado, o governo teve 4,4 milhões de votos. A mídia seria obrigada a reconhecer que o Chávez continua com invejável força e prestígio, após 10 anos de governo e 14 eleições.

Quadro político mais complexo
Uma análise mais nuançada, menos envenenada pela mídia, aponta certo equilíbrio no resultado eleitoral deste domingo. Indica que a direita oligárquica, que sabotou as eleições de 2004 e que agora decidiu se dobrar às regras democráticas, ainda tem força no país. Ela está fora do governo central, mas mantém seu poder econômico e midiático; conta com o ostensivo apoio dos EUA; e aproveita-se também das limitações da própria “revolução bolivariana”, inclusive das suas falhas administrativas. A oposição passa a governar cinco estados, entre eles o de Zulia, maior produtor de petróleo do país, Miranda e Carabobo. Também dirigirá a estratégica prefeitura de Caracas.

Como raciocina Gilberto Maringoni, autor do livro “A Venezuela que se inventa”, o resultado do pleito torna mais complexa a disputa política no país vizinho. “O governo segue com o apoio da maioria da população, mas a situação do país apresenta nuances... Esta nova oposição, assentada nas mesmas bases sociais da anterior – meios de comunicação, poder econômico e governo dos EUA –, ao que tudo indica, muda qualitativamente o panorama político do país. Possivelmente, o discurso chavista terá de se reciclar”. A direita não venceu, como difunde a mídia, mas o quadro político do país sofreu alterações, o que exigirá muito firmeza de princípios e habilidade tática.

Na entrevista coletiva, o presidente Hugo Chávez parece já ter assimilado o resultado da eleição. Após criticar os setores oposicionistas mais raivosos, ele convocou os vencedores a defenderem a democracia e a Constituição. “Ninguém mais pode dizer que não há democracia na Venezuela. O povo se manifestou de maneira livre e contundente. O que os oposicionistas que venceram em alguns estados e municípios devem fazer agora é reconhecer o triunfo da revolução bolivariana como nós reconhecemos as suas vitórias... Oxalá que se dediquem a governar com transparência, dignidade e respeito à Constituição. Oxalá que não voltem aos velhos caminhos do golpismo”.

Altamiro Borges é colunista do portal Vermelho

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Venezuelanos comparecem em massa às eleições regionais

O chamado feito tanto pelos governistas quanto pela oposição para que os venezuelanos votassem nas eleições regionais deste domingo (23) foi atendido e milhões de eleitores lotaram as zonas eleitorais. Na última votação, ocorrida em dezembro de 2007,mais de 53% dos eleitores deixaram de comparecer. A abstenção tem sido historicamente alta na Venezuela, onde o voto não é obrigatório. Mas neste domingo, o histórico de grandes abstenções deverá mudar.

Às 19 horas (horário de Brasília) as eleições já haviam terminado, mas vários locais de votação permaneceram abertos para que os eleitores que estavam na fila pudessem votar, informou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, citada pela AFP. No entanto, os resultados só serão conhecidos quando todos os votos forem apurados.

A justiça eleitoral proibiu os meios de comunicação social de divulgarem sondagens de boca de urna ou quaisquer projeções de resultados. O CNE também já anunciou que não vai emitir resultados parciais.

Cerca de 17 milhões de eleitores venezuelanos puderam escolher entre 22 governadores, 328 presidentes de câmara e 233 deputados regionais.

O presidente Hugo Chávez votou no bairro de 23 de Enero, no oeste de Caracas. "Honra ao vencido e glória ao vencedor e, amanhã, a Venezuela segue a sua marcha", disse ao votar.

Eleições regionais de importância crucial
Estas eleições não têm um caráter apenas regional, uma vez que serão uma espécie de "referendo" às políticas de Chávez e do seu partido, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), que deverá vencer na maioria dos estados, ainda que a oposição tenha boas hipóteses nos estados mais povoados.

O processo é considerado vital pelo presidente da Venezuela para avançar seu projeto socialista. Desde o amanhecer, centenas de eleitores começaram a formar longas filas nas imediações das sessões eleitorais, à espera da abertura dos locais.

Após as 7 horas da manhã, representantes do Conselho Nacional Eleitoral ordenaram a abertura das 34.899 sessões eleitorais em todo o país.

Já na madrugada, simpatizantes de Chávez estouraram rojões nos bairros da periferia, para acordar a população e motivá-la a ir votar.

Enquanto aguardava a abertura da sessão eleitoral, em um bairro central de Caracas, Aquiles Vera, empregado de uma construtora com 47 anos de idade, disse que decidiu votar para garantir a "permanência do presidente" e dos seus programas sociais.

Isabel Cepeda, uma comerciante de 52 anos, disse na fila de votação perto de uma escola em Maracaibo, segunda maior cidade do país, que votaria na oposição, porque deseja "que continue a democracia em nosso país. A democracia foi seqüestrada na Venezuela".

Correndo atrás do prejuízo
Decidido a se recuperar do revés eleitoral no referendo de 2007, Chávez teve uma participação ativa durante os quase dois meses de campanha e transformou as eleições em um tipo de plebiscito.

Cerca de 8 mil candidatos de mais de 786 organizações políticas disputam as eleições.

Dezenove dos 23 estados e unidades administrativas da Venezuela estão nas mãos do governo, após terem sido conquistadas em 2004, em um sufrágio que foi em grande parte boicotado pela oposição. A oposição controla atualmente os estados de Zulia - o maior do país - e Nueva Esparta, enquanto grupos dissidentes do governo governam os estados de Aragua, Sucre e Guárico.

A oposição pretende se manter no poder em Zulia e Nueva Esparta e conquistar o governo de alguns dos principais estados, como Miranda e Carabobo.

Conforme a BBC, pesquisas apontam vitória dos chavistas na maioria dos estados.

Chávez: respeito aos resultados
Seja qual for o resultado, Chávez disse neste domingo que o acatará, mesmo que seu governo não saia vencedor das urnas.

"Sempre estamos preparados para reconhecer qualquer resultado. Sempre reconhecemos nossa derrota, inclusive grandes derrotas, como a do ano passado, [do referendo] da reforma constitucional", afirmou Chávez, segundo a BBC Brasil.

Chávez pediu que a oposição também respeite os resultados. "Se não reconhecerem [os resultados], pior para eles, morte política. Mas o Estado está preparado para fazer cumprir a vontade do povo, a decisão do povo que será anunciada pelo Conselho Nacional Eleitoral", disse.

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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

CRISE ECONÔMICA: “Quem pariu Mateus .... nunca embala”

José Carlos Trizotti

Por mais que muitos propaguem a falência da teoria marxista sobre o capitalismo e sobre quem padece de seus males – sem querer ignorar as mudanças e transformações por que o sistema capitalismo passou e passa – a atual crise financeira que abala as principais potências econômicas está a mostrar a atualidade do que foi pensado a mais de um século.

O trabalhador e classe média, quando necessitar vender algum bem ou produto já está a ouvir: o preço caiu devido à crise; Quando necessita adquirir algo, a resposta é inversa: o preço está alto, por causa da crise econômica, por causa da alta do dólar, dos aumentos dos preços das importações, da diminuição dos créditos, do aumento das taxas de juros e assim por diante.

Porém e os produtos que independem do dólar, dos juros, das importações? O produtor rural ao vender sua safra de feijão, receberá como resposta que os preços estão mais baixos por causa da crise. O assalariado quando for ao supermercado comprar o mesmo feijão, encontrará a resposta de que o preço aumentou por causa da crise.

A classe média ao buscar vender um veículo usado, receberá a informação de que o preço dos automóveis caiu por causa da crise. Quando for adquirir o mesmo veículo, a resposta é inversa: o preço aumentou por que o crédito está menor, o juro está alto, porque as vendas caíram, os salários aumentaram.

Quando o sindicato busca aumento de salários, a resposta é que a crise afetou a produção, os custos, etc., etc.. Alegam que estão concedendo até férias coletivas como reflexo da crise. Ocorre que nesta época do ano as principais empresas sempre concederam férias coletivas, com ou sem crise, mas em decorrência da sazonalidade da produção industrial em determinados setores.

E quem ganha com a crise? Os mesmos que a provocaram, ou seja, os grandes grupos econômicos, grandes comerciantes e especuladores e principalmente o setor financeiro.

E não só os trabalhadores e a classe média que estarão pagando o preço da crise econômica. O mesmo ocorrerá com os paises menos ou em fase de desenvolvimento. Ou seja, a máxima de quem “pariu Mateus que o embale” não serve para este caso. Esperemos para ver e conferir.

José Carlos Trizotti é Sociólogo Especialista em Economia do Trabalho, Assessor da Força Sindical PR e Colaborador do Bóia Quente.

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quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Os caminhos da recessão

Luis Nassif

A recessão tornou-se global. Na verdade, o que houve esta semana foi apenas a comprovação estatística do que já se sabia. Os dados mostraram o segundo trimestre do chamado “crescimento negativo” (eufemismo para queda) da economia japonesa, alemã, britânica, americana.

A maneira como a recessão se transmite para outras economias é através de dois canais. O primeiro, o canal do comércio. Uma grande economia entra em recessão. Cai o consumo interno e, com ele, as importações – isto é, as vendas de outros países.

O segundo canal é o do crédito. Com menos dinheiro disponível, são afetados o financiamento das exportações e também o crédito interno das economias mais abertas.

No caso brasileiro, a economia será afetada da seguinte maneira:
1. Com menos crédito, haverá menos consumo. Menos consumo resultará em menor produção. Menor produção levará a menor emprego. Menor emprego a menor consumo.

2. Parte da queda de consumo interno será compensada pela desvalorização do real. As importações ficarão mais caras e haverá alguma substituição por produção interna. Ou seja, a queda das importações deverá ser maior do que a queda do consumo, amenizando um pouco a queda da produção interna.

3. Do lado das exportações, a desvalorização cambial aumentará a competitividade das exportações brasileiras. Mas haverá uma redução substancial na renda agrícola – por conta da redução das cotações e do consumo internacionais; e pelos efeitos da interrupção do crédito. E levará algum tempo para que haja uma reação das exportações de manufaturados, justamente pela crise mundial e pelo tempo que leva para recuperar mercados perdidos no período de apreciação do real.

Na outra ponta, as forças anti-cíclicas (anti-recessão) se concentrarão nos seguintes pontos:
1. Manutenção dos gastos públicos, tanto nos investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) quanto na política de transferências – Bolsa Família e Previdência Social. O setor privado investe e produz quando há garantia de mercado. O PAC garante investimentos em equipamentos e as políticas sociais consumo de bens não-duráveis.

2. Tentativa de recomposição de parte do crédito que evaporou.
Em cima desses pontos, há questões macro-econômicas relevantes, a serem tratadas. A principal delas é a volta dos déficits no balanço de pagamentos.

As transações correntes (tudo o que entra e sai em dólares fora do mercado financeiro) eram positivas. Ficaram gradativamente negativas, mas o rombo era compensado pelas expectativas de entrada de investimentos externos.

Agora, as projeções do mercado (através da pesquisa Focus) indicam gradativamente um aumento no déficit do balanço de pagamentos. Ou seja, o déficit nas transações correntes não serão compensados pelos investimentos externos.

Esse ponto explica, em parte, as pressões sobre o dólar, mesmo depois que as empresas que tinham especulado com derivativos deixaram de pressionar o mercado. Ainda não se sabe o resultado final na balança. Há condições objetivas da crise brasileira ser menor que a dos países centrais.

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terça-feira, 18 de novembro de 2008

Para Dilma, crise deveria levar ricos a privilegiar etanol

FICHA DA DILMA NO DOI-CODI(clique na imagem para ampliar)

Os países desenvolvidos afetados pela crise financeira deveriam privilegiar uma "agenda verde" de investimentos sustentáveis em suas políticas anticíclicas e priorizar, inclusive, aportes em biocombustíveis. A opinião é da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que participou nesta segunda-feira (17) da Conferência Internacional de Biocombustívies, em São Paulo.

"A crise financeira internacional é, sem sombra de dúvida, algo grave pois compromete a a demanda mundial. Mas há um conjunto de países, incluindo Estados Unidos e Europa, cientes da importância de investimento em algumas áreas. No caso dos EUA eles mesmos mencionam o segmento de energia no setor de combustíveis verdes, renováveis ou que não tenham emissão de carbono", comentou a ministra.

Segundo ela, "é cogitado" que o apoio à recuperação da própria indústria automobilística americana seja condicionado ao uso de tecnologias limpas. Em sua exposição, Dilma mencionou a importância do mercado interno de etanol, e da cadeia de produtiva desenvolvida no país nos últimos anos.

Potencial exportador
Ainda assim, a ministra destaca que é preciso aproveitar o potencial exportador deste setor e desenvolver políticas de mercado em conjunto com outros potenciais fornecedores, da África, da América Latina e do Caribe.

A ministra destacou que problemas de crédito no setor estariam sendo sanados por meio do pacote governamental de capital de giro de R$ 10 bilhões e que eventual criação de pacotes específicos para o segmento dependeriam da "necessidade".

Dilma diz que é preciso que haja segurança comercial no fornecimento de biocombustíveis para o sucesso das exportações do produto. Assim, convém ao Brasil que seja parceiro na oferta de experiência e tecnologia em outros países em desenvolvimento para garantir uma produção maior, sem risco para abastecimento da demanda local e externa. Para isso, a diversificação de fornecedores é "muito importante", avalia a ministra.

Outra questão levantada pela ministra é a necessidade de rever a prática de barreiras tarifárias em países desenvolvidos contra biocombustíveis vindos de países emergentes. "Esse mercado precisa de um sopro de ar que acabe com o protecionismo", disse, acrescentando que tal prática é "incompatível" com a criação de um ambiente em que os biocombustíveis tenham relevância internacional.

Zoneamento protegerá Amazônia e Pantanal
Para uma platéia com muitos convidados estrangeiros do setor de biocombustívies, Dilma fez questão de informar que o governo está providenciando um "zoneamento agroecológico do etanol", que terá como objetivo indicar as regiões onde podem ou não ser feitas plantações de cana de açúcar. O objetivo seria não só preservar localidades como Amazônia e Pantanal, por exemplo, mas também levar em conta questões de solo e produtividade do plantio.

Não ficou de fora também o alerta da ministra de que a produção de biocombustível no Brasil não compromete a produção de alimentos e que ambos os mercados têm se desenvolvido bem simultaneamente.

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sexta-feira, 14 de novembro de 2008

SUCESSÃO ESTADUAL: O Conflito do Coração e o Cérebro


José Carlos Trizotti

Muito se fala e escreve sobre a sucessão estadual, e estamos ainda a dois anos das eleições. Na verdade o que lemos e ouvimos tem mais de desejos e menos de projeção real. É o conflito entre o coração e o cérebro.

O cenário político do Paraná aponta quatro grupos em condições de disputa ao Governo do Estado, sendo o PDT com Osmar Dias, o PSDB com Álvaro Dias ou Beto Richa, o PT com Paulo Bernardo ou Jorge Samec e o PMDB com Orlando Pessuti – único nome cogitado pelo partido até o momento. Uma análise mais simples apontam para a junção dos 4 em dois grupos eleitorais, juntando-se o PSDB com PDT e PT com PMDB – e seus respectivos aliados. No entanto em política tudo é dinâmico e o que hoje parece fato, no amanhã apenas sonhos pós despertar.

O PMDB e PT no Paraná vivem em constantes conflitos. O PDT de Osmar Dias que vive aparentemente em harmonia com o PSDB de Beto Richa, depende de fatores externos. O PDT é aliado nacionalmente da coalizão do Presidente Lula. Acrescente-se isto a chamada verticalização, onde se o PDT coligar-se com uma candidatura do PT, inviabilizaria o apoio do PSDB no Paraná. Isto levaria necessariamente o PSDB a lançar candidato que oferecesse palanque ao Governador José Serra, provável candidato do PSDB.

Assim adversários no Paraná, como o grupo político de Osmar Dias e o PT, que já são aliados nacionalmente, podem estar juntos no Paraná em 2010. O mesmo pode ocorrer com o PMDB e o PSDB, com Álvaro Dias – e não o Beto Richa – ao Governo do Estado. Então as quatro maiores forças políticas eleitorais do Estado, podem mesmo fundir-se em duas, porém diferente das que visualizamos neste período pós-eleições municipais.

Quando digo que o que ouvimos e lemos está mais no campo dos desejos do coração é exatamente pela dependência de todas estas variáveis.

Evidentemente que desejos influenciam, quando provenientes de lideranças com capacidade de intervenção e modificação da realidade política. Mas concretamente é cedo para podermos traçar um quadro real do que virá em 2010, cabendo tão somente neste momento, a especulação propriamente dita por muitos que sonham com projetos pessoais, ou aos que representam grupos sociais e políticos, externar projeções do quadro político com a clara – e legítima – intenção de ir moldando a realidade aos seus projetos eleitorais.

José Carlos Trizotti é Sociólogo, Especialista em Economia do Trabalho, Assessor da Força Sindical do PR e colaborador do Bóia

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