domingo, 15 de novembro de 2009
Sites e blogues superam revistas e jornais somados
Pesquisa encomendada pelo Grupo Máquina ao Vox Populi que ouviu 2,5 mil pessoas mostra que a principal fonte de informação do brasileiro ainda é a TV com 55,9% da preferência dos entrevistados, mas o segundo já são os sites de notícias e blogues, com 20,4%, um resultado fantástico para um tipo de comunicação que ainda não chegou à adolescência.
E mais fantástico ainda porque é o dobro do público que se informa por jornais impressos, preferidos de 10,5%. E quase três vezes mais do que o rádio, com 7,8%. Não pensem, porém, que a força da internet se resume à força de sites e blogues.
As redes sociais já contam 2,7% da preferência dos pesquisados como fonte primeira de informação, estando à frente dass versões online dos jornais, 1,8%, e das revistas impressas, com 0,8%.
Um Em relação à credibilidade, os sites e blogues jornalísticos também ocupam boa posição. Neste quesito, o rádio está em primeiro lugar com nota média de 8,21 e os sites e blogues jornalísticos estão um centésimo atrás com 8,20. Só depois aparecem TV, 8,12, jornais online, 8,03, jornais impressos, 7,99, revistas impressas, 7,79, redes sociais, 7,74, e revistas online, 7,67.
Como comenta o Renato Rovai em seu blog: ?Há alguns dias escrevi aqui que não se pode mais denominar de grande mídia os jornais diários brasileiros, dada a irrelevância das tiragens que têm. Esta pesquisa só reforça a tese de que cada vez mais brasileiros estão formando sua opinião de forma horizontal, a partir de espaços onde não são apenas expectadores, mas também analistas e produtores de informação?.
CPI do setor elétrico: sobram razões
Nada como um escândalo para sepultar o outro. Na semana passada, frente a uma CPI da Câmara, os presidentes das maiores concessionárias do Brasil confessaram que a ANEEL, que deveria fiscalizar o setor elétrico, autorizou-lhes cobrar 1 bilhão de reais a mais, por ano, dos consumidores. E que todos sabiam da irregularidade, que vem desde a privatização, mas não fizeram nada.
A notícia ainda não tinha chegado a todos os brasileiros, quando um estranho apagão começou em São Paulo, onde por razões ainda desconhecidas não foi acionado um sistema de ilhamento do blecaute e ele se espalhou pelo Brasil.
O “sumiço” dos 10 bilhões e sua devolução às vítimas foi de repente, substituído por uma enquete na qual o internauta pode votar: “Qual foi o pior: O apagão de quatro horas em 2009 ou o racionamento em 2001, de oito meses?
No blog www.tribunadosetorelétrico.blogspot.com, no artigo “A Gênesis de um erro”, um link para o acórdão 6.734/03 do Tribunal de Contas da União, na página 35 contabiliza em 45,2 bilhões de reais o custo do racionamento de 2001 para os consumidores. Uma decisão tomada no governo FHC para “compensar a frustração de receita das distribuidoras.”
Foram 8,3 contas de luz mensais, a mais, pagas pelos consumidores entre 2002 e 2008. Não sei se esse dinheiro todo foi aplicado em melhorar o sistema. Nem se a mesma CPI que achou “o erro” no caso dos 10 bilhões, descobriria onde foi parar tanto dinheiro.
A ANEEL também poderia ajudar. Mas acho difícil, pois a agência que controla o maior potencial hidráulico do mundo, a confiabilidade da energia para a nona economia do planeta e protege os direitos de 70 milhões de consumidores só tem 278 profissionais. Enquanto isso a ANAC tem 2500, a ANATEL 1600 funcionários.
No blog “Tribuna”, no trabalho “Uma Itaipu de Poluição”, aponto a anemia da ANEEL como uma das causas do enorme valor das nossas tarifas, as segundas mais caras do mundo. Enquanto há mais de 37.000 MW de projetos de hidroelétricas na ANEEL esperando há cinco, seis anos, porque a agencia tem só 12 analistas.
A falta dessas novas hidroelétricas nos obriga a usar mais as termoelétricas a diesel e a óleo combustível, cuja energia custa R$ 600 por MWh, contra R$78 das hidroelétricas do Rio Madeira.Energia muito mais poluente e agressiva.
Aos leitores, convido visitar a página da Consulta Pública 058/09 no site www.aneel.gov.br, com prazo para contribuições até 18 de novembro próximo.
Seu tema é importantíssimo, tem a ver com o apagão e é tão importante quanto o pré-sal. Sem fazer alarde, a ANEEL quer mudar regras para seleção dos inventários hidroenergéticos, que desde o ano passado, decidem, quem fica com os potenciais hidráulicos do país...
Nos itens 56 e 75 da Nota Técnica 291/09, lê-se “outra vantagem desse novo critério é conciliar interesses e evitar disputas”. Ou seja, a agência que deve zelar pela competição na geração, quer implantar regra que estimula o cartel para exploração “em conjunto” dos potenciais, frustrando a disputa, que no leilão do Rio Madeira, cortou o preço da energia em 35%!
O setor elétrico é importante demais para “casos encerrados”, que reabertos 10 anos depois, mostrem “enganos bilionários”. Precisamos de uma CPI do Setor Elétrico, mas sem holofotes eleitorais. Escreva para o seu deputado e dê a ele essa sugestão.
Quanto ao apagão de 2009, a investigação mostrará quem ou o quê desligou o sistema ERAT em São Paulo, que deveria “ilhar” as cargas, mas que não atuando, estendeu o problema em Itaberá para o resto do Brasil.
Ivo Pugnaloni engenheiro eletricista, ex-diretor da COPEL, membro do grupo de diretrizes de energia do programa do primeiro governo Lula. Fundador do PT em 1979, foi membro de seu Diretório Nacional. Atual diretor-técnico da Enercons Consultoria em Energia.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Lula diz que sofreu tentativa de golpe
Según la fiscalía, el supuesto pago de sobornos o financiamiento ilegal de campañas electorales de partidos aliados al PT en el Congreso tuvo la participación de una caja dos, que provocó la caída de la cúpula del partido de Lula.
El presidente dijo tener desconfianza del publicista Marcos Valerio, quien fue el financiador ilegal de las campañas de los aliados del PT y que también utilizó la misma estrategia con varios partidos opositores en el pasado.
“Marcos Valerio no viene del PT, ya hizo otras campañas. Cuando deje la presidencia me quiero enterar sobre el tema, pero como presidente no puedo estar husmeando en esas cosas”, dijo el presidente.
El presidente Lula dijo que no recibió en la época del escándalo, en 2005, una propuesta para negarse a presentarse a la reelección en 2006, pero reveló que fue alertado por un colaborador de que la oposición quería iniciarle juicio político.
http://www.abc.com.py/abc/nota/45570-Lula-denuncia-que-sufri%C3%B3-intento-de-golpe-en-2005/
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Fechar bar só funciona com pressão social
Fechamento após a 1h ajudou a reduzir homicídios em 34% em SP, mas sucesso depende de conscientização permanente, diz estudo
Com o fechamento de bares após a 1h, caiu 34% o número de homicídios em bairros da periferia de São Paulo entre 2004 e 2006. A medida, porém, só teve sucesso enquanto havia acompanhamento de agentes comunitários e fracassou mais tarde, pondera um estudo feito pela mestranda de Ciências Sociais, Tatiana Moura. O trabalho foi um dos sete vencedores do Prêmio de Monografias da I CONSEG (I Conferência Nacional de Segurança Pública).
Nos bairros do Capão Redondo, Jardim Ângela e Parque Santo Antônio, todos na zona sul da cidade, houve um acordo voluntário com donos de bares. Levantamentos da polícia militar mostravam que na região a maior parte dos crimes acontecia de madrugada e próximos aos bares. No Jardim Ângela, o número de homicídios entre novembro de 2004 e janeiro de 2005 foi 47% menor que um ano antes. No Parque Santo Antônio, a redução foi de 38% e no Capão Redondo, 14%. O projeto começou em agosto de 2004.
Uma equipe formada por policiais, promotores, membros da subprefeitura local e líderes comunitários se reunia mensalmente com os comerciantes e destacava a importância da medida. Apesar do sucesso, em 2006, ano de eleição presidencial, o conselho parou de se reunir. “No período de campanha política, as lideranças comunitárias foram trabalhar para os seus partidos e os promotores, que trabalhavam na fiscalização eleitoral, não podiam estar atrelados a nenhum tipo de liderança partidária”, aponta o estudo. “Essa integração e as conversas deixaram de ocorrer, o que acabou incentivando os donos de bares a reabrirem seus estabelecimentos nos horários antes restritos”.
Para Tatiana, a importância da ação comunitária se explica pelo perfil desses bairros. “Só a fiscalização não daria conta, a comunidade tinha que saber o que era, tinha que fazer pressão”, diz ela. “Essas regiões se caracterizam pela falta de recursos e antes dessa ação a polícia mal chegava lá, e quando chegava era de forma repressiva”, observa.
Com o objetivo de reduzir o barulho nas madrugadas, desde 1999 há em São Paulo uma lei pela qual os bares precisam ter uma autorização especial para permanecerem abertos após a 1h. A pesquisa, porém, mostra que nas áreas periféricas a lei só foi cumprida enquanto houve a atuação de agentes sociais e que a fiscalização não funcionava na região.
Tatiana ainda explica que a medida não teria o mesmo impacto em qualquer bairro. “A relação entre álcool e homicídios não se verifica na cidade inteira, geralmente ela existe em bairros periféricos”, destaca.
O concurso de monografias da I CONSEG recebeu ao todo 212 trabalhos acadêmicos e selecionou sete, cada um de um tema na área segurança, como gestão, financiamento, condições de trabalho, repressão, prevenção, sistema penitenciário e emergências. Os vencedores terão as despesas pagas em uma viagem a Colômbia, para conhecer práticas de segurança do país.
Também foram premiados trabalhos sobre atendimento psicológico a policiais, métodos de trabalho da perícia, treinamento policial, presos com doenças mentais e funcionamento do corpo de bombeiros. A lista dos vencedores está no site da I CONSEG.
Latinos são vistos como ameaça nos EUA
País aumentou repressão quando latinos se tornaram maioria dos estrangeiros; imigrantes já rechaçam cultura americana, diz estudo
Os Estados Unidos são caracterizados por crescente sentimento anti-imigrante, reforço da repressão contra imigração e enquadramento dos latinos como ameaçadores e indesejáveis. Esta é a avaliação do sociólogo Douglas Massey e da pesquisadora Magaly Sánchez, da Universidade de Princeton, em Nova Jersey. Os autores avaliaram a migração no país em um estudo que serviu de base para o Relatório de Desenvolvimento Humano de 2009.
O artigo, intitulado “Políticas restritivas de imigração e identidade do imigrante latino nos Estados Unidos”, afirma que para cessar o aumento na segregação entre americanos e imigrantes, é preciso que os EUA adotem três medidas: legalizar, anistiar e conferir direitos trabalhistas integrais aos ilegais; permitir a entrada legal de mais latino-americanos; e reforçar leis anti-discriminação para proteger a todos, “independentemente de raça, etnia, naturalidade e status de legalidade”.
Tendências históricas
Os autores dizem que os EUA começaram a fechar suas fronteiras e a oferecer menos oportunidades econômicas aos imigrantes ao passo que os latino-americanos se tornaram a maioria dos imigrados durante o século 20. Nesse período, acrescentam, as restrições à imigração favoreceram a segregação entre americanos e imigrados.
Por falta de recepção favorável e de oferta de emprego, argumenta o texto, os estrangeiros não obtiveram nos EUA a melhoria de renda e integração social que desejavam ao migrar e passaram a rechaçar a identidade e a cultura americanas – formando um grupo separado, oposto aos nativos. Massey e Sánchez concluem que os reforços contínuos na repressão à imigração agravaram a segregação, pois em vez de inibirem o aumento progressivo da população latino-americana e caribenha nos EUA, aumentaram o número de pessoas vivendo sem documentos.
Se entre 1900 e 1909, os europeus eram 92,7% do total de imigrantes que entraram no país, entre 1950 e 2000, os mexicanos se tornaram 54% do total, os caribenhos 20%, os originários da América Central 12% e os sul-americanos 11%, elenca o artigo. Esse aumento contrasta com o recrudescimento das restrições, avalia o texto, citando medidas como o Ato de Reforma da Imigração e do Controle, de 1986, “que criminalizou a contratação de imigrantes sem documentos”.
Também são lembrados o Ato de Imigração, de 1990, que reduziu o número de vistos para parentes de imigrantes já residentes no país e o Ato Patriota, de 2001, que conferiu ao presidente dos EUA o poder de deportar, mesmo os estrangeiros legalizados, sem apresentação de evidências.
Além disso, países como o México sofreram com a diminuição das quotas de ingresso: em 1959, os EUA ofereciam aos mexicanos 450 mil vistos de trabalho por ano e vistos de residência ilimitados. “Duas décadas mais tarde não havia vistos de trabalho e apenas 20 mil vistos de residência disponíveis”. Como conseqüência, dos 11,1 milhões de pessoas sem documento que viviam nos EUA em 2005, “56% eram do México, 22% de outros países da América Latina e apenas 6% da Europa e Canadá”.
Os autores ainda explicitam que, entre 1987 e 2007, nas fronteiras do país, o número de militares aumentou de 4 mil para 14 mil e foram presas 25,2 milhões de pessoas (1,9 milhões deportadas).
A demonização dos latinos
O texto também apresenta dados de uma pesquisa realizada pelos autores com 159 imigrantes na região de Nova Iorque, Nova Jersey e Philadelphia, entre janeiro de 2001 e janeiro de 2004 (período de reforço do discurso anti-imigração por causa do atentado de 11 de setembro). “Mais de 80% percebeu uma identidade latina comum e mais de 60% explicitou rejeição por uma identidade americana”, divulga o texto, salientando que os entrevistados provinham de 15 países da América Latina, possuíam cultura e etnias distintas e ancestrais de origens distintas.
Dois momentos vividos pelos imigrantes originam essa identidade única, afirma o texto: um em que os imigrantes “conhecem as realidades da vida no Mercado de trabalho secundário” e outro em que eles “descobrem viver essas experiências junto com outros imigrantes”.
Também contribui para a formação do grupo latino a criação de estereótipos negativos dos imigrantes latino-americanos e caribenhos, diz artigo. “Economistas conservadores como George Borjas, alertaram os americanos sobre o declínio da qualidade dos imigrantes. O cientista político de Harvard, Samuel P. Huntington, alegou que a persistência do fluxo de imigrantes hispânicos ameaça dividir os Estados Unidos em dois povos, duas culturas e duas línguas porque, diferentemente dos grupos anteriores, mexicanos e outros latinos não entraram no centro da cultura americana”, exemplifica.
A avaliação de Massey e Sánchez é que os imigrantes chegam aos EUA vendo-os como “uma terra de oportunidades” e, com o tempo, passam a vê-los como lugar de “desigualdade e racismo”. “Enquanto a identidade latina é vista como calorosa, a identidade Americana é vista como fria, competitiva e calculista", escrevem, completando que "a sociedade americana pode ser eficiente, bem organizada, mas para os migrantes esses benefícios vêm custam o sacrifício de relações pessoais e muitas vezes se opõem a isso”.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Documentário sobre os 100 anos do Coritiba será lançado hoje na Biblioteca Pública do Paraná
Não é todo dia que se comemora 100 anos de existência. É uma data especial e, por isso mesmo, tem que ser tratada como tal. Estamos no ano do centenário do Coritiba Foot Ball Club e a forma que o jornalista Gilson de Paula, que foi editor de Esportes do Diário Popular durante 20 anos, encontrou para celebrar esse acontecimento ao criar um filme para contar os fatos que marcaram esses primeiros 100 anos de existência do clube do Alto da Glória.O documentário “Coração Verde e Branco- o filme” será lançado hoje às 19 horas, no auditório da Biblioteca Pública do Paraná.
Na oportunidade, será apresentada uma sessão especial para os torcedores que comparecerem. Quem não puder conferir a sessão na telona, vai poder adquirir o DVD, que estará à venda nas principais bancas do centro da cidade.
O filme, produzido pela Ideia Filmes, tem 71 minutos de duração e trás depoimentos de ex-jogadores que ajudaram a escrever a história do Coxa, além de imagens raras da década de 70, resgatadas através do Museu da Imagem e do Som. São feras como Dirceu Kruger, Aladim, Jairo, Gomes, Lela, Heraldo, Vavá, Cléber Arado e tantos outros que participaram do filme. “Procuramos contar todos os detalhes que marcaram esses 100 anos e o resultado ficou bastante interessante”, diz Gilson de Paula.
O que: Lançamento do documentário “Coração Verde e Branco- o filme”
Quando: Dia 09 de novembro de 2009
Horário: 19 horas
Onde: Biblioteca Pública do Paraná
sábado, 7 de novembro de 2009
PRÉ CANDIDATA A GOVERNADORA PELO PT DO PARANÁ
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Mercado de seguro de obra cresce no país
De acordo com dados da Susep (Superintendência de Seguros Privados), órgão ligado ao Ministério da Fazenda, a J Malucelli recebeu prêmio de R$ 163 milhões de janeiro a setembro deste ano.
Segundo comunicado da empresa divulgado em outubro na Bolsa de Valores de São Paulo, o programa Minha Casa, Minha Vida deve "elevar ainda mais o mercado de seguro garantia, que já vem em um ritmo de crescimento superior a 50% ao ano nos últimos cinco anos".
O vice-presidente da J Malucelli, Alexandre Malucelli, afirma que os seguros são contratados para garantir 10% do total de cada financiamento.
Dessa forma, até o momento, o prêmio recebido pela seguradora ficaria em quase R$ 4 milhões -segundo cálculo feito por ele e por técnicos da empresa.
A Fenae não revelou valores de comissão que recebeu até o momento por conta de corretagem dos seguros para o Minha Casa, Minha Vida. Afirma que, em média, cobra 2% de comissão de todos os negócios que faz.
País pobre perde até 89% dos 'cérebros'
por TIAGO MALI da PrimaPagina
Em Guiana, que faz fronteira com Roraima e Pará, de cada dez pessoas que terminam a faculdade, nove deixam o país. Quadro semelhante foi constatado em Granada e na Jamaica (8,5 em cada dez), no Haiti (8,4) e em pequenos países africanos e asiáticos, aponta o estudo Fluxo de Capacidade: Uma Reconsideração Fundamental da Mobilidade dos Trabalhadores Capacitados e o Desenvolvimento. O trabalho faz parte de uma série de pesquisas que subsidiaram o RDH (Relatório de Desenvolvimento Humano) de 2009, intitulado Ultrapassar Barreiras: Mobilidade e desenvolvimento humanos.
O documento aponta que as nações menores e mais pobres são as que mais sofrem com a fuga de cérebros. “Sabendo que esses países também concentram os piores índices educacionais e o menor número de trabalhadores com nível superior, esse tipo de mão-de-obra está deixando precisamente os lugares onde ela é mais escassa”, afirma o texto do pesquisador Michael A. Clemens. No total, elenca o estudioso, 81 países têm pelo menos 15% de seus cidadãos formados vivendo fora, e em 34 dessas nações a proporção supera um terço. O estudo foi feito com dados de 2000 referentes a 173 países-membros da ONU.
A lógica verificada mundialmente se repete no interior de países de grande extensão, como o Brasil. Cálculos feitos pelo pesquisador com base em dados do Censo de 2000 mostram uma tendência de a população brasileira com nível superior deixar Estados pequenos e pobres, como o Acre e Piauí, e permanecer em populosos e ricos, como São Paulo e Rio de Janeiro.
Uma das principais razões para esse movimento é o abismo salarial entre os países desenvolvidos e o restante. “Um desenvolvedor de software na Índia pode triplicar seus ganhos reais ao mudar para os Estados Unidos; um médico da Costa do Marfim pode multiplicar seu salário por seis se for trabalhar na França”, afirma o texto. Por ganho real, entenda-se o salário ajustado pela paridade do poder de compra, que elimina a diferença de custo de vida entre os países.
Minha Casa, Minha Vida privilegia corretora sindical
Dirigida por petistas, Fenae tem monopólio informal da venda de seguros do programa
Duas seguradoras fecham acordo com corretora para explorar mercado em que giram cerca de R$ 40 mi; CEF afirma que atuação é livre
Uma corretora dirigida por sindicalistas da Caixa Econômica Federal, que são filiados ao PT e também doadores de candidatos a deputado e prefeito pelo partido, é a maior negociadora de seguros de entrega de obras do Minha Casa, Minha Vida, programa do governo federal lançado há sete meses.
A Fenae Corretora é a única a ter acordo com a Caixa para a venda do seguro-garantia do programa habitacional -um negócio de milhões de reais. Empreiteiras e corretores ouvidos pela Folha afirmam haver um monopólio informal.
Construtoras que participam do programa são obrigadas a contratar um seguro para garantir a entrega das moradias, caso as próprias empreiteiras não cumpram o prometido.
Duas seguradoras, Caixa Seguros e J Malucelli, dominam o mercado até o momento. A Fenae Corretora é quem faz a intermediação entre construtoras e seguradoras.
Em julho, Caixa Seguros, J Malucelli e Fenae divulgaram comunicado ao setor financeiro anunciando um acordo "para explorarem juntas esse mercado". À Folha, o setor de relações com investidores da J Malucelli confirmou que quase a totalidade dos seguros é negociada, até agora, pela parceria das três empresas.
A Caixa diz que quaisquer seguradoras e corretoras podem participar e o mercado é livre. A Fenae afirma ser uma das mais experientes da área.
O Minha Casa, Minha Vida -que é uma das principais bandeiras da pré-campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) ao Planalto- promete investir R$ 34 bilhões na construção de um milhão de casas populares. O valor a ser segurado é de 10% de cada obra.
Isso representaria um prêmio de cerca de R$ 40 milhões para as seguradoras que atuarem nesse nicho -considerando uma taxa conservadora de gratificação de menos de 1,5% sobre o valor total segurado.
A comissão a ser recebida pelos corretores de seguro, segundo documento da própria J Malucelli, chega a 10% do prêmio recebido pelas seguradoras (o que representaria um total de R$ 4 milhões para a Fenae, caso seja a única a explorar o mercado).
Em pouco mais de três meses, mais de R$ 4 bilhões em financiamentos da Caixa para o Minha Casa foram garantidos pela J Malucelli, segundo a própria empresa. Alexandre Malucelli, vice-presidente da J Malucelli Seguros, diz que a Fenae "é a corretora cativa da Caixa Seguros" e que por isso foi escolhida para a parceria.
"O seguro-garantia é complexo e a Caixa tem o direito de indicar a seguradora de sua confiança. O que combatemos é o abuso, a imposição de representantes", diz André Dabus, coordenador de Crédito e Garantia do Sincor-SP (sindicato dos corretores). "Os corretores entendem que banco é banco, corretora é corretora. Monopólio não é sadio. Esperamos que a Caixa não fique na contramão da história."
Doações
A Fenae Corretora é ligada à Fenae (Federação Nacional das Associações de Pessoal da Caixa Econômica Federal), entidade associada à CUT (Central Única dos Trabalhadores). Pedro Beneduzzi Leite preside tanto a corretora como a entidade sindical.
Filiado ao PT desde 1990 e com carreira no Paraná, ele já foi doador de campanha do presidente do PT, Ricardo Berzoini (R$ 4 mil em 2006), e da mulher do ministro Paulo Bernardo (Planejamento), Gleisi Hoffmann, a quem destinou R$ 4 mil em 2008, quando ela disputou a Prefeitura de Curitiba.
Alexandre Monteiro, diretor-executivo da Fenae Corretora, é doador de campanha de Ricardo Berzoini (R$ 9 mil) e de Geraldo Magela (R$ 1,5 mil).
Já Fernando Ferraz Rêgo Neiva, presidente e membro efetivo do conselho fiscal, foi candidato pelo PT-MG a deputado federal em 2006.
OUTRO LADO: Caixa e corretora negam monopólio
A Caixa Econômica Federal, financiadora oficial do programa Minha Casa, Minha Vida, diz que "não existe nenhuma restrição para que qualquer seguradora estruture esses seguros e os ofereça no mercado".
Apesar de a Fenae controlar esse nicho de mercado, a Caixa afirma que "qualquer corretora pode negociar" o seguro. A assessoria da Caixa disse que não compete ao banco divulgar o volume de operações já feitas e os nomes das seguradoras e corretoras que fecharam os contratos.
Caixa Seguros, J Malucelli e Fenae dizem que são as maiores empresas no mercado de seguro-garantia e, por isso, têm participação importante no projeto habitacional.
Ricardo Talamini, diretor de crédito da Caixa Seguros, afirma que várias corretoras e seguradoras participam. "Só que trabalhamos forte em cima do nosso produto. Às vezes acontece do cliente querer fechar fora. As duas mais fortes do mercado são a J Malucelli e a Caixa Seguros."
Segundo ele, a parceria entre Caixa Seguros, J Malucelli e Fenae fez com que o melhor das empresas fosse aproveitado "para ter uma operação mais rápida, com menor custo para o tomador final". "Existem outros corretores que fazem seguros, mas a Fenae é a maior das corretoras", afirmou Talamini.
Segundo Alexandre Monteiro, diretor-executivo da Fenae Corretora, o seguro-garantia é complexo e exige experiência. "Quase nenhuma seguradora trabalha nesse mercado por conta da complexidade", disse.
"A Fenae é a maior corretora em estrutura de funcionários. Trabalhamos há muitos anos no mercado de construção", afirmou o diretor-executivo da corretora.
Segundo ele, Caixa Seguros e J Malucelli consideram a Fenae o "parceiro para operacionalizar melhor esse seguro".
O diretor-executivo explica que a Fenae Corretora é distinta da Fenae, a federação de trabalhadores da Caixa. "A Fenae Federação tem uma corretora de seguros há mais de 35 anos. Na corretora, todo o corpo funcional é de funcionários do mercado", diz.
"Todo mundo é técnico na corretora", diz o presidente da Fenae Corretora e também da Fenae sindical, Pedro Eugênio Beneduzzi Leite. Segundo os dirigentes, Leite acumula as duas presidências por "questões estatutárias".
O vice-presidente da J Malucelli, Alexandre Malucelli, diz que a parceria entre a seguradora e a corretora propicia agilidade. "A gente domina o produto, mas não conhecia o canal de distribuição. A Fenae entrou", disse, referindo-se à rede de contatos da corretora.
Frases
"Existem outros corretores que fazem seguros, mas a Fenae é a maior das corretoras"
RICARDO TALAMINI
diretor de crédito da Caixa Seguros
"A Fenae é a maior corretora em estrutura de funcionários. Trabalhamos há muitos anos no mercado de construção"
ALEXANDRE MONTEIRO
diretor-executivo da Fenae Corretora
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Morreu Claude Lévi-Strauss
O influente antropólogo, etnólogo e filósofo, Claude Lévi-Strauss, de 100 anos, faleceu na noite de sábado para domingo, segundo anunciou nesta terça-feira (3) a editora Plon. Nascido em Bruxelas a 28 de novembro de 1908, o francês Lévi-Strauss foi um dos nomes maiores da antropologia, tendo exercido uma influência decisiva na evolução desta área científica ao longo do século 20.No entanto, a sua obra acabou por influenciar todas as ciências sociais, principalmente por meio da sua contribuição para o advento do estruturalismo – corrente de pensamento que procura identificar nos fatos de natureza simbólica as formas invariáveis que existem em diferentes conteúdos.
A Lévi-Strauss é ainda atribuído um papel percursor no nascimento do movimento ecologista.
Lévi-Strauss foi nomeado membro de uma missão universitária no Brasil e, de 1935 a 1939, foi professor na Universidade de São Paulo.
Durante este período, organizou e dirigiu várias expedições etnográficas ao Mato Grosso e Amazônia, e estudou também as tribos indígenas do norte e do sul do continente americano.
De volta à França, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, participou dos esforços de guerra de 1939 a 1940, até que abandonou esse país para ir aos Estados Unidos, onde lecionou na New School for Social Research de Nova York, entre 1942 e 1945.
Em 1944, foi chamado à França pelo Ministério de Assuntos Exteriores, mas, no ano seguinte, voltou aos Estados Unidos para ocupar as funções de conselheiro cultural na embaixada francesa em Washington, cargo que abandonou em 1948 para se dedicar ao trabalho científico.
Autor de vários livros, publicou em 1949 "As Estruturas Elementares do Parentesco" e, de suas expedições pelo Brasil, nasceu em 1955 sua obra "Tristes Trópicos", considerado um texto fundamental da etnologia contemporânea.
Em 1973, foi eleito membro da Academia Francesa, onde ocupou o assento que antes foi de Henry de Montherlant.
Detentor da Grã-Cruz da Legião da Honra desde 1992, era também membro estrangeiro da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, da Academia Americana e do Instituto de Artes e Letras, também nos Estados Unidos.
Em 28 de novembro de 2008, por ocasião de seus 100 anos, recebeu a homenagem do mundo da cultura e da ministra da Cultura francesa da época, Christine Albanel, foi inaugurada uma placa em sua honra no museu Quai Branly de Paris.
Marighella é lembrado como herói nos 40 anos de sua morte
Nele, o deputado diz que é preciso enfrentar as forças reacionárias e conservadoras que defendem como legítima uma lei de auto-anistia que a ditadura impôs, em 1979, sob chantagens e ameaças.
“Sentindo-se ameaçadas, estas forças renegam as serenas formulações e sentenças da ONU e da OEA indicando que as torturas constituem crime contra a própria humanidade, não sendo passíveis de anistia, indulto ou prescrição. E se esforçam para encobrir que, no preâmbulo da Declaração Universal que a ONU formulou, em 10 de dezembro de 1948, está reafirmado com todas as letras o direito dos povos recorrerem à rebelião contra a tirania e a opressão”, leu o deputado.
O documento destaca ainda que por outros caminhos e novos calendários, abre-se a possibilidade real do nosso país realizar o sonho que custou a vida de Marighela e de inúmeros heróis da resistência. “Garantida a nossa liberdade institucional, agora precisamos conquistar a igualdade econômica e social, verdadeiros pilares da democracia”.
“Por tudo isso, celebrar a memória de Carlos Marighella, nestes 40 anos que nos separam da sua covarde execução, é reafirmar o compromisso com a marcha do Brasil e da Nuestra America rumo à realização da nossa vocação histórica para a liberdade, para a igualdade social e para a solidariedade entre os povos”, discursou.
Comunista como Jorge Amado
O líder do PCdoB na Câmara, Daniel Almeida (BA), lembrou que Marighella foi um comunista como Jorge Amado e “tantos outros”. Disse que na Câmara o ex-guerrilheiro foi um firme defensor das melhoras causas e pagou por tudo isso com o próprio mandato, “mas não arriou jamais a bandeira, suas convicções”.
“Foi assim no período da ditadura militar, em que, na clandestinidade, organizou o nosso povo, a nossa juventude e os trabalhadores, acreditando que um dia poderíamos ter um espaço mais democrático, uma sociedade com maior liberdade para construir isso que começamos a construir agora”, disse.
“Não fossem a coragem e a disposição de colocar a própria vida em jogo, não chegaríamos ao regime democrático de hoje. Queríamos avançar muito mais, porém não conseguimos. Se isso não acontecesse, fico pensando como seria este país hoje. Como chegaria ao poder um operário? Como gente popular estaria nesta Casa?”, disse Chico Lopes (PCdoB-CE).
O deputado José Genoíno (PT-SP) lembrou do resgate feito pelo colega de bancada sobre a memória da esquerda no país ao publicar dois livros importantes para o estudo, compreensão e análise sobre Marighella e o Capitão Lamarca.
Pedro Wilson (PT-GO) aproveitou para homenagear Marighella com uma poesia feita pelo poeta Juscelino Mendes: “Há um olhar lá da costa / Que se põe em mim e roga:/ Um sentir sem temporais.../E de ondas secretas / Terra em transe: Guerrilha/ Urbana, Ana! Emboscada na alameda/ Casa Branca manchada de sangue/ Atiraram nas Letras Nacionais /Naquele novembro de quatro/ E entregue à Casa Branca!”
Fonte: vermelho
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
A velha nova face do campo
Avanço da soja, produtores rurais semianalfabetos, 1 milhão de menores de 14 anos trabalhando, agricultura familiar responsável pela segurança alimentar do País, diminuição da área destinada à agropecuária. Esses são alguns dos principais dados apurados e finalmente compilados do Censo Agrope-cuário 2006, raio X da estrutura produtiva do agronegócio brasileiro que atualiza os dados de 1995, ano da última medição.
O décimo Censo traça um perfil detalhado de 5,2 milhões de propriedades rurais do Brasil e revela que a concentração de terras permanece praticamente inalterada ao longo dos anos.
O índice de Gini, que mede a concentração fundiária, registrou uma piora. Passou de 0,856 para 0,872. As propriedades com mais de mil hectares ocupam 43% da área total, ante os 2,7% de área ocupada pelas menores (abaixo de 10 hectares), que representam 47% das propriedades. Mas houve uma queda na concentração de terras em 2.360 cidades brasileiras.
O movimento de concentração, segundo o IBGE, foi puxado pelas grandes culturas de exportação (soja e milho, especialmente), pela profissionalização do agronegócio e pelo avanço da fronteira agropecuária em direção à Amazônia e ao Pantanal ? impulsionada pela criação de bovinos e pela soja. Com crescimento de 88% na produção, a soja foi a cultura que mais se expandiu na última década, muito em razão do uso de sementes transgênicas, adotada por 46,4% dos estabelecimentos.
A área destinada à agropecuária diminuiu em 23,7 milhões de hectares -(-6,69%) em relação a 1995. O IBGE acredita que a criação de novas Unidades de Conservação Ambiental (crescimento de 19,09% de área) e a demarcação de terras indígenas (crescimento de 128,2%), totalizando mais de 60 milhões de hectares, podem explicar a redução.
Nas propriedades, houve diminuição das áreas de florestas (-11%) e de pastagens naturais (-26,6%), e aumento nas áreas de pastagens plantadas de 1,7 milhão de hectares (1,8%). Como era de esperar, o crescimento coincide com o avanço das fronteiras agropecuárias. O maior ocorreu no Centro-Oeste (63,9%), o que pode explicar os índices recordes de desmatamento medidos na região.
Gerente do Censo Agropecuário desde 1991, o engenheiro agrônomo Antonio Carlos Simões Florido participou de cinco levantamentos semelhantes.. Prefere, por isso, se distanciar de conclusões simplistas. ?Não dá para olhar um dado e emitir um juízo de valor. O resultado será ruim ou bom, dependendo do viés que se dê a ele.?
Dá como exemplo um dos dados mais polêmicos apurados pelo IBGE: o de que há 1 milhão de crianças de até 14 anos trabalhando no campo. ?A maior parte delas pertence a famílias de produtores que trabalham e vivem em suas unidades de produção. Os filhos ajudam a capinar, cuidar de galinha, mesmo que frequentem a escola?, argumenta. ?Não quero dizer que não há crianças sendo exploradas, mas a maioria ajuda os pais, da mesma forma que pedimos aos nossos filhos para lavar a louça e varrer o chão?, compara.
Os maiores porcentuais de produtores analfabetos ou com poucos anos de escolaridade estão concentrados nas regiões Norte (38%) e Nordeste (58%). No Centro-Oeste (13%) e no Sudeste (11%) aparecem os níveis mais elevados de campesinos com grau técnico agrícola ou ensino médio completo.
O reflexo mais imediato do semianalfabetismo é a aplicação incorreta de agrotóxicos. Segundo o estudo, nos estabelecimentos em que houve aplicação de agrotóxicos, 77,6% dos responsáveis (1,06 milhão) declararam ter ensino fundamental incompleto (1° grau) ou nível de instrução menor. Como as orientações de uso de agrotóxicos que acompanham esses produtos são de difícil entendimento, o baixo nível de escolaridade, incluindo os 15,7% que não sabem ler e escrever (216 mil), está entre os fatores socioeconômicos que potencializam o risco de intoxicação.
Pela primeira vez foi feito um mapeamento minucioso da agricultura familiar, um microcosmo de 4,4 milhões de propriedades espalhadas por 80,25 milhões de hectares (45% deles destinados à pastagem) e com área média de 18,37 hectares. Apesar de representarem 84,4% das propriedades brasileiras, correspondem apenas a 24,3% da área ocupada. As propriedades não familiares, com área média de 309,18 hectares, que representam 15,6% do total dos estabelecimentos, ficam com 75,7% da área ocupada.
Apesar de cultivar uma área menor com lavouras e pastagens (17,7 milhões e 36,4 milhões de hectares, respectivamente), a agricultura familiar é voltada basicamente à produção de alimentos da cesta básica. Em 2006, respondeu pela produção de 87% da mandioca produzida no País, 70% do feijão, 46% do milho e 38% do café.
Também na pecuária as propriedades menores e familiares são fortes. Na produção de leite, respondiam, em 2006, por 58% do total. Tinham ainda 59% do plantel de suínos e 50% do de aves.
Outros dados atualizados do levantamento:
1. Em 2006, a criação de bovinos era a atividade mais comum dos cerca de 5,2 milhões de estabelecimentos agropecuários existentes no País: praticada em 30% deles. Em seguida vem o cultivo de lavouras temporárias, como feijão e mandioca (18%), o de cereais (12%) e a criação de aves (9%).
2. As propriedades rurais ocupavam 36,75% do território nacional.
3. O nível de emprego nas propriedades rurais está diminuindo. Entre o Censo de 1995-1996 e o de 2006, a queda foi de 7,2%.
4. Em 2006, quase 12 milhões de pessoas trabalharam de modo temporário (por até 180 dias). Perto de 4 milhões tinham parentesco com o produtor. Do universo dos temporários, 5 milhões trabalharam na pecuária (ou criação de outros animais) e 4 milhões na lavoura.
5. A cana-de-açúcar é a cultura com maior valor da produção (14%), seguida pela soja (14%), criação de bovinos (10%), cultivo de cereais (9%) e cultivo de outros produtos da lavoura temporária (8%).
6. Os estabelecimentos especializados foram responsáveis por 81% do valor da produção agropecuária. O IBGE considerou como especializado o estabelecimento cuja atividade principal representasse 66% (ou mais) de seu valor total de produção, a soma do valor da produção animal e vegetal e do valor agregado da agroindústria rural.
7. O setor empregou dois de cada dez trabalhadores brasileiros. As pequenas unidades concentravam 84,36% dos trabalhadores rurais.
8. Dos 80,25 milhões de hectares da agricultura familiar, 45% eram destinados a pastagens, 28% a florestas e 22% a lavouras.
Servidora do gabinete da senadora Serys mora nos EUA
Solange Amorelli (na foto acima) foi admitida como servidora do Senado em 1988. Casou-se mais tarde com um diretor do Banco Mundial e se mudou para os Estados Unidos.
Ganha salário em torno de R$ 12 mil. Ela continuou a recebê-lo mesmo sem comparecer ao seu local de trabalho - fora o pagamento de horas extras a que têm direito os demais servidores do gabinete.
Ela não foi autorizada pelo Senado a morar no exterior. Quando senadores visitam Washington, ela costuma ciceroneá-los a pedido de Serys.
A cada três ou quatro meses, Solange visita o Brasil e passa alguns dias em Brasília.
Adaptou-se bem à vida em Bethesda. Em 11 de novembro do ano passado, foi apresentada como uma das novas integrantes do The GFWC Maryland Federation of Women's Clubs, Inc.
Vez por outra participa de eventos promovidos na cidade por uma entidade que presta assistência a latinos que moram em Washington. E já foi entrevistada pelo jornal da escola onde seu filho estuda.
Li, ontem, uma entrevista da senadora Serys no site Olhar Direto, do Mato Grosso. A propósito dos escândalos que abalam o Senado, disse Serys a certa altura:
- Defendo transparência em todos os atos internos, porque só assim poderemos dar uma resposta à sociedade. E temos que apurar tudo também e revelar o que foi investigado.
À noite, conversei com ela por telefone a respeito da situação de Solange.
A senhora tem uma funcionária que mora há quase dois anos nos Estados Unidos... - Ela não mora propriamente lá, e está sempre por aqui prestando serviços. Como não mora? Ela é casada com um diretor do Banco Mundial, tem casa numa cidade satélite de Washington e filho matriculado em escola de lá. E, no entanto, continua recebendo salário do Senado e tem direito até a horas extras. No momento ela está de licença. Não está mais, senadora. Ela entrou de licença de 60 dias em 16 de março último. O prazo da licença venceu e não foi renovado. Pois é, mas ela chegará ao Brasil na próxima segunda-feira e entrará com um pedido de férias. Sim, e daí? Você sabe que eu sou muito atenta a essas coisas... É, eu sei.
Depois de falar comigo, a senadora apressou-se em telefonar para um repórter do site Olhar Direto, interessada em vazar a seu modo a história de Solange.
Sob o título Servidora é acusada de morar nos EUA e receber salário, o site publicou às 21h15 notícia atualizada às 23h que começava assim:
"A servidora pública federal, Solange Amaroli, que estaria lotada no gabinete da senadora Serys Slhessarenko (PT), é acusada de morar em uma cidade dos Estados Unidos e receber remunerações do Senado, conforme informações daquela Casa de Leis ao site Olhar Direto.
Solange Amaroli, de acordo com as mesmas fontes, pode ser uma das servidoras contratadas através do esquema dos ex-diretores do Senado, que funcionava para contratar parentes, amigos e cabos eleitorais."
A notícia terminava assim:
"Provocada pela reportagem do site Olhar Direto, a parlamentar petista confirmou que Solange é, de fato, servidora de seu gabinete. Contudo, rechaçou a hipótese de a funcionaria ter sido nomeada por atos secretos da Mesa diretora do Senado, nos últimos 10 anos. "As minhas contratações não são atos secretos. Esta servidora realmente trabalha e muito para mim. Pelo o que eu sei, ela estava de licença em Washington e chegou segunda-feira. Depois, entrou com requerimento de férias. É isso o que eu sei", declarou a senadora."
Violência no Brasil: 50 vezes mais mortos que na Faixa de Gaza
A organização não-governamental (ONG) Human Rights Watch divulgou o seu relatório anual que traça um panorama das violações dos direitos humanos no mundo. A "crise da segurança pública" - que, , segundo a entidade, afeta especialmente comunidades pobres de grandes cidades e é perpretada pela ação de gangues criminosas e pelo abuso policial - aparece como um dos principais destaques da seção sobre o Brasil.
Leia a íntegra da seção do relatório sobre o Brasil
Luis Mir: "Guerra civil vai se aprofundar no Brasil"
Eliano Jorge - Terra
O notíciário nacional e internacional estampou as cenas dos confrontos entre policiais e traficantes no Rio de Janeiro, semeando discussões sobre uma suposta guerra carioca desde a semana passada. Mas, consultado, o pesquisador Luís Mir, especialista em violência, baixa a quentura: "Essa situação é a normal do Rio. Sua média semanal de mortes é de 40 a 50 pessoas."
Autor de livros sobre guerrilha e criminalidade, como A Revolução Impossível e Guerra Civil - Estado e Trauma, Mir enxerga a questão sob uma ótica perene, sem se abalar com acontecimentos recentes. Baseando-se no processo histórico, e não nas circunstâncias, ele considera que esta foi apenas uma das irrupções midiáticas da criminalidade na futura sede olímpica.
Porém, com uma diferença: "Pela primeira vez, o Estado sofreu um ataque forte, foi derrubado um helicóptero da principal força policial do Rio de Janeiro". E, por isso, o prognóstico é que a situação vai piorar. Não apenas na Cidade Maravilhosa, pois, ressalta Mir, "São Paulo é violentíssimo" também, e a criminalidade já se espalhou pelo País. Agora, "a regra é matar ou morrer."
- A tendência da guerra civil é se aprofundar porque nós não temos uma política de segurança social. Segurança pública no Brasil não é segurança social, que é educação, saúde, moradia, renda, salários dignos, enfim, dar condições para as pessoas viverem dignamente. (...) Então, precisamos de uma nova Lei Áurea, para libertar esses 120 milhões de brasileiros e torná-los cidadãos - declara Luís Mir.
No caso carioca, um detalhe particular baliza sua avalição: "Como 40% da polícia do Rio de Janeiro - tanto a militar quanto a civil - tem algum tipo de envolvimento com o tráfico de drogas, (o confronto) é um acerto de contas entre polícia e traficantes".
Além de considerar fundamental o combate à corrupção, Mir insiste em criticar a divisão entre Polícia Militar e Polícia Civil. "É uma coisa absurda, anacrônica, esquizofrênica, que tem que acabar, tem que ser feita uma polícia única, preventiva, judiciária, de segurança, usando os mesmos recursos."
Mas, para ele, o ponto fundamental encontra-se no Estado. "Enquanto a criminalidade não passa determinadas fronteiras, o Estado finge que não vê e, enquanto o Estado não ataca a crimininalidade, a criminalidade finge, digamos, que não vai atacar o que se chama sociedade."
NUMEROS DA GUERRA CIVIL URBANA NO BRASIL
Pesquisa do IBGE mostra que quase 600 mil brasileiros foram assassinados entre 1980 e 2000, índice que supera vários conflitos mundiais. As principais vítimas são os jovens das regiões metropolitanas.
Desemprego
Para Mesquita Neto, o desemprego é sem dúvida um fator importante e que contribui para o crescimento da criminalidade no País, embora seu impacto seja diferente para os jovens e para os adultos. ?O desemprego causa um desequilíbrio muito grande na estrutura da família e é um problema sério na relação com os filhos. Porém, podemos ter taxas equivalentes de pessoas desocupadas em duas comunidades, com reflexos diferentes dependendo do tipo de família e da comunidade em que ela está inserida ? por exemplo, se os filhos estão na escola e a realidade dessa escola?, diz.
Guerra Civil? em Salvador: 10 homicídios em 24 horas
Ataques contra PM e ônibus continuam em Salvador
Policiais militares iniciaram perseguição contra três suspeitos do ataque, que terminou com a morte deles
A Central de Telecomunicações (Centel) das Polícias Militar e Civil da Bahia registrou 10 homicídios em Salvador e Região Metropolitana, somente nas últimas 24 horas. Mas o final de semana foi muito mais violento.
Duas operações de policiais da Rondesp (Rondas Especiais) e da Rotamo (Rondas-Tático Motorizadas), terminaram com sete mortes em duas localidades do subúrbio de Salvador, em Alto do Bom Viver e Fazenda Coutos, entre a tarde de sábado (22) e a madrugada de domingo (23).
Durante a madrugada de domingo, segundo informações da Centel, uma troca de tiros entre policiais e suspeitos no Alto do Bom Viver resultou na morte de três pessoas. Duas delas já identificadas pelos policiais. São Jadson Azevedo, 22, e Manoel de Jesus Moura, 24.
No sábado (22), uma operação realizada por policiais militares da Rondesp e da Rotamo, no local conhecido como ?Casinhas?, em Fazenda Coutos, terminou com quatro mortos. Um adolescente foi executado a tiros perto de casa, neste domingo (23), na rua Teixeira Mendes, no bairro da Federação.
A Centel também registrou nas últimas 24 horas, três assaltos a ônibus, um linchamento, mais sete tentativas de homicídio e oito carros foram tomados em assalto nas ruas de Salvador.
GUERRA CIVIL EM MARCHA
Criminosos promovem 38 ataques em 11 horas em São Paulo
Criminosos promoveram, entre a noite de terça-feira (11) e a manhã desta quarta, ao menos 38 ataques em São Paulo, segundo balanço divulgado pelo governo Estadual. Os números se referem a ocorrências registradas das 20h às 7h e não incluem os ônibus queimados na capital, Grande São Paulo e litoral.
De acordo com o balanço, quatro pessoas foram mortas no período. De acordo com informações da polícia, o número pode chegar a cinco.
Na zona norte de São Paulo, homens armados balearam o soldado Odair José Lorenzi, 29, na frente de sua casa, na favela do Boi Malhado, na Vila Nova Cachoeirinha, por volta da 0h10. A irmã do policial, Rita de Cássia Lorenzi, 39, saiu à janela após ouvir os disparos e também foi baleada. Ambos morreram.
No Guarujá (litoral), três vigilantes foram mortos desde a noite de ontem. Um deles trabalhava no IML (Instituto Médico Legal), localizado no bairro de Morrinhos. Ele foi baleado ao atender a porta para os criminosos, que fugiram em bicicletas.
Meia hora depois, um grupo de homens pulou o muro de um centro comunitário do mesmo bairro e matou outro vigilante a tiros. As duas vítimas trabalhavam para a empresa de segurança GP.
Por volta das 5h, um grupo matou com um tiro no rosto o vigia da linha férrea, localizado na avenida Thiago Ferreira. Até as 8h, o corpo permanecia no local.
Na manhã desta quarta, um policial militar à paisana foi ferido a tiros na zona norte de São Paulo. Por volta das 11h30, ainda não havia detalhes sobre o caso.
Biscaia: Rio de Janeiro já vive clima de "guerra civil"
Diego Salmen
Ex-secretário nacional de Segurança Pública, o deputado federal Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ) afirma que os recentes atos de violência demonstram que o Rio de Janeiro vive em clima de "guerra civil".
- Esse enfrentamento é muito complicado. E vem também o componente político: alguns governos não querem enfrentar pelo desgaste que pode provocar nessas áreas com eleitores de comunidades carentes. Mas chega um momento em que não há mais condição.
No último fim de semana, um confronto entre policiais militares e traficantes resultou em pelo menos 25 mortos no Morro dos Macacos, zona norte carioca. O incidente ganhou contornos de barbárie: um helicóptero da Polícia foi derrubado, e um corpo foi encontrado dentro de um carrinho de supermercado abandonado na região.
Homicídios em Porto Alegre crescem 57,5%
Entre as 13 maiores capitais do país, a cidade gaúcha lidera em aumento de assassinatos; somente em 2007 foram 430
Sucateamento da segurança, aumento do tráfico de drogas e da pobreza são apontados como as principais causas
GILMAR PENTEADO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM PORTO ALEGRE
Porto Alegre é a capital brasileira entre as 13 maiores do país onde o homicídio mais cresceu em 2007, apontam estatísticas das secretarias estaduais da Segurança Pública.
O número de mortes por agressão aumentou quase 60% em relação a 2006 e se tornou recorde da década na capital gaúcha. No ano passado, houve 430 homicídios na cidade, contra 273 em 2006 -aumento de 57,5%, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul.
As estatísticas da Delegacia de Homicídios de Porto Alegre, que atualiza os números a partir de suas investigações, revelam, no entanto, dados absolutos mais preocupantes: 525 homicídios contra 337 no ano anterior -crescimento de 55,7%.
Número de assassinatos aumenta 62%
Para autoridades, casos têm relação direta ou indireta com o tráfico de drogas
A série de homicídios do fim de semana acendeu a luz de alerta sobre a questão da criminalidade em Uberlândia. Somente no sábado foram sete assassinatos, em quatro bairros da cidade. Além das polícias Civil e Militar, entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e o Poder Judiciário estão preocupados com o aumento dos crimes. Até ontem, foram registradas 127 mortes violentas na cidade, número 62% maior em relação ao mesmo período do ano passado.
Uberlândia é hoje a segunda maior cidade do estado e possui a segunda maior frota de veículos. É normal que a criminalidade aumente?, afirmou. Freitas informou que 30% de todos os crimes da cidade são solucionados e que, para isso, a participação da população é essencial. ?Contamos com as informações e envolvimento da sociedade para chegarmos aos criminosos?, disse.
O problema é a sensação de impunidade e banalização da vida, como percebemos em todo o país?, afirmou o coronel Dilmar Fernandes Crovato, chefe da 9ª Região da Polícia Militar. Ele disse que foi intensificado o trabalho de contenção à violência e apreensão das armas de fogo, que são os instrumentos utilizados para o crime. Nos últimos dois dias foram quatro apreensões?, afirmou.
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Saneamento privado não chega a favelas
Intitulado "Acesso à Água nas Favelas do Mundo em Desenvolvimento", o artigo foi publicado na revista Poverty in Focus, do IPC-IG. De acordo com os autores, os economistas Hulya Dagdeviren e Simon Robertson, da Universidade de Hertfordshire (Reino Unido), “em regiões onde os serviços públicos foram privatizados, houve problemas relacionados a adequação do orçamento e regulamentação dos serviços”.
Com a privatização, o setor público se retirou do setor, mas as favelas ficaram desassistidas. “A mudança para serviços privatizados ou comercializados significou queda nos investimentos públicos em água, mas a lacuna não foi coberta pelo setor privado”, escrevem os autores, que, no entanto, não apresentam números sobre o impacto da privatização em favelas.
Os assentamentos informais sofrem mais intensamente a falta de água e esgoto em razão, dentre outras coisas, das condições geográficas, que dificultam a instalação de encanamentos. A localização em morros, várzeas ou áreas desérticas, a urbanização desordenada, as construções precárias exigem que o poder público interfira. As incertezas sobre posse da terra também dificultam a instalação de benfeitorias. “Planejamento urbano e problemas de posse do espaço exigem uma intervenção multifacetada dentro do escopo dos governos”, defendem os economistas. “A privatização não é uma opção em áreas pobres e de baixa renda onde os serviços não são lucrativos”, afirmam.
Para o setor público, porém, há grande benefício em melhorar as condições das favelas, pois o acesso a água potável diminui a incidência de doenças e de mortalidade, com aumento na produtividade das pessoas e queda dos gastos com saúde. A cada dólar investido no setor, economiza-se entre US$ 3,9 (África Subsaariana e sul da Ásia) a US$ 17,2 (América Latina).
No entanto, a maioria dos países em que grande parte da população vive em favelas não deve conseguir atingir a meta de saneamento dos ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio).
O sétimo dos oito ODM prevê a redução pela metade da população sem acesso a água potável e saneamento entre 1990 e 2015. Mas em Moçambique, em que 94% da população urbana vive em favelas, a porcentagem de pessoas sem acesso a água encanada aumentou de 67% para 82% entre 1990 e 2004. Em Uganda, onde 93% moram em favelas, a população sem água encanada também cresceu no período: de 73% para 96%.
No Brasil, o serviço de água e esgoto é privatizado em alguns municípios, principalmente na região Sudeste. O país, porém, conseguiu implantar, com sucesso, regras para obrigar investimentos do setor privado, diz estudo publicado na mesma edição da revista Poverty in Focus. O economista André Rossi de Oliveira aponta que o serviço privado conseguiu melhorar o acesso a água em mais de 26% entre 1995 e 2003. “Há evidências de que uma maior presença de empreendimentos privados no setor de água brasileiro pode ser benéfica (...) porque pode melhorar o acesso dos pobres quando isso for uma obrigação contratual”, afirma.
Mobilização pelos ODM reúne '4 São Paulos'
Em sua quarta edição, o público do Levante-se superou o do ano passado, quando 116 milhões se levantaram. A campanha já tinha sido incluída no Guinness pelos resultados em 2007 e 2008.
Cerca de 3 mil ações aconteceram ao mesmo tempo, entre os dias 16 e 18 de outubro. Durante um show da banda U2 em Oklahoma, nos Estados Unidos, o vocalista Bono Vox pediu que as mais de 50 mil pessoas presentes se agachassem e levantassem em seguida em prol da campanha. “Isso está acontecendo na África e na Índia e agora em Oklahoma... em nome de todos, muito obrigado!”, disse o cantor.
No Brasil, eventos somaram pelo menos 140 mil participantes. Na Paraíba, cartazes do Levante-se foram distribuídos em jogos do Circuito Nacional de Vôlei de Praia. Atletas, como o jogador Giba, compareceram e tiraram fotos para a campanha. Junto com outras ações, de distribuição de alimentos e kits de higiene bucal, o Estado contabilizou 15 mil participantes.
O Levante-se também foi lembrado no jogo entre Atlético Paranaense e Santo André, que aconteceu no domingo em Curitiba. Foram estendidas faixas na torcida e no campo, antes do início da disputa. Cerca de 16 mil pessoas estavam presentes. Mais brasileiros se levantaram ainda em Londrina, em programas de ginástica no trabalho e nas escolas, em Florianópolis, onde atrações de lazer atraíram pessoas para um parque da cidade.
Outros eventos de pequena proporção também foram importantes ao redor do mundo. Na África do Sul, 1.500 crianças de uma escola primária participaram de uma ação que lembrou o combate a abuso sexual, físico e emocional. Os meninos e meninas se alinharam formando o desenho do número do telefone para denunciar a prática.
No fim da campanha, o movimento foi lembrado na abertura da bolsa Nasdaq em Nova York, no dia 20. Membros da ONU participaram da cerimônia de tocar o sino que dá início às atividades do pregão.
Os eventos realizados agora estão sendo registrados no site oficial do Levante-se, em inglês. É possível acessar fotos e vídeos de manifestações em diversas partes do mundo.
Leis da ditadura dificultam punir torturador
da PrimaPagina
Leis antigas comprometem o julgamento de crimes cometidos durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985), diz estudo do juiz federal Roberto Lima Santos e do promotor do Estado de São Paulo Vladimir Brega Filho. Os dois defendem que normas feitas durante a ditadura e válidas até hoje têm prejudicado a condenação de torturadores e agentes da repressão.
O artigo foi publicado na primeira edição da Revista Anistia Política e Justiça de Transição, lançada pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Os autores destacam legislações consideradas autoritárias que ainda sobrevivem: a Lei de Segurança Nacional, de 1983; o Código Penal Militar, de 1969, e até mesmo a Lei de Anistia, de 1979. Esta concede perdão a crimes políticos da época, mas também exime de culpa os crimes cometidos pelo Estado, como a tortura.
O recurso à legislação antiga, diz o estudo, foi o que livrou o homem que assumiu a responsabilidade pelo assassinato do jornalista Vladmir Herzog no DOI-Codi, órgão de inteligência e repressão da ditadura. Em 1992, Pedro Antônio Mira Grancieri, conhecido como “capitão Ramiro”, declarou à revista Istoé “ninguém está mais forte e diretamente envolvido na morte de Herzog do que eu”. O caso é um dos mais simbólicos do período. Apesar da confissão, no mesmo ano o inquérito policial aberto contra o capitão Ramiro foi trancado porque a Justiça entendeu que seus crimes tinham o perdão da Lei de Anistia.
“Por aqui [Brasil] não houve responsabilização de violadores de direitos humanos e muito menos foram reformadas as instituições de segurança pública, com o afastamento de criminosos dos órgãos relacionados ao exercício da lei”, dizem os autores.
A chamada “justiça de transição” prevê uma série de ações para que os países que passaram por períodos de repressão restabeleçam plenamente os direitos humanos. Elas incluem o julgamento de responsáveis, a abertura de arquivos do passado e o reconhecimento das vítimas por parte do governo. Para Santos e Filho, o Brasil desenvolveu plenamente apenas a última. “Com efeito, o Estado brasileiro apenas priorizou o pagamento de reparações pecuniárias (indenizações em dinheiro) às vítimas e a seus familiares”, concluem.
Além disso, avaliam os pesquisadores, as leis da ditadura continuam a funcionar a serviço da repressão. Em 2008, a Lei de Segurança Nacional serviu de base para uma denúncia de promotores do interior do Rio Grande do Sul contra oito membros do MST (Movimento Sem Terra). A acusação era sobre “propaganda da luta entre as classes sociais”, ato que é considerado crime pela lei antiga e pode dar pena de um a quatro anos de prisão.
Solução
Comparado a países vizinhos que passaram por regimes de repressão, o Brasil é o que menos avançou nas áreas da Justiça Restaurativa, afirma o estudo. A Argentina hoje julga crimes militares pela justiça comum e não mantém um código penal militar. Além disso, nesse país e também no Chile, foram criados mecanismos para que, mesmo com leis de anistia, o judiciário mantenha processos contra violações aos direitos humanos.
Santos e Filho afirmam que o judiciário brasileiro era muito mais ativo que em outros países. Durante a ditadura, os processos eram um meio de frear a violência da época. “Por outro lado, com a Constituição democrática de 1988, esse ativismo judicial, ao menos no que toca aos assuntos relacionados às graves violações de direitos humanos da ditadura militar, se retrai e o Judiciário passa a ter uma atuação tímida, pouco criativa e, paradoxalmente à sua atuação durante o período autoritário, não vem desempenhando o papel de garantia dos direitos fundamentais que lhe incumbe numa democracia.”
A solução apontada pelos autores é fazer com que a legislação internacional prevaleça sobre a nacional nesses casos. “A aplicação [pouco frequente] da legislação internacional, especialmente os tratados internacionais de direitos humanos, pelos tribunais nacionais, deve ser considerada, talvez, como a principal causa, para se entender a inércia do Estado brasileiro nesse campo”, dizem.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
O ASSUNTO É FUTEBOL!
II - Vandalismo, violência física, quebre-quebras geral. Mesmo reunindo e articulando as "organizadas, novamente a barbárie predominou.
III - Culpar o "Estado" mais uma vez? Seria no mínimo covardia.
"Sentar a borracha, descer o bambu, prender e arrebentar" não resolvem...
IV - Liquidar, extinguir as "organizadas", promover jogos com torcida única, seria um bom começo. Levar clássicos ao interior também não seria má idéia.
V - Engraçado esses "valentões" torcedores. Tem xiliques em dias de clássicos. Esses Maricas, são machos em dias de jogos. Quando levam "ferro" com o aumento das passagens de transportes coletivos, são umas mocinhas, sequer reclamam. Idiotas alienados, comportam-se como ratos!
VI - Responsabilizar os clubes para que arquem com os prejuízos materiais, penalizar com perda de mando ou pontos, poderia ajudar.
VII - Cadastrar esses bárbaros e obrigá-los a comparecer a distritos policiais em horários e dias de jogos. Menores? Penitenciar os pais à comparecer as delegacias em lugar dos filhos.
Resolve? Não sei, seria um bom começo.
VIII - Convocar as forças armadas? O problema é que eles podem esquecer o caminho de volta aos quartéis. Não é uma boa idéia.
IX - Chega! Não pode a sociedade continuar gastando dinheiro e energia com esses bandidos. Medidas práticas e drásticas imediatamente devem ser adotadas.
X - FUTEBOL É O ASSUNTO??
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Agrotóxicos no seu estômago
Vou falar das consequências para você que mora na cidade, da adoção do
modelo agrícola do agronegócio. O agronegócio é a produção de larga escala, em monocultivo, empregando muito agrotóxicos e máquinas. Usam venenos para eliminar as outras plantas e não contratar mão de obra. Com isso, destroem a biodiversidade, alteram o clima e expulsam cada vez mais famílias de trabalhadores do interior.
Na safra passada, as empresas transnacionais, e são poucas (Basf, Bayer,
Monsanto, Du Pont, Sygenta, Bungue, Shell química...), comemoraram que o
Brasil se transformou no maior consumidor mundial de venenos agrícolas.
Foram despejados 713 milhões de toneladas! Média de 3.700 quilos por pessoa. Esses venenos são de origem química e permanecem na natureza. Degradam o solo. Contaminam a água. E, sobretudo, se acumulam nos alimentos.
As lavouras que mais usam venenos são: cana, soja, arroz, milho, fumo,
tomate, batata, uva, moranguinho e hortaliças. Tudo isso deixará resíduos
para seu estômago. E no seu organismo afetam as células e algum dia podem se transformar em câncer.
Perguntem aos cientistas aí do Instituto Nacional do Câncer, referência de
pesquisa nacional, qual é a principal origem do câncer, depois do tabaco? A
Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) denunciou que existem no
mercado mais de vinte produtos agrícolas não recomendáveis para a saúde
humana. Mas ninguém avisa no rótulo, nem retira da prateleira.
Antigamente, era permitido ter na soja e no óleo de soja apenas 0,2 mg/kg de resíduo do veneno glifosato, para não afetar a saúde. De repente, a Anvisa autorizou os produtos derivados de soja terem até 10,0 mg/kg de glifosato, 50 vezes mais. Isso aconteceu certamente por pressão da Monsanto, pois o resíduo de glifosato aumentou com a soja transgênica, de sua propriedade.
Esse mesmo movimento estão fazendo agora com os derivados do milho.
Depois que foi aprovado o milho transgênico, que aumenta o uso de veneno, querem aumentar a possibilidade de resíduos de 0,1 mg/kg permitido para 1,0 mg/kg.
Há muitos outros exemplos de suas consequências. O doutor Vanderley Pignati, pesquisador da UFMT, revelou em suas pesquisas que nos municípios que têm grande produção de soja e uso intensivo de venenos os índices de abortos e má formação de fetos são quatro vezes maiores do que a média do estado.
Nós temos defendido que é preciso valorizar a agricultura familiar,
camponesa, que é a única que pode produzir sem venenos e de maneira
diversificada.. O agronegócio, para ter escala e grandes lucros, só consegue
produzir com venenos e expulsando os trabalhadores para a cidade.
E você paga a conta, com o aumento do êxodo rural, das favelas e com o
aumento da incidência de venenos em seu alimento.
Por isso, defender a agricultura familiar e a reforma agrária, que é uma
forma de produzir alimentos sadios, é uma questão nacional, de toda
sociedade.
Não é mais um problema apenas dos sem-terra. E é por isso que cada vez que o MST e a Via Campesina se mobilizam contra o agronegócio, as empresas transnacionais, seus veículos de comunicação e seus parlamentares, nos atacam tanto.
Porque estão em disputa dois modelos de produção. Está em disputa a que
interesses deve atender a produção agrícola: apenas o lucro ou a saúde e o bem-estar da população? Os ricos sabem disso e tratam de consumir apenas produtos orgânicos.
E você precisa se decidir. De que lado você está?
(*) Artigo publicado originalmente no jornal O Globo