sexta-feira, 22 de julho de 2011

PiG (* ) joga sujo com Lula. Beijo não é na boca


Na saída de um evento no Parque do Anhembi em São Paulo, Lula beijou uma fã.

O G1 e o Globo publicaram a foto.

Lula não beija na boca.

Ele está para entrar no carro e dá um beijo desajeitado, acima dos labios, ao lado do nariz.

O G1 e o Globo exploram a foto.

Tem-se a impressão de que o objetivo da sequência das fotos é registrar uma “pulada de cerca” do ex-presidente.

Uma óbvia tentativa de “flagrá-lo” num pecadilho que o incompatibilize com D. Marisa.

O Estadão, como sempre, vai às ultimas consequências.

E diz na capa da edição online que Lula beijou a fã na boca (depois tirou o “na boca”).

Não é verdade.

São os Murdoch do Brasil.

Paulo Henrique Amorim

Elaine Tavares: Governador do DEM e aliados massacram professores de Santa Catarina

Avante professores, de pé!

por Elaine Tavares, no seu blog, dica, via blog do Fajardo

A cena apareceu, épica. Uma mulher, já de certa idade, rosto vincado, roupas simples, acocorada num canto da Assembléia Legislativa de Santa Catarina. Chorava. As lágrimas correndo soltas pela cara vermelha e inchada. Num átimo, a câmera captou seu olhar. Era de uma tristeza profunda, infinita, um desespero, uma desesperança, um vazio. Ali, na casa do povo, a professora compreendia que o que menos vale é a vontade das gentes. Acabava de passar no legislativo estadual o projeto do governador Raimundo Colombo (DEM-SC), que vai contra todas as propostas defendidas pelos trabalhadores ao longo de dois meses de uma greve fortíssima.

Um ato de força. A deputada Angela Albino chorava junto com os professores, os demais sete deputados que votaram contra – a favor dos trabalhadores – estavam consternados e, até certo pontonvergonhados por seus colegas. Mas, esses, os demais, os 28 que votaram com o governo, não se escondiam. Sob os holofotes das câmeras davam entrevistas, caras lavadas, dizendo que haviam feito o que era certo.

Puro cinismo. Na verdade o que aconteceu na Assembléia Legislativa foi o que sempre acontece quando a truculência do poder se faz soberana. Atropelando todos os ritos da democracia, o projeto do governador sequer passou por comissões, foi direto ao plenário. Foi um massacre. Porque é assim que é o legislativo nos países capitalistas, ditos “países livres e democráticos“. Os que lá estão não representam o povo, representam interesses de pequenos grupos, muito poderosos. São eleitos com o dinheiro destes grupos. Aquela multidão que esperava ali fora – mais de três mil professores – não era nada para os 28 deputados bem vestidos que ganham mais de 20 mil por mês. Valor bem acima do que o piso que os professores tantos lutaram para ter, 1.800 reais. E estes senhores estão se lixando para os professores estaduais porque certamente educam seus filhos em escolas particulares. Vitória, bradavam.

Mas os nobres parlamentares não ficaram contentes com isso. Ao verem os professores querendo se expressar, mandaram chamar a polícia de choque. E lá vieram os homens de preto com suas máscaras de gás, escudos e armas. Carga pesada para confrontar aqueles que educam seus filhos. Triste cena de trabalhador contra trabalhador, enquanto os representantes da elite se reflestelavam no ar condicionado. Por isso o olhar de desepero da professora, lá no canto, acocorada, quase perdida de si mesma.

Ao vê-la assim, tão fragilizada na dor, assomou de imediato em mim a lembrança da primeira professora, a mulher que mudou a minha vida. Foi ela quem me levou para a escola e abriu diante de mim o maravilhoso mundo do saber. Seu nome era Maria Helena. Naqueles dias de um longínquo 1965, ela era uma garota linda que morava do lado da nossa casa em São Borja (RS). Normalista das boas, ela não ensinava nas escolas privadas da cidade. Seu projeto de vida se constituiu ensinando nas escolas da periferia, com as crianças mais empobrecidas.

Por morar ao lado da minha casa ela percebeu que eu, aos cinco anos de idade, já sabia ler e escrever. Então, insistiu com minha mãe para que eu fosse para a escola, porque ela acreditava firmemente que ali, naquele ambiente, era onde se formavam as cabeças pensantes, onde se descortinava o mundo. Imagino que ela fosse até meio freiriana (adepta de Paulo Freire), por conta do seu modo de ensinar. Minha mãe relutou um pouco. A escola ficava longe, no bairro do Passo, e eu era tão pequena. Mas Maria Helena insistiu e venceu a batalha.

Assim, todas as tardes, mesmo nos mais aterradores dias do inverno gaúcho eu saia de casa, de mãos dadas com a minha professora Maria Helena e íamos pegar o ônibus para o Passo. Numa cidade pequena como São Borja, só os bem pobres andavam de ônibus e assim também já fui tomando contato com o povo trabalhador que ia fazer sua lida no bairro de maior efervescência na cidade. O Passo era a beira do rio Uruguai, onde ficava a balsa para a travessia para a Argentina, os armazéns que vendiam toda a sorte de produtos, as prostitutas, os mendigos, os pescadores, os garotos sem famílias, as lavadeiras, enfim, uma multidão, entre trabalhadores e desvalidos. O Passo era um universo popular.

Maria Helena não me ensinou só a escrever, ela me ensinou a ler o mundo, observando a realidade empobrecida do bairro, a luta cotidiana dos trabalhadores, as dificuldades do povo mais simples. E mais, mostrou que ser professora era coisa muito maior do que estar ali a traçar letrinhas. Era compromisso, dedicação, fortaleza, luta. Conhecia cada aluno pelo nome e se algum faltava ela ia até sua casa saber o que acontecia. Sabia dos seus sonhos, dos seus medos e nunca faltava um sorriso, um afago, o aperto forte de mão. Com essa mulher aprendi tanto sobre a vida, sobre as contradições de um sistema que massacra alguns para que poucos tenham riquezas. E aqueles caminhos de ônibus até o Passo me fizeram a mulher que sou.

É esse direito que eu queria que cada criança pudesse ter: a possibilidade de passar por uma professora ou um professor que seja mais do que um “funcionário“, mas uma criatura comprometida, guerreira, capaz de ensinar muito mais do que o be-a-bá. Um criatura bem paga, respeitada, amada e fundamental.

Mas os tempos mudaram, os professores são mal pagos, desrespeitados, vilipendiados, impedidos de conhecer seus alunos, obrigados a atuar em duas ou três escolas para manterem suas próprias famílias. Não podem comprar livros, nem ir ao cinema ou ao teatro. São peças do sistema que oprime e espreme.

Os professores de 2011, em Santa Catarina, são acossados pelatropa de choque, porque simplesmente querem o direito de ver respeitada a lei. O governador que não a cumpre descansa no palácio, protegido. Mas aqueles homens e mulheres valentes, que decidiram lutar pelo que lhes é direito, enfrentaram os escudos da PM, o descaso, a covardia, a insensatez. E ao fazê-lo, estabelecem uma nova pedagogia (paidós =criança, agogé =condução).

Não sei o que vai ser. Se a greve acaba ou se continua. Na verdade, não importa. O que vale é que esses professores já ensinaram um linda lição. Que um valente não se achica, não se entrega, não se acovarda. Que quando a luta é justa, vale ser travada. Que se paga o preço pelo que é direito.

Tenho certeza que, aconteça o que acontecer, quando esses professores voltarem à sala de aula, chegarão de cabeça erguida e alma em paz. Porque fizeram o que precisava ser feito. Terão cada um deles essa firmeza, tal qual a minha primeira professora, a Maria Helena, que mesmo nos mais duros anos da ditadura militar, seguiu fazendo o que acreditava, contra todos os riscos. Oferecendo, na possibilidade do saber, um mundo grandioso para o futuro dos seus pequenos. Não é coisa fácil, mas esses, de hoje, encontrarão o caminho.

Parabéns, professores catarinenses. Vocês são gigantes!

Chávez diz que Venezuela foi 'roubada' na Copa América

Hugo Chávez Frías
chavezcandanga Hugo Chávez Frías

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, não ficou nada satisfeito com a eliminação da seleção do seu país nas semifinais da Copa América, com a derrota para o Paraguai, nos pênaltis, na última quarta-feira à noite. No entanto, não foram os jogadores da equipe venezuelana os alvos dele, mas sim a arbitragem de Francisco Chacón.

"Na verdade, nossa Vinho Tinto (apelido da seleção venezuelana) ganhou à noite! O Paraguai não venceu esse jogo. Tanto Fidel (Castro, líder cubano, com que viu o jogo) como eu vimos claramente o gol que nos roubaram!", escreveu Chávez nesta quinta, em sua página no Twitter.

A reclamação de Chávez é em relação ao gol do zagueiro Oswaldo Vizcarondo, marcado no primeiro tempo da partida, que terminou 0 a 0. O árbitro mexicano entendeu que o jogador estava em posição de impedimento e anulou o lance.

"Em minha modesta opinião, e baseando-me em fatos observáveis, nos roubaram o gol da vitória! E espero que com isso não esteja ofendendo a ninguém!", apontou o líder venezuelano, que aproveitou para cobrar providências do presidente da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), Nicolás Leoz.

"Acho que devemos levantar a voz, pois temos autoridade para fazê-lo diante da Conmebol. Cumprimentos ao nosso grande amigo, Nicolás Leoz. Amigo Leoz, devemos cuidar de nossa Copa América! Espero que possamos conversar sobre isso. Confesso que nosso amigo e compatriota César Farias (técnico da Venezuela) falou comigo sobre 'algumas coisinhas' que às vezes acontecem nestas competições! Sobretudo com a arbitragem! Atenção, Leoz", escreveu Chávez.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Ricardo Teixeira e a “Piauí”

por Milton Leite

De volta à minha rotina, finalmente consegui ler com cuidado o perfil de Ricardo Teixeira escrito pela jornalista Daniela Pinheiro para a Revista Piauí. E escrevo sobre ele atendendo às muitas cobranças feitas pelas pessoas que me acompanham aqui ou no Twitter.

E não há muito a dizer, apenas lamentar. Primeiro, a maneira vulgar como ele fala a respeito de quase tudo. Usando palavrões e mais palavrões, mesmo sabendo que todas aquelas conversas seriam transformadas em uma grande reportagem. O linguajar de mesa de botequim fica ainda mais indelicado considerando-se que a entrevistadora era uma mulher.

Além disso, chama a atenção o fato de Ricardo Teixeira considerar-se acima do bem e do mal, poderoso ao extremo, a ponto de menosprezar veículos de comunicação e autoridades sem a menor cerimônia. E mais: ameaçar com esse poder aqueles que pretendem cobrir a Copa do Mundo de 2014 no Brasil, vetando credenciais e tentando dificultar quem quer trabalhar. Se em nome da CBF ele pode até falar o que quiser, sempre alegando que a entidade é privada e não recebe dinheiro público (o que é meia verdade, porque o futebol já é considerado patrimônio nacional, ou seja, não tem dono), como presidente do Comitê Organizador da Copa do Mundo ele não tem o direito de pronunciar as barbaridades que estão na revista, já que no Mundial há bilhões de dinheiro público envolvidos, há compromissos assinados pelo Estado, há facilidades oferecidas como isenção de impostos, licitações a toque de caixa e outras subserviências.

Não basta a presidente Dilma Russef não receber Ricardo Teixeira em Brasília, num sinal claro de que não concorda com a maneira como as coisas são encaminhadas por ele. Está mais do que na hora de o Governo Federal fazer valer a sua posição de investidor maior do evento e frear o comportamento fora de propósito de quem está gerindo o maior evento esportivo que o país já sediou.

No mais, parabéns para Daniela Pinheiro pelo belo texto, pelos detalhes que expõem de maneira tão clara um dos homens mais poderosos do Brasil de hoje.

Milton Leite é narrador do canal Sportv que pertence a Globo

Declaração de Managua reafirma luta para promover Revolução Latino-Americana

Adital

Terça (19), Nicarágua celebrou 32 anos da Revolução Sandinista. Em alusão à data e aos 50 anos da fundação da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), movimentos e organizações sociais da América Latina se reuniram, nos dias 17 e 18 de julho, em Manágua (capital nicaraguense) no "Encontro de Movimentos Sociais da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba), das Américas e do Caribe: Reconstruindo a Solidariedade”.

Organizado pela Frente Nacional dos Trabalhadores (FNT), o evento teve o objetivo de trocar experiências e aprofundar as relações entre as organizações latino-americanas. Durante esses dois dias, os participantes defenderam o processo revolucionário promovido pela FSLN e debateram as experiências realizadas na Nicarágua que contribuíram para a "transformação cultural, política, social e econômica” no país.

O Encontro foi finalizado com a leitura da "Declaração de Manágua”, documento em que os participantes celebraram os 50 anos da fundação da Frente Sandinista e os 32 anos da Revolução Popular Sandinista. Na Declaração, os movimentos destacaram a importância das revoluções para a transformação social e dos povos e a relevância da Alba para a integração entre as populações latino-americanas.

"Reconhecemos que – em meio à crise neoliberal global – a construção de um Modelo Revolucionário necessita o concurso e o avanço em múltiplos países da América Latina, pelo que consideramos que a Aliança Bolivariana das Américas é muito valiosa para desenvolver a Revolução Latino-Americana; nesse sentido, nos comprometemos a defender e fortalecer a Alba dos Povos, a integração justa e solidária, a continuar lutando desde nossos países para ir criando as condições que a Revolução Latino-Americana necessita; Revolução que avança na América do Sul, na América Central e no Caribe, desde os governos populares e desde o acumulado de avanços dos Movimentos Sociais”, consideraram.

No documento, as organizações sociais ainda lembraram o Bicentenário da Venezuela, celebrado no início deste mês; a luta da população hondurenha em resistência ao Golpe de Estado de junho de 2009; e o compromisso de formar uma "Rede de Amizade e Solidariedade entre os Povos”.

Além disso, se somaram à convocatória do IV Encontro Sindical Nossa América (IV Esna), que se realizará entre os dias 25 e 27 de agosto na Nicarágua, e expressaram apoio à Frente Sandinista de Liberação Nacional e ao presidente Daniel Ortega.

"Manifestamos nosso apreço e reconhecimento à liderança e firmeza do Comandante Daniel Ortega, líder da Revolução Sandinista e do FSLN, presidente da Nicarágua, expressamos nosso total respaldo e apoio a sua candidatura para as próximas eleições na Nicarágua, cujo triunfo assegurará a continuação da Revolução nicaraguense e latino-americana”, finalizaram.

Contexto histórico

19 de julho é lembrado em toda a Nicarágua como o dia em que forças populares conseguiram, depois de muita luta, derrotar a ditadura imposta pela família Somoza, que ficou mais de 40 anos (1936-1979) no poder, período em que teve o apoio dos governos norte-americanos. A vitória foi fruto da união de diversos setores da sociedade, entre eles trabalhadores, empresários, camponeses, estudantes e guerrilheiros, que se aliaram para derrubar a ditadura militarizada passada do pai, Anastasio Somoza García, para os filhos, Luís Somoza e Anastasio Somoza Debayle.

A revolução tem como principal símbolo o general Augusto C. Sandino que, com um pequeno exército formado por trabalhadores e camponeses, conseguiu vencer as forças militares estadunidenses que ocupavam o país a pretexto de pacificar o território e garantir a paz. O líder foi morto a mando de Somoza e até hoje a localização de seu corpo é desconhecida.

Metendo os Peitos: Análise da 10ª Rodada

por Carolaine

Vasco 2 x 1 Atlético-PR

A empresa energética carioca quase foi responsável pelo adiamento da partida. A futura sede das Olimpíadas terá muito trabalho pela frente, pois apagões e bueiros explodindo não deveriam ser transtornos corriqueiros. Após cerca de 15 minutos de espera a energia voltou e o jogo pôde começar. A equipe paranaense começou melhor e saiu na frente, mas o Vasco não se intimidou e empatou ainda na primeira etapa, que foi muito dura e recheada de cartões. No segundo tempo o jogo foi equilibrado, mas Alecsandro acabou de vez com a seca de gols pela qual passava marcando o seu segundo na partida. Mádson por sua vez continua perdendo as oportunidades e seu clube permanece em último lugar na tabela. Como o Avaí venceu nesta rodada, agora o Furacão é o único time na Série A ainda sem vitórias. O tabu em São Januário permaneceu inalterado como havíamos previsto.

Coritiba 3 x 1 Fluminense – O Coxa confirmou o favoritismo para a partida e aos 30 minutos já vencia por dois gols de diferença. Contando com falhas do goleiro e da zaga Tricolor, Marcos Aurélio abriu o placar e Pereira aumentou. No segundo tempo Abel Braga buscou a reação colocando Deco e Matheus Carvalho, mas o time das Laranjeiras não é o mesmo sem Conca e nem sempre corresponde a alcunha de “time de guerreiros” dada pela torcida. Bill fez o terceiro gol Alviverde e a equipe relaxou. Dessa forma o adversário cresceu; marcou com Matheus Carvalho e pressionou no finzinho, mas sem sucesso, pois a derrota já estava sacramentada.

Atlético-GO 0 x 1 Avaí – Na briga da parte baixa da tabela o Avaí levou a melhor. Finalmente alcançando a primeira vitória o time respira, mas permanece no Z4 e precisa emplacar uma boa sequência para realmente afastar a crise. O Dragão teve a chance de empatar a partida em uma penalidade cobrada pelo goleiro Márcio, mas ele desperdiçou e desabafou após o jogo – “Nossa torcida precisa entender a nossa realidade. Vamos brigar para não cair até o fim. Se conseguimos algo além disso, é lucro.”

Santos 2 x 1 Atlético-MG – Os gols da partida saíram no primeiro tempo, dois de pênalti (um pra cada lado) e apenas um com a bola rolando, marcado por Danilo. O time de Muricy conseguiu segurar a pressão sofrida durante todo o segundo tempo e garantiu os três pontos, enquanto o Galo amarga a décima quinta posição na tabela e a falta de um centroavante efetivo.

Internacional 0 x 3 São Paulo – O Internacional perdeu a terceira partida seguida. Jogando pouco e oferecendo muitos espaços ao adversário, o Colorado não se encontrou e permitiu que o Tricolor aumentasse ainda mais a sua vantagem histórica no confronto. O presidente do Internacional, que nunca foi favorável a contratação do ídolo como técnico, aproveitou a sequência de resultados ruins para demitir Falcão e o vice de futebol, Roberto Siegmann. O São Paulo fez a sua parte; jogou bem e agradou o novo técnico que assistia de longe. Adilson Batista, demitido do lanterna da competição, não é nem de longe o que a torcida esperava, porém encontrará uma equipe já recuperada de uma curta, mas dolorosa, fase ruim.

Ceará 4 x 0 América-MG – A esperada vitória do Ceará não surpreendeu, pois jogando em casa o time tem sido algoz dos adversários. A facilidade com que alcançou a grande diferença no marcador e a falta de reação do América foram os pontos preponderantes da partida. Ficam as lições para os dois lados; as dificuldades principalmente defensivas do time mineiro e a linha que o Vozão deveria adotar também como visitante.

Cruzeiro 2 x 1 Bahia – Em um jogo muito corrido e disputado a Raposa conseguiu mais uma vitória. Montillo bem que tentou, mas o nome do jogo desta vez foi Wallyson, que marcou os dois do Cruzeiro. Do outro lado quem deixou o seu foi Jóbson, que comemorou pescando, em resposta a uma infeliz entrevista dada por Joel Santana. O técnico nega a polêmica, afirma respeitar muito o clube baiano onde já foi campeão, mas na entrevista em questão ele teria diminuído o Bahia a uma sardinha e afirmado que preferia treinar um peixe grande ao invés do Tricolor.

Palmeiras 0 x 0 Flamengo – O jogo foi bom e muito disputado, como esperávamos, no entanto o momento mais esperado pelas torcidas não chegou para nenhuma. O empate sem gols mantém os dois times no G4, mas a distância para o líder isolado Corinthians só aumenta. Destaque positivo para as boas defesas dos goleiros e negativo para Kleber, que tentou fazer um gol a partir de uma bola ao chão, após atendimento médico a um jogador flamenguista. Sobrou vontade, mas faltou fair play.

Botafogo 0 x 2 Corinthians – Para a tristeza dos secadores de plantão o Corinthians ganhou mais uma e se isola cada vez mais na liderança. Antes de o visitante abrir o placar o Botafogo estava mais próximo do gol, mas depois que Liédson marcou, no finalzinho do primeiro tempo, o time de Tite se soltou e foi mais perigoso. Dois empates e uma derrota são os últimos resultados do Alvinegro carioca, que enfrentará o lanterna em Curitiba na próxima rodada para buscar o reencontro com a vitória.

Figueirense 0 x 0 Grêmio – Segundo empate em 0x0 na rodada e novamente o destaque foi dos arqueiros. O Figueirense foi quem teve mais chances de marcar, mas Marcelo Grohe estava inspiradíssimo, inclusive defendendo uma penalidade máxima aos 43 minutos do segundo tempo e evitando a derrota do seu time de forma espetacular.


Amanhã teremos o confronto entre Avaí e Internacional. O jogo foi adiantado para possibilitar a viagem do time Colorado para um torneio na Europa. A torcida catarinense espera que o Leão aproveite a má fase do Inter e consiga a segunda vitória na competição. Mesmo jogando na Ressacada a tarefa é desafiadora para o elenco, mas na situação atual vencer em casa é imprescindível para o clube, que deseja escapar do rebaixamento.

Por que a oposição não fala de economia?

O PSDB, o jornal O Globo e seus aliados estão indignados com a corrupção no Brasil. Querem que o povo saia às ruas. Mas o povo só costuma sair às ruas quando a economia vai mal. E, curiosamente, aqueles que querem que o povo saia às ruas, não querem falar de economia. Distração? Falta de ter o quê dizer?

Marco Aurélio Weissheimer

Subitamente, setores da sociedade brasileira querem que o povo saia às ruas. É preciso qualificar esses “setores da sociedade brasileira”. São aqueles que foram apeados do poder político no início dos anos 2000 e que tiveram sua agenda política e econômica dilacerada pela realidade. A globalização econômica cantada em prosa e verso nos anos 1990 revelou-se um fracasso retumbante. A globalização financeira, a única que houve, afundou em uma crise dramática que drenou bilhões de dólares da economia real, conta que, agora, está sendo paga por quem costuma pagar essas lambanças: o povo trabalhador que vive da renda de seu trabalho.

Durante praticamente duas décadas, nos anos 80 e 90, a esmagadora maioria da imprensa no Brasil e no exterior repetiu os mesmos mantras: o Estado era uma instituição ineficiente e corrupta, era preciso privatizar a economia, desregulamentar, flexibilizar. A globalização levaria o mundo a um novo renascimento. Milhares de editoriais e colunas repetiram esse discurso em jornais, rádios, tvs e páginas da internet por todo o mundo. Tudo isso virou pó. Os gigantes da economia capitalista estão mergulhados em uma grave crise, a Europa, que já foi exemplo de Estado de Bem-Estar Social, corta direitos conquistados a duras penas após duas guerras mundiais. A principal experiência de integração regional, a União Europeia, anda para trás.

No Brasil, diante da total ausência de programa, de projeto, os representantes políticos e midiáticos deste modelo fracassado que levou a economia mundial para o atoleiro, voltam-se mais uma vez para o tema da corrupção. Essa é uma história velhíssima na política brasileira. Já foi usada várias vezes, contra diferentes governantes. Afinal de contas, os corruptos seguem agindo dentro e fora dos governos. Aparentemente, por uma curiosa mágica, eles são apresentados sempre como um ser que habita exclusivamente a esfera pública. Quando algum corrupto privado aparece com algemas, costuma haver uma surda indignação contra os “excessos policiais”.

No último domingo, o jornal O Globo publicou uma reportagem para questionar por que os brasileiros não saem às ruas para protestar contra a corrupção (aliás, o MST respondeu à pergunta, mas não teve sua resposta publicada). O Globo sabe a resposta. Como costuma acontecer no Brasil e no resto do mundo, o povo só sai às ruas quando a economia vai mal, quando há elevadas taxas de desemprego, quando as prateleiras dos super mercados tornam-se território hostil, quando não há perspectiva para a juventude. Não há nada disso no Brasil de hoje. Há outros problemas, sérios, mas não estes. A violência, o tráfico de drogas, as filas na saúde, a falta de uma educação de melhor qualidade. É de causar perplexidade (só aparente, na verdade) que nada disso interesse à oposição. Quem está falando sobre isso são setores mais à esquerda do atual governo.

Comparando com o que acontece no resto do mundo, a economia brasileira vai bem. Não chegamos ao paraíso, obviamente. Longe disso. Há preocupações legítimas em nosso vale de lágrimas que deveriam ser levadas a sério pelo governo federal sobre a correção e pertinência da atual política cambial e de juros, apenas para citar um exemplo. O Brasil virou mais uma vez um paraíso para o capital especulativo e a supervalorização do real incentiva um processo de desindustrialização.

Curiosamente, essa não é a principal bandeira da oposição. Por que estão centrando fogo no tema da corrupção e não na ausência de mecanismos de controle de capitais, por exemplo? Por que não há editoriais irados e enfáticos contra a política do Banco Central e as posições defendidas pelos agentes do setor financeiro? Bem, as respostas são conhecidas. Os partidos políticos não são entidades abstratas descoladas da vida social das comunidades. Alguns até acabam pervertendo seus ideais de origem e se transformam em híbridos de difícil definição. Mas outros permanecem fiéis às suas origens e repetem seus discursos e estratégias, década após década.

Nos últimos dias, lideranças nacionais do PSDB e seus braços midiáticos vêm repetindo um mesmo slogan: o Brasil vive uma das mais graves crises de corrupção de sua história. Parece ser uma tese com pouco futuro. Tomando as denúncias de corrupção como critério, o processo de privatizações no período FHC é imbatível. Há problemas econômicos reais no horizonte. É curioso que isso não interesse à oposição. Afinal, é isso que, no final das contas, faz o povo sair às ruas. Sempre foi assim: a guerra, a fome, o desemprego. Esses são os combustíveis das revoluções.

A indigência intelectual e programática da oposição brasileira não consegue fazer algo além do que abrir a geladeira, pegar o feijão congelado meio embolorado da UDN, colocá-lo no forno e oferecê-lo à população como se fosse uma feijoada irrecusável. Mas no fundo não se trata de indigência. É falta de alternativa mesmo. Falta de ter o quê dizer. Não falta matéria-prima para uma oposição no Brasil, falta cérebro e, principalmente, compromisso com um projeto de país e seu povo.

O modelo político-econômico que hoje, no Brasil, abraça a corrupção como principal bandeira esteve no poder nas últimas décadas por toda a América Latina e foi varrido do mapa político do continente, com algumas exceções. Seu ideário virou sinônimo de crise por todo o mundo. É preciso mudar de assunto mesmo. A verdade, em muitos casos, pode ser insuportável, ou, simplesmente, inconveniente.

Marco Aurélio Weissheimer é editor-chefe da Carta Maior (correio eletrônico: gamarra@hotmail.com)

CURTA & GROSSAS

por Ernesto Aguiar

OPA!

Estamos Salvos!
Agora sim, a república pode dormir tranquila!
O líder do PR na Câmara, Deputado Lincon Portella(MG), entrou de sola na "polêmica" e defendeu seus pares da injustiça e das calúnias que estão sendo levantadas pela sociedade.

VIOLÊNCIA
Alerta o zeloso líder da QUADRILHA que não estão sendo observados quesitos básicos do Estado de Direito.
Tem muita gente DESCONFIADA que não seria bem essa a preocupação do nobre líder.

RITUAIS
Assevera o NOBRE líder que os "ritos processuais" não estão sendo corretamente aplicados.
O CHEFE da GANG do PR na Câmara clama por JUSTIÇA!
Assume SER e pergunta, MAS QUEM NÃO É??

TRADIÇÃO MINEIRA
O Estado de MINAS GERAIS tem se notabilizado ultimamente por apresentar a NAÇÃO deputados PILANTRAS.
O do CASTELO, o da Construtora que usava AREIA DE PRAIA pra construir prédios e MATAR PESSOAS, o das Pedras Preciosas etc...
Agora aparece esse TIPINHO aí arrotando grosso.
Vá de retro!

DENIT MG
Teria por ventura o LÍDER alguma indicação política em CARGOS no Ministério em Brasília ou Minas Gerais?
O nome dele é LINCON PORTELLA, deputado federal por MG.
Vamos ficar de OLHO nesse CARA.
Já que aparece os reais motivos de tamanho "espírito de justiça" e defesa do Estado de Direito.

EM CIMA DO CARA
Marcação Cerrada nesse CARA, já que explode suas BOAS INTENÇÕES.
Holofotes, Lupas e ouvidos bem abertos com o Nobre Líder.
Quem viver verá!

#foraRicardoTeixeira

blog do juca

Está criado um sítio que funcionará, a partir das 0h desta quinta-feira, como uma plataforma de denúncias contra o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

www.foraricardoteixeira.com.br

Basicamente, tudo o que sair no Twitter, Facebook, e todas as outras redes sociais com a hashtag citada entrará automaticamente no sítio.

Em suma, será um endereço para que o internauta entre e acompanhe diariamente tudo o que vem sendo dito, especulado, investigado sobre o mandatário máximo da CBF.

Rolarão vídeos do YouTube e destaques para matérias especiais e afins.

#ForaRicardoTeixeira

Entenda:

Pra começo de conversa, este sítio não tem como objetivo tirar o senhor Ricardo Terra Teixeira, mais conhecido como Ricardo Teixeira, do comando da Confederação Brasileira de Futebol.

Afinal de contas, ele vem se dedicando à instituição por longos 22 anos.

Isso mesmo: cinco mandatos de muita transparência e trabalho duro à frente da CBF.

E essa história não terminará antes da Copa de 2014, quando este homem idôneo retribuirá a confiança do povo brasileiro com a mais organizada Copa do Mundo já vista na história deste país.

Por isso mesmo, resolvemos criar o F.O.R.A Ricardo Teixeira: um sítio de utilidade pública para todos nós, fãs do senhor Teixeira, para ficarmos por dentro de tudo o que esse exemplar administrador está preparando para a grande festa do futebol mundial.

Mas por que F.O.R.A Ricardo Teixeira, se a intenção não é tirar este grande líder do poder ?

F.O.R.A é apenas uma inofensiva sigla, que significa Feed Otimizado Relacionado a Alguém.

E, nesse caso, o alguém é Ricardo Teixeira, soberano do futebol tupiniquim.

Por exemplo, se quiséssemos saber da vida de um renomado político brasileiro, poderíamos criar o F.O.R.A Sarney.

Mas como brasileiro gosta mesmo é de futebol, não vamos perder tempo com assuntos secundários.

Como funciona o F.O.R.A Ricardo Teixeira?

É simples: toda publicação com a hashtag #FORAricardoteixeira proveniente do Twitter (serviço de microblog que serve para as pessoas reclamarem em 140 caracteres) aparecerá por aqui.

Ou seja, nenhum conteúdo presente nesse sítio é criação nossa.

É a voz do povo.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Problemas e soluções concretas

Escrito por Wladimir Pomar

Como comentamos, a questão do desenvolvimento aparece, para muitos, como uma contradição insolúvel entre o crescimento econômico e o atendimento das demandas sociais. Na esteira dessa discussão, há os que acusam os partidos de darem prioridade à luta institucional, descaracterizando-se do ponto de vista ideológico de classe. E citam, como exemplo, a forma como os parlamentares encaram as questões que interessam aos trabalhadores. O que teria levado as centrais sindicais, durante a campanha de 2010, a fazerem propostas mais avançadas do que os partidos e o programa da candidata Dilma.

É lógico que eles devem estar se referindo aos partidos de esquerda, já que os partidos de centro e de direita demonstram sempre firme viés ideológico, encaram os interesses dos trabalhadores como contrários a seus próprios interesses de classe e renegam as propostas das centrais sindicais como inaceitáveis, a não ser quando elas servem à sua luta contra o PT e o governo Dilma.

Aliás, as supostas propostas sindicais mais avançadas do que as dos partidos de esquerda deveriam ser comprovadas com exemplos mais precisos. Isto, para que se possa entender melhor porque o PT, e não as centrais sindicais, é o alvo principal dos ataques da direita e dos setores reacionários da burguesia.

De qualquer modo, o pano de fundo dessas críticas aos partidos de esquerda está na pergunta: qual crescimento deveremos ter e a quem ele deve beneficiar? Ou seja, podemos ou não prescindir do capitalismo para realizar o atual processo de desenvolvimento do Brasil? Podemos ou não realizar um desenvolvimento social e ambientalmente justo e totalmente de acordo com os interesses populares?

Se a resposta for positiva para ambas as perguntas, os que pensam assim têm o dever de explicar como deveremos liquidar com o atual modo de produção capitalista predominante e criar um novo. Ou, na melhor das hipóteses, como mudar a atual correlação de forças políticas e possibilitar ao governo Dilma enquadrar o poder econômico e subordiná-lo aos interesses populares.

Se acharem que isso é uma questão de exclusiva vontade política, então talvez tenham razão em dizer que os partidos de esquerda se descaracterizaram do ponto de vista ideológico de classe e abandonaram os interesses dos trabalhadores, e que é necessário substituir o pragmatismo pelo voluntarismo.

No entanto, se isso for uma questão de luta de classes, social e política, em que o estágio de desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção, assim como a correlação entre as forças políticas, impõe limites e desvios ao processo de desenvolvimento econômico, social e político, então será necessário abandonar qualquer tipo de voluntarismo e estabelecer estratégias e táticas que levem à acumulação de forças e à criação de condições que permitam aos trabalhadores e demais camadas populares apropriar-se do Estado.

Uma sociedade capaz de realizar um desenvolvimento social e ambientalmente justo e totalmente de acordo com os interesses populares só pode ser uma sociedade comunista. Mesmo uma sociedade socialista, de transição, ainda será uma sociedade cujo desenvolvimento social e ambiental não será completamente justo, nem totalmente de acordo com os interesses populares imediatos.

Isto porque aquelas metas de justiça somente serão viáveis com o pleno desenvolvimento das forças produtivas. O que significa chegar ao ponto em que o capitalismo esgotou todas as suas possibilidades de desenvolvimento e seu papel histórico. Até lá, como a experiência histórica do século 20 demonstrou, mesmo nas sociedades socialistas haverá convivência e disputa entre formas de propriedade e de produção capitalistas e sociais.

A situação do Brasil e do governo Dilma é ainda mais complexa porque aqui não ocorreu qualquer revolução popular, nem há perspectiva de que tal possibilidade esteja num horizonte próximo. Os trabalhadores e outras forças populares guindaram os partidos de esquerda ao governo, mesmo assim porque esses partidos fizeram coalizão com forças de centro e de centro-direita.

Para complicar ainda mais, isso ocorreu numa situação em que grande parte da propriedade social (estatal e pública), construída em anos anteriores, foi privatizada, tornando-se propriedade capitalista, inclusive desnacionalizada. E em que o Estado foi sucateado e perdeu grande parte de sua capacidade de poupança, investimento e indução econômica. Em tais condições, achar que é possível desenvolver o Brasil de forma totalmente justa e de acordo com os interesses populares é utopia pura.

O que devem fazer os partidos de esquerda no governo, diante de uma situação como essa? Abandonar o governo, dizendo para o povão que não podem desenvolver o país da forma justa que gostariam? Ou devem adotar uma estratégia que estimule o desenvolvimento capitalista mas, ao mesmo tempo, adote instrumentos de democratização do capital, multiplique as formas sociais de propriedade e de produção (estatais, públicas, solidárias etc.), e introduza mecanismos de redistribuição constante da renda, elevando o poder de compra e a educação das camadas mais pobres da população?

Mesmo a estratégia ambígua de desenvolvimento capitalista, combinada com democratização do capital, desenvolvimento de formas sociais e de redistribuição de renda não é de simples execução. Ela enfrenta diferentes formas de resistência, tanto dos partidos de centro e centro-direita da base de sustentação do governo quanto dos partidos de direita e de ultra-esquerda, seja no parlamento, na imprensa e nas organizações e movimentos sociais. A disputa pela opinião pública ocorre tanto dentro quanto fora do governo.

Nessas condições, os partidos de esquerda têm que travar tal disputa em todos esses terrenos. Nesse sentido, a crítica a um certo abandono no trabalho de base tem razão de ser, e tal abandono pode até ter como explicação uma mudança ideológica e política em segmentos desses partidos. Porém, mesmo que isto tenha ocorrido, a solução está em dar respostas concretas aos problemas originados da situação inusitada e impensável do Brasil nos anos recentes. Respostas, aliás, que passam longe das soluções sugeridas pela derrapagem na ultra-esquerda.

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Sean Hoare, a morte inevitável

sapo.pt

Sean Hoare, jornalista de celebridades da televisão e do espectáculo, encontrado morto no seu apartamento, foi descrito pelo colega Nick Davis, do jornal The Guardian, como «um homem adorável».

Hoare ficou também conhecido por ter sido o primeiro a denunciar publicamente o caso das escutas ilegais no News of the World, pelo que a notícia da sua morte levantou imediatamente suspeitas.

A polícia lançou um comunicado afirmando que, embora não exista ainda uma explicação para aquela morte, também não existe qualquer indício de que se tratou de uma «morte suspeita».

Os mais chegados a Hoare poderiam defini-la como uma morte inevitável.

O excessivo consumo de álcool e drogas deixaram-lhe o fígado à beira do colapso. Mas até estes vícios Hoare associou às práticas do The Sun e do News of the World, dispostos a conseguir uma história a qualquer preço.

«Eu era pago para tomar drogas com as estrelas de rock – embebedar-me com elas, tomar comprimidos com elas, ‘snifar’ cocaína com elas», contou Hoare. «Era tudo muito competitivo. Fazíamos coisas que estão muito para além do cumprimento do dever. Fazíamos coisas que nenhum homem mentalmente saudável faria.»

E tudo por uma boa história. Não importava quais os meios utilizados, desde que essa história pudesse ser contada. O editor-chefe de Hoare no News of the World, que também o chefiara no The Sun, não queria saber de mais nada a não ser das histórias.

De certa forma, este filho da classe média britânica deixou-se atrair pelas luzes da ribalta e pelo tipo de vida privilegiada que manteve enquanto repórter de celebridades, mas foi arruinando por completo a sua saúde física.

Era um bom repórter, apesar de tudo; os colegas recordam-no como alguém capaz de «sacar boas histórias», mas que não tinha um estilo agressivo: «ele podia iluminar um candeeiro só com a sua conversa, era um tipo caloroso, simpático».

Aos colegas mais chegados, Hoare confessou que o seu dia começava com um pequeno-almoço à estrela de rock: uma linha de cocaína e uma garrafa de Jack Daniels. Ao todo, consumia três gramas de cocaína por dia, enormes quantidades de álcool.

Quando o problema com as bebidas e a droga se agravaram, Hoare foi despedido pelo mesmo editor do News of the World que o incentivava a fazer o que ele quisesse e como quisesse, desde que «trouxesse a história».

A última vez que foi visto com vida encontraram-no num clube nocturno, de joelhos, procurando qualquer coisa no chão: tinha deixado cair a cocaína. O editor do Daily Mirror que o viu disse-lhe «Esse não é o comportamento que se espera ver de um jornalista veterano de um grande jornal», mas Hoare, desesperado, só lhe conseguiu responder: «Tens alguma merda de uma droga?»

Entretanto, o fígado definhava. Estava em tão mau estado que um médico lhe disse que tinha sorte em ainda estar vivo. Foi por esta altura que o News of the World o despediu: já não tinha saúde para continuar a fazer parte «da máquina», como Hoare lhe chamava.

E foi-se, finalmente, no dia de hoje, 18 de Julho. Deixou este mundo - sem emenda possível. Mesmo quando era evidente para todos o estado lastimoso em que se encontrava, Hoare dizia: «Eu já deixei de beber, mas depois tratei-me com vinho tinto».

CURTAS & GROSSAS

by Ernesto Aguiar

MIRIAN RONCA E FUÇA!
Mirian Leitoa, hoje se superou.
Chafurdando na Pocilga Neo-liberal a SUÍNA resolveu analisar a qualidade do Petróleo produzido pela VENEZUELA.
Avaliou a PORCA, que o OURO-NEGRO da PDVSA não é de boa qualidade.

FUCINHO DA PORCA, NÃO É TOMADA!
Leitoa fez ainda uma análise sobre a "utilização" do Petróleo Bolivariano para fins SOCIAIS e não achou nada bom.
Certamente a RONCADORA preferia quando as riquezas do subsolo da Pátria de Bolívar era DESVIADA, ROUBADA, entregue a preço de "banana" aos AMERICANOS.

PORCA VIGARISTA
A VIGARISTA considera que nos tempos em que a ELITE BRANCA Venezuelana socava o dinheiro roubado do povo em teco-tecos e levava pra MIAMI era muito melhor.
Lembra a SUÍNA que pobres são sempre ignorantes e não saberiam oque fazer com o dinheiro obtido com a venda do Petróleo, portanto, o GOVERNO BOLIVARIANO não sabe APLICAR a grana da PDVSA.

LOUCA POR LAVAGEM...
Generalista, a ASQUEROSA, resolveu CRITICAR a OPEP! Sério!
Revelando-se expert em mais um assunto, considera que a OPEP deve rever seus métodos!
Destilou seu ódio vulgar e porcino contra a "MASSA" BOLIVARIANA.
Desqualificou o Petróleo da Bacia do Orinoco, rebaixando-o a qualidade inferior, sem saber sequer do que estava falando.
Vomitou suas aleivosias a torto e direito.
Que PORCA!

PRECISA-SE UM CACHAÇO DO MATO!
A PILANTRA, a soldo da ELITE BRANCA, deve estar um tanto quanto carente, pois seus DUROKS não estão a satisfazendo.
Talvez um ANIMAL SILVESTRE acalme a ODIOSA cronista.
Seria carência de MACHO ou de GRANA mesmo?

PORQUINHA OBEDIENTE
Atabalhoada talvez por uma febre SUÍNA, a LEITOA agora resolveu dar uma de Engenheira Química, deitando falação sobre a pesquisa Petrolífera.
Ajoelhada aos interesses NEO-LIBERAIS, entra em estado febril com as CONQUISTAS da REVOLUÇÃO BOLIVARIANA.
Obediente, revela toda sua ignorância, mas não se cala!

RONC, RONC, RONC...
Sugerimos a LEITOA que limite-se a defender SUAS ESPIGAS em assuntos internos, não se metendo em CHIQUEIROS internacionais.
Chafurde por aqui mesmo, respeite os limites de sua GRANJA.

PORCA NO ROLETE
A festa do PORCO e da PORCA no rolete vem aí...
A REPRODUTORA dos interesses NEO-LIBERAIS deveria dar uma passadinha em TOLEDO/PR, e conhecer está importante FESTA NACIONAL.
Se bem que as LEITOAS eleitas ultimamente são da categoria light, não seria selecionada.

Excluído por Requião, Pessuti devolve criticas

Da Roseli Abraão

O ex-governador Orlando Pessuti, cujo grupo político foi excluído do novo diretório do PMDB de Curitiba, devolveu nesta segunda-feira as criticas, ou melhor, ironias, do novo presidente do partido, senador Roberto Requião.

Requião ironizou os oito votos contra que sua chapa recebeu e disse que este é o tamanho da “oposição pessutista”.

Para Pessuti, o resultado da eleição não reflete a opinião do PMDB de Curitiba, “mas apenas a opinião do PMDB requianista que excluiu do processo de escolha do novo diretório e executiva integrantes de minorias e maiorias, em especial aqueles que mantém qualquer vinculo pessoal conosco” afirmou.

Na avaliação do ex-governador, “mostrando a verdade dos números e analisando os resultados eleitorais não é preciso utilizar de ironias para se comparar a força do PMDB no interior e na capital.

– Em Jardim Alegre o PMDB pessutista venceu quatro das últimas sete eleições para prefeito enquanto em Curitiba, o PMDB requianista venceu apenas uma.

É um detalhe importante, disse Pessuti, que também ironizou:

– Na última eleição para prefeito em 2008, o PMDB pessutista lá em Jardim Alegre obteve 49,9% dos votos enquanto o PMDB requianista aqui em Curitiba obteve 1,7% apenas avaliou.

Pessuti foi além:

– Os números para o Senado também demonstram a força do PMDB no interior. Em 2010 lá em Jardim Alegre, o PMDB pessutista deu o primeiro lugar a Requião com 4.919 votos, ou seja, mais de 37% dos votos válidos, enquanto que aqui em Curitiba o PMDB requianista deu o quarto lugar a Requião com 305.159 votos ou seja apenas 16%, comparou.

Pessuti chama prá si as duas vitórias de Requião ao governo do Estado.

Segundo ele, “Requião só venceu as eleições ao governo de 2002 e 2006 porque teve o apoio do PMDB pessutista, já que Orlando Pessuti integrava sua chapa que disputou a eleição. Se Pessuti não estivesse ao lado de Requião e não trouxesse consigo a força e os votos do interior, tudo leva a crer que a derrota de Requião seria iminente” finalizou.

Trabalho doméstico em pauta na UGT

O presidente da UGT-PARANA, Paulo Rossi, foi o convidado especial no Fórum Permanente de Discussão do Trabalho Doméstico, realizado em Curitiba, na manhã dessa segunda-feira, dia 18 de julho, na sede do INSS. Participam desse fórum as secretarias do Trabalho de Curitiba e do Paraná, Dieese, Superintendência Regional do Ministério do Trabalho, Pastoral da Criança e sindicatos de empregados e empregadores domésticos.

O sindicalista da UGT transmitiu aos integrantes do fórum suas experiências quando superintendente da Secretaria do Trabalho e Emprego e Curitiba e a criação da primeira Convenção Coletiva de Trabalho dos trabalhadores domésticos. Esse empenho rendeu a Rossi o convite para participar da 100ª Convenção Mundial da OIT (Organização Internacional do Trabalho), realizada recente em Genebra, na Suiça. Nessa convenção da OIT, ficou negociada a criação de uma convenção internacional para garantir direitos aos trabalhadores domésticos de todo mundo.

Para a coordenadora do Núcleo de Educação Previdenciária do INSS-Curitiba e do Fórum do Trabalho Doméstico, Teresinha Marfurte, “queremos contar com essas experiências para aprimorar as relações de trabalho entre empregados e empregadores domésticos. Esse fórum é permanente, sendo realizado no início da segunda quinzena de cada mês. Uma das intenções do fórum é produzir uma cartilha dirigida a todo esse público, com os deveres e responsabilidades de ambas as partes”.

Rumo à sociedade do conhecimento com justiça social

Com propostas para a construção de uma sociedade conhecedora dos processos de transformação permanente, a UGT realizou seu 2º Congresso Nacional, firmando-se como uma das mais importantes centrais sindicais da América Latina.

Ao completar quatro anos e realizar seu 2º Congresso Nacional, a União Geral dos Trabalhadores se consolida como uma das maiores centrais sindicais do Brasil e da América Latina. O congresso nacional da UGT, realizado em São Paulo, dias 14, 15, e 16 de julho, no Palácio de Convenções do Anhembi, reuniu mais de 3.500 lideranças sindicais de todos os estados brasileiros e delegações representativas de trabalhadores de 27 países. Dentre as personalidades políticas que prestigiaram o evento estavam o ex-presidente Luis Inácio ‘Lula’ da Silva, o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, representando a presidenta Dilma Rousseff, o governador de São Paulo, Geraldo Alckimin, acompanhado de seu vice, Afif Domingos, o prefeito de São Paulo, Ricardo Kassab, o secretário do Trabalho e Emprego do Estado de São Paulo e dirigente da UGT, Davi Zaia, o deputado federal e vice-presidente da UGT, companheiro Roberto Santiago, o ex-governador de São Paulo, José Serra, além de outros secretários de estado e deputados federais, estaduais e vereadores.

Ao final dos três dias de debates foi eleita a nova diretoria da UGT para comandar a central pelos próximos quatro anos. O presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo, Ricardo Patah foi reconduzido à presidência da central, em uma chapa única, integrando sindicalistas das mais diversas categorias profissionais de todos os estados brasileiros.

Do Paraná, mais de 200 sindicalistas participaram do 2º Congresso Nacional da UGT, já considerado o maior encontro da classe trabalhadora dos últimos anos na América Latina. “Para todos nós que estivemos presentes nesse importante momento histórico para o sindicalismo latino-americano fica a certeza de estarmos contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa para todos” frisou o presidente da UGT-PARANÁ, Paulo Rossi. Ele registrou ainda a qualidade dos temas apresentados e a competência dos debatedores que souberam focar as tantas questões trabalhistas em nosso país. Rossi destacou a presença paranaense e fez questão de cumprimentar os representantes do Paraná na composição da diretoria nacional da UGT. “Nosso estado esta presente em diversas secretarias. Isso mostra o respeito que o Paraná tem no cenário sindical brasileiro, sempre apresentando propostas coerentes e realistas para a classe trabalhadora” disse o presidente da UGT-PARANÁ.

Prestígio Nacional e internacional

A UGT é reconhecidamente uma das maiores centrais sindicais da América Latina. Foi esse um dos pontos em comum destacados pelas delegações sindicais dos diversos países presentes no 2º. Congresso Nacional da UGT. Para o secretário nacional da CSC (Conféderation des Syndicats Chrétiens de Belgique), Marc Becker “esse congresso da UGT mostra a união da classe trabalhadora brasileira na busca de objetivos comuns que são, não apenas para o Brasil, mas para os trabalhadores de todo mundo”. Na opinião do diretor da USO ( Unión Sindical Obrera), Manuel Zaguirre, “esse congresso da UGT mostra que os sindicalistas brasileiros estão no caminho certo, unindo-se a uma central dedicada às causas dos trabalhadores. O papel da UGT na construção de um sindicalismo autêntico também foi destacado pelo secretário geral da CGTC (Central General di Trahadonan di Corsow), Curaçao, Roland H. Ignácio; e do Paraguai, pelo secretário geral da CNT (Central Nacional de Trabajadores), Pedro Parra Gaona e o presidente da CUT (Central Unitária de Trabajadores Auténtica), Bernardo Rojas da Costa.

Esse prestigio internacional foi reconhecido pelas lideranças políticas presentes ao congresso. Entre eles o ex-presidente Luis Inácio ‘Lula’ da Silva, o ministro da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, o governador de São Paulo, Geraldo Alckimin, acompanhado de seu vice, Afif Domingos e o prefeito de São Paulo, Ricardo Kassab. Ao falar à platéia o ex-presidente Lula destacou que agora, na condição de ‘apenas mais um cidadão brasileiro’, irá fiscalizar de perto as ações do Planalto. Despojado das vestes presidenciais, Lula quebrou o protocolo do congresso, indo caminhar em meio à platéia, sendo ovacionado pela multidão.

Já o ministro Gilberto Carvalho lembrou aos sindicalistas que ‘estamos chegando perto de janeiro de 2012, quando o reajuste do salário mínimo deverá ficar entre 13% e 14%, conforme o acordo firmado para o reajuste de 2011. “E não adianta alguns setores da economia falarem que esse reajuste irá causar inflação, pois sabemos que isso não acontecerá. E compromisso assumido pela presidenta Dilma, é compromisso cumprido. E os trabalhadores podem ter certeza disso”, frisou Gilberto.

Para encerrar o 2º Congresso Nacional da UGT foram aprovadas moções de apoio a diversas categorias de trabalhadores que sofrem com o desrespeito dos empregadores, no setor público, industrial, comercial e de prestação de serviços. Também foi aprovado o documento que agrega as propostas e ações de caráter político, social, econômico e sindical do congresso e que será amplamente divulgado a todos os filiados da UGT.

A história barateada e a recuperação da inocência

Escrito por Cassiano Terra Rodrigues para o Correio da Cidadania

No livro Conversas com Woody Allen, é de se notar o seguinte:
“Eric Lax: Como era a primeira ideia para A rosa púrpura do Cairo?

Woody Allen: Quando tive a ideia, era só um personagem que desce da tela, grandes brincadeiras, mas aí pensei, onde é que isso vai dar? E me veio a ideia: o ator que faz o personagem vem para a cidade. Depois disso, a coisa se abriu feito uma grande flor. A Cecília precisava decidir e escolher a pessoa real, o que era um passo à frente para ela. Infelizmente, nós temos de escolher a realidade, mas no fim ela nos esmaga e decepciona. Minha visão da realidade é que ela sempre foi um lugar triste para estar... mas é o único lugar onde você consegue comida chinesa.”

O novo filme de Woody Allen, “Meia-noite em Paris” (Midnight in Paris, com roteiro e direção próprios, Espanha/EUA, 2011), retoma e inverte a ideia de A rosa púrpura do Cairo: agora, em vez de um filme, uma cidade (de muitos sonhos), Paris; em vez de uma mulher, um homem, Gil (Owen Wilson), roteirista de filmes de qualidade duvidosa em Hollywood, prestes a terminar seu primeiro romance, ambicioso para realizar todo seu talento e mudar a carreira; mas, em vez de um abandono da realidade maçante... bem, aí é que está o nó, digamos assim.

De certa forma, há a retomada da ideia da realidade eivada de sonho e fantasia: em Paris, Gil entra em um automóvel antigo que o leva de volta à Paris dos anos 20, povoada pelos artistas vanguardistas que ele tanto admira: Scott Fitzgerald, Gertrude Stein, Luís Buñuel, Picasso... Nessa viagem ao passado, ele se encontra como escritor, descobre o amor e a si mesmo. Ao mesmo tempo, esse deslocamento espaço-temporal – dos EUA à Europa, dos anos de 2010 aos de 1920 – articula ao menos dois temas importantes: a perda da inocência e a recusa da realidade do presente. Antes de prosseguir, um aviso ao leitor: quem não quiser saber o final do filme, deve parar a leitura.

O tempo todo no filme duas perguntas estão interligadas: que relação podemos ter com a cultura? Qual o sentido da permanência do passado? A primeira liga-se à perda da inocência e é um tema caro à literatura escrita nos EUA (lembre-se Henry James, por exemplo). Com efeito, a personagem que deixa os EUA e vai à Europa em busca de conhecimento, história, cultura etc. serve para discutir o que significa ser americano. Essa viagem a Paris (a real ou a idealizada) pode ser entendida como uma busca por legitimidade identitária, a colônia buscando sua identidade cultural retornando às suas raízes na metrópole. Assim como na literatura, também no filme (e já em Vicky Cristina Barcelona, de 2008) vemos uma contumaz crítica à futilidade e superficialidade da sociedade americana, dominada pelo consumismo e pelo utilitarismo: a noiva de Gil, Inez (Rachel McAdams), e sua família só pensam em dinheiro, em satisfação imediata pelo consumo e em manter seu alto padrão de vida. A fala de sua mãe, Helen (Mimi Kennedy), é reveladora dessa atitude: “Barato é barato.” Ela pensa que Gil é barato e só dá valor ao que pode ser comprado caro (uma cadeira antiga, roupas ou restaurantes etc.), mas a relação viva que Gil mantém com a literatura não lhe é cara – antes, parece-lhe excentricidade e esquisitice. Parece, assim, que o esnobe Paul (Michael Sheen) é um espelho de Helen: derramando nomes, conceitos, datas e análises formais, complicadas e equivocadas por todo lugar, a cultura parece ser, para ele, erudição a serviço da vaidade, um grande baú de objetos, um grande estoque de supermercado, do qual ele pode sacar o melhor para cada ocasião, o melhor para capitalizar seu verniz social. Inez, Helen e Paul são personagens que bem ilustram como, na pós-modernidade, a integração da produção estética à produção de mercadorias banaliza toda criatividade, barateia toda inovação. Sabe-se bem o resultado, exaustivamente analisado por Fredric Jameson: tudo é pastiche, tudo é “imitação de estilos mortos, a fala através de todas as máscaras estocadas no museu imaginário de uma cultura que agora se tornou global” (Pós-modernismo: a lógica cultural do capitalismo tardio, p. 45).

Gil é o único a perceber o pastiche, mas tarda a perceber o caso entre Paul e Inez. Quando percebe, resolve abandonar definitivamente todo esse mundo. Desse ponto de vista, a perda da inocência pode significar que ele também deixa de lado o “american way of life” e sua ideologia de “winners x losers”. Mas, aqui, surpreende-nos um desvio! É o francês Gilles Deleuze, no belo ensaio “Da superioridade da literatura anglo-americana”, quem afirma: “Fugir não é exatamente viajar, tampouco se mover. Antes de tudo porque há viagens à francesa, históricas demais, culturais e organizadas, onde as pessoas se contentam em transportar seu ‘eu’”. É exatamente isso que faz principalmente Paul no filme; não desprezemos mais essa chama na rinha das vaidades França x EUA.

Durante todo o filme fica evidente que Gil não se sente bem em meio a tanto consumismo e vaidade. Ele sonha com uma Paris que não existe mais e, fugindo para ela, numa grande fantasia dentro do filme, encontra tudo o que quer e não tem em seu tempo. A fantasia do filme nos faz perguntar qual a função da arte numa sociedade consumista. É claro que temos de questionar qual o sentido da criação artística em nossas vidas; na verdade, que sentido damos à criação de nossas vidas. As pressões da noiva e da família dela são pelo uso instrumental de sua arte – Gil deve continuar escrevendo roteiros para filmes classe Z e, com isso, ganhar muito dinheiro para sustentar os gostos decorativos de sua noiva. A viagem à Europa, afinal, era só para um breve e profícuo aculturamento, que deveria, no retorno ao lar, se converter em muitos dólares – o ar de sofisticação de um produto local vem das brisas que ele tomou na Europa. Um belo ideal de macho burguês, no fim das contas. Já insistia Hegel, no século XIX: se a arte desistir dos grandes interesses do espírito, tornando-se meramente decorativa e ilustrativa, terá deixado de ser arte. E, com efeito, arte, em sentido pleno, já era para Hegel uma coisa do passado, que tinha atingido seu apogeu entre os gregos, já que o reconhecimento de nós mesmos e de nosso lugar no mundo só para poucos passa pela experiência artística – não à toa Gil sente-se deslocado, pois só ele parece recusar essa morte da arte. De fato, ele se desloca, uma vez no espaço e duplamente no tempo; e também podemos dizer que essa forma de Woody Allen problematizar a relação modernidade x pós-modernidade não dá de barato sua admiração pela história e pela cultura modernista.

A viagem ao passado o faz encontrar Adriana (Marion Cotillard), jovem estudante de moda que, na Paris dos anos 20, torna-se amante de Picasso. Juntos, fazem uma viagem ao passado dentro do passado, à Paris dos sonhos de Adriana: a Belle Époque de Toulouse-Lautrec, Paul Gauguin, Degas e tantos outros expressionistas, simbolistas etc. Nesse momento, Gil tem uma revelação e é também então que a articulação espaço-temporal revela seu sentido. Ele recusa a possibilidade de aceitar totalmente a fantasia da fantasia e ficar na Paris da Belle Époque, numa viagem ao passado do passado; reconhece suas ilusões serem impossíveis, decide voltar a 2010 e viver em seu tempo.

Ora, isso não significa que, no fim, Gil se torne um esquizofrênico pós-moderno, um historicista fixado em imagens de um passado modernista e irrecuperável. Ao contrário, o filme parece sugerir justamente o oposto. Sua consciência súbita da insuficiência da nostalgia extemporânea não significa uma concessão ao consumismo superficial – antes, renova seu olhar: as ruas de Paris; a diferença de iluminação a marcar as diferenças entre as épocas; e, por fim, as luminosas cenas finais do close em Gabrielle (Léa Seydoux) e do close em Gil, indicam a possibilidade de renovação do olhar (arriscamos dizer que a luz – Paris, cidade luz... – é personagem central do filme; o trailer dá uma breve amostra e pode ser visto aqui: http://www.youtube.com/watch?v=BYRWfS2s2v4 ). Gil rompe com todas as suas relações, abandona a noiva fútil, a rendosa carreira de roteirista medíocre em Hollywood e decide ficar em Paris, dando novo sentido à sua vida – apenas por ter fugido da vida que tinha ele pode agora criar a própria vida.

Woody Allen certa vez disse que trazemos em nós mesmos as sementes de nossa própria destruição. “Meia-noite em Paris” acrescenta uma nota otimista a essa afirmação psicanalítica e trágica: também trazemos as sementes de nossa recriação. Descobrimos a terra fértil onde plantá-las ao começarmos uma fuga e um desvio.

Cordiais saudações.

* * *

AUTO-INDULGÊNCIA: Os leitores devem perdoar duplamente a este escritor. Em primeiro lugar, pela demora em escrever novos textos. Em segundo lugar, pela auto-propaganda: a partir de agosto, será oferecido, na PUC-SP, o curso de extensão “Diálogos entre filosofia, cinema e humanidades: o cinema como construção do conhecimento”, coordenado por este que vos escreve. Mais infos seguindo o link: http://cogeae.pucsp.br/cogeae/curso/4326.

Cassiano Terra Rodrigues é professor de filosofia na PUC-SP e sempre que pode busca traçar linhas de fuga.

Obama prorroga lei e mantém intacto bloqueio contra Cuba

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, informou, na última sexta-feira (15), ao Congresso do seu país, que prorrogou por mais seis meses a suspensão de uma cláusula da Lei Helms-Burton que permite entrar com um processo contra as empresas estrangeiras que negociem com Cuba. A ação unilateral do governo dos EUA representa a continuidade do cruel bloqueio contra a ilha, que já dura mais de cinco décadas.

vermelho

A disposição está incluída no Capítulo III da Lei Helms-Burton de 1996 e acrescenta maior rigor ao bloqueio imposto pela Casa Branca, que é mantido por sucessivos governos, sejam eles democratas ou republicanos.

Em carta aos presidentes dos comitês de dotações e de relações exteriores em ambas as câmaras do Congresso, Obama indica que a prorrogação de seis meses se aplicará a partir de 1º de agosto.

Segundo Obama, a prorrogação da suspensão é "necessária para os interesses nacionais dos Estados Unidos e acelerará a transição à democracia em Cuba". Foi o mesmo argumento utilizado no ano passado. Dessa maneira, o chefete da Casa Branca confessa descaradamente que o objetivo do seu império é derrubar o sistema político e social socialista cubano.

A lei Helms-Burton, com um caráter marcadamente extraterritorial, pune as empresas estrangeiras que fazem negócios em Cuba; permite entrar com um processo contra companhias e pessoas que usem bens desapropriados pelo governo cubano a cidadãos e empresas dos EUA e nega a entrada nesse país EUA de diretores dessas empresas.

A renovação da ordem é mais do mesmo, pois os presidentes anteriores a Obama - Bill Clinton e George W. Bush - já tinham feito a anual prorrogação sem cerimônias. Assim, Obama - que, ao assumir, pregou um recomeço nas relações com a América Latina - prossegue, sem mudanças, na mesma linha de seus antecessores, ratificando esta incongruente legislação.

A política dos Estados Unidos contra Cuba não tem sustento ético ou legal algum e é contrária ao direito internacional. Tampouco possui o apoio de outras nações. O bloqueio à ilha já foi condenado 19 vezes na Assembleia Geral da ONU. Mais de 180 países e organismos especializados do sistema das Nações Unidas explicitam sua oposição a essa política.

O dano econômico direto causado ao povo cubano pela aplicação do bloqueio supera, nesses 50 anos, os 751 bilhões de dólares, no valor atual dessa moeda. Os prejuízos, contudo, não são apenas financeiros, estendem-se por várias áreas, como a da saúde, por exemplo.

"As crianças cubanas não podem dispor do medicamento Sevoflurane, o mais avançado agente anestésico geral inalatório, porque seu fabricante, a companhia norte-americana Abbot, está proibida de vender a Cuba", exemplificou na Assembleia Geral da ONU o chanceler Bruno Rodriguez. Esse é um dos elementos que faz com que a ilha classifique a política norte-americana como genocida, já que muitas mortes poderiam ser evitadas sem o bloqueio.

Os Estados Unidos, então, submetem a população de Cuba à falta de desenvolvimento, às doenças, e a demais mazelas, com o objetivo de forçar uma mudança política do regime socialista cubano. Para a superpotência imperialista, tudo o que não conduza ao estabelecimento de um regime que se subordina aos seus interesses será insuficiente para encerrar esta política contra o povo cubano.

O bloqueio dos Estados Unidos a Cuba é criminoso e atenta contra a soberania e a auto-determinação do país, que tem todo o direito de escolher o seu próprio sistema político e a maneira de organizar a sociedade. O bloqueio viola grosseiramente o direito internacional e é mais um ato da política intervencionista dos Estados Unidos.

O movimento social brasileiro tem condenado em diferentes oportunidades o bloqueio dos Estados Unidos a Cuba. Em junho último a Convenção Nacional de Solidariedade a Cuba pronunciou-se claramente contra o bloqueio. O Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz (Cebrapaz) realizou também em junho um seminário internacional, cuja declaração final exige o fim do criminoso bloqueio. Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz declarou que a prorrogação da Lei Helms-Burton por Barack Obama “mostra o falso democrata que ele é e dissipa todas as ilusões na atual administração dos Estados Unidos”. Socorro disse ainda que com este gesto “Obama se iguala aos seus predecessores e se candidata a ter o mesmo destino – o lixo da História”.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Curtas e Grossas

by Ernesto Aguiar

1,2,3 TEIXEIRA NO XADREZ!
Vexame! Foi o papel que a SELEÇÃO DA CBF propiciou ontem na COPA AMÉRICA.
RICARDO TEIXEIRA e a REDE GLOBO, DONOS de fato da SELEÇAO BRASILEIRA, mais uma vez botaram os alienados brasileiros pra chorar.


1,2,3 TEIXEIRA NO XADREZ!
A NOJENTA cobertura feita pela GLOBO, idiotizando o telespectadores, com BABAQUICES do tipo "JOÃO IDIOTÃO" resultaram numa equipe de egocêntricos estúpidos.
O CRAQUE do time, NEYMAR, não tem mais o que fazer pra APARECER! Ele NÃO precisa disso, tem futebol de SOBRA!, mas a babaquice, a LAMBEÇÃO em torno do jovem, tem deixado o moleque um perfeito idiota!
Ele me parece que ainda não encontrou o caminho da GANDAIA, mas esperem, isso vem logo, diante de tanta MERDA em torno do rapaz.

1,2,3 TEIXEIRA NO XADREZ!
Ricardo Teixeira, ROUBOU 9 MILHOES, naquele JOGO em Brasília contra PORTUGAL.
E os brasileirinhos OTÁRIOS, pagaram 80 paus na GERAL e MONOPOLIZADOS pela GLOBO foram obrigados a assistir no horário que ELA quis, pois ela é DONA, SÓCIA, do TEIXEIRA na seleção da CBF.
E o que aconteceu? ATÉ AGORA NADA!

1,2,3 TEIXEIRA NO XADREZ!
Que me perdoe a VANGUARDA DA CLASSE OPERÁRIA, os REVOLUCIONÁRIOS COMUNISTAS que ocupam o Ministério dos Esportes, mas o INIMIGO do POVO BRASILEIRO não é o JUCA não, é o JECA! (viram a casa dele em MIAMI?)
Melhor apontar vossas espingardas para o alvo correto.

1,2,3 TEIXEIRA NO XADREZ!

Se houvesse um pequeno empenho, ou aliás, a RETIRADA de apoio a TEIXEIRA, da parte do MINISTRO COMUNISTA, as coisas poderiam mudar.
Não me venham com a conversinha pra boi dormir de que a CBF é uma Entidade de Direito Privado, PAREM!
Futebol no Brasil, é coisa MUITO séria, é Patrimônio Nacional!

1,2,3 TEIXEIRA NO XADREZ!
Jogador de futebol, por natureza, é vaidoso. Limitados em sua formação intelectual, especialmente os mais jovens tem dificuldades de lidar com isso.
Aproveitando-se disso as RAPOSAS entram em cena. Ricardo Teixeira manipula, negocia a imagem dos craques.
Revista CARAS, REDE GLOBO, GALVÃO BUENO (o JEGUE insuportável), exploram essa ignorância natural dos meninos.
É tanta energia desperdiçada com ESPELHOS , GRIFFES, lentes e câmeras, que esquecem de jogar futebol.

sábado, 16 de julho de 2011

IRONIAS DA VIDA: RACISTAS DE SÃO PAULO DEVERIAM AGRADECER AO EX-PRESIDENTE LULA, O NORDESTINO

educação política

Os racistas de São Paulo e de outras regiões do Sudeste e Sul do país deveriam agradecer ao ex-presidente Lula.

No governo Lula, como mostra o IBGE, o número de migrantes caiu praticamente pela metade. Ou seja, Lula evitou que os nordestinos saíssem do local onde vivem e viessem para São Paulo tentar a vida. Não com políticas xenofóbicas e excludentes como as da Europa e Estados Unidos. Lula foi mais inteligente; criou condições melhores de vida para as regiões que mais tinham migrantes.

A ironia da vida é que racistas devem agradecer ao nordestino.

Pensando melhor, talvez não seja ironia, mas uma questão de QI (coeficiente de inteligência, mesmo), visto que o racista trabalha sobre uma lógica imbecilizante: confunde alma com corpo e esconde, por trás do racismo, uma reserva de mercado para sua incompetência.

Max Altman: O inconfessável desejo e a realidade

Por acaso os presidentes não têm direito de adoecer? Afinal, estão mais expostos às enfermidades devido a todas as exigências do cargo. Que compostura e dignidade comportam certos setores da sociedade e seus porta-vozes impressos e eletro-eletrônicos quando um presidente se enferma e festejam, mostram satisfação, sabendo que o fato representa aflição e preocupação ao povo que o elegeu.

Que classe de seres humanos são os que desejam, dissimuladamente, a morte de presidentes e políticos que não podem controlar, quando diante das tragédias comuns de nosso dia-a-dia se mostram consternados e piedosos .

A direita venezuelana – e isto se pode estender a todas de todos os recantos, em especial de Washington a Madri – pretende conseguir agora, graças ao câncer que acometeu o presidente Hugo Chávez, o que não conseguiu em doze anos: sua derrocada do poder, por qualquer meio. Tentaram a sedição do golpe militar, valeram-se da Pdvsa para paralisar o país, alegaram fraude em disputas eleitorais, arquitetaram múltiplas conspirações para desestabilizar o governo. Não conseguiram. Perderam as ruas, perderam as urnas e perderam os quartéis.

A doença de Chávez desatou uma odiosa e repugnante campanha midiática global que jogou no lixo os últimos resquícios de integridade moral e os princípios que devem nortear o jornalismo: objetividade e verdade. Preferiram entregar-se à manipulação política servindo aos interesses da oligarquia local e à estratégia regional do império.

Quem lesse a grande imprensa privada da Venezuela percebia que havia certo regozijo com a enfermidade do presidente, exigindo que Chávez se licenciasse e o vice-presidente Elias Jaua assumisse o Palácio Miraflores. Alegavam os meios de comunicação e políticos de oposição, com base em “informações confidenciais” ou em “relatos do serviço de inteligência da CIA” que o estado de Chávez era terminal, que se havia cometido gravíssimo erro médico de diagnóstico e execução cirúrgica, que o câncer já se espalhara. Enfim, que o presidente não tinha condições de permanecer no cargo e muito menos de governar de Havana, onde estava hospitalizado.

Fizeram ‘tabula rasa’ do comunicado oficial do chanceler Nicolas Maduro de 10 de junho , segundo o qual o presidente sofrera cirurgia de emergência para limpar um abscesso pélvico e desdenharam a manifestação do próprio Chávez em 30 de junho de que tivera de passar por uma segunda cirurgia para extirpar células e tumor cancerígeno .

A respeito da doença do presidente seguem dizendo “segundo as versões oficiais insuscetíveis de confirmação” e que a “localização e gravidade, assim como o tratamento e o prognóstico dos médicos são mantidos em segredo”.

Georges Pompidou, presidente da França, morreu de macroglobulinemia de Waldenström, um tipo de câncer linfático, no exercício de suas funções; François Mitterand governou boa parte de seus 14 anos de mandato carregando um câncer na pró-stata; e mais recentemente Fernando Lugo do Paraguai, governa normalmente ainda que portador de linfoma. São alguns exemplos e nenhum deles recebeu o tratamento mórbido de que Chávez é alvo.

O regresso de Chávez e a incrível manifestação espontânea que reuniu mais de 150 mil pessoas para ouvir o presidente do ‘ Balcão do Povo ’ do Palácio Miraflores e demonstrar sua imensa alegria consistiram em resposta contundente àqueles que insistem em desestabilizar o governo.

A reação venezuelana e o império esperavam que o afastamento do cenário político e administrativo de Chávez levassem a uma literal paralisia da ação governamental. Para seu imenso desgosto, no mês que Chávez esteve distante de Caracas, antes pelo giro que incluiu Brasília, Quito e Havana e depois pela internação hospitalar, o governo enfrentou galhardamente o desafio e seguiu funcionando normalmente. Não ocorreu nem ingovernabilidade nem vazio de poder nem paralisia de funções nem crise política nem agitação social como prognosticavam a oposição e seus porta-vozes midiáticos.

Insistem agora que as mazelas do país – os descaminhos da economia, a inflação nas alturas, a criminalidade desabrida, a escassez de moradias e o racionamento de energia – se agravaram. São problemas reais, existem e precisam ser combatidos. No entanto, escamoteiam e evitam dizer que nenhum governo do mundo fez tanto em tão pouco tempo pela saúde e educação de seu povo.

A Venezuela está livre do analfabetismo, mais da metade da população freqüenta alguma sala de aula, todo o povo tem acesso gratuito à medicina preventiva, a Missão Vivenda Venezuela está entregando casas para a população pobre, o instituto norte-americano Gallup situou a Venezuela em 6º lugar de bem-estar do mundo, considerando próspero seu nível de vida atual e expectativas futuras, o PIB cresceu 4,5% no 1º trimestre, caiu a taxa de desemprego para 8,1%, o salário mínimo e a distribuição de renda é o mais alto e a melhor da região, a pobreza foi reduzida drasticamente nos últimos 12 anos.

É por tudo isso que o povo venezuelano participou entusiasticamente das comemorações do Bicentenário da Independência da Venezuela, saindo às ruas às dezenas de milhares. Ao vibrar com a parada das forças militares do país, estavam saudando a independência e a soberania atual da Venezuela. Este é, a par da melhoria das condições de vida da população em geral, um dado essencial.

Ao abrir o dia festivo de 5 de julho , tendo ao lado os comandantes das Forças Armadas , da Guarda Nacional e da Milícia Popular , o presidente Chávez declarou: “ Não tínhamos melhor maneira para comemorar esse dia que o celebrando sendo independentes como somos, já não somos colônia de nenhum império nem o seremos nunca .”

A independência, porém, levou uma década para se consolidar, sendo concretizada finalmente em 24 de junho de 1821 quando as tropas comandadas por Simon Bolívar derrotaram definitivamente as espanholas na Batalha de Carabobo.

Igualmente, a próxima década – de 2011 a 2021 – terá por escopo consolidar o processo revolucionário bolivariano socialista. Chávez deve agora priorizar sua saúde, continuar governando mais apoiado em seus auxiliares e lançar-se com ímpeto na campanha eleitoral de 2012. Sua visão estratégica, seu elã e capacidade política de gerar iniciativas que fortalecem a união dos povos latino-americanos e do Caribe, como a Alba, Petrocaribe, Telesur e diversas outras, fazem de Chávez um protagonista na luta pela total independência e integração de Nossa América.

Mas a história ensina também que, ao longo dos próximos anos, faz-se mister que novas lideranças , provadas e capazes , surjam para levar adiante as bandeiras da soberania , da justiça social , da democracia , da paz e fraternidade entre os povos , da mãe-Terra, do socialismo enfim.

* Max Altman é jornalista, advogado e membro da Secretaria Nacional de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores.