quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
“STRIPTEASE” DA IMPRENSA
RIO - “A escolha do principal candidato a presidente pelas oposições, e de seu vice, havia sido uma novela. Policial. José Serra esperou o último minuto, do último dia do prazo legal, para dizer que era candidato, deixando aflitos os Grandes Irmãos : Folha, Estadão, Globo, Veja, Época, o Grupo RBS e outros irmãozinhos pequenos Brasil afora”.
“Seus colunistas até abandonaram temporariamente a função de informar para se tornarem conselheiros e incentivadores – “Vai que é sua, Serra!”. Parecia que era mesmo, pois, ao raiar de 2010, ele tinha 41% das intenções de voto contra 28% de Dilma Rousseff”.
“Só um ano depois se saberia, mas naquele início de 2010 os “colonistas” da Veja e do Globo, Diogo Mainardi e Merval Pereira, não só aconselhavam e incentivavam Serra, como eram informantes dos Estados Unidos, na pessoa do cônsul daquele país no Rio de Janeiro”.
MAINARDI
“Os textos, publicados em 10 de março de 2011 por Maria Frô e Miguel do Rosário no blog Gonzum, mostram que Diogo e Merval embolsaram o ouro de Washington (se fizeram o serviço de graça, fica mais feio ainda). A notícia se baseou em telegramas do saite “Wikileaks”, repassados para um grupo de blogs, inclusive o Gonzum”.
“Os telegramas mostram que os leitores de Diogo e Merval estavam lendo gato por lebre e o cônsul ouviu gato por lebre. Os dois gatos, Merval e Diogo, não acertavam uma, erravam todas na mosca. Diz o “Wikileaks”:
“Em almoço privado dia 12 de janeiro (2010), o colunista político da revista Veja Diogo Mainardi disse ao cônsul que a recente coluna (de Mainardi) na qual propõe o nome de Marina Silva como vice na chapa de Serra foi baseada em conversa entre Serra e Mainardi, quando Serra disse que Marina seria a “companheira de chapa de seus sonhos”.
“Serra expôs as vantagens: a história de Marina e as impecáveis credenciais de militante da esquerda contrabalançariam a atração que Lula exerce sobre os pobres; e poriam Dilma em desvantagem na esquerda. Marina ajudaria Serra a superar o peso da associação com o governo FHC que Dilma usaria. Serra falou, Diogo publicou como se fosse idéia sua”.
MERVAL
“Mainardi contou ao cônsul que o governador de Minas Aécio Neves disse a ele, no início de janeiro, que permanecia “completamente aberto’ à possibilidade de ser candidato a vice na chapa de Serra. Deu errado: Aécio estava era “completamente fechado” à hipótese de ser vice de Serra.
“Apesar de Aécio dizer publicamente que concorreria ao Senado. Mainardi disse ao cônsul que ele planejava esperar um cenário no qual o PSDB o convidasse, por volta de março, para compor a chapa. Deu errado.
Para não atrapalhar o PSDB, Aécio comporia a chapa ao lado de Serra, na opinião de Mainardi, Deu errado”.
“Era a mesma opinião de Merval Pereira, do Globo, que se reuniu com o cônsul dia 21 de janeiro. Disse ao cônsul que conversou na véspera com Aécio Neves, que lhe disse estar “firmemente comprometido” a ajudar Serra fosse como fosse, inclusive como vice. Não se engana um cônsul desta maneira. Na opinião de Merval, uma chapa Serra-Neves venceria. Disse também acreditar que não só Aécio iria aceitar ser vice de Serra, mas também que Marina apoiaria Serra num segundo turno. Tudo errado”.
O LIVRO
Essa historia rocambolesca é apenas o começo do capitulo 2 (são 20) de um livro-bomba sobre a imprensa brasileira : - “Crime de Imprensa” – “Um retrato da Mídia Brasileira Murdoquizada” – “Pequenos e Grandes Golpes dos Grandes Irmãos da Midia” (“Na Maioria dos Casos a Mídia é Ponta de Lança Para Grandes Negócios” – Mino Carta).
O livro é de dois consagrados jornalistas brasileiros – Palmerio Doria e Mylton Severiano – autores do maior best-seller nacional do ano passado: - “Honoráveis Bandidos – Um Retrato do Brasil na Era Sarney” (Geração).
“Crime de Imprensa” é da Ed. Plena – (SP – (11) 3853.7505 – (11) 9941.7440. editor@plenaeditorial,com.br www. plenaeditorial.com.br
Vai ser lançado nas faculdades de Jornalismo. Primeira: amanhã, quarta, 30, na ECA – USP – a partir das 19:30, auditório Freitas Nobre – Cidade Universitária (palestra dos autores e discussão do tema).
Também terá lançamentos nas bancas de jornal. O primeiro foi na sexta feira, 25, na Banca Bruno, Avenida Paulista - São Paulo. Já li. Imperdível. Livro corajoso e fascinante. Traz todos os golpes da campanha eleitoral Serra x Dilma. Um striptease da nossa grande imprensa.
Galeano em Cuba: “Nunca conheci país tão solidário como este.”
cubadebateO escritor uruguaio Eduardo Galeano afirmou em Havana, que a neutralidade é impossível em um mundo que está dividido entre os indignos e os indignados.
Paulo Bernardo também cede às pressões dos barões da mídia
Esse sistema, pilar do poder dos conglomerados de comunicação do país, permite às organizações de mídia controlar jornais, rádios, TVs e portais de internet, tudo ao mesmo tempo. Sistema que coíbe a concorrência, impõe pensamento único, cala as divergências e torna invisíveis os movimentos sociais e populares. É uma ditadura, curiosamente, consolidada sob o refúgio de uma falsa liberdade de imprensa e de expressão – dois conceitos diferentes, mas deliberadamente misturados para interditar essa discussão.
O próprio conceito de “regulação de conteúdo” é colocado de forma enviesada, de maneira a se confundir com censura, inclusive de veículos impressos e de internet, quando, na verdade, diz respeito apenas às concessões de radiodifusão. Sequer se trata de censura prévia, mas de normatização de um espaço público dominado, atualmente, pela baixaria e pela manipulação informativa. Sem falar na questão da classificação de horário por faixa etária, da qual o governo Lula, depois de fazer um longo estudo, abriu mão por pressão das grandes emissoras de TV.
Sobre a questão do capital estrangeiro na internet, tudo beira a piada e a um desconhecimento grotesco da dinâmica da rede. A internet é universal e transnacional por natureza. Eu posso montar uma empresa em Miami e só publicar matérias sobre o Brasil, a partir de uma equipe free lancer contratada em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Os oligopólios da mídia estão se pelando de medo é das telefônicas, que têm potencial e dinheiro para criar uma nova política de conteúdo na rede, longe das amarras dos velhos esquemas. É sobre isso que o governo e o Congresso Nacional devem legislar, e não ficar fazendo a vontade dos barões da mídia. Senão, caminharemos, como de costume, para a submissão e o abismo das oportunidades perdidas.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Curitiba travada
O Sindimoc – Sindicato de Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região – Sempre teve a má fama de ser considerado um sindicato patronal, que defendia muito mais os interesses dos empresários do transporte coletivo do que, os interesses dos motoristas e cobradores filiados. O típico sindicato pelego.
Em 2010 o vereador e presidente do Sindimoc , Denilson Pires (DEM) foi preso, acusado de formação de quadrilha e desvios de R$ 8 milhões dos cofres do sindicato. Denilsol Pires foi presidente do Sindimoc por longos 12 anos e também foi o vereador responsável por “livrar a cara” de Derosso, no resultado das investigações sobre publicidade irregular na Câmara curitibana .
A última greve que me vem a memória ocorreu em 2006. E, logo depois, mais um aumento na tarifa, com a desculpa esfarrapada de que o aumento serviria para melhorar os salários dos funcionários das empresas.
Mesmo nas greves anteriores a 2006. Sempre depois da greve, aquela facada no bolso dos usuários.
E esta greve de hoje? Em ano eleitoral e com todo mundo achando que R$ 2,50 é demais para transporte coletivo da cidade!
Posso estar enganado, mas parece que dessa vez a greve não é dos empresários pressionando o aumento da tarifa. Parece que finalmente o sindicato resolveu atender as necessidades dos filiados.
Tomara que seja mesmo.
Bom, pelo menos esta greve serve à alguns objetivos.
1º. Foi muito bom para alguns, saber da greve logo cedo e curtir a manhã de chuva na cama. Ah! Vai dizer que você ligou a televisão, soube da greve e mesmo assim tentou pegar uma carona para ir ao trabalho?
2º Quem sabe a greve resolva o problema dos motoristas e cobradores para que tenham melhores condições de trabalho e com isso, diminua o número de acidentes com coletivos na cidade. Está um caos, toda semana tem acidente e quase sempre com vítimas fatais!
3º O curitiboca, aquele cara que adora o Richa o Ducci e a camarilha que os acompanha, talvez finalmente abra o olho e perceba a incompetência deles na gestão da cidade!
E o Ducci?
Cadê o Ducci? Quase quatro horas da tarde e ele ainda não deu as caras. Não falou com o povo, não falou com os grevistas nem com os empresários.
Que prefeito é esse que desaparece quando a cidade mais precisa dele?
Esse prefeito quer ser eleito novamente em outubro?
Se continuar escondido assim, não se elege nem síndico do próprio prédio!
Pra finalizar, só umas continhas básicas para dar uma noção de quanto dinheiro circula no transporte coletivo de Curitiba.
Só para dias úteis:
2.300.000 usuários diários com tarifa de R$ 2,50 -> R$ 5.750.000,00 por dia! R$ 28.750.000,00 por semana! R$ 115.000.000,00 por mês!
A Grécia como um modelo em escala para a Europa
J. Carlos de Assis (*)
A Grécia não tem peso suficiente para desequilibrar financeiramente a Europa, pois representa apenas algo como 2% da eurozona, mas o que acontece nela é uma espécie de modelo em escala reduzida do cenário europeu e norte-americano que inevitavelmente seguirá o curso que ela tomar. Sob o nome um tanto pomposo de consolidação da dívida pública grega, os neoliberais incrustados no Banco Central Europeu, na Comissão Europeia e no FMI tentam proteger de perda total a finança privada inflada pela maior especulação da história do capitalismo. Dificilmente serão bem sucedidos.
No meio de múltiplos dados e estatísticas bilionárias e trilionárias divulgadas diariamente pela imprensa cobrindo praticamente o mundo todo, é muito fácil para o homem comum perder a perspectiva do que de fato está acontecendo na economia planetária. Contudo, em termos conceituais, tudo é muito simples. Especulou-se demais a partir do mercado imobiliário americano e de alguns países da Europa (Espanha, por exemplo). Essa especulação vazou para o mundo todo através dos sistemas financeiros globalmente conectados. Uma enorme bolha financeira, formada por lucros fictícios, descolou-se da economia real. Seu valor efetivo era uma fração do valor de face.
Toda bolha financeira um dia estoura. Às vezes, no mercado acionário. Outras vezes, quando se exagera nos financiamentos externos (crise dos juros no Terceiro Mundo no início dos 80). Em geral, para que a esfera financeira especulativa se reconcilie com a economia real, os detentores dos créditos se defrontam com perdas certas. Isso, contudo, pode ser atenuado no mercado de títulos onde parte das perdas são patrimoniais e recuperáveis: se a pessoa não precisar de vender as ações no curto prazo, pode esperar melhores condições de mercado mesmo que isso leve anos. Já no mercado de dívida bancária a situação é diferente.
A especificidade da crise atual é que ela resultou de especulação no coração do sistema bancário americano e mundial. Os bancos ofereceram créditos, embrulharam os créditos em títulos arriscados, embaralharam títulos com outros títulos, venderam para seguradoras e fundos, recompraram de seguradoras e fundos, e sancionaram a especulação imobiliária na base oferecendo empréstimos para quem não podia pagar. A partir de 2007, os mais espertos já sabiam que isso não ia durar muito. Com efeito, em 2008, a crise estourou quando o Lehman Brothers, o quinto maior banco de investimento dos Estados Unidos, simplesmente quebrou com bilhões de títulos podres em carteira.
Nos Estados Unidos, as autoridades do Tesouro e do Fed imaginaram inicialmente poder deixar que o mercado “liberal” resolvesse a crise. Logo verificaram que, sem interferência oficial, todo o sistema capitalista, a partir do núcleo bancário, colapsaria. O Bank America e o Citigroup, os dois maiores, estavam em pior situação: o Governo teve que estatizá-los parcialmente. Em seguida, foi feito um teste de stress em relação aos outros 17 maiores conglomerados bancários comerciais, constatando-se que o Fed teria que manter suas torneiras de crédito subsiado abertas para garantir o sistema funcionando.
Nos Estados Unidos, porém, depois do custo inicial de US$ 800 bilhões ainda no governo Bush, a sustentação do sistema ficou em sua maior parte a cargo do Fed, sem que isso caracterizasse um subsídio irrecuperável. De qualquer forma, o sistema se beneficiou largamente de condições financeiras que permitiram, e ainda permitem, excelentes condições de arbitragem: os bancos tomam dinheiro a um custo de quase zero por cento do Fed e o aplicam, sem risco, nos títulos do Tesouro rendendo 3,5%. É uma simples operação eletrônica, sem qualquer custo. Com isso, facilitou-se o processo de financiamento requerido pelo pacote fiscal – este, sim, à conta do Tesouro e do cidadão – de US$ 787 bilhões do governo Obama, lançado no início de 2009.
Entretanto, a salvação bancária americana é um fato que está longe de ter sido superado. Giram no mercado cerca de US$ 6 trilhões em hipotecas, estimando-se que algo como US$ 1,5 a US$ 2 trilhões sejam de perda certa quando chegar seu vencimento. Os bancos terão de renegociá-las e, principalmente, fazer lucro a curto prazo ou captar no mercado os recursos necessários para cobrir essas perdas pois, caso contrário, quebram. Como são grandes demais para quebrar, eventualmente terão de ser salvos pelo governo, a despeito do risco moral e da indignação dos cidadãos que se verão espoliados pela especulação privada em mais essa rodada.
Na Europa o comprometimento estatal foi mais longe. Os governos tiveram que salvar seus bancos injetando bilhões de dólares em seus caixas. Alguns, como os ingleses Royal Scotland Bank e o Barclays tiveram de ser estatizados. O mesmo destino tiveram os bancos irlandeses. Neste caso, para evitar sua quebra efetiva, foi o Estado que virtualmente quebrou. Na pequenina Islândia, o governo, pressionado por plebiscitos, foi mais sábio: deixou quebrarem três bancos que, em comparação a seu PIB, eram gigantescos. Até na Alemanha o segundo maior banco, o Commenzbank, teve que ser parcialmente estatizado. Note-se que, na zona do euro, a salvação dos bancos ficou quase totalmente a cargo dos tesouros – portanto, dos cidadãos -, já que o BCE limitou a compra de títulos públicos dos governos.
O circuito da crise financeira é, pois, o seguinte: especulação exagerada no mercado de hipotecas, inadimplência, quebra ou ameaça de quebra dos bancos mais expostos e mais ambiciosos, intervenção dos governos para impedir a quebra dos muito grandes (oito centenas de médios e pequenos foram deixados ir à garra só nos Estados Unidos), programas de ajuste fiscal para reduzir o consequente déficit e a dívida pública dos governos a pretexto de tranquilizar os mercados quanto a seu pagamento, destruição do estado de bem-estar social. Isso funcionará? Claro que não, bastando ver a situação de Irlanda, Portugal e Grécia, todas vítimas dos programas de ajuste, e todas sem saída. E não é preciso esperar muito para surgirem as consequências do desastre não só nas ruas de Atenas; é que se verá, no resto da Europa, que de te fabula narratur.
(*) Economista e professor, coautor, com o matemático Francisco Antônio Doria, de “O universo neoliberal em desencanto”, Ed. Civilização Brasileira. Esta coluna sai às terças também no site Rumos do Brasil e no jornal “Monitor Mercantil”, RJ. (carta maior)
A agonia de Ricardo Teixeira
Quanto mais se mexe, mais se confirma que Ricardo Teixeira deve estar vivendo mesmo seus últimos momentos como cartola de futebol.
Na CBF ninguém confirma, mas também ninguém desmente com a vemência que seria de se esperar.
Os amigos dele na entidade torcem para não ser verdade e os inimigos não param de mostrar que o dia final está próximo.
Fontes da Casa Civil do governo federal confirmam que as portas estão fechadas para ele por causa das informações que vieram do ministério da Justiça, que tem sob seu comando a Polícia Federal.
O sonho de presidir a Fifa está encerrado diante do favoritismo de Michel Platini e, principalmente, por causa do documento da Justiça suíça que mais dia menos dia virá a luz e o deixará em péssima situação.
Se não bastasse, as redações dos principais veículos do país já têm preparado o seu, digamos assim, “obituário” como cartola, além de se esperar mais uma reportagem demolidora sobre suas atividades a ser publicada ainda nesta quarta-feira.
Diante disso tudo, e da boa vida que o espera em Miami, Ricardo Teixeira teria chegado à conclusão que o melhor é garantir o que está na mão e submergir.
Aliás, não será a primeira vez.
Em 2000, durante as CPIs do Futebol e da CBF/Nike, ele fez o mesmo, aconselhado pelo então presidente da Federação do Rio, o nada saudoso Caixa D’Água, a dar uma sumida, mas a não renunciar, como estava disposto.
Parece que não há nenhuma outra caixa que possa salvá-lo, a não a ser a dele mesmo.
Pensando bem, quem não gostaria de agonizar assim?
Ah, o poder…
Seja como for, reitero, qual São Tomé, só acredito vendo e se chegar a ver vou me beliscar para confirmar que não estou sonhando.
Fazenda de Teixeira abrigou empresa de acusados de superfaturar jogo
Um documento revela que uma fazenda do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, é o elo entre o dirigente e a Ailanto Marketing. Essa empresa é investigada por superfaturar o amistoso da seleção brasileira contra Portugal em 2008.
Segundo o documento obtido pela reportagem, por 26 meses, a Ailanto foi dona de uma outra empresa (a VSV Agropecuária Empreendimentos Ltda) que tinha como endereço uma fazenda de Ricardo Teixeira, na estrada Hugo Portugal, 13.330, em Piraí, a 80 km do Rio.
Teixeira sempre negou relacionamento com a Ailanto, que recebeu R$ 9 milhões do governo do Distrito Federal para organizar o jogo contra Portugal. O presidente da CBF alegava que o amistoso era responsabilidade da Ailanto. Por isso, dizia que não poderia responder sobre as suspeitas.
OUTRO LADO
Agora, por meio de sua assessoria de imprensa, Ricardo Teixeira informou que a ligação da VSV Agropecuária Empreendimentos Ltda com a sua fazenda "é legal". De acordo com o dirigente, a relação dele com a empresa, que tem a Ailanto como sócia, foi declarada em seu Imposto de Renda.
Uma das sócias da Ailanto Marketing Ltda e da VSV, Vanessa Precht não foi localizada. O advogado Demian Guedes, que representa Vanessa, disse, por meio de sua secretária, que não estava autorizado a fazer comentários sobre a empresa. A Folha ligou para três telefones da empresária e não conseguiu contato. Foi deixado recado para Vanessa na sua casa, mas ela não respondeu.
Nos telefones registrados em nome da Ailanto, ninguém foi localizado.
REPUGNANTE
RIO – Em Belo Horizonte, na década de 50, havia três restaurantes populares, com preços oficialmente subsidiados. Um na Avenida Afonso Pena para os funcionarios municipais, mantido pela Prefeitura. Outro na antiga Feira de Amostras para os trabalhadores e desempregados em geral, comandado pelo SAPS (dos Institutos de Previdencia do governo federal). E um terceiro para nós estudantes, na praça Sete, embaixo do“Cine Brasil”.
Por ficar no subsolo do cinema, embora o serviço e a comida fossem bons, chamávamos o nosso de “O Humilhante”. O do SAPS tinha comida ruim : era “O Degradante”. O da Prefeitura comida péssima e muito sujo: era “O Repugnante”.
O “CANCER”
Dias atrás, jornalões da mal afamada “grande imprensa” e alguns jornais de TV “comemoraram” estrepitosamente um câncer na tireóide da presidente Cristina Kirchner, da Argentina.
A presidente foi operada, não havia câncer nenhum. Apenas uma tereoide extraída. Uma semana depois já estava no palácio, trabalhando. E os mesmos que celebraram o “cancer” esqueceram de informar a “tireóide”.
Como se chamaria isso? Um anti-profissionalismo “humilhante”? Um jornalismo “degradante”? Ou uma imprensa “repugnante”?
Põe “repugnante” nisso. Melhor seria vomitante.
ARGENTINA
Como se explica esse ódio baboso, babante, funereo, de quase toda a imprensa brasileira contra a presidente da Argentina? Por ser mais bonita do que a Dilma? Mas presidência da Republica não é concurso de Miss. Ambas já se revelaram duas mulheres serias, competentes, exemplares.
Será porque Messi é melhor do que Neymar? Esperem Neymar chegar à idade, à estrada e à experiencia de Messi. Quem teve Pelé não pia.
Ou será porque o governo argentino quer um pouco mais de equilíbrio nas relações comerciais entre os dois países? A Argentina está fazendo seu papel e o Brasil não tem culpa. O tamanho e a força de nossa economia, o poder de nossa industria e nossa agricultura, tudo isso leva a que nossas exportações para a Argentina sempre tenham sido maiores que nossas importações de lá. É um desequilibrio de mais de 3 por um. Para isso existem governos. Para negociarem e se compensarem.
MAU EXEMPLO
Mas não é nada disso. Alguns jornalões, revistas e TVs pouco estão se lixando para nossa industria e agricultura. Eles estão é cumprindo a tarefa infame, asquerosa, repugnante, que deles exigem os bancos e banqueiros nacionais e internacionais, contra o “mau exemplo” argentino.
Há exatos 10 anos a Argentina faliu e deu um beiço, um calote nos banqueiros e seus cães de guarda, o FMI e o Clube de Paris. O Menem, presidente de então, aquele cafajeste de salto carrapeta e costeletas de cabaretier, dizia que as ligações da Argentina com os Estados Unidos e seus banqueiros eram “carnais”. Igualou o peso ao dólar e o pais explodiu.
O expresidente Kirchner ainda estava na Patagônia como governador e a Cristina Kirchner era senadora por Buenos Ayres.Com o pais quebrado, ele foi eleito presidente, tomou posse e no dia seguinte convocou o FMI, o Clube de Paris e os banqueiros e lhes deu um ultimatum :
- Os senhores estão nos cobrando 100 bilhões de dólares, mas só nos emprestaram 25 bilhões. O resto são juros sobre juros, acordos feitos no escuro, negociatas, roubo puro. Não vamos pagar roubo. Se quiserem receber os 25 bilhões hoje, pagaremos hoje. Mas só isso. O resto vão cobrar do irresponsavel ex-presidente, sócio dos senhores. E passem bem.
FEBRABAN
Estados Unidos e Inglaterra ameaçaram invadir o pais. Mas enfiaram o rabo entre as pernas, receberam os 25 e criaram grupos de TVs, revistas e jornais para combaterem a Argentina implacavelmente pelo“mau exemplo”
Criaram uma matilha de chantagem, os “Diarios da America”, que toda semana produzem editoriais em jornais e TVS contra a Argentina em toda a America Latina. O estilo dos textos é o mesmo. Parecem coisa do Maylson da Nóbrega ou do Gustavo Loyola, velhos lobistas serviçais da Febraban.
Dias atrás, no “Jornal Nacional”, sem alegar assunto nenhum, o William Bonner fez um histérico discurso contra a presidente da Argentina. No “Jornal da Globo”, o William Waack repetiu. De manhã, lá vinha “O Globo” com a mesma baboseira. E durante a semana colunistas do jornal recebiam a mesma “tarefa” de punir o “mau exemplo” argentino. Diziam que, “isolada do mercado” (financeiro), a Argentina não iria resistir. Sem precisar pagar os 75 bilhões do roubo, a Argentina saiu logo do buraco do Menem e há nove anos, desde 2003, vem crescendo sistematicamente a 8%, 9%, 10% ao ano, enquanto o Brasil, pagando mais de 260 bilhões por ano de juros, arranca os cabelos para ver se chega a 3%.
O que fará a matilha com o“mau exemplo” da Grécia, de Portugal, da Espanha, da Itália? Nenhum deles vai poder pagar o assalto dos banqueiros.
PT e PSD articulam aliança; Serra cogita candidatura
vermelho
Em janeiro, Kassab propôs ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma aliança.Haddad tem ressalvas contra o vice sugerido por Kassab, seu secretário de Educação, Alexandre Schneider. Já a presença de Meirelles na chapa agregaria "novas forças" à coligação por ele ter integrado o governo Lula.
No sábado (11), durante festa pelos 32 anos do PT, Haddad adotou tom cauteloso ao se referir à possível aliança. "Temos que compreender que há um contexto nacional em que a bancada do PSD na Câmara tem votado com o governo naquilo que este partido julga como sendo de interesse público", afirmou.
Os petistas contrários ao acordo, no entanto, ainda não se deram por vencidos. A resistência ao prefeito reuniu o antigo grupo da senadora Marta Suplicy,principal voz até agora a tornar pública sua contrariedade.
PSDB
A aproximação entre Kassab e o PT pode ter influenciado o ex-governador José Serra a voltar atrás em sua decisão de não concorrer à Prefeitura de São Paulo.Segundo a Folha — depois de ter afirmado publicamente que não iria disputar as eleições — o candidato derrotado nas eleições presidenciais de 2002 e 2010iniciou negociações com o governador Geraldo Alckmin para entrar na disputa.
Serra,que ainda alimenta o sonho de concorrer à Presidência pela terceira vez,conversou com Alckmin na semana passada e disse que estava reconsiderando a decisão. O encarregado de levar ao Palácio dos Bandeirantes as condições de Serra para entrar na disputa foi o ex-vice-governador Alberto Goldman.
Entre as exigência de Serra está a interferência do governador para "aparar as arestas" internas com os quatro pré-candidatos tucanos inscritos para a prévia do partido, marcada para 4 de março.
O maior entrave a um consenso pela candidatura de Serra são os quatro pré-candidatos tucanos — Andrea Matarazzo, Bruno Covas, José Aníbal e Ricardo Trípoli. Desses, os mais resistentes a abrir mão das prévias seriam Aníbal e Trípoli.
Quer, ainda, garantia de que Alckmin atuará para costurar um arco de alianças que dê suporte à sua postulação. Na quinta-feira (16), por exemplo, será anunciada a entrada do PDT no governo do estado.
O deputado Paulinho da Força, presidente da legenda paulista e que tem se apresentado como pré-candidato, passou a não descartar apoio ao PSDB no primeiro turno. O PSB também negocia com os tucanos, a partir da promessa de apoio do PSDB ao seu candidato em Campinas, Jonas Donizette.
Netinho de Paula
Em pesquisa Datafolha divulgada em dezembro de 2011 o pré-candidato pelo PCdoB, Netinho de Paula (PCdoB) e ex-deputado Celso Russomano (PRB) ficaram tecnicamente empatados na preferência dos paulistanos para a Prefeitura de São Paulo. Os dados da última pesquisa apontam que eles lideram em quatro dos cinco cenários avaliados. O comunista varia sempre entre 13% e 15% das intenções de voto e tem grande aceitação no eleitorado mais jovem, atingindo 20% entre aqueles que têm entre 16 e 24 anos.
Kim Jong Il completaria 70 anos no próximo dia 16
A causa da independencia, que avança em meio a adversidades, é inseparável do papel de Kim Jong Il, dirigente da República Popular Democrática da Corea, morto em dezembro do ano passado .
Kim Jong Il formulou a ideología revolucionária do presidente Kim Il Sung (1912-1994) como um todo – a ideologia original, a teoria e metodologia, o que foi um fato de singular trascendência para a realização da causa da independência da humanidade.
Ele redigiu Sobre a ideia Juche (março de 1982) e muitas outras obras para enriquecer, desenvolver, sintetizar, sistematizar a ideología Juche apresentada por Kim Il Sung, a qual foi propagada com rapidez por todo o mundo, sendo reconhecida amplamente como a ideologia que rege a causa da independencia e chegando a ser poderosa arma ideológica e teórica das pessoas progressistas para a construção de um mundo novo, livre de todo tipo de opressão, dominação e subjugação.
Kim Jong Il formulou as ideias e teorias do socialismo na Coreia.
Em finais do século pasado, quando os imperialistas, aproveitando a queda de vários países socialistas, falavam ruidosamente do “fim do socialismo”, publicou sucessivamente obras, entre outras, Lições históricas da construção socialista e a linha geral de nosso Partido (janeiro de 1992), A difamação do socialismo não será tolerada (março de 1993), O socialismo é ciência (novembro de 1994), Priorizar o labor ideológico é requisito indispensável para o cumprimento da causa socialista (junho de 1995), nas quais evidenciou a veracidade e a justeza do socialismo e a inevitabilidade de sua vitória e esclareceu globalmente problemas ideológicos e teóricos da realização da causa da independência da humanidade.
Depois do término da guerra fria, os Estados Unidos que se tornaram supostamente a “única superpotência” do mundo, e outras forças imperialistas, aproveitando a destruição do equilíbrio de forças no planeta, trataram de exterminar a causa da independência da humanidade.
Exerceram a arbitrariedade e o despotismo na arena internacional e perpetraram abertamente a agressão e a ingerência contra vários países.
Particularmente lançaram uma ofensiva geral contra a Coreia que com a bandeira anti-imperialista e da independência marcha com passos firmes pelo caminho do socialismo, nos planos político, militar, econômico, cultural, diplomático, etc.
Em face disso, Kim Jong Il fomentou o pensamento Songun, considerado na Coreia como a política fundamental do socialismo.
O Songun fortaleceu extraordinariamente a capacidade defensiva da Coreia, que se tornou um poderoso país que nenhum inimigo poderoso se atreve a tocar.
Defendeu a soberania e o socialismo da Coreia e garantiu fidedignamente a paz e a segurança na Península Coreana, Nordeste da Ásia e no resto do mundo.
Hoje o Songun, por sua justeza e vitalidade, cobra maior significado e valor.
Aprender esse pensamento se tornou uma tendência da época.
Kim Jong Il, dedicado inteiramente à edificação de um Estado poderoso e próspero e à melhoria da vida da população, continuou, sem descanso nem trégua, a marcha forçada realizando intenso trabalho e muitas viagens de orientação, vindo a falecer em 17 de dezembro do ano passado, em um trem no cumprimento de seu dever, devido a um acumulado esgotamento físico e mental.
O povo coreano tem dado demonstrações de que está disposto a enaltecer o grande dirigente Kim Jong Il e sob a direção do máximo dirigente Kim Jong Un ser fiel a sua ideologia e à sua causa.
Fonte: Material de divulgação da Embaixada da RPDC no Brasil
Frei Betto: O novo fetiche
Por Frei Betto
Na Idade Média, a cultura girava em torno da figura divina, na idéia de Deus. Na modernidade, centra-se no ser humano, na razão e em suas duas filhas diletas: a ciência e a tecnologia.
Um dos símbolos que melhor expressa esta passagem é a pintura de Michelangelo – A criação de Adão - no teto da Capela Sistina: Deus Pai, de barba longa, todo encoberto de mantos, representa o teocentrismo da época perante o homem desnudo, fortemente atraído para a Terra. O homem estende o dedo para não perder o contato com o transcendente, com o divino. A desnudez de Adão traduz o advento do antropocentrismo e a revolução que a modernidade representou em nossa cultura.
Episódio característico da modernidade ocorreu em 1682, quando mister Halley, baseado exclusivamente em cálculos matemáticos - pois não dispunha de instrumentos óticos -, previu que um cometa voltaria a aparecer nos céus de Londres dentro de 76 anos. Na ocasião, muitos o consideraram louco. Como, fechado em seu escritório, baseado em cálculos feitos no papel, poderia prever o movimento dos astros no céu? Quem, senão Deus, domina a abóbada celestial?”.
Mister Halley morreu em 1742, antes de se completarem os 76 anos previstos. Em 1758, o cometa, que hoje leva o seu nome, voltou a iluminar os céus de Londres. Era a glória da razão!
“Se é assim,” disseram, “se a razão é capaz de prever os movimentos dos astros como demonstraram Copérnico e Galileu - e depois Newton, um dos pilares da nossa cultura -, então ela haverá de resolver todos os dramas humanos! Porá fim ao sofrimento, à dor, à fome, à peste. Criará um mundo de luzes, progresso e felicidade!”
Cinco séculos depois, o saldo não é dos mais positivos. Muito pelo contrário. Os dados são da FAO: somos 7 bilhões de pessoas no planeta, das quais metade vive abaixo da faixa da pobreza, e 852 milhões sobrevivem com fome crônica.
Há quem afirme que o problema da fome é causado pelo excesso de bocas. Em função disso, propõe o controle da natalidade. Oponho-me ao controle, e sou favorável ao planejamento familiar. O primeiro é compulsório, o segundo respeita a liberdade do casal. E não aceito o argumento de que há bocas em demasia. Nem falta de alimentos. Segundo a FAO, o mundo produz o suficiente para alimentar 11 bilhões de bocas. O que há é falta de justiça, de partilha, e excessiva concentração da riqueza.
Por atravessarmos um período de muita insegurança, as pessoas buscam respostas fora do razoável. Observe-se, por exemplo, o fenômeno do esoterismo: nunca Deus esteve tão em voga como agora. Suscita paixões e fundamentalismos, a favor ou contra.
A crise da modernidade culmina no momento em que o sistema capitalista alcança a sua suprema hegemonia com o fim do socialismo, e adquire um novo caráter, chamado de neoliberal.
Quais as chaves de leitura dessa mudança do liberalismo para o neoliberalismo? Sob o liberalismo, falava-se muito em desenvolvimento. Na década de 1960, surgiu a teoria do desenvolvimento, que incluía também a noção de subdesenvolvimento; criou-se a Aliança para o Progresso, destinada a “desenvolver” a América Latina.
A palavra ‘desenvolvimento’ tem certo componente ético, porque ao menos se imagina que todos devem ser beneficiados. Hoje, o termo é ‘modernização’, que não tem conteúdo humano, mas sim forte conotação tecnológica. Modernizar é equipar-se tecnologicamente, competir, lograr que a minha empresa, a minha cidade, o meu país, aproximem-se do paradigma primeiro-mundista, ainda que isso signifique sacrifício para milhões de pessoas.
O Mercado é o novo fetiche religioso da sociedade em que vivemos. Outrora, pela manhã nossos avós consultavam a Bíblia. Nossos pais, o serviço de meteorologia. Hoje, consultam-se os índices do Mercado...
Diante de uma catástrofe, de um acontecimento inesperado, dizem os comentaristas econômicos: “Vamos ver como o Mercado reage”. Fico imaginando um senhor, Mr. Mercado, trancado em seu castelo e gritando pelo celular: “Não gostei da fala do ministro, estou irado.” E na mesma hora os telejornais destacam: “O Mercado não reagiu bem frente ao discurso ministerial”.
O mercado é, agora, internacional, globalizado, move-se segundo suas próprias regras, e não de acordo com as necessidades humanas. De fato, predomina a globocolonização, a imposição ao planeta do modelo anglo-saxônico de sociedade. Centrado no consumismo, na especulação, na transformação do mundo em cassino global.
Diante da crise financeira que afeta o capitalismo e, em especial, direitos sociais conquistados nos últimos dois séculos, é hora de se perguntar: qual será o paradigma da pós-modernidade? Mercado ou a “globalização da solidariedade”, na expressão do papa João Paulo II?
*é escritor, autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros
AS FARC ANUNCIAM ADIAMENTO DE LIBERTAÇÕES
Através de comunicado divulgado nas redes sociais em 01 de fevereiro de 2012, o secretariado da organização guerrilheira manifesta o adiamento das libertações.
DECLARAÇÃO PÚBLICA
Senhoras:
Lucía Topolanski, Jody Williams, Elena Poniatowska, Alice Williams, Mirta Baravalle, Isabel Allende, Rigoberta Menchú, Socorro Gómez, Elsie Mongue, Ángela Jeira y Piedad Córdoba, nossas cordiais saudações;
A região que tinhamos escolhido para a libertação dos prisioneiros de guerra Luis Alfonso Beltrán, César Augusto Laso, Carlos José Duarte, Jorge Trujillo, Jorge Humberto Romero e José Libardo Forero, todos membros das forças armadas do Estado capturados em combate, foi militarizada injustificadamente pelo governo da Colômbia, o que nos obriga a adiar a sua realização.
Militares patriótas já tinham nós alertado das intenções do governo Santos de procurar a qualquer custo um resgate militar, sem se importar com a possibilidade de um resultado trágico, como ocorreu no passado 26 de novembro. Essa atitude corresponde à recente determinação governamental de impedir a participação internacional humanitária na anunciada libertação.
Queremos libertá-los vivos, mas parece que o governo prefere entregá-los em catafalcos às suas famílias.
Distintas senhoras, saibam que, apesar destas circunstâncias, a nossa determinação unilateral, surgida da soberania política das FARC e de um profundo sentido de humanidade, ainda está de pé. Assim que a insanidade que tomou conta do Palácio de Nariño se acalme, faremos uma nova tentativa para que as senhoras possam receber aqueles que serão liberados.
Secretariado do Estado Maior Central das FARC-EP
Montanhas da Colômbia, 1 de fevereiro, 2012
DECLARACIÓN PÚBLICA
Señoras
Saludo cordial.
Secretariado del Estado Mayor Central de las FARC-EP
Montañas de Colombia febrero 1 de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Fruet e Rebelo discutem eleições e investimentos em Curitiba
O ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PC do B), aproveitou a passagem por Curitiba para se encontrar com o pré-candidato a prefeito, Gustavo Fruet (PDT).
Em pauta as eleições de outubro e os investimentos federais previstos para a capital paranaense, que será uma das sedes da Copa do Mundo de 2014.
Durante 12 anos, Rebelo e Fruet foram colegas de Câmara Federal. Em fevereiro de 2007, os dois se enfrentaram na disputa pela presidência da Câmara.
“O PC do B é fundamental para construção de uma agenda da oposição em Curitiba. Estamos trabalhando para agregar forças e construir um grande bloco”, disse Fruet.
ESQUEMA GAFANHOTO: A LISTA ATUALIZADA
A relação dos investigados tem 11 deputados estaduais, quatro deputados federais e três prefeitos de municípios paranaenses, além de ex-parlamentares acusados de participar do esquema na Assembléia Legislativa do Paraná.
Segundo informações da rádio Band News Curitiba, que teve acesso ao pedido de informação do delegado da Polícia Federal, Igor Romário de Paula, enviado para Casa em maio de 2011, o ofício requer informações sobre 61 deputados e ex-deputados.
O documento ainda informa que houve um pedido de informação em 2008, ano do início das investigações, que não foi respondido pela Assembléia.
Além disso, o delegado solicitou informações sobre o cargo, data de admissão e demissão e vencimentos de centenas de funcionários.
Além de Barbosa, o prefeito de Curitiba, Luciano Ducci (PSB), e o de Guarapuava, Luiz Fernando Ribas Carli (PSDB) também estão sendo investigados.
Entre os deputados federais estão Hidekazu Takayama (PSC), Ratinho Júnior (PSC) e Luiz Nishimori (PSDB), além de André Vargas(PT)
A lista dos atuais deputados estaduais é composta por Ademir Bier, Elton Welter (PT), Ademar Traiano (PSDB), Caíto Quintana (PMDB), Waldyr Pugliesi (PMDB), Nelson Garcia (PSDB), Edson Praczyk (PRB), Mauro Moraes (PSDB), Reni Pereira (PSB), Nereu Moura (PMDB) e Cleiton Kielse (PMDB).
A relação também tem o ex-governador Orlando Pessuti (PMDB), o presidente da Urbs, Marcos Isfer (PPS), o vereador Algaci Túlio (PMDB) e o conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná, Hermas Brandão (PSDB), presidente da Casa na época.
Preso recentemente e liberado após pagar fiança de mais de R$ 90 mil, o ex-deputado Carlos Simões aparece quatro vezes na lista sob a suspeita de desvio dos salários de 18 funcionários.
Além disso, 16 funcionários do gabinete do ex-deputado Antônio Carlos Baratter recebiam os vencimentos em uma mesma conta.
Duzentos e dez prefeitos eleitos em 2008 foram cassados
Brasília - Pesquisa divulgada hoje (13) pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) demonstrou que dos 5.563 prefeitos eleitos em 2008, 383 não estão mais no cargo. Desses, 210 foram cassados, 48 deles por fraudes na campanha eleitoral. Em 56 municípios do país, a troca de prefeito ocorreu por morte do titular, sendo que oito prefeitos foram assassinados ou se suicidaram. Vinte e nove saíram para concorrer a outro cargo, 18 por doença e 70 por outros motivos como renúncia e acordo entre partidos.
As cassações por infração à lei eleitoral representaram 22,8% dos casos de afastamento dos prefeitos. Os casos mais comuns incluem a tentativa de compra de voto, uso de materiais e serviços custeados pelo governo na campanha e irregularidade na propaganda eleitoral.
Já os atos de improbidade administrativa motivaram 36,6% das trocas. Além disso, 4,76% dos prefeitos deixaram seus cargos por causa de crime de responsabilidade, 17,62% por infração político-administrativa e 2,86% por crime comum.
Os estados de Minas Gerais e do Piauí apresentam o maior número absoluto de prefeitos cassados. Em cada um desses estados, 29 prefeitos perderam o mandato após processo de cassação. Em segundo lugar vem o Paraná, onde 14 prefeitos foram cassados. O Ceará, Rio Grande do Sul e Santa Catarina tiveram 12 prefeitos cassados em cada estado.
A pesquisa foi feita a partir do cruzamento de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), das federações regionais de municípios e da própria CNM, com o objetivo de detectar onde houve mudança de prefeito desde 2009. Depois, os pesquisadores entraram em contado com os municípios onde as mudanças ocorreram para saber dos motivos que levaram às trocas.
Atenas arde em protestos contra política da "troika"
A Grécia viveu neste domingo os mais violentos protestos dos últimos meses contra as políticas impostas ao país pela chamada "troika" (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia). Em meio a violentos protestos, o parlamento grego aprovou um novo "pacote de austeridade", que resultará em milhares de demissões e cortes de gastos públicos. No início da noite, vários prédios históricos de Atenas estavam em chamas e os manifestantes enfrentavam a polícia com pedras e coqueteis molotov.
Esquerda.net
Dezenas de milhares de pessoas compareceram à maior manifestação em Atenas contra a austeridade e os cortes de gastos públicos aprovados neste domingo no parlamento grego. A multidão dispersou da Praça Syntagma quando a polícia a atacou com gás lacrimogêneo, mas muitos grupos permaneceram no centro de Atenas enfrentando a polícia com pedras e coqueteis molotov.
carta maior
Manolis Glezos, o herói da resistência grega ao nazismo e membro do Syriza, perguntava à imprensa "como é possível implementar estas medidas com gás lacrimogéneo?". "Elas não têm o voto do povo grego", acrescentou este militante de 90 anos, ainda com a máscara de gás colocada e dificuldade em respirar.
Outro veterano nesta manifestação contra o governo da troika foi o compositor Mikis Theodorakis. Foi quando se preparava para dirigir à multidão na Praça Syntagma que a polícia começou a disparar o gás lacrimogêneo. Aos microfones duma rádio grega, uma porta-voz de Theodorakis acusou a polícia de "tentativa de assassinato" por ter tentado deliberadamente atingir o compositor de 86 anos. Em declarações aos jornalistas, Theodorakis afirmou-se confiante que "o povo vencerá", tal como aconteceu contra os nazis e a junta militar.
Todo o centro de Atenas ficou sob a nuvem do gás policial e os focos de incêndio estão também disseminados, com os confrontos sem fim à vista. Ao fim da tarde, estavam encerradas quatro estações de metrô no centro de Atenas por ordem da polícia. O líder sindical do metrô disse que os trabalhadores não viam razões para o encerramento e que a intenção da polícia era impedir as pessoas de chegarem à Praça. Entretanto, a outra manifestação da tarde, convocada pela central sindical PAME, dirigia-se para a Praça Syntagma.
Dentro do Parlamento, o debate teve início depois das 15h, com o ministro das Finanças tentando explicar aos deputados a pressa para aprovar a proposta até à meia noite de domingo. Um deputado independente questionou o parlamento sobre se tinha a certeza do que estava para ser votado, quando há várias falhas no documento, incluindo partes em que aparece "XX" em vez do número da quantia a que se refere.
O dia parlamentar também foi marcado pela tomada de posse de alguns deputados, em substituição daqueles que se demitiram em protesto contra o pacote de austeridade que vai reduzir o salário mínimo, despedir milhares de funcionários públicos e cortar ainda mais na Saúde e gastos sociais. Mas há casos em que o substituto, em vez de vir apoiar o governo cada vez mais frágil, toma posse para votar contra o seu partido. É o que acontece à atriz Anna Vagena, da lista do PASOK.
No sábado, era já conhecida a oposição de mais de dez deputados do PASOK, que se tem afundado nas sondagens nos últimos meses, e mesmo da Nova Democracia, incluindo o líder parlamentar e os deputados responsáveis pelos assuntos da Defesa e do Interior. A extrema-direita do LAOS, que retirou o apoio ao Governo de Lucas Papademos, também votará contra, à exceção dos seus antigos ministros.
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Frei Betto en encuentro con Fidel: “La Revolución cubana es una obra Evangélica”
Cuando me preguntan cómo logré conocer bien la Revolución cubana, yo digo: No basta conocer la Historia de Cuba, no basta conocer el Marxismo, hay que conocer la vida y la obra de Jose Marti. Para entender a Fidel como lo ha hecho Katiuska (Blanco) hay que conocer la pedagogía de los Jesuitas.
Muchos aquí, como Santiago Alba, el compañero de Túnez, ha experimentado lo que significa una prueba oral en una escuela de Jesuitas. Es duro. De ahí viene Fidel. Yo no soy Jesuita, no estoy haciendo ninguna propaganda. Soy Dominico, pero como soy amigo de Fidel, nos pusimos de acuerdo Dominicos y Jesuitas. En la tradición Jesuita hay una costumbre que se llama examen de conciencia, que se hace en este país, con otros nombres.
Hubo un tiempo -aquí vengo hace más de 30 años-, que se hablaba de Emulación, después de Rectificación, ahora de Lineamientos. Si Stalin estuviese vigente, la gente de aquí de Cuba iba a ser llamada “rectificacionista”. Pero mucha gente no se da cuenta que aquí no se hace cambios en la línea de Lampedusa -cambiar para dejar que quede todo como está-, se hacen los cambios para mejorar esta obra social de la Revolución, que es una obra desde mi punto de vista, no solamente política o ideológica, es una obra Evangélica.
¿Qué significa evangelismo de Jesús? Significa dar comida a quien pasa hambre, salud a quien está enfermo, amparo a quien está desamparado, ocupación a quien está desocupado. Eso está en la letra del Evangelio. Por eso digo que esta es una obra trascendente.
Muchas veces nosotros, en los movimientos progresistas, no estamos haciendo lo que hace la Revolución cubana, nuestro examen de conciencia o nuestra autocrítica. ¿Por qué no hay movimientos progresistas en el mundo, con excepción de los de América Latina? Ante la crisis financiera en Europa, ¿qué propuesta tenemos? Se habla de ocupación de Wall Street, que es un movimiento de indignación, pero mucha gente no se da cuenta de que Wall Street significa “La calle del muro”, y mientras este muro no venga abajo, nuestra indignación no va a resultar en nada. Va a ser buena para nosotros, no para el pueblo.
Dos cosas son fundamentales, y esas dos cosas se han practicado en la historia de la Revolución cubana. Primero: tener un proyecto, no solamente la indignación. Tener una propuesta, metas. Y, segundo, raíces populares, contacto con el pueblo. Gramsci decía: “El pueblo tienen las vivencias, pero muchas veces no comprende su situación”. Nosotros, intelectuales, comprendemos la realidad pero no la vivenciamos.
Se habló mucho aquí de internet, y creo que hay allí una trinchera de lucha muy importante, pero yo tengo 13 000 seguidores en Twitter, y confieso que me siento mucho más feliz trabajando con 13 campesinos, 13 desocupados, 13 obreros. Muchas veces nuestros movimientos hablan por el pueblo, quieren ser vanguardia del pueblo, escriben para el pueblo, pero no se comprometen con el pueblo. Deberíamos hacer una cierta higienización política. El pueblo no tiene buen olor para nosotros los intelectuales, los artistas, los inteligentes, los cultos. Si el pueblo no va a nosotros, no vamos a ninguna parte.
Cuba es el único país de America Latina que tuvo una revolución exitosa, pues hubo hace poco otras revoluciones en Nicaragua, y otras, pero la más exitosa es esta. Pues no es una revolución como la que hubo en Europa, que era un socialismos peluca, que venía de arriba para abajo. Aquí no, aquí es pelo, de abajo para arriba -yo iba a seguir un poco la ecuación del pelo, porque Zuleica (Romay, presidenta del Instituto Cubano del Libro) tiene un pelo breve, Abel tiene un pelo largo y Fidel tiene equilibrio-. Y la virtud está en el medio.
La hora va avanzando y yo sé que el Comandante tiene todavía esta noche tres delegaciones, hacer ocho llamadas internacionales, leer tres libros y más o menos 200 cables, porque la receta de esta capacidad de trabajo es un secreto de Estado de Cuba. No esperen saber, porque no vamos a saber nunca.
Llamo la atención sobre esto: hay que hacer una autocrítica, preguntarnos cómo está nuestra inserción social para la movilización política y qué proyecto de sociedad estamos elaborando junto con este pueblo, junto con los indignados, campesinos, desocupados.
El segundo tema del que no se habló:
Por evocación del presidente Lula Da Silva y ahora por acogida de la presidenta Dilma, del 20 al 22 de junio de este año se va a reunir en Rio de Janeiro la (reunión) Río +20, donde estuvo el Comandante en el 92 e hizo su más breve discurso, siete minutos, una sorpresa internacional porque todos pensaban que iba a hablar demasiado, pero dijo una frase que se quedó consagrada: Hay que salvar la principal especie en extinción, el ser humano.
¿Qué tenemos que hacer nosotros de ahora en adelante? Convencer a nuestros gobiernos a estar presentes en Río de Janeiro. No podemos permitir que todos esos jefes de Estado den la espaldas a la cuestión ambiental, porque no se trata de salvar el medio ambiente, se trata de salvar el ambiente todo. La gente del G-8 no tiene ningún interés en eso. Obama ha ido a Copenhagen porque había recibido equivocadamente el premio Nobel de la Paz -para vergüenza de Esquivel-, y tenía que pasar por Copenhagen para llegar a Oslo, tenía que hacer una escala técnica. Fue a la conferencia para hacer una demagogia, mas no está comprometido con eso.
Entonces nosotros tenemos dos tareas: movilizar a los jefes de Estado de nuestros países, convencerlos de estar presente en Rio de Janeiro, porque estar presente allí es apoyar todo un proyecto de preservación ambiental efectivo, de salvación de la humanidad, de salvación de este planeta que ha perdido el 30 por ciento de su capacidad de autogeneración. O hay una intervención humana o vamos una apocalipsis.
Ahí se va a realizar la Cumbre de los pueblos y la presidenta Dilma nos ha dicho en Porto Alegre, en el Foro Social temático, que esta reunión es más importante que la reunión de los Jefes de Estado. Entonces nuestros movimientos tienen que estar presentes para que esta cumbre pueda sonar muy alto en todo el mundo y cada vez concientizar más gente en este proyecto ambiental que por su urgencia tiene también una dimensión política muy curiosa. El tema de la ecología, de todos los temas curiosos, es el único que no hace distinción de clases. La ecología es como los aviones comerciales, que tienen dos clases, ejecutiva y económica, pero, cuando viene abajo, todos mueren igualito. No hay privilegios.
Y termino, Comandante, agradeciéndole por su paciencia, su diálogo con todo este grupo, su capacidad de escuchar. Agradezco, también, a Abel, a Zuleica, a todos los compañeros y compañeras de Cuba, al pueblo que nos escucha, que se interesa por nuestro debate, por nuestra conversación. Pido que Dios bendiga a este país y que cuide la vida de Fidel y su salud.
RJ: policiais e bombeiros mantém greve e expulsam equipe da Globo de Copacabana
“Se a corporação acha que eles devem ser presos por estarem incitando greve, que sejam presos no lugar correto. O que não pode é hoje ocupar um presídio de segurança máxima, para criminosos de alta periculosidade, com homens de bem. Isso é uma ditadura, uma decisão totalmente arbitrária”, argumentou Cristiane Daciolo, esposa do cabo Benevenuto Daciolo, um dos presos em Bangu.
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Segundo Cristiane, seu marido está em uma cela de quatro metros quadrados, e faz greve de fome desde que foi detido, há cinco dias, sem ingerir nenhum alimento, exceto água. Cristiane informou ainda que, na próxima terça-feira (14), uma comissão das mulheres dos trabalhadores presos irá a Brasília se reunir com a Comissão de Segurança Nacional e tentar um encontro com a presidente Dilma Rousseff.
“Eles estão sendo tratados como criminosos, mas têm um passado de brilhantismos, são verdadeiros heróis que servem à população. Estamos nessa luta há nove meses. O movimento não parou e nem vai parar. A causa é justa e, nem que prendam todos os bombeiros, nós, esposas, vamos continuar a defendê-los”, disse ela.
O sargento da Polícia Militar Sandro Barbeto Costa mostrou sua solidariedade com a luta dos bombeiros e afirmou que a PM também continua envolvida no movimento grevista.
“Jamais vamos deixar de atender a sociedade, até porque gostamos do que fazemos. Não estamos contra a sociedade, estamos reivindicando melhores condições de trabalho. Não vamos deixar de atender nunca. Falo isso por mim e por todos, porque tenho certeza de que somos todos profissionais”, afirmou o sargento, que disse desconhecer o fato de a Polícia Civil ter abandonado o movimento.
Participação da Polícia Civil
Presente na manifestação, o presidente do Sindicato dos Policiais Civis (Sinpol), Fernando Bandeira, garantiu que os policiais continuam em greve e criticou a atitude do presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia (Sindpol), Francisco Chao, de ter anunciado, no sábado, a suspensão do movimento, sem antes consultar os demais envolvidos.
“Não sabíamos da entrevista coletiva que ele convocou. Só soubemos por acaso, pois um repórter me ligou perguntando sobre o assunto. Imediatamente, me reuni com os líderes dos bombeiros e fomos para o local da coletiva, onde fomos impedidos de entrar”, contou Bandeira.
Segundo ele, 70% das ocorrências foram paralisadas, e a Policia Civil está operando com um efetivo de 9.200 homens. Ele denunciou ainda a falta de união dentro da corporação.
“A polícia, tradicionalmente, sempre foi muito divida, porque temos classificações. Um policial da Core, por exemplo, ganha R$ 1.500 a mais, é difícil convencê-los a fazer a greve. Esse é apenas um exemplo, fora outras gratificações e premiações. Essa divisão é uma estratégia para nos dividir. As associações se vinculam ao governo para ter benefícios pessoais, e poucos se envolvem realmente”, disse Bandeira, que admitiu que o movimento da Polícia Civil está um pouco enfraquecido por conta da confusão causada pela nota divulgada na noite de sábado (11) pelo inspetor Chao.
Equipe da TV Globo é expulsa por manifestantes
Acusados de manipular imagens e diálogos dos bombeiros, a equipe da TV Globo foi hostilizada e expulsa pelos manifestantes em Copacabana, que seguiram os jornalistas até que eles entrassem no carro da empresa e fossem embora. A conduta da TV Globo também foi questionada por algumas das pessoas que discursaram durante a manifestação. Ninguém ficou ferido na confusão.
Urariano Mota: O amestrado Geraldo Vandré
O leitor Xico Júnior, na coluna passada, pediu um texto sobre Geraldo Vandré. Procurarei atendê-lo agora. Lembro que ao ver a entrevista de Vandré na Globo News, passei dias ruminando. Vinha uma canção íntima, que na década de 70 era senha:
“Eu vou levando a minha vida enfim Cantando e canto sim E não cantava se não fosse assim Levando pra quem me ouvir Certezas e esperanças pra trocar Por dores e tristezas que bem sei Um dia ainda vão findar... Deixa que a tua certeza se faça do povo a canção Pra que teu povo cantando teu canto ele não seja em vão”
Que revolução queríamos naqueles anos, quando ouvíamos a canção de Vandré? Que peitos puros guardávamos ainda não provados pela luta? Agora, aparecia na entrevista: um velho de boné, com a insígnia da FAB, cabisbaixo, com o pensamento cheio de interrupções. O diabo era que nesse pensamento falho, ainda assim, sobrevivia uma certa lógica, como naquele louco Hamlet. Havia uma certa memória, montada, como em toda memória,mas, no caso de Vandré, com os cortes cirúrgicos que expurgavam a violência do regime militar.
E houve então a primeira ressalva, ao entrevistador. Ocorre com Geneton Moraes Neto (junto com Vandré na foto) o que é comum em 99% dos repórteres na imprensa do Brasil: eles não entendem nada vezes nada da ditadura. Não é que alguns, pela idade, não tenham passado por aqueles malditos tempos de Médici (por coincidência, o período da volta de Vandré ao Brasil). Alguns viveram, mas a sua experiência é exterior aos perseguidos. Devo dizer, eles não comeram e beberam com e daqueles jovens entusiastas que viviam no limite, clandestinos, entre ruas escuras, promessas de barbárie e bares infectos. Daí que os jornalistas cometam os maiores erros. Eles não têm o conhecimento sofrido da dinâmica.
Pela pesquisa, pelo aprendizado humilde, atento e curioso, poderiam driblar essa impossibilidade da experiência vivida. Mas não, na entrevista parecia que Vandré era autor de duas músicas, Disparada e Caminhando. Pela insistência do repórter nessas canções, parecia. No entanto, há um momento na entrevista em que Vandré refuga, como um cavalo refuga, a seu caráter de compositor engajado. Se o entrevistador houvesse ido além das duas canções, poderia ter lembrado uma canção do senhor de boné, direta como um soco:
“O terreiro lá de casa Não se varre com vassoura, Varre com ponta de sabre E bala de metralhadora....”.
Mas isso ficou oculto das pessoas que viram o compositor pela primeira vez. É possível que houvesse uma pauta prévia, aquela que todo repórter hoje no Brasil tem antes da realidade. A saber, no caso do velhinho: na pauta, havia que mostrar Vandré como um sobrevivente da velha esquerda, recuperado com vivas aos militares. A pauta do escândalo. Nesse particular sentido, a entrevista foi um sucesso. Na verdade, ela nem precisava da presença física de Vandré, bastavam-lhe os elementos essenciais da caricatura: um velho, um boné e a logomarca da Força Aérea Brasileira. O que deveria ser uma revelação do que o regime de 64 fez com um compositor de gênio, transformou-se em uma exibição de paradoxos e ruínas.
Na verdade, Vandré já oferecera antes à imprensa as linhas mestras da sua derrocada. Antes até da sua canção de homenagem à FAB. No coletivo virtual “Os amigos de 68”, uma militante médica, a quem não pedi autorização para divulgar o nome, informou:
“...Foi em torno de 74, quando eu fazia residência no Pinel. Conheci Vandré quando ele foi internado na emergência psiquiátrica da Clínica de Botafogo. Motivo alegado: Vandré estaria ‘armado com uma faca’ e ameaçava matar a sua irmã. Só o vi dias mais tarde, quando tocava violão para os internos no pátio da Clínica. Aparentava ‘tranquilidade’, mas sua fisionomia era de dor. Ele era ouvido com atenção e certa admiração. Sabiam que se tratava de um compositor famoso. Não consigo me lembrar o que tocava. Fiquei muito emocionada e chocada com tudo aquilo. Era o resultado das muitas torturas que ele sofrera na repressão dos anos 60/70...”
Hemingway em “O Velho e o Mar” dizia que é possível destruir-se um homem, mas nunca derrotá-lo. Na entrevista, o que se viu foi um homem ainda em estado de terror, em plena democracia. Nela, Vandré nos lembra os elefantes amestrados, torturados, que levantam a pata para o público no circo. Por isso não sabemos ao fim se o gênio de Vandré foi destruído. Peguemos então um caminho de esperança: Vandré continua nas suas canções, ele não foi derrotado.
Fonte: Vermelho
