terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Clima ruim para a Monsanto

A empresa-símbolo dos transgênicos é apontada em Copenhague como a principal vilã do aquecimento global, apesar de todo o esforço para se mostrar mais "verde"

Na terça-feira 15, a multinacional americana Monsanto foi alvo de uma galhofa no mínimo incômoda. A empresa, que se tornou sinônimo de alimentos geneticamente modificados, "venceu" uma disputa nada agradável: o "Troféu Sereia Zangada". A iniciativa é encabeçada pela escritora e ativista Naomi Klein, conhecida nos bastidores das discussões climáticas mundiais e pertencente à ONG Amigos da Terra Internacional. O símbolo da campanha é uma sereia para lá de aborrecida com a poluição dos mares. A ideia, segundo os organizadores, é destacar as empresas que mais contribuíram para o aumento das emissões de gases causadores do aquecimento global. O anúncio aconteceu em meio aos debates da Cúpula do Clima, em Copenhague, e mostrou que dos dez mil votos contacontabilizados no site da premiação, a Monsanto ficou em primeiro lugar com 37%. A empresa fez jus ao prêmio porque, de acordo com a ONG, o avanço da soja transgênica tem contribuído para o desflorestamento. Em nota, a Monsanto nega as acusações e afirma que busca com outros setores da sociedade soluções para frear as mudanças climáticas. "A Monsanto se orgulha de fazer parte da 'nova Revolução Verde', ao apostar na biotecnologia e desenvolver tecnologias que contribuem para aumentar a produção de alimentos, ao mesmo tempo que reduzem o uso de agroquímicos, água e combustíveis e a emissão", afirmou a companhia.

O fato é que, nos últimos anos, a Monsanto parece não conseguir se desvencilhar de repetidas polêmicas. No ano passado, a francesa Marie- Monique Robin lançou o livro O mundo segundo a Monsanto, em que faz denúncias acerca dos métodos usados para desenvolver os alimentos transgênicos. Nos Estados Unidos, há uma série de investigações antitruste que visam barrar a estratégia de crescimento da empresa. Para ganhar espaço, a Monsanto tem licenciado seus genes a empresas menores, que podem utilizá-los em novos produtos. Com isso, algumas contrapartidas são exigidas. Entre elas, a condição de que as parceiras não firmem acordos com empresas concorrentes, como Syngenta e DuPont. "Nós não acreditamos que haja qualquer mérito nas alegações sobre o nosso acordo de licenciamento ou os termos de contrato", disse o porta-voz da Monsanto, Lee Quarles, de St. Louis (EUA).

mundo segundo a Monsanto, em que faz denúncias acerca dos métodos usados para desenvolver os alimentos transgênicos. Nos Estados Unidos, há uma série de investigações antitruste que visam barrar a estratégia de crescimento da empresa. Para ganhar espaço, a Monsanto tem licenciado seus genes a empresas menores, que podem utilizá-los em novos produtos. Com isso, algumas contrapartidas são exigidas. Entre elas, a condição de que as parceiras não firmem acordos com empresas concorrentes, como Syngenta e DuPont. "Nós não acreditamos que haja qualquer mérito nas alegações sobre o nosso acordo de licenciamento ou os termos de contrato", disse o porta-voz da Monsanto, Lee Quarles, de St. Louis (EUA).

Em Copenhague, para limpar sua imagem, a empresa tem procurado se destacar de outras formas. Uma delas é a participação na mesa-redonda da soja responsável, destinada a produtores, empresas e tradings. Só resta saber se agora alguém pretende levar a taça para casa

Ibiapaba Netto - Revista Istoé Dinheiro

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Natal: Jesus não nasceu em 25 de dezembro

Por Emanuelle Bezerra

Nesta época do ano, o comércio fatura mais do que em dias normais, as ruas ficam enfeitadas; há troca de presentes entre pessoas especiais e colegas de trabalho; e as escolas e as igrejas tentam ensinar às crianças que o verdadeiro sentido do Natal é o nascimento de Cristo. Verdadeiro? Até mesmo entre os cristãos há divergência quanto à celebração da data.

O nascimento de Jesus só passou a ser atrelado a essa data quando, por uma questão política, o imperador romano Constantino procurou resgatar a unidade religiosa do povo que governava. Constantino aproveitou a difusão do cristianismo para controlar o império. Foi ele que estabeleceu os costumes e rituais da Igreja Católica Romana, criada no Concílio de Nicéia em 325 d.C., passando o dia de celebração do sábado para o domingo e criando o Natal cristão. Além disso, a Igreja Romana assimilou muitos costumes de outros povos que o império dominava, como conta Henry Bettenson em seu livro Documentos da Igreja Cristã.

O que ocorre é que em outras culturas, anteriores a Cristo, 25 de dezembro era marcado como o dia do nascimento de deuses, geralmente ligados ao Sol. Na definição da Enciclopédia Barsa, o Natal é uma data fixada no ano de 440, a fim de cristianizar grandes festas pagãs realizadas neste dia.

Estas festas estão relacionadas às estações do ano. O culto pagão Natalis Invistis Solis (nascimento do deus sol invencível), ao deus Mithra, da Pérsia, do qual Constantino era sumo sacerdote, é celebrado nesta data, porque do dia 24 para o 25 acontece a passagem do Solstício de Inverno para o Equinócio de Primavera nos países do Hemisfério Norte. Durante o período do Solstício de Inverno, os dias são curtos e frios porque, segundo o Observatório Astronômico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), desta perspectiva, o Sol se move durante seis meses para o sul e fica mais fraco. Ao nascer do dia 25, ele se move um grau, mas, desta vez, para o norte, trazendo dias mais longos e quentes e, claro, a primavera com suas flores, a colheita, o acasalamento dos animais e todo o culto em torno da fertilidade.

Os solstícios são as posições da Terra em relação ao Sol. Entre eles há os Equinócios de Primavera e Outono, que ocorrem quando os dois hemisférios ficam dispostos simetricamente em relação ao Sol, que sempre foi motivo de culto e adoração em inúmeros povos.

No Egito, 3000 anos a.C., o Sol aparece na figura do deus Hórus, que nasceu da virgem Isis, na mesma data de Mithra. Seu arqui-inimigo era Set, que representava o mal, as trevas ou a noite. Todos os dias eles travavam batalhas. Ao entardecer, Set ganhava e mandava Hórus para as trevas, ao amanhecer, acontecia o contrário e Hórus reaparecia vitorioso no céu. Durante a primavera e o verão, quando os dias são mais longos, Hórus prevalecia. De igual forma, a mesma estrutura mitologica é encontrada uma das versões da história de Krishna, da Índia, cujo nascimento teria sido em 25 de dezembro a 900 anos a.C., também de uma virgem, Devaki.

Jesus não poderia ter nascido nesta data, pois em Israel é inverno e dificilmente pessoas peregrinam nesta época. Os pais de Jesus estavam a caminho de Belém, próximo a Jerusalém, o que só ocorria em duas ocasiões: no aniversário da segunda cidade e na Festa dos Tabernáculos, ou Sucot, a festa das colheitas do povo judaico. Os indícios apontam que o nascimento teria acontecido na segunda ocasião. Russel Shedd constatou em seus estudos para a tese de doutorado que o nascimento se deu em outubro, durante a festividade, considerando os turnos de sacerdócio de Zacarias, pai de João Batista, primo de Jesus. Ele nasceu na época da Festa dos Tabernáculos, em outubro. Seu nascimento pode ser calculado assim: Zacarias exercia seu turno em julho (Lc. 1:5,8) por ser do turno de Abias, o oitavo turno do ano eclesiástico que começava em março (I Cr. 24:10). Foi o mês da concepção de João Batista, (Lc. 1:23-24), que nasceu, pois em abril do ano seguinte. Jesus nasceu seis meses mais tarde, (Lc. 1:26), portanto em plena Festa dos Tabernáculos.

Os insurretos do século 21: a I Insurreição Pirata

Carolina Gutierrez

Se você tem uma maçã e eu tenho uma maçã e nós trocamos as maçãs, então você e eu ainda teremos uma maçã. Mas se você tem uma idéia e eu tenho uma idéia e nós trocamos essas idéias, então cada um de nós terá duas idéias? (Bernard Shaw).

Essa é a lógica do compartilhamento. Idéias não são bens materiais. E isso pauta a I Insurreição Pirata que acontecerá na ONG Ação Educativa nos próximos dias 28 e 29 de março. O evento é organizado por ativistas da cybercultura e pessoas defensoras do conhecimento livre, para a formação, também no Brasil, de uma agremiação política que combata o copyright ? o Partido Pirata.

Explico. Uma insurreição? Pirata? contra os abusos da indústria copyright. E contra a criminalização do compartilhamento em rede. Se baixar, subir, compartilhar músicas, vídeos, textos, fotos, cachorros e papagaios é crime, então somos todos criminosos. No final das contas, somos todos piratas?

Sérgio Amadeu, ativista do software livre, é enfático: ? Os Piratas são eles. Não estamos a procura do ouro!?

Para Amadeu, a metáfora pirataria é péssima para se referir a bens compartilhados. O termo pirata é ambíguo, nos remete à idéia de roubo. E diga-se de passagem, compartilhamento e roubo são coisas bem distintas e distantes. E é com o intuito, de pelear contra todo o obscurantismo provocado, que a I Insurreição debaterá temas, em formato de desconferências, relacionados à livre circulação de informações.

Le Monde Brasil

Aécio Neves faz bem em abrir mão de sua pré-candidatura à Presidência?

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), desistiu de tentar a indicação do partido para concorrer à Presidência da República em 2010. O anúncio foi feito pelo governador, por meio de uma nota à imprensa, na tarde desta quinta-feira (17) em Belo Horizonte.

"O que me propunha (era) tentar oferecer (algo) novo ao nosso projeto, no entanto, estava irremediavelmente ligado ao tempo da política, que, como sabemos, tem dinâmica própria. E se não podemos controlá-lo, não podemos, tampouco, ser reféns dele. Sempre tive consciência de que uma construção com essa dimensão e complexidade não poderia ser realizada às vésperas das eleições", disse Aécio. O governador leu o pronunciamento ao lado do senador e presidente do PSDB, Sérgio Guerra, e do vice-governador Antônio Augusto Anastasia.

José Serra e Aécio Neves disputavam a candidatura à presidência da República do PSDB

Leia frases de Aécio sobre a candidatura à Presidência

"Deixo a partir deste momento a condição de pré-candidato do PSDB à Presidência da República, mas não abandono minhas convicções e minha disposição para colaborar, com meu esforço e minha lealdade, para a construção das bandeiras da Social Democracia Brasileira", completou. "Busco contribuir, dessa forma, para que o PSDB e nossos aliados possam, da maneira que compreenderem mais apropriada, com serenidade e sem tensões, construir o caminho que nos levará à vitória em 2010."

Com isso, o governador de São Paulo, José Serra, passa a ser o único pré-candidato do PSDB à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Serra quer adiar até março - prazo para deixar o governo - o anúncio da candidatura, o que contrariava Aécio, que pressionava o partido para definir seu candidato até dezembro.

O partido Democratas - cogitado para indicar o vice na chapa - também tem pressionado Serra a lançar a pré-candidatura.

Ao desistir da Presidência, Aécio deve se candidatar a uma cadeira no Senado em 2010. Publicamente, o mineiro rejeita a ideia de integrar a candidatura à vice numa chapa com Serra.

Em todas as pesquisas de opinião divulgadas ao longo do ano, José Serra está na liderança na corrida ao Planalto, seguido pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, pré-candidata do PT à Presidência.

Em 2010, Aécio encerra seu mandato à frente do governo de Minas. Ele foi reeleito no primeiro turno em 2006. Antes de chegar ao governo, chegou à presidência da Câmara dos Deputados.

Aécio é neto de Tancredo Neves, presidente eleito pelo voto indireto em 1985, mas que morreu antes de assumir o cargo, dando lugar ao hoje senador José Sarney (PMDB-AP).

*Com informações do UOL Notícias, em São Paulo

Bresser-Pereira: BC deve estar subordinado a eleitos pelo povo

O ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira criticou a independência do Banco Central (BC), durante audiência da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Dívida Pública. Ele destacou que o BC elabora políticas fundamentais para o país ? como de juros e de câmbio ?, diretamente relacionadas à vida das pessoas, tarefa que, avalia, deve ser entregue aos representantes eleitos pelo povo.

"A ideia de que, em vez disso, eu atribua essa responsabilidade a técnicos iluminados, absolutamente independentes, é uma loucura. A tese da independência do BC é de que os políticos são todos populistas e sem-vergonhas e que os técnicos são todos maravilhosos e incorruptíveis. Não é verdade isso."

O ex-ministro Bresser Pereira também condenou, na audiência, a alta taxa de juros praticada no País. Ele atribui esse comportamento aos fortes interesses dominantes dos rentistas e dos especuladores. Segundo Bresser, esse cenário não é bom, porque desestimula os investimentos e aumenta a dívida pública todos os anos. "O Brasil gasta uma fortuna em juros, muito mais do que gasta em educação e saúde, o que é uma coisa quase que patética."

A supervalorização do real também foi alvo de críticas. O ex-ministro da Fazenda defendeu uma administração forte do câmbio e classificou o atual modelo de ?populismo cambial?. Bresser explicou que, quando a taxa cambial é alta, a exemplo do que acontece hoje, os salários reais aumentam, as pessoas têm mais chance de comprar mercadorias importadas dentro do País e de fazer viagens ao exterior, porque tudo fica mais barato. "É uma alegria. Só que representa déficit em conta corrente, diminuição em investimentos, menor crescimento do país e crise?, ressaltou.

A prorrogação dos trabalhos da CPI da Dívida Pública foi aprovada em plenário nesta quarta-feira. Conforme explicou o relator, deputado Pedro Novais (PMDB-MA), a comissão vai funcionar nos meses de fevereiro e março para ouvir convidados já agendados e para a elaboração, discussão e votação do relatório final. Pedro Novais disse que vai analisar as informações sobre o modo como ocorreu o endividamento brasileiro nos últimos anos e propor medidas para melhorar o controle da dívida daqui para a frente.

Fonte: Agência Câmara

COP 15 – o último a sair que apague as luzes!

Por Eloy F. Casagrande Jr.*

Sexta-feira (17) é o dia D na COP 15, a Conferência do Clima das Nações Unidas. Todos os aliados já desembarcaram na bela Copenhage, até mesmo os chefes de estado há três dias se movimentam nos bastidores para não deixar naufragar o acordo para controlar o aquecimento global. Neste cenário falta o presidente do país que é considerado o maior poluidor do Planeta! Barack Obama chegará somente para a cerimônia de encerramento da conferência.

Com esta atitude, o ganhador do prêmio Nobel da Paz mostra a importância que seu país deu para a mesma. Isto começa a nos revelar uma outra face do mocinho que se tornou um herói mundial ao derrotar malfeitor George Bush! Obama mandou seus fieis escudeiros para negociar que não haja comprometimento de metas de redução de Gases do Efeito Estufa (GEE) e valores de financiamento para países pobres, que mais serão afetados com as mudanças climáticas.

Até quarta-feira (16), ao invés de números, o chefe da negociação americana, Todd Stern, queria que nos textos finais aparecesse a letra “xix”. Isto mesmo, um grande e cruzado “X”! O X aqui é até irônico, já que Obama admite que um dos seus grandes ídolos foi Malcolm X (ou El Hajj Malik El Shabazz), líder negro americano, também muçulmano, que defendia maiores direitos para sua raça e foi brutalmente assassinado em 1965. Mas voltando ao xis da questão, o fato é que há mais interesses econômicos e políticos na COP 15, do que deixar o Planeta derreter.

Os Estados Unidos já chegou a causar mal estar entre os negociadores quando anunciou no início uma ajuda de 1 bilhão de dólares para o fundo destinado a desacelerar o desmatamento. Para um país que em dezembro de 2008, liberou 14 bilhões de dólares para salvar a Chrysler e a GM, montadores de produtos altamente poluentes, isto soava como zombaria! Para limpar a barra, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, chegou quinta-feira (17) com a cavalaria e a corneta anunciando que seu país está disposto a colocar US$ 100 bilhões por ano até 2020, no um fundo destinado a ajudar os países pobres, cobrando participação também dos países emergentes. A questão aqui não somente dinheiro, mas mudança de matriz energética, de redução de consumo, de mobilidade menos poluente e de mudança de modelo carbono-intensivo para uma economia de baixo carbono!

Todos representam no grande teatro que se tornou Copenhage, até mesmo o Brasil garante bilheteria com suas metas, mesmo sendo bastante confusas. A candidata a presidente do PT, Dilma Rousseff e o Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, não conseguem falar a mesma língua! A matemática da redução de desmatamento ainda não está clara para os especialistas. Anunciam-se valores a serem investidos em energia a partir de hidrelétrica como compensação de emissões, mas ao mesmo tempo há planos para a construção de mais de 100 termelétricas na pasta do Ministro Edison Lobão!

A delegação brasileira, composta por cerca de 700 pessoas é mais numerosa da conferência. Por baixo, num cálculo estimado, a viagem destes delegados oficiais e não oficiais, foram responsáveis pela emissão de cerca de duas mil toneladas de gás carbônico (CO2), o que equivale a emissão diária de uma frota de aproximadamente 600 mil veículos!

A esperança é que antes que outros mil protestantes sejam presos do lado de fora da COP 15, sejam ouvidos os apelos dos países-ilhas do Oceano Pacífico, ameaçados de afundar e dos países africanos ameaçados de virarem grandes desertos. Milhares de vidas podem ser salvas se uma luz de fonte renovável ilumine a cabeça dos líderes mundiais e não deixem que a temperatura do Planeta aumente 2 graus.

Afinal, tudo é possível estando tão próximo do Natal. Em toco caso, acendemos algumas velas para que isto aconteça, sem esquecer (eco)logicamente de apagar as luzes!

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

CHILE: ENTRE O FIM DA CONCERTAÇÃO E O NEOPINOCHETISMO

por Emir Sader

O Chile foi o único país, dos que tiveram ditaduras militares no cone
sul, em que as forças da ditadura se reciclaram para um partido
político, reivindicaram o período ditatorial e se constituíram em
força quase majoritária, no período democrático. Em todas as eleições,
o bloco de partidos neopichetista sempre conseguiu proporção alta de
votos, em duas vezes foi derrotado por menos de 5 % dos votos no
segundo turno.

A oposição à ditadura, depois da derrota das organizações
clandestinas – MIR, Movimento de Esquerda Revolucionaria, e Frente
Manoel Rodriguez – foi liderada pela aliança entre os partidos
Democrata Cristão e Socialista, antes inimigos, porque este o partido
de Allende e aquele, o Eduardo Frei Montalva, que pregava o golpe
militar. Para isso teve que romper sua aliança histórica com o Partido
Comunista e organizar a chamada Concertação, com o Partido Democrata
Cristão, em consonância com o fenômeno interncional de reciclagem de
Partido Socialistas e Social Democratas para o neoliberalismo.

Dessa forma, quando Pinochet perdeu o referendo que ele mesmo havia
convocado, em 1988, sobre sua reeleição, dois anos depois a
Concertação conseguiu eleger a um democrata-cristão, Patricio Alwin –
ex-dirigente radical contra o governo de Allende, como presidente do
seu partido -, o primeiro presidente civil desde o golpe militar de
1973. A Concertação manteve a política econômica da ditadura militar,
que havia conquistado o apoio do grande empresariado chileno, baseado
em uma política de abertura econômica, de um modelo
primário-exportador de um Tratado de Livre Comércio – que um governo
posterior da Concertação, então já presidido por um socialista,
Ricardo Lagos, assinou com os EUA, o que impede o Chile de participar
do Mercosul - entre outras conseqüências. Tratou de amainar os duros
efeitos sociais da ditadura pinochetista, que tinham levado o Chile de
um dos países menos desiguais do continente a um dos mais desiguais.
No entanto, manteve as políticas de livre comércio, no marco do
neoliberalismo implementado por Pinochet.

Depois de Alwyn, foi eleito Eduardo Frei Ruiz Tagle – filho do
ex-presidente Eduardo Frei Montalva -, até que os socialistas elegeram
os dois presidentes seguintes do Chile – Ricardo Lagos e Michelle
Bachelet -, sem que se operasse qualquer mudança substancial na
política implementada até ali por presidentes democrata-cristãos.
Quando se elegeu Bachelet, da mesma forma que seu antecessor, por
margem muito estreita sobre o candidato das forças neopinochetistas,
ela sofreu um grande desgaste ao implementar uma plano que pretendia
transformar radicalmente o transporte urbano de Santiago
simultaneamente, em um único dia, plano herdado do seu antecessor. Os
resultados foram catastróficos, durante muitos meses, ao que se
somaram mobilizações dos estudantes secundários, dos pequenos
produtores mineiros e dos povos mapuches, fazendo com que o prestigio
da presidente descesse a níveis muito baixos.

Aos poucos, apesar de ter um ministro da economia do estilo Chicago
boy, conforme chegou a crise internacional, Bachelet foi recuperando
apoio, ao implementar medidas compensatórias diante dos efeitos
sociais mais graves da crise, como um correção parcial da privatização
da Previdência e bônus para os setores mais afetados, até que termina
seu mandato com um índice de apoio similar ao de Lula.

No entanto, a sucessão se apresentava difícil, dado que a Concertação
nunca conseguiu impor à direita neopinochetista uma grande derrota –
um dos seus maiores fracassos politicos -, reaparecendo novamente
Sebastien Piñera como forte candidato a sucedê-la. Piñera é das
maiores fortunas do país, enriquecido durante a ditadura de Pinochet,
quando seu irmão e sócio, José Piñera, ex-Ministro do Trabalho da
ditadura, implementou a malfadada “flexibilização laboral”, pela
primeira vez no continente. O grupo Piñera, entre outras grandes
empresas chilenas agressivamente expansivas no Chile e no exterior, é
proprietário da Lan Chile (assim como da Lan Peru e fez oferta para
comprar a Varig, antes da Gol arrematá-la), além do Colo-Colo (mesmo
torcendo para outro time, comprou a maior parte das ações de equipe
mais popular do Chile) e de um canal de TV.

Com Piñera favorito, a Concertação acreditou que tinha que apelar
para um candidato com uma imagem mais moderada do que um socialista e
chamou o ex-presidente Eduardo Frei Ruiz Tagle para candidato. Como
resultado desse passo audaz e timorato, saíram do Partido Socialista
três outras candidaturas, revelando o descontentamento com a posição
da direção do Partido. Entre elas, um ex-ministro de Allende, Jorge
Arrate, apoiado pelo Partido Comunista, e Marco Enriquez-Ominami,
filho biológico do dirigente máximo do MIR, Miguel Enriquez, de um
namoro com uma jornalista, que foi adotado posteriormente por quem se
casou com esta, Carlos Ominami, ex-militante expulso do MIR por ter se
asilado, que passou ao PS, onde foi ministro neoliberal da economia.
Enquanto Arrate acabou tendo pouco mais de 6% dos votos, Marco chegou
a 20%, com uma imagem renovado, uma espécie de terceira via, muito
contemplada pelos espaços na imprensa (praticamente toda ela de
direita no Chile), na crença de que roubaria votos da Concertação.

No primeiro turno, Piñera obteve 44% contra um pouco menos de 30% de
Frei. Aquele tem sido o resultado histórico da direita. A diferença é
que, desta vez, o candidato da Concertação tem, de longe, o pior
resultado de um candidato dessa coalizão e não pode contar com muita
transferência de votos – as pesquisas acrescentam uns 3% de outros
candidatos. Isto é, nem sequer a decisão do PC e de Arrate de apóia-lo
no segundo turno, tem permitido que os votos obtidos por eles sejam
canalizados para Frei no segundo turno. Menos ainda os de
Enriquez-Ominani, que liberou seus eleitores.

Assim, se avizinha, ao que tudo indica, um retorno da direita ao
governo no Chile, como um dos resultados das políticas da Concertação,
de conciliação com o modelo herdado de Pinochet, sem sequer ter
convocado uma Assembléia Constituinte para permitir que o Chile tenha
uma Constituição democrática e não um remendo daquela imposta pela
ditadura, nem tampouco ter conseguido um apoio popular muito amplo, de
tal forma que grande setores de origem pobre votam pelo candidato
neopinochetista. Quatro mandatos – em um total de vinte anos – de
candidatos da Concertação, dois dos quais presididos por socialistas
chilenos, desembocam, provavelmente, em um fracasso e na devolução do
governo ao (neo)pinochetismo, sem ter rompido com o modelo econômico e
sem ter conseguido desarticular a direita originária da ditadura
militar. O Chile, exibido pelas instituições financeiras
internacionais como o modelo supostamente bem logrado de implementação
das políticas de livre mercado, volta às mãos dos que a formularam e a
implementaram durante a ditadura pinochetista.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Mensagem ao presidente da República Bolivariana da Venezuela

(Extraído do Cubadebate)
>
> Caro Hugo:
>
> * COMPLETAM-SE hoje 15 anos do nosso encontro na Aula Magna da
> Universidade de Havana, em 14 de dezembro de 1994. Na noite anterior,
> tinha esperado você ao pé da escada do avião que o trouxe a Cuba.
>
> Conhecia do seu levantamento em armas contra o governo pró-ianque da
> Venezuela. Em Cuba tinham chegado notícias de suas idéias quando
> estava na cadeia, e tal como nós, consagrava-se ao aprofundamento do
> pensamento revolucionário que o levou ao levantamento de 4 de
> fevereiro de 1992.
>
> Na Aula Magna, de forma espontânea e transparente, você exprimiu as
> idéias bolivarianas que levava dentro de si, e que lhe conduziram, nas
> condições específicas do seu país e da nossa época, à luta pela
> independência da Venezuela contra a tirania do império. Depois do
> esforço de Bolívar e demais colossos que, plenos de sonhos lutaram
> contra o jugo colonial espanhol, a independência da Venezuela era
> apenas uma ridícula aparência.
>
> Nenhum minuto da história é igual a outro; nenhuma idéia ou
> acontecimento humano pode ser julgado fora de sua própria época. Tanto
> você quanto eu partimos de conceitos que foram evoluindo ao longo de
> milênios, mas têm muito em comum com a história longínqua ou recente
> em que a divisão da sociedade em donos e escravos, exploradores e
> explorados, opressores e oprimidos sempre foi antipática e odiosa. Na
> época atual, constitui a maior vergonha e a principal causa da
> infelicidade e do sofrimento dos seres humanos.
>
> Quando a produtividade do trabalho, apoiada hoje na tecnologia e na
> ciência, se multiplicou por dezenas e em alguns aspectos centenas e
> até milhares de vezes, tais e tão injustas diferenças deviam
> desaparecer.
>
> Você, eu e conosco, milhões de venezuelanos e cubanos, partilhamos
> dessas idéias.
>
> Você partiu dos princípios cristãos que lhe inculcaram e um caráter
> rebelde; eu, das idéias de Marx e um caráter também rebelde.
>
> Há princípios éticos universalmente admitidos que são válidos tanto
> para um cristão, como para um marxista.
>
> Desse ponto de partida, as idéias revolucionárias se enriquecem
> constantemente com o estudo e a experiência.
>
> Resulta conveniente sublinhar que nossa amizade sincera e
> revolucionária surge quando você não era presidente da Venezuela.
> Nunca lhe pedi nada. Quando o movimento bolivariano obteve a vitória,
> nas eleições de 1999, o petróleo valia menos de 10 dólares o barril.
> Lembro bem disso porque você me convidou a sua tomada de posse.
>
> O seu apoio a Cuba foi espontâneo, como sempre o foi nossa cooperação
> com o irmão povo da Venezuela.
>
> Em pleno período especial, quando a URSS desabou, o império endureceu
> seu brutal bloqueio contra nosso povo. Em um determinado momento, os
> preços do combustível ficaram elevados e nossos fornecimentos se
> tornaram difíceis. Você garantiu o fornecimento comercial seguro e
> estável ao nosso país.
>
> Não podemos esquecer que, depois do golpe político contra a Revolução
> Bolivariana, em abril de 2002, e sua brilhante vitória frente ao golpe
> petroleiro a finais desse próprio ano, os preços se elevaram acima de
> 60 dólares o barril, e aí você nos ofereceu o fornecimento de
> combustível e facilidades de pagamento. Bush já era Presidente dos
> Estados Unidos e foi o autor daquelas ações ilegais e traidoras contra
> o povo da Venezuela.
>
> Lembro-me o quanto se indignou você com que ele exigisse minha saída
> do México, como condição para aterrar nesse sofrido país, onde você e
> eu participávamos em uma conferência internacional das Nações Unidas
> em que também ele devia comparecer.
>
> À Revolução Bolivariana nunca lhe perdoarão seu apoio a Cuba, quando o
> império imaginou que nosso povo, depois de quase meio século de
> resistência heróica, cairia de novo em suas mãos. Em Miami, a
> contra-revolução reclamava três dias de licença para matar
> revolucionários, logo que se instaurasse o governo de transição em
> Cuba que Bush exigia.
>
> Já decorreram dez anos de exemplar e frutuosa cooperação entre a
> Venezuela e Cuba. A ALBA nasceu nesse período. Tinha fracassado a ALCA
> --promovida pelos Estados Unidos-- mas o império está de novo à
> ofensiva.
>
> O golpe de Estado em Honduras e o estabelecimento de sete bases
> militares na Colômbia, são fatos recentes acontecidos depois da tomada
> de posse do novo Presidente dos Estados Unidos. Seu predecessor já
> tinha restabelecido a IV Frota, meio século depois de finalizada a
> última contenda mundial, e não existia nem Guerra Fria, nem a União
> Soviética. São óbvias as intenções reais do império, desta vez, sob o
> sorriso amável e o rosto afro-americano de Barack Obama.
>
> Daniel Ortega explicou ontem a forma em que o golpe em Honduras
> determinou o enfraquecimento e a conduta dos membros do Sistema da
> Integração Centro-Americana.
>
> O império mobiliza atrás de si as forças de direita da América Latina
> para golpear a Venezuela, e com ela, aos Estados da ALBA. Se
> conseguisse apoderar-se de novo dos quantiosos recursos petroleiros e
> de gás da Pátria de Bolívar, os países do Caribe anglófono e outros da
> América Central perderão as generosas condições de fornecimento que
> hoje a Venezuela revolucionária lhes oferece.
>
> Há uns dias, após o discurso pronunciado pelo presidente Barack Obama,
> na escola militar de West Point, para anunciar o envio de 30 mil
> soldados à guerra do Afeganistão, escrevi uma reflexão na qual
> qualificava de ato cínico aceitar o Prêmio Nobel da Paz quando já
> tinha adotado essa decisão.
>
> No passado 10 de dezembro, ao proferir em Oslo o discurso de
> aceitação, fez afirmações que constituem um exemplo da lógica e do
> pensamento imperialista. "...sou responsável pelo desdobramento de
> milhares de jovens para lutarem em um país distante. Alguns matarão. A
> outros os matarão.", afirmou, tentando apresentar como uma "guerra
> justa" a brutal carnificina que leva a cabo naquele distante país,
> onde a maioria dos que morrem, são povoadores indefesos das aldeias
> onde explodem as bombas lançadas por aviões não-tripulados.
>
> Depois dessas frases, pronunciadas entre as primeiras, dedica mais de
> 4.600 palavras a apresentar a chacina de civis como guerra justa.
> "Nas guerras de hoje --afirmou-- morrem muitos mais civis do que
> soldados".
>
> Ultrapassam o milhão de civis não-combatentes os que já morreram no
> Iraque e no Afeganistão e na fronteira do Paquistão.
>
> Nesse mesmo discurso elogia Nixon e Reagan, como personagens ilustres,
> sem se deter a lembrar que um deles jogou mais de um milhão de
> toneladas de bombas no Vietnã, e o outro fez explodir, por meios
> eletrônicos, o gasoduto da Sibéria, sob a aparência de um acidente.
> Foi tão forte e destruidora a explosão que os aparelhos monitores dos
> testes nucleares a registraram.
>
> O discurso pronunciado em Oslo se diferencia do de West Point, porque
> o proferido na academia militar estava mais bem elaborado e declamado.
> No discurso na capital da Noruega, o rosto do orador expressava a
> consciência da falsidade de suas palavras.
>
> O momento e as circunstâncias também não eram iguais. Oslo se localiza
> nas proximidades de Copenhague. Neste ponto, tem lugar a
> importantíssima Conferência sobre a Mudança Climática, onde sei que
> você e Evo pensam participar. Naquele lugar se trava, nestes momentos,
> a batalha política mais importante da história humana. Ali se pode
> constatar em toda sua magnitude, quanto prejuízo tem ocasionado à
> humanidade o capitalismo desenvolvido. Hoje, a humanidade deve lutar
> desesperadamente não só pela justiça, mas também pela sobrevivência da
> espécie.
>
> Acompanhei de perto a reunião da ALBA. Meus parabéns para todos.
> Desfrutei imenso ao ver tantos e tão queridos amigos elaborando idéias
> e lutando unidos. Meus parabéns para todos.
>
> Até à vitória sempre!
>
> Um forte abraço
>
>
>
> Fidel Castro Ruz
> 14 de dezembro de 2009 *

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

BANKBOSTON PODE ASSUMIR A PRESIDÊNCIA DO BRASIL

De fato o Brasil é uma dádiva de Deus.
Num passado não muito remoto, éramos considerados uma "Berlíndia", um misto de Bélgica com Índia.
A Bélgica não é mais a mesma, nem tampouco a Índia.
Apesar de toda miséria a Índia hoje é considerada emergente e a Bélgica, apesar de toda riqueza cambaleia.
O Brasil com seu pífio PIB, também parece em ascensão.
Mas o que chama à atenção de fato é a nossa "capacidade" política. Se não obra divina, com certeza uma engenharia digna de teses e mais teses para a academia sociológica.
O Partido dos Trabalhadores e seu líder maior, outrora símbolos de radicalismo e de ética, mergulharam num mar de lama de corrupção e transformaram-se em adestrados pragmáticos.
Os retalhos de esquerda que fazem parte do governo e que insolentes, ainda tentam rotular a gestão de centro-esquerda, poderão entrar em campanha para eleger o BANKBOSTON para dirigir o Brasil!
Lula, sorrateiro e pragmático (que merda!),não esconde mais sua preferência. Viabilizada sua engenharia, Meirelles será o vice de Dilma.
Causa arrepios pensar que,se pode ser vice, porque não ser cabeça de chapa?
A dita "comunidade financeira internacional" cobra de afagos e não medirá esforços (entendam "esforços") para nomeá-lo.
Ser vice já está garantido(aceito). Instada a respeito, Dilma respondeu:-Pode, uai.E por que não?
Retornando ao contraste e a dádiva...
Pra lembrar só deste período político de governo(LULA), em 2006, sem disparar sequer um petardo, um comunista assumiu a presidência do Brasil. Lógico, na sequência a Petezada percebeu o perigo e tratou de defenestrá-lo da Presidência da Câmara.
Numa hipotética eleição da Chapa Dilma/Meirelles, veremos fatalmente o BANKBOSTON assumir a Presidência do Brasil!
É o que Lula deseja. O PT adestrado obedece bovinamente. Os retalhos de Esquerda funcional arrumará uma justificativa, baseada na "mudança da conjuntura" e após a devida genuflexão dirá amém...
Chega de intermediários! BANKBOSTON prá Presidente!

Paulo Roberto Aguilera

domingo, 13 de dezembro de 2009

ARTIGO: Por que Evo ganhou?

Por Atílio A. Boron

Celebrávamos uma semana atrás o triunfo de Pepe Mujica no Uruguai. Temos hoje renovadas - e também mais profundas - razões para festejar a extraordinária vitória de Evo Morales. Tal como há algum tempo havia indicado o analista político boliviano Hugo Moldiz Mercado, o grande veredicto das urnas assinala pelo menos três marcos importantíssimos na história da Bolívia: a) Evo é o primeiro presidente democraticamente reeleito para dois mandatos sucessivos; b) é o primeiro, além disso, a melhorar a porcentagem de votos com que foi eleito na primeira vez: saltou dos 53,7% aos atuais 63,3%; e c) é o primeiro a obter uma esmagadora representação na Assembleia Legislativa Plurinacional. Além disso, mesmo antes de se ter os números definitivos, é praticamente certo que Evo obterá os dois terços no Senado e na Câmara de Deputados, o que lhe permitiria nomear autoridades judiciais e aplicar a nova Constituição sem oposição. Tudo isso o
converte, do ponto de vista institucional, no presidente mais poderoso da convulsionada história da Bolívia. E um presidente comprometido com a construção de um futuro socialista para o seu país.

Obviamente estas conquistas não impedirão a Washington de reiterar as suas conhecidas críticas à ?defeituosa qualidade institucional? da democracia boliviana, o ?populismo? de Evo e a necessidade de melhorar o funcionamento político do país para garantir a vontade popular, como, por exemplo, se faz na Colômbia. Neste país, sem irmos muito longe, cerca de 70 parlamentares do uribismo estão sendo investigados pela Corte Suprema de Justiça e pela Procuradoria por seus supostos vínculos com os paramilitares, e 30 deles foram enviados à prisão por esse motivo.

Quatro milhões de pessoas deslocadas pelo conflito armado, auge do narcotráfico e do paramilitarismo sob amparo oficial e com a aquiescência de Washington, violação sistemática dos direitos humanos, entrega da soberania nacional aos Estados Unidos mediante um tratado negociado em segredo e que concedeu a instalação de sete bases militares estadunidenses em território colombiano e a fraudulenta manipulação processual para conseguir a re-re-eleição do presidente Álvaro Uribe... estes são todos traços que caracterizam uma democracia de alta ?qualidade institucional?, que não provoca a menor preocupação das falsas salvaguardas da democracia nos Estados Unidos.

O desempenho eleitoral do líder boliviano é impressionante: obteve um triunfo arrebatador na convocatória da Assembleia Constituinte, em julho de 2006, que assentaria as bases institucionais do futuro Estado Plurinacional; outra esmagadora vitória em agosto de 2008 (67%) no Referendo Revogatório forçado pelo Senado, controlado pela oposição, com o aberto propósito de derrubá-lo; em janeiro de 2009 os 62% dos votantes aprovou a nova Constituição Política do Estado e apenas algumas poucas horas atrás, outra plebiscitária ratificação de quase dois terços do eleitorado.

O que há por trás desta impressionante máquina de ganhar eleições, indestrutível apesar do desgaste de quatro anos de gestão, dos obstáculos interpostos pela Corte Nacional Eleitoral, da hostilidade dos Estados Unidos, das numerosas campanhas de desabastecimento, das tentativas de golpe de estado, das ameaças separatistas e dos planos de magnicídio?

O que há é um governo que cumpriu com as suas promessas eleitorais e que, por isso mesmo, desenvolveu uma ativa política social que lhe garantiu a indelével gratidão de seu povo: o Vale Juancito Pinto, que chega a mais de um milhão de crianças; a Renda Dignidade, um programa universal para todos os bolivianos com mais de 60 anos sem renda alguma; o Vale Juana Azurduy, para as gestantes. Um governo que erradicou o analfabetismo aplicando a metodologia cubana do programa ?Sim Eu Posso?, o que permitiu alfabetizar a mais de um milhão e meio de pessoas em dois anos, razão pela qual em 20 de dezembro de 2008 a UNESCO (não os partidários de Evo) declarou a Bolívia território livre do analfabetismo.

Trata-se de uma conquista extraordinário para um país que sofreu uma secular história de opressão e exploração, afundado por suas classes dominantes e seus senhores imperiais em uma dolorosa pobreza, apesar da imensa riqueza que guarda em suas entranhas e que, recentemente, com o governo de Evo, é recuperada e posta a serviço do povo. Por outro lado, o solidário internacionalismo de Cuba e da Venezuela também permitiu a construção de numerosos hospitais e centros médicos, ao mesmo tempo em que milhares de pessoas recuperaram a visão graças à Operação Milagro.

Importantes avanços também foram registrados em matéria de reforma agrária: cerca de meio milhão de hectares foram transferidos para as mãos dos camponeses e na anunciada recuperação das riquezas básicas (petróleo e gás), o que em seu momento provocou o nervosismo de seus vizinhos, especialmente do Brasil, mais preocupado em garantir a rentabilidade da Petrobrás do que em cooperar com o projeto político de Evo.

Por último, o cuidadoso manejo da macroeconomia tem permitido à Bolívia, pela primeira vez na sua história, contar com importantes reservas estimadas em 10 bilhões de dólares e uma situação de bonança fiscal que, somada à colaboração da Venezuela nos marcos da ALBA, permitiu a Morales realizar numerosas obras de infraestrutura nos municípios e financiar a sua ambiciosa agenda social.

Claro que ainda há muitas coisas pendentes e nem tudo o que foi feito está isento de crítica. Em nota recente, Pablo Stefanoni, editor do Le Monde Diplomatique na Bolívia, advertia sobre a instável convivência entre ?uma pregação eco-comunitarista nos fóruns internacionais e um discurso desenvolvimentista sem muitos matizes no âmbito interno.? Ainda que exista a tensão, é preciso reconhecer que a vocação eco-comunitarista de Evo transcende o plano de suas performances nos fóruns internacionais: seu compromisso com a Mãe Terra, a Pachamama, e os povos originários é sincero e efetivo e tem indicado um marco na história de Nuestra América. Obviamente o extrativismo do padrão de desenvolvimento boliviano é inegável, mas também inevitável, dadas as características brutalmente predatórias que a acumulação capitalista assumiu na Bolívia. Pensar que da noite para o dia o governo popular poderia sustentar um modelo de
desenvolvimento alternativo deixando de lado a exploração das imensas riquezas minerais e energéticas deste país é completamente irreal.

A Bolívia não tem ao seu alcance, ao menos por agora, uma opção como a que em seu momento tiveram a Irlanda ou a Finlândia. Mas seria injusto ignorar que a orientação de seu modelo econômico e o seu forte conteúdo distribuidor separa-o claramente de outras experiências em marcha no Cone Sul. E isso sem falar da assumida intenção de Evo em avançar na complicada - e, por isso mesmo, lenta e cheia de vigilâncias - construção de um renovado socialismo, algo que nada tem a ver com o nebuloso ?capitalismo andino-amazônico? que alguns insistem em apresentar como uma tão inexorável como inverossímil ante-sala do socialismo.

Todos estes êxitos, somados à sua absoluta integridade pessoal e a uma cotidianidade espartana (que contrasta muito favoravelmente com as volumosas fortunas ou os elevados padrões de consumo que outros líderes e políticos ?progressistas? da região exibem) têm feito de Evo um líder dotado de um formidável carisma pessoal que lhe permite derrubar qualquer rival que se atreva a desafiá-lo na arena eleitoral. Mas ainda por cima, sua permanente preocupação em conscientizar, mobilizar e organizar a sua base social ? deixando de lado os desprestigiados aparatos burocráticos que, como na Argentina, no Brasil e no Chile não mobilizam nem conscientizam ninguém - não apenas satisfaz a impostergável necessidade de construir uma subjetividade apropriada para as lutas pelo socialismo como também, ao mesmo tempo, se constitui em uma carta decisiva na hora de prevalecer na arena eleitoral.

As forças da atribulada ?centro-esquerda? do Cone Sul, que têm diante de si um futuro político pouco promissório levando-se em conta o crescimento da direita alimentado por seu resignado ?possibilismo? [pragmatismo], fariam bem em tomar nota da luminosa lição que oferece o triunfo de Evo nas eleições do domingo passado. Uma lição que demonstra que frente ao perigo da restauração do domínio da direita a única alternativa possível é a radicalização dos processos de transformação em curso. Derrotada no terreno eleitoral a direita dobrará a sua ofensiva nos múltiplos cenários da luta de classes. Seria suicida supor que se inclinará sem oferecer batalha diante de um revés eleitoral. Oxalá se aprenda também esta lição.

(tradução de Rodrigo Oliveira Fonseca. Texto original em www.atilioboron.com )

Acesso à internet aumenta 75,3% em três anos

Estudo revela também que mais da metade dos brasileiros possui telefone celular

De 2005 a 2008, o percentual de brasileiros a partir de dez anos de idade que acessaram ao menos uma vez a Internet pelo computador aumentou 75,3%, passando de 20,9% para 34,8%, ou 56 milhões de usuários, em 2008. No mesmo período, a proporção dos que tinham telefone celular para uso pessoal passou de 36,6% para 53,8% da população com dez anos ou mais. Os números são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2008, divulgados nesta sexta-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Embora os mais escolarizados tenham usado com maior frequencia a rede mundial de computadores, o acesso cresceu mais entre aqueles com menos anos de estudo. O percentual de usuários com 15 anos ou mais de estudo era de 80,4%; entre os com 11 a 14 anos de estudo, 57,8%; com 8 a 10 anos de estudo, 38,7%; com 4 a 7 anos de estudo, 23,4%; e entre as pessoas sem instrução ou com menos de 4 anos, 7,2%. Em todos os níveis de escolaridade, foi observado aumento do acesso em relação a 2005.

O principal local de acesso à Internet é o próprio domicílio, seguido pelos centros públicos de acesso pago ? ou lan houses -, que superaram o local de trabalho (segundo local de acesso em 2005). Também houve mudança no principal motivo que leva as pessoas a usarem a Internet: 83,2% acessaram a rede em 2008 para se comunicar com outras pessoas. Em 2005, o principal motivo era educação ou aprendizado, que caiu para o terceiro lugar.

Banda Larga ? Dos que acessaram a Internet no domicílio em 2008, 80,3% o fizeram somente pela banda larga; 18,0% unicamente por conexão discada e 1,7% das duas formas. Em relação a 2005, o aumento da conexão por banda larga foi bastante expressivo: naquele ano o percentual foi de 41,2%. Regionalmente, a conexão por banda larga também foi disseminada e passou a ser a principal forma de acesso, com destaque para o Centro-Oeste, onde 93,4% das pessoas a usavam contra 57,1% em 2005.

Celulares - Em 2008, mais da metade (53,8%) da população com dez anos ou mais de idade, ou seja, cerca de 86 milhões de pessoas, tinham telefone celular para uso pessoal ? percentual que era de 36,6% em 2005, que corresponde a 56 milhões de pessoas. De 2005 para 2008, enquanto essa parcela da população cresceu 5,4%, o contingente daqueles que possuíam celular teve aumento de 54,9%. Das pessoas que tinham celular para uso pessoal, 44,7% (38,6 milhões) não tinham telefone convencional no domicílio em que moravam, percentual que era decrescente de acordo com o aumento do rendimento mensal domiciliar per capita.

sábado, 12 de dezembro de 2009

QUANDO O ROCK CAMINHA AO LADO DA COMUNICAÇÃO

A banda Rock'n Rony é formada de três jornalistas e um publicitário

Música é comunicação. Quem sabe muito bem disso é a banda Rock'n Rony, composta de três jornalistas e um publicitário, que no melhor estilo rock´n roll usa as melodias para informar e transformar através da arte. A banda existe há um ano, e surgiu naquelas velhas e conhecidas histórias: “quando acaba uma banda surgem pelo menos outras três”. É assim que o baixista Roni Pimentel definiu o surgimento da Rock'n Rony, que também tem Maurício Bevervanso na bateria, Rômulo no vocal e Edson Rimonatto na guitarra.

O fato da banda ser composta de comunicadores sociais, pode ter sido coincidência ou não. No final de 2008, cerca de 10 anos depois que Roni havia saído de sua banda em Foz do Iguaçu, bateu, como ele mesmo explica “aquela vontade de voltar a tocar”. Nessa época conheceu o Rima (Edson Rimonatto), quando foram fazer um trabalho juntos. “O Rima toca guitarra desde sempre e estava com problemas na sua banca antiga. Ai foi rapidão para as ideias baterem”, comentou Roni.

A partir daí foram a “caça” dos outros talentos musicais para compor a banda. Roni já conhecia o Rômulo, que apesar de nunca ter tocado em banda, “tem a música nas veias”. A bateria foi um pouco mais complicado, mas o reencontro com Maurício Bevervanso, que já tocou em várias bandas de Foz do Iguaçu, completou o quarteto.

De Cazuza a Black Sabbath
As influências musicais da banda são bem ecléticas, mas dentro de um único estilo, o rock´n roll. “Minhas bandas sempre foram punk rock e hardcore. O Rima veio do death metal extremo. A Zilda (Maurício Bevervanso) quase sempre tocou em bandas heavys, meio melódico até. O Rômulo, que veio de Pato Branco, nunca teve banda, mas conhece todos os estilos”, comenta Roni.

A banda compõe musicas próprias, com letras de personagens dos seus imaginários ou até mesmo de suas realidades. Também fazem covers de bandas que vão de ACDC, Deep Purple e Black Sabbath, até Legião Urbana, Titãs e Cazuza.

Para Roni Pimentel a música representa uma sensação de liberdade, um vôo num universo paralelo. “A música é a forma de expressar uma rebeldia. Então, música é comunicação. Aliás, é só comunicação e sempre esteve ligada as transformações. Mesmo que seja apenas por um assovio, um ruído qualquer”, finaliza.

Por Carolina Wadi, de O Paraná

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Comentário de um coxa branca tomando chá de cadeira‏*

Meu caro Juca;

Acompanho seu trabalho faz muito tempo, e sem precisar jogar confete, considero você, ao lado do Trajano e Tostão, as "penas e vozes" mais lúcidas da nossa crônica esportiva.

Você tem defendido que a provável e, com certeza, justa punição contra o Coritiba, tenha que ser exemplar, e desde que seja aplicada a outros clubes no futuro. Mas é justamente ai que mora o perigo...

No longínquo 1989, fatídico ano em que um fálido e desconhecido sujeito chamado Ricardo Teixeira ganhou a presidência da CBF do seu famoso sogro, houve um imbróglio entre o Coritiba X CBF. Para entender melhor, segue abaixo trechos de uma reportagem da Gazeta do Povo:

4/10/1989 – Na vitória do Coriti­­ba por 2 a 1 sobre o Sport, um tor­­cedor se aproveita da reforma do Couto Pe­­rei­­ra para invadir o gra­­mado e bater em Rafael Cam­­marota, goleiro do time per­­­­nam­­bucano. O clube é punido com a perda de um mando de jogo. Na se­­quência, a CBF determina que o con­­fronto com o Santos seja dis­­putado em Juiz de fora (MG). A diretoria alviverde aceita a punição, mas pede que a par­­tida seja dis­­putada no mesmo dia e horário de Sport x Vas­­co (25/10) – o Co­­­­­xa disputa com a equi­­pe carioca um lugar na segunda fase.

20/10/89
– O Coritiba consegue uma liminar permitindo que a partida com Peixe seja jogada simul­­ta­­nea­­mente à do Vasco com o Sport.

21/10/89
– Reunião de diretoria no Couto Pereira decide que o Coritiba não vai a Juiz de Fora.

22/10/89
– O Santos entra em campo e é declarado vencedor por W.O.

23/10/89
– A CBF cassa a liminar e sus­­pen­­de o clube por 1 ano de competições oficiais.

12/12/89
– Jacob Mehl, sucessor de Ba­­yard Osna, costura acordo com Ri­­cardo Teixeira. O Coritiba retira a ação na Jus­­tiça Comum. A CBF per­­mite que o Coxa dispute a Série B em 1990. O clube só voltaria à elite em 1996.

Naquele ano, o Coxa foi implacavelmente eliminado do campeonato (e tinhamos uma equipe pra lutar pelo título) e rebaixado para a segunda divisão, isto num ato de "benevolência" deste repugnante e até hoje presidente da CBF. Mas tal punição "exemplar" foi aplicada em outras equipes por deixarem mandar seus times a campo?

Pra citar apenas dois casos de times com sede no Rio de Janeiro: No campeonato carioca de 1998, tanto o Botafogo como o Flamengo não compareceram para jogar contra o Vasco da Gama. E o que aconteceu??

O Coritiba merece ser punido, mas não podemos ter a ilusão de que uma punição "exemplar" vinda da caneta do mandatário da CBF servirá de base futuras punições aos times chamados grandes do Brasil.

Somos uma grande nação, um clube centenário com uma torcida linda e apaixonada que não tem nada a ver com esses vândalos.

Forte abraço.
Sandro L. Querino

* referência ao bordão utilizado pelo Joca Kfouri em seu programa na CBN: Tomando chá de cadeira esperando a queda do Ricardo Teixeira

Brasil é mais desigual que Argentina no IDH

Diferença do maior para o menor indicador nos Estados brasileiros é quase o dobro da distância entre a melhor e a pior província argentina

As desigualdades regionais no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Brasil são quase o dobro das da Argentina, de acordo com os números mais recentes dos dois países. A distância entre o maior IDH brasileiro (de Brasília) e o menor (Alagoas) é 95% maior que o fosso entre o máximo (província de Buenos Aires) e o mínimo (Formosa) argentino.

Os números da Argentina estão no Relatório de Desenvolvimento Humano da Argentina, recém-divulgado pelo PNUD, e referem-se a 2006. Os do Brasil estão no estudo Emprego, Desenvolvimento Humano e Trabalho Decente – A experiência brasileira recente, lançado no ano passado, e são de 2005.

Embora o IDH do Distrito Federal (o maior do Brasil, de 0,874) supere o índice da província autônoma de Buenos Aires (o maior IDH da Argentina, com 0,869), no extremo oposto a vantagem se inverte. O pior índice argentino (Formosa, com 0,768) é maior do que o de metade dos Estados brasileiros, ficando muito acima de Alagoas, com 0,677. Na Argentina, 15 das 24 províncias podem ser consideradas de alto desenvolvimento humano (IDH igual ou maior a 0,800); no Brasil, apenas 10 de 27 unidades da federação.

Além disso, a desigualdade regional também caiu mais na Argentina, apesar da crise enfrentada pelo país no início desta década. De 1996 a 2006, a diferença entre a província argentina com pior e a com melhor IDH recuou 10%; no Brasil, de 1995 a 2005, a diminuição foi de 9%.

“O Brasil, historicamente, tem grandes diferenças entre as regiões Sudeste e Norte e Nordeste, que se refletem em indicadores sociais muito desiguais. A industrialização concentrada no Sudeste na década de 50 levou a fluxos de migração nos anos 70 e 80 que aprofundaram a desigualdade. As regiões mais populosas receberam mais verbas para infraestrutura e o Nordeste foi desfavorecido, criando condições piores de serviços públicos”, analisa Renato Baumann, diretor do escritório da CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e o Caribe) no Brasil e coordenador do estudo que traz o IDH dos Estados brasileiros.

Na Argentina, observa o economista, isso não aconteceu com a mesma intensidade. “A distribuição é mais homogênea, herança um pouco do modelo de imigração. Ao contrário do Brasil, que baseou suas atividades no trabalho escravo durante muito tempo, a Argentina começou mais cedo a receber migração para trabalho assalariado na manufatura do couro, o que pesa menos que a escravidão em termos de indicadores sociais para as próximas gerações”, compara Baumann.

Semelhanças

Embora o nível de desigualdade entre as regiões seja diferente, em ambos os países os piores índices se concentram na região Nordeste e os melhores, no Sul. Enquanto os nove estados nordestinos detêm os nove piores IDHs no Brasil, das seis províncias de Gran Chaco e Mesopotâmia, no Nordeste argentino, cinco estão nas últimas posições.

Já nas duas regiões mais ao sul da Argentina, Patagônia e Pampas, estão oito dos dez melhores IDHs do país. Coincidentemente, os sete estados do Sudeste e do Sul estão entre os 10 melhores IDHs brasileiros.

“O sul da Argentina tem poucas pessoas, é rico, e tem algumas das terras mais férteis do mundo. Com poucas pessoas e uma riqueza grande sendo gerada pelo agronegócio, parece plausível que a renda puxe o IDH para cima neste caso”, pontua Baumann. A hipótese de Baumann parece se confirmar nos dados divulgados pelo relatório de Desenvolvimento Humano da Argentina. Entre as dez províncias com maior subíndice de renda do IDH, oito estão localizadas no sul do país.

A Argentina ocupa atualmente a 49ª posição no ranking do IDH, com destaque no subíndice de educação, o 37º melhor do mundo. Já o Brasil está na 75ª posição, também considerado de alto desenvolvimento humano, embora seus subíndices de renda e de esperança de vida estejam abaixo de (0,800). A educação é também o campo onde os brasileiros se saem melhor (70ª posição do ranking).

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Índices Surpreendentes‏

Por Carlos Castilho - Carta Maior - de São Paulo

Fala-se muito na crise das publicações impressas, como jornais e revistas, mas quando se analisa os dados reais percebe-se que a situação é muito mais grave do que imaginamos e que a busca por novos modelos de negócios é ainda mais urgente do que se previa.
Quando você descobre que a Folha de S.Paulo, considerada um dos três mais influentes jornais do país, vendeu em média 21.849 exemplares diários em bancas em todo o território nacional entre janeiro e setembro de 2009, é possível constatar a abissal queda de circulação na chamada grande imprensa brasileira. Em outubro de 1996, a venda avulsa de uma edição dominical da Folha chegava a 489 mil exemplares.
Segundo o Instituto Verificador de Circulação (IVC) a Folha é o 24º jornal em venda avulsa na lista dos 97 jornais auditados pelo instituto, atrás do Estado de S.Paulo, em 19° lugar e O Globo, em 15° lugar. Somados os três mais influentes jornais brasileiros têm uma venda avulsa de quase 96 mil exemplares diários, o que corresponde a magros 4,45% dos 2.153.891 jornais vendidos diariamente em banca nos primeiros nove meses de 2009.
São números muito pequenos comparados ao prestígio dos três jornalões, responsáveis por boa parte da agenda pública nacional. Globo, Folha e Estado compensam sua baixa venda avulsa com um considerável número de assinantes, o que configura a seguinte situação: Os três jornais dependem mais do que nunca das classes A e B, que são maioria absoluta entre os assinantes, já que a população de menor renda é a principal cliente nas compras avulsas em bancas.
Esta constatação não é nova, mas ela aponta um dilema crucial: As classes A e B são aquelas onde a penetração informativa da internet é mais intensa. Nesta conjuntura, o futuro de O Globo, Estado e Folha depende umbilicalmente das classes média e alta, o que levou a uma disputa acirrada para saber qual deles interpreta melhor a ideologia destes segmentos sociais.
O atual perfil da imprensa brasileira mostra que os três grandes jornais nacionais agarram-se à classe média para manter assinantes e influenciar na agenda política do país, mesmo com tiragens reduzidíssimas, correspondentes a menos de 5% da média da venda avulsa nacional.
Nos últimos nove meses houve uma pequena recuperação nos índices de venda avulsa do Globo, Estado e Folha em 2009. O IVC registrou um crescimento de 5,5 % em relação aos quatro últimos meses do ano passado. É um aumento bem acima da média dos 97 jornais auditados pelo IVC, cuja venda avulsa diária total subiu insignificantes 0,27% no mesmo período. Mas a recuperação tem que ser vista num contexto de patamares muito baixos e que não garantem a rentabilidade futura dos jornais.
Em compensação os jornais locais e populares ocupam um espaço cada vez maior na mídia nacional. Dos dez jornais com maior venda avulsa, segundo dados do IVC, nove são claramente populares, voltados para as classes C e D. Destes, dois são de Minas Gerais, um do Rio Grande do Sul, cinco do Rio e dois de São Paulo. Somados eles chegam a uma venda avulsa diária média de 1.401.054 exemplares, ou seja 64,5% de todos os jornais auditados entre janeiro e setembro do ano passado.
O jornal Super Notícia, de Belo Horizonte, vende em bancas, em média, 290.047 exemplares (13,47% de todos os jornais auditados pelo IVC) - o que corresponde a cerca de 13,2 vezes a circulação avulsa da Folha de S.Paulo, em todo o país. Números que indicam uma clara tendência do mercado da venda avulsa de jornais no sentido das publicações populares, regionais, com apelo sensacionalista.
Isto também significa que os grandes jornais, tradicionais vitrines da agenda nacional, dependem, hoje, mais do prestígio herdado do passado do que do fluxo de caixa. A sua principal matéria prima, a notícia, perdeu valor de mercado em favor da opinião. Um prestígio que ainda alimenta uma receita publicitária compensadora, principalmente no setor imobiliário, de supermercados e revendas de automóveis, mas cujos dias também estão contados porque a migração destes segmentos para a internet é cada vez maior.
O conglomerado Globo aposta cada vez mais nos jornais populares regionais e segmentados - como o Extra, no Rio. Talvez busque inspiração no caso do Lance!, um jornal esportivo que vende, na média diária, 124 mil exemplares em bancas e jornaleiros. No sul, o grupo RBS aposta no Diário Gaúcho, o terceiro em vendas avulsas no ranking nacional do IVC e 8,4 vezes maior do que a do carro chefe do conglomerado, o jornal Zero Hora.

Carlos Castilho é jornalista.
Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Curtas e Grossas

Nova atração
Depois do Mensalão do LULO-petismo, Valerioduto Azeredo-Tucano, entra em cartaz o Mensalão do DEMO, um verdadeiro banho de "Arruda"

Questão Fashion
Petistas só de cuecas, Demos só de meias.

Tucanos Empoleirados
O presidente nacional do Tucanato subiu no muro. A questão da escolha do candidato a governador devera ser decisão dos próprios paranaenses.
Quem viver verá...

ARRUDINHA
Comenta-se a boca pequena que o "Príncipe" João Arruda I, pode adotar o codinome João Requião. Seriam dois os motivos:- Desligar-se do acidente automobilístico que provocou duas mortes e o outro , mais obvio, evitar qualquer semelhança ou parentesco com o governador do DF-Arruda.

De orelha em Pé
Precaução e canja de galinha não fazem mal a ninguém. Sabias palavras ditas pelo Presidente Estadual do PTC, Tércio Albuquerque, em recente encontro da agremiação em Curitiba.
Referia-se a política de alianças do Partido no Paraná.
-Já pensaram se nos anteciparmos e explodir algo semelhante ao escândalo de Brasília?
Estaria fazendo previsões?

Pergunta que não quer se calar...
Seria o DEM um aliado oportuno?
No Paraná, qual a repercussão do Mensalão/Demo?
Taniguchi e importante secretário de Arruda. E de Curitiba, e bicho do Paraná.

Exaltante
Apesar da indefinição do PSDB paranaense, o senador Álvaro Dias, tem o que comemorar nesta segunda-feira.
Felicidades e boa sorte ao senador!

Uma imagem, mil palavras...
Contrariando a lógica, para o Presidente Lula, imagem não e tudo.
Tentou minimizar o escândalo Arruda/DEM, pedindo cautela ao clamor popular.
Gato escaldado tem medo de água fria...

Fogo amigo I
Pré-candidatos a Federal na chapa do PMDB, prometem "vazar" dossiês do acidente provocado por João Arruda em Curitiba.
Esperar pra ver...

Fogo Amigo II
O espectro do PRTB, mais a amizade/parceria com o Lernismo, tomarão fôlego na disputa internado Tucanato Paranaense?

Alo Londrina!
Barbosinha começou a botar as manguinhas de fora.
Se arrebenta ou termina de arrebentar com Londrina?

Campanha da Coluna
-Eu boto fé e nos Francenildos!

COXA - Time de franguinhas no ano do centenário

De toda aparente desgraça, deve surgir uma lição, um saldo.
O COXA tem que perder esse complexo de time Médio ou até pequeno.
Sim, pq um time que em 3 anos cai duas vezes pra segunda divisão quer ser comparado a quem?
Seu elenco era bastante limitado. Um dos "craques" do time era aquele rapaz franzino e cabeludo, não sei que lá Paraíba. Pobre-diabo, não aguenta uma dividida! No Estado de São Paulo só seria titular num time da SÉRIE A3.
O Time, estou falando do Time não do Clube ou sua Torcida, tem um nível assim... de Portuguesa de Desportos.
Quando digo perder o complexo me refiro a isso, assumir que o Coxa se disputasse o Campeonato Paulista, fatalmente ficaria entre os últimos colocados, se não caísse.
Formar um bom elenco(mandar esses come-dorme todos pro OLHO DA RUA)com jovens da base mais alguns destaques do Interior que ainda se compra a preço de banana.
Reformar essa diretoria que não deve aguentar uma auditoria externa pois devem estar METENDO A MÃO, levar a sério o Regional, ao menos esse deve ter chances reais de se classificar num eventual G-4.
Sem ilusões, sem visão conspiratória, resignar-se a fraqueza a covardia e fragilidade de um bando de "franguinhas" que este elenco representava.
Limpeza Geral, FAXINA no alto da Glória, juntar os cacos, prender dois ou tres dirigentes, seria um bom começo...
Lamentável, mas absolutamente previsível...
Até a SEGUNDA, e olhem, se não mudar...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

BARBOSA NETO ATACAVA REQUIÃO... E AGORA?

O SR. BARBOSA NETO (Bloco/PDT-PR. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, Deputado Átila Lins, Sras. e Srs. Deputados, quero, de forma humilde, trazer ao conhecimento deste Parlamento alguns números, algumas impressões e alguns argumentos acerca do Estado do Paraná, que possui 10 milhões de habitantes e tem o quinto maior PIB do País, perdendo apenas para São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
Como vivemos em um país de Terceiro Mundo, verificamos que existem 2 Paranás em um mesmo Estado. Em algumas regiões - o norte pioneiro, por exemplo, chamado de Ramal da Fome -, há pessoas vivendo abaixo da linha da miséria. Trata-se de região com um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano do País. Ao mesmo tempo, a bela Curitiba e outras grandes cidades do Estado do Paraná têm referenciais econômicos comparáveis aos de países de Primeiro Mundo.
Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados, precisamos, na condição de representantes da comunidade, traçar aqui um quadro isento e correto do que vemos no terceiro Governo de Roberto Requião de Mello e Silva. Trata-se de um homem preparado. Jornalista, advogado, ex-Prefeito, ex-Deputado e ex-Senador, possui grande inteligência. Mas o conhecemos também pela falta de inteligência emocional. Nós o conhecemos pelos embates que muitas vezes podem parecer causas nobres, mas na verdade são brigas insossas que acabam prejudicando o nosso Estado.
É justamente pela falta de visão estratégica que observamos que trazemos a este plenário alguns números e impressões. No discurso, nós admiramos muito o Governador do Paraná. Quem não quer um governo progressista, que diz ter como cartilha a Carta de Puebla, que diz ter opção preferencial pelos pobres? Na prática, vivemos num Estado ainda arcaico, com uma administração centralizada, com o nepotismo imperando. Para se ter idéia, são 17 os parentes empregados no primeiro e no segundo escalões do Governo do Estado: esposa, filhos, primos, irmãos. Falta ainda gestão técnica, acima de tudo comprometida com a melhoria da qualidade de vida do povo paranaense.
Basta citar, por exemplo, o Porto de Paranaguá, que, sem dúvida alguma, sempre levou a melhor das visões do Estado para o mundo inteiro. Vimos ali filas de caminhões, na maioria carregados de soja, que ganhavam a mídia nacional e internacional, ao despejarem a riqueza paranaense para ser exportada para o mundo inteiro.
Um irmão do Governador, um psiquiatra que assumiu cargo administrativo e técnico, conseguiu acabar com as filas, é bem verdade. Era o segundo porto do Brasil em termos de tamanho e o sexto maior do mundo. Movimentava milhões e milhões de toneladas. Hoje, temos produzido riqueza para os Estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Aliás, o Governador do Paraná, por fomentar o desenvolvimento em Santa Catarina, recebeu no ano passado o título de Cidadão Honorário daquele Estado.
Mas queremos citar outro exemplo: o Paraná é considerado o celeiro do País, por ser responsável por 25% dos grãos produzidos no Brasil. Mas chegou ao ponto o Governador Roberto Requião de mandar prender pequenos agricultores que, de forma desavisada, utilizavam insumos agrícolas de empresas multinacionais.
Chegamos ao caos, quando o Governador perseguiu agricultores e impediu o avanço das pesquisas nas áreas de Ciência e Tecnologia. Tive o prazer de visitar, quando exercia o mandato de Deputado Estadual e era Relator de uma comissão investigativa, local invadido por movimentos populares, uma área utilizada para pesquisas há mais de 30 anos. Pesquisas de 30 anos foram destruídas e perdidas.
Citamos ainda o fato de que o Governador, com a sua verve centralizadora, assumiu a responsabilidade de ser também Secretário de Estado da Segurança Pública. Depois de algum tempo, não suportando as pressões, deixou o cargo. Hoje, os jornais mostram que no Paraná estão 3 das cidades mais violentas do Brasil. Proporcionalmente, a cidade de Curitiba registra maior número de assassinatos do que São Paulo e Rio de Janeiro, Estados em que houve decréscimo na prática desse tipo de crime.
São equívocos, deslizes administrativos que precisamos trazer a esta Casa.
Podemos citar, por exemplo, a Companhia Paranaense de Energia Elétrica - COPEL, que tem o maior lucro dentre todas as empresas estatais do ramo de energia elétrica. Mas não se observa, na prática, nem mesmo a adoção de tarifas mais baixas, principalmente para as pessoas com menores condições financeiras. De que adiantam os lucros milionários, ou bilionários até, se não tem a função precípua de levar energia de qualidade e barata para a população, principalmente para a mais humilde do nosso Estado?
Ouço, com prazer, o Deputado Mauro Benevides.
O Sr. Mauro Benevides - Deputado Barbosa Neto, V.Exa. faz neste momento, da tribuna, críticas ao Governador Roberto Requião, que conheci de perto, uma vez que integramos o mesmo partido. Sempre nutri respeito por S.Exa., quer como Senador, quer como Governador, quer como homem público, sobretudo pela penetração inquestionável que tem junto ao povo paranaense, já obtendo repercussão nacional e até vínculos de simpatia em âmbito internacional. E me permitiria lembrar a V.Exa. o seguinte: o Governador Roberto Requião foi reeleito para dirigir os destinos do Paraná; S.Exa. se submeteu àquele tribunal soberano e inexorável que, às vezes, é muito contundente em seu julgamento, mas que, em relação ao Governador Roberto Requião, reiterou a confiança para que administrasse o Estado crescente e progressista que se destaca nacionalmente. Os simples fatos de aqui e ali, conforme V.Exa. menciona, haver diminuição da movimentação no Porto de Paranaguá; de a onda de violência que assola o País atingir também o seu Estado, talvez não possam denegrir a imagem de alguém que, pela segunda vez, tem a responsabilidade de dirigir o grande Estado do Paraná, depois de ter também completado aquele ciclo de vivência legislativa que fez com que assimilasse mais experiência, mais tirocínio, mais clarividência, mais descortino para cumprir as suas responsabilidades de homem público. Correligionário do Governador Roberto Requião, sinto-me no dever de oferecer a V.Exa., no instante do seu discurso, este meu testemunho. Espero que todos esses fatos que V.Exa. menciona sejam superados até o final da Administração Requião através de atitudes corretas que se sintonizem com o seu passado de lutas em favor do povo paranaense. Muito obrigado.
O SR. BARBOSA NETO - Agradeço ao nobre Deputado Mauro Benevides, que já foi Presidente do Congresso Nacional e que tem o seu nome registrado no Guinness World of Records como um dos Parlamentares que mais utilizou a palavra.
É uma satisfação ser aparteado por V.Exa., mas me permita discordar do que disse.
Este é o terceiro mandato do Governador Roberto Requião, e eu esperava que a experiência dos anos de convivência com a democracia pudesse tornar melhor a sua administração. Infelizmente, ao contrário de V.Exa., o Governador do Paraná tem tido rompantes de ira, o que nos tem preocupado. Pensamos que S.Exa. estivesse passando por problemas psicológicos, até de sanidade mental, haja vista que há 2 anos um colega meu, jornalista, do Jornal de Londrina, no Município de Centenário do Sul, teve seu dedo quebrado pelo Governador, quando tentava fazer-lhe uma pergunta.
Vale ressaltar que a Revista ISTOÉ desta semana veicula artigo em que mostra que raramente um governante que se utiliza da máquina administrativa consegue perder uma disputa para a reeleição. Foi assim com Fernando Henrique Cardoso e tem sido assim com a maioria dos governantes que se utilizam do Poder para nele se perpetuarem.
Além do mais, se o Governador Roberto Requião fosse tão bom assim, não teria vencido a eleição por apenas 5 mil votos de diferença, num Colégio Eleitoral com mais de 6 milhões de votantes. Vencer por 0,001%, com apenas 5 mil votos de diferença, realmente prova que o rei está nu ou que essa liderança pode ser contestada.
Vamos falar um pouco da área de saúde.
Hoje pela manhã foi promovido um protesto na cidade de Londrina. Não foi por falta de aviso e de denúncia, inclusive desta tribuna. O Governador Roberto Requião, que tem a preferencial opção pelos pobres, que diz rezar pela Carta de Puebla, negou-se a socorrer pessoas que não têm condições de comprar medicamentos de alto custo - portadoras de doenças especiais que estão morrendo na fila, à espera de atendimento, porque S.Exa. não cede pelo menos o remédio que pode salvar a vida de irmãos paranaenses menos aquinhoados pela sorte.
Já morreram 6 pessoas nas filas; outras 48 estão à mercê da boa vontade dos agentes públicos para receber esses medicamentos. Quero citar o caso de Alberto Wust, que tem a chamada doença de Fabry. Sentindo dores insuportáveis, precisa de 36 mil reais por mês para continuar o seu tratamento, que é negado pelo Governador Roberto Requião.
O Estado do Paraná é um dos poucos do Brasil que não respeitam a Constituição e não investem os 12% das suas receitas fiscais na área da saúde conforme deveriam.
Outro paciente, o menino Vítor Rinaldi, de apenas 6 anos de idade, é tetraplégico. Sem o remédio especial, aumentam as suas crises convulsivas, e ele sente dores musculares intensas. A sua respiração está comprometida, e o aumento de secreção no aparelho respiratório pode agravar o quadro de saúde desse menino, que, mais cedo ou mais tarde, pode vir a morrer, como já morreram outras 6 pessoas por falta de ação do Estado, que tem a obrigação de cuidar das famílias, principalmente das mais pobres.
E esse Governador que se diz assinante da Carta de Puebla não dá remédio a quem está moribundo, numa fila de hospital. Não podemos compreender essa situação e não podemos ficar calados diante de tudo isso. Realmente falta visão estratégica ao Governador do Paraná.
Uma série de equívocos foram cometidos por S.Exa., que se elegeu dizendo que acabaria com os pedágios, mas não discutiu o assunto com os representantes das concessionárias. Pelo contrário: criou um adendo no contrato para que as empresas ficassem desobrigadas das obras estruturais de duplicação e de melhoria das rodovias. Hoje pagamos pedágio apenas para que cortem o mato, pintem faixas e conservem a rodovia, sem investimentos. Pagamos o pedágio mais caro do mundo, conforme os recentes levantamentos comparativos feitos por ocasião das novas licitações, Sr. Presidente, Deputado Manato, Sras. e Srs. Deputados.
Vou falar mais uma vez do Porto de Paranaguá, cujo calado possibilitava o acesso de navios estrangeiros, extremamente bem-vindos por trazerem recursos de arrecadação importantíssimos para o equilíbrio fiscal do Estado. Hoje, o calado tem apenas 13 metros, o que impede o acesso de grandes navios cargueiros. Por isso, o Porto de Paranaguá não é mais o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, muito menos o quinto dentre os maiores portos brasileiros, lamentavelmente.
O Governador afugentou os investimentos e fez crescer a violência no Estado do Paraná. S.Exa. se arvorou em xerife da segurança pública estadual e abdicou da função depois que esse navio começou a afundar. Hoje, Londrina, Curitiba, Foz do Iguaçu e outras cidades paranaenses, infelizmente, são as Capitais da violência e dos assassinatos.
Sr. Presidente, sou autor da lei que garante educação em tempo integral no Estado do Paraná, haja vista que temos um dos menores índices de escolaridade do Sul do Brasil, que pagamos os menores salários a professores e funcionários da rede pública estadual, que temos o maior índice de evasão escolar e de repetência. Infelizmente, os percentuais de investimento em educação têm sido ignorados pelo Governador, que se diz preocupado com os mais pobres.
Sabemos que só por meio da educação poderemos transformar o nosso Estado. Só a partir do interesse em planejar, em pensar o Estado como um todo, poderemos melhorá-lo. Falta projeto, falta rumo, falta planejamento estratégico. Não vemos rodovias serem construídas; ferrovias e hidrovias foram abandonadas.
O Paraná é um Estado abençoado por Deus, cortado por rios com grande potencial de navegabilidade, mas todos os projetos relativos à construção de portos e aeroportos foram esquecidos. Não há qualquer tipo de investimento em infra-estrutura de transporte.
E agora, por conta de uma picuinha com o Presidente Lula, que daria a ordem de serviço para que o Programa de Aceleração do Crescimento - PAC fosse lançado no Paraná - o Governador solicitou uma reunião restrita, mas o Presidente Lula queria que fosse aberta, para falar diretamente à população -, a Capital do Estado foi simplesmente riscada do mapa. Ficará para uma próxima oportunidade a ida de S.Exa. à Capital paranaense, a fim de firmar convênios para a realização de obras estruturais, planejadas pelo Governo Federal.
Pasmem, Sr. Presidente, Sras. e Srs. Parlamentares! O Governador, que está há 7 anos no cargo, jamais reuniu a bancada de Deputados Federais e de Senadores para pedir auxílio na destinação de recursos para o Estado do Paraná. Jamais enviou representante ou carta de intenções acerca dos pontos estratégicos que gostaria fossem contemplados. Chegou a devolver recursos destinados ao Porto de Paranaguá, que está sob ameaça de intervenção federal, por desfaçatez ou outro nome que possa ilustrar tal situação. S.Exa. poderia ter enviado o Secretário de Planejamento à reunião da bancada para debater os investimentos orçamentários no Estado do Paraná, mas não o fez.
Infelizmente, todos os dias traça planos para brigar. Briga com o Ministério Público; agride a Justiça; agride fisicamente jornalistas; e realmente tem querelas com a cidade de Londrina, onde perdeu 77% dos votos para o Senador Osmar Dias. Nunca mais voltou à cidade. Paralisou investimentos, como os que seriam feitos no Jardim Botânico e em tantas outras obras, por querelas, por picuinhas, por questiúnculas pessoais que acabam se sobrepondo aos interesses do Estado.
Lamentamos muito o tipo de ação do Governador Roberto Requião, que, repito, é uma pessoa que admiro pela inteligência. Mas lhe falta o preparo emocional, a fidalguia que caracteriza o grande Deputado Mauro Benevides, que me aparteou.
Esperava que, com o passar do tempo, S.Exa. adquirisse vivência, que os cabelos brancos pudessem dar um pouco mais de calma ao Governador para administrar o Estado. Mas, lamentavelmente, isso não aconteceu. S.Exa. vai passar e será considerado, daqui a 10 ou 12 anos, o Governador da briga e do embate. Se fosse até por causas nobres, estaríamos cerrando fileiras juntamente com S.Exa., mas não é o caso.
Os ex-Governadores pensaram na infra-estrutura do Estado, no planejamento estratégico; construíram estradas, a exemplo de Jaime Canet. Enfim, escolheram um modelo econômico.
Até tenho controvérsias em relação à sua gestão, mas a industrialização estadual foi feita por Jaime Lerner, no Governo passado. O pólo de desenvolvimento, por Álvaro Dias, que, quando governou o Estado do Paraná, formou um grande parque industrial. E outros que optaram por investimentos em infra-estrutura.
Infelizmente, entraremos para a história, tendo este Governador passado e nada feito. Faltaram ao seu governo projeto e rumo. Lamentamos esse fato porque estamos perdendo tempo. Tinha grande esperança em um dia poder ver o Governador do Paraná na disputa pela Presidência da República, com posicionamento até mais à esquerda da nossa ideologia. Mas foi um sonho de verão. Esse Governador que se diz progressista, repito, apenas elege inimigos e, pela ausência de projetos, cria fatos na mídia diariamente para deixar de focalizar as obras de interesse do Estado, ou seja, a melhoria da qualidade de vida da população.
De que adianta criar fatos polêmicos, se S.Exa. se esquece de governar? De que adianta demitir Secretários, nos palanques? De que adianta passar sermões e fazer valer a sua palavra, seu ponto de vista, se estão morrendo pessoas na fila dos hospitais, por falta de medicamentos?
Será mesmo rico o Estado cujo Governo permite que um menino de 6 anos de idade sinta dores lancinantes, podendo morrer daqui a 3, 4, 5, 10 dias? O Governador não retira recursos da área da saúde para salvar a vida daquela criança, ou a do Sr. Alberto Wust, ou das outras 48 pessoas que sofrem de graves doenças. Todas elas estão na fila dos hospitais e vão morrer, se nada for feito!
O Governador do Paraná patina no atraso e obtém pífios resultados na economia. Quando a economia mundial cresce, a oferta de emprego estoura, o Brasil cresce mais de 5% ao ano, o Paraná está na contramão da história: lá vemos perseguição e nepotismo. O Governador age como verdadeiro déspota, em plenos tempos de democracia, em pleno século XXI.
Lamento, mas a imagem que tenho desse Governador é a de um personagem de Miguel de Cervantes, talvez D. Quixote, sem o romantismo inenarrável da história mundial. S.Exa. se digladia com moinhos de vento e perde a oportunidade de entrar na onda do crescimento, do progresso e do respeito ao povo paranaense.
Era esse o desabafo que queria fazer, talvez com um pouco de paixão porque a emoção toma conta de nós quando pensamos naqueles que estão morrendo por falta de medicamentos. Mas, com toda a razão, contra fatos não há argumentos.
Sr. Presidente, ao encerrar este discurso, devo dizer que tenho o maior respeito pelo Governador Roberto Requião, mas, lamentavelmente, devo discordar desses fatos. Precisamos ser duros no momento que merece críticas. Espero que S.Exa. amoleça um pouco o seu coração, pelo menos diante de crianças e de pessoas que podem vir a morrer, caso não intervenha para salvar sua vida.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Manato) - Nobre Deputado Barbosa Neto, entendo perfeitamente a sua emoção. Realmente, temos de ter o maior carinho e respeito pelas crianças e pelas pessoas que sofrem com doenças graves.
Felizmente, no Estado do Espírito Santo, o Governo tem cumprido o seu papel na área da saúde: tem comprado medicamentos para os doentes. E não temos passado por essas dificuldades.

CTB Paraná pressiona parlamentares para aprovação da PEC da redução da jornada

A luta pela redução da jornada para 40 horas semanais sem redução de salário pautou a agenda do movimento sindical no ano de 2009 e foi uma das grandes bandeiras da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil. Para reforçar a luta, a CTB do Paraná e demais centrais sindicais (CGTB, CUT, Força Sindical, NCST e UGT) divulgarão nesta quarta-feira (2), às 9 horas, no centro de Curitiba, na Boca Maldita (tradicional lugar de protestos), um grande placar que apresentará à sociedade o posicionamento dos parlamentares sobre a PEC 231/95, que institui as 40 horas semanais.

O objetivo é pressionar os deputados ainda indecisos ou contrários à PEC a reverem suas intenções de votos. O painel ficará exposto de segunda a sábado, até o dia 30 de dezembro.

Para Zenir Teixeira, secretário de Relações Institucionais da CTB/Paraná, a idéia é manter a pressão para que a redução da jornada de trabalho realmente se efetive no país. “Classifico a bandeira como estratégica para a classe trabalhadora porque vai além da geração de emprego, ela se estende a qualidade de vida”.

Na sua avaliação, a medida tem acima de tudo, um caráter humano. “O avanço da tecnologia precisa ser usado para dar fôlego à classe trabalhadora”, sustenta.

Segundo ele, com a medida todos teriam mais tempo para dedicar ao lazer, ao convívio familiar e à qualificação profissional. “O fundamental é a tecnologia estar a serviço da humanidade e não apenas do capitalismo e,é esse processo que precisa ser revertido a favor do conjunto da classe trabalhadora”, enfatizou Zenir.

Em janeiro, as centrais sindicais do Paraná se reúnem para definir novas estratégias de intensificação da campanha.

Unidade
A redução do tempo de trabalho sem prejuízos para os salários também foi a principal bandeira da 6ª Marcha da Classe Trabalhadora, que reuniu cerca de 40 mil pessoas em Brasília, em 11 de novembro. Segundos cálculos do Dieese, a medida pode gerar 2,2, milhões de novos postos de trabalho. No ano passado, as centrais coletaram 1,5 milhões de assinaturas em todo o país, em defesa da redução da jornada, que foram entregues ao Congresso Nacional como forma de pressão.

A última redução do período semanal de trabalho, de 48 para 44 horas, ocorrida no Brasil foi na Constituição de 1988.

PEC 231/95
A proposta de emenda à Constituição (PEC) 231/95, dos ex-deputados federais, hoje senadores, Inácio Arruda (PCdoB/CE) e Paulo Paim (PT/RS), além de reduzir a jornada, sem diminuir salários, aumenta o adicional de hora extra de 50% para 75% do valor da hora trabalhada.
É fruto de consenso de todo movimento sindical brasileiro que a redução da jornada é a luta prioritária na atual conjuntura.A matéria já recebeu parecer favorável à aprovação na Comissão Especial da Câmara pelo relator, deputado Vicente Paulo da Silva (PT/SP), e aguarda a votação em plenário, em primeiro turno. As centrais prometem grandes manifestações unitárias para 2010 em defesa desta bandeira estratégica.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Uma carta aberta ao presidente Obama de Michael Moore

Caro Presidente Obama,

Você realmente quer ser o novo presidente da guerra "? Se você ir para West Point, amanhã à noite (terça-feira, 8) e anunciar que você está aumentando, em vez de retirar as tropas no Afeganistão, você é o presidente da nova guerra. Pura e simples. E com isso você vai fazer a pior coisa possível que você poderia fazer - destruir as esperanças e os sonhos de tantos milhões têm colocado em você. Com apenas um discurso amanhã à noite você vai virar uma multidão de jovens que foram a espinha dorsal de sua campanha em cínicos desiludidos. Você vai ensinar-lhes o que sempre ouvi é verdade - que todos os políticos são iguais. Eu simplesmente não posso acreditar que você está prestes a fazer o que eles dizem que você está indo fazer. Por favor, diga que não é assim.


Não é o seu trabalho para fazer o que os generais dizem para fazer. Nós somos um governo de execução civil. Dizemos Joint Chiefs o que fazer, e não o contrário. Essa é a maneira geral Washington insistiu que deve ser. Isso é o que o presidente Truman disse o general MacArthur MacArthur quando quis invadir a China. "Você está demitido!", Disse Truman, e que era isso. E você deveria ter demitido o general McChrystal quando ele foi à imprensa para antecipar-lhe, dizendo à imprensa que você tinha que fazer. Vou ser franco: Nós amamos nossas crianças nas forças armadas, mas f * # & em 'odeio esses generais, de Westmoreland no Vietnã para, sim, mesmo Colin Powell por mentir para as Nações Unidas com a sua confeccionados desenhos de ADM ( Desde então, tem procurado resgate).

Então agora você se sente apoiado em um canto. 30 anos nesta quinta-feira passada (Thanksgiving), os generais soviéticos tinham uma boa idéia - "Vamos invadir o Afeganistão!" Bem, isso acabou por ser o último prego no caixão da URSS.

Há uma razão para eles não chamam o Afeganistão "Garden State" (embora eles provavelmente devem, vendo como o corrupto presidente Karzai, a quem estamos de volta, tem a seu irmão no tráfico de heroína sensibilização papoula). Apelido do Afeganistão é o "Graveyard of Empires". Se você não acreditar, dar o chamado um britânico. Eu teria que vocês chamam de Genghis Khan, mas eu perdi o número dele. Eu tenho o número de Gorbachev embora. É 41 22 789 1662. Tenho certeza que ele poderia lhe dar uma bronca sobre o erro histórico que está prestes a cometer.

Com a nossa colapso económico ainda está em pleno andamento e os nossos preciosos jovens, homens e mulheres que estão sendo sacrificados no altar da arrogância e da ganância, a repartição desta grande civilização que chamamos de América cabeça, full throttle, no esquecimento, se você se tornar o presidente da guerra ". " Impérios nunca acha que o fim está próximo, até o final está aqui. Empires pensar que mais mal vai obrigar os pagãos dedo do pé para a linha - e ainda que nunca funciona. Os pagãos geralmente rasgá-los em pedaços.

Escolha com cuidado, o presidente Obama. Você de todas as pessoas sabem que ele não tem que ser desta maneira. Você ainda tem algumas horas para ouvir o seu coração e seu próprio pensamento claro. Você sabe que nada de bom pode vir de envio de mais tropas do outro lado do mundo para um lugar nem você nem eles entendem, para atingir um objetivo que nem você nem eles entendem, em um país que não nos querem lá. Você pode sentir isso em seus ossos.

Eu sei que você sabe que há menos de um cem al-Qaeda no Afeganistão, deixou! Cem mil soldados tentam esmagar uma centena de indivíduos que vivem em cavernas? Você está falando sério? Have you Bush bêbado Kool-Aid? Eu me recuso a acreditar nisso.

Sua decisão potencial de expandir a guerra (embora dizendo que você está fazendo isso para que você possa "acabar com a guerra") vai fazer mais para definir o seu legado em pedra que qualquer uma das grandes coisas que você disse e fez em seu primeiro ano . Uma mais jogando um osso de você para os republicanos ea coligação da esperança ea esperança pode ter ido embora - e esta nação estará de volta nas mãos dos inimigos mais rápido do que você pode gritar "saco de chá!"

Escolha com cuidado, Sr. Presidente. Seu patrocinadores corporativos vão abandoná-lo tão logo é claro que você é um one-presidente prazo e que a nação estará de volta em segurança nas mãos dos idiotas sempre que fazer o seu lance. Isso poderia ser de manhã.

Nós, o povo ainda amo você. Nós, o povo ainda tem uma ponta de esperança. Mas o povo não aguenta mais. Nós não podemos tomar o seu cedendo, mais e mais, quando se elegeu por uma margem grande variedade de milhões para entrar lá e fazer o trabalho. Que parte de "vitória esmagadora" don't you understand?

Não seja enganado em pensar que o envio de um pouco mais tropas para o Afeganistão vai fazer a diferença, ou você ganha o respeito dos adversários. Eles não vão parar até que este país é dilacerado e cada dólar último é extraído dos pobres e prestes a ser pobre. Você poderia enviar um milhão de soldados lá e os loucos direito ainda não seria feliz. Você ainda seria vítima de seu próprio veneno, em incessante ódio rádio e televisão, porque não importa o que você faz, você não pode mudar uma coisa sobre você que envia-los ao longo da borda.

Os inimigos não eram os que o elegeram, e não podem ser conquistadas, abandonando o resto de nós.

O presidente Obama, é hora de voltar para casa. Pergunte aos seus vizinhos em Chicago, e os pais dos jovens, homens e mulheres fazendo a lutar e morrer se eles querem bilhões e mais tropas ao Afeganistão. Você acha que eles vão dizer: "Não, nós não precisamos de cuidados de saúde, nós não precisamos de empregos, nós não precisamos de casas. Você vai em frente, Senhor Presidente, e enviar nossas riquezas e nossos filhos e filhas no exterior, porque nós não precisamos deles, também. "

Qual seria Martin Luther King, Jr. fazer? Qual seria a sua avó fazer? Não envie mais pessoas pobres que matar outras pessoas pobres que não representam qualquer ameaça para eles, é o que eles fazem. Não gastam bilhões e trilhões para fazer a guerra, enquanto as crianças americanas estão dormindo nas ruas e de pé em linhas de pão.

Todos nós que votaram e orei por você e chorei a noite de sua vitória de ter resistido um inferno orwelliano de oito anos de crimes cometidos em nosso nome: tortura, a entrega, a suspensão da lei de direitos, invadindo as nações que não tinham nos atacaram, explodir bairros que Saddam "poderia" estar em (mas nunca foi), abate de festas de casamento no Afeganistão. Nós prestamos atenção enquanto centenas de milhares de civis iraquianos foram mortos e dezenas de milhares de nossos bravos homens e mulheres jovens foram mortos, mutilados, ou suportou angústia mental - o terror cheio de nós que mal conhece.

Quando elegemos você não esperávamos milagres. Nós nem mesmo esperar grandes mudanças. Mas nós esperávamos alguma. Nós achamos que você iria parar a loucura. Parar a matança. Parar a idéia insana de que os homens com armas pode reorganizar uma nação que nem sequer funcionar como uma nação e nunca, nunca tem.

Pare, pare, pare! Por uma questão de vida dos jovens americanos e civis afegãos, pare. Por razões de sua Presidência, a esperança eo futuro de nossa nação, pare. Pelo amor de Deus, pare.

Hoje à noite, ainda temos esperança.

Amanhã, veremos. A bola está do seu lado. Você não tem que fazer isso. Você pode ser um perfil de coragem. Você pode ser filho de sua mãe.

Estamos contando com você.

Atenciosamente,
Michael Moore
MMFlint@aol.com
MichaelMoore.com