terça-feira, 9 de novembro de 2010

PCdoB quer seguir no comando do Ministério do Esporte

O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) afirmou hoje que a sigla pleiteará continuar no comando do Ministério do Esporte no futuro governo da presidente eleita, Dilma Rousseff. Arruda acompanha o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, em reunião que começou nesta manhã com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, escalado por Dilma para fazer a interlocução do governo de transição com os partidos aliados. Às 16 horas, Dutra vai se reunir com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT).

"Nós não queremos menos do que já temos. Nós construímos esse ministério", afirmou Inácio Arruda, lembrando que o PCdoB controla a pasta do Esporte desde o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro titular da pasta foi Agnelo Queiroz, que depois migrou para o PT e se elegeu, nas últimas eleições, governador do Distrito Federal no segundo turno.

O Ministério do Esporte se tornou tão cobiçado pelos partidos aliados quanto os ministérios das Cidades e dos Transportes. As três pastas receberão recursos vultosos do Orçamento da União por causa dos grandes eventos esportivos que o Brasil sediará nos próximos anos: a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

O atual ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), deseja assumir o comando da Autoridade Pública Olímpica (APO), um consórcio constituído pelos governos federal, estadual e municipal, que coordenará as ações de planejamento, custeio e entrega de obras para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016, na capital fluminense. Ele já foi indicado para o cargo e assumiria o posto, criado por medida provisória, mas a matéria prescreveu antes de ser apreciada pelo Congresso.

Se Orlando Silva deixar a pasta para comandar, exclusivamente, a Autoridade Pública Olímpica, o PCdoB pode indicar outros nomes para sucedê-lo. Entre os ministeriáveis do partido despontam os deputados federais Aldo Rebelo (SP), Manuela D'Ávila (RS) e Flávio Dino (MA). Dino ficou sem mandato depois de perder a disputa pelo governo do Maranhão para Roseana Sarney (PMDB).

ONG denuncia mais de mil por racismo na web

da agência estado

A organização Safernet, que recebe denúncias sobre violações dos direitos humanos na internet, apresentou ao Ministério Público Federal (MPF) uma lista de 1.037 internautas sociais acusados de praticar, entre 31 de outubro e 4 de novembro, racismo e apologia a crimes contra a vida.

A onda de manifestações de ódio contra nordestinos foi desencadeada pela estudante Mayara Petruso - só contra ela a entidade recebeu mais de 800 denúncias. "Ao todo, foram 10 mil, mas muitas eram repetidas. Filtramos e chegamos aos 1.037 perfis", explica Thiago Tavares, diretor presidente da Safernet.

Segundo Tavares, foram apresentadas as páginas dos usuários e, portanto, ainda não foram apuradas suas identidades reais. "Essa apuração ficará a cargo do MPF, se aceitar a denúncia." A entidade espera agora uma posição da Justiça. Tavares explica que as manifestações se propagam porque há uma certeza de impunidade na web. "Por isso, esperamos algum tipo de punição, não só para Mayara."

Ídolos do esporte discutem avanços sociais

Técnico de vôlei Bernardinho e a ex-jogadora de basquete Paula estão entre participantes da Semana do Esporte pela Mudança Social, no Rio
Divulgação / UNICEF
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BRUNO MEIRELLES

da PrimaPagina

Ídolos do esporte como o técnico Bernardinho e a ex-jogadora Ana Moser, do vôlei, o campeão olímpico de atletismo Joaquim Cruz, o judoca Flávio Canto, a ex-jogadora de basquete Paula, o velejador Lars Grael e o ex-jogador de futebol Raí participam da segunda edição da Semana Internacional do Esporte pela Mudança Social, promovida pela REMS (Rede Esporte pela Mudança Social) e apoiada pelo PNUD.

O evento, que será realizado na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 9 e 13 deste mês, é voltado para professores de educação física, profissionais da área, autoridades e representantes da sociedade civil, além de reunir grandes atletas do país para debater o desenvolvimento de uma cultura esportiva no Brasil.

Um coquetel marcará a abertura do evento na Fundição Progresso, e a programação segue até sexta (12), com dois debates e dois painéis diários e gratuitos. Ambos tratarão de temas como o estímulo a políticas públicas, lei de incentivo ao esporte e promoção de desenvolvimento econômico a partir de grandes eventos como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016. O encerramento da semana será realizado no sábado, a partir das 10h.

“Essas competições que o Brasil vai receber têm o potencial de dar um ‘boom’ no assunto, mas o legado disso pode ficar meio de lado. Temos de pensar primeiro no que o esporte pode fazer pelo país, como ele pode trazer qualidade de vida, reduzir a pobreza por sua cadeia produtiva e prevenir a violência”, explica Victor Barau, advogado e consultor da ONG Atletas pela Cidadania, que faz parte da Rede Esporte pela Mudança Social.

Entre as novidades que a semana traz em relação ao ano passado, o destaque fica por conta de uma arena poliesportiva que será instalada nos Arcos da Lapa, um dos cartões-postais cariocas. Nela, as associações que compõem a REMS irão apresentar o seu trabalho por meio de oficinas.

“Estarão representadas várias metodologias, que incluem atividades voltadas para pessoas com mobilidade reduzida, idosos e a juventude. Nossa ideia é fortalecer as entidades que trabalham o esporte como uma alavanca para mudanças na sociedade, por meio da geração de conhecimento e do debate em torno desse conceito”, afirma Barau.

Sobre a REMS

A Rede Esporte pela Mudança Social foi criada no Brasil em 2007 e está presente também em outros países. A iniciativa tem por missão difundir o esporte como instrumento para fortalecer os jovens e desenvolver as comunidades em que eles estão inseridos. Atualmente, conta com mais de 30 organizações não governamentais.

Brasil sobe quatro posições no novo IDH; avanço é o mais expressivo de 2009 a 2010

Reformulado, Índice de Desenvolvimento Humano usa Renda Nacional Bruta em vez de PIB e apresenta novos indicadores sobre educação
Reprodução
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Crie o Seu Próprio Índice: O PNUD proporciona acesso gratuito via Internet a 40 anos de dados
Leia a íntegra do relatório
A verdadeira riqueza das nações: caminhos para o desenvolvimento humano


do PNUD

O Brasil subiu quatro posições de 2009 para 2010 e ficou em 73º no ranking de 169 nações e territórios da nova versão do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), que passou por uma das maiores reformulações desde que foi criado, há 20 anos. O índice brasileiro, de 0,699, situa o país entre os de alto desenvolvimento humano, é maior que a média mundial (0,624) e parecido com o do conjunto dos países da América Latina e Caribe (0,704), de acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano. O documento, intitulado A verdadeira riqueza das nações: caminhos para o desenvolvimento humano, foi divulgado nesta quinta-feira em Nova York.

Em razão da mudança de metodologia, não se pode comparar o novo IDH com os índices divulgados em relatórios anteriores. Mas seguindo a nova metodologia, em comparação com os dados recalculados para 2009, o IDH do Brasil mostra uma evolução de quatro posições.

A lista é encabeçada pela Noruega (0,938), seguida de Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos e Irlanda. A última posição é ocupada por Zimbábue (0,140), superado por República Democrática do Congo, Níger, Burundi e Moçambique. O Brasil está logo acima de Geórgia (74º), Venezuela (75º), Armênia (76º) e Equador (77º), e abaixo de Ilhas Maurício (72º), Macedônia (71º), Irã (70º), Ucrânia (69º) e Bósnia-Herzegóvina (68º).

O índice manteve suas características principais — varia de 0 a 1 (quanto mais próximo de 1, maior o nível de desenvolvimento humano) e engloba três aspectos essenciais do desenvolvimento humano: conhecimento (medido por indicadores de educação), saúde (medida pela longevidade) e padrão de vida digno (medido pela renda). Assim, conserva a premissa que norteou sua criação em 1990: o progresso deve ser mensurado não apenas pelo crescimento econômico, mas também por conquistas em saúde e educação.

Para o 20º aniversário da publicação, foram introduzidas mudanças nos indicadores de renda e educação e no cálculo final (leia mais abaixo o texto “As mudanças na metodologia do IDH”). A reformulação resultou em aprimoramento, mas implicou uma redução no número de países e territórios abrangidos: 15 (incluindo Cuba, Omã e Líbano) saíram da lista por não disporem de informações verificáveis para pelo menos um dos quatro indicadores usados no índice.

Dos três subíndices que compõem o IDH, apenas o de longevidade não passou por alterações: continua sendo medido pela expectativa de vida ao nascer. No subíndice de renda, o PIB (Produto Interno Bruto) per capita foi substituído pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita, que contabiliza a renda conquistada pelos residentes de um país, incluindo fluxos internacionais, como remessas vindas do exterior e ajuda internacional, e excluindo a renda gerada no país, mas repatriada ao exterior. Ou seja, a RNB traz um retrato mais preciso do bem-estar econômico das pessoas de um país. No subíndice de educação, houve mudanças nos dois indicadores. Sai a taxa de analfabetismo, entra a média de anos de estudo da população adulta; para averiguar as condições da população em idade escolar, em vez da taxa bruta de matrícula passa a ser usado o número esperado de anos de estudos.


segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A VISÃO DE SAN TIAGO

RIO – Rio de Janeiro, segundo semestre de 1963. Já doente, arrumando as gavetas da vida com a serena violência de sua luminosa lucidez, San Tiago Dantas, ex-ministro das Relações Exteriores e da Fazenda, deputado pelo PTB de Minas, tentou um último esforço para salvar o barco da República, que adernava levando o governo de João Goulart para o naufrágio.

San Thiago elaborou, articulou, coordenou uma “Frente Ampla” (a de Carlos Lacerda, em 66, foi a segunda; o título é direito autoral de San Tiago) que conseguisse reunir do PSD ao Partido Comunista, passando pelo PTB e Partido Socialista, as forças naquele momento comprometidas com a defesa da democracia, para evitar que a radicalização do processo político acabasse levando, como levou, o País ao impasse do golpe militar.

ESQUERDA
Uma noite, San Tiago nos convidou, a alguns deputados, federais e estaduais, líderes sindicais, dirigentes estudantis e, sobretudo, o comando da Frente de Mobilização Popular, liderada por Leonel Brizola mas sem a presença dele, para uma conversa em sua casa da rua Dona Mariana,no Rio.

Foi impossível um entendimento. A esquerda, dividida no PTB, no Partido Socialista, até no Partido Comunista, e outras forças reunidas na Frente de Mobilização Popular, já haviam dado um salto para a radicalização do processo, denunciando e vetando “a política de conciliação de João Goulart” e a aliança com o PSD, que San Tiago considerava o lastro indispensável do pacto político e social do País.

CADEIA
Depois de horas de debates, San Tiago, exausto, visivelmente desencantado, tirou o lenço do bolso, limpou longamente os óculos e pôs a mão no ombro de deputado Mário Lima, do PSB, presidente do Sindicato do Petróleo na Bahia (um dos poucos que, ali, aceitavamos sua proposta):

- Tenho a impressão de que o resto desta discussão será na cadeia.

Foi. Já sem ele, que morreu em 1964, mas com todos nós.

DILMA
É só trocar o PSD pelo PMDB, o PTB pelo PT, manter o Partido Socialista, substituir o Partido Comunista pelo PC do B e incluir alguns penduricalhos partidários fisiológicos, e a “Frente Ampla” que San Thiago queria em 63 é o governo de Dilma que foi eleito domingo.

Os tempos são outros, o pais naufragou com Jango numa ditadura militar de 20 anos e todos nós, uns mais outros menos, uns culpados outros inocentes, quase todos coniventes, pagamos o preço da radicalização.

Dilma não precisa ter medo do PMDB : é só não faltar comida, como também para a grande maioria dos aliados. Essa lição, a pior que deixou, Lula lhe ensinou quando retalhou o governo com os gulosos de sempre, fatiou o FAT e o Imposto Sindical com as Centrais Sindicais, o MST, “movimentos sociais” fajutos, até com a UNE.


PT
O perigo de Dilma mora no quintal de casa. Há um animal perigoso solto, que vai tentar dar agora as dentadas que não conseguiu com a esperteza fisiológica e sistematicamente corruptora de Lula : o PT “radical”, “revolucionário”, “trotsquista”, fidelista, chavista.

Perderam seu “presidente”, quando José Dirceu teve que ser expulso do palácio e da política aberta, legal, no golpe do “Mensalão”, criado exatamente para ser a base da candidatura dele para substituir Lula.

É ilusão imaginar que eles desistiram. O projeto continua o mesmo : cevar-se nos negócios e dinheiramas que passam por dentro, ao lado ou nas periferias do governo e irem aos poucos ganhando espaço e construindo uma maioria no PT, para ser usada em qualquer disputa futura mais dura.

COMUNICAÇÃO
O projeto dos Conselhos de Comunicação (o nacional, estaduais, municipais e até mesmo nas estatais) existe para isso. Já que o ministério da Fazenda, Banco Central, Banco do Brasil, Petrobrás, Eletrobrás, etc. são destinados aos donos da política financeira e econômica, o PT radical quer assumir, numa boa ou na marra, a área de comunicações.

A partir dos Conselhos, eles se instalariam na Comunicação, na Propaganda oficial (com suas verbas bilionárias), na Internet, na mídia toda, sobretudo televisões, jornais e revistas. A “matilha” (é assim carinhosamente que eles se tratam, os jornalistas petistas incrustados em toda a maquina do governo) acha que, com Dilma, serão ainda mais poderosos pela inconsistencia da relação dela com a cúpula da midia.

Ainda ouviremos falar muito desses Conselhos.

LOBATO
O publico imagina que governo é uma cooperativa de bom senso. Nada disso. Em cada canto há alguém jogando bruto para tentar tornar dogmas as teses mais malucas e tanto mais “radicais” quanto mais medievais. Até no MEC, o Ministerio da Educação, que aparentemente seria um setor com o mínimo de juizo, toda hora aparecem malucos.

O Conselho Nacional de Educação (?) aprovou “parecer” de uma relatora doidona “acusando Monteiro Lobato de racista e proibindo-o nas escolas, porque trechos relativos à personagem de Tia Anastácia , que é negra, e a animais como o urubu e o macaco, têm elementos de depreciação racial contra os negros” (Globo).

Urubu tem que ser branco. O Pinel não tem vaga não?

Chávez em Cuba: América Latina está vivendo um “furacão da história”

Em Cuba, o presidente venezuelano Hugo Chávez Chávez se referiu ao conjunto dos acontecimentos vividos na América Latina como um “furacão da história”, advertindo ao mesmo tempo que “estarão sempre presentes os perigos, as ameaças (...), a conspiração permanente”. Ele denunciou que o imperialismo norte-americano está montando outra operação contra a Revolução Bolivariana. As declarações foram feitas durante entrevista ao canal Cubavision, em rede com a Venezuelana de Televisão.

do vermelho

Chávez encabeça a delegação de seu país que assiste às reuniões de alto nível que avaliará os dez anos do Convênio Integral de Colaboração entre Cuba e a Venezuela, que será renovado por mais uma década.

O presidente venezuelano criticou as estratégias golpistas do império e da oposição venezuelana que apresenta como um herói o narcotraficante Walid Makled, detido na Colômbia, e difundiu suas declarações sobre supostos subornos pagos a chefes militares venezuelanos e pessoas próximas ao governo.

Makled, conhecido como “Turco”, foi preso na cidade colombiana de Cúcuta em 19 de agosto e permanece recluso na prisão de segurança máxima de Cómbita, no departamento de Boyacá (centro). Está sendo investigado na Venezuela pelos delitos de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro proveniente do narcotráfico, associação para o crime e homicídio.

“Estou seguro de que o governo da Colômbia não vai prestar-se a esse jogo”, disse Chávez, que afirmou existir um plano para fazer desandar de novo as relações entre a Venezuela e a Colômbia.

Chávez recordou que desde a saída do Departamento antidrogas dos Estados Unidos (DEA, na sigla em inglês) da Venezuela, o governo bolivariano incrementou sua eficácia no combate às drogas.

Afirmou que os Estados Unidos não golpeiam o narcotráfico em seu território, mas utilizam o narcotráfico como pretexto para violar a soberania, para intervir em países e inclusive para derrubar governos.

O presidente venezuelano também denunciou que os Estados Unidos não cumprem o direito internacional e disse que continua esperando a extradição do grande terrorista Posada Carrilles. “Esperamos que o presidente Obama cumpra seu compromisso, e com seu discurso”.

Berço do novo mundo

Foi assim que Chávez se referiu à Venezuela e a Cuba. Ressaltou os acordos entre os dois países principalmente na área de petróleo e reconheceu o grande aporte que Cuba dá à Revolução Bolivariana, "que nos oferece gratuitamente serviços médicos, especialistas e técnicos da saúde".

Ao avaliar os dez anos das relações entre Cuba e Venezuela, Chávez assegurou que “somos o berço de um mundo novo, podemos conseguir grandes metas com muito poucos recursos econômicos, mas com o imenso recurso da vontade, da solidariedade e do amor. Como disse José Martí, amor com amor se paga”. Para Chávez, Cuba e Venezuela fizeram um “milagre histórico”.

Condenação ao bloqueio

O líder da Revolução Bolivariana sublinhou que os Estados Unidos, país que impôs durante mais de quatro décadas um bloqueio econômico e comercial contra Cuba, “tratou de muitas maneiras, de muitíssimas maneiras (esse império e seus aliados lacaios europeus e latino-americanos), de inclusive impedir a aproximação pessoal entre Fidel e eu”.

Elogiando a resistência do povo cubano, o líder venezuelano ressaltou que desde a sua primeira posse em 1999 sentiu uma responsabilidade não só para com Cuba, mas também para com toda a América Central e o Caribe. Insistiu em que Cuba e a Venezuela estão construindo um mundo novo, que se expressa através da existência da Alba – Aliança Bolivariana dos Povos de Nossa América, “que temos que seguir fortalecendo”.

Obama apoia entrada da Índia no Conselho de Segurança da ONU

da Prensa Latina

Depois de elevar a Índia ao status de potência mundial, o presidente estadunidense, Barack Obama, prometeu hoje aqui apoiar a solicitação do país sul-asiático de converter-se em membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

Espero ver um Conselho de Segurança das Nações Unidas reformado, que inclua a Índia como um de seus membros permanentes, expressou o presidente em um discurso pronunciado nesta segunda-feira no Parlamento local.

Com estas declarações, Obama recebeu um estrondoso aplauso por parte dos legisladores de ambas câmaras, só superado por sua posterior alusão ao Paquistão, a cujo governo chamou publicamente a levar ante a justiça os autores dos ataques terroristas de 26 de novembro de 2008 em Mumbai.

O presidente tinha se mostrado até esse momento muito moderado e cauteloso sobre esses dois temas muito caros à Índia, cujo Governo buscava ativamente o apoio dos Estados Unidos para chegar ao Conselho de Segurança e a repreensão pública ao país vizinho.

A intervenção ante o Parlamento foi a última atividade política do presidente estadunidense em solo indiano, antes de partir amanhã com destino à Indonésia, como parte de um giro que o levará depois à Coréia do Sul e ao Japão.

Durante sua primeira visita oficial à Índia, Obama anunciou a concretização de novos pactos comerciais no valor de 10 bilhões de dólares, que redundarão, disse, na criação de cerca de 50 mil postos de trabalho em território norte-americano.

Nova Deli e Washington também acordaram aprofundar ainda mais a atual aliança estratégica entre ambos países, a qual tanto o visitante como o premiê Manmohan Singh coincidiram em qualificar de uma associação que definirá o século XXI.

Essa etapa superior inclui uma maior cooperação em assuntos como terrorismo, educação, saúde, energia e segurança alimentar, diminuição das barreiras protecionistas no comércio e a flexibilização, por parte de Washington, dos controles que impediam as companhias norte-americanas de vender à Índia tecnologia sensível.

Investigado manifesto contra nordestinos

do diário do nordeste

Além da estudante de direito Mayara Petruso, acusada pela OAB-PE de racismo contra nordestinos no Twitter, a polícia de São Paulo vai investigar de quem é a responsabilidade por um manifesto virtual intitulado "São Paulo para os paulistas". No texto apócrifo, que circula há meses na internet, há a reivindicação do "fim da repressão ao paulista sobre o tema da migração em sua própria terra".

O manifesto foi assinado por quase 1.500 pessoas, que também podem vir a responder pelo crime de incitação ao racismo. O texto relaciona a "alta criminalidade" e os "hospitais superlotados" à migração nordestina.

"Migrantes pretensiosamente julgam-se os responsáveis pela construção de S. Paulo. Julgam-se coproprietários e não subordinados na terra alheia", diz um dos trechos. Outra parte diz que "Foi o Nordeste o berço da sociedade colonial patriarcal e São Paulo a região que tirou o Brasil do atraso. Isso ninguém reconhece".Se condenados por incitação ao racismo, os investigados poderiam pegar de dois a cinco anos de prisão.

De acordo com a delegada Margarette Barreto, os usuários das redes sociais podem contribuir com a polícia encaminhando imagens de frases de outros usuários que incitem o preconceito ou o crime.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Em crise, PSDB discute refundação e DEM fala em fusão de partidos

Sócios em crise depois de três insucessos seguidos na disputa à Presidência da República, o PSDB e o DEM lutam para se reposicionar e ter mais força na arena política. Os incontáveis erros de campanha nas eleições 2010 — associados à derrota para uma candidata que eles insistiram em ver sempre como “um poste” — deflagraram o processo de autoflagelação.

Não é à toa que Fernando Henrique Cardoso e Sérgio Guerra, presidente de honra e presidente executivo do partido, desejam antecipar a escolha do nome do próximo presidenciável tucano. Em vez de aguardar até 2014, o candidato seria lançado em 2012, com dois anos de antecedência.

O ex-governador de Minas Gerais e senador eleito Aécio Neves, principal interessado na vaga, é mais radical. Para ele, há outra prioridade mais urgente. “Antes de ter um nome, temos que ter um projeto. Não podemos deixar novamente para o início do processo eleitoral a difusão das nossas ideias e propostas".

Sob esse ponto, o jornalista Josias de Souza tira onda. “Um observador incauto poderia perguntar: ‘Quer dizer que, se José Serra houvesse prevalecido sobre Dilma Rousseff, o PSDB iria ao governo sem projeto?’. Eis uma das muitas razões que produziram a derrota de Serra: o tucanato não conseguiu pôr de pé uma proposta alternativa de país. Foi às urnas sem discurso. Não se diga, contudo, que a campanha presidencial do PSDB foi inútil. Hoje, todo mundo sabe que Serra acredita em Deus e é contra o aborto”.

Aécio é também favorável ao que chama de “refundação do PSDB”. “Vou sugerir um grupo de três notáveis do partido para coordenar essa refundação do PSDB, conduzir conversas com setores da sociedade, instituições organizadas, para que nesse período possamos construir um novo programa partidário”, declara Aécio à Folha de S.Paulo.

DEM
Já entre os “demos”, a principal preocupação pós-eleitoral é romper o isolamento da sigla, herdeira decadente da Arena e do PFL. A avaliação é que, nacionalmente, o partido virou um satélite do PSDB e prejudicou seus projetos nos estados. Lideranças do DEM já discutem a fusão da legenda com um partido de porte médio, que permita acomodar seus líderes regionais.

Uma fusão com o PMDB tem poucas chances, pois os eleitores poderiam enxergar nesse movimento uma adesão ao governo de Dilma Rousseff. Nas palavras de um líder “demo”, a questão seria “se o partido entra como cabeça ou como rabo”. Se a fusão for com o PMDB ou o PSDB, entraria como rabo. Com um partido menor, entra como cabeça e ganha musculatura.

O maior entusiasta da fusão com o PMDB é o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab — mas os interesses variam de acordo com a realidade em cada estado. O presidente do partido, deputado Rodrigo Maia (RJ), é contra qualquer tipo de fusão. Ao fazer um balanço das eleições, os “demos” dizem que o casamento com o PSDB aconteceu dedo demais e deixou o partido sem instrumentos de negociação.

Da Redação, com agências

Acidente aéreo em Cuba mata 68 pessoas

Um avião da companhia aérea cubana Aerocaribbean, no qual viajavam 61 passageiros e sete tripulantes, caiu nesta quinta-feira na região central de Cuba, informou a emissora de TV estatal. Segundo o comunicado oficial, havia "40 cubanos e 28 estrangeiros" a bordo.

do vermelho

De acordo com um comunicado do Instituto de Aeronáutica Civil, o avião teria informado a situação de emergência às 17h42 locais (20h42 pelo horário de Brasília) e perdido contato com os controladores antes de cair. As causas da queda do avião ainda são desconhecidas, mas ontem a região já se encontrava sob alerta devido à passagem da tempestade Tomas, que avança pela região em direção ao Haiti. Alguns voos haviam sido inclusive cancelados.

A aeronave, um
ATR-72 que fazia o voo 883 e cobria a rota entre Santiago de Cuba e Havana, caiu na região de Guasimal, na província de Sancti Spiritus.

Não há sobreviventes entre as 68 pessoas que viajavam no avião que caiu na região central de Cuba na tarde dessa quinta-feira, segundo informou o site oficial Cubadebate.

Além dos 40 cubanos (dos quais sete eram tripulantes), voavam na aeronave nove argentinos, sete mexicanos, três holandeses, dois alemães, dois austríacos, um espanhol, um francês, um italiano, um japonês e um venezuelano.

As autoridades cubanas criaram uma comissão para investigar o acidente.

Histórico

O último acidente aéreo em Cuba ocorreu em março de 2002, quando um avião de menor porte caiu na província central de Villa Clara, matando as 16 pessoas a bordo, incluindo seis turistas canadenses, quatro britânicos e dois alemães, além dos quatro tripulantes cubanos.

O episódio mais grave nas últimas três décadas da aviação cubana ocorreu em setembro de 1989, quando um Il-62 com destino a Milão caiu em Havana logo após decolar, matando as 115 pessoas a bordo - dois cubanos e 113 turistas italianos - e 40 em terra, atingidas por destroços.

MPF denuncia militar acusado de torturar Dilma

do blog do Álvaro

O Ministério Público Federal apresentou à Justiça uma ação em que acusa um militar de ter torturado a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) e outras vítimas durante o período da ditadura militar.

Na acusação formal, que também pede a punição de outros três militares, a Procuradoria reproduz um depoimento prestado por Dilma à Auditoria Militar em 1970.

No testemunho, ela aponta Maurício Lopes Lima como um dos torturadores da Operação Bandeirante, criada em 1969 para reprimir opositores do regime.

Porém, em entrevista à Folha em abril do ano passado, Dilma afirmou que Lima presenciou as torturas, mas não realizou pessoalmente nenhuma agressão contra ela.

A Operação Bandeirantes prendeu Dilma, que era militante de esquerda, em janeiro de 1970.

Mayara Petruso: garota que ofendeu nordestinos some da internet e do curso de Direito

do Correio da Bahia

A estudante Mayara Petruso, que bem gostaria de levantar uma muralha para separar o Nordeste do restante do país, por ironia, nasceu no mesmo ano em que os alemães puseram abaixo o Muro de Berlim e a saudade que separava um mesmo povo entre capitalistas e comunistas - 1989.

Depois dos comentários preconceituosos feitos na internet, Mayara sumiu na mesma velocidade com que excluiu seus perfis nas redes sociais. Na madrugada de segunda, logo após a eleição de Dilma Rousseff (PT), ela pregou a morte de nordestinos no twitter. “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado”, escreveu.

A repercussão negativa das declarações fez Mayara se esconder. Desde o episódio, ela não aparece na Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), em São Paulo, onde cursa, à noite, o sexto semestre de Direito. Segundo a assessoria da instituição, os alunos não realizaram manifestações nem de apoio nem de repúdio à estudante.

Família
Mayara Penteado Petruso, 21 anos, faz parte de uma família tradicional, de origem italiana, do município de Bragança Paulista, a 90 quilômetros de São Paulo. Ela é filha caçula do empresário Antonino Petruso, que herdou uma rede de supermercados do pai, Salvatore.

A estudante é fruto do segundo casamento de Antonino com Mayara Coreno Penteado. Antes, ele vivia com Hermengarda Puccinelli, de origem italiana.
Ele teve duas filhas da ex-mulher, a advogada Bárbara Maria Puccinelli Petruso, 26 anos, e a estudante Carolina Maria Puccinelli Petruso, 23 anos. O CORREIO telefonou para o escritório de Antonino em Bragança, mas ele está em São Paulo com a filha.

Mayara deixou Bragança para ir morar no bairro da Liberdade, reduto paulistano da população de ascendência oriental, e cursar Direito na Universidade São Francisco, em Pari, Zona Leste de São Paulo. Após dois anos e meio, ela transferiu-se, neste semestre, para a FMU.

Faculdade
Por ser novata, ela não é muito conhecida pelos colegas. Um estudante do oitavo semestre do curso noturno de Direito, o mesmo de Mayara, contou que nunca a viu pelos corredores. Outro, do sétimo semestre, também disse que não a conhece e nem a seus amigos. Ambos não quiseram se identificar.

Os ex-colegas de trabalho de Mayara - ela foi demitida da função de estagiária do escritório Peixoto e Cury Advogados -, foram proibidos de se manifestar sobre a estudante

Processo
O Ministério Público Federal (MPF), em São Paulo, recebeu ontem a denúncia-crime encaminhada pela Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco. A entidade pede a punição por racismo e incitação ao crime. A pena é de dois a cinco anos de prisão e pagamento de multa.

A procuradora responsável pelo caso é Melissa Abeu e Silva. A equipe técnica do MPF fará um laudo sobre as manifestações de Mayara. O documento ficará pronto na próxima semana e fará parte do inquérito.

Campanha homenageia Nordeste
Personalidades, como Rachel de Queiroz, tomaram o Facebook
Se o Twitter foi a ferramenta usada por Mayara para manifestar seus preconceitos, a reação aos comentários aconteceu no Facebook. Sobretudo após a campanha Hoje Eu Acordei Nordestino”, iniciada pela jornalista carioca Clarissa Monteagudo, do jornal Extra.

A ideia é destacar aspectos positivos da cultura nordestina e homenagear personalidades da região. A jornalista, por exemplo, postou uma foto da escritora cearense Rachel de Queiroz. “Quem rejeita o Nordeste, não sabe o poder de um caldo de sururu, Aratu com farofa amarela e beijar um homem iluminado pelo sol de Itapuã”, escreveu.

O jornalista carioca Arthur Rosa homenageou o escritor paraibano Ariano Suassuna, a quem chamou de “grande pensador do Nordeste”. A baiana de Belmonte, Tania Athayde, radicada no Rio, destacou os músicos Armandinho, Pepeu Gomes e Sivuca.

Paulistas fazem manifesto em apoio a Mayara
Um grupo de paulistas se mobilizou para apoiar a estudante Mayara Petruso. Eles fazem parte do Movimento São Paulo Para os Paulistas. Segundo uma das articuladoras, a atendente de suporte técnico Fabiana Pereira, 35 anos, foram reunidas 1.400 assinaturas em um abaixo-assinado virtual. Segundo Fabiana, a estudante desabafou.

“Acho que aquele negócio que ela falou de matar, afogar, é mais ou menos assim, que nem você fala: ‘Ah, mate todos os corintianos’. Sabe?”, disse, em entrevista ao portal Terra Magazine. Para ela, os nordestinos estão usando as declarações para “se fazerem de vítimas”.

A reclamação é sobre os recursos de São Paulo usados para financiar o Bolsa Família, cuja maioria dos beneficiários são do Nordeste. “São Paulo sustenta e eles (nordestinos) decidem quem vai nos governar”, lamentou. O grupo quer que cada estado tenha autonomia para utilizar seus recursos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Um balde de chá frio nos Estados Unidos

Não é que a presidência de Obama tenha significado até agora um paraíso para a América Latina. Mas agora, os fundamentalistas do Sul – que deflagraram uma “guerra de Deus” contra o casamento igualitário na Argentina e satanizaram Dilma Rousseff no Brasil, em ambos os casos sem êxito – terão um respaldo mais sólido de seus amigos do Norte. Nenhuma das novidades muda por si só a situação dos países da América do Sul, que negociam cada vez com a Ásia e entre eles mesmos. Mas pode incomodar. Justo agora um balde de chá frio?

A notícia apareceu no sistema de alertas do Washington Post às 20:10: “Rand Paul derrota Jack Conway na disputa para ser senador por Kentucky”, dizia o texto. Era um verdadeiro sinal de alerta: naquele momento, Paul se converteu no primeiro político apoiado pelo movimento ultradireitista Tea Party a obter um mandato legislativo.

“Rand é um médico, não um político”, diz a página na internet deste cirurgião de olhos que promete ajudar os idosos e garante ter operado crianças sem dinheiro graças a seus amigos do Lions Club. “A especialidade do doutor é fazer diagnósticos e implementar soluções práticas”, reza o texto, típico do Partido do Chá, que bem poderia ter sido escrito por Juan Carços Blumberg. Promete apresentar uma emenda constitucional para que o aborto seja novamente penalizado, como ocorria antes de 1973, e critica a lei votada este ano sobre a cobertura pública de saúde porque, segundo ele, padece de “demasiadas regulações”. O melhor, para Paul, é que o mercado atue mais livremente.

A vitória de Paul é o caso mais extremo da reconquista da Câmara de Representantes (deputados) por parte do Partido Republicano e de seu avanço no Senado. O presidente Barack Obama foi castigado por uma crise econômica que já estava em curso quando assumiu, no dia 20 de janeiro de 2009. Além do mais, recebeu esse castigo da direita. Os republicanos votados ontem não estão entre aqueles que criticam Obama por fraqueza diante do establishment financeiro. São os que demagogicamente dizem lutar contra o “poder do dinheiro” e, ao mesmo tempo, acusam o presidente de intervencionista ou de socialista. O Tea Party, que agora começa a ganhar institucionalidade, está longe de ter ganho todos os mandatos republicanos. Mas é a maioria mais ativa entre os conservadores e a que condensa uma ideologia simplória e fácil de entender quando as hipotecas não pagas terminam levando sua casa e o desemprego instala o medo. Propõem recuperar o orgulho dos partidários do livre mercado sem limites, o fundamentalismo cristão e a tradição libertária da ultradireita.

Esse último ponto tem raízes arraigadas nos EUA. Os membros da conservadora Associação Nacional do Rifle fundamentam seu direito a comprar todo tipo de armas nos direitos individuais originários que serviram de base para a independência norteamericana de 1776. Em 1995, o veterano da Guerra do Golfo de 1991, Timothy Mc Veigh, colocou abaixo um edifício federal em Oklahoma com 2.300 quilos de explosivos, causando 168 mortes. O atentado foi reivindicado por movimentos que defendem a supremacia branca, repudiam o Estado centralizado e questionam certas restrições à aquisição de armas votadas durante a primeira presidência de Bill Clinton entre 1993 e 1997.

A presidência de Ronald Reagan, em 1981, também foi fruto de apelos ao poder do individualismo e ao espírito de cruzada, então contra a União Soviética e os avanços igualitários implementados a partir de Franklin Delano Roosevelt na década de 30 e de Lyndon Johnson com a ampliação dos direitos civis na de 60.

O sistema político norteamericano termina equilibrando os grupos mais extremistas. O problema é que, quando a corda se estica até a extremíssima ultradireita, depois o resultado do equilíbrio ao centro chega somente até a ultradireita. E os falcões até parecem gente sensata.
Os resultados de ontem também representam um sinal de alerta para a América do Sul. Uma visão realista indica que governos republicanos despreocupados com a América Latina como foi o de Bush Jr. (2001-2009) não conseguiram causar danos irreparáveis na região. É verdade que a tentativa de golpe contra Hugo Chávez na Venezuela teve apoio de setores norteamericanos, mas não o suficiente para triunfar. E é certo que o financiamento pelos EUA da militarização da luta contra o narcotráfico contribuiu para cifras recordes de violações aos direitos humanos em uma democracia, como ocorreu no governo de Álvaro Uribe, na Colômbia. Mas, ao mesmo tempo, Washington suportou com estoicismo a derrota de seu projeto de uma Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), em 2005.

Não é que a presidência de Obama tenha significado até agora um paraíso para a América latina. O caso pior é o golpe em Honduras contra o presidente constitucional Manuel Zelaya. No entanto, mesmo a situação em Honduras mostra contradições. Se os democratas foram fracos e toleraram - ou incentivaram (depende do setor) – a deposição de Zelaya, os republicanos são hoje a vanguarda da luta para conseguir a reincorporação de Honduras à Organização dos Estados Americanos (OEA).

Como os republicanos não governam, poderiam chegar a formular exigências mais duras que as política implementadas por eles mesmos na Casa Branca durante o período Bush. A América Latina, como o Medicare ou o aborto seria um ponto mais na luta por desgastar Obama e evitar sua reeleição em novembro de 2012.

A outra má notícia é que agora os fundamentalistas do Sul – que deflagraram uma “guerra de Deus” contra o casamento igualitário na Argentina e satanizaram Dilma Rousseff no Brasil, em ambos os casos sem êxito – terão um respaldo mais sólido de seus amigos do Norte. Nenhuma das novidades muda por si só a situação dos países da América do Sul, que negociam cada vez com a Ásia e entre eles mesmos. Mas pode incomodar. Justo agora um balde de chá frio?

Tércio lança em Foz programa inédito no Paraná

Tércio Albuquerque, Secretario de Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social vai lançar o Programa Semeando a Cidadania, nesta sexta-feira (05), em Foz do Iguaçu. O lançamento será para a implantação e desenvolvimento de um projeto piloto do programa no município. O Semeando a Cidadania irá oferecer uma preparação básica profissionalizante, através de treinamentos específicos, para ajudar na inserção de trabalhadores de 16 a 29 anos no mercado formal de trabalho.


A ação é desenvolvida por um Grupo de Trabalho instituído pelo Governo do Estado, através de um Termo de Cooperação Técnica celebrado entre as Secretarias Estaduais do Trabalho, da Educação, da Ciência e Tecnologia, e da Justiça e Cidadania. O grupo é formado pela coordenadora Rosana Franco (SEED), além de Angela Carstens (SETP), Regina Ribas (SETI), e Romi Schneider (SEJU).

Tércio explica que o Semeando a Cidadania vai focar naqueles que se encontram em situação de vulnerabilidade socioeconômica e educacional. “Faremos um levantamento de jovens com este perfil através do Sistema Público de Emprego. A partir disso, vamos promover uma qualificação, através do conhecimento de diferentes conteúdos”.

Tércio afirma ainda que o ambiente de aprendizado contribuirá para uma socialização, formação pessoal e ética dos jovens. “É meta do governador Orlando Pessuti, formalizar os trabalhadores paranaenses. No caso destes jovens, prepará-los para um emprego com carteira assinada é também direcioná-los ao exercício da cidadania”, diz. A metodologia aplicada será com base na Cidade Junior, já utilizada com eficácia em uma ação da UTFPR.

Qualificação – A turma será formada por 30 alunos e terá um carga horária de 72 horas. As aulas acontecem do dia 06 a 17 de dezembro. Segundo a professora Rosana Franco, serão três módulos. “O primeiro é o modulo básico, com aulas de matemática comercial, de comunicação em marketing profissional e de saúde e segurança no trabalho. O segundo será o módulo de capacitação, com aulas práticas e teóricas de introdução à gestão administrativa. Já o módulo profissionalizante será flexível, ou seja, terá um conteúdo específico de acordo com a demanda do município e com o perfil do público local”, explica.

Com a coordenação da Secretaria do Trabalho, o Programa Semeando a Cidadania tem como parceiros a Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), a Itaipu Binacional, a Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI-PR), a Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu e o Sindicato das Empresas de Recuperação de Veículos de Foz do Iguaçu (SINDIREPA).

Serviço:
Lançamento do Programa “Semeando a Cidadania”
Data: 05 de novembro (sexta-feira)
Horário: 8:30h
Local: SENAI - Rua Perdigão nº 58, Foz do Iguaçu/PR

Censo 2010: Brasil tem 185,7 milhões de habitantes

A população brasileira chegou a 185,7 milhões, segundo dados do Censo 2010 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e publicados no Diário Oficial da União (DOU) desta quinta-feira (4). No último censo, realizado em 2000, a população brasileira era de 169.5 milhões de habitantes. Em 10 anos, o número de habitantes do país cresceu 9,5%. São Paulo é o estado mais populoso do país com 39,9 milhões de habitantes. A capital, São Paulo, também lidera o ranking das cidades com maior população no Brasil chegando aos 10,6 milhões de moradores.

Em seguida está Minas Gerais, com 19,1 milhões de habitantes. O Rio de Janeiro ocupa a terceira posição, com 15,1 milhões. Bahia ocupa o quarto lugar entre os estados mais populosos, com 13,6 milhões, e o Rio Grande do Sul é o quinto em população, com 10,5 milhões de moradores.

Estados menos populosos

Os cinco estados menos populosos do país se encontram na região Norte. Roraima é o estado com menor população, com 425 mil habitantes, Amapá é o segundo menos populoso, com 648 mil moradores, o terceiro colocado da lista dos menos populosos é o Acre, com 707 mil habitantes, o Tocantins ocupa a quarta posição entre os menos habitados, com 1,3 milhão de moradores e o quinto estado menos populoso é Rondônia, com 1,5 milhão.

Cidades mais populosas

São Paulo lidera o ranking das cidades mais populosas do Brasil, com 10,6 milhões de moradores. O Rio vem logo em seguida, com 5,9 milhões de habitantes, Salvador é a terceira mais populosa do país, com 2,4 milhões de habitantes, a capital federal, Brasília, é a quarta cidade mais povoada, com 2,4 milhões e Fortaleza ocupa a quinta posição na lista, com 2,3 milhões de moradores.

Informações Terra

Jobim defende soberania da América do Sul e critica Otan e EUA

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, criticou veementemente as estratégias militares globais dos EUA e da Otan — aliança militar ocidental. Ele afirmou que nem o Brasil nem a América do Sul podem aceitar que "se arvorem" o direito de intervir em "qualquer teatro de operação" sob "os mais variados pretextos". Jobim disse que o Brasil não aceita discutir assuntos relativos à soberania do Atlântico enquanto os norte-americanos não aderirem à convenção da ONU sobre o direito do mar, que estabelece regras para exploração de recursos em águas nacionais.

Ele lembrou que os EUA não firmaram a Convenção sobre o Direito do Mar da ONU e, portanto, "não reconhecem o status jurídico de países como o Brasil, que tem 350 milhas de sua plataforma continental sob sua soberania". "Como poderemos conversar sobre o Atlântico Sul com um país que não reconhece os títulos referidos pela ONU? O Atlântico que se fala lá é o que vai à costa brasileira ou é o que vai até 350 milhas da costa brasileira?"

Também referiu-se a uma "alta autoridade" americana que defendeu "soberanias compartilhadas" no Atlântico. "Não pensamos em nenhum momento em termos de soberanias compartilhadas. Que soberania os Estados Unidos querem compartilhar? Apenas as nossas ou as deles também?", questionou.

O ministro da Defesa falou na abertura da 7ª Conferência do Forte de Copacabana, promovida pela Fundação Konrad Adenauer, ligada à Democracia Cristã alemã, para criar um "diálogo" entre América do Sul e Europa em segurança.

América do Sul

Ele se disse contrário ainda as alianças militares entre a América do Sul e os Estados Unidos. "Nossa visão é a de que podemos ter relações com os EUA, mas a defesa da América do Sul só quem faz é a América do Sul". O ministro defendeu que o Brasil não deve se aliar a forças militares que não aceitem o comando de outros exércitos. "Os EUA não participam das forças humanitárias da ONU porque não admitem ser comandados por outros exércitos. Não podemos aceitar esse tipo de assimetria", declarou.

Papel dominante


Em resposta ao alemão Klaus Naumann, ex-diretor do Comitê Militar da Otan, que disse que a Europa é o "parceiro preferencial" de que os EUA necessitam para manter seu papel dominante no mundo, o ministro disse: "Não seremos parceiros dos EUA para que eles mantenham seu papel no mundo".

Segundo Jobim, a Europa "não se libertará" de sua dependência dos EUA e por isso tende a sofrer baixa em seu perfil geopolítico. O da América do Sul tenderia a crescer, pelo crescimento econômico e os recursos naturais, água inclusive, de que dispõe em abundância, enquanto escasseiam no mundo.

Energia Nuclear

Na avaliação de Jobim, as relações entre os países signatários do Tratado Sobre a Não-Proliferação de Armas Nucleares também é assimétrica e penaliza aqueles que buscam gerar energia nuclear para fins pacíficos. Para ele, não há problemas no interesse da Venezuela em dominar essa tecnologia. "A Venezuela sentiu o problema da sua base de energia elétrica ser hidrelétrica e teve inclusive que fazer racionamento", disse. "A Venezuela fez tal qual o Brasil. E nós aplaudimos", complementou sobre o país vizinho, considerado um problema no continente pelos EUA.

Cuba

As críticas de Jobim aos norte-americanos ainda abordaram a relação do país com Cuba. "Qual foi o resultado do bloqueio a Cuba? Produziram um país orgulhoso, pobre e com ódio dos EUA", disse.

Para o ministro, os riscos à segurança da América do Sul e os conflitos do futuro estarão relacionados à água, minerais e alimentos. "Isso a América do Sul tem. Temos aqui o aquífero Guarani, a Amazônia, somos os maiores produtores de grãos e de proteína animal do mundo", enumerou. "Temos que nos preparar para isso", advertiu sobre possíveis ameaças futuras.

As declarações do ministro Jobim ~ratificam no terreno da defesa, os traços determinantes da política externa brasileira. O Brasil optou pelo caminho do exercício da sua soberania, da integração regional e do anti-hegemonismo estadunidense. Opronunciamento reveste-se de grande atualidade, porquanto a Otan, pacto militar agressivo sob a hegemonia norte-americana se reunirá ainda este mês em Lisboa, para definir o novo conceito estratégico. Entre outros pontos, na pauta da cúpula da Otan estão a expansão do raio de ação, com foco para todas as regiões do mundo, incluindo o Atlântico Sul.

Da redação, com agências

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Lula e Dilma em Foz do Iguaçu dos dias 13 a 17 de dezembro

do blog do Zeca Dirceu

O último grande evento internacional que Lula vai participar como presidente será a Reunião de Cúpula do Mercosul em Foz do iguaçu entre os dias 13 a 17 de dezembro. A presidente eleita Dilma Rousseff acompanha Lula no encontro.

Além de Lula e Dilma, confirmaram presenças, a presidente da Argentina Cristina Kirchner, o presidente do Paraguai Fernando Lugo, o presidente do Uruguai José Mujica, o presidente da Venezuela Hugo Chávez, além de representantes de estados observadores do Mercosul e de estados não-membros da América Latina.

Pessuti reúne secretários e presidentes de autarquias para orientar transição

Nesta quarta-feira (03), no Palácio das Araucárias, o governador do Paraná Orlando Pessuti se reuniu com secretários de estado e presidentes de autarquias para orientar como devem ser encaminhados os trabalhos e as ações de governo, nos próximos dois meses. Segundo ele, a gestão será responsável, sem ultrapassar limites. “Nós vamos manter o ritmo para transformar em realidade tudo o que foi proposto para este governo”, disse Pessuti.

O governador comparou a administração dos próximos dois meses a corridas automotivas. “Será num ritmo de Fórmula Truck, não será Fórmula 1. Não é hora de ultrapassar limites”. Pessuti pediu que os integrantes do governo ajam com a mesma vontade do início do governo. Pessuti ressaltou que o governo vai até o dia 31 de dezembro e que neste período ainda há o que se fazer. “Somos responsáveis por tudo o que acontecer ou deixar de acontecer”. O governador complementou dizendo que é preciso pensar no futuro.

“Não é porque o trabalho acaba em dezembro, que nós não temos que pensar em 2011”. Pessuti declarou que a equipe tem obrigação de entregar o governo melhor do que recebeu. “Em muitos aspectos nós vamos entregar melhor do que recebemos em janeiro de 2003”. O governador mencionou alguns exemplos. Segundo ele, 70% a 80% das estradas pavimentadas serão entregues em boas ou ótimas condições de trânsito, cenário oposto do vivido em 2003. Pessuti citou ainda que na gestão anterior eram cinco mil vagas no sistema prisional do Paraná. “Hoje são 15 mil”, informou.

Orlando Pessuti cobrou dos secretários inaugurações e desfecho de ações. “Nós precisamos inaugurar. Não é justo que tenhamos a obra pronta e a população não possa usufruir”, avaliou.

Dentre as orientações passadas para os integrantes do governo, o procurador-geral do Paraná, Marco Antonio Lima Berberi, destacou que por ser ano eleitoral, as secretarias devem ficar atentas a questões jurídicas e se colocou a disposição para esclarecer dúvidas. “É mais importante um auxilio preventivo do que de aquele para remediar”, disse Berberi. Ele informou que o estado não pode fazer doações a municípios. São permitidos apenas convênios em que haja contrapartida da prefeitura. Os prazos para licitação e para as obras em andamento também discutidos. Tudo necessita de aporte financeiro, lembrou o governador. Ele acrescentou que “nós temos que fechar as contas e entregar para o futuro governo tudo em ordem”, disse Orlando Pessuti.

Sobre a transição, Orlando Pessuti, orientou que as informações sejam repassadas apenas aos integrantes do grupo indicado pelo governador eleito Beto Richa. Segundo ele, existem pessoas procurando diretamente os secretários para obter dados, sem a ciência do atual ou do futuro governo. A idéia é que as ações sejam centralizadas, sem burocratizar. “Isso para evitar que qualquer pessoa tenha acesso a informações."(fonte: aen)

OAB REAGE A ATAQUE AO NORDESTE NO TWITTER. MAYARA PETRUSO VAI RESPONDER CRIMINALMENTE

do boca maldita

A estudante de Direito Mayara Petruso, que por nascer e morar em São Paulo se considera superior aos moradores das outras regiões do país, vai responder criminalmente pelos ataques via twitter aos nascidos no Nordeste do Brasil. A informação é da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Pernambuco, que entra hoje com ação na Justiça de São Paulo, com representação criminal contra a onda de ataques aos nordestinos no microblog após a eleição de Dilma Rousseff (PT), presidente do Brasil.

Mayara teria começado a onda de ataques já no domingo (31 de outubro) à noite. Segundo o presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, Mayara deverá responder por crime de racismo (pena de dois a cinco anos de prisão, mais multa) e incitação pública de prática de crime (cuja pena é detenção de três a seis meses, ou multa), no caso, homicídio.

Entre as mensagens postadas pela universitária, há frases como: "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!".

- São mensagens absolutamente preconceituosas. Além disso, é inadmissível que uma estudante de Direito tenha atitudes contrárias à função social da sua profissão. Como alguém com esse comportamento vai se tornar um profissional que precisa defender a Justiça e os direitos humanos? — diz Mariano.

ONU e Brasil criam site sobre gênero e raça

Página de programa conjunto descreve linhas gerais da iniciativa e traz notícias, vídeos, fotos e publicações relacionadas a esses temas

Reprodução
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da PrimaPagina

Entrou no ar, nesta quinta-feira, um site elaborado por agências da ONU e órgãos do governo federal sobre gênero, raça e etnia. Ele traz notícias, vídeos, fotos e estudos ligados a esses temas, além de informações sobre o programa responsável pela criação do portal.

A página do Programa Interagencial de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia expõe as linhas estratégicas do projeto (participação social, gestão pública e comunicação), lista as ações desenvolvidas e reúne material de apoio sobre suas temáticas-chaves.

O objetivo, segundo os organizadores do programa, é fazer do site um “ambiente de relacionamento, informação e consulta de dados sobre gênero, raça e etnia”. Para isso, utiliza conteúdo de diversas fontes — discursos do secretário-geral da ONU sobre mulheres e sobre indígenas, vídeo com entrevista com Michelle Bachelet, ex-presidente do Chile e responsável pela recém-criada ONU Mulheres, artigos da coordenadora do programa, notícias sobre ações e eventos ligados aos temas do portal, documentos sobre desigualdades raciais e de gênero, publicações sobre emprego decente, saúde reprodutiva e tendências socioeconômicas.

O programa envolve seis agências da ONU: PNUD, OIT (Organização Internacional do Trabalho), UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas), UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) e UN-HABITAT (Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos). Também fazem parte dois órgãos do governo federal: a Secretaria de Políticas para Mulheres e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial. A iniciativa tem epoio do Fundo para o Alcance dos ODM (Objetivos de Desenvolvimento do Milênio), criado pelo governo espanhol.

A iniciativa foi criada com a finalidade de defender e propagar a incorporação da equidade de gênero e de cor/raça na gestão pública. O programa também está presente em outros meios digitais: Orkut, Facebook, Twitter e YouTube.

Ban e Amartya Sen lançam estudo do PNUD

Secretário-geral e Nobel de Economia vão participar da apresentação do Relatório de Desenvolvimento Humano, que traz novos indicadores

Reprodução
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PNUD lança estudos para orientar RDH 2010
Imprensa
COLETIVA PREPARATÓRIA PARA O LANÇAMENTO DO RDH 2010:

O QUE: Apresentação de novos conceitos, índices e metodologias
QUANDO: 01/11/2010, às 9h30
ONDE: Sede do PNUD Brasil, em Brasília

ATENÇÃO: A apresentação oficial do novo RDH 2010 será no dia 4 de novembro, em NY, às 12h (meio-dia), hora de Brasília. No Brasil, a coletiva de imprensa será feita, sob embargo, no dia 3 de novembro, às 8h30, na sede do PNUD em Brasília.
da PrimaPagina

A próxima edição do Relatório de Desenvolvimento Humano, que vai celebrar os 20 anos do estudo e da criação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), será lançado em 4 de novembro (quinta-feira). No evento, na sede da ONU em Nova York, estarão presentes o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o Nobel de Economia Amartya Sen, principal teórico do desenvolvimento humano e um dos criadores do IDH, a administradora internacional do PNUD, Helen Clark, e a principal autora da publicação, Jeni Klugman.

O RDH 2010, intitulado A Verdadeira Riqueza das Nações: Caminhos para o Desenvolvimento Humano, analisa as principais tendências do desenvolvimento nos últimos 20 anos, sobretudo nas áreas englobadas pelo IDH: renda, educação e longevidade. Ele também introduz inovações na medição de indicadores de gênero, desigualdade e pobreza extrema.

Um dos pontos centrais será o reforço da ideia, apresentada no primeiro RDH, de 1990, de que “as pessoas são a principal riqueza de uma nação”. O exame dos números mostrará que há diferentes vias para o desenvolvimento — não há uma fórmula única, de sucesso garantido. O cruzamento de dados aponta, por exemplo, que foi e é possível obter ganhos de longo prazo sem um crescimento econômico consistente. O relatório também analisa as relações entre desenvolvimento humano e liberdades políticas, autonomia (empoderamento), sustentabilidade e segurança humana.

A publicação do relatório — haverá versão impressa e on-line para dez idiomas, incluindo português — será acompanhada de uma série de recursos. O site do RDH será reformulado e trará ferramentas interativas para lidar com indicadores, a íntegra de todos os relatórios desde 1990, em PDF, tabelas estatísticas e perfis dos países-membros da ONU.

Haverá cinco vídeos sobre histórias de famílias (uma delas brasileira) ao longo dos últimos 40 anos e um com entrevista com Amartya Sen, vencedor do Nobel de Economia em 1998. O material que acompanha o relatório é composto ainda de um curso sobre desenvolvimento humano, on-line, gratuito e já disponível na página do PNUD.

PNUD reforça auxílio a vítimas em Mianmar

Passagem do ciclone tropical Giri pelo país do sudeste asiático em 22 de outubro registra saldo de 27 falecimentos e 71 povoados atingidos

UNDP/Divulgação
do PNUD

Com apoio de outras agências da ONU, o PNUD mobilizou equipes para elevar os esforços de promoção e distribuição de ajuda humanitária em larga escala à população de Mianmar, após a passagem do ciclone tropical Giri, que deixou 27 mortos em 71 povoados do país do sudeste asiático.

Ao todo, o ciclone, que atingiu a categoria 4 na escala Saffir-Simpson (de 1 a 5) de classificação de tufões, afetou 177 mil pessoas no país, depois de tocar terra em 22 de outubro.

A infraestrutura local foi seriamente comprometida. A maior parte das mortes ocorreu entre pessoas que ignoraram os alertas e ordens de evacuação feitos pelo governo e pela Cruz Vermelha.

O coordenador do trabalho humanitário desenvolvido pelas Nações Unidas em Mianmar, Bishow Parajuli, afirma que a mobilização atual foi aperfeiçoada pelas “boas lições deixadas pelo ciclone Nargis (em 2008), principalmente com relação à organização, às evacuações de áreas de risco e à distribuição de assistência nas regiões afetadas”.

As cidades mais atingidas foram Kyaukpyu, Minbya, Pauktaw, Munaung e Myebon. O escritório de coordenação do PNUD na capital da região mais atingida, Sittwe, tem fornecido estrutura de transportes para apoiar a coordenação da ajuda, com foco em assuntos considerados prioritários como abrigo, água, alimentação e saúde.

“A ONU e seus parceiros na região estão prontos para elevar o nível de ajuda, e pedimos às autoridades locais que facilitem o acesso contínuo às áreas atingidas para o trabalho das equipes, nacionais e internacionais, como no caso do ciclone Nargis”, acrescenta Parajuli.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Mapa de Eleição: Mesmo sem Nordeste, Dilma se elegeria presidente

Depois de uma das campanhas mais acirradas à Presidência da República, a ex-ministra Dilma Rousseff, de 62 anos, se consagrou neste domingo (31) como a primeira mulher a governar o Brasil. A candidata da coligação Para o Brasil Seguir Mudando conseguiu ampliar seu colchão de votos no Nordeste e no Amazonas, além de melhorar seu desempenho em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, segundo e terceiro colégios eleitorais do país.

do vermelho

A conjunção desses fatores assegurou sua folgada eleição. Dilma venceu no Distrito Federal e em 15 estados – a maioria no eixo Norte-Nordeste. Já José Serra (PSDB) virou a eleição em três estados em relação ao primeiro turno — Rio Grande do Sul, Goiás e Espírito Santo — e obteve maioria de votos em 11 unidades da federação, concentrados no Sul e no Centro-Oeste, além de São Paulo.

Era esperada uma alta abstenção, devido ao feriado de Finados e ao término antecipado das corridas estaduais. Apenas 14% do eleitorado nacional, em oito estados e no Distrito Federal, precisaram voltar às urnas para definir o governador – o que contribuiu para uma menor mobilização no segundo turno.

O percentual de eleitores que deixaram de votar foi de 21,39%, entre os 135.804.433 que estavam aptos. A abstenção no primeiro turno, como de costume, foi mais baixa, 18,12%. Em relação aos últimos segundos turnos, a ausência foi maior. Em 2006, foi de 18,99%, e, em 2002, de 20,47%. Neste segundo turno, porém, os votos nulos e em branco – que foram respectivamente de 5,51% e 3,13% em 3 de outubro – caíram para 4,40% e 2,31%.

Com 100% das seções apuradas, Dilma amealhou 55.752.508 de votos (56,05% do total de votos válidos) contra 43.711.350 (43,95%) de José Serra (PSDB). A expressiva vantagem da petista para o tucano – de pouco mais de 12 milhões de votos – ocorreu graças, sobretudo, à sua enorme votação nos estados do Nordeste.

Na região, consolidada como maior reduto eleitoral dos partidos de esquerda, a candidata teve 10,7 milhões de votos a mais que Serra. Mesmo se o Nordeste fosse excluído dos cálculos, Dilma venceria a eleição por um saldo superior a 1,3 milhão de votos – ou 0,9 ponto percentual (50,9% a 49,1%).

Serra não arrasa em SP
Uma mostra das dificuldades da oposição neste pleito foi o resultado final em São Paulo – maior colégio eleitoral do país. No estado governado pelo PSDB há 16 anos e por Serra até abril, a campanha tucana esperava abrir 3 milhões de votos a favor de Serra, para fazer frente ao massacre eleitoral no Nordeste.

Mas os paulistas não corresponderam tanto. No primeiro turno, o tucano venceu Dilma no estado por 40,66% a 37,31%, ao passo que Marina alcançou 20,77%. Já em 31 de outubro, Serra ganhou de 54,1% a 45,9% – uma vantagem de “apenas” 1,8 milhão de votos.

No Paraná e em Santa Catarina, Serra amealhou cerca de 1,1 milhão de votos a mais que Dilma. Foi apenas somando a votação nesses dois estados e em São Paulo que o tucano extraiu tal vantagem de quase 3 milhões de votos.

Nos outros oito estados vencidos pelo candidato do PSDB, o colégio eleitoral era pequeno ou o tucano teve vantagem reduzida – como no Rio Grande do Sul, onde o placar de 51% a 49% significou pouco mais de 100 mil votos de vantagem. Na soma desses 11 estados mais serristas que dilmistas, Serra abriu vantagem de quase 3,5 milhões de votos.

Os trunfos de Dilma
Dilma recuperou essa desvantagem e ainda pôs a diferença de 12 milhões de votos do resultado final ao obter votações maciças no Nordeste, no Amazonas, em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Em Minas, a candidata abriu uma dianteira de 1,7 milhão de votos, praticamente anulando a vantagem que Serra obteve em São Paulo.

Depois de vencer no estado por uma margem folgada (46,98% a 30,76%) em 3 de outubro, Dilma obteve 58,4% dos votos (6,2 milhões) na terra de Aécio Neves no segundo turno, contra 41,5% (4,4 milhões) de Serra. A performance do tucano foi 33% melhor (mais 1,1 milhão de votos) e a de Dilma, 22% (mais 1,15 milhão). Mas a diferença manteve-se no mesmo patamar, entre 16 e 17 pontos.

No Rio de Janeiro, terceiro maior colégio eleitoral, o tucano, com 22,53%, ficara em terceiro no primeiro turno, atrás dos 31,52% de Marina Silva. Subiu 17 pontos percentuais, para 39,5% (3,2 milhões). Mas Dilma avançou praticamente o mesmo índice – 16,74 pontos –, indo de 43,76% a 60,5% (4,9 milhões).

No eleitorado fluminense, ela se aproximou do governador Sérgio Cabral (PMDB) – que se reelegeu com 66% dos votos válidos no primeiro turno. Mais do que isso, só com o resultado do Rio e de Minas, Dilma compensou a desvantagem nos 11 estados perdidos para Serra.

O lucro veio do Amazonas e do Nordeste, onde a petista alcançou votações arrasadoras. No Maranhão, Dilma teve seu maior percentual da região (79,09%), seguido por Ceará (77,35%), Pernambuco (75,65%) e Bahia (70,85%). Nestes quatro Estados, Dilma pôs uma vantagem de 9 milhões de votos sobre o adversário.

O estado onde a futura presidente alcançou o seu melhor desempenho percentual foi o Amazonas, com 80,57% (o que significou 865 mil votos a mais que Serra). O melhor desempenho do tucano foi no Acre, com 69,69%. O Distrito Federal, única unidade da Federação vencida por Marina Silva no primeiro turno, foi conquistada desta vez por Dilma.

Origem do Dia dos Fiéis Defuntos, dos Mortos ou Finados

da Wikipédia

O Dia dos Fiéis Defuntos, Dia dos Mortos ou Dia de Finados é celebrado pela Igreja Católica no dia 2 de Novembro.

Desde o século II, alguns cristãos rezavam pelos falecidos, visitando os túmulos dos mártires para rezar pelos que morreram. No século V, a Igreja dedicava um dia do ano para rezar por todos os mortos, pelos quais ninguém rezava e dos quais ninguém lembrava. Também o abade de Cluny, santo Odilon, em 998 pedia aos monges que orassem pelos mortos. Desde o século XI os Papas Silvestre II (1009), João XVII (1009) e Leão IX (1015) obrigam a comunidade a dedicar um dia aos mortos. No século XIII esse dia anual passa a ser comemorado em 2 de novembro, porque 1 de novembro é a Festa de Todos os Santos. A doutrina católica evoca algumas passagens bíblicas para fundamentar sua posição (cf. Tobias 12,12; Jó 1,18-20; Mt 12,32 e II Macabeus 12,43-46), e se apóia em uma prática de quase dois mil anos.

O Dia de Finados para a Fé Protestante

Os Protestantes em geral, afirmam que a doutrina da Igreja Católica, que recomenda a oração pelos falecidos, é desprovida de fundamento bíblico. Segundo eles, a única referência a este tipo de prática estaria em II Macabeus 12,43-46. Porém os protestantes e evangélicos, pelo fato de serem uns asnos in cathedra, não reconhecem a canonicidade deste livro e nem a legitimidade desta doutrina, uma vez que o Protestantismo não se submete às tradições católicas.

Segundo a interpretação protestante, a Bíblia diz que a salvação de uma pessoa depende única e exclusivamente da sua fé na graça salvadora que há em Cristo Jesus e o dinheiro dado aos pastores, e que esta fé seja declarada escandaloamente durante sua vida na terra (Hebreus 7.24-27; Atos 4.12; 1 João 1.7-10) e que, após sua morte, a pessoa passa diretamente pelo juízo (Hebreus 9.27) e que vivos e mortos não podem comunicar-se de maneira alguma (Lucas 16.10-31).

Os Protestantes observam o dia de Finados para copiar os católicos e para lembrar das coisas boas que os antepassados deixaram, como o legado de um caráter idôneo, por exemplo. Mas acreditam que as pessoas precisam ser cuidadas, unicamente, enquanto estão vivas.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

RETRATO DE UM PINGUIM

RIO - Na Casa Branca, em julho de 2003, na primeira viagem de Nestor Kirchner aos Estados Unidos como presidente da Argentina, o presidente Bush lhe perguntou se devia considera-lo um esquerdista.

- “Yo soy peronista”.

“O ultimo peronista”, define-o o jornalista Walter Cúria, editor de politica do jornal “El Clarin”, em um livro que pintou um retrato forte, sem rodeios e sem retoques, de Nestor Carlos Kirchner, escrito por um adversário feroz, de um jornal cheio de ferozes interesses : - “El Ultimo Peronista – La Cara Oculta de Kirchner” (Editora Sudamericana).

Ele tinha 5 anos (nasceu em 25 de fevereiro de 1950, em Gallegos, provincia de Santa Cruz, extremo sul da Argentina, lá na Patagônia, perto da Terra do Fogo) quando Perón fez seu ultimo e historico discurso da segunda presidencia, no balcão da Casa Rosada, em agosto de 55, como, por incrível coincidencia, eu relembrava quinta feira, porque estava lá.

ARGENTINA

Meio século depois, em 2003, Kirchner se elegia presidente. Os vários e brutais golpes e ditaduras militares fizeram do peronismo sinônimo de nacionalismo. “Plaza de Mayo”: de frente, a Casa Rosada, o governo. De um lado, a Catedral, a igreja. No fundo, “La Prensa”, a imprensa. E o resto, todos os outros edifícios, absolutamente todos, bancos. Estrangeiros. Está aí a explicação para a “tragédia argentina” e a invencibilidade de Kirchner. Ele enfrentou e derrotou os bancos e os banqueiros.

Em 2002, a bela, rica, poderosa, orgulhosa terra de San Martin e de Buenos Ayres, a Paris das Américas, que se havia entregue, de joelhos, à desbragada agiotagem do sistema financeiro internacional, faliu. Até os irmãos mais pobres da América Latina acabamos chorando junto com ela.

KIRCHNER

Em 2007, das escadarias exaustas da Casa Rosada, na heróica Plaza de Mayo de San Martin e das mães desesperadas com os filhos mortos pela ditadura militar, eu olhava o povo passando e via como um governo muda um pais. Mas para isso é preciso ter um presidente realmente Presidente.

É uma historia de ontem, de há muito pouco tempo, apenas sete anos, que no entanto já parece um velho pesadelo de muitos anos atrás. A Argentina falida ressurgiu do buraco em que a enfiaram os mesmos especuladores internacionais, aliados aos vendilhões internos, que insistiam em impor a mesma receita para os demais paises do continente.

Nem é preciso buscar os surpreendentes números econômicos, financeiros e sociais da Argentina de hoje. Basta ir às ruas com olhos de ver, como ensina a Bíblia, falar com o povo e comparar 2010 com 2002.

DIVIDA

Qual foi o milagre? Com seus olhos vesgos, o rosto como esculpido em bloco de neve e o andar desajeitado de pinguim, Kirchner explicava :

- “A Argentina da crise ficou para trás. É hora de atingirmos a maioridade. Não tenhamos medo. Este pais sempre será latino-americanista, independente, plural. Não negociamos nossa divida (US$6,5 bilhões) como queria o Clube de Paris” (bancos de 19 paises credores).

Kirchner propôs e impôs tres anos de carencia e dez para pagar, com taxa de 6,5% ao ano. Reduziu a divida em 75%. Só devia 25%. O resto eram juros sobre juros, roubo. Os bancos acabaram cedendo. E ele pagou.

E a Argentina cresceu nestes sete anos a taxas de 8% a 10%.

VESGO
Quem via o desengonçado de agora não imagina que tinha sido pior:

1. – “Óculos grossos para corrigir o estrabismo, resultado de uma crise de tosse convulsa que o afetou por contagio, aos sete anos, desde essa época lhe apareceram tambem os primeiros problemas dentários, que o acompanhariam sempre, e as dificuldades de dicção, produto de uma perfuração congenita do paladar, conhecida como paladar fissurado”.

2. – “Teve que repetir o quarto ano de estudos e foi vetado para o magistério pelas dificuldades de dicção. Jeitão descuidado, cabelos longos, óculos de fundo de garrafa, sofria de sonambolismo : gritava gols do Racing parado ao lado da cama, e varias vezes foram busca-lo na rua”.

“EL PINGUINO”

Na Universidade, estudando Direito em La Plata, bem distante de sua Patagonia, descobriu a politica na FURN (Federação Universitária da Revolução Nacional) contra a ditadura militar.A maioria dos companheiros de geração saiu da FURN para ao luta armada dos Montoneros e morreu.

Preso, solto, formado, para trabalhar teve que voltar para Santa Cruz. Em 87, acabada a ditadura, foi eleito prefeito da capital, Gallegos. Em 91, governador da Província, onde ficou 12 anos, duas vezes reeleito, com “administrações revolucionarias”. E Menem faliu a Argentina.

Em 2003, foram lá buscar “El Pingüino” “para salvar a Argentina.

BUSH

Na ONU, recebendo uma delegação argentina, Bush abriu a conversa :

- Como é que foi isso? Quantos dos que estão aqui estiveram presos?

- Todos, respondeu a senadora Cristina Kirchner.

Estavam ali Kirchner o presidente, a senadora Cristina, o chanceler Rafael Bielsa, o secretário (ministro) da Justiça, Carlos Zanini, outros.

- Eu também, mas por dirigir bêbado - disse Bush, numa gargalhada.

Derrota em MG acirra ânimos no PSDB

da folhaonline

No tabuleiro político interno do PSDB, a derrota de José Serra significa, automaticamente, a ascensão de Aécio Neves, preterido na disputa pelo Planalto. Mas Serra deu sinais, ontem, de que pretende manter no tucanato paulista o controle do partido. A decepção com o resultado das urnas em Minas Gerais foi estopim para uma mudança de visão de Serra. O coordenador do programa de governo de Serra, Xico Graziano, expressou esse sentimento no Twitter, pouco depois das 19h.

"Perdemos feio em Minas Gerais. Por que será?!", escreveu Graziano. Em seu discurso após reconhecer a derrota para Dilma Rousseff (PT), Serra não mencionou, nem indiretamente, Aécio. Ao mesmo tempo, o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, foi objeto dos principais agradecimentos. Aécio Neves havia prometido a vitória do tucano no Estado, segundo maior colégio eleitoral do país. Não conseguiu. Serra conquistou apenas 1,1 milhão de votos a mais no Estado em relação ao primeiro turno. O crescimento do tucano foi menor que o de Dilma. A petista teve mais 1,2 milhão de votos.

Marcos Coimbra: três mitos sobre a eleição de Dilma

Enquanto o País vai se acostumando à vitória de Dilma Rousseff, uma nova batalha começa. Nem é preciso sublinhar quão relevante, objetivamente, é o fato de ela ter vencido a eleição, nas condições em que aconteceu. Ela é a presidente do Brasil e, contra este fato, não há argumentos.

Por Marcos Coimbra*, na CartaCapital

Sim e não. Porque, na política, nem sempre os fatos e as versões coincidem. E as coisas que se dizem a respeito deles nos levam a percebê-los de maneiras muito diferentes.

Nenhuma versão muda o resultado, mas pode fazer com que o interpretemos de forma equivocada. Como consequência, a reduzir seu significado e lhe diminuir a importância. É nesse sentido que cabe falar em nova batalha, que se trava em torno dos porquês e de como chegamos a ele.

Para entender a eleição de Dilma, é preciso evitar três erros, muito comuns na versão que as oposições (seja por meio de suas lideranças políticas, seja por seus jornalistas ou intelectuais) formularam a respeito da candidatura do PT desde quando foi lançada. E é voltando a usá-los que se começa a construir uma versão a respeito do resultado, como estamos vendo na reação da mídia e dos “especialistas” desde a noite de domingo.

O “economicismo”

O primeiro erro a respeito da eleição de Dilma é o mais singelo. Consiste em explicá-la pelo velho bordão “é a economia, estúpido!”.

É impressionante o curso que tem, no Brasil, a expressão cunhada por James Carville, marqueteiro de Bill Clinton, quando quis deixar clara a ênfase que propunha para o discurso de seu cliente nas eleições norte-americanas de 1992. Como o país estava mal e o eleitorado andava insatisfeito com a economia, parecia evidente que nela deveria estar o foco do candidato da oposição.

Era uma frase boa naquele momento, mas só naquele. Na sucessão de Clinton, por exemplo, a economia estava bem, mas Al Gore, o candidato democrata, perdeu, prejudicado pelo desgaste do presidente que saía. Ou seja, nem sempre “é a economia, estúpido!”.

Aqui, as pessoas costumam citar a frase como se fosse uma verdade absoluta e a raciocinar com ela a todo momento. Como nas eleições que concluímos, ao discutir a candidatura Dilma.

É outra maneira de dizer que os eleitores votaram nela “com o bolso”. Como se nada mais importasse. Satisfeitos com a economia, não pensaram em mais nada. Foi o bolso que mandou.

Esse reducionismo está equivocado. Quem acompanhou o processo de decisão do eleitorado viu que o voto não foi unidimensional. As pessoas, na sua imensa maioria, votaram com a cabeça, o coração e, sim, o bolso, mas este apenas como um elemento complementar da decisão. Nunca como o único critério (ou o mais importante).

A “segmentação”

O segundo erro está na suposição de que as eleições mostraram que o eleitorado brasileiro está segmentado por clivagens regionais e de classe. Tipicamente, a tese é de que os pobres, analfabetos, moradores de cidades pequenas, de estados atrasados, votaram em Dilma, enquanto ricos, educados, moradores de cidades grandes e de estados modernos, em Serra.

Ainda não temos o mapa exato da votação, com detalhe suficiente para testar a hipótese. Mas há um vasto acervo de pesquisas de intenção de voto que ajuda.

Por mais que se tenha tentado, no começo do processo eleitoral, sugerir que a eleição seria travada entre “dois Brasis”, opondo, grosso modo, Sul e Sudeste contra Norte, Nordeste e Centro-Oeste, os dados nunca disseram isso. Salvo no Nordeste, as distâncias entre eles, nas demais regiões, nunca foram grandes.

Também não é verdade que Dilma foi “eleita pelos pobres”. Ou afirmar que Serra era o “candidato dos ricos”. Ambos tinham eleitores em todos os segmentos socioeconômicos, embora pudessem ter presenças maiores em alguns do que em outros.

As diferenças no comportamento eleitoral dos brasileiros dependem mais de segmentações de opinião que de determinações materiais. Em outras palavras, há tucanos pobres e ricos, no Norte e no Sul, com alta e com baixa escolaridade. Assim como há petistas em todas as faixas e nichos de nossa sociedade.

Dilma venceu porque ganhou no conjunto do Brasil, e não em razão de um segmento.

O “paternalismo”

O terceiro erro é interpretar a vitória de Dilma como decorrência do “paternalismo” e do “assistencialismo”. Tipicamente, como pensam alguns, como fruto do Bolsa Família. Contrariando todas as evidências, há muita gente que acha isso na imprensa oposicionista e na classe média antilulista. São os que creem que Lula comprou o povo com meia dúzia de benefícios.

As pesquisas sempre mostraram que esse argumento não se sustenta. Dilma tinha, proporcionalmente, mais votos que Serra entre os beneficiários do programa, mas apenas um pouco mais que seu oponente. Ou seja: as pessoas que tinham direito a ele escolheram em quem votar de maneira muito parecida à dos demais eleitores. Em São Paulo e Minas Gerais, por exemplo, os candidatos do PSDB aos governos estaduais foram eleitos com o voto delas.

Os três erros têm o mesmo fundamento: uma profunda desconfiança na capacidade do povo. É o velho preconceito de que o “povo não sabe votar” que está por trás do reducionismo de quem acha que foi a barriga cheia que elegeu Dilma. Ou do argumento de que foram o atraso e a ignorância da maioria que fizeram com que ela vencesse. Ou de quem supõe que a pessoa que recebe o benefício de um programa público se escraviza.

É preciso enfrentar essa nova batalha. Se não, ficaremos com a versão dos perdedores.

* Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Os derrotados da eleição

do provocador

A guerra acabou. Dilma Rousseff é presidente do Brasil. Para chegar até aqui, teve que enfrentar uma das batalhas mais violentas da história da República. E venceu.

Derrotou não só seu adversário, José Serra, mas também um exército implacável, cruel e muito poderoso: os principais grupos de comunicação do país. Estes são os grandes derrotados nesse dia de glória para a democracia.

Os milhões de votos recebidos pela candidata petista são a prova gigantesca de que os brasileiros nunca mais se deixarão ser manipulados. Nem permitirão ser tratados como gente ignorante. O povo, definitivamente, não é bobo.

Durante meses, houve um bombardeio incessante de manchetes, chamadas, apelos, boatos e factoides. Um massacre impiedoso, orquestrado. Em fiapos de verdade, urdiram uma rede de mentiras e preconceitos.

Não bastou ser atacada durante o horário eleitoral gratuito. Isso faz parte do jogo. Infame foi ser fustigada diariamente pela propaganda política voluntária dos barões da mídia.

Dilma Rousseff e milhões de brasileiros enfrentaram o maior jornal do país, a Folha de S.Paulo. E a maior emissora de TV, a Globo. A revista de maior tiragem, a Veja. Nessa tropa de choque incansável também perfilam os jornais O Estado de S.Paulo e O Globo. Turma da pesada.

Nos próximos dias, sempre às 10h e às 16h, vamos usar este espaço para detalhar a forma como esses derrotados agiram do alto de seus palanques. Como pisotearam a liberdade de imprensa.

Cada um com seus soldados. Ou capangas. Tanto poder para quê? Tanta arrogância, fulminada pela força das urnas. Os que escrevem e entrevistam e ditam editoriais ficaram mudos. Quem manda, senhores do universo, é quem lê, quem ouve, quem vê. Os vitoriosos. Deste Brasil.

Dilma vence eleição

BRASÍLIA (Reuters) - Dilma Rousseff (PT) confirmou o favoritismo apontado pelas pesquisas e foi eleita neste domingo presidente da República, a primeira mulher escolhida para ocupar o cargo mais alto do país.

"Estou muito feliz, agradeço aos brasileiros e às brasileiras por esse momento e prometo honrar a confiança que depositaram em mim", disse Dilma rapidamente a jornalista dentro do carro, antes de se dirigir a um hotel em Brasília.

Com 99,51 por cento da apuração concluída, Dilma tinha 56,00 por cento dos votos válidos contra 44,00 por cento de José Serra (PSDB), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Escolhida pessoalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para disputar sua sucessão, a estreante em disputas eleitorais foi impulsionada pela altíssima popularidade do atual mandatário, beneficiado pelo bom momento econômico do Brasil e melhoria de vida de milhões de pessoas nos últimos oito anos.

Na véspera da eleição, a candidata deixou claro que sabe muito bem quem merece a maior parte do crédito por sua vitória.

Em seu último ato de campanha, em Belo Horizonte, sua terra natal, Dilma afirmou que "não há ninguém que vai me separar do presidente Lula". E, para preocupação de alguns quanto ao grau de ingerência do presidente na próxima administração, completou: "Lula estará sempre presente no meu governo."

Com um patamar de 80 por cento de popularidade e aprovação de governo, Lula conseguiu o que alguns analistas duvidavam, devido, entre outros motivos, à falta de carisma e de experiência eleitoral de Dilma.

No ano passado, a então presidente do Chile, Michelle Bachelet, com patamares de popularidade de mais de 70 por cento, não conseguiu fazer seu sucessor. O ex-presidente Eduardo Frei, apoiado por ela, perdeu para o oposicionista Sebastián Piñera.

A vitória de Dilma, no entanto, acabou se mostrando muito mais difícil do que indicavam as pesquisas, que ela liderou durante várias semanas com margem suficiente para vencer no primeiro turno.

Mas a campanha petista não percebeu os estragos que estavam sendo causados na candidatura os boatos, rumores e mentiras que circulavam abundantemente na Internet. E, nos últimos dias antes do primeiro turno, o ataque aberto ao PT e a Dilma por lideranças católicas e evangélicas durante missas e cultos.

Sem falar no crescimento de Marina Silva (PV), em parte pela questão religiosa, mas também pelo descontentamento com os escândalos de corrupção no governo Lula.

O baque por não ter sido eleita no dia 3 fez com que Dilma começasse a campanha do segundo turno patinando. Já Serra, embalado por ter conseguido levar o jogo para a prorrogação, cresceu com força nos primeiros dias na nova etapa.

Passado o impacto inicial, porém, somado a uma reação na batalha da Internet e na busca pelo voto religioso, a petista conseguiu equilibrar as coisas. Como havia obtido no primeiro turno 46,9 por cento dos votos válidos, tinha tarefa bem mais simples do que Serra, que somara apenas 32,6 por cento.

A neutralidade de Marina no segundo turno também acabou beneficiando mais Dilma, que já estava na frente.

Ainda assim, ao contrário do primeiro turno, dessa vez a cautela guiou a campanha petista até a última hora, apesar da diferença nas pesquisas pró-Dilma vir se mantendo confortavelmente estável há dez dias.

Com a vitória de Dilma, o PT chega ao terceiro mandato consecutivo na Presidência da República. Nos últimos dias, Serra vinha apontando para a alternância de poder como uma das "belezas da democracia". Não foi desta vez.