segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Monica Serra contou ter feito aborto, diz ex aluna.

do portal Terra

O jornal Folha de S.Paulo publicou neste sábado (16) reportagem intitulada "Monica Serra contou ter feito aborto, diz ex aluna." O texto assinado pela colunista Monica Bergamo ocupa a metade inferior da página 10. A ex-aluna é Sheila Canevacci Ribeiro, de 37 anos, que teve Monica Serra como professora de dança na Universidade de Campinas (Unicamp).

A reportagem de Monica Bergamo descreve, a princípio, frases que Sheila postou em seu Facebook um dia depois do debate na TV Bandeirantes. Na segunda-feira, 11, Sheila dizia em seu perfil no Facebook que escrevia para "deixar minha indignação pelo posicionamento escorregadio de José Serra" em relação ao tema aborto.

Sheila escreveu, relata a Folha de S.Paulo, que Serra não respeitava "tantas mulheres começando pela sua própria mulher. Sim, Mônica Serra já fez um aborto", relatou a ex-aluna em texto republicado por sites e blogs ao longo da semana e que agora teve sua veracidade de autoria confirmada pela Folha.

A colunista Monica Bergamo relata ter conversado não apenas com Sheila, mas também com outra das ex-alunas de Mônica Serra que ouviram o relato da então professora sobre o aborto. À Folha, está dito na reportagem, "a bailarina diz que confirma 'cem por cento' tudo que escreveu" em seu Faceboook.

À colunista Monica Bergamo, Sheila confirmou um dos principais trechos escritos em seu Facebook. Nele, a ex-aluna de Monica Serra desabafa:

"Com todo respeito que devo a essa minha professora, gostaria de revelar publicamente que muitas de nossas aulas foram regadas a discussões sobre seu aborto traumático".

Em seguida, indagou a ex-aluna de Monica Serra em seu Faceboook e reproduziu a Folha: "Devemos prender Monica Serra caso seu marido fosse (sic) eleito presidente?".

A reportagem da Folha de S.Paulo tem, logo ao lado direito do texto, uma reprodução de santinhos que o candidato José Serra tem distribuído para eleitores. Com a foto do tucano, o santinho é encimado pela citação "Jesus é a verdade e a justiça".

A Folha localizou em Brasília uma colega de classe de Sheila, ela também ex-aluna da esposa do candidato tucano. Professora de dança na capital federal, informa Monica Bergamo, essa segunda ex-aluna concordou em falar sob a condição do anonimato.

A colega de Sheila contou, descreve a Folha, que, nas aulas, as alunas se sentavam em círculos, criando uma situação de intimidade. Enquanto fazia gestos de dança, descreve a Folha, Monica Serra explicava como marcas e traumas da vida alteram movimentos do corpo e se refletem na vida cotidiana.

Segundo a ex-estudante, continua a Folha de S. Paulo, "as pessoas compartilhavam suas histórias, algo comum em uma aula de psicologia. Nesse contexto, afirmou, Monica (Serra) compartilhou sua história com o grupo de alunas. Disse ter feito o aborto por causa da ditadura", informa a Folha.

Prossegue o relato na Folha de S.Paulo:Ainda de acordo com a ex-aluna, Monica disse que o futuro dela e do marido, José Serra, era muito incerto. Quando engravidou, teria relatado Monica à então aluna, o casal se viu numa situação muito vulnerável.

Depois do golpe militar no Brasil, Serra se mudou para o Chile, onde conheceu a mulher, Veronica. Em 1973, com o golpe que derrubou Luis Allende e levou o general Augusto Pinochet ao poder, Serra e Monica mudaram-se para os Estados Unidos.

À Folha e a Monica Bergamo, Sheila faz questão de manifestar qual é a essência da sua decisão ao falar: "Ela (Monica Serra) não confessou. Ela contou. Não sou uma pessoa denunciando coisas. Mas (ela é) uma pessoa pública, que fala em público que é contra o aborto, é errado. Ela tem uma responsabilidade ética."

A Folha traz ainda, em meio ao material, um ligeiro perfil de Sheila Canevacci Ribeiro. Revela que Sheila diz ter votado em Plínio de Arruda Sampaio e que declara voto em Dilma no segundo turno, ainda que não pretenda votar por conta de uma viagem para o Líbano já marcada.

No perfil que traça de Sheila, a Folha mostra, por outro lado, as ligações da família da ex-aluna de Monica Serra com o PSDB.

Sheila é filha da socióloga Majô Ribeiro, ex-aluna de Eva Blay no mestrado da USP. Eva Blay, foi suplente de Fernando Henrique Cardoso no Senado, informa a Folha. Majô, mãe de Sheila, foi ainda pesquisadora do Núcleo de Estudos da Mulher e Relações Sociais da USP, fundado pela ex-primeira dama Ruth Cardoso (1930-2008).

Militante feminista, Majô, a mãe de Sheila, foi candidata derrotada a vereadora e a vice-prefeita em Osasco. Pelo PSDB.

À Folha a socióloga disse estar "preocupada" com a filha, mas afirma - é o relato no jornal - que a criou para "ser uma mulher livre" e que ela "agiu como cidadã".

Sheila é casada com o antropólogo italiano Massimo Canevacci, que foi professor de antropologia cultural na Universidade La Sapienza, em Roma, e hoje dirige pesquisas no Brasil.

A Folha informa ainda que a assessoria de Monica Serra "não respondeu aos questionamentos feitos pelo jornal "a respeito do relato de suas ex-alunas".

Diz ainda que o jornal procurou Monica Serra pela primeira vez na manhã de anteontem (A quinta-feira, 14): "Segundo sua assessoria, ela havia viajado para o Chile e não seria possível localizá-la naquele momento".

Por fim, conta colunista Monica Bergamo, "entre quinta-feira e ontem (sexta-feira, 15) a reportagem telefonou seis vezes e enviou cinco e-mails para a assessoria. Recebeu uma mensagem com a seguinte afirmação: "Não há como responder".

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Serra e a política do absurdo

Escrito por Wladimir Pomar para o Correio da Cidadania

Apesar de tudo, ainda há gente na esquerda que supõe não existir diferença substancial entre Dilma e Serra. Por quê? Porque ambos supostamente merecem a confiança do sistema capitalista, ambos se proporiam a servir a tal sistema com presteza. Além disso, mesmo sem apontarem a fonte, há quem afirme que Dilma teria sido alvo das maiores contribuições financeiras para sua campanha.

O trágico nesse raciocínio é que ele já foi empregado no passado, com resultados históricos que alguns parecem haver esquecido. Os comunistas alemães dos anos 30 também não enxergavam diferenças entre os social-democratas e os nacional-socialistas. Ambos mereceriam a confiança do sistema capitalista, estariam propensos a servir a tal sistema, e os social-democratas seriam os principais alvos das contribuições financeiras dos capitalistas.

Portanto, não haveria sentido em fazer uma frente-única para opor-se à subida do nacional-socialismo, ou do nazismo, ao governo. As conseqüências desse tipo de avaliação, que permitiram a vitória de Hitler, foram terríveis não apenas para o povo alemão, mas para a humanidade.

Naquela época também havia correntes, entre os comunistas e outras forças da esquerda alemã, que consideravam positiva a derrota dos social-democratas e a vitória dos nazistas. Supunham que isso permitiria libertar os trabalhadores das ilusões reformistas e levá-los à luta contra o sistema capitalista. Ou seja, corporificaram na tática eleitoral daquele momento um velho pensamento das correntes anti-capitalistas, desde os anarquistas, de que quanto pior a situação dos trabalhadores e do povo, melhor para o desenvolvimento de sua luta.

Esse tipo de raciocínio absurdo assemelha-se às bactérias que surgiram no início da vida, há alguns bilhões de anos. Às vezes parecem extintas pela evolução. No entanto, quando menos se espera, elas voltam a emergir, em especial nos momentos em que a imunidade cai. O que parece ser uma característica da situação econômica, social e política do Brasil da atualidade. Situação não prevista nos manuais doutrinários, e com baixa imunidade pela ausência de grandes mobilizações sociais e por falta de um debate político mais intenso e profundo.

Portanto, não é original a sugestão de que, na hipótese de José Serra ser eleito presidente, as centrais sindicais e estudantis se veriam livres de amarras, os sindicatos abandonariam seu comportamento burocrático e governista e ganhariam as ruas em defesa dos direitos dos trabalhadores e na luta contra o sistema capitalista. A vitória de Serra possibilitaria aos movimentos sociais saírem da imobilidade política em que supostamente o governo Lula os teria jogado.

No caso da vitória de Serra, esse raciocínio obtuso também acredita que a imensa legião de militantes da esquerda convencional ver-se-á desempregada, o que a tornaria insatisfeita e propensa a procurar os trabalhadores, os estudantes, o povo em geral. As praças e as ruas seriam conquistadas em nome de uma cerrada oposição ao governo direitista de José Serra.

O núcleo desse pensamento estapafúrdio reside naquela suposição de que não haveria diferença entre a social-democracia e o nacional-socialismo, entre o governo Lula e o governo FHC, ou entre Dilma e Serra. Para seus adeptos, a social-democracia, o governo Lula e Dilma seriam a direita travestida de esquerda. No governo Lula, a burguesia teria gozado de vantagens, privilégios e tranqüilidade, porque as centrais sindicais e estudantis e uma massa de miseráveis teriam sido cooptados a troco de migalhas.

Portanto, este tipo de direita travestida de esquerda seria mais prejudicial à causa da libertação dos explorados e oprimidos do que a direita desnudada. Esta, que pode ser representada tanto pelo nacional-socialismo quanto pelo governo FHC e por Serra, não teria disfarces. O que permitiria a mobilização dos trabalhadores e do povo.

Assim, como supostamente temos diante de nós, nesta campanha presidencial, direita versus direita, caberia escolher o candidato taticamente preferível para mobilizar os trabalhadores e o povo contra o sistema capitalista. Ou seja, a direita desnudada, Serra.

Na Alemanha dos anos 30, esse tipo de raciocínio levou à escolha do nacional-socialismo e de Hitler, da direita desnudada. O pior, segundo a política do absurdo, ofereceria as melhores condições para a luta. No Brasil nós também tivemos a ditadura militar, em 1964. Em ambos os casos, não se conheceu nada pior em termos de direita desnudada. E, em ambos os casos, não se conheceu nada pior para a luta dos trabalhadores e do povo, até mesmo para a luta por suas reivindicações imediatas, quanto mais para a luta contra o sistema capitalista.

Um dos aspectos perniciosos da direita desnudada representada pelo governo FHC foi o baixo nível de mobilização social, acompanhado sempre de um empenho constante em criminalizar os movimentos populares e democráticos, em especial o MST. Supor que a direita desnudada representada por Serra não se empenhará no mesmo sentido é um erro primário e grosseiro.

Portanto, mesmo que Lula e Dilma pudessem ser classificados como direita travestida de esquerda, e eu aceitasse a veracidade de tal classificação, não teria dúvida alguma em rejeitar Serra. Para mim, pior é pior em todos os sentidos.

Serra representa um retorno ao desastre FHC. Embora faça um esforço brutal para esconder suas verdadeiras intenções, sua natureza reacionária sobe à tona toda vez que se refere à política externa, às privatizações e a seus pretensos valores morais. Ele voltou a demonstrar, no governo de São Paulo, sua intenção de criminalizar os movimentos sociais. E a idéia do quanto pior melhor tem sido um desastre para a história da luta dos trabalhadores, tanto no Brasil quanto no mundo.

Em conseqüência, olhando em perspectiva, o candidato taticamente preferível, mesmo para aqueles que pretendem mobilizar, desde já, os trabalhadores e o povo contra o sistema capitalista, é o apontado por Lula. Só intelectual desligado da realidade pode achar que o povo foi cooptado por migalhas, e que a melhoria da situação econômica de alguns milhões de brasileiros não terá efeitos em sua luta futura.

A continuidade das políticas econômicas e sociais do governo Lula, aumentando a participação dos trabalhadores assalariados na força de trabalho e elevando o padrão de vida dos mais pobres, é a garantia de que as lutas futuras partirão de patamares mais elevados. Só por isso, e sem estar ameaçado de ficar desempregado, meu voto será Dilma.

Wladimir Pomar é escritor e analista político.

Ampliação de colônias de Israel dificulta processo de paz

Nesta sexta-feira (15), Israel autorizou a construção de 240 casas para israelenses em colônias ilegais em Jerusalém Leste, apesar das exigências que crescem em todo o mundo para que a colonização seja interrompida. A atitude do governo israelense cria novos obstáculos a um processo de paz.

Os noticiários da televisão israelense confirmaram nesta sexta que o primeiro-ministro sionista, Benjamin Netanyahu, deu sinal verde a um projeto para edificar casas para cidadãos de credo radical nas colônias de Pisgat Ze'ev e Ramot na cidade santa.

Segundo informações do sítio de internet “Ynet”, as casas estavam incluídas numa proposta de construir 3.500 novas unidades habitacionais em várias regiões de Israel.

Netanyahu ordenou em novembro de 2009 uma moratória de10 meses nas construções das colônias da Cisjordânia, mas manteve as obras em Jerusalém Leste, pois o executivo sionista define toda a cidade como "capital eterna e indivisível do povo judeu".

A negativa israelense de renovar o congelamento das edificações na Margem Ocidental, depois que expirou a moratória em 26 de setembro, levou à suspensão do diálogo direto reiniciado 24 dias antes em Washington com a Autoridade Nacional Palestina (ANP).

O presidente da ANP, Mahmud Abbas, ainda não se pronunciou sobre a autorização das 240 casas em Pisgat Ze'ev e Ramot, mas na última quinta-feira (14) ratificou sua exigência de uma paralisação total dessa atividade na Cisjordânia, como condição para voltar a negociar.

"Respaldamos totalmente a solução de dois Estados, um palestino nas fronteiras de 1967 (quando os sionistas completaram a ocupação), e outro israelense, vivendo lado a lado em paz, segurança e estabilidade", indicou o mandatário palestino em Ramalah.

Em termos similares falou o chefe negociador da ANP, Saeb Erakat, ao sublinhar que a Organização para a Libertação da Palestina "nunca aceitará propostas para intercambiar cidadãos palestinos de Israel por colonos nos territórios ocupados".

Com tal declaração Erakat respondeu a uma proposta de Netanyahu de que estaria disposto a frear as construções na Cisjordânia, se a liderança palestina reconhece Israel como "Estado-nação do povo judeu" ou aceita alterar as fronteiras.

Por seu lado, o dirigente da OLP, Yasser Abd Rabbo, declarou que a ANP reconheceria Israel com qualquer nome, sempre e quando apresente um plano de um futuro Estado palestino e ponha fim à ocupação de todo o território palestino, incluindo Jerusalém Leste.

Fonte: Prensa Latina

Horário de verão começa à meia-noite de sábado

Começa à meia-noite deste sábado (16) para domingo (17) o horário brasileiro de verão. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), moradores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste devem ter seus relógios adiantados em uma hora. O horário de verão termina à 0h de 20 de fevereiro de 2011.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

TSE vai divulgar votos de barrados após eleição

do congresso em foco

Mas tribunal não decidiu se a votação dada aos candidatos indeferidos valerá ou não para a legenda, no caso da eleição proporcional


O destino dos votos de candidatos barrados pela Justiça Eleitoral pode gerar uma situação problemática nas eleições deste ano. Como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não definiu se eles serão considerados nulos ou serão contabilizados em favor da legenda, a composição final das bancadas nas assembleias legislativas e na Câmara dos Deputados só deverá ser confirmada até dezembro, quando começam as diplomações dos candidatos eleitos.

"Os votos em candidaturas com registros indeferidos, hoje, não valem para nada. Se eles forem deferidos, não há problema, o candidato é eleito e os votos contam para a legenda. A situação vai ficar problemática se eles forem indeferidos definitivamente", afirmou neste domingo (3) o ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Arnaldo Versiani. Para ele, não haverá dificuldade em julgar todos os casos de candidatos barrados com base na Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/10). "O problema é a indefinição do Supremo. Mas por serem mais de 200 candidatos, o número é pequeno", completou.

Na sexta-feira (1º), em sessão administrativa, o TSE decidiu que os votos em candidatos com registro indeferido serão divulgados logo após a totalização da contagem dos sufrágios. Porém, os ministros não decidiram o destino deles. Duas normas presentes na legislação eleitoral dão orientações distintas. Uma prevê que eles sejam considerados nulos. A segunda permite a distribuição para legendas, ajudando o partido a eleger outro parlamentar na eleição proporcional. "Essa decisão deve sair a partir de um caso concreto ou da posição tomada por algum tribunal regional eleitoral (TRE)", analisou Versiani.

Para o ministro, o maior problema reside no grande volume de candidaturas indeferidas, e ainda correndo com recurso, por outros problemas (além daqueles derivados da aplicação da Lei da Ficha Limpa), como falta de quitação eleitoral e de documentação. A expectativa de corte é que boa parte desses casos sejam analisados durante este mês.

Porém, numa previsão mais conservadora, Versiani aposta que a pauta será zerada só em dezembro, antes da diplomação dos eleitos pela Justiça Eleitoral. Pela manhã, o presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, afirmou que todos os recursos devem ser julgados até 31 de outubro.

Centrais sindicais iniciam campanha de segundo turno pró-Dilma

As seis maiores centrais sindicais do país dão largada nesta quinta-feira (14) à campanha pela eleição de Dilma Rousseff (PT). Após evento realizado no fim da tarde de sexta-feira na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, filiado à Força Sindical, dirigentes sindicais intensificaram o contato com integrantes do comitê eleitoral de Dilma, definindo dois eixos de atuação: negociar com o governo o reajuste real do salário mínimo no ano que vem e iniciar desde já a defesa da candidatura. Em reunião realizada ontem no espaço onde funcionara o comitê de campanha de Aloizio Mercadante (PT) ao governo de São Paulo, representantes das seis entidades e de movimentos sociais acordaram em iniciar hoje uma larga campanha de rua.

A partir desta quinta, duas turmas de sindicalistas se revezarão em São Paulo, das 7h às 14h e daí às 19h, percorrendo pontos públicos como praças e estações de metrô com panfletos e jornais. Na sexta-feira (15), as centrais participarão de comício da campanha de Dilma em São Miguel Paulista (SP) onde entregarão à candidata a "Agenda da classe trabalhadora", documento aprovado em assembleia promovida no Estádio do Pacaembu, em São Paulo, para cerca de 23 mil sindicalistas presentes. O documento, originalmente idealizado para ser entregue a todos os candidatos, só chegará a Dilma. Artur Henrique, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a maior do país, resume: "ela é a única capaz de encampar as necessidades da classe trabalhadora, então não faz sentido entregar o documento a quem não fará nada com ele".

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) já anuncia em seu portal: "CTB é Dilma no 2º turno", em nota de convocatória para o comício pró Dilma que acontecerá nesta sexta-feira (15), em São Paulo. O ato ocorrerá na Praça do Forró, em São Miguel Paulista e contará com a presença da candidata Dilma Rousseff, que já confirmou presença.

Campanha de peso

A campanha que as centrais iniciam esta semana em São Paulo contará com arsenal de peso. A área de comunicação da Força Sindical têm pronto um jornal que será disparado para sindicatos e em pontos públicos em que Paulinho, quarto deputado federal mais votado em São Paulo, com 267 mil votos, surge defendendo voto em Dilma. O jornal, que terá circulação de 5 milhões de exemplares, contará também com textos que "desestimulam o voto" em Serra. O jornal será começará a ser impresso hoje. Há dúvidas apenas em relação ao expediente do jornal, isto é, se será algo apenas da Força Sindical ou se as outras centrais assinarão. A CUT também prepara jornal próprio.

"Essas promessas do Serra são pura demagogia. Todo mundo sabe que ele não gosta de trabalhador e nosso papel, agora, é informar a classe trabalhadora disso", diz Paulinho.

fonte: vermelho

Pugliesi admite que PMDB está dividido e diz que partido “não tem dono”

do política em debate

A cúpula estadual do PMDB se reuniu ontem em Curitiba para discutir a campanha de Dilma Rousseff no segundo turno no Paraná. Em entrevista agora pouco à rádio CBN, o presidente do partido, deputado Waldyr Pugliesi, admitiu que a legenda está dividida, e que a briga entre o governador Orlando Pessuti e o ex-governador Roberto Requião prejudica a unidade da sigla. “O PMDB não é o Requião, não é o Pessutão. O PMDB não tem dono, e isso vai ficar muito claro daqui para frente, mais claro do que já é”, afirmou Pugliesi.

O dirigente também reconheceu que a campanha deste ano foi marcada por infidelidades, e que o certo seria intervir nos diretórios municipais e expulsar os infiéis. Mas admitiu que não há condições políticas para esse tipo de ação. “Os partidos no Brasil são postiços”.

Apesar dos pesares, na reunião de ontem ficou definido como ação imediata a criação de comitês móveis nos principais bairros da capital e cidades do entorno para reforçar a campanha de Dilma. “Cada grupo será formado por oito militantes voluntários que ficarão em barracas montadas em pontos estratégicos e de grande movimentação nos bairros de Curitiba. Os senadores e deputados estaduais e federais eleitos vão visitar os locais diariamente, como forma de mobilizar os moradores para a necessidade de elegermos a Dilma sucessora do Lula”, disse Requião.

Mineiros se recuperam, e vida de celebridade os aguarda

COPIAPÓ, Chile (Reuters) - Os 33 mineiros resgatados no Chile se recuperam nesta quinta-feira do seu drama e já se preparam para a vida de celebridade que os espera, após passarem 69 dias debaixo de uma montanha no deserto do Atacama.

As autoridades dizem que a maioria deles está bem, mas um dos mineiros sofre de pneumonia e passa por tratamento com antibióticos. Todos continuam em recuperação num hospital de Copiapó, para onde foram levados depois do resgate que comoveu milhões de telespectadores no mundo inteiro.

Numa operação complicada, mas impecável, os mineiros foram resgatados um a um na diminuta cápsula Fênix, através de um poço de 622 metros de profundidade, escavado na rocha especialmente para esse fim.

Eles ficaram retidos nas entranhas úmidas e calorosas da mina por causa de um desabamento ocorrido em 5 de agosto numa galeria num nível superior. Durante 17 dias, acreditou-se que eles estavam mortos, até que uma pequena sonda conseguiu chegar à área onde eles se encontravam, trazendo de volta um bilhete que se tornou famoso: "Estamos os 33 bem no refúgio."

Desde que foram localizados, os mineiros conseguiam receber suprimentos e se comunicar com o mundo por meio da estreita perfuração da sonda, com cerca de 20 centímetros de diâmetro. Enquanto isso, outros três poços, com cerca de 60 centímetros -- pouco mais que a largura dos ombros de um adulto -- , eram escavados para o resgate. O chamado "Plano B" foi o primeiro a atingir o refúgio.

A conclusão do resgate gerou euforia no Chile. Os mineiros, recordistas mundiais de sobrevivência subterrânea, foram saudados como heróis nacionais e desencadearam uma onda de patriotismo, num país que ainda se recupera de um devastador terremoto em fevereiro.

CELEBRIDADE

Foram cerca de 22 horas entre o resgate do primeiro mineiro, Florencio Ávalos, pouco depois de meia-noite de quarta-feira, e o último, Luis Urzúa. Depois, era preciso ainda retirar os seis socorristas que haviam descido para ajudar no resgate, uma operação que levou mais duas horas e meia e terminou já no começo da madrugada de quinta-feira.

"É incrível que todos tenham saído vivos", disse o mineiro Luis Pina, 51 anos, abraçando um completo desconhecido na praça principal de Copiapó, onde milhares de pessoas gritavam e agitavam bandeiras chilenas ao ver a saída de Urzúa.

Em cidades de todo o país, buzinas, gritos e sinos celebraram o resgate do último dos mineiros. No acampamento Esperanza, onde os parentes dos mineiros passaram as últimas semanas, lágrimas e risos se misturavam.

Esses trabalhadores outrora anônimos agora são tratados como celebridades. Real Madrid e Manchester United, por exemplo, convidaram-nos para ver os times jogarem na Europa. Um cantor e empresário local resolveu dar 10 mil dólares a cada um deles; Steve Jobs, da Apple, mandou um iPod último tipo para todos, e uma empresa grega ofereceu uma excursão pelas ilhas do Mediterrâneo.

Com a possibilidade de assinarem contratos para transformar a experiência em livros e filmes, poucos dos trabalhadores devem voltar às minas.

"QUE NÃO VOLTE A OCORRER"

A popularidade do presidente Sebastián Piñera também disparou por causa da bem-sucedida operação. Ele esteve na mina San José recepcionando vários dos trabalhadores que subiam, e ainda pretende receber todos eles no Palácio de la Moneda, em Santiago.

Urzúa, o último a sair, apertou a mão do presidente e disse: "Entrego-lhe o turno e espero que isso não volte a ocorrer",

Manuel González, último socorrista a deixar a mina, fez uma advertência semelhante. "Espero que isso sirva de lição para que as coisas mudem na mineração chilena. Espero que isso nunca mais aconteça outra vez."

A mineração tem um papel crucial, mas muitas vezes lúgubre, na América Latina desde que os conquistadores encontraram ouro pela primeira vez. Hoje, o Chile é o maior produtor mundial de cobre.

Durante séculos, as condições foram apavorantes, mas melhoraram radicalmente nas últimas décadas, e a mineração ajudou a alimentar um "boom" econômico em algumas nações, inclusive o Chile.

O processo de resgate com a cápsula Fênix - alusão à ave mitológica que renasce das cinzas - não irá abalar a reputação do Chile, que já atrai muitos investidores devido à sua estabilidade política e econômica.

Governantes de vários países, inclusive Luiz Inácio Lula da Silva e Barack Obama, enviaram ao Chile mensagens de congratulação pela inspiração. Obama disse que a sobrevivência dos mineiros é uma inspiração para todos.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

'Artistas e intelectuais organizam manifesto pró-Dilma

Texto assinado por Leonardo Boff e Chico Buarque convoca artistas 'a somarem forças para garantir os avanços' do governo Lula

Em apoio a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, um grupo de artistas e intelectuais liderados por Leonardo Boff, Chico Buarque, Emir Sader e Eric Nepumuceno está articulando adesões a um manifesto de apoio político à petista.

O documento será entregue à candidata na próxima segunda-feira (18), em um ato político organizado pelo grupo no Teatro Oi Casagrande, no Leblon, zona sul da capital fluminense, às 20h.

De acordo com o filósofo e teólogo Leonardo Boff, o manifesto foi organizado pelo jornalista e escritor Eric Nepomuceno e pelo cantor e compositor Chico Buarque. "A ideia foi do Eric e do Chico para contrabalançar muitas difamações e mentiras que estão sendo divulgadas na internet, e eles têm todo meu apoio e o do Frei Betto também, que escreveu um artigo sobre a Dilma. Eles cresceram juntos e ele fala muito bem sobre ela", disse Boff, que informou também que o arquiteto Oscar Niemeyer faz parte dos signatários.

Ainda segundo Boff, as críticas contra Dilma envolvendo a questão do aborto "é um discurso para desviar das gandes questões". "O PSDB não tem liderança nem carisma, não tem projeto nenhum para oferecer", falou em defesa da petista. "Eles descobriram esse viés para distrair da verdadeira discussão, é uma questão de falsa política", concluiu.

Leia a íntegra do documento:

À NAÇÃO

Em uma democracia nenhum poder é soberano.
Soberano é o povo.

É esse povo – o povo brasileiro – que irá expressar sua vontade soberana no próximo dia 3 de outubro, elegendo seu novo Presidente e 27 Governadores, renovando toda a Câmara de Deputados, Assembléias Legislativas e dois terços do Senado Federal.

Antevendo um desastre eleitoral, setores da oposição têm buscado minimizar sua derrota, desqualificando a vitória que se anuncia dos candidatos da coalizão Para o Brasil Seguir Mudando, encabeçada por Dilma Rousseff.

Em suas manifestações ecoam as campanhas dos anos 50 contra Getúlio Vargas e os argumentos que prepararam o Golpe de 1964. Não faltam críticas ao “populismo”, aos movimentos sociais, que apresentam como “aparelhados pelo Estado”, ou à ameaça de uma “República Sindicalista”, tantas vezes repetida em décadas passadas para justificar aventuras autoritárias.

O Presidente Lula e seu Governo beneficiam-se de ampla aprovação da sociedade brasileira. Inconformados com esse apoio, uma minoria com acesso aos meios, busca desqualificar esse povo, apresentando-o como “ignorante”, “anestesiado” ou “comprado pelas esmolas” dos programas sociais.
Desacostumados com uma sociedade de direitos, confunde-na sempre com uma sociedade de favores e prebendas.

O manto da democracia e do Estado de Direito com o qual pretendem encobrir seu conservadorismo não é capaz de ocultar a plumagem de uma Casa Grande inconformada com a emergência da Senzala na vida social e política do país nos últimos anos. A velha e reacionária UDN reaparece “sob nova direção”.
Em nome da liberdade de imprensa querem suprimir a liberdade de expressão. A imprensa pode criticar, mas não quer ser criticada.

É profundamente anti-democrático – totalitário mesmo – caracterizar qualquer crítica à imprensa como uma ameaça à liberdade de imprensa. Os meios de comunicação exerceram, nestes últimos oito anos, sua atividade sem nenhuma restrição por parte do Governo. Mesmo quando acusaram sem provas.
Ou quando enxovalharam homens e mulheres sem oferecer-lhes direito de resposta. Ou, ainda, quando invadiram a privacidade e a família do próprio Presidente da República.

A oposição está colhendo o que plantou nestes últimos anos. Sua inconformidade com o êxito do Governo Lula, levou-a à perplexidade. Sua incapacidade de oferecer à sociedade brasileira um projeto alternativo de Nação, confinou-a no gueto de um conservadorismo ressentido e arrogante. O Brasil passou por uma grande transformação.

Retomou o crescimento. Distribuiu renda. Conseguiu combinar esses dois processos com a estabilidade macroeconômica e com a redução da vulnerabilidade externa. E – o que é mais importante – fez tudo isso com expansão da democracia e com uma presença soberana no mundo.

Ninguém nos afastará desse caminho. Viva o povo brasileiro.Leonardo Boff
Maria Conceição Tavares
Oscar Niemeyer
Marilena Chaui
José Luis Fiori
Emir Sader
Theotonio dos Santos
Fernando Morais
Nilcea Freire
Laura Tavares
Walnice Galvão
Eric Nepomuceno
Martha Vianna
Felipe Nepomuceno
Pablo Gentili
Florencia Stubrin
Flavio Aguiar
Renato Guimarães
Ivana Bentes
Vera Niemeyer
Giuseppe Cocco
Sergio Amadeu
Hugo Carvana
Martha Alencar
Carlos Alberto Almeida
Luiz Alberto Gomez de Souza
Ingrid Sarti
Gaudêncio Frigotto
Isa Jinkings
Leila Jinkings
Sidnei Liberal
Sueli Rolnik
Celio Turino
José Gondin
Lejeune Mirhan
Monica Bruckman
Izaias Almada
Clarice Gatto
Fernando Vieira
Rafael Alonso
José Fernando Balby
Breno Altman
Elisabeth Sekulic
Carlos Otavio Reis
Cassio Sader
Tatiana Roque
Monica Rocha
Carlos Augusto Peixoto
Antonio Lancetti
Benjamin Albagli Neto
Geo Brito
Barbara Szaniecki
Henrique Antoun
Francisco de Guimaraens
Mauricio Rocha
Cibele Cittadino
Adriano Pilatti
Marcio Tenambaum
Jô Gondar
Rodrigo Guéron
Paulo Halm
Maria Candida Bordenave
André Fetterman Coutinho
Carlos Eduardo Martins
Lucia Ribeiro
Helder Molina
Elizabeth Serra Oliveira
Isadora Melo Silva
Janes Rodriguez
Claudio Cerri
Gloria Moraes
Peter Pal Pelbart
Mari Helena Lastres
Cecilia Boal
Alexandre Mendes
Mauro Rego Costa
Ana Miranda Batista
Ana Maria Muller
Ronald Duarte
Osmar Coelho Barboza
Joaquim Palhares
Marco Weissheimer
Silvio Lima
Isabella Jinkings
Marcia Aran
Cezar Migliorin
Susana de Castro
Ricardo Rezende Figueira
Eiiana Schueler
Virgilio Roma Filho
Ana Lucia Magalhaes Barros
Maria de Jesus Leite
Marcos Costa Lima
Alberto Rubim
José Cassiolato
Beth Formaggini
Marilia Danny
Fabrício Toledo
Ana Maria Bonjour
Ana Maria Alvarenga de Barros
Marcio Miranda Ferreira
Marcio Pessoa
Marco Nascimento Pereira
Vanessa Santos do Canto
Monica Horta
Ana Maria Muller
Fernanda Reznik Santos
Eliete Ferrer
Felipe Cavalcanti
Francini Lube Guizardi
Rodrigo Pacheco
Edna Krauss
Luis Felipe Bellintani Ribeiro
Rosa Maria Dias
Leneide Duarte-Plon
Licoln de Abreu Penna
Marcelo Saraiva
Francisco Bernardo Karan
Lucy Paixão Linhares
Luiz Carlos de Sousa Santos
Eliana Dessaune Madeira
Lucio Manfredo Lisboa
Isabel Moraes da Costa
Sandra Menna Barreto
Angelo Ricardo de Souza
Roberto Elias Salomão
Angelo Ricardo de Souza
Ricardo Elias Salomão
Eleny Guimarães Teixeira
Elisa Pimentel
Leonora Corsini
Maria Helena Correa
Isis Proença
José Adelio Ramos
Albertita Dornelles Ramos
Deborah Dornelles Ramos
Tamarah Dornelles Ramos
Xavier Cortez
Rodrigo Gueron
Aparecida Martins Paulino
Leonardo Palma
Paulo Roberto Andrade
Urariano Mota
Lea Maria Reis
Ferreira Palmar
Gabriel Rebello
AGFilho
Newton Pimentel
Patricia Ferraz
Pedro Alves Filho
José Antonio Garcia
Afonso Lana Leite
Mariana Rodrigues Pimentel
Jussara Rodrigues Pimentel
Affonso Henriques
Ana Muller
Mario Jakobskind
Fabio Malini
Dayse Marques Souza
Tania Roque
Jussara Ribeiro de Oliveira
Rita de Cassia Matos
Fernando Santoro
Washington Queiroz
Araken Vaz Galvão
Paulo Costa Lima
Carlos Roberto Franke
Sandro Luiz Querino

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Parabéns, Coritiba!

Coxa completa 101 anos de história nesta terça-feira

Curitiba está em festa nesta terça-feira, 12 de outubro. O Coritiba completa 101 anos de história e entrará em campo às 19h30, diante do América-RN, no gramado do estádio Couto Pereira.

Não poderia ter lugar melhor para time e torcida comemorarem um aniversário juntos. Líder do Campeonato Brasileiro da série B, o Coxa terá a força do seu torcedor em uma data tão importante.

Hoje é o nosso dia! É dia de comemorarmos e exaltarmos o orgulho verde e branco. Também é dia para lembrarmos de nosso papel na construção do Coritiba e entender que é necessária a contribuição de todos para fortalecer ainda mais nossa história. Ao olharmos para trás, nos orgulhamos, temos a certeza de que faremos do Coritiba um clube ainda maior.

Ao longo desses 101 anos são inúmeras conquistas que fazem do nosso querido Coxa o time mais vencedor de nosso estado com 34 título estaduais, Campeão Brasileiro da série A e da série B, campeão do Torneio Povo e outras inúmeras conquistas. Um clube que é marcado por sua alma guerreira.

Parabéns, Coritiba Foot Ball Club, o mais querido do mundo!




segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Debate: Dilma joga pra militância, com firmeza

do blog Tudo em cima

Tucanos não gostaram do Serra acuado. Acostumados a bater na surdina, a usar pastores e padres para os ataques mais vis, e a se esconder no anonimato da internet, os líderes do serrismo choravam: pôxa, essa doeu.


Apontado como “líder satanista” (na imunda boataria pró-Serra, que inundou a internet nas últimas semanas), Michel Temer (o vice de Dilma) foi quem analisou com mais calma e conteúdo o debate, numa entrevista rápida ainda dentro do estúdio da “Band”: a atuação da Dilma “vai jogar nas ruas a militância”.

O debate foi isso. Audiência baixa, cerca de 3 pontos. Quem tava acompanhando? O público mais ligado em política – dos dois lados. Dilma falou pra militância. E acho que surpreendeu positivamente a todos.

A turma do PT – meio ressabiada, porque esperava liquidar tudo no primeiro turno, e porque não via reação da campanha à onda difamatória das últimas semanas – recebeu uma injeção de ânimo.

Em vez de bater pesado no horário político gratuito (visto por um público mais amplo, que poderia rejeitar a estratégia mais dura) Dilma deu as respostas no debate – visto pela militância. Foi estratégia inteligente, certeira.

Serra, ao que parece, não esperava por isso. Engoliu em seco várias vezes. E acusou o golpe, falando que Dilma estava “agressiva”. Machismo puro. Mulher quando enfrenta é “agressiva”. Ele quer princesinha? Vai buscar na MTV…

O tucano é mal acostumado – como sabemos. Tem à sua volta uma imprensa amiga, que não o incomoda. E quando aparece um jornalista ou outro a fazer pergunta “inconveniente”, ele liga pra Redação e pede a cabeça do repórter. Ou, então, confisca as fitas (como fez depois de uma entrevista pra Márcia Peltier, na CNT).

Ao fim do debate, eu olhava pro Serra (que parecia aturdido e contrariado por apanhar tanto), e pensava comigo: será que ele vai ligar pro Lula e pedir a cabeça da Dilma?

Durante uma panfletagem no Rio, há poucas semanas, Serra botou a mulher dele (não a Soninha, mas a Mônica) pra acusar Dilma de “matar criancinhas”: é o papo sujo do aborto. Quando ficou frente a frente com Dilma, nesse domingo, ele não sustentou a frase. Fugiu. E não defendeu a mulher oficial. Covardia típica de machão mal-resolvido. Ainda por cima, não gostou da Dilma “agressiva”. Tá mal acostumado com certas apresentadoras e jornalistas “amigas”…

No conteúdo, Dilma foi bem ao desmascarar a campanha de calúnias, e ao marcar na testa de Serra o rótulo de “privatista”. Tão incomodado Serra ficou que, naquela entrevista rápida pós-debate, fez questão de dizer “sou defensor das empresas estatais”.

Sentiu o golpe.

Mauricio Stycer, ótimo repórter do UOL, postava no twitter pouco depois do encerramento: “Petistas comemoram e tucanos criticam estratégia de Dilma”.

Esse também é um bom resumo.

Os petistas gostaram de ver a candidata firme – o que deve ter incendiado a militância pra reta final.

Já os tucanos não gostaram do Serra acuado. Acostumados a bater na surdina, a usar pastores e padres para os ataques mais vis, e a se esconder no anonimato da internet, os líderes do serrismo choravam: pôxa, essa doeu.

Tenho a impressão que a onda de otimismo virou de lado. Esse debate volta a lançar otimismo para o lado lulo-dilmista. E projeta sombras para o lado dos tucanos.

Vocês – que me acompanham aqui – sabem que eu tenho lado e não escondo. Mas nem por isso brigo com os fatos. Quando a boataria religiosa veio pesada, eu falei que isso podia dar segundo turno. Assim como deixei claro que Dilma apanhar calada era o caminho pra derrota. Agora, vejo uma fase nova.

Essa campanha já teve vários momentos:

- no início do ano, os tucanos menosprezaram Dilma, espalharam que ela não tinha personalidade, e era um “poste”; o menosprezo fez com que fossem surpreendidos pela arrancada de Dilma dos 15% aos 50% nas pesquisas;

- em setembro, foi o PT que menosprezou a capacidade de reação dos tucanos e de seus aliados midiáticos; denúncias e boatos levaram votos pra Marina, garantindo segundo turno;

- com o segundo turno, já se ouvia na internet o discurso dos tucanos “ah, o PT perdeu uma eleição ganha; agora Serra vai crescer até a vitória, Dilma está perdiada, e a eleição está no papo”.

Os tucanos (com o segundo turno) sentaram na cadeira antes da hora. A soberba parece ter castigado Serra nesse domingo. Ele entrou no debate confiante demais. Apanhou até ficar tonto.

E, agora, vai ser difícil virar a onda de novo.

A turma dele vai tentar – com mais baixaria. Mas o recurso vai ficando gasto. Dilma recuperou a inciativa. Pra quem já tem 10 pontos de vantagem, trata-se de um passo gigantesco rumo à vitória.

Será uma eleição difícil até o fim. Mas Dilma recuperou o favoritismo inconteste. E, agora, sem a soberba que deu errado no primeiro turno.

É o quadro que vejo nessa segunda-feira, a 20 dias da eleiçâo.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

TFP declara apoio a José Serra

do blog do André Lux

Esta organização prega, entre outras coisas, que seja proibido o uso de camisinha, que seja revogada a lei do divórcio, que só seja praticado sexo para fins reprodutivos, que as mulheres sejam submissas ao homem por lei, que cultos religiosos de origem africana sejam proibidos no Brasil. A TFP também dissemina preconceito contra as demais religiões não católicas, defende que o ensino religioso seja obrigatório no ensino público.

A candidatura presidencial de José Serra (PSDB-DEM-PPS) tornou-se um porto seguro para os setores mais reacionários da sociedade. Líderes religiosos obtusos, direitistas que enaltecem a ditadura militar, elitistas que disseminam preconceito contra a população pobre, além de racistas e machistas de todos os matizes correm para manifestar apoio ao candidato tucano.

Esta gente, que costuma ser apontada como os "4%" de brasileiros que não toleram o governo Lula, está ganhando espaço cada vez maior nas hostes serristas e pode acabar afastando de Serra o eleitor progressista, sem vínculos pártidários, que optou por Marina no primeiro turno e agora está em dúvida sobre em quem votar.

Panfleto pró-TFP circula em reunião de cúpula tucana

Demonstração clara desta aproximação com a extrema-direita foi relatada pelo jornalista Fernando Rodrigues, em seu blog.

Segundo ele, um texto que incita militantes a divulgar na web que plano de Dilma inclui perseguir cristãos, legalizar aborto e prostituição circulou hoje na reunião de cúpula da campanha de José Serra, em Brasília,

Os tucanos distribuíram entre si um panfleto com instruções sobre como propagar uma campanha anti-Dilma na internet. Num dos trechos, recomenda aos militantes visitarem o site do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira, um dos fundadores da TFP ( Sociedade Brasileira de Defesa de Tradição, Família e Propriedade), uma das mais conservadores agremiações do país.

Esta organização prega, entre outras coisas, que seja proibido o uso de camisinha, que seja revogada a lei do divórcio, que só seja praticado sexo para fins reprodutivos, que as mulheres sejam submissas ao homem por lei, que cultos religiosos de origem africana sejam proibidos no Brasil. A TFP também dissemina preconceito contra as demais religiões não católicas, defende que o ensino religioso seja obrigatório no ensino público.

Em 1985, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) declarou que em razão das "características esotéricas e fanáticas, e da idolatria ao seu fundador" a TFP não estava em comunhão com a Igreja Católica. Os bispos pediram aos católicos que não se juntem ou colaborem com essa organização.

No campo econômico-social a TFP defende abertamente a desigualdade de classes. Eles consideram as questões quilombola, indígena e ambiental como ataques ao direito de propriedade.

Calúnias x direitos humanos

O panfleto da TFP que foi distribuído na reunião tucana basicamente se refere ao PNDH-3 (Programa Nacional de Direitos Humanos), lançado pelo governo Lula no final do ano passado. Eis um dos trechos do panfleto divulgado na reunião tucana: “O PNDH-3 é um projeto de lei que tem por objetivo implantar em nossas leis a legalização do aborto, acabar com o direito da propriedade privada, limitar a liberdade religiosa, perseguir cristãos, legalizar a prostituição (e onde fica a dignidade dessas mulheres?), manipular e controlar os meios de comunicação, acabar com a liberdade de imprensa, taxas sobre fortunas o que afastará investimentos, dentre outros. É um decreto preparatório para um regime ditatorial”.

O blog estava dentro da sala do centro de convenções Brasil 21 na qual se realizou o encontro tucano. Por volta das 16h10, antes de a imprensa ser admitida no recinto, uma mulher com adesivo de Serra colado no peito distribuiu o bilhete. “Pega e passa”, dizia.

Era do tamanho de um papel A4 dividido ao meio. Mais tarde, uma pequena pilha (cerca de 3 cm de altura) com esses panfletos foi deixada ao lado do local onde era servido café –e a imprensa teve livre acesso. Ao final, o texto recomenda: “Divulgue esta informação através das redes sociais da internet (blogs, Orkut...)”.

Segundo as assessorias do PSDB nacional e do candidato José Serra, a confecção do panfleto não tem relação com o partido nem com a campanha tucana. Ainda assim, o papel ficou à disposição de quem tivesse interesse em pegar. Os panfletos só foram retirados um pouco depois de o Blog ter perguntado à cúpula tucana a respeito do assunto.

Brasil inspira programa de renda no Timor

Consultor brasileiro que trabalha para o 'Bolsa da Mãe' diz que projeto ajuda Timor Leste, na Ásia, a desenvolver sistema de proteção social

Divulgação / UNOTIL
Leia também
Timor Leste estuda programa Bolsa Família

Rico em petróleo, Timor engatinha nos ODM

Brasil apoia ensino agrícola no Timor Leste
BRUNO MEIRELLES
da PrimaPagina

Programas brasileiros servem de inspiração para o Timor Leste na construção de seu sistema de proteção social. É o que afirma Ricardo Dutra, consultor do PNUD Brasil que está no país asiático desde o início do ano prestando apoio à reformulação do Bolsa da Mãe, projeto inspirado em ações de transferência de renda, como o Bolsa Família.

O projeto timorense disponibiliza dinheiro às famílias chefiadas por mulheres viúvas, separadas ou solteiras em situação de pobreza. Entre as mudanças que o especialista brasileiro está ajudando a implementar incluem-se a expansão do número de pessoas atendidas e a criação de um cadastro para racionalizar a entrega da ajuda, além de alteração nos critérios para escolha de beneficiários.

"A partir de 2011, as famílias serão classificadas de acordo com o seu grau de vulnerabilidade e pobreza. Entre as variáveis que serão observadas estão a presença de pessoas deficientes na família, o nível de defasagem escolar das crianças, o capital educacional dos pais e adultos e o acesso a serviços públicos", explica Dutra.

Segundo ele, o programa, que hoje atende 11 mil famílias timorenses das 150 mil estimadas no país, está tendo grande importância no desenvolvimento local. E o planejamento efetuado para o ano que vem prevê que o atendimento alcance 10% da população.

"O Timor ficou destruído no conflito de independência em relação à Indonésia [em 2002]. Então, o impacto de uma ação como essa é significativo no que se refere ao fortalecimento de uma institucionalidade pública capaz de oferecer benefícios de assistência social e estimular o acesso a serviços públicos essenciais, como educação e saúde", afirma.

Para o consultor do PNUD Brasil, o principal desafio nesse processo de cooperação é coordenar as ações das várias agências internacionais envolvidas.

Além do PNUD, participam o UNIFEM (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher), o UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância), o UNFPA (Fundo de População das Nações Unidas) e a IOM (Organização Internacional para as Migrações).

Além disso, há a constante necessidade de se adequar o planejamento do projeto às limitações técnicas do governo timorense. “O que temos observado é que deve haver um considerável grau de flexibilidade das agências para se adequar a esse ambiente de incertezas. Isso implica na necessidade de um monitoramento permanente dos projetos”, diz.

Realidades diferentes

Apesar da contribuição brasileira, o especialista destaca que existem muitas diferenças entre as realidades dos dois países - embora ambos sejam lusófonos -, a começar pela infraestrutura de educação e saúde e pelo acesso à tecnologia.

"O que o Brasil já alcançou em termos de conectividade e comunicação entre os vários níveis de governo é bastante avançado e exige um nível de desenvolvimento econômico e uma estabilidade institucional prévia, o que não é o caso do Timor", afirma.

"O Brasil tem muito conhecimento disponível não apenas no governo, mas também em universidades e no mercado em geral, o que faz do país uma importante fonte na área de desenvolvimento social", conclui Dutra.

Ação anti-HIV da ONU busca avanços na BA

"Iniciativa Laços SociAids" mobiliza esforços de vários setores e ajuda combate ao vírus nas microrregiões de Juazeiro e Vitória da Conquista

Divulgação
Leia também
ONU vai estudar relação entre Aids e leis

Bolsa Família e ação anti-HIV são exemplos

Países desiguais são mais afetados pelo HIV
do PNUD

O mês de novembro será marcado por uma grande mobilização para o fortalecimento de capacidades na resposta à epidemia da Aids na Bahia. É quando acontece o 1º Congresso Baiano de DSTs, Aids e Hepatites Virais – Integralidade da Assistência e Consolidação de Redes: dos Avanços aos Desafios. O encontro será realizado entre os dias 16 e 19, na cidade de Vitória da Conquista.

De acordo com o Ministério da Saúde, estima-se que 630 mil pessoas sejam portadoras do vírus HIV no Brasil. Na Bahia, com população de mais de 14 milhões de habitantes, o primeiro caso foi registrado em 1984 e, desde então, até abril de 2009, 10.452 ocorrências foram notificadas. Dessas, 6.913 pertencem ao sexo masculino e 3.539 ao feminino, totalizando uma média de 5,7 casos por 100 mil habitantes.

As Nações Unidas estarão presentes no 1º Congresso Baiano de DSTs, Aids e Hepatites Virais divulgando a parceria que desenvolvem com o governo federal, o governo da Bahia e também com os municípios das microrregiões de Juazeiro e Vitória da Conquista – a chamada "Iniciativa Laços SociAids", que visa a apoiar e a fortalecer uma resposta multissetorial e ampliada à epidemia de Aids na Bahia.

As microrregiões de Juazeiro e Vitória da Conquista contemplam 28 municípios e, aproximadamente, um milhão de habitantes.

As atividades da "Iniciativa Laços SociAids" incluem três eixos prioritários: prevenção à transmissão vertical do HIV e da sífilis, promoção da saúde nas escolas e enfrentamento à feminização da epidemia da Aids e outras DSTs.

Dentro dessas atividades, o PNUD contribuirá, em abril de 2011, com iniciativas na área de promoção da governança, para que os esforços setoriais e governamentais sejam conjugados no combate à epidemia.

A iniciativa visa a atender ao desejo de apoiar grupos de risco onde historicamente a resposta à doença ainda representa um desafio, tais como jovens de 13 a 24 anos, presidiários e mulheres, entre outros.

Entre esses grupos, observa-se um crescimento nos casos de infecção por mulheres na faixa de 13 a 19 anos, de acordo com o 2º Boletim Epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde.

Também percebe-se uma tendência de crescimento dessa faixa, segundo relatório do UNAIDS, apesar de, na população em geral, a incidência ser de 15 homens para cada 10 mulheres, o que reforça também a importância de se trabalhar saúde e educação nas escolas.

"O próprio governo federal já identificou a importância de se integrar saúde e educação no combate à epidemia. Nesse ponto, o PNUD tem uma participação essencial, que é a de apoiar na identificação e elaboração de planos conjuntos de ação na resposta à epidemia de forma a efetivá-los por meio dos princípios de governança", explica Joaquim Fernandes, oficial da agência da ONU.

"Isso garante que a temática seja abordada de forma transversal, atingindo todas as esferas envolvidas", acrescenta.

Reuniões de acompanhamento

A partir desses temas e atividades são gerados também seminários e reuniões para motivar e acompanhar as ações que estão sendo realizadas nas microrregiões abrangidas. Em agosto, por exemplo, a "Iniciativa Laços SociAids" organizou, entre os dias 4 e 6, o “Seminário Laços SociAids de Temas Transversais”, em Salvador, para discutir assuntos como uso de drogas, violência, gênero, sexualidade, políticas públicas e governança.

O evento contou com a participação de gestores municipais e técnicos das áreas de saúde e educação de Juazeiro e Vitória da Conquista, além de representantes da sociedade civil.

O 1º Congresso Baiano de DSTs, Aids e Hepatites Virais também terá a parceria da "Iniciativa Laços SociAids". Entre os temas em discussão estarão os desafios da descentralização da saúde para a prática da prevenção e da assistência; a integralidade da assistência e a consolidação de redes; a necessidade de uma revisão de processos de gestão e de organização dos serviços; e estratégias para a promoção da qualidade de vida de pessoas que vivem com HIV.

Paquistão receberá 5 mil casas antidesastre

Moradias serão construídas pelo PNUD na região de Sindh (sul), onde mais de 800 mil pessoas ficaram desabrigadas por causa de cheias

PNUD / Divulgação
Leia também
Ação local alivia enchentes no Paquistão
da PrimaPagina

Como parte dos esforços para a recuperação do Paquistão, que desde julho registra enchentes sem precedentes em várias partes de seu território, o PNUD vai construir cinco mil casas à prova de desastres em torno da área costeira na província de Sindh (sul).

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 20 milhões de pessoas foram afetadas pelas inundações, e mais de 12,4 milhões ainda precisam de assistência humanitária urgente.

A província de Sindh, escolhida para receber as moradias, tem mais de 800 mil pessoas desabrigadas em decorrência das chuvas, com 86% delas vivendo abaixo da linha da pobreza.

“As inundações trouxeram muita dor e insegurança para as pessoas, e devemos ajudá-las a voltar a ter uma vida normal”, diz Abdul Qadir, especialista em meio ambiente do PNUD no Paquistão.

As casas serão construídas em alvenaria especial, utilizando blocos reforçados com arame, apropriados contra terremotos e ventos fortes, e o telhado terá formado de pirâmide, para permitir um melhor escoamento de água.

O modelo já foi utilizado na cidade portuária de Karachi e resistiu à pressão das recentes inundações, ao ciclone Phet, em junho, e a um terremoto de 4,5 graus na escala Richter.

Cada habitação terá um quarto, uma cozinha, um banheiro e área para animais. Custará, em média, US$ 2 mil, e todos os materiais serão fabricados localmente, proporcionando empregos e oportunidades de geração de renda para as comunidades.

O PNUD entregará os títulos de propriedade principalmente a mulheres, que foram as mais afetadas pelas enchentes e que agora se encontram em situação econômica bastante vulnerável.

“Um dos primeiros passos para reconstruir a vida das pessoas é ajudá-las a ter um teto sobre suas cabeças”, conclui Qadir.

As ajudas de emergência continuarão sendo uma prioridade em todas as províncias afetadas pelas cheias, porém, esforços de alívios e rápida recuperação visando ao retorno das vítimas às suas casas, em áreas onde as águas baixaram, também serão efetuados em paralelo.

Ainda não há números oficiais sobre pessoas que ainda não poderão voltar as suas casas mesmo após o escoamento completo das águas.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Pessuti desabafa e pede a Requião que cuide da própria vida

do política em debate

Em longa entrevista na rádio CBN na tarde de ontem, o governador Orlando Pessuti (PMDB) desabafou e rebateu publicamente os ataques do antecessor, o ex-governador e senador eleito, Roberto Requião (PMDB). Pessuti afirmou que se existe algum problema financeiro na administração estadual a responsabilidade é de Requião, que prometeu e autorizou uma série de obras, sem que houvessem recursos para isso. Também confirmou que não conversa com o ex-aliado desde que assumiu o governo e ele começou a atacá-lo.

“Conversa não tem. Eu tenho procurado me pautar no comando do governo. Não tenho em nenhum momento hostilizado ele e gostaria que ele também não me incomodasse. Ele cuide da vida dele, eu cuido da minha”, disse. “Não fiz nenhuma ação política para prejudicar a sua eleição. Não sabia que mesmo calado eu tinha tanta força para prejudicá-lo”, afirmou. “Durante 27 anos o ajudei a governar o Paraná e ele não teve a mesma postura de nos apoiar em uma única eleição. Foi para a desconstrução da nossa candidatura. Uma semana depois de termos assumido já começou a fazer críticas ao nosso governo e as pessoas que nós nomeamos, que são as mesmas que já estava no governo dele”, reclamou.

Vargas Llosa ganha Nobel de Literatura

da Reuters

O escritor peruano Mario Vargas Llosa ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 2010, anunciou nesta quinta-feira o comitê responsável pela premiação.

O comitê informou em um comunicado que Vargas Llosa recebeu o prêmio "por sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual".

Vargas Llosa, que conquistou o sucesso internacional com o romance "A Cidade e os Cachorros", em 1966, é o primeiro escritor latino-americano a receber o Nobel de literatura desde que Octavio Paz foi premiado em 1990.

Suas obras são influenciadas pelas experiências de vida no Peru no final dos anos 1940 e anos 1950.

Vargas Llosa concorreu à Presidência do país em 1990 mas perdeu de Alberto Fujimori, que posteriormente teve que fugir do país e depois foi condenado por diversos crimes.

"Ele é um autor excepcional, e um dos grandes escritores do mundo de língua espanhola", disse à Reuters Peter Englund, do comitê do Prêmio Nobel.

"Ele é uma das pessoas que estavam por trás do boom literário na América Latina nos anos 60 e 70, e continua trabalhando e crescendo."

Englund disse ter telefonado para Vargas LLosa, que está dando aulas na Universidade de Princeton, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, para dar a notícia.

"Ele está em meio a um período de dois meses de aulas em Princeton, por isso foi um pouco embaraçoso lhe telefonar tão cedo. Mas ele já estava acordado desde as 5 da manhã, preparando uma conferência para Princeton. Ele ficou radiante. Ficou muito, muito emocionado."

Vargas Llosa já lecionou e realizou palestras em universidades da América Latina, nos Estados Unidos e na Europa e também é um jornalista e ensaísta renomado, disse o comitê.

O prêmio de 10 milhões de coroas (1,5 milhão de dólares) é o quarto Nobel a ser concedido este ano. Os primeiros foram os de Medicina, na segunda-feira, Física, na terça-feira, e Química, na quarta-feira.

Serra pagou mais de um bilhão de reais por precatório de uma única empresa

Carlos Newton para o Tribuna da Imprensa

Deixei de publicar este artigo antes de 3 de outubro para não ser confundido com fanáticos partidários da candidata Dilma Rousseff. Com a abertura do segundo turno, creio que não faltarão tempo e argumentos para que os candidatos se expliquem e prestem contas, seja com relação à invasão de privacidade via Receita Federal e ao informal balcão de negócios aberto por Erenice Guerra, no Palácio do Planalto, seja sobre o absurdo de Serra despender mais de UM BILHÃO DE REAIS, para saldar o CRÉDITO DE EMPRESA titular de precatório não alimentar, em detrimento de dezenas de milhares de outros credores, mais necessitados.

Precatório, como sabido, é uma dívida que a União, Estados e Municípios têm com cidadãos e empresas que por meio de ações buscaram seus direitos junto ao Judiciário. Uma vez julgado o processo e transitada em julgado a decisão favorável, é expedido precatório, ou seja, ordem de pagamento para que a Fazenda Pública pague o que foi determinado pela Justiça, incluindo em seu orçamento anual a quantia devida.

O precatório pode ser de natureza alimentar (direitos trabalhistas, reposição de perdas salariais de funcionários públicos, pagamento de indenizações por acidentes em que o Poder Público é considerado culpado, omisso etc.). O de natureza não alimentar abrange ações contra o Poder Público, envolvendo, por exemplo, o pagamento de indenizações por desapropriações de áreas, imóveis e outros bens. Esses créditos assegurados pela Justiça se transformam em precatórios.

A Fazenda Estadual de São Paulo é a maior devedora nacional de precatórios, atingindo o seu débito total cerca de 20 BILHÕES DE REAIS. A Prefeitura Municipal de São Paulo é devedora de cerca de 10 BILHÕES DE REAIS.

Por conta de diversas emendas e malabarismos aprovados no Congresso, os portadores de precatórios já foram caloteados pelo Poder Público diversas vezes. Na Constituição de 1988 foi incluído um artigo que autorizava o pagamento da dívida em 8 anos. Com a emenda 30/2000 foi criada nova “facilidade” de mais 10 anos, e no ano passado, com a Emenda 62/2009, consumou-se o golpe definitivo, abrindo-se prazo de mais 15 anos para saldar os débitos judiciais e do jeito que os governos devedores puderem. Ou seja, a dívida e a respectiva decisão judicial transitada em julgado viraram pó, deixaram de existir e de ter valor certo.

Mais de 80 mil pessoas que entraram com ações contra o Estado e a Prefeitura de São Paulo há dezenas de anos morreram sem receber a quantia que, depois de longa tramitação processual, lhes foi garantida pelo Judiciário. Centenas de milhares de pessoas com créditos de natureza alimentar continuam aguardando o pagamento numa fila de ordem cronológica que não anda desde 2000 e que serve de desculpa para não se honrar débito algum.

Em meio a esse quadro de desespero e de completa injustiça, o economista ou engenheiro José Serra, enquanto governador de São Paulo, em 2007, 2008 e 2009 pagou aos milhares de titulares de precatórios de natureza alimentar APENAS 504 MILHÕES DE REAIS, valor que já deveria ter sido saldado no distante ano de 2000.

Mas nesse mesmo período, 2007, 2008 e 2009, destinou para pagamento de grandes credores da fazenda pública, a inacreditável quantia de 4 BILHÕES E 650 MILHÕES DE REAIS, soma bilionária, nove vezes maior que a destinada ao pagamento de dezenas de milhares de famílias despidas de qualquer poder de pressão e de negociação.

Não bastasse tal inexplicável discriminação e desrespeito às decisões da Justiça e ao direito das centenas de milhares de paulistas, entre os grandes credores apenas um recebeu na gestão Serra quase UM BILHÃO E 100 MILHÕES DE REAIS. Trata-se de ex-proprietários da área onde hoje situa-se o Parque Villa-Lobos em São Paulo, junto à Marginal Pinheiros.

Só esse precatório do Parque Villa-Lobos já custou em valores nominais (sem correção) aos cofres estaduais cerca de R$ 2,5 bilhões, fortuna que daria para bancar uma nova linha do metrô. E atenção, ainda resta a ser paga a última parcela de 400 MILHÕES DE REAIS.

Todas as decisões judiciais devem ser cumpridas, indistintamente, sem privilégios. Não fica bem a um aspirante à Presidência da República promover distinção entre centenas de milhares de titulares de precatórios de natureza alimentar, que precisam de recursos para sobreviver, e os precatórios de natureza não alimentar e de grande expressão econômica. Ao que se sabe, a União Federal nos governos Fernando Henrique e Lula vem pagando em dia seus precatórios. Ou não vem?

Segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, que tem defendido os direitos dos titulares de precatórios de qualquer natureza, “não pagar precatórios poderá levar governos do Brasil a condenações internacionais”.

HONORÁRIOS DOS ADVOGADOS CHEGAM A 250 MILHÕES DE REAIS
Outra importante questão a ser enfrentada é a atribuição de honorários milionários a escritórios de advocacia, em ações de desapropriação, quando no processo se discute apenas o valor real a ser pago pela Fazenda Pública, com base em laudo feito por perito judicial.

É justo que o Estado pague, por exemplo, num precatório de R$ 2,5 bilhões, honorários advocatícios de 250 MILHÕES DE REAIS? Como justificar tal excesso contra as finanças públicas, que são os impostos que todos pagamos?

Quantos hospitais, quantas escolas e quantas habitações populares não seriam construídos com essa quantia inimaginável?

Quanto ao ex-governador José Serra, caso vença as eleições, o que parece altamente improvável, é bom também que não leve para o Planalto sua política desrespeitosa com o Poder Judiciário, que, em São Paulo, vive sufocado por conta dos descabidos cortes orçamentários promovidos por tecnocratas alheios às necessidades da população.

Por fim, registre-se que um advogado especializado em Direito Público, com forte atuação no Rio de Janeiro, Brasília e São Paulo, está promovendo acurado exame dos valores dos grandes precatórios pagos pela Fazenda Pública, abrangendo o valor principal da dívida e a verificação da correta incidência de juros moratórios e compensatórios sobre a indenização devida, isto, à vista das limitações impostas pelas emendas constitucionais 30/2000 e 62/2009 e a jurisprudência predominante nos tribunais superiores. Vamos aguardar.

Arcebispo de SP critica polarização de debate eleitoral em torno do aborto

Dom Odilo Scherer diz que candidatos devem explicitar posição sobre tema. Mas, para cardeal, outros temas devem ser considerados na hora do voto

O arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal dom Odilo Scherer, que também é membro do conselho permanente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), afirmou na manhã desta quinta-feira (7) considerar que não é positiva para o debate eleitoral a polarização em torno da questão do aborto. Mas, para ele, os candidatos devem apresentar claramente suas ideias sobre o tema.

A afirmação foi feita durante o encerramento da Semana Nacional da Vida, organizada no Amparo Maternal, entidade filantrópica que acolhe gestantes carentes, na região da Vila Mariana, em São Paulo.

Quando perguntado se a posição do candidato sobre o aborto seria fundamental na hora de escolher o próximo presidente da República, Dom Odilo declarou que outros assuntos também devem ser levados em consideração.

“[O aborto] é uma das questões que os eleitores têm que saber o posicionamento dos candidatos. Porém, a polarização em torno do assunto não é boa, porque temos muitos assuntos que devem também ser levados em consideração [na hora do voto]”, disse.

[O aborto] é uma das questões que os eleitores tem que saber o posicionamento dos candidatos. Porém, a polarização em torno do assunto não é boa, porque temos muitos assuntos que devem também ser levados em consideração [na hora do voto]"Dom Odilo SchererPara o cardeal, os candidatos devem “se manifestar sobre aquilo que é sua posição [sobre o aborto], assim como tantos outros assuntos que interessam aos eleitores”.

Dom Odilo reiterou a posição da CNBB de não declarar apoio a partidos ou candidatos nesta disputa eleitoral. “A Igreja se propôs a não indicar partidos ou candidatos, mas apontar critérios e princípios com relação à escolha, que deve ser livre e autônoma.”

Questionado sobre integrantes da igreja que teriam indicado apoio a algum candidato, Dom Odilo afirmou que “se algum o fez é por sua responsabilidade própria. Não é uma posição oficial’. Ele descartou uma divisão na CNBB sobre o assunto. “A posição foi votada em assembleia geral, portanto, não há divisão”, declarou.

O arcebispo de São Paulo lembrou ainda que a Igreja Católica considera que a vida humana se inicia no momento da concepção. “Independente das condições que em que foi concebido, o ser humano precisa de amparo. A criança não deve pagar com a sua vida pelo que outros cometeram de forma errada”, disse.

A entrevista coletiva aconteceu no Amparo Maternal, uma entidade filantrópica que acolhe gestantes carentes, criada em 1939. Mais de 800 mil partos foram acompanhados pela entidade, de acordo com Dom Odilo.

Uso da religião para fim eleitoral
Na noite de quarta-feira (6), em Brasília, a Comissão Brasileira Justiça e Paz, órgão ligado à CNBB, criticou o uso da religião para fins eleitorais e disse que grupos desconsideram orientações da CNBB.

A comissão divulgou nota na qual comenta o momento político brasileiro. "Muitos grupos, em nome da fé cristã, têm criado dificuldades para o voto livre e consciente", afirma o texto.

Veja a íntegra da nota:

"Nota da Comissão Brasileira Justiça e Paz
O MOMENTO POLÍTICO E A RELIGIÃO

“Amor e Verdade se encontrarão. Justiça e Paz se abraçarão" (Salmo 85)

A Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) está preocupada com o momento político na sua relação com a religião. Muitos grupos, em nome da fé cristã, têm criado dificuldades para o voto livre e consciente. Desconsideram a manifestação da presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil de 16 de setembro, “Na proximidade das eleições”, quando reiterou a posição da 48ª Assembléia Geral da entidade, realizada neste ano em Brasília. Esses grupos continuaram, inclusive, usando o nome da CNBB, induzindo erroneamente os fiéis a acreditarem que ela tivesse imposto veto a candidatos nestas eleições.

Continua sendo instrumentalizada eleitoralmente a nota da presidência do Regional Sul 1 da CNBB, fato que consideramos lamentável, porque tem levado muitos católicos a se afastarem de nossas comunidades e paróquias.

Constrangem nossa conciência cidadã, como cristãos, atos, gestos e discursos que ferem a maturidade da democracia, desrespeitam o direito de livre decisão, confundindo os cristãos e comprometendo a comunhão eclesial.

Os eleitores têm o direito de optar pela candidatura à Presidência da República que sua consciência lhe indicar, como livre escolha, tendo como referencial valores éticos e os princípios da Doutrina Social da Igreja, como promoção e defesa da dignidade da pessoa humana, com a inclusão social de todos os cidadãos e cidadãs, principalmente dos empobrecidos.
Nesse sentido, a CBJP, em parceria com outras entidades, realizou debate, transmitido por emissoras de inspiração cristã, entre as candidaturas à Presidência da Republica no intento de refletir os desafios postos ao Brasil na perspectiva de favorecer o voto consciente e livre. Igualmente, co-patrocinou um subsídio para formação da cidadania, sob o título: “Eleições 2010: chão e horizonte”.

A Comissão Brasileira Justiça e Paz, nesse tempo de inquietudes, reafirma os valores e princípios que norteiam seus passos e a herança de pessoas como Dom Helder Câmara, Dom Luciano Mendes, Margarida Alves, Madre Cristina, Tristão de Athayde, Ir. Dorothy, entre tantos outros. Estes, motivados pela fé, defenderam a liberdade, quando vigorava o arbítrio; a defesa e o anúncio da liberdade de expressão, em tempos de censura; a anistia, ampla, geral e irrestrita, quando havia exílios; a defesa da dignidade da pessoa humana, quando se trucidavam e aviltavam pessoas.

Compartilhamos a alegria da luz, em meio a sombras, com os frutos da Lei da Ficha Limpa como aprimoraramento da democracia. Esta Lei de Iniciativa Popular uniu a sociedade e sintonizou toda a igreja com os reclamos de uma política a serviço do bem comum e o zelo pela justiça e paz.

Brasília, 06 de Outubro de 2010.
Comissão Brasileira Justiça e Paz,
Organismo da CNBB"