terça-feira, 23 de março de 2010
As hipóteses de 2010
Desenvolver empresas estatais, dar força econômica à pequena burguesia industrial e dos serviços, expandir a pequena burguesia agrícola, ampliar a força social dos trabalhadores assalariados das cidades e dos campos e estimular sua participação social e política, num contexto em que parte do governo rema contra esses esforços, e em que, em sua maioria, o aparato do Estado é contrário, não é uma missão fácil.
É verdade que, em alguns terrenos, o governo Lula poderia ser mais audacioso do que vem sendo. Ele poderia criar mecanismos governamentais mais eficazes para apoiar e estimular as micro e pequenas empresas industriais e de serviços. E poderia ser mais criativo no assentamento dos lavradores sem terra nos 90 milhões de hectares dos latifúndios improdutivos.
No entanto, isso não depende apenas dele. Depende, em grande medida, do PT, demais partidos socialistas, sindicatos e movimentos sociais democráticos e populares se voltarem com mais ênfase a organizar os trabalhadores e camadas populares em torno de seus interesses imediatos e de longo prazo. E depende de que essa organização da base social se movimente para pressionar a burguesia a dividir o espaço na sociedade, no governo e no Estado.
É essa pressão que pode fazer com que a harmonização de contrários, praticada pelo governo, funcione como política de acumulação de forças para contrabalançar-se à hegemonia das classes dominantes. Isto vai ser especialmente importante quando os contrários entrarem em rota de colisão na disputa entre seus interesses não-comuns. Será nesse momento que as teses de que o governo Lula tem hegemonia sobre as forças populares ou está sob o comando da grande burguesia sofrerão seu teste decisivo.
Até o momento, o governo Lula parece ter uma maioria política capaz de vencer as eleições de 2010 e manter o projeto de desenvolvimento e integração soberana na globalização capitalista. No entanto, a pauta do programa de críticas ao governo Lula, aparentemente pela esquerda, mostra que a disputa pode ser mais complexa do que parece.
O social-liberalismo tucano, que se esconde sob o manto de uma social-democracia envergonhada, sustenta que seu candidato, caso eleito, não vai retornar à privataria descarada nem à financeirização desbragada que marcou o governo FHC. Segundo porta-vozes não autorizados, Serra deve manter o mesmo projeto de Lula, apenas com modulação diferente. O elogio retardado de Serra a Lula e a tentativa de separar o governo Lula da candidata Dilma mostram que a oposição vai se pautar pela tentativa de não discutir a natureza dos programas de ambos.
Além disso, há um grande esforço intelectual, de mídia e de propaganda explícita para demonstrar que Dilma e Serra são muito parecidos, tendo a mesma visão de mundo. Há quem diga que, se houvesse uma reorganização política, ambos estariam no mesmo partido. Eles seriam a expressão de pessoas que não existiriam mais na política brasileira, gente compromissada com o Brasil e que poderia ser enquadrada no conceito inglês de servidor público.
O que não impede Serra de manobrar para destruir a candidata do PT pelas bordas, estimulando a candidatura Marina Silva, que num primeiro momento arrastou intelectuais católicos e progressistas - e possivelmente boa parte da esquerda que critica o governo Lula. Nem de que o saco de maldades de denúncias envolvendo figuras do PT já esteja com munição suficiente para alimentar a mídia marrom.
Paradoxalmente, a parte da esquerda que está servindo de massa divisionista de manobra para Serra não sabe se ainda é possível um projeto nacional popular no Brasil. Acredita que esse projeto teria sido derrotado, supostamente após ter sido descaracterizado pelo PT e pelo governo Lula, no poder. Nessas condições, embora afirme que a Consulta Popular é o único ator político que retoma o debate sobre um projeto de tal tipo, prefere apostar na promessa tucana, ou em seu derivativo Marina.
O que mostra o quanto há de gente que, mesmo diante da banda passando, não consegue enxergar os passistas, nem ouvir a música. E não sabe o que realmente está em jogo em 2010.
Wladimir Pomar é analista político e escritor.
Ao não denunciar pedofilia eclesiástica, Igreja incorre em crime de ‘Obstrução de Justiça’
No dia 21 de março, na mensagem tradicional da praça São Pedro, em Roma, o papa Ratzinger defendeu a necessidade de sermos "intransigentes com o pecado (...) e indulgentes com os pecadores". A declaração piedosa foi vinculada pela imprensa à carta publicada na véspera aos "Católicos da Irlanda", sobre as denúncias de graves e freqüentes crimes sexuais contra crianças por parte de padres e religiosos. A carta papal foi publicada em momento de grandes dificuldades do Vaticano. Foi lida como resposta às crescentes denúncias de crimes de pedofilia eclesiástica – e seu encobrimento –, que não cessam de se avolumar na Irlanda, Alemanha, Holanda e Áustria, após causarem enormes estragos à Igreja nos Estados Unidos.
Na Alemanha, terra do pontífice, 23 das 26 dioceses já foram atingidas por denúncias de casos de pedofilia clerical. E, mais e mais, as denúncias aproximam-se do papa alemão, apesar dos desmentidos explícitos do Vaticano. O monsenhor George Ratzinger, irmão do pontífice, inquirido sobre crimes de pedofilia ocorridos na instituição que dirigiu, de 1964 a 1994, afirmou que jamais fora informado sobre eles. Reconheceu que esbofeteava crianças sob sua autoridade. Mais antigas, as acusações ao hoje bispo de Roma referem-se ao encobrimento direto de, ao menos, um crime contra um menor. Mais grave ainda, denunciam a orquestração realizada por Ratzinger para que os bispos de todo o mundo encobrissem tais fatos.
Em 1979, o então bispo Ratzinger limitou-se a determinar a tradicional transferência e terapia psicológica quando informado que padre sob sua autoridade embebedara e abusara de menino de onze anos. A polícia não foi informada e o sacerdote reincidiu, a seguir, nas agressões. Nos anos 1990, Ratzinger, agora prefeito da poderosa "Congregação pela Doutrina da Fé", fundada em 1662, época em que foi conhecida como Inquisição, foi acusado de não atender às repetidas denúncias de ex-membros da Legião de Cristo, agredidos sexualmente quando meninos e seminaristas pelo padre Marciel Maciel. O papa Wojtila apresentara o fundador daquela congregação integralista como exemplo para a pastoral da juventude.
Fundada em 1941, no México, para "estabelecer o reino de Cristo na terra", a riquíssima congregação tem hoje ramificações em mais de trinta países. Apenas em 2006, com o conhecimento universal das ações pedófilas e galantes do sacerdote hiper-devasso, Marciel Maciel, já caquético, às bordas da sepultura, foi convidado por Ratzinger a abandonar a direção da congregação para se dedicar à "oração e penitência". Mais grave ainda teria sido a ação de Ratzinger, em 2001, ao investigar, por ordem do papa Wojtyła, sempre como prefeito da Propaganda Fide, as agressões sexuais e torturas de crianças e adolescentes por padres. Determinou confidencialmente aos bispos que os atos fossem investigados, "da maneira mais secreta possível", sob "silêncio perpétuo" e "segredo absoluto". Proibiu, sob pena de excomunhão, que fossem comunicados à Justiça.
A longa carta pontifical aos católicos da Irlanda foi saudada pelas autoridades eclesiásticas como resposta conclusiva àqueles sucessos. As associações de vítimas da pedofilia eclesiástica expressaram, unânimes, o enorme desapontamento com a mesma, pois não assinala os nomes dos responsáveis; não determina devassa dos abusos; propõe inexplicavelmente que Ratzinger teria conhecido os fatos, como a população irlandesa, quando tornaram-se públicos! "Como vocês, fiquei profundamente dilacerado pelas notícias divulgadas referentes ao abuso de crianças e jovens vulneráveis por membros da Igreja na Irlanda (...)."
Despertou também espanto as explicações das razões dessa chaga que não cessa de se abrir. Nenhuma palavra sobre o celibato religioso, sobre a misoginia católica, sobre a omertà eclesiástica. Segundo Ratzinger, "nas últimas décadas", a Igreja irlandesa defrontou-se com "graves desafios à fé" devido à "transformação e secularização" sociais, que enfraqueceram a "adesão tradicional" aos "valores católicos", abandonando "práticas" como a "confissão freqüente, a prece quotidiana e o retiro anual". Ratzinger responsabiliza o laicismo e a secularização porque facilitaram denúncias de crimes sexuais que se arrastam impunes há séculos!
O grande impasse que não se soluciona nasce da negativa das autoridades religiosas de reconhecerem a autonomia cabal do mundo civil. Não se discute o direito da Igreja de defender que a pedofilia eclesiástica seja sobretudo delito contra a fé e pecado grave, superado através do arrependimento, da confissão e da penitência religiosa. Desde que denunciem, incontinenti, às instâncias civis responsáveis, tais crimes, sobre os quais não possuem qualquer autoridade. Se não o fazem, incorrem em crime de "obstrução da Justiça".
Mário Maestri é historiador e professor do curso e do programa de Pós-Graduação em História da UPF.
Pessuti envia à Assembléia dois projetos que tornam permanentes benefícios para educação
A secretária da Educação, Yvelise Arco-Verde, lembrou que estes programas tiveram boa aceitação dos professores, tanto na formação por meio do PDE quanto nos convênios para o ensino especial. “São programas que amarramos ao longo dos anos, discutindo e criando novas práticas e mecanismos para seu desenvolvimento. Temos hoje uma base de trabalho que deve ser transformada em política pública de estado na área da educação”, disse.
A primeira proposta apresentada por Pessuti, referente ao PDE, prevê que, anualmente, 3% dos professores da rede pública estadual participem do programa – são pelo menos 2 mil professores, já que a rede é composta por 60 mil. Hoje, o programa atende 2,4 mil professores em todo o Estado. Eles se afastam totalmente do trabalho durante o primeiro ano para se dedicar exclusivamente ao estudo. No segundo ano, o afastamento é de 25%.
Criado pelo Governo do Estado em 2007, numa parceria da Secretaria da Educação e Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, o PDE é uma política pioneira de formação continuada para os professores, que elaboram um Plano de Trabalho – proposta de intervenção prática na realidade escolar.
“O PDE dá condições melhores e mais aprimoradas de formação. Antes, quando os professores buscavam capacitação, deixavam a sala de aula sem salário, o que prejudicava sua renda e sua futura aposentadoria. Estamos também assegurando melhor qualidade de ensino que, com outras propostas e ações do Estado, fazem do Paraná referência na educação”, lembrou Pessuti, ao destacar a criação do Plano de Cargos e Salários e a contratação de profissionais para serviços gerais, acabando com a terceirização.
A secretária Yvelise destacou que a continuidade da formação dos professores é fundamental para garantir o ensino de qualidade. “Em qualquer estado ou país, se formos destacar as políticas voltadas para a qualidade do ensino, a formação dos professores é uma das primeiras. Temos que investir em infraestrutura, em material, mas a formação é muito importante. Além disso, os professores, depois de anos na rede de ensino, precisam atualizar seu conhecimento e, quando voltam a sala de aula, melhoram a qualidade do ensino”, disse.
Para a coordenadora estadual do Programa de Desenvolvimento Educacional, Simone Bergmann, com a transformação do PDE em lei estadual, será garantida a qualidade da educação paranaense. “O PDE significou um grande avanço na educação pública do Paraná porque o professor, que tinha formação fragmentada, tem hoje uma formação adensada. Isso promoveu um salto qualitativo na educação do Paraná, que hoje promove o diálogo entre o ensino superior e educação básica”, argumentou.
EDUCAÇÃO ESPECIAL – O segundo projeto entregue por Pessuti defende a transformação em lei dos repasses anuais feitos pelo Governo do Estado às 380 instituições de educação especial, sejam estaduais, municipais ou mantenedoras, que hoje atendem 41 mil alunos em todo o Paraná. “Este projeto vai ao encontro da cidadania, da inclusão social, do respeito que devemos ter com esse conjunto de pessoas”, disse o vice-governador.
Atualmente, os convênios são renovados todos os anos, o que, segundo Yvelise, leva a instabilidade das instituições. “A ideia de perenizar é justamente para tranquilizar essas instituições, que prestam um favor ao Estado, que não tem como abarcar esse trabalho muito especializado. O projeto, portanto, também significa um reconhecimento dessas instituições”, afirmou. A secretária da Educação.
Essas instituições prestam atendimento gratuito a crianças com desenvolvimento cognitivo incompleto ou com múltiplas deficiências sensoriais, que comprometem seu aprendizado. “São alunos com altas especificidades que, mesmo com o apoio de especialistas, não respondem com êxito ao ensino comum”, explicou a chefe do Departamento de Educação Especial e Inclusão Educacional da Secretaria, Angelina Matiskei.
Para desenvolver este trabalho, as instituições ligadas a Secretaria dispõem de espaço adequado e professores especializados, que ensinam adequando o currículo à resposta dos alunos, trabalhando para desenvolver o potencial de cada um deles. Segundo Angelina, as instituições têm, em média, um professor para cada seis alunos.
“Os caça-fantasmas”
A União dos Estudantes (UPE) e a União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES) convocam estudantes para a manifestação de logo mais, às 13h30 na Assembléia Legislativa. Alguns partidos, centrais sindicais e movimentos populares se unem para exigir rigorosa investigação das denúncias de corrupção envolvendo deputados estaduais. A convocação está no blog da UPE
segunda-feira, 22 de março de 2010
Mídia falseia discussão sobre ‘Estatismo’ do governo Lula
A discussão acerca das falhas e virtudes do Estado e do Mercado, tema caro aos ideólogos tanto da estatização quanto da privatização, tomou de assalto os jornais de grande circulação nas últimas semanas, a Folha de S. Paulo em especial - um dos jornais mais lidos em nosso país.
A despeito do tom maniqueísta no tratamento do tema - algo, aliás, nada incomum na imprensa em geral, como forma de trazer maior apelo aos assuntos abordados -, não se pode dizer que esta seria uma discussão em si sem validade. Afinal, poderia ter grande efetividade no esclarecimento à população relativamente a vários dos serviços essenciais ao seu cotidiano, os quais já foram eminentemente públicos e hoje se encontram sob o controle do setor privado.
Estado versus Mercado?
Já há alguns meses, estamos diante de um tom mais acentuado nos discursos do governo Lula, no sentido de enfatizar a necessidade de retomada do papel regulador, quando não a presença, do Estado em vários setores da economia. O PAC, o Plano de Aceleração do Crescimento do governo, seria, inclusive, um dos demonstrativos de que, na prática, já estaria havendo essa retomada. Nas últimas semanas, juntaram-se a este discurso algumas novas medidas e falas indicativas de que o governo parece estar com o propósito de encampar um projeto estatal de expansão da banda larga através da Telebrás, por meio da aquisição das linhas da Eletronet (antiga empresa estatal, atualmente em estado falimentar, detentora de uma rede de cabos de fibra ótica).
Não é muito difícil de imaginar a celeuma que vem sendo armada em torno dessa suposta retomada do papel do Estado na economia, em uma espécie de novo ‘round’ do ‘nacional-desenvolvimentismo’. Editorial da Folha de S. Paulo de 24 de fevereiro de 2010 já em sua chamada salientava que ‘Diretrizes para um eventual governo Dilma, além de estatizantes, ignoram deficiências de gestão no período Lula’.
O referido texto, após atribuir as causas do ‘sucesso’ brasileiro nos últimos anos à continuidade da política econômica sob Lula, nas áreas monetária, fiscal e cambial - conforme reza o credo neoliberal, e em uma clara alusão elogiosa à condução da economia na era do tucano FHC -, enumera várias advertências a medidas que poderiam retirar o Brasil da trilha do ‘crescimento’. Dentre estas medidas, ‘o exagero voluntarista a respeito do papel do Estado’, onde haveria ‘uma clara intenção de controle e intromissão que pode facilmente tornar-se nociva ao bom funcionamento da economia’, conforme advogara documento do último Congresso petista.
Estamos nós leitores diante de uma realidade em que aos privatistas da era FHC agora se contrapõem e atuam de modo sistemático os petistas e lulistas, imbuídos de uma nova visão sobre o desenvolvimento e o papel do Estado?
O ‘Estatismo’ do governo Lula
Somente com uma boa dose de ingenuidade seria possível embarcar nessa noção que vem sendo insistentemente martelada nas últimas semanas, não somente pela Folha, mas por boa parte dos veículos de grande porte. Se tivessem um propósito autêntico de esclarecer à população sobre as intrincadas relações entre os grandes e poderosos conglomerados econômicos privados e o Estado, e respectivas conseqüências em suas vidas, deveriam ir bem mais além, muitas vezes passando bem longe, da macetada dicotomia Estado versus Mercado – tão ao gosto de antigos ministros da ditadura, atualmente consagrados conselheiros do governo.
Os grandes órgãos de comunicação não têm em suas pautas a crítica às privatizações do governo FHC, levadas a cabo, em sua maioria, de modo escandaloso – o que não causa a menor surpresa, uma vez já notório o conhecimento da cumplicidade desses órgãos com o processo privatista. Bem além, no entanto, de não fazerem essa crítica, vêm tecendo as suas estridentes contrariedades a uma estatização ‘lulopetista’ que nem mesmo existe de fato. Mais ainda, fingem não saber da privatização às avessas que tem um curso emblemático no âmbito do próprio governo Lula. Salvo raras exceções em um país que exibe vergonhosas taxas de analfabetismo puro e funcional, cidadãos e leitores muito dificilmente podem se situar adequadamente diante de tal visão tão esquizofrênica, e nada gratuita, que lhes é impingida pelos nossos órgãos de mídia.
Onde estão as alusões mais sérias e substantivas aos exemplos de privatizações ‘disfarçadas’ no governo Lula? Esquemas de Concessões, bem como de Parcerias Público-Privadas, nas grandes áreas de infra-estruturas, como energia, transporte, comunicações, recebem vultosos financiamentos do BNDES, além de boa parte dos riscos permanecer sob responsabilidade do Estado. Não se está aqui diante de uma camuflagem a um esquema de privatização de fato? E o que dizer da avalanche de fusões e aquisições nos últimos meses, na esteira da crise financeira mundial iniciada em 2008, a exemplo da união das empresas Sadia e Perdigão, da fusão Oi/BrTelecom, todas com a injeção de recursos do BNDES? Há ainda a reforma da Previdência Pública, forçosamente tentada por FHC em seus oito anos à frente da nação, mas efetivada justamente na gestão do operário presidente. Grandes beneficiados dessa reforma serão indubitavelmente os Fundos de Pensão privados. E para encerrar uma citação que poderia se estender por muitos parágrafos, lembre-se do tão celebrado Prouni, que traz benefícios fiscais a universidades privadas que contemplem alunos que comprovem insuficiência de renda. Beneficiam-se instituições de ensino superior privado muitas vezes com ínfimos padrões de qualidade, enquanto as universidades públicas padecem ano a ano, ao verem minguar as verbas públicas a elas direcionadas.
O setor elétrico talvez seja aquele mais sintomático daquilo que aqui se chama de privatização disfarçada, ou privatização às avessas. Em um Especial do Correio da Cidadania de meados de 2005, em matéria de autoria desta mesma escriba, destacava-se que, já em 1999, o governo FHC freou o processo de privatização das estatais de energia elétrica no país. Esta foi, à época, uma decisão conjuntural, causada pela crise energética - naquele ano, o ONS, Operador Nacional de Sistema, recebia sinais de que o colapso no sistema estava prestes a ocorrer - e pela pressão de organizações sociais. Embora fosse parte do projeto político do governo petista a interrupção das privatizações, o que se via à época do citado Especial não era mais a venda das empresas estatais, que já tinham sido vendidas em sua maioria, mas sim a privatização da energia e do potencial hídrico do país. Grandes empresas, como a Vale do Rio Doce e a Alcoa, estavam construindo hidrelétricas, a partir de vitórias em licitações, para uso próprio. "Algumas empresas estão privatizando nossas usinas e nós, residências, pequenas indústrias e comércios e serviços públicos, não vemos a cor dessa energia, que está reservada para esses grandes consumidores", dizia à época o consultor no campo de Energia Roberto D’Araújo.
A se considerarem alertas de estudiosos do meio ambiente e do próprio setor elétrico, a mencionada ‘privatização da energia e do potencial hídrico’ pode atingir patamares ainda mais elevados em um futuro bem próximo. Grandes empreendimentos hidrelétricos como Belo Monte, no Rio Xingu, e Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, além do grande impacto que devem causar ao meio ambiente, terão uma elevada participação de empreiteiras, como a Camargo Corrêa, serão agraciados com novos financiamentos do BNDES e estarão direcionados em grande medida ao fornecimento de energia às indústrias eletro-intensivas, como a indústria do aço, um produto pouco elaborado e precipuamente voltado às exportações.
Quase nada além do trivial
Não se pode obviamente desprezar o fato de que, em algumas de suas matérias, e especialmente nas análises de alguns dos colunistas, o jornal supracitado conseguiu ir um pouco além da visão um tanto trivial, para dizer o mínimo, da economia e da política. Muitas dessas matérias e análises têm trazido à tona alguns dados que demonstram uma relação mais complexa entre os grupos privados nacionais e internacionais e o governo.
O hipotético relacionamento do ex-ministro da Casa Civil de Lula, José Dirceu, com um dos controladores atuais da Eletronet, empresa citada no início deste texto, seria um dos indícios de uma espécie de ‘privatização do Estado’, a partir de ‘alianças entre empresas favorecidas pelo governo e grupos de interesse que se aninham no Estado’ – segundo destacado por Editorial da Folha de 26 de fevereiro. Editorial do dia 8 de março reforça, por sua vez, a tese da metamorfose dos Fundos de Pensão, e ainda do BNDES, em instrumentos do poder político a serviço do governo e da burocracia sindical, o que se entrelaçaria à ‘histórica’ e ‘forte’ presença do Estado no capitalismo brasileiro. Os novos propósitos do governo de montar uma ‘superelétrica’, a ser novamente comandada pela Camargo Corrêa, com recursos do BNDES e também dos sempre presentes Fundos de Pensão Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), Petros (Petrobrás) e Funcef (Caixa), também não passaram despercebidos pelo diário dos Frias – conforme pode ser atestado pela opinião de Melchiades Filho, na página 2 da edição do dia 3 de março.
Trata-se, no entanto, no mais das vezes, de uma abordagem meramente factual. Sob o falso e cada vez mais mal disfarçado pretexto de passar uma imagem de isenção, não vai além de destacar alguns escândalos reais, sem contextualizá-los em uma análise mais profunda e substancial na interpretação da realidade. O mencionado editorial do dia 8 de março cita que ‘os descaminhos da década de 1980, que tanto custaram ao país, são em parte decorrentes do modelo intervencionista anterior’ - passando, portanto, ao largo do esclarecimento de que, bem além do intervencionismo em si, o que estava em jogo era o tipo de intervencionismo que se praticou no período ditatorial. Haja vista, ademais, as próprias acusações relativas ao possível envolvimento pessoal de José Dirceu com os projetos do governo de ressuscitar a Telebrás através da Eletronet. Ainda que tais denúncias mereçam divulgação e respectiva investigação, em praticamente nenhum momento o jornal buscou dar ensejo à avaliação da possibilidade de estar em curso uma ‘séria’ tentativa de retomar de alguma forma o controle do setor de telecomunicações, dando mais corpo e nova vida à Telebrás.
Afinal, melhor não mexer nesse vespeiro, pra não incomodar os graúdos que navegam tranquilamente nas ondas liberalizantes, e que estão muito bem sintonizados com o jornalismo pretensamente progressista da Folha.
O que há por trás de tudo isso?
Ainda que os interesses dos maiores grupos econômicos estejam sempre a influenciar o modo tendencioso na condução do jornalismo dos grandes veículos, está particularmente em jogo nesse momento a construção da candidatura tucana. O cenário eleitoral que se avizinha é, portanto, um forte catalisador das atuais manipulações e reducionismos em torno de um tema muito oportuno nesse debate, que remonta às eleições de 2006 (quando Lula elegeu as privatizações tucanas para se opor a Alckmin): a presença do Estado na economia.
Utilizam-se, para a construção da candidatura de ocasião, estratégias muito delimitadas. Não se faz a menor cerimônia na falsificação de qualquer discussão que poderia dar suporte a um entendimento mais profundo e efetivo sobre os reais acontecimentos políticos, econômicos e sociais.
Editoriais, comentaristas e matérias da Folha do dia 28 de fevereiro, logo após a divulgação da última pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial, são uma mostra evidente de que essas especulações não são frutos de qualquer tipo de imaginação descabida. As fortes mensagens subliminares em favor da candidatura tucana transparecem a partir de uma clara lamentação quanto à estratégia retardatária da agremiação de Serra e até mesmo a partir de sugestões quase desesperadas para que o tucano monte logo no bonde eleitoral. Nem se fossem os marqueteiros oficiais do candidato seriam tão óbvios. A Folha tem mesmo estado bem menos safa em sua intenção de não se comprometer e manter a imagem de progressismo, isenção e imparcialidade.
Não custa, finalmente, destacar que não está aqui em jogo qualquer tentativa de enaltecer o partido ou a candidata de Lula - acusação que poderia ser dirigida a este texto, sempre tendo em vista a visão maniqueísta mais confortável aos grandes veículos. As críticas dirigidas ao governo Lula, essencialmente no que se refere ao seu ‘falso estatismo’, não autorizam esta visão, pelo menos para aqueles que se situam mais à esquerda no espectro político.
Valéria Nader, economista, é editora do Correio da Cidadania
Serra nega que tenha dito que é candidato: foi o Datena
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), negou, após evento público, negou que tenha se declarado candidato à Presidência da República em um programa da TV Bandeirantes. "O Datena (José Luiz Datena, apresentador do programa) é quem falou isso", disse Serra.
A assessoria de imprensa confirmou, em um primeiro momento, que Serra falou como candidato durante a entrevista, mas depois negou que o governador confirmou a candidatura.
"Agora há pouco, o Serra numa entrevista exclusiva para mim no Palácio dos Bandeirantes confirmou que é candidato à Presidência da República", disse Datena. Pouco depois o apresentador amenizou o anúncio: "ele praticamente confirmou... dá pra entender na entrevista, uma entrevista longa inclusive".
Segundo a assessoria do governador, na entrevista ele teria dito que "iremos disputar nossas biografias", referindo-se à pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff.
O PSDB espera há meses a manifestação pública de Serra sobre a disputa presidencial. Nas últimas semanas, líderes tucanos têm reclamado publicamente pelo fato de o governador não ter se lançado ainda pré-candidato à Presidência.
O governador deve deixar o cargo até os próximos dias para poder disputar a Presidência. O PT lançou em fevereiro a pré-candidatura de Dilma. As candidaturas às eleições de outubro serão formalizadas apenas em junho, quando os partidos realizam convenções específicas para isso.
sexta-feira, 19 de março de 2010
Cuba, Israel e direitos humanos
por Breno Altman*
Tem sido educativo acompanhar, nos últimos dias, a cobertura internacional dos meios de comunicação, além da atitude de determinadas lideranças e intelectuais. Quem quiser conhecer o caráter e os interesses a que servem alguns atores da vida política e cultural, vale a pena prestar atenção ao noticiário recente sobre Cuba e Israel.
Na semana passada, em função de declarações do presidente Lula defendendo a autodeterminação da Justiça cubana, orquestrou-se vasta campanha de denúncias contra suposto desrespeito aos direitos humanos na ilha caribenha. Mas não há uma só matéria ou discurso relevante, nos veículos mais destacados, sobre como Israel, novo destino do presidente brasileiro, trata seus presos, suas minorias nacionais e seus vizinhos.
Vamos aos fatos. No caso cubano, Orlando Zapata, um pretenso “dissidente” em greve de fome po r melhores condições carcerárias, preso e condenado por delitos comuns, foi atendido em um hospital público por ordem do governo, mas não resistiu e veio a falecer. Não há acusação de tortura ou execução extralegal. No máximo, insinuações oposicionistas de que o atendimento teria sido tardio – ainda que se possa imaginar o escândalo que seria fabricado caso o prisioneiro tivesse sido alimentado à força.
Mesmo não havendo qualquer evidência de que a morte do dissidente, lamentada pelo próprio presidente Raúl Castro, tenha sido provocada por ação do Estado, os principais meios e agências noticiosas lançaram-se contra Cuba com a faca na boca. Logo a seguir o Parlamento Europeu e o governo norte-americano ameaçaram o país com novas sanções econômicas.
Indústria do martírio
Outro oposicionista, Guilherme Fariñas, com biografia na qual se combinam muitos atos criminosos e alguma militância antico munista, aproveitou o momento de comoção para também declarar-se em jejum. Apareceu esquálido em fotos que rodaram o mundo, protestando contra a situação nos presídios cubanos e reivindicando a libertação de eventuais presos políticos. Rapidamente se transformou em figura de proa da indústria do martírio mobilizada pelos inimigos da revolução cubana a cada tanto.
O governo ofereceu-lhe licença para emigrar a Espanha e lá se recuperar, mas Fariñas, que não está preso e faz sua greve de fome em casa, recusou a oferta. Seus apoiadores, cientes de que a constituição cubana determina plena liberdade individual para se fazer ou não determinado tratamento médico, o incentivam para avançar em sacrifício, pois não será atendido pela força até que seu colapso torne imperativa a internação hospitalar. Aliás, para os propósitos oposicionistas, de que grande coisa lhes valeria Fariñas vivo?
O presidente Lula tornou público, a seu m odo, desacordo com a chantagem movida contra o governo cubano. Talvez fosse outra sua atitude, mesmo que discreta, se houvesse evidência de que a situação de Zapata ou Fariñas tivesse sido provocada por ato desumano ou arbitrário de autoridades governamentais. Para ir ao mérito do problema, comparou a atitude dos dissidentes com rebelião hipotética de bandidos comuns brasileiros. Afinal, ninguém pode ser considerado inocente ou injustiçado porque assim se declara ou resolva se afirmar vítima através de gestos dramáticos.
O silêncio da mídia
Sem provas bastante concretas que um governo constitucional feriu leis internacionais, é razoável que o presidente de outro país oriente seus movimentos pela autodeterminação das nações na gestão de seus assuntos internos. O presidente brasileiro agiu com essa mesma cautela em relação a Israel, país ao qual chegou no último dia 14, apesar da abundância de provas que compro metem os sionistas com violação de direitos humanos.
Mas as palavras de Lula em relação a Cuba e seu silêncio sobre o governo israelense foram tratados de forma bastante diversa. No primeiro caso, os apóstolos da democracia ocidental não perdoaram recusa do mandatário brasileiro em se juntar à ofensiva contra Havana e em legitimar o uso dos direitos humanos como arma contra um país soberano. No segundo, aceitaram obsequiosamente o silêncio presidencial.
A bem da verdade, não foram apenas articulistas e políticos de direita que tiveram esse comportamento dúplice. Do mesmo modo agiram alguns parlamentares e blogueiros tidos como progressistas, porém temerosos de enfrentar o poderoso monopólio da mídia e ávidos por pagar o pedágio da demagogia no caminho para o sucesso, ainda que ao custo de abandonar qualquer pensamento crítico sobre os fatos em questão.
Um observador isento facilmente se daria conta que, ao contrário dos eventos em Cuba, nos quais o desfecho fatal foi produto de decisões individuais das próprias vítimas, os pertinentes a Israel correspondem a uma política deliberada por suas instituições dirigentes.
Sionismo e direitos humanos
A nação sionista é um dos países com maior número de presos políticos no mundo, cerca de onze mil detentos, incluindo crianças, a maioria sem julgamento. Mais de 800 mil palestinos foram aprisionados desde 1948. Aproximadamente 25% dos palestinos que permaneceram em territórios ocupados pelo exército israelense foram aprisionados em algum momento. As detenções atingiram também autoridades palestinas: 39 deputados e nove ministros foram seqüestrados desde junho de 2006.
Naquele país a tortura foi legitimada por uma decisão da Corte Suprema, que autorizou a utilização de “táticas dolorosas para interrogatório de presos sob custódia do governo”. Nada parecido é sequer insinua do contra Cuba, mesmo por organizações que não guardam a mínima simpatia por seu regime político.
Mas o desrespeito aos direitos humanos não se limita ao tema carcerário, que é apenas parte da política de agressão contra o povo palestino. A resolução 181 das Nações Unidas, que criou o Estado de Israel em 1947, previa que a nova nação deteria 56% dos territórios da colonização inglesa na margem ocidental do rio Jordão, enquanto os demais 44% ficariam para a construção de um Estado do povo palestino, que antes da decisão ocupava 98% da área partilhada. O regime sionista, violador contumaz das leis e acordos internacionais, hoje controla mais de 78% do antigo mandato britânico, excluída a porção ocupada pela Jordânia.
Mais de 750 mil palestinos foram expulsos de seu país desde então. Israel demoliu número superior a 20 mil casas de cidadãos não-judeus apenas entre 1967 e 2009. Construiu, a partir de 2004, um muro com 700 q uilômetros de extensão, que isolou 160 mil famílias palestinas, colocando as mãos em 85% dos recursos hídricos das áreas que compõem a atual Autoridade Palestina.
Pelo menos seiscentos postos de verificação foram impostos pelo exército israelense dentro das cidades palestinas. Leis aprovadas pelo parlamento sionista impedem a reunificação de famílias que habitem diferentes municípios, além de estimular a criação de colônias judaicas além das fronteiras internacionalmente reconhecidas.
Dupla moral
São, essas, algumas das características que conformam o sistema sionista de apartheid, no qual os direitos de soberania do povo palestino estão circunscritos a verdadeiros bantustões, como na velha e racista África do Sul. O corolário desse cenário é uma escalada repressiva cada vez mais brutal, patrocinada como política de Estado.
Mas os principais meios de comunicação, sobre esses fatos, se calam. Também mudos ficam os líderes políticos conservadores. Nada se ouve tampouco de alguns personagens presumidamente progressistas, sempre tão céleres quando se trata de apontar o dedo acusador contra a revolução cubana.
Talvez porque direitos humanos, a essa gente de dupla moral, só provoquem indignação quando seu suposto desrespeito se volta contra vozes da civilização judaico-cristã, da democracia liberal, do livre mercado, do anticomunismo. Não foi sem razão que o presidente Lula reagiu vigorosamente contra o cinismo dos ataques ao governo de Havana.
Breno Altman* é jornalista e diretor editorial do sítio Opera Mundi (www.operamundi.com.br )
quinta-feira, 18 de março de 2010
Cientistas matam células do câncer por meio de envelhecimento
Em vez de matar células cancerígenas com drogas tóxicas, os cientistas descobriram um caminho molecular que as força a envelhecer e morrer, informaram na quarta-feira (17).
As células cancerígenas se espalham e crescem porque podem dividir-se indefinidamente.
Mas um estudo em ratos mostrou que o bloqueio de um gene causador do câncer chamado Skp2 forçou células cancerígenas a passar por um processo de envelhecimento conhecido como senescência --o mesmo processo envolvido na ação de livrar o corpo de células danificadas pela luz solar.
Se você bloqueia o Skp2 em células cancerígenas, este processo é desencadeado, relatou Pier Paolo Pandolfi da Harvard Medical School, em Boston, e colegas na revista "Nature".
E a droga experimental contra o câncer MLN4924, da Takeda Pharmaceutical Co's --já na primeira fase de experimento clínico em humanos-- parece ter o poder de fazer exatamente isso, disse Pandolfi em uma entrevista por telefone.
A descoberta pode significar uma nova estratégia para o combate ao câncer.
"O que descobrimos é que se você danifica células, as células têm um mecanismo de adensamento para se colocar fora de ação", disse Pandolfi. "Elas são impedidas irreversivelmente de crescer."
A equipe usou para o estudo ratos geneticamente modificados que desenvolveram uma forma de câncer de próstata.
Em alguns deles, os cientistas tornaram inativo o gene Skp2. Quando o rato atingiu seis meses de vida, eles descobriram que os portadores de um gene Skp2 inativo não desenvolveram tumores, ao contrário dos outros ratos da pesquisa.
Quando eles analisaram os tecidos de nódulos linfáticos e da próstata, descobriram que muitas células tinham começado a envelhecer, e também encontraram uma lentidão na divisão de células.
Este não era o caso em ratos com a função normal do Skp2.
Eles obtiveram efeito semelhante quando usaram a droga MLN4924 no bloqueio do Skp2 em culturas de laboratório de células de câncer da próstata.
fonte: folhaonline
Rio: Belíssimo PROTESTO de 150 mil contra Cabral
Apesar de nada ter se perdido, aquelas 150 mil pessoas mostravam seu interesse, sua participação, indignadas com a omissão do governo.
Durante meses esse projeto transitou ou tramitou na Câmara, o governador não soube de nada, se escondeu, não mobilizou, não convocou, não coordenou. Foi ótima a passeata, o governador tentou “capitalizá-la”, não conseguiu.
Mas fiquem certos. Não existe UMA POSSIBILIDADE EM UM MILHÃO de modificarem a Constituição e ROUBAREM os royalties que estados e municípios recebem, MUITO JUSTAMENTE. O que se discute é o royaltie do pré-sal, o povão tem que ficar atento, mas é outra história.
Foi tão forte a repercussão, que José Serra, sobre o assunto, dizia apenas, “ouvi falar”. Mudou de tom, protestou e acrescentou: “O Estado do Rio e o Espírito Santo não podem ficar sem os royalties do petróleo”. Ha!Ha!Ha!
***
PS – Serginho cabralzinho filhinho “chorou” em vão. Sem nenhuma lágrima, preocupado, bastava perguntar ao secretário da Fazenda dele mesmo, Joaquim Levy, que tendo sido secretário do Tesouro Nacional, conhece o assunto com mais profundidade do que de onde irão retirar o pré-sal, “discutido e faturado”, muito antes de existir.
PS2 – Esses 150 mil da passeata de ontem, são representantes legítimos dos 15 milhões de habitantes do Estado do Rio e do Rio propriamente dito. Então, devem ficar atentos para a eleição de 3 de outubro. Que a REPRESENTATIVIDADE dos que participaram, seja projetada e autenticada pela REPRESENTATIVIDADE que sairá das urnas.
fonte: Tribuna da imprensa
A crise da imprensa é ética
por Emir Sader
Chovem os artigos na imprensa internacional sobre a crise da imprensa, enquanto crescente numero de jornais fecham, despedem jornalistas, diminuem suas tiragens. Os diagnósticos, ao serem feitos, em grande medida por pessoal ligado a essa imprensa, não conseguem sair do rame rame usual: a difusão da internet grátis, dos jornais grátis, etc., etc., seriam os responsáveis. Será?
Mas um artigo, desta vez da prestigiosa publicação norteamericana The Nation – “How to save jornalism?”, de John Nichols e Robert W. McChesney, de 25 de janeiro deste ano - aponta para um diagnóstico um pouco diferente. Em primeiro lugar, classifica o jornalismo como um “bem público”, considerando que deveria ser considerado da mesma forma que se considera a educação, saúde pública, o transporte, a infra estrutura.
Considerado dessa maneira, o fato de ser financiado por publicidade já desvia ou deforma esse caráter público, porque a publicidade visa interesses privados, venda de mercadorias, prestação de serviços na esfera privada. Essa concepção remeteria ao tema do financiamento público da imprensa.
Quanto ao diagnostico que aponta para a difusão da internet, os autores recordam que a crise começou muito antes, já nos anos 1970, apontando para a busca de maximização dos lucros pelas grandes corporações, que foram tornando as mídias empresas como outras quaisquer de seu imenso leque de investimentos, tendo como resultado, entre outros, a diminuição da qualidade e a banalização do jornalismo, cada vez mais longe de ser um bem público.
As propostas atuais de tentativa de superação da crise financeira, apontam normalmente para o pagamento das páginas de internet, dado que a publicidade nestas representa um ganho de 10% do que se perde nas publicações impressas. No entanto, apenas um que outro jornal que acredita na sua capacidade de manter audiência sendo pago – como o The Wall Street Journal – se arriscam nessa direção. Ainda assim é duvidoso que possam arrecadar uma proporção minimamente significativa do que perdem com a diminuição da tiragem e, principalmente, com a retração da publicidade, canalizada para outros meios.
Na realidade a crise da imprensa é a da perda de credibilidade, é uma crise ética, de sua transformação em um instrumento da publicidade, do ponto de vista econômico, e da sua constituição em mentor político e ideológico da direita. Os dados, publicados recentemente, demonstram como todos os grandes jornais brasileiros perdem leitores, mas sobretudo perdem influência. Embora todos os maiores jornais e quase todas as revistas semanais – à exceção da Carta Capital – sejam de férrea oposição ao governo, este mantêm 83% de apoio e eles conseguem apenas 5% de rejeição do governo. Temos aí uma idéia da baixíssima produtividade desses órgãos de oposição.
Jornais progressistas como La Jornada, do México, Página 12, da Argentina, Público, da Espanha, que gozam de alta credibilidade, se consolidam e se expandem, tendo páginas abertas amplamente visitadas. Seu patrimônio é sua ética social, suas posições políticas democráticas, o espírito pluralista dos seus comentaristas, a originalidade da suas coberturas jornalísticas.
quarta-feira, 17 de março de 2010
Cuba, Israel e direitos humanos
por Breno Altman*
Tem sido educativo acompanhar, nos últimos dias, a cobertura internacional dos meios de comunicação, além da atitude de determinadas lideranças e intelectuais. Quem quiser conhecer o caráter e os interesses a que servem alguns atores da vida política e cultural, vale a pena prestar atenção ao noticiário recente sobre Cuba e Israel.
Na semana passada, em função de declarações do presidente Lula defendendo a autodeterminação da Justiça cubana, orquestrou-se vasta campanha de denúncias contra suposto desrespeito aos direitos humanos na ilha caribenha. Mas não há uma só matéria ou discurso relevante, nos veículos mais destacados, sobre como Israel, novo destino do presidente brasileiro, trata seus presos, suas minorias nacionais e seus vizinhos.
Vamos aos fatos. No caso cubano, Orlando Zapata, um pretenso “dissidente” em greve de fome po r melhores condições carcerárias, preso e condenado por delitos comuns, foi atendido em um hospital público por ordem do governo, mas não resistiu e veio a falecer. Não há acusação de tortura ou execução extralegal. No máximo, insinuações oposicionistas de que o atendimento teria sido tardio – ainda que se possa imaginar o escândalo que seria fabricado caso o prisioneiro tivesse sido alimentado à força.
Mesmo não havendo qualquer evidência de que a morte do dissidente, lamentada pelo próprio presidente Raúl Castro, tenha sido provocada por ação do Estado, os principais meios e agências noticiosas lançaram-se contra Cuba com a faca na boca. Logo a seguir o Parlamento Europeu e o governo norte-americano ameaçaram o país com novas sanções econômicas.
Indústria do martírio
Outro oposicionista, Guilherme Fariñas, com biografia na qual se combinam muitos atos criminosos e alguma militância antico munista, aproveitou o momento de comoção para também declarar-se em jejum. Apareceu esquálido em fotos que rodaram o mundo, protestando contra a situação nos presídios cubanos e reivindicando a libertação de eventuais presos políticos. Rapidamente se transformou em figura de proa da indústria do martírio mobilizada pelos inimigos da revolução cubana a cada tanto.
O governo ofereceu-lhe licença para emigrar a Espanha e lá se recuperar, mas Fariñas, que não está preso e faz sua greve de fome em casa, recusou a oferta. Seus apoiadores, cientes de que a constituição cubana determina plena liberdade individual para se fazer ou não determinado tratamento médico, o incentivam para avançar em sacrifício, pois não será atendido pela força até que seu colapso torne imperativa a internação hospitalar. Aliás, para os propósitos oposicionistas, de que grande coisa lhes valeria Fariñas vivo?
O presidente Lula tornou público, a seu m odo, desacordo com a chantagem movida contra o governo cubano. Talvez fosse outra sua atitude, mesmo que discreta, se houvesse evidência de que a situação de Zapata ou Fariñas tivesse sido provocada por ato desumano ou arbitrário de autoridades governamentais. Para ir ao mérito do problema, comparou a atitude dos dissidentes com rebelião hipotética de bandidos comuns brasileiros. Afinal, ninguém pode ser considerado inocente ou injustiçado porque assim se declara ou resolva se afirmar vítima através de gestos dramáticos.
O silêncio da mídia
Sem provas bastante concretas que um governo constitucional feriu leis internacionais, é razoável que o presidente de outro país oriente seus movimentos pela autodeterminação das nações na gestão de seus assuntos internos. O presidente brasileiro agiu com essa mesma cautela em relação a Israel, país ao qual chegou no último dia 14, apesar da abundância de provas que compro metem os sionistas com violação de direitos humanos.
Mas as palavras de Lula em relação a Cuba e seu silêncio sobre o governo israelense foram tratados de forma bastante diversa. No primeiro caso, os apóstolos da democracia ocidental não perdoaram recusa do mandatário brasileiro em se juntar à ofensiva contra Havana e em legitimar o uso dos direitos humanos como arma contra um país soberano. No segundo, aceitaram obsequiosamente o silêncio presidencial.
A bem da verdade, não foram apenas articulistas e políticos de direita que tiveram esse comportamento dúplice. Do mesmo modo agiram alguns parlamentares e blogueiros tidos como progressistas, porém temerosos de enfrentar o poderoso monopólio da mídia e ávidos por pagar o pedágio da demagogia no caminho para o sucesso, ainda que ao custo de abandonar qualquer pensamento crítico sobre os fatos em questão.
Um observador isento facilmente se daria conta que, ao contrário dos eventos em Cuba, nos quais o desfecho fatal foi produto de decisões individuais das próprias vítimas, os pertinentes a Israel correspondem a uma política deliberada por suas instituições dirigentes.
Sionismo e direitos humanos
A nação sionista é um dos países com maior número de presos políticos no mundo, cerca de onze mil detentos, incluindo crianças, a maioria sem julgamento. Mais de 800 mil palestinos foram aprisionados desde 1948. Aproximadamente 25% dos palestinos que permaneceram em territórios ocupados pelo exército israelense foram aprisionados em algum momento. As detenções atingiram também autoridades palestinas: 39 deputados e nove ministros foram seqüestrados desde junho de 2006.
Naquele país a tortura foi legitimada por uma decisão da Corte Suprema, que autorizou a utilização de “táticas dolorosas para interrogatório de presos sob custódia do governo”. Nada parecido é sequer insinua do contra Cuba, mesmo por organizações que não guardam a mínima simpatia por seu regime político.
Mas o desrespeito aos direitos humanos não se limita ao tema carcerário, que é apenas parte da política de agressão contra o povo palestino. A resolução 181 das Nações Unidas, que criou o Estado de Israel em 1947, previa que a nova nação deteria 56% dos territórios da colonização inglesa na margem ocidental do rio Jordão, enquanto os demais 44% ficariam para a construção de um Estado do povo palestino, que antes da decisão ocupava 98% da área partilhada. O regime sionista, violador contumaz das leis e acordos internacionais, hoje controla mais de 78% do antigo mandato britânico, excluída a porção ocupada pela Jordânia.
Mais de 750 mil palestinos foram expulsos de seu país desde então. Israel demoliu número superior a 20 mil casas de cidadãos não-judeus apenas entre 1967 e 2009. Construiu, a partir de 2004, um muro com 700 q uilômetros de extensão, que isolou 160 mil famílias palestinas, colocando as mãos em 85% dos recursos hídricos das áreas que compõem a atual Autoridade Palestina.
Pelo menos seiscentos postos de verificação foram impostos pelo exército israelense dentro das cidades palestinas. Leis aprovadas pelo parlamento sionista impedem a reunificação de famílias que habitem diferentes municípios, além de estimular a criação de colônias judaicas além das fronteiras internacionalmente reconhecidas.
Dupla moral
São, essas, algumas das características que conformam o sistema sionista de apartheid, no qual os direitos de soberania do povo palestino estão circunscritos a verdadeiros bantustões, como na velha e racista África do Sul. O corolário desse cenário é uma escalada repressiva cada vez mais brutal, patrocinada como política de Estado.
Mas os principais meios de comunicação, sobre esses fatos, se calam. Também mudos ficam os líderes políticos conservadores. Nada se ouve tampouco de alguns personagens presumidamente progressistas, sempre tão céleres quando se trata de apontar o dedo acusador contra a revolução cubana.
Talvez porque direitos humanos, a essa gente de dupla moral, só provoquem indignação quando seu suposto desrespeito se volta contra vozes da civilização judaico-cristã, da democracia liberal, do livre mercado, do anticomunismo. Não foi sem razão que o presidente Lula reagiu vigorosamente contra o cinismo dos ataques ao governo de Havana.
Breno Altman* é jornalista e diretor editorial do sítio Opera Mundi (www.operamundi.com.br )
Preocupante: O crédito a juro altos responde por 40% da alta do PIB
por Carlos Molina Está onda de “crescimento da economia” tanto alardeada pelo governo Lula é falsa e a médio e longo prazo perigosa. Ela ocorre não pelo fortalecimento da economia nacional pelo acúmulo da poupança nacional causado pelo aumento da produção industrial e a consequente melhor distribuição de renda e sim de forma artificial pelo endividamento do povo.
Segundo o economista-chefe da LCA Consultores o aumento do crédito foi responsável por quase 40% da taxa de crescimento do Brasil nos últimos seis anos. Nas contas dele, a expansão média de 4% ao ano do Produto Interno Bruto (PIB) no período 2004-2009 teria sido de 2,5% se o crédito não tivesse avançado como avançou - a participação no PIB foi de 23% para 45%.
Ao mesmo tempo e quem o crédito foi crucial para a retomada do crescimento e levou ao endividamento da população, desde os empresários como dos trabalhadores e aposentados pelo crédito consignado, que deu mais segurança a quem concede o empréstimo.
Para o analista Alexandre Andrade, da Tendências Consultoria Integrada o consignado, regulamentado pelo governo em 2004, apresentava, no fim de janeiro, estoque de R$ 110 bilhões, um terço dos empréstimos concedidos às pessoas físicas no Brasil.
"O consignado colocou no mercado um contingente enorme de aposentados que não participavam do sistema de crédito", afirma o analista de instituições financeiras da Austin Rating, Luís Miguel Santacreu.
Toda forma de crescimento via o endividamento público ou privado é falso e de curta duração, pois existem limites para estes endividamentos e do ponto de vista popular chegamos ao teto e isto já se reflete na vida dos aposentados e trabalhadores.
Os aposentados, pensionistas e idosos sofrem, nos últimos anos, de incapacidade financeira para fazer frente às suas despesas cotidianas. O elevado custo de vida e a defasagem salarial são os principais fatores que levam os aposentados e pensionistas a recorrer à armadilha dos empréstimos consignados.
O custo de vida dos aposentados e dos pensionistas é superior ao dos trabalhadores da ativa, devido aos índices diferenciados de custo de vida, calculados por órgãos oficiais, como o IBGE, por exemplo.
O quadro atual do país contribui para que o aposentado e o pensionista recorram às armadilhas dos empréstimos consignados disponíveis no mercado financeiro, o que leva, na maioria das vezes, a um endividamento crescente e preocupante, pois estes engolem os já parcos recursos necessários as suas sobrevivências.
O custo de vida de um aposentado, de acordo com o índice consumo, no caso o Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) é, em média, 0,20% acima do índice oficial do país. Isso demonstra claramente que os aposentados acumulam um percentual de perda superior de 0,20% ao ano.
A diferença entre os percentuais se dá porque o IPC-3i leva em consideração os hábitos dos idosos, como a necessidade de compra de remédios e exames periódicos de saúde, por exemplo. Tais hábitos geram um gasto maior no orçamento doméstico, causando uma redução do poder aquisitivo ao longo do tempo, obrigando-os a utilizar alternativas para suprir suas necessidades, por vezes essenciais.
Outro ponto a ser considerado é que o sistema público de saúde permanece sucateado e não supre as necessidades da população brasileira, em especial, no atendimento aos aposentados, pensionistas e idosos. Não é raro observar idosos enfrentando filas em hospitais e nos postos de saúde, e estes estarem superlotados.
Dados fornecidos pelo INSS demonstram que a primeira face perversa dos empréstimos consignados se dá por faixa de renda. Podemos verificar por estes que a maior concentração das operações bancárias se situa na faixa de renda de um até três salários mínimos.
Esses estudos realizados pelo INSS afirmam que os empréstimos consignados afetam mais os aposentados de menor renda salarial. Os aposentados e pensionistas que recebem até um salário mínimo representam 25% dos contratos contraídos com os bancos, e a faixa salarial de um até dois salários mínimos representa 43% desses contratos.
Concluindo, 68% dos empréstimos consignados se encontram na faixa salarial até dois salários mínimos.
O empréstimo consignado tornou-se uma alternativa oferecida pelo governo, para disfarçar a falta de uma política de remuneração para os aposentados e pensionistas que enfrentam o alto custo de vida.
Além destes aspectos sobre o endividamento diretamente ligados a terceira idade estes idosos, que tanto contribuíram para o desenvolvimento do país e hoje são marginalizados, não podemos esquecer de que estes ainda são obrigados a socorrer os filhos e netos hoje afetados pela crise, que sem crédito recorrem ao crédito consignado oferecido aos pais, avós e tios.
Do ponto de vista da nossa economia nacional vejo com muita preocupação os incentivos dados pelo governo para o empréstimo financeiro em folha de pagamento de aposentados ou de trabalhadores.
Com certeza está falsa onda de otimismo e as facilidades para concessão de crédito podem e vão futuramente se transformar num tiro no pé tanto do aposentado, do trabalhador quanto do setor produtivo, já que não é calcada no aumento da produção e da distribuição de renda, mas sim no endividamento dos que estão descapitalizados.
O brasileiro já está acostumado a se endividar, além de lutar por melhorias de vida e estas passam por uma política distributiva mais justa e pelo aumento da produção e isto está sujeito a baixa das taxas de juros, a mudança da política econômica, ao contrário do que o governo prega, é preciso aprender a consumir com os recursos disponíveis e não se endividar, pois enquanto os banqueiros lucram com os créditos consignados a nossa insolvência individual e coletiva bate a porta.
Lula visita Cisjordânia e condena cruel bloqueio de Israel
Depois da recepção, Lula encerrou uma conferência econômica que reuniu 120 empresários brasileiros e palestinos, na presença do primeiro-ministro Salam Fayyad, durante a qual desejou que um futuro Estado palestino possa, um dia, ser associado ao Mercosul — o Mercado Comum Sul-Americano.
O presidente Lula classificou nesta terça-feira de cruel o bloqueio que vem sofrendo o povo palestino e criticou o muro racista de separação construido por Israel na Cisjordânia.
"Sabemos qual é o primeiro desafio nessa caminhada. Vencer o cruel bloqueio que vem sofrendo o povo palestino. O muro de separação cobra um alto preço em termos de sofrimento humano e prejuízo material, sobretudo na Faixa de Gaza", disse.
"A asfixia imposta à Cisjordânia e a Gaza impede que a Palestina se beneficie dos fluxos de comércio internacional", disse Lula, prometendo ajudar na busca de uma solução para a criação de um Estado palestino.
Na quarta-feira Lula seguirá para Ramala, capital administrativa da Cisjordânia, onde vai assinar acordos de cooperação com o governo palestino da al-Fatá e, em seguida, visitar o túmulo do líder palestino Iasser Arafat, falecido em 2004. No início da tarde Lula viajará para Amã, onde terá uma reunião de trabalho com o rei da Jordânia, Abdullah II.
Primeiro passo
Comentando a iniciativa inédita entre presidentes brasileiros de visitar a região, Lula, que diversas vezes se referiu aos territórios palestinos como Palestina ou Estado Palestino, disse que esse é apenas o primeiro passo nessa aproximação.
"Nós estamos dando esse primeiro passo no estabelecimento de uma política entre o Estado brasileiro e o Estado palestino, uma política comercial mais sólida, mais forte e mais desenvolvida", disse Lula.
O presidente voltou a mencionar que a resolução do conflito entre israelenses e palestinos torna necessários mais interlocutores e prometeu levar a questão à comunidade internacional.
"O Brasil sempre esteve interessado, mas nunca esteve tão interessado como está agora em encontrar uma solução", disse o presidente, arrancando aplausos da plateia.
Descortesia
O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, classificou como uma "descortesia" a atitude do ministro das Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, que boicotou a visita de Lula a Israel.
Aproveitando-se do fato da comitiva brasileira não ter visitado o túmulo de Theodor Herzl, um dos fundadores do sionismo cujo sesquicentenário está sendo comemorado pelo governo de Israel, Lieberman não compareceu a nenhum dos eventos programados com o visitante brasileiro, causando mal-estar.
Garcia lembrou que quando o ministro israelense visitou o Brasil no ano passado, "o presidente Lula o recebeu com a maior cortesia, e chegou a abrir uma exceção, porque normalmente presidente recebe presidente e seria de praxe que o chanceler tivesse sido recebido pelo nosso chanceler".
Após classificar a atitude do ministro de extrema-direita como "descortês", Garcia minimizou a questão, afirmando que "Lula tem mais coisas com o que se preocupar do que com esse assunto".
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terça-feira, 16 de março de 2010
A sucessão no Paraná: As chances de Beto Richa
Que Beto Richa não tem idéias todo o mundo político já sabe. Mas, e daí? Será que isso lhe tirará votos na eleição para o governo do Estado? Como se explicam sua eleição, reeleição e o prestígio que desfruta entre os eleitores?
Beto Richa não gosta da atividade política, ele gosta do glamour resultante do poder e do prestígio. Senão vejamos.
Max Weber, ao desenvolver sua teoria sobre a sociedade, chamou a atenção para o papel das idéias na a explicação da sociedade e das mudanças sociais. Uma vez que a cultura se baseia em símbolos, compreender os significados que as pessoas atribuem aos símbolos é essencial para poder se compreender a sociedade que se quer analisar. Weber desenvolve os conceitos de poder, prestígio e riqueza para distinguir as classes sociais.
Desfrutando do prestigio e do poder que seu pai tinha enquanto governador do Estado, Beto Richa casou-se com uma herdeira de banqueiros. Para o significado social de uma sociedade estratificada em classes sociais, ser poderoso, rico e prestigiado significa estar no topo.
Mesmo assim, isso não foi suficiente para dar-lhe a vitória em sua tentativa de eleger-se vereador em 1992.
Candidato a vereador derrotado, duas vezes deputado estadual, vice-prefeito e prefeito eleito e reeleito. Apesar da carreira política, Beto Richa não é caracterizado por um ideário político. A narração de sua própria atividade é enfadonha de tão pueril. Não há em seu discurso nenhuma idéia estrutural quer para Curitiba, quer para o Estado do Paraná. Sobre o Brasil então… não pergunte. Mas, uma pergunta deve ser feita: como um rapaz tão econômico nas idéias pode ser eleito e reeleito e, mesmo sem realizações marcantes, pode continuar desfrutando de prestígio político?
Boa aparência, roupa de grife, carrões importados, sempre bronzeado, andar de manequim…Para Beto Richa a sua atividade é desfilar na passarela, dar autógrafos, pousar para fotos, dar entrevistas e…fazer campanha, é claro. Atuará aí, no imaginário, popular uma identificação com objetos do desejo do entorno de Beto Richa.
Numa sociedade de consumo como a nossa, é possível que essa variável psicológica tenha alguma atuação, lembremo-nos de Collor. Mas, não é somente isso que explica o sucesso (no sentido de cadeia de acontecimentos) de Beto Richa. Há variáveis de natureza puramente política que contribuíram para tais coisas.
A eleição de Beto Richa para prefeito e, depois, a sua reeleição, contou com o concurso de uma larga aliança política. As elites do Paraná Tradicional, empresários, seguidores do Lernismo, banqueiros, empreiteiros, seguidores de Álvaro Dias e Osmar Dias, um rol de partidos de aluguel, seguidores do seu próprio pai, especuladores e mercenários das organizações populares corrompidas, a mídia corporativa, esse o leque que lhe deu a eleição.
Essas condições jamais se repetirão, já se podia dizer isso uma semana após a sua vitória na reeleição. Essa mesma aliança quase derrotou Roberto Requião no pleito em disputava a reeleição para o governo do Estado em 2006.
E agora como estão as coisas? Os partidos de aluguel estão se bandeando para Osmar Dias e, outros, tentando se recuperar moralmente e apóiam a Lineu Tomaz. As organizações populares se dividem entre todas as outras candidaturas. As forças econômicas estão divididas: o meio rural se divide entre Osmar Dias e Pessuti. O empresariado industrial está dividido também entre os dois. Os banqueiros estarão divididos entre Beto e Osmar. O movimento dos Sem-Terra estará, provavelmente, com Requião e Pessuti. Os políticos do Paraná Tradicional estarão majoritariamente com Beto, mas seu peso já não será tão grande eleitoralmente por causa da perda da sinergia. De importante mesmo para Beto sobrará o espectro do lernismo.
Já que citamos Weber no início, terminemos com ele. Weber considerava três tipos de autoridade legítima: tradicional, carismática e racional.
Como nós vivemos numa república e não numa monarquia e nem num regime religioso, o poder tradicional não lhe será ofertado e nem dado como herança. Quanto ao carisma, Beto não parece capaz de empolgar por seus talentos. Não demonstrou méritos para impor-se como autoridade racional-burocrática, ou seja: como gestor tecnicamente qualificado.
O prestígio dos carrões e das roupas de grife não lhe serão suficientes. Sendo assim, com a diluição das forças que o apoiaram nas últimas eleições e com a divisão do apoio da mídia corporativa, Beto Richa poderá ficar sem a prefeitura e amargará um humilde terceiro lugar na disputa pelo Palácio das Araucárias.
Por que o Brasil não se alinha à hipócrita campanha anticubana?
Por Hideyo Saito*, na Carta Maior
Cessada a agressão e desanuviado o ambiente internacional, o próprio povo cubano poderá decidir, sem pressões externas, como será o seu modelo de democracia, conforme parecem indicar os debates já em curso no país, com grande participação popular.
Os chamados dissidentes cubanos receberam forte apoio da oposição brasileira e da mídia dominante local, em seu empenho para constranger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a se manifestar publicamente contra o governo de Havana. Na famosa entrevista à Associated Press, usada como pretexto para a pancadaria, o presidente brasileiro trouxe à baila um episódio de morte em uma greve de fome coletiva de prisioneiros do Exército Republicano Irlandês (IRA), durante o governo de Margareth Thatcher, em março de 1981. “Eu vejo muita gente que hoje critica o governo cubano por causa da morte, [e que] não falava nada da morte do IRA”, cobrou Lula. Esse trecho foi convenientemente omitido pela mídia dominante, para deixar o caminho livre para a atual campanha. leia mais
segunda-feira, 15 de março de 2010
O PT e o meio ambiente: Parque Nacional da Serra Vermelha está virando carvão
“A Rede Ambiental do Piauí vem a público denunciar e repudiar a visível manobra articulada a portas fechadas pelo governador do Piauí, Wellington Dias e pelo Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc (ambos do PT), no sentido de tentar proteger a empresa JB Carbon, que grilou 114 mil hectares de terras públicas na última floresta do semi-árido do Nordeste, localizada na Serra Vermelha, no Sul do Piauí, e que vinha desmatando a mata nativa da Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica da região, para produzir carvão.
A manobra mascarada de “proteção aos ecossistemas” da região consiste em não criar o
Parque Nacional da Serra Vermelha, mas ampliar o Parque Nacional da Serra das Confusões, deixando de fora exatamente a área da JB Carbon, uma vez que a proposta do Grupo de Trabalho Técnico, instalado pelo próprio Ministro do Meio Ambiente, propôs um polígono com área de 436.995 hectares para esta ampliação e o que está sendo veiculado na imprensa, tanto nos sites oficiais do MMA e do governo do Piauí, quanto em outros sites, é que a ampliação do Parque Nacional da Serra das Confusões será de apenas 270.000 hectares. Fica clara dessa forma a existência de uma manobra para deixar de fora da ampliação proposta a parte mais importante da Serra Vermelha.
Não questionamos a necessidade de se ampliar o Parque Nacional da Serra das Confusões, que já é a maior unidade de conservação na Caatinga e que mesmo assim precisa mesmo ser ampliada para proteger a rica biodiversidade ameaçada da região. Entretanto, deixar de fora a área mais nobre da Serra Vermelha é um absurdo e mostra existirem interesses e dívidas eleitoreiras entre o governador do Piauí e a empresa JB Carbon, uma das prováveis financiadoras da sua candidatura à reeleição para governador. Vale lembrar que quem comanda a JB Carbon é o empresário carioca João Batista Fernandes, conhecido do Ministro do Meio Ambiente, que também será candidato nas próximas eleições.
É realmente muito estranho que o Ministro tenha formado um Grupo de Trabalho Técnico (anunciado publicamente pelo próprio Ministro durante a Semana da Mata Atlântica, realizada no Rio de Janeiro, em 2008 e depois oficializado através de portaria), com os mais capacitados técnicos do MMA, do ICMBio, do governo do PI e da Rede de ONGs da Mata Atlântica, para aprofundar os estudos na região sobre a importância biológica e propor o desenho do futuro Parque Nacional da Serra Vermelha e agora desconsidere todo o trabalho técnico realizado durante meses, que consumiram significativos recursos públicos, em troca de uma proposta sem fundamentação técnica e claramente eleitoreira.
Levando em conta os discursos do Ministro Carlos Minc sobre “desmatamento zero e o jogo duro com os empresários devastadores”, chega-se a conclusão de que essas medidas não serão aplicadas no Piauí.
A sociedade piauiense e brasileira espera outro tipo de atitude por parte dos governantes. Que se crie o Parque Nacional da Serra Vermelha ou que se amplie o Parque Nacional da Serra das Confusões, mas com o polígono sugerido pelo Grupo de Trabalho Técnico, sem deixar nenhuma área de fora e muito menos por conta de negociatas de interesses escusos.
Teresina (PI), 23 de fevereiro de 2010.
Rede Ambiental do Piauí – REAPI ”
Segurança da Bancoop fazia escolta para saques
do blog do Molina
Testemunha-chave na investigação do caso Bancoop, o chefe de segurança da Cooperativa Habitacional dos Bancários até 2004, Andy Roberto Gurczynska, afirma ter realizado a escolta de funcionários da entidade na realização dos saques em dinheiro — operação que teria sido utilizada para desviar milhões de reais dos empreendimentos imobiliários, parte deles supostamente para campanhas do PT.Segundo ele, o ex-presidente da Bancoop Luiz Malheiro, morto em 2004, realizava encontros após os saques com João Vaccari Neto, então presidente da Bancoop e hoje tesoureiro do PT.
Secretário-geral do PT abandona a vida eleitoral
Em mensagem transmitida há pouco via internet para amigos e eleitores, o deputado federal José Eduardo Cardoso (SP), secretário-geral do PT (foto acima), anunciou que não mais disputará eleições.
"Desde a última campanha eleitoral, disse e repeti, por diversas vezes, que achava difícil a possibilidade de vir a participar de uma nova eleição à Câmara dos Deputados se não houvesse uma radical reforma do sistema político brasileiro", explica José Eduardo, deputado há dois mandatos consecutivos.
- Fazia isso por já não me sentir confortável em disputas onde os recursos financeiros cada vez mais decidem o sucesso de uma campanha, onde apoios eleitorais não são obtidos pelo convencimento político das idéias, pelo programa ou pela própria atuação do candidato proporcional, mas quase sempre pelo quanto de “estrutura” financeira ele pode distribuir.
Trechos da mensagem:
* Hoje um político sério no Brasil pode vir a ser punido ou mesmo correr o risco de perder o seu mandato, por um mero descuido ou erro formal. Será então exposto à impiedosa execração pública que o tratará como um criminoso de alta periculosidade, com seu nome e fotografia estampado pelos órgãos de comunicação, sem que se busque saber, exatamente qual “delito”, de fato, ele cometeu. Seus familiares, mesmo conscientes da lisura ética do punido, amargarão a vergonha e a zombaria pública, recebendo também uma sanção social implacável.
* Já os corruptos cuidadosos que podem pagar bons e caros técnicos que os assessoram, costumam não cometer erros desta natureza, ao engendrarem suas grandes “falcatruas”. Bem assessorados, quase sempre saem “limpos” das disputas eleitorais e aptos a continuar a assaltar os cofres públicos com a mesma desenvoltura de sempre. Quando, porém, eventualmente, são pegos pelas malhas da lei, já possuem os cofres nutridos para pagar bons advogados e fortuna suficiente para fugir da execração social em lugares acolhedores do mundo.
* Não bastasse isso, a generalização e a banalização da idéia de que todo político é “desonesto”, não pode deixar de abater ou desestimular os que buscam comportar-se com a dignidade e a ética que o respeito ao voto popular exige. Não há nada pior para alguém que vive com dignidade no mundo da política, do que, diante de uma acusação qualquer, ver que a sua palavra ou a ausência de provas incriminadoras, não afasta nunca a “certeza” da sua “culpa”.
* Se na vida comum se costuma dizer injustamente que “onde há fumaça há fogo” (injustamente, porque a fumaça pode ter outras “causas químicas”), na vida de um político, o senso comum costuma sentenciar que se há “a leve aparência da fumaça, a existência do fogo é certa”. E não admite, jamais, prova em contrário.
Por isso, me empenhei muito na defesa da reforma política. Defendi o financiamento público das campanhas, por entender que as formas atuais de financiamento privado das eleições geram corrupção e uma real ausência de isonomia entre os candidatos.
* Defendi o voto em lista partidária porque entendo que, em uma eleição, um partido deve disputar seu programa de forma unitária, sem que pessoas que estão do mesmo lado busquem os votos um dos outros, personalizando a competição e reduzindo a chance de uma politizada e madura disputa eleitoral. Tinha e tenho consciência de que somente uma reforma política aguda e radical poderia romper com a cultura dominante de execração preconceituosa de todos os que optam pela vida política, forçando a diferenciação do joio do trigo pela sociedade. Mas junto com outros companheiros de luta, fui derrotado.
Admiro e aplaudo, portanto, todos aqueles companheiros que, tendo a mesma visão ética que possuo da ação política, ainda conseguem transformar o desestímulo em energia para uma disputa proporcional dentro deste sistema eleitoral e desta conjuntura adversa, como, aliás, fiz tantas vezes. Só que todos devem saber respeitar os seus limites e avaliar, diante do que sentem e vivem, quando poderão ser mais úteis em outras frentes de luta, na defesa da mesma causa.
* É o que hoje, após tantos anos de atividade parlamentar, percebo em mim mesmo diante da perspectiva de participar de um novo pleito eleitoral para a disputa de uma vaga na Câmara dos Deputados. Aprendi na minha vida a não entrar em disputas quando não se tem ânimo para enfrentá-las ou não se sente prazer e alegria em fazer um bom embate, mesmo quando a vitória é possível.
* O sistema político brasileiro traz no seu bojo o vírus da procriação da corrupção e das práticas não republicanas, mas também inocula , ao mesmo tempo, outro vírus que atinge o ânimo dos que gostam do Parlamento, mas não gostam das condições, das regras, das calúnias e das incompreensões que forjam o caminho do acesso e o exercício de um mandato proporcional. Embora tenha lutado muito contra o primeiro, fui, lamentavelmente, atingido pelo segundo.
* Por isso, deixarei, ao final deste ano, a Câmara dos Deputados, mas não abandonarei a militância política. Estarei sempre à disposição do meu Partido e do projeto político-ideológico que defendo para o país, para assumir qualquer tarefa que me traga ao espírito o ânimo e a alegria do bom embate, na construção de uma sociedade justa e fraterna. Peço de todos os que sempre me apoiaram, mesmo que eventualmente agora os decepcione, a compreensão deste gesto fundado em razões estritamente pessoais e de foro intimo.
* Minha decisão não é uma renúncia à causa, mas apenas uma mudança do campo de atuação política. Quero deixar a paralisia que o desestímulo em disputar uma candidatura proporcional me traria, transformando-a em energia positiva para novos embates políticos. Quero me voltar integralmente à construção da nossa candidatura presidencial, à eleição dos nossos governadores e governadoras, e à eleição de uma bancada parlamentar forte que possa comandar a realização de uma verdadeira reforma política democrática.
domingo, 14 de março de 2010
Direitos Humanos, A Campanha Mentirosa Sobre Cuba
Recebi três documentos desde Cuba que relatam coisas conexas.: 1- A campanha difamatória contra aquela altiva Ilha; 2- a visita de Lula a Cuba, o encontro com Fidel e, em seguida, a visita ao Haiti e, finalmente, 3- documento de Fidel que versa sobre os perigos que ameaçam a Humanidade.
Os textos falam por si. Todavia, quero lembrar que no Brasil a mídia corporativa faz eco às mentiras emanadas desde a Europa e dos EUA. Lúcia Hipólito (ou será Hipócrita?) na CBN e Jornal O Globo pretende zombar do presidente Lula, especialmente por desfrutar Lula de grande prestígio no Brasil, entre os seus compatriotas e, no estrangeiro, devido às atitudes firmes e soberanas expressas em nossa política externa. Lúcia Hipólito, com um cinismo que não tem tamanho, pretende “puxar a orelha” do nosso presidente justamente porque ele não entrou na onda da campanha difamatória contra Cuba promovida pela mídia imperial. Lula considerou o criminoso comum como prisioneiro comum – promovido por interesses em desgastar Cuba a prisioneiro político. No Paraná, o jornal Gazeta do Povo, também repercutiu com o colunista social Reinaldo Bessa a mesma ladainha dos mafiosos de Miami. Já havia, noutra semana, houvera repicado factóides sobre o Irã, Cuba e Honduras na coluna do Cristóvão Tezza.
Pode ocorrer que os colunistas paranaenses sejam apenas ignorantes. Pode ser, no entanto, que sejam sabujos. De qualquer modo é preciso denunciar as mentiras, os mentirosos e propagar a verdade.
Em tempos idos, não podíamos responder às calúnias contra Cuba. O simples portar de um texto sobre a Ilha poderia nos complicar junto aos órgãos de segurança. Vencemos a ditadura, conquistamos o direito à liberdade de expressão; conquistamos avanços tecnológicos que tornam a informação acessível, não permitamos que a mentira prevaleça. Reproduzamos os textos por blogs e e-mails.
Continue a ler ‘direitos humanos, a campanha mentirosa sobre cuba’
sábado, 13 de março de 2010
Glauco

Sandrão Bhar