sexta-feira, 19 de novembro de 2010
Ministro quer Osmar Dias na equipe de Dilma
Ao indicar o nome do senador Osmar Dias (PDT), candidato derrotado ao Governo do Paraná, Carlos Lupi, ministro do Trabalho e presidente nacional licenciado do PDT, disse que o seu partido merece, pelo menos, mais um Ministério no Governo da presidente eleita Dilma Rousseff (PT). Ele sugere que Dias é um bom nome para o Ministério da Agricultura, ocupado hoje por Wagner Rossi (PMDB) e que a cúpula nacional peemedebista quer manter o posto.
“Osmar Dias é nosso, não é do PT. Ele é meu amigo. Se tem alguém que o incentivou a ser candidato, fui eu”, defendeu Lupi sobre a aproximação de Osmar ao PT. O ministro defendeu o nome do pedetista para a Agricultura, afirmando que Osmar conhece profundamente o assunto. “Ele teria total e irrestrito apoio meu e do partido. Mas, quem escolhe não sou eu, é a presidente Dilma”, avalia, ao contar que conhece Dilma há mais de 30 anos e que está certo que as escolhas da petista não serão por “amiguismo”, mas que ela vai avaliar política e administrativamente possíveis nomes. “Agora, um Ministério é muito pouco para o PDT. Apoiamos Cristóvão (Buarque), que foi nosso candidato e fomos para o segundo turno com independência. Eu apoiei o Lula, mas parte do partido não apoiou, e nos deram o Ministério do Trabalho”, pondera, adiantando que, em relação à Dilma Rousseff, o PDT foi o primeiro a apoiar a candidatura, segundo o ministro. “A apoiamos antes do PT. Eu disse que Dilma ia ganhar no primeiro turno. O nosso erro foi não avaliar os adversários, como eles iam jogar”, disse. Por sua vez, em entrevista ao jornal O Estado do Paraná, o senador Osmar Dias (PDT) disse que, se depender de fazer lobby pelo cargo, vai ficar de fora do próximo Governo, por ser contrário às articulações que dominam as reuniões dos partidos aliados ao Governo. Osmar também garantiu que não participa da reunião da direção nacional do PDT, hoje, em Brasília, onde o assunto oficial é uma avaliação do desempenho do partido em 2010, mas, na prática, deve ser mesmo a participação do partido no Governo. “Não vou fazer movimento político pleiteando nada. Se for este o jogo, não faço. Não fui candidato a ministro. Fui candidato a governador. Esta questão de Ministério cabe a quem foi eleito saber sobre quem merece e tem mais capacidade para compor o governo”, pontua
Em Curitiba, prova para crianças insinua sexo com animais
quinta-feira, 18 de novembro de 2010
Corregedoria investiga perseguição de promotor a Tiririca
da folhaonline
A apuração é resultado de uma representação do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público), órgão de controle externo das atividades do Ministério Público.
Segundo o conselheiro do CNMP Bruno Dantas, autor da representação, o promotor realizou "manifestações públicas inadequadas, exageradas e preconceituosas" contra o humorista.
Para Dantas, Lopes "optou pela desmoralização pública do candidato eleito, em vez de pautar sua atuação na técnica processual, como faz a maioria dos membros do Ministério Público que não depende dos holofotes".
A representação teve como fundamento entrevistas concedidas pelo promotor nas quais ele classifica o caso como "questão de honra" e disse que a eleição de Tiririca foi um "estelionato eleitoral".
Ontem Lopes afirmou que só iria se manifestar após ser comunicado oficialmente sobre a representação.
O promotor pediu anteontem ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo a realização de um novo teste de alfabetização na ação penal contra o humorista. O requerimento deve ser julgado hoje pelo tribunal.
Fidel expõe convergência com reforma proposta por Raúl
do vermelho
Embora não tenha se referido diretamente à reforma econômica que está em debate na ilha, Fidel pinçou de seu antigo discurso, de 115 páginas, parágrafos que deixam clara a convergência com o que agora está sendo proposto por Raúl.
"Aquele discurso levantou pedras, devido ao momento que estávamos vivendo frente a um inimigo poderoso que nos ameaçava cada vez mais, bloqueava duramente nossa economia e se esforçava por semear o descontentamento", disse a centenas de estudantes de nível médio e universitários.
Na época, o líder cubano alertava para a necessidade de o país lutar contra a corrupção, o excesso de subsídios e a ineficiência. "Estamos envolvidos em uma batalha contra vícios, contra desvio de recursos, contra roubo", declarou o ex-presidnete, repetindo as palavras de 2005. "Precisamos aplicar o máximo de racionalidade nos salários, nos preços, nas aposentadorias e pensões. Zero desperdício (...). Não somos um país capitalista, no qual tudo é deixado ao azar".
Ele considerou que "um dos nossos maiores erros, no início e muitas vezes ao longo da revolução, foi acreditar que alguém sabia como se construía o socialismo". "Somos idiotas se acreditamos, por exemplo, que a economia é uma ciência exata e eterna. Perde-se todo o sentido dialético quando alguém acredita que esta mesma economia de hoje é igual à de 50 anos atrás, ou 100 anos atrás, ou 150 anos, ou que é igual à da época de Lênin, ou à da época de Marx", defendeu o líder revolucionário.
Fidel fez questão de sublinhar que presta "verdadeiro culto a Marx, a Engels e a Lênin" e de afirmar que seu pensamento está "a mil léguas do revisionismo". "O país terá muito mais, mas jamais será uma sociedade de consumo. Será sim uma sociedade de conhecimentos, de cultura, do mais extraordinário desenvolvimento humano que se possa conceber", destacou Fidel
"Neste mundo real, que deve ser mudado, todo o estrategista e tático revolucionário tem o dever de conceber uma estratégia e uma tática que conduzam ao objetivo fundamental de transformar o mundo", repetiu. "O mundo está desesperadamente necessitado de unidade e se não conseguirmos um mínimo dessa unidade não chegaremos a parte nenhuma", afirmou em outro trecho.
"Este país pode se autodestruir, esta revolução pode até se autodestruir e seria culpa nossa. Os que não podem destruí-la são eles (os Estados Unidos)", declarou o cubano que, há cinco anos, previu o perigo de uma guerra nuclear, afirmando: "ninguém tem direito de fabricar armas nucleares”. Fidel também antecipou os planos agressivos dos Estados Unidos contra o Irã. “Agora mesmo, o império ameaça atacar o Irã se ele produzir combustível nuclear”.
No final de semana, Raúl se reuniu com a direção do Partido Comunista cubano para elaborar um plano de ação econômica que será discutida no próximo Congresso do Partido, em abril, e afirmou que "as ideias de Fidel estão presentes" nestas políticas.
O anteprojeto prevê estímulo a cooperativas, substituição de importações, descentralização administrativa, eficiência, aumento da produtividade, eliminação de subsídios, combate à corrupção, o corte de cerca de 500 mil empregos públicos e estímulo à abertura de pequenos negócios. A ideia é modernizar a economia cubana, como forma de aperfeiçoar o socialismo da ilha.
Chefes de Estados do Mercosul terão encontro dia 17 de dezembro em Foz do Iguaçu
do clickfoz
A cidade de Foz do Iguaçu, por sua localização geográfica no encontro de três países foi escolhida para receber a 40ª reunião de Cúpula dos Presidentes do Mercosul. O encontro, programado para o dia 17 de dezembro, terá participação de 12 chefes de Estado da América do Sul.
A reunião dos presidentes dos Estados Partes do Mercosul e Estados Associados, é denominada Cúpula Ñandeva, que na língua indígena significa “Todos Nós”. O presidente Lula e a presidenta eleita Dilma Roussef confirmaram presença no evento.
Esta será a primeira vez que o Paraná sedia uma reunião de cúpula do Mercosul. Antecedendo o encontro dos presidentes será realizada a Reunião da Cúpula Social do Mercosul, de 13 a 16 de dezembro, no Parque Tecnológico de Itaipu, também em Foz do Iguaçu. O evento deverá reunir aproximadamente mil representantes de movimentos das minorias, como negros, indígenas, mulheres e deficientes.
O credenciamento para os participantes e para a imprensa deve ser feito até o dia 26 de novembro, pelo site http://cupula.mercosul.gov.br.
Jornalista culpa pobres por tráfego nas estradas
Um comentarista da afiliada da Globo em Florianópolis (SC), a RBS, Luiz Carlos Prates, disse que a culpa do tráfego pesado nas rodovias é das pessoas mais pobres, que estão comprando carros demais. O comentário preconceituoso foi dito durante o Jornal do Almoço e foi parar na internet.
- Hoje qualquer miserável tem um carro. O sujeito jamais lê um livro, mora apertado em uma gaiola, que hoje chama de apartamento, não tem nenhuma qualidade de vida, mas tem um carro.
O jornalista ainda criticou o governo por estimular a oferta de crédito para que pessoas de baixa renda comprem carros. Segundo ele, são estes novos motoristas os responsáveis por acidentes e mortes no trânsito.
A reação do público foi de indignação. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo, Martin de Almeida Sampaio, afirmou que o comentário foi uma violação do direito fundamental de todos os cidadãos.
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
A incômoda biografia de Protógenes
Por Luiz Carlos Antero para o vermelho
O momento culminante e mais recente dessa invertida e grotesca caçada foi a anunciada condenação em primeira instância (“por fraude processual e violação de sigilo funcional a três anos e quatro meses de prisão – pena substituída pela prestação de serviços comunitários”) do deputado eleito pelo PCdoB, justamente pelas alegadas circunstâncias em que logrou produzir as provas contra o banqueiro, duas vezes devidamente algemado.
Mas, agora, o fato mais curioso e revelador foi o encadeamento orquestrado de diversas ações simultâneas que buscam atenuar a vida do banqueiro e cristianizar Protógenes por “erros” cometidos nas investigações.
Nassif e a “coincidência”
O primeiro a atentar para o fato foi o jornalista Luiz Nassif, que, em seu blog, indicou a sequência de acontecimentos que poderiam ser “coincidência”: “Agora se tem, simultaneamente, a) o livro do Raimundo Pereira (NR: “O Escândalo Daniel Dantas: duas investigações”, apresentado como uma crítica a Protógenes); b) a ofensiva midiática de jornalistas ligados a Dantas, procurando repercutir o máximo possível o livro; c) a suspensão do julgamento de Ricardo Sérgio pelo STF, em cima de operações envolvendo Daniel Dantas; d) a sentença de Ali Mazloum”.
Longe de alimentar uma “folha corrida” para Protógenes, os que o perseguem por ter algemado Dantas, conseguiram produzir mais uma contribuição para sua biografia efetivamente política, turbinada por suas bem sucedidas investigações da bilionária evasão fiscal e da fraudulenta progressão da dívida externa no governo FHC.
Biografia incubada
Quando o Vermelho publicou o artigo “Um Dantas por cem Valérios” no dia 12/05/2006, não se imaginava que essa biografia já estivesse incubada e em plena fermentação.
Para se converter numa evidência nacional, Protógenes penetrou cirurgicamente o fétido ambiente do capital em sua feição mais moderna, dissociada da sociedade e de suas instâncias produtivas, atingindo o cerne do protegido segredo tucano e das corrosivas elites brasileiras.
Com isso, cumpriu um prodigioso serviço ao povo brasileiro, que consistiu em tocar fundo nas sequelas ocasionadas pela era neoliberal. E, nesse propósito, simbolicamente algemou em duas ocasiões o sistema que confrontou nas ousadas investigações sobre as estripulias em andamento no sistema financeiro.
Até ali, contribuíra para fundar um grêmio estudantil, em pichações no tempo do regime militar (“Terrorismo é ditadura que mata e tortura”), defender eleições diretas, o poder civil, o ensino público de qualidade, um jornal de resistência; foi delegado a um Congresso da UNE, em 1980; optou por cursar Direito, estagiou em defensoria pública, estabeleceu contato com os movimentos sociais, Contag, Via Campesina, conviveu com velhos comunistas; processou a construtora Queiroz Galvão por corrupção; largou uma rentável banca de advocacia para se tornar delegado da polícia federal (antes “uma guarda pretoriana do regime militar”); lutou para fechar contas CC5, encontrou o caminho do confronto com empreiteiras e banqueiros, com o capital financeiro, esbarrou no “sistema”, recusou propina milionária, passou a ser ameaçado de execução, sofreu atentados e não se rendeu.
A CIA com a Kroll no caminho
Protógenes deu de cara com figuras notórias — a exemplo de Fernando Henrique Cardoso, Jorge Bornhausen, Armínio Fraga, Reinhold Stephanes —, nas descobertas das fronteiras e limites de sua ação institucional contra o “sangramento” de divisas do país.
Na PF, prendeu diversos meliantes de colarinho branco, entre os quais o contrabandista Law Kim Chong, o ex-governador Maluf, o ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, e, mais recentemente, o empresário Naji Nahas e o banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, durante a mais importante das operações contra corrupção já ocorrida no Brasil.
No percurso, descobriu na “Kroll” uma empresa americana de espionagem, uma estação privada da CIA no Brasil. E, nesse braço da espionagem, serviços ao grupo Opportunity, à BrasilTelecom, ao banqueiro que depois algemou. E, ainda, esteve no ambiente de uma empreitada para investigar a Kroll, a Operação Chacal.
“Mensalão”: penetras no banquete
Nesta Operação, quando ficou evidente que Daniel Dantas usava a Kroll (e, portanto, a CIA) para espionar adversários, surgiram todas as iniciativas para lacrar um HD apreendido do Opportunity, no STF (Supremo Tribunal Federal), com o respaldo da ministra Ellen Gracie. A decisão conteria por cerca de dois anos a investigação.
Foi quando surgiu o chamado “mensalão”, que permitiu aos tucanos e a aliados do então PFL, jogar sobre os ombros de outros protagonistas mais recentes, que também se vincularam ao banqueiro, responsabilidades sobre as quais tiveram historicamente total exclusividade.
O fato foi descrito nos moldes daquele banquete no qual os novos “penetras”, pilhados em confraria, foram incriminados e publicamente expostos e ridicularizados numa CPI que manteve incólumes Dantas e seus patrocinadores nas privatizações da era FHC.
Venda do país in natura
Protógenes penetrou, desse modo, na complexa capilaridade formada em torno do banqueiro ao longo de 20 anos, com o especial protagonismo de Fernando Henrique Cardoso. Debruçou-se sobre numerosas descobertas, a exemplo de uma empresa de exploração de mineração (de Dantas), a MG4, que reunia inúmeras concessões de exploração de solo urbano.
E declarou numa entrevista à revista Caros Amigos: “É necessário você ter uma força muito grande dentro do governo. Eles já estavam ofertando a empresa lá fora, no Oriente Médio. O intermediário era o Naji Nahas. Isso significa vender nosso país in natura”.
Quando a Operação Satiagraha já estava na pauta dos noticiários, o jornalista Paulo Henrique Amorim, em seu blog Conversa Afiada, anunciou que Dantas não estava interessado em fazendas, mas em seu subsolo.
Com base em revelações do MST, PHA afirmou: “Aos que não entendem o interesse de Daniel Dantas em fazendas do Pará, cabe explicar que o objetivo dele não é criar gado. Por trás da fachada agropecuária, Dantas e a Vale do Rio Doce estão em processo de reconcentração fundiária, com o objetivo de investir em mineração (...). O MST chama a atenção para o fato de o Sul e o Sudeste do Pará constituírem uma grande região mineradora. Nos últimos cinco anos, Daniel Dantas comprou 52 fazendas em oito municípios, num total de 800.000 hectares. Entre elas, encontram-se as fazendas Maria Bonita, Espírito Santo e Cedro, ocupadas pelos sem-terra, que são áreas públicas, compradas de forma ilegal. Há poucos dias, um conflito entre seguranças e milicianos armados a serviço de Dantas na fazenda Santa Bárbara foi testemunhado por um cinegrafista da Globo, que viajou em avião de Dantas”.
Dívida artificial e fraudulenta
Mas a pirataria no subsolo foi apenas um aperitivo revelado num panorama maior. “Tem a dívida externa, que é a coisa mais nojenta que já vi”, afirmou Protógenes. E aí chegou novamente ao ambiente consolidado no governo Fernando Henrique Cardoso, onde se sustentou a cumplicidade e comando fundamental para a consagração, no período pós-ditadura, de uma dívida artificial, inflada e fruto da especulação com títulos da dívida pública brasileira, vendidos a 15% (e menos) de seu valor de face, e à base das manipulações em dólar.
Daí resultou a sangria formada por uma dívida substancialmente arranjada e pela evasão de divisas, com a permissividade do Banco Central brasileiro. E, a exemplo do caso Paribas (Alberto participações), com a conversão de títulos da dívida na gestão Armínio Fraga — um episódio no qual FHC esteve envolvido pessoalmente.
“Nossa dívida externa é artificial e eu provei isso na investigação. Houve repulsa minha porque quando era estudante empunhei muita bandeira ‘Fora FMI’, ‘Nós não devemos isso’, ‘A dívida já está paga’. E foi muito jato d'água, muita cacetada, muito gás lacrimogêneo: ‘bando de doido, tem que tomar porrada’. Você cresce achando que era um idiota, não é? Chega um momento que pensa: ‘a dívida foi criada no regime militar, mas a gente precisa pagar’".
Evasão tresloucada de divisas
O delegado que comandou a operação Satiagraha, Protógenes Queiroz, revelou, na investigação sobre Dantas, indícios de desvios de cerca de US$ 16 bilhões do Brasil para paraísos fiscais no exterior. Em janeiro de 2009, foram bloqueados US$ 2 bilhões que haviam sido enviados ao exterior pelo grupo Opportunity “na maior paralisação da movimentação dos ativos suspeitos da história do Brasil”.
As investigações contra o grupo Opportunity passaram a existir em quatro países. Em ordem cronológica, os bloqueios se deram no Brasil, a partir de setembro, por decisão do juiz Fausto De Sanctis, num volume de quase meio bilhão de dólares; na Inglaterra (US$45 milhões), Suíça e Estados Unidos, totalizando quase US$ 3 bilhões. Durante as investigações, evidenciou-se que o dinheiro desviado era dos cofres públicos e da corrupção, desde as privatizações.
Orquestração para o desmonte
Com revelações assim, sórdidas e de tal monta, o processo investigativo sofreu novas ameaças de estagnação. Sucessivas defecções retiraram suporte de Protógenes para contê-lo na investida contra Dantas — que, na segunda prisão, ameaçou “falar”. Ficou evidente a orquestração. E alguém lhe disse: "Protógenes, se o Daniel Dantas falar, eu prefiro que ele fique preso".
Protógenes considerava que no STJ (Superior Tribunal de Justiça) “estava tranquilo”, mas após estruturar a segunda prisão, não pensava que o STF (Supremo Tribunal Federal) “iria contrariar toda a opinião pública, todas as regras jurídicas, todas as normas processuais”, soltando rapidamente o banqueiro contraventor por decisão inspirada pelo ministro Gilmar Mendes. E não imaginava encontrar diante de si “um poder sem precedentes”.
Concluiu: “Foram sucessivos atos que dão conta de que ele é uma pessoa muito poderosa e que esse poder viria com uma velocidade e uma força que se moveria contra quem quer que se opusesse a esse grupo, um grupo de interesses determinado, um segmento bem solidificado durante a redemocratização, que construiu um poder criminoso; um PC Farias que deu certo”.
Entretanto, a coragem registrou-se numa das inúmeras narrativas da proeza final - na matéria publicada pelo Terra Magazine: "O senhor está preso", diz delegado a Dantas - que descreve a segunda prisão de Daniel Dantas diante de uma dezena de advogados e desembargadores aposentados.
Em cena, o livro sobre Dantas contra Protógenes
Com tal biografia e tantas evidências que favorecem a defesa dos interesses do País e do povo brasileiro, quem arremeteria contra Protógenes sob o pretexto de que teria cometido erros na investigação?
Uma das respostas veio no próprio do sítio da Federação Nacional dos Policiais Federais (Funapef), onde um texto informou: “Um artigo do respeitado jornalista Raimundo Pereira na revista Piauí, intitulado ‘Protógenes e eu’, fustiga o conhecido delegado e candidato a deputado federal pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB) no Estado de São Paulo. Denso, o texto pergunta: ‘Quem é Daniel Dantas, que interesses ele representa?’”
O sítio diz que “Raimundo Pereira não entra nos méritos dessas respostas, no artigo”, mas, sobre a publicação, destaca um trecho da sua Introdução: “Este livro é uma crítica ao trabalho do delegado Protógenes Queiroz na condução da famosa Operação Satiagraha, que levou à prisão Daniel Dantas, desde então, a mais famosa figura dos meios financeiros do país”.
Um outro comentário, assinado por Thiago Domenici, comenta: “Este livro tem uma conclusão política. Ela surge a partir de uma investigação jornalística feita para entender a razão dos erros gritantes de uma investigação policial”.
O sítio Conjur, afirma, entre outras pérolas, em artigo assinado por Mauricio Cardoso: “Para Raimundo Pereira, a transformação de Daniel Dantas no bode expiatório de todos os males do Brasil foi uma decisão política do presidente Lula. (...) O livro funciona mais ou menos como um Habeas Corpus da informação. Ele não prova a inocência de Daniel Dantas, mas tenta mostrar que o maior escândalo financeiro do país foi, na verdade, a maior campanha política, policial, judicial e midiática feita no país contra um cidadão”.
Mas nem aí houve consenso: uma diretora do Opportunity, Maria Amalia Coutrim, não concordou com a interpretação e se manifestou indignada com a resenha, afirmando que o autor não respeitou as conclusões de Raimundo e foi “contaminado” pelo pensamento de Protógenes.
Forte inspiração tucana
Na verdade, todos os pressupostos levantados apontam para o mesmo falso dilema típico das armações das campanhas tucanas — a exemplo desta que todo o Brasil presenciou nas eleições de 2010: busca-se converter a verdade em mentira e seu autor em réu, ou a mentira em verdade mediante artifícios que consagram o meliante em vítima ou heroi.
A condenação de Protógenes Queiroz deve ser assim qualificada e compreendida em sua real dimensão. Não somente para produzir efeitos de solidariedade, mas para que se compreenda que sua ação esteve à altura de um brasileiro que atua em defesa do País e honra o seu povo, mostrando coragem, ousadia, destemor naquele perfil que destaca “os melhores filhos do povo”.
E não encontra paralelo na chamada “oposição”, que não conhece limites: “Senti vontade de prendê-lo a terceira vez. Quase que o prendi. Tinha um fato para poder prendê-lo, mas iria criar uma crise. Já tinha manifestação em frente ao Supremo Tribunal Federal, membros dos três poderes uns acusando os outros, determinado grupo político querendo criar uma nova situação, um passo atrás”.
Protógenes, ao que tudo indica, optou por dar um passo adiante.
* Luiz Carlos Antero é jornalista, escritor e colunista
O GOLPE DO BAÚ
Foi chamada uma agência de publicidade do Rio para preparar, no maior sigilo, o lançamento espetacular do nome de Tancredo Neves.
Certa manhã, Belo Horizonte amanheceu coberta de grandes cartazes coloridos. Um punho fechado com o dedão para cima, escrito apenas: TN. Nos muros, calçadas, jornais, rádios, TVs, era TN, TN, TN, o dia todo, a noite toda.
THIBAU
No dia seguinte, a cidade amanheceu pregada de imensas faixas nos postes, nas árvores, no alto dos edifícios. E as rádios, as TVs, os jornais, também todos, unânimes, com letras exatamente do mesmo tipo das dos cartazes da véspera: TN - THIBAU NOVAMENTE. E grifados o T e o N.
Era Nelson Thibau que pela segunda vez saía candidato a prefeito de Belo Horizonte, prometendo pôr um navio na lagoa da Pampulha (“Thibau Eleito, o Povo Satisfeito”), depois deputado federal por Minas, dando um golpe no baú de votos da campanha de Tancredo. A agência ficou uma fera.
Tancredo, à mineira, não disse nada. Thibau gargalhava pelas esquinas.
BANCO CENTRAL
Bons tempos aqueles em que golpes do baú se davam em baús de votos. Hoje, o Banco PanAmericano, do Silvio Santos, dá um golpe de 2,5 bilhões de reais no pais, no povo, na Caixa Econômica Federal, e o presidente do Banco Central, Henrique Meireles, afina a voz e rebola a culpa. Vera Batista e Gabriel Caprioli, do “Correio Braziliense, contam:
- “O Banco Central jogou para cima das empresas de auditoria a culpa pela demora na identificação das irregularidades contábeis do Banco Panamericano, do empresário Silvio Santos. Na visão dos analistas do mercado financeiro, foi justamente com base nessas consultorias especializadas, que agora mostram-se frágeis, que a Caixa Econômica Federal decidiu adquirir, em dezembro de 2009, o equivalente a 49% do capital votante e 36,6% do controle da instituição por R$ 739,2 milhões. O BC apressou-se em livrar-se de críticas. Argumentou que sua função é analisar balanços e não conferir se eles foram adulterados” (sic).
MEIRELLES
- “Essas operações podem estar acontecendo há três ou quatro anos. Nenhum Banco Central do mundo pode assumir responsabilidade futura, garantir que todas as instituições do sistema não têm problema algum. O governo federal estaria assumindo um passivo contingente de proporções incomensuráveis, na medida em que dá garantias de gestão e de patrimônio a todas as instituições financeiras- defendeu Meirelles”(Patricia Duarte,GL)
Perguntar não ofende : - Para que serve o Banco Central (alem de aumentar juros obscenos para os banqueiros e especuladores)? Quanto custa ao pais o Banco Central? Quanto ganham o Meirelles, o punhado de diretores e os montes de assessores, pesquisadores, analistas do nada?
E lá vem mais um buraco de 720 milhões na Caixa Econômica e 2,5 bilhões que o Tesouro Nacional vai acabar pagando.
SILVIO SANTOS
Nas vésperas das eleições, Silvio Santos foi visto, uma noite, saindo “à sorrelfa”, como diziam os clássicos, do palacio da Alvorada.
Imediatamente depois, o SBT forjou e pôs no ar a “Novelinha da Bolinha” : uma matéria para tentar dizer que o objeto jogado pela matilha do PT do Rio na cabeça de José Serra tinha sido apenas uma “bolinha de papel” e não um rolo de fita adesiva, como a TV Globo mostrou à noite.
A “Folha de S. Paulo” denunciou em manchete de primeira pagina:- “Governo Sabia de Fraude em Banco Antes da Eleição”. E Silvio chora :
- “Da TV, recebo só 40 milhões por ano. Do banco, recebia 120”.
“Lula-Silvio Santos, o Palco no Poder” : uma bela chapa para 2014.
OMBUDSMAN
No Globo, o sempre bem informado Ilimar Franco conta e relembra :
- “O presidente do PPS, Roberto Freire, fez uma proeza ao eleger-se deputado federal por São Paulo. Ele volta à Câmara tendo mudado seu domicílio eleitoral, que antes era Pernambuco. Poucos são os políticos que fizeram a mesma façanha: Nelson Carneiro, que trocou seu domicílio da Bahia para o Rio; Leonel Brizola, que se transferiu do Rio Grande do Sul para o Rio; José Sarney, que trocou o Maranhão pelo Amapá; e Juscelino Kubitschek, que mudou de Minas para Goiás”.
CAMPEÕES
Ilimar podia ter lembrado outros eleitos em mais de um Estado :
1. - Flores da Cunha: deputado federal pelo Ceará (1912-1914) e pelo Rio Grande do Sul (1918-1928 e 1946-1950).
2. - Aliomar Baleeiro, constituinte e deputado federal pela Bahia (1946-1959- UDN) e pela Guanabara (1963-1965 UDN).
3. - O campeão era Getulio Vargas, 7 Estados : senador e federal pelo Rio Grande do Sul (1946-1951- PSD), senador e federal por São Paulo (1946-1951 - PTB), federal pelo Rio, Minas Gerais, Bahia e Paraná (1946-1951.Tendo que optar por um mandato,foi senador pelo Rio Grande do Sul.
Mas Getulio já morreu. Hoje, o campeão sou eu, 3 Estados: eleito vereador em Belo Horizonte em 1954, deputado estadual na Bahia em 1962 e federal pelo Rio em 1982. Como dizia o Ibrahim Sued, “sorry, periferia”.
A xenofobia da pauliceia mina os alicerces da República
A twitada xenófoba da acadêmica de direito de Sampa
Batata-doce com leite é uma carícia quando a gente está em busca de conforto... Sabe aquela sensação indescritível de querer comer algo que não se sabe o que é? Não é fome propriamente, pois com fome come-se qualquer coisa, como se diz no sertão: "A boca quer coisa boa, mas a barriga quer é ficar cheia".
Comer batata-doce com leite é dar um "trato" em minha memória alimentar afetiva. É comer e sentir renovar as energias. Desde o dia da twitada xenófoba da acadêmica de direito de Sampa, que incitava matar nordestinos por afogamento, eu sabia que precisava de algo! Só consegui falar sobre o assunto após comer batata-doce com leite! "Puxei pela memória"...
Quando morava em São Paulo, na primeira metade dos anos 1990, uma amiga chegou à minha casa e eu estava comendo batata-doce com leite. Ela indagou o que era aquilo. Depois que respondi, a dita cuja lascou: "Ah, que baianada!". Não engoli calada e, "olhos nos olhos", me arretei dizendo-lhe que ela sabia que eu não era baiana e sim maranhense, mas que na Bahia também comiam batata-doce com leite, assim como no Nordeste todo.
Como uma socióloga não percebia que a naturalização e a banalização de vocábulos repletos de nojo e asco, que expressam aversão ao estrangeiro (xenofobia - do grego, "xeno" = estrangeiro + "fobia" = medo), são uma desumanização e desrespeito ao outro? Acrescentei que estava pelo gogó com essa história de que todo nordestino em São Paulo é baiano, termo usado não para indicar quem nasce na Bahia, mas para, depreciativamente, se referir a nordestinos e nortistas: "Essa gente lá de cima (demorei pra entender que se referiam ao mapa do Brasil!), que até coisas estranhas come...".
Na época recrudescia em São Paulo o nojo a nordestinos, para ferir a prefeita de São Paulo, a paraibana Luiza Erundina, que a elite paulistana jamais engoliu! Ao contrário, perseguiu sem tréguas. Coincidentemente, eu estava às voltas com um xenófobo casal egípcio, radicado em São Paulo há mais de 30 anos, pais de um namorado de uma das minhas filhas, que teve o desplante de ir "tomar satisfações" comigo! Foi uma cena ridiculamente surreal!
O pai chegou arrastado pela sua consorte, que não era nada submissa para afrontar-me. Balbuciava que não era contra o seu "bebê" namorar uma "baiana" (pense no asco!), apenas que eu os respeitasse, não oferecendo carne de porco para ele. E que eu ficasse sabendo que o filho dela se casaria com uma muçulmana. Com baiana, jamais! Disse-lhes que a porta da rua era a serventia da casa e os escorracei!
Entendi ali como a elite paulistana, quatrocentona e xenófoba, consegue impor e perpetuar ideias de superioridade racial (racismo) e a renitente aversão a nordestinos: catequizando até imigrantes de outros países que "essa gente lá de cima" (do mapa) é erva-daninha! Na cidade de São Paulo, que tem suor "dessa gente lá de cima" em cada grão de riqueza, tudo o que alguém faz de errado ou que não presta, para xenófobos nativos caipiras e/ou letrados "sorbonados", é "baianada".
Chega! A postura xenófoba dessa gente mina os alicerces da República!
Em ranking da IFFHS, São Paulo aparece como segundo melhor sul-americano da década
Apesar de viver uma crise atualmente, na última década, o Boca, de fato, predominou na América do Sul. Foram três Libertadores (2001, 2003 e 2007), que tornaram a equipe hexacampeã do torneio. Além disso, os xeneizes levaram duas Sul-Americanas (2004 e 2005), duas Recopas (2006 e 2008) e quatro Campeonatos Argentinos (2003, 2005, 2006 e 2008).
Na segunda colocação, o São Paulo foi o melhor clube brasileiro no ranking. Além do tricampeonato brasileiro conquistado de 2006 a 2008, o clube levou a Libertadores e o Mundial de 2005, o Paulistão de 2005, o Supercampeonato Paulista de 2002 e o Rio-São Paulo de 2001.
Os critérios usados pela IFFHS foram baseados somente em torneios de âmbito nacional e continental. Grande rival do Boca, o River Plate ficou com a terceira colocação. Entre os dez primeiros, ainda tivemos três outros clubes brasileiros: o Cruzeiro (4°), o Santos (5°) e o Internacional (9°).
Veja os primeiros do ranking:
1° Boca Juniors (Argentina) – 2073 pontos
2° São Paulo (Brasil) – 1909 pontos
3° River Plate (Argentina) – 1666 pontos
4° Cruzeiro (Brasil) – 1592 pontos
5° Santos (Brasil) – 1539 pontos
6° Nacional (Uruguai) – 1437 pontos
7° Internacional (Brasil) – 1429 pontos
8° San Lorenzo (Argentina) – 1428 pontos
9° Estudiantes de La Plata (Argentina) – 1334 pontos
10° Vélez Sarsfield (Argentina) – 1331 pontos
terça-feira, 16 de novembro de 2010
RESCALDO ELEITORAL
por Ernesto AguiarAinda repercute com intensidade nos meios políticos, a performance da candidata eleita Presidente, Dilma Rousseff, no Paraná e especialmente em Londrina.
A pergunta que não quer calar, dá conta da pífia "contra-partida" em termos de votos auferidos para candidatura da Presidente naquela importante cidade do Estado e do Brasil.
Londrina carrega consigo uma belíssima história de luta e vitórias eleitorais da Esquerda.
Vem de lá em termos eleitorais a avalanche de votos que sempre garantiu inclusive pela influência, uma matriz progressista das forças políticas de nosso Estado.
Causa espécie que com três Ministros da República(Planejamento, Desenvolvimento Social e Combate a Fome e Chefia de Gabinete da Presidência) um atual Prefeito de Partido Aliado e um Secretário de Estado(Transportes), tenham tido tamanho repúdio das urnas e arrastado a pobre candidata de então, a resultados tão vexatórios!
Não precisa ser grande observador para notar o fracasso absoluto da candidatura nos dois turnos. Duro é explicar, mas como tudo tem explicação, vamos fazer algumas observações no sentido de, se não solucionar tal mistério, ao menos jogar luz para a sequência das análises, pois certamente esse quesito deverá influenciar inclusive na rearticulação de forças no cenário político, assim como na presença de lideranças políticas Paranaenses eventualmente no novo governo.
Para reflexão, tomaremos como exemplo uma outra cidade com uma composição de forças parecida no que tange o apoio a candidatura Presidencial.
Vamos a frieza dos números...
Londrina, a candidata Dilma ficou em TERCEIRO LUGAR no Primeiro Turno, com míseros 18% (DEZOITO POR CENTO)
No Segundo Turno, agregou os votos dos "VERDES" indo a um pouco menos miseráveis 24% (VINTE E QUATRO POR CENTO)
OUTRO CASO, TAMBÉM NO PARANÁ
Na cidade de FOZ DO IGUAÇU, com um arco de aliança política semelhante, porém, sem nem sequer a presença de um ministro, já que as principais lideranças são um Prefeito de Partido aliado, um Diretor Presidente de Estatal(Itaipu) e um Secretário de Estado(Trabalho, Emprego e Promoção Social), a Presidente eleita venceu em ambos os turnos!
Números...
FOZ DO IGUAÇU, a candidata Dilma venceu no Primeiro Turno com 43%(QUARENTA E TRÊS POR CENTO) contra 38% de Serra.
Já no Segundo Turno Dilma manteve a dianteira com 51%(CINQUENTA E UM POR CENTO)
PORTANTO
De fato chama a atenção, pois num mesmo território, com realidades que se assemelham do ponto de vista sócio-econômico, tamanha disparidade.
Voltemos a pergunta que mesmo passando os dias, não quer se calar:
- Qual o segredo? Qual o mistério? Qual a charada?
Com um maior número de caciques, como Londrina agregou tão poucos índios? (já estaria aí uma resposta?)
Seria a representatividade dessas lideranças?
Talvez um empenho, digamos assim, "meia-boca" movido por interesses inconfessáveis?
Uma visão de menosprezo conjuminada com uma visão apequenada e exclusivista?
Essas considerações e especulações certamente deverão ser objeto de avaliação, pois em disputa eleitoral a Lei do Vale Quanto Pesa é regra básica.
Bola cheia para o Trabalho de Foz, já para a trapalhada de Londrina...
Gleisi, não. A 1.ª senadora do Paraná será Danimar
da gazetaonline
Filiada ao Partido da República (PR), Danimar irá assumir a vaga do senador Flávio Arns (PSDB), de quem é a primeira suplente. Arns terá de renunciar ao cargo para assumir como vice-governador do Paraná em 1.º de janeiro. Como a posse dos novos congressistas eleitos neste ano (incluindo Gleisi) só ocorre um mês depois, em 1.º de fevereiro, Danimar será a mulher pioneira do estado no Senado. Mas vai cumprir um mandato de apenas um mês, pois Arns teria mesmo de deixar o Senado nessa data, após oito anos de mandato. E o único mês de Danimar na Casa será de recesso parlamentar.
O curto período no Congresso não será a primeira experiência de Danimar no Legislativo. Ela já foi vereadora de São José dos Pinhais, na Grande Curitiba, entre 2001 e 2005. Foi eleita com apenas 872 votos. Em 2004, concorreu à reeleição. Mas, mesmo fazendo uma votação maior, não conseguiu se eleger.
Foi durante o período como vereadora que Danimar recebeu a indicação para a vaga suplente de Arns. Na época, o senador ainda era filiado ao PT. Ela foi escolhida para acomodar o extinto Partido Liberal, aliado dos petistas, na composição da chapa.
Bênção
“Por um lado, [virar senadora] é uma bênção na minha vida. Por outro, é uma pena, pois é só um mês”, diz Danimar. “Mas eu vou aproveitar o tempo para continuar o meu trabalho voltado aos menos favorecidos, às pessoas desamparadas.”
A futura senadora conta que jamais imaginou que pudesse vir a assumir a vaga. “É uma experiência única para mim. Nada é por acaso, graças a Deus. Agora minha preocupação será com o meu trabalho.”
Apesar de assumir a cadeira de Flávio Arns, que faz oposição ao governo do PT, Danimar garante que não vai se opor à presidente eleita Dilma Rousseff no Senado. Até mesmo porque janeiro é mês de recesso no Senado e não há votação de projetos. Mas, apesar das férias parlamentares, ela assegura que irá a Brasília. “Vou trabalhar”, garante.
A quase senadora afirma ainda que o status do cargo não vai lhe subir à cabeça nem modificar sua rotina. “Não vou mudar nada. Quanto mais responsabilidade a gente tem, mais servo a gente é. Sou uma representante do povo”, garante.
Sobre os privilégios e vencimentos dos senadores, ela afirma que ainda nem teve tempo de pensar nisso. E garante que vai receber “o que for de direito”. No Senado, Danimar receberá, ainda que por um mês, salário e verbas parlamentares.
Um senador ganha atualmente R$ 16,5 mil por mês, mais o direito à verba indenizatória de R$ 15 mil mensais. Além disso, um senador tem à sua disposição o auxílio-moradia no valor de R$ 3,8 mil reais mensais, um carro com motorista e 25 litros de gasolina por dia. Somam-se a esses vencimentos mais de R$ 10 mil em cotas postais e gráficas e quatro passagens de ida e volta por mês para seus estados de origem.
Currículo
Danimar é mineira, nascida na cidade de Água Boa, na região do Vale do Rio Doce. Ela conta que veio “ainda menina” para o Paraná, trazida pelo pai agricultor para residir no município de Fênix, no Centro-Oeste do estado. Depois, morou em Engenheiro Beltrão, Curitiba e, finalmente, São José dos Pinhais, onde vive há 27 anos.
Aos 50 anos, a futura senadora é divorciada e tem dois filhos. Contabilista aposentada, trabalhou durante 15 anos na Secretaria de Cultura de São José dos Pinhais. Atualmente, é assessora do deputado estadual Edson Praczyk (PR) – com quem trabalha desde 2000, depois de conhecê-lo nos cultos da Igreja Universal do Reino de Deus. “Tenho mais de 30 anos de atuação política nos bairros carentes de Curitiba e região metropolitana”, afirma.
Em 2005, entrou na faculdade de Direito. Mas teve que trancar o curso no terceiro ano. “Tive uma anemia – coisa de mulher. E precisei parar para me tratar”, disse. Ela garante, porém, que depois da experiência no Senado, vai voltar às aulas. “Meu estudo está voltado para me especializar na questão social, na defesa dos mais pobres.”
segunda-feira, 15 de novembro de 2010
METENDO OS PEITOS: CAIR, BEBER E LEVANTAR...
Que sirva de exemplo essa nova experiência do COXA no andar debaixo.
Com um amontoado de come-dormes, uns tamanquinhos, uns cachaceiros, uns refratários e uma direçao no mínimo molenga, "apoiados" por uma turba de arruaceiros da tal Torcida Organizada, forjou-se o caldo de cultura exemplar para uma queda vexatória.
Jogadores Medalhões, ou jovens deslumbrados que só faltam pendurar uma melancia no pescoço ou pintar as nádegas de vermelho, ou ainda botar pisca-pisca nas trancinhas pra aparecer, não tem cabeça pra jogar futebol, seu foco é outro.
Dirigentes que só querem status, jogar pra galera, dar entrevistas nas vitórias e fugir como ratos nas derrotas, também nao servem.
Torcedores Fanáticos portanto idiotizados tambem não valem, ou melhor, devem ser cadastrados e controlados pra que não se repitam os barbarismos do recente passado.
No horizonte que se vislumbra, parece que o caminho será radiante.
Usar os "pratas da casa" , apostar nas categorias de base é uma obrigação assim como checar a vida pregressa das eventuais novas contratações, reforços, para não se surpreender pela imprensa flagrando "atletas" dormindo em cruzamento com motor ligado.
A escolha do novo comandante, seu perfil, já vai mostrar isso e pelo que temos acompanhdo, o critério será rigoroso.
Boa sorte então ao Glorioso Coritiba, boas vindas a elite do futebol brasileiro.
Parabéns aos Atletas e Comissão Técnica pela trajetória vitoriosa, pela raça e conquista. Isto é um grupo vencedor, merecedor da honra e da glória coxa-branca.
Vem Coritiba! Vem Coritiba...
Grupo Silvio Santos entra em crise no pior momento do SBT
do vermelho
É justamente agora, quando as eleições terminaram e o ano chega ao fim, que os anunciantes definem seus investimentos para 2011. A fim de conseguir descontos, nesta época do ano já negociam cotas de longo prazo. A onda de notícias negativas – entre elas a suspeita de que houve fraude no banco – e a incerteza sobre o futuro do SBT podem refletir na decisão do mercado publicitário.
Há uma expectativa de que anunciantes decidam não comprometer a verba por um período longo e trabalhem com a compra "picada", mês a mês. Isso pode atrapalhar o planejamento da programação de 2011. É também possível que empresas pleiteiem desconto maior, em troca da compra de anúncios em um momento delicado. Normalmente, as TVs reduzem os preços em 30% na compra antecipada.
Outra aposta no mercado é a de que o governo possa aumentar a publicidade de estatais nos intervalos do SBT, concedendo ajuda indireta à crise gerada pelo PanAmericano, de quem a Caixa Econômica Federal virou sócia. A Secom (secretaria de comunicação do governo), responsável por distribuir a verba publicitária, não informa quanto cada rede recebe.
Segundo o consultor de mídia e ex-conselheiro comercial do SBT, Antônio Rosa Neto, “o mercado publicitário tem consciência da importância da sobrevivência da emissora". Para ele, o SBT não deve ser prejudicado com a crise. "Anunciantes olham o resultado de ibope."
O diretor comercial do SBT, Henrique Casciota, afirmou, por meio da assessoria, que "os anunciantes e as agências de publicidade estão atuando normalmente". A emissora, contudo, passou a negociar o aluguel das madrugadas com evangélicos.
Na quinta, entrou no ar nos intervalos da emissora comunicado dizendo que "o SBT e outras empresas que valem no mercado mais do que o empréstimo estão absolutamente garantidas". De acordo com a mensagem, "as pessoas e empresas que confiam no grupo Silvio Santos não terão prejuízo". Já na sexta, a Bandeirantes – que sonha tirar o terceiro lugar do SBT – publicou anúncio dizendo que "confiança é tudo" e que "o mercado está de olho na Band".
TV feliz
A crise se soma a um histórico de queda de audiência e redução de salários no SBT. Há dois anos, a rede perdeu para a Record a vice-liderança no Ibope. Silvio fez recentemente uma ofensiva contra megassalários. Hebe, entre outros, teve salário reduzido, e Ratinho deixou de ser contratado para se tornar "sócio". Isso significa que não recebe do SBT e lucra com anúncios do programa.
Raul Gil se ofereceu para trabalhar no SBT e Silvio concordou, contanto que aceitasse ser "sócio", sem salário. Esse tipo de sociedade vale também se o programa der prejuízo, que tem de ser dividido entre SBT e artista.
Essa também foi umas das razões pelas quais Gugu Liberato trocou o SBT pela Record. Em 2006, quando foi renovar seu contrato, recebeu de Silvio essa proposta. Aceitou, até porque seu programa lucra bem. Mas a Record lhe propôs, em 2009, além de salário, um contrato de oito anos, enquanto o SBT ultimamente só assina por seis meses ou um ano. Marília Gabriela foi uma das que assinaram contrato por apenas seis meses.
Outra dificuldade de funcionários do SBT, que lançou o slogan "A TV Mais Feliz do Brasil", é lidar com a administração familiar. Íris Abravanel, mulher de Silvio, é consultora de dramaturgia. Daniela Beyruti, sua filha, diretora artística. Silvio, contudo, ora dá carta branca a ela, ora lhe corta o poder. Nesses momentos, chega a tirar do ar programas escolhidos pela filha, como fez com séries americanas.
No SBT, apesar do clima de apreensão, Silvio manteve a rotina de gravações. Mas já avisou que não quer comemoração para seu aniversário de 80 anos, no dia 12/12. Termina de gravar seus programas na primeira semana de dezembro e possivelmente vai para sua casa em Orlando, na Flórida (EUA), onde poderá passar o aniversário anonimamente.
Calil: filmes marginais são lição para o cinema brasileiro atual
Por Ricardo Calil, na Folha.com
Depois da primeira leva de quatro DVDs lançada no começo do ano, chegam às lojas mais dois volumes, com os filmes Hitler 3º Mundo (1968), de José Agrippino de Paula, e Lilian M - Relatório Confidencial (1975), de Carlos Reichenbach. Mais conhecido como autor do romance Panamérica (1967), o paulistano Agrippino fez Hitler com sobras de rolos, de forma clandestina e na base do improviso. Nunca lançado comercialmente, tornou-se um mito do cinema marginal.
Como Panamérica, o filme é feito de estilhaços pop, episódios aparentemente absurdos e desconexos que misturam Hitler, Cristo, o (personagem de quadrinhos) Coisa e Jô Soares. Este encarna um samurai-gueixa que, entre outras coisas, enfia crianças faveladas em uma Kombi, tenta arranhar uma TV e comete haraquiri, contracenando com pessoas reais e provocando um curto-circuito entre ficção e documentário.
Com problemas evidentes de áudio, iluminação e continuidade, o filme é exemplo acabado de como a precariedade pode funcionar como estimulo à invenção -e não como um impedimento.
Experimentos
Segundo longa-metragem de Carlos Reichenbach, Lilian M já traz elementos que marcam a obra do cineasta: as referências cinéfilas, o vaivém entre gêneros, a defesa da liberação feminina. A narrativa articula-se a partir do depoimento da protagonista (Célia Olga Benvenutti) sobre seus amantes, a partir do momento em que abandona o marido no campo, foge com um caixeiro-viajante e conhece a cidade grande, seus tipos e perigos.
Embora seja mais estruturado e menos precário que Hitler 3º Mundo, Lilian M é igualmente libertário por suas experimentações com diferentes gêneros e suas sofisticadas brincadeiras sonoras e visuais.
Rabello: pressa de Kassab pode ter inviabilizado fusão DEM-PMDB
Por João Bosco Rabello, em seu blog
Ao formalizar a proposta com tanta antecedência, de olho na sucessão estadual de 2014, Kassab despertou as reações contrárias, da cúpula do DEM ao PT, que acusa o PMDB de estimular a oposição para tornar-se majoritário na aliança governista.
Essas são as dificuldades que inviabilizaram, pelo menos no médio prazo, a costura política da incorporação. Esta difere das outras formas de união partidária que pressupõem a auto-dissolução do DEM, como a fusão. “Para ter chance, teria que haver namoro e noivado, para ver se dava casamento”, resume o tesoureiro e estrategista do DEM, Saulo Queiroz, confirmando a precipitação do prefeito paulista.
A incorporação permitiria que o DEM preservasse o tempo de TV e o fundo partidário, que levaria para o PMDB. Seria, por assim dizer, o dote da noiva. Mas uma operação política de tal extensão só se viabiliza pela negociação e teria que ser precedida necessariamente de uma parceria informal no primeiro ano da nova legislatura para desarmar os espíritos dentro do próprio DEM.
A incorporação só ocorreria se sacramentada pelos dois partidos em convenção nacional, que por sua vez só pode ser convocada pelas Executivas ou por maioria dos diretórios de cada legenda, premissas inexistentes hoje no Democratas, que vive grave crise de comando.
Kassab deve ir para o PMDB por conta própria e com aliados de São Paulo.
Ainda sobre a patricinha de SP: Paulistas, nordestinos, brasileiros
Por Aldo Rebelo*, no O Estado de S.Paulo
Tão preocupante quanto a intolerância das diatribes é a contrapartida que simula respeito, mas diferencia nordestinos e paulistas como populações distintas dentro da mesma nação. Houve quem, a pretexto de defender os nordestinos, os comparasse aos mexicanos, como se o Nordeste fosse para o Brasil o que o México é para os Estados Unidos.
São Paulo tem culpa no cartório? É verdade que ramos obsoletos do pensamento paulista se empenharam em forjar um conceito de paulistanidade que a pesquisadora Jessita Maria Nogueira Moutinho cunhou de "ideologia afirmadora da superioridade étnica, econômica e política dos naturais do Estado de São Paulo". Nesse campo minado se inscrevem as obras de Alberto Salles (A Pátria Paulista, 1877) e Alfredo Ellis Jr.
(Confederação ou Separação, 1933). A essa mirrada corrente de opinião escapou, para começo de conversa, a formação social paulista e nela, a presença do índio. Antes de quase tudo virar italiano, São Paulo era a cidade portuguesa mais indígena do Brasil, a ponto de aqui se falar mais a língua tupi, cuja presença se perpetua a cada esquina em nomes como Ibirapuera, Anhangabaú, Itaquera, Tietê. A elite ilustrada jamais renegou essa origem, ao contrário, sempre se orgulhou de descender do cacique Tibiriçá - fundador da cidade com o padre Nóbrega -, pai de Bartira, sogro de João Ramalho, o Adão dos quatrocentões da Pauliceia.
Para além das arengas ideológicas e intelectuais, quando os interesses econômicos e políticos de São Paulo destoavam do restante do País, jamais se formou aqui uma corrente de massas capaz de ameaçar a integridade da Nação. A paulistanidade não é um conceito exclusivo nem excludente. Os imaginários regionais são fecundos em todos os Estados - a paulistanidade, a mineiridade, o gauchismo e a pernambucanidade são manifestações que propiciam a síntese da fisionomia local como parte da identidade nacional. Os lugares de história mais densa valorizam suas características, exaltam seus traços e constroem um imaginário que mesmo quando desafia o restante do País não afronta a unidade nacional.
É assim que, para ficar no plano das grandes lutas históricas, os mineiros celebram a Conjuração de Tiradentes; os gaúchos, a Farroupilha; os baianos, a Revolta dos Alfaiates e o 2 de Julho; os pernambucanos, a Insurreição de 1817, a Confederação do Equador e a expulsão dos holandeses em 1654; os paraenses, a Cabanagem.
São Paulo cobre de glórias seus bandeirantes, e o que chamam de Revolução Constitucionalista de 1932 teve como objetivo não o separatismo, mas a redemocratização do País, celebrando como resultado a convocação da Constituinte de 1933. É de registrar a preocupação do governador Pedro de Toledo em mandar imprimir dinheiro para o movimento de 1932 com a efígie de heróis nacionais como Caxias, Tamandaré, Floriano Peixoto e Rui Barbosa. Ressalta ainda os dizeres do brasão criado na ocasião, com a inscrição latina Pro Brasilia fiant eximia - Pelo Brasil faça-se o melhor.
A rigor, a geografia do Brasil é quase uma invenção paulista. A grande saga dos bandeirantes traçou os limites do território nacional, fincando a bandeira do futuro País em rincões recônditos - de Guaíra ao Rio Acre. São Paulo enviou regimentos para expulsar os holandeses da Bahia e de Pernambuco, e deles fez parte ninguém menos que o grande Raposo Tavares, à frente de 150 homens recrutados à sua custa. Nas páginas deste jornal Euclides da Cunha revelou o Brasil profundo ao Brasil urbano ao descrever a Guerra de Canudos, superando o positivismo cientificista abraçado por gente de fina inteligência e largo preconceito. A comovedora descrição que fez do sertanejo teve a força de uma revolução antropológica e cultural de valorização do homem nordestino.
O engenheiro e geógrafo baiano Teodoro Sampaio estudou a Bacia do Rio Tietê, foi um dos fundadores do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e da Escola Politécnica, e deixou importante contribuição sobre as bandeiras paulistas na formação da geografia do Brasil. Hoje é nome de município no Estado e de rua na capital.
Na História cintilam episódios de colaboração decisiva entre nordestinos e paulistas - a exemplo do apoio do fazendeiro de Campinas Campos Sales ao alagoano Deodoro da Fonseca, proclamador da República e seu primeiro presidente. O governo de São Paulo, tendo à frente o mineiro Bernardino de Campos, foi o que mais ajudou outro alagoano, Floriano Peixoto, a consolidar a República - mobilizando tropas para combater a reação monárquica; 14 anos depois, o alagoano Manoel Joaquim de Albuquerque Lins governaria São Paulo, de 1908 a 1912. Ainda em São Paulo, a paraibana Luiza Erundina seria eleita prefeita da capital e o pernambucano Luiz Inácio Lula da Silva iniciaria sua vida sindical e política rumo à Presidência da República.
São Paulo não discrimina os nordestinos como política nem em movimento social. A mocinha do Twitter é pouco mais que um caso de desatino. O desafio é amalgamar a identidade nacional sem as tentações das superioridades regionais e nos considerarmos todos filhos de uma só Pátria. O Brasil que continuamos a construir é o arquitetado pelo maior dos paulistas e também o maior dos brasileiros, José Bonifácio de Andada e Silva, ao traçar a política do jovem país: "Nós não reconhecemos diferenças nem distinções na família humana."
* Aldo Rebelo é deputado federal (PCdoB-SP)
Jefferson Tramontini: reacendem os velhos preconceitos
Por Jefferson Tramontini*, no Blog Classista
Foram muitos os paradigmas quebrados, dentre os quais o mais visível foi a eleição da primeira mulher à Presidência da república. Também muitos foram os defuntos desenterrados no espectro político brasileiro. Conservadores e reacionários de todos os matizes ressurgiram com a campanha virulenta empreendida pela candidatura das elites. A odiosa campanha eleitoral demo-tucana despertou segmentos, absolutamente minoritários, porém barulhentos, que todos pensávamos jamais voltariam a aparecer.
O acirramento da luta política, tanto no meio institucional, quanto no meio do povo, é também fruto do novo período histórico que está se abrindo aos brasileiros.
Um aspecto dessa batalha se dá agora em discussões e manifestações, especialmente via internet, mas não só, de todo tipo de preconceito e ódio. A face que mais tem aparecido trata do “racismo” empreendido por alguns segmentos da elite e das camadas médias da sociedade, especialmente de São Paulo, contra o restante do Brasil, destacadamente contra os brasileiros da região Nordeste.
O caso da estudante Mayara é apenas a ponta do iceberg. O manifesto intitulado “São Paulo para os paulistas” é mais grave, mas também não é a única, pois pode ganhar adesões e repercussões, se a chamada grande imprensa começar a inflar, sorrateiramente, o tal movimento ou iniciativas semelhantes.
A visão exposta no “manifesto” é a síntese da visão da elite brasileira que, destacadamente no caso de São Paulo, ganha contornos separatistas. Não é de hoje que essa burguesia, sediada em solo paulista, pretende-se à parte do Brasil, como se melhores fossem, como se não dependessem do restante do país para sobreviver e manter sua própria dominação.
Destilam seu veneno, agora contra os migrantes, de todos os estados, com destaque para os que chegam do nordeste brasileiro. Por trás dessa falsa apresentação de defesa da cultura paulista esconde-se, na verdade, o mais rasteiro ódio de classe. Pretendem esses endinheirados devolver os membros das classes inferiores ao único lugar que a elite os reserva, as senzalas, mais ou menos disfarçadas. O preconceito reacendido, portanto, não passa de arma terrorista de ação política.
Pregam a todo instante que o trabalho dos paulistas sustenta a vadiagem do Brasil, como se somente existissem trabalhadores em São Paulo. Se colocam como vítimas, o que nunca foram, da falta de investimentos “brasileiros” em seu estado, como se São Paulo fosse o estado mais rico da federação graças, exclusivamente, ao esforço dos paulistas, e de sua elite. Nada mais falso.
São Paulo é o estado mais rico do país graças ao Brasil e ao trabalho de todos os brasileiros, incluindo aí os paulistas, obviamente. Pretender a existência de um povo paulista exclusivo beira a absoluta falta de razão. São Paulo, como todo o país, é fruto das mais diversas influências culturais, com mais ou menos presença de uma ou de outra em determinada região. São Paulo é o principal polo industrial brasileiro graças às sucessivas políticas industriais que concentraram investimentos em um único lugar, largando à míngua imensas regiões.
Será que São Paulo seria o que é sem o aço produzido em Minas Gerais? Seria o que é sem a energia elétrica produzida no Paraná? Seria o que é sem os grãos produzidos no Centro-Oeste? Seria o que é sem a força e a capacidade do trabalho de milhões de nordestinos que para lá foram em busca das oportunidades que o Brasil concentrou em território paulista?
Apenas um exemplo de que São Paulo é fruto das riquezas de todo o Brasil trata da tributação sobre a energia elétrica. Na Constituinte de 1988, o então deputado José Serra apresentou uma emenda que, apesar de sui generis, foi aprovada. Essa lei torna diferente de todas as demais a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre a energia. Ao invés de ser arrecadado na produção, onde é vendida a eletricidade, o ICMS passou a ser cobrado no consumo, onde é comprada. Assim São Paulo, maior pólo consumidor, “surrupiou”, desde 1989, aproximadamente R$32 bilhões apenas do Paraná, maior pólo produtor, em impostos. Com certeza, esses valores, fizeram falta aos paranaenses e ajudaram muito os paulistas.
Claro que os casos paulistas ganham mais repercussão, mas não são os únicos, em todo o Brasil as armas elitistas são as mesmas.
As políticas desenvolvimentistas do governo Lula, das quais Dilma é herdeira legítima, se não são perfeitas, tiveram o grande mérito de planejar o país em seu conjunto. Essas políticas têm levado desenvolvimento, com recursos, a todas as regiões do país, sem exceção. Com isso, obviamente, para eliminar as seculares desigualdades, as regiões menos desenvolvidas têm tido crescimento mais acelerado.
E são essas políticas de desenvolvimento e distribuição de renda as responsáveis pela fantástica recuperação do Brasil diante da grave crise que ainda assola os EUA e a União Europeia, em especial. São essas políticas, distribuídas em todo o território nacional, que permitem ao Brasil ter, já em 2010, um vigoroso crescimento, mantendo essa perspectiva para o próximo período.
Cabe lembrar que mesmo em São Paulo Dilma obteve mais de 10,4 milhões de votos, ou 45,95% do total, menos de 2 milhões de votos de diferença em relação a Serra. Aproximadamente a mesma proporção de votos se deu nos estados sulistas. Portanto, é falso afirmar que São Paulo ou a região Sul rejeitam a presidente eleita ou o projeto político por ela representado.
A visão “racista” que permeia o “manifesto” e outras iniciativas recentes interessa apenas a um seleto grupo de pessoas. Atende aos interesses de uma pequena elite que se pretende proprietária do Brasil, assim relegando os demais ao abandono. É a volta do povo servil o que desejam esses pretensos iluminados.
O Brasil é o que é, com as capacidades que possui, com as perspectivas que tem pela frente, graças ao seu imenso território, à sua inigualável combinação de riquezas naturais e, principalmente, à força da diversidade cultural e do trabalho do conjunto de seu povo.
Queiram ou não os velhos privilegiados, o país e o povo brasileiro continuarão seu caminho de desenvolvimento e de prosperidade iniciado com a primeira vitória do povo, que elegeu Lula em 2002, pois já não aceita o comando dos que se julgam superiores, sem sê-lo.
A luta prossegue. Os campos devem ficar cada vez mais delineados e as batalhas mais encarniçadas. A organização e a melhoria das condições de vida do povo trabalhador são cruciais para a vitória sobre os velhos barões. O novo governo Dilma começa com mais força do que a que teve seu antecessor, porém, o outro lado ainda detém muita força e, mesmo francamente minoritário, é capaz de produzir muito estardalhaço.
Os desafios são grandes, mas o perseverante povo brasileiro é acostumado a superar desafios.
* Jefferson Tramontini é membro da Coordenação Nacional dos Bancários Classistas, ligada à Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB)
Sem o 15 de novembro Dilma não seria presidente do Brasil
Para muita gente é difícil imaginar que há apenas 121 anos atrás (1889), depois da Independência de Portugal (1822), o Brasil era governado por um rei, o D. Pedro II. Essa história só mudou por que depois muitas revoltas, em 15 de novembro, o Brasil se tornou uma república. Naquela época as eleições não eram como hoje, mas foi o início de um processo que culminou, em 2010, com a eleição de Dilma, primeira mulher presidente do Brasil.do vermelho
A primeira eleição presidencial do Brasil foi indireta. Embora a Constituição de 1891 determinasse que o presidente da República fosse eleito diretamente pelo povo, o primeiro presidente foi eleito pelo Congresso Constituinte. Nosso primeiro presidente foi o líder do golpe militar que depôs D. Pedro II, o Marechal Deodoro da Fonseca.
A primeira eleição direta para presidente da República só aconteceu em 1894. Mesmo assim Prudente de Morais chegou ao poder com cerca de 270 mil votos, o que representava menos de 2% da população brasileira da época.
A ampliação do direito de voto a um número cada vez maior de brasileiros aconteceu ao longo do século 20. O voto feminino, por exemplo, data de 1932 e foi exercido pela primeira vez em 1935. Porém, com o governo Getúlio Vargas (1937-1945), as mulheres só voltaram a votar em 1946.
O governo de Vargas e a ditadura dos militares de 64 privaram o eleitorado nacional do voto para presidente por nove vezes. Em 117 anos de República, dos 34 presidentes, somente 16 se elegeram pelo voto direto.
República, resultado de revoltas
O movimento de 15 de Novembro de 1889 não foi o primeiro a buscar a República, embora tenha sido o único efetivamente bem-sucedido, e, segundo algumas versões, teria contado com apoio tanto das elites nacionais e regionais quanto da população de um modo geral:
De 1788 a 1789, a Inconfidência Mineira e Tiradentes não buscavam apenas a independência, mas também, a proclamação de uma república, seguida de uma série de reformas políticas, econômicas e sociais.
Em 1824, diversos estados do Nordeste criaram um movimento independentista, dentre elas a Confederação do Equador, igualmente republicana.
Em 1839, na esteira da Revolução Farroupilha, proclamaram-se a República Rio-grandense e a República Juliana, respectivamente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
Na reunião na casa de Deodoro, na noite de 15 de novembro de 1889, foi decidido que se faria um referendo popular, para que o povo brasileiro aprovasse ou não, por meio do voto, a república. Porém esse plebiscito só ocorreu 104 anos depois, após a o impeachment do presidente Fernando Collor, no dia 21 de abril de 1993. Nesse plebiscito a opção "república" obteve 86% dos votos válidos.
Fonte: da redação, com agências.
Calem a boca, Nordestinos!
do boca maldita
Por José Barbosa Junior
A eleição de Dilma Rousseff trouxe à tona, entre muitas outras coisas, o que há de pior no Brasil em relação aos preconceitos. Sejam eles religiosos, partidários, regionais, foram lançados à luz de maneira violenta, sádica e contraditória.
Já escrevi sobre os preconceitos religiosos em outros textos e a cada dia me envergonho mais do povo que se diz evangélico (do qual faço parte) e dos pilantras profissionais de púlpito, como Silas Malafaia, Renê Terra Nova e outros, que se venderam de forma absurda aos seus candidatos. E que fique bem claro: não os cito por terem apoiado o Serra… outros pastores se venderam vergonhosamente para apoiarem a candidata petista. A luta pelo poder ainda é a maior no meio do baixo-evangelicismo brasileiro.
Mas o que me motivou a escrever este texto foi a celeuma causada na internet, que extrapolou a rede mundial de computadores, pelas declarações da paulista, estudante de Direito, Mayara Petruso, alavancada por uma declaração no twitter: “Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!”.
Infelizmente, Mayara não foi a única. Vários outros “brasileiros” também passaram a agredir os nordestinos, revoltados com o resultado final das eleições, que elegeu a primeira mulher presidentE ou presidentA (sim, fui corrigido por muitos e convencido pelos “amigos” Houaiss e Aurélio) do nosso
país.
E fiquei a pensar nas verdades ditas por estes jovens, tão emocionados em suas declarações contra os nordestinos. Eles têm razão! Os nordestinos devem ficar quietos! Cale a boca, povo do Nordeste!
Que coisas boas vocês têm pra oferecer ao resto do país? Ou vocês pensam que são os bons só porque deram à literatura brasileira nomes como o do alagoano Graciliano Ramos, dos paraibanos José Lins do Rego e Ariano Suassuna, dos pernambucanos João Cabral de Melo Neto e Manuel Bandeira, ou então dos cearenses José de Alencar e a maravilhosa Rachel de Queiroz?
Só porque o Maranhão nos deu Gonçalves Dias, Aluisio Azevedo, Arthur Azevedo, Ferreira Gullar, José Louzeiro e Josué Montello, e o Ceará nos presenteou com José de Alencar e Patativa do Assaré e a Bahia em seus encantos nos deu como herança Jorge Amado, vocês pensam que podem tudo?
Isso sem falar no humor brasileiro, de quem sugamos de vocês os talentos do genial Chico Anysio, do eterno trapalhão Renato Aragão, de Tom Cavalcante e até mesmo do palhaço Tiririca, que foi eleito o deputado federal mais votado pelos… pasmem… PAULISTAS!!!
E já que está na moda o cinema brasileiro, ainda poderia falar de atores como os cearenses José Wilker, Luiza Tomé, Milton Moraes e Emiliano Queiróz, o inesquecível Dirceu Borboleta, ou ainda do paraibano José Dumont ou de Marco Nanini, pernambucano.
Ah! E ainda os baianos Lázaro Ramos e Wagner Moura, que será eternizado pelo “carioca” Capitão Nascimento, de Tropa de Elite, 1 e 2. Música? Não, vocês nordestinos não poderiam ter coisa boa a nos oferecer, povo analfabeto e sem cultura…
Ou pensam que teremos que aceitar vocês por causa da aterradora simplicidade e majestade de Luiz Gonzaga, o rei do baião? Ou das lindas canções de Nando Cordel e dos seus conterrâneos pernambucanos Alceu Valença, Dominguinhos, Geraldo Azevedo e Lenine? Isso sem falar nos paraibanos Zé e Elba Ramalho e do cearense Fagner…
E Não poderia deixar de lembrar também da genial família Caymmi e suas melofias doces e baianas a embalar dias e noites repletas de poesia… Ah! Nordestinos…
Além de tudo isso, vocês ainda resistiram à escravatura? E foi daí que nasceu o mais famoso quilombo, símbolo da resistência dos negros á força opressora do branco que sabe o que é melhor para o nosso país? Por que vocês foram nos dar Zumbi dos Palmares? Só para marcar mais um ponto na sofrida e linda história do seu povo?
Um conselho, pobres nordestinos. Vocês deveriam aprender conosco, povo civilizado do sul e sudeste do Brasil. Nós, sim, temos coisas boas a lhes ensinar.
Por que não aprendem conosco os batidõe s do funk carioca? Deveriam aprender e ver as suas meninas dançarem até o chão, sendo carinhosamente chamadas de “cachorras”. Além disso, deveriam aprender também muito da poesia estética e musical de Tati Quebra-Barraco, Latino e Kelly Key. Sim, porque melhor que a asa branca bater asas e voar, é ter festa no apê e rolar bundalelê!
Por que não aprendem do pagode gostoso de Netinho de Paula? E ainda poderiam levar suas meninas para “um dia de princesa” (se não apanharem no caminho)! Ou então o rock melódico e poético de Supla! Vocês adorariam!!! Mas se não quiserem, podemos pedir ao pessoal aqui do lado, do Mato Grosso do Sul, que lhes exporte o sertanejo universitário… coisa da melhor qualidade!
Ah! E sem falar numa coisa que vocês tem que aprender conosco, povo civilizado, branco e intelectualizado: explorar bem o trabalho infantil! Vocês não sabem, mas na verdade não está em jogo se é ou não trabalho infantil (isso pouco vale pra justiça), o que importa mesmo é o QUANTO esse trabalho infantil vai render. Ou vocês não perceberam ainda que suas crianças não podem trabalhar nas plantações, nas roças, etc. porque isso as afasta da escola e é um trabalho horroroso e sujo, mas na verdade, é porque ganha pouco. Bom mesmo é a menina deixar de estudar pra ser modelo e sustentar os pais, ou ser atriz mirim ou cantora e ter a sua vida totalmente modificada, mesmo que não tenha estrutura psicológica pra isso… mas o que importa mesmo é que vão encher o bolso e nunca precisarão de Bolsa-família, daí, é fácil criticar quem precisa!
Minha mensagem então é essa: – Calem a boca, nordestinos! Calem a boca, porque vocês não precisam se rebaixar e tentar responder a tantos absurdos de gente que não entende o que é, mesmo sendo abandonado por tantos anos pelo próprio país, vocês tirarem tanta beleza e poesia das mãos calejadas e das peles ressecadas de sol a sol.
Calem a boca, e deixem quem não tem nada pra dizer jogar suas palavras ao vento. Não deixem que isso os tire de sua posição majestosa na construção desse povo maravilhoso, de tantas cores, sotaques, religiões e gentes. Calem a boca, porque a história desse país responderá por si mesma a importância e a contribuição que vocês nos legaram, seja na literatura, na música, nas artes cênicas ou em quaisquer situações em que a força do seu povo falou mais alto e fez valer a máxima do escritor: “O sertanejo é, antes de tudo, um forte!”
Que o Deus de todos os povos, raças, tribos e nações, os abençoe, queridos irmãos nordestinos!