quarta-feira, 8 de junho de 2011

O QUE ESPERAR DA GLEISI NA CASA CIVIL

Por Cláudio Fajardo

Pela coletiva não se pode saber o que realmente pensa a senadora Gleisi Hoffmann, hoje ministra da Casa Civil do governo federal.

Gleisi parecia estar um pouco nervosa na primeira coletiva que deu à imprensa, talvez por começar a dimensionar o tamanho da responsabilidade que está assumindo. Colocou-se com humildade na função, deixando claro que quem deve mandar é a presidenta.

Essa postura é bem diferente daquela assumida por José Dirceu, que no auge de seu poder deixou sua arrogância se referir ao governo como “meu governo” (tendo que corrigir o ato falho: no governo Lula).

Dilma, enquanto chefe da Casa Civil, era subordinada politicamente a Lula, mas parecia dar as cartas nas questões programáticas e técnicas para as políticas públicas de âmbito interno para o País.

Palocci não se expunha muito, mas parecia querer mandar mais que a presidenta. O problema político mais significativo, no entanto, estava em que os membros do governo Dilma oriundos do PT formavam um núcleo extremamente conservador e neoliberal.

Refiro-me a Paulo Bernardo, ministro das comunicações; Alexandre Tombini, presidente do Banco Central; Antonio de Aguiar Patriota, ministro das relações exteriores; Guido Mantega, ministro da fazenda; dentre outros ministros que são ministros por indicação da base aliada.

Isso tudo dá uma acentuada tendência neoliberal ao governo. Senão vejamos: Paulo Bernardo, fez que fez e conseguiu a demissão do presidente da Telebrás, Rogério Santanna. Rogério Santanna era o“padrinho” da banda larga pública. Paulo Bernarndo atrasava de todo modo possível a implementação do projeto. Fez que fez até conseguir a demissão de Rogério e colocar em seu lugar Caio Bonilha.

Caio Bonilha, segundo suas próprias palavras, assumiu a presidência da Telebrás com uma missão do ministro Paulo Bernardo (Comunicações): transformá-la em um balcão de aluguel de infraestrutura para massificar a internet. Ou seja, para fazer a vontade dos interesses privados.

Quanto a Tombini, nada parece ter mudado no Banco Central. Adicionaram na verborragia as tais das “medidas macro prudenciais” ao invés do unissíssimo viés da visão anti-inflacionária. A taxa de juros continua, no entanto, a maior do mundo e o câmbio extremamente defasado. Atitudes claramente ajustada aos ditames do fundamentalismo neoliberal.

Guido Mantega segue pela mesma linha: corte orçamentário, queda nos investimentos...

O ministro das relações exteriores corrigiu o rumo da política externa, que era inovadora e independente, para uma política de alinhamento ao império norte-americano. Notem que esses ministros são todos da cota petista. Pode-se afirmar sem medo de errar que esse núcleo é um entulho neoliberal no governo.

A consequência de manter essa patota na direção do governo federal é levar esse mesmo governo para a linha da traição aos princípios enunciados durante a campanha eleitoral. Na campanha Serra era o neoliberal e Dilma a sucessora e herdeira de Lula. O que acontece então?

A contradição entre as políticas neoliberais e uma política de afirmação nacional, de completar a independência do Brasil, está dentro do próprio governo, mesmo tendo o povo escolhido o caminho da independência. A seguir com essa política, de frear o desenvolvimento, de privatizar atividades do estado, de desindustrializar o Pais etc. etc. etc. não vejo como ter essa frente política senão o mesmo destino de Portugal, Grécia e Espanha.

Naqueles países os socialistas adotaram políticas neoliberais e, por causa disso, perderam o apoio de parte significativa da população. A direita continuou com o mesmo eleitorado de sempre.

Resultado: a direita varreu os socialistas dos governos. É essa contradição que Gleisi irá enfrentar na Casa Civil.

Deus que a proteja.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Afilhado político de ex-governador do PR assume vaga de Gleisi Hoffmann

Gleisi deixa Senado para assumir Casa Civil. Sérgio Souza assume a vaga. Ele começou carreira política como assessor de Orlando Pessuti.

A vaga no Senado deixada por Gleisi Hoffamnn será ocupada por Sérgio Souza, afilhado político do ex-governador do Paraná, Orlando Pessuti. A senadora aceitou, nesta terça-feira (7), assumir o cargo de ministra chefe da Casa Civil no lugar de Antônio Palocci.

Palocci pediu demissão quase um mês após a publicação de uma reportagem pelo jornal “Folha de S.Paulo” segundo a qual ele teve o patrimônio aumentado em 20 vezes.

“Isso tudo é muito novo, não esperava assumir tão rápido” afirmou Sérgio Souza. Segundo ele, Gleisi Hoffmann tinha uma boa proposta para o Senado que era visível pela postura política que ela assumiu na Casa.

Ele declarou também que pretende defender bandeiras paranaenses como agricultura, agronegócio e agroindústria.

Afiliado ao PMDB desde 1996, Sérgio Souza trabalhou durante 14 anos como assessor de Orlando Pessuti ainda quando o ex-governador era deputado estadual.

O nome de Sérgio para a primeira suplência da senadora Gleisi foi indicado por Pessuti, que foi um dos coordenadores da campanha de Osmar Dias ao governo do Paraná, em 2010.

Souza é natural de Arapuã, no Vale do Ivaí (PR), tem 40 anos, é casado e pai de um filho. Ele é formado em Direito pela Universidade Tuiuti do Paraná e especialista em Direito Eleitoral.

Receita libera consulta ao 1º lote do IR; 1,5 milhão recebem

folhaonline

A Receita Federal libera na quarta-feira (8) consulta ao primeiro lote multiexercício de restituições do Imposto de Renda da Pessoa Física, a partir das 9h. O pagamento será feito para 1,55 milhão contribuintes com imposto a receber, totalizando R$ 2 bilhões.

Contribuinte deve fugir de empréstimo para quitar IR
Receita reabrirá prazo para regularização de dívidas do Refis

Serão creditadas, simultaneamente, no dia 15 de junho as restituições referentes ao exercício de 2011 (ano calendário de 2010), residual de 2010 (ano calendário 2009), residual de 2009 (ano calendário 2008) e residual de 2008 (ano calendário de 2007).

LOTES
Para o exercício de 2011, haverá o pagamento para um total de 1,5 milhão contribuintes com imposto a restituir, totalizando R$ 1,9 bilhão, já acrescidos da taxa Selic de 1,99% (maio a junho). Deste montante, cerca de 1,3 milhão foram priorizados conforme o Estatuto do Idoso, totalizando R$ 1,6 bilhão.

Com relação ao lote residual do exercício de 2010, serão creditadas restituições para um total de 26.344 contribuintes com imposto a restituir, totalizando R$ 65,127 milhões já atualizados pela taxa Selic de 12,14% (maio de 2010 a junho de 2011).

Já no lote residual do exercício de 2009 serão creditadas restituições para um total de 10.227 contribuintes, totalizando R$ 20,086 milhões já atualizados pela taxa Selic de 20,60% (período de maio de 2009 a junho de 2011).

Por último, o lote residual de 2008 terá restituições para 5.120 contribuintes, totalizando de R$ 13,933 milhões corrigidos pela taxa Selic de 32,67% (período de maio de 2008 a junho de 2011).

Para saber se teve a declaração liberada, o contribuinte deverá acessar a página da Receita na internet, ou ligar para o Receitafone 146.

PENDÊNCIAS
O contribuinte pode acompanhar o processamento de sua declaração, verificar pendências e corrigir dados incorretos, diretamente no site.

A restituição ficará disponível no banco durante um ano. Se o contribuinte não fizer o resgate nesse prazo, deverá requerê-la por meio da internet, mediante preenchimento do Formulário Eletrônico - Pedido de Pagamento de Restituição, ou diretamente no e-CAC, no serviço Declaração IRPF.

A Receita Federal informa, também, que, caso o valor não seja creditado, o contribuinte poderá contatar pessoalmente qualquer agência do BB ou ligar para a Central de Atendimento por meio do telefone 4004-0001 (capitais), 0800-729-0001 (demais localidades) e 0800-729-0088 (deficientes auditivos), para agendar o crédito em conta-corrente ou poupança, em seu nome, em qualquer banco.

Os demais lotes serão liberados nas seguintes datas:

2º - 15 de julho
3º - 15 de agosto
4º - 15 de setembro
5º - 17 de outubro
6º - 16 de novembro
7º - 15 de dezembro

Acontecimentos na Espanha

Escrito por Miguel Urbano Rodrigues

Os acontecimentos da Espanha, pelo seu significado, estão a polarizar a atenção da Europa e de milhões de pessoas noutros continentes. Em Washington, Berlim, Paris e Londres, o acampamento da Puerta del Sol, inicialmente encarado como iniciativa folclórica de jovens pequeno-burgueses frustrados, gera agora preocupação.

Quando o chamado Movimento M-15 se alastrou a dezenas de cidades do país e pelas capitais européias, centenas de pessoas se manifestaram frente às embaixadas espanholas e a indiferença evoluiu para um sentimento de temor. Por quê?

O protesto espanhol insere-se na crise global de civilização que a humanidade enfrenta, cujas raízes arrancam da crise estrutural de um sistema de opressão: o capitalismo. Seria um erro concluir que os jovens que criaram o Movimento “Democracia Real Ya” são revolucionários e o seu objetivo é a destruição do regime. O M-15 atraiu gente muito diferente. Alguns nem sequer rejeitam a obsoleta e corrupta monarquia bourbonica. Mas rapidamente a contestação popular excedeu as previsões.

O Movimento, após a repressão do primeiro dia, foi olhado quase com benevolência pelo PP e pelo PSOE, os dois grandes partidos da burguesia. Mas, ao assumir proporções torrenciais, o protesto adquiriu os contornos de uma condenação do regime, na qual as massas emergiam como sujeito histórico.

Na Puerta del Sol começaram a ouvir-se brados inesperados: “No al FMI”; “No a la farsa electoral”; “PSOE y PP, la misma gente!”; “No a las guerras de los EEUU!”. Soou até a palavra “Revolução”! Daí o medo.

Os jovens de Madrid sabem o que não querem, mas a grande maioria não tem uma idéia minimamente clara sobre o que fazer e como atuar. As reivindicações aprovadas a 20 de Maio, na Assembléia do acampamento, são moderadas, algumas ingênuas. Espontaneísta, o M-15 não acampa no centro de Madrid em função de uma estratégia de Poder.

Quando aquilo principiou o que unia a multidão heterogênea de jovens pouco mais era que a recusa da caricatura de democracia. Terá sido uma surpresa para o pequeno núcleo inicial a adesão maciça de adultos, de desempregados, de reformados. Foi ainda numa atmosfera de confusão que surgiram as primeiras lideranças embrionárias, os porta-vozes do acampamento.

Jovens entrevistados pela mídia internacional manifestaram espanto ao tomar conhecimento da repercussão internacional da iniciativa e das concentrações de solidariedade em cidades espanholas e européias.

Da Tunísia a Madri
O protesto dos “indignados” da Espanha foi obviamente inspirado pelo modelo da Tunísia e do Egito. Na época da comunicação instantânea, as redes sociais permitiram que em tempo rapidíssimo os apelos à concentração popular na Puerta del Sol fossem atendidos por milhares de jovens. A praça madrilena foi a Tahrir egípcia. Tal como ocorrera no Norte da África, a exigência de “democracia” funcionou como motor da mobilização popular.

Mas enquanto nas rebeliões contra Ben Ali e Hosni Mubarak as massas reivindicavam liberdades, eleições livres, um parlamento tradicional, destruição de aparelhos repressivos, o fim de ditaduras ferozes e a sua substituição por regimes representativos similares aos da União Européia, na Espanha a “democracia real ya” reclamada pelos “indignados” partia dialeticamente da recusa do figurino pelo qual se batiam os africanos.

O que para os árabes era ambição e sonho aparece hoje a muitos dos acampados da Puerta del Sol como caricatura da democracia, rosto de um regime cuja prática nega os valores e princípios que invoca, que concentra a riqueza numa ínfima minoria e promove o desemprego, amplia a desigualdade social.

Enquanto as burguesias tunisiana e egípcia se solidarizavam com os rebeldes que se manifestavam contra Ali e Mubarak e o imperialismo rompia com os seus aliados da véspera, a burguesia espanhola, os partidos tradicionais e os poderosos da União Européia condenavam os “indignados” peninsulares, identificando neles arruaceiros de um novo tipo.

Merece reflexão a dualidade antagônica da posição assumida pelo imperialismo americano. Na Casa Branca, o presidente Obama compreendeu que as reivindicações dos rebeldes da Tunísia e do Egito não colidiam com a sua estratégia para a região, e agindo com rapidez e eficácia estimulou e aplaudiu nesses países a instalação de governos de transição ditos democráticos, sob a tutela de personalidades militares e civis que, com poucas exceções, tinham servido às ditaduras eliminadas. Na Líbia, bombardeia Trípoli; no Golfo, pede à Arábia Saudita que afogue em sangue rebeliões incômodas como a do Bahrein, que sedia bases militares e porta-aviões estadunidenses.

O imperialismo encara, naturalmente, com desconfiança e apreensão o alastramento do protesto inorgânico dos jovens “indignados”. Obama e o Pentágono interrogam-se sobre as conseqüências imprevisíveis de um movimento que condena com dureza o envolvimento da Espanha nas guerras asiáticas dos EUA.

Adesões internacionais
A direita arrasou o PSOE nas eleições municipais de domingo. Os acampados da Puerta del Sol reagiram com indiferença aparente aos resultados. “Eles não nos representam”, declararam porta-vozes do M-15, sublinhando que na engrenagem do poder o PSOE e o PP, embora com discursos, histórias, percursos e bases sociais diferentes, praticam no governo políticas neoliberais muito semelhantes, e políticas externas caracterizadas pela submissão às exigências dos EUA e de Bruxelas.

Significativamente, o espaço e o tempo que a mídia espanhola dedicou durante a última semana aos “indignados” diminuíram drasticamente. O tema quase desapareceu das primeiras páginas dos grandes jornais e do programa dos canais de televisão. A vitória do PP e o avanço das Autonomias monopolizaram a atenção de políticos, analistas e jornalistas do sistema.

Oposta é a atitude assumida pela maioria dos intelectuais progressistas. Na Espanha e também na América Latina, personalidades de prestígio, em artigos e entrevistas publicados em revistas Web de informação alternativa, como Resumen Latino American, Rebelión e outras, expressam a sua solidariedade com os jovens do M-15 e refletem sobre o significado e as conseqüências da contestação.

Cito alguns exemplos expressivos. O filósofo e escritor marxista Santiago Alba Rico, num artigo intitulado “La Qasba en Madrid”, sublinhou que a Espanha “não é uma democracia”. E acrescenta, realista: “Não haverá uma revolução na Espanha. Mas uma surpresa, um milagre, uma tormenta, uma consciência nas trevas, um gesto de dignidade na apatia, um ato de coragem na anuência, uma afirmação anti-publicitária de juventude, um grito coletivo de democracia na Europa, não é já um pouco uma revolução?”

Carlos Taibo, professor da Universidade Autônoma de Madrid, esteve na Puerta del Sol levando solidariedade e dirigindo-se aos acampados disse, ao saudá-los: “Os que aqui estamos somos, obviamente, pessoas muito diferentes. Temos na cabeça projetos e ideais diferentes. Mas conseguimos, apesar disso, chegar a acordo quanto a um punhado de idéias básicas”. E, parafraseando Santiago Alba Rico, afirmou: “Aquilo a que na Espanha chamam democracia, não o é!”.

O escritor italiano Carlo Frabetti escreveu: “Desde o protesto dos Goya de 2003 que não se conseguira um aproveitamento tão eficaz de contestação interna do sistema e a sua expressão cultural do espetáculo”.

Atilio Borón, um sociólogo marxista argentino de prestígio internacional, dedica aos jovens acampados um artigo entusiástico intitulado “Os indignados e a Comuna de Paris”. Lembra que aquilo que a democracia de Moncloa propõe para enfrentar a crise “é o despotismo do mercado, irreconciliável com qualquer projeto democrático”. E, cedendo a um impulso romântico, conclui o artigo com estas palavras: “Se persistirem (os indignados) na sua luta poderão derrotar a prepotência do capital e, eventualmente, iniciar uma nova etapa na história não só da Espanha, mas da Europa”.

Angeles Maestro, a destacada dirigente da “Corriente Roja”, da Espanha, mais realista, salienta que os acampamentos em dezenas de cidades espanholas “têm um conteúdo anticapitalista” e neles ondula “uma multidão de bandeiras republicanas”. Enfatiza o descrédito da montagem eleitoral e afirma que “as mobilizações maciças que se iniciaram em numerosas cidades do Estado espanhol a 15 de Maio e que tiveram continuidade em acampamentos, assembléias e convocatórias para novas manifestações expressam o alto nível de indignação e raiva de uma juventude que não tem qualquer esperança de chegar a ter os direitos básicos que a Constituição pomposamente proclama: direito ao trabalho, à habitação, à educação e saúde pública de qualidade, a uma pensão digna etc.”.

Quanto ao futuro do Movimento, adverte como revolucionária experiente: “Nos processos sociais não há atalhos. Se é um fato que a fagulha da espontaneidade está sempre presente e serve para desencadear as mobilizações, somente o avanço da organização é a medida da acumulação de forças, e sem acumulação de forças as lutas são levadas ao vento”.


Amanhã incerto
Esperanza Aguirre, a reeleita prefeita de Madrid, não esconde a sua hostilidade aos acampados. Se dela dependesse, declarou, ordenaria à polícia que expulsasse da Puerta del Sol os acampados. A repressão inicial foi esclarecedora da sua posição. Mas carece de poderes para recorrer à força.

Qual o desfecho do protesto dos “indignados”? Por ora, é imprevisível. Vai persistir, transformando-se em desafio ao Poder? Uma Assembléia, improvisada e tumultuosa como as anteriores, decidiu manter o acampamento. Durante a semana os ativistas irão aos bairros. Depois se verá.

Em Barcelona e noutras cidades, as concentrações de protesto também não se dissolveram, mas os próprios organizadores admitem que o número de participantes diminua nos próximos dias.

Repito: os jovens “indignados” sentem dificuldade em definir um rumo para a luta que iniciaram. A maioria talvez não tenha consciência da complexidade do desafio lançado ao Poder.

Volto a citar Angeles Maestro: “O processo de confluência múltipla em torno de um programa comum somente poderá abrir caminho se criar raízes nas lutas operárias e populares. Por outras palavras, se a construção da referência política beber a seiva na luta de classes e demonstrar a sua utilidade para abordar um longo processo de acumulação de forças”.

A consciência demonstrada pelos “indignados” de Madrid de que a “democracia representativa” é uma ficção no Estado espanhol deve, porém, ser saudada como acontecimento importante no âmbito das lutas de massa européias e não ignorada, subestimada ou mesmo criticada em atitudes irresponsáveis por alguns dirigentes de partidos de esquerda da União Européia.

Não compartilho a euforia prematura de Atilio Boron, mas julgo oportuno reafirmar que a Espanha não é exceção na Europa. Não há democracia autêntica sem participação decisiva do povo. Na União Européia. um sistema midiático perverso e desinformador esconde a realidade. Os regimes existentes nos 27 países diferenciam-se muito. Mas existe um denominador comum: a ausência de uma democracia autêntica. Neste início do século XXI, no contexto de uma gravíssima crise mundial de civilização, o capitalismo, em fase senil, cola o rótulo da democracia representativa a ditaduras da burguesia de fachada democrática.

Miguel Urbano Rodrigues é jornalista e escritor português.
Educação Política

Jean Wyllys, ex-bigbrother, é uma nova esperança dentro da política brasileira. Wyllys parece saber diferenciar PT de PSDB e se inserir de forma discursiva em um campo progressista em busca de igualdade, justiça e liberdades.

O novo deputado tem uma fala ponderada não muito comum no Psol (Partido Socialismo e Liberdade), criado por uma dissidência do PT, durante o primeiro mandato do presidente Lula.
O Psol surge com a necessidade de não se esquecer os princípios petistas de justiça e igualdade, diante a transformação do PT no grande partido socialdemocrata do Brasil e de sua negociação com parte da direita.

O problema do Psol talvez tenha sido confundir questões pessoais, a ira de alguns dos líderes provocada pela saída do PT, com as questões muito maiores e mais importantes para o país. Essa confusão faz o partido afirmar em campanhas e em rede nacional que PT é igual a PSDB, o que não é verdade e nem seus próprios integrantes acreditam nisso. Esse é um discurso que só interessa ao DEM e ao PSDB, que se beneficiam com a dificuldade das pessoas de compreender as diferenças políticas entre os partidos. O PT cresceu porque foi uma escola política para o Brasil, as pessoas entendiam a política a partir da crítica petista, que reunia intelectuais e trabalhadores.

O Psol pode se tornar o grande partido da oposição no Brasil, visto que o Partido dos Trabalhadores (PT) deverá dominar o cenário político socialdemocrata e encontrar barreiras de avanços em suas alianças. Além disso, há a dificuldade da grande mídia de ressuscitar um PSDB vazio e incapaz de ter uma utopia. O espaço para a oposição está aberto.

Esse vácuo da oposição poderia ser ocupado pelo Psol se conseguisse mostrar as dificuldades do PT em avanços de justiça social e democracia, diferenciando-o das políticas neoliberais e excludentes do PSDB. Educação de qualidade, saúde universal e gratuita de qualidade, reforma agrária, combate aos oligopólios etc são temas abandonados pela oposição. O Psol tem a chance de crescer com essa nova geração, representada por Jean Wyllys, e poderá dar um rumo mais nítido, capaz de fazer a população entender as forças políticas que estão em jogo no Brasil. Além de, é claro, superar o rancor das questões pessoais.

MP leva nome de Barbosa ao Tribunal de Justiça

Promotoria entendeu que prefeito de Londrina teria recebido dinheiro de um dos institutos investigados pela Operação Antissepsia; 15 foram indiciados

O Ministério Público de Londrina encaminhou o inquérito sobre a Operação Antissepsia ao Tribunal de Justiça do Paraná. Nele, a promotoria pede investigação sobre o envolvimento do prefeito Barbosa Neto (PDT) no esquema de corrupção.

A Operação Antissepsia desbaratou dois grupos criminosos que desviavam dinheiro da área da saúde pública de Londrina. Foram comprovados pagamentos de propinas feitos pelos institutos Gálatas e Atlântico. "Percebemos que haviam dois núcleos, embora tivessem o mesmo modo de agir, mas que não se comunicavam diretamente na execução das atividades delituosas. Quanto a um desses núcleos foi percebida eventual participação de pessoas que detem foro por prerrogativa de função, que é o prefeito", explicou o promotor Claudio Esteves.

A vitória de Ollanta

Emir Sader
Filósofo, cientista político e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), onde coordena o Laboratório de Políticas Públicas
Adital

"Quando se estrepou o Peru?”, pergunta um personagem ao amigo, no notável novela de Vargas Llosa, Conversas na Catedral. Os dois dão por estabelecido que o Peru tinha se estrepado. Se tratava somente de saber quando. Embora escrito há mais de quatro décadas (1969), na fase melhor da obra do Nobel peruano, poderia incluir o que o país viveu até agora.

A vitória de Ollanta Humala para a presidência do Peru fecha um longo ciclo de governos neoliberais e abre novas perspectivas para o país, ao mesmo tempo em que fortalece o campo dos processos de integração regional e enfraquece a precipitada operação de construção de um eixo neoliberal, com o México, a Colômbia e o Chile, em contraposição aos governos posneoliberais.

O governo nacionalista de Velasco Alvarado (1968-1975) foi seguido de uma serie de governos que buscaram desarticular os avanços do governo de Velasco, tanto no plano da reforma agrária, quanto na construção de um projeto nacional no Peru. Foi derrubado por um golpe militar dado por um ministro seu, Morales Bermúdez, que governou até 1980.

Foi sucedido por Alan Garcia (1985-1990), do partido mais estruturado do Peru, o Apra, que tentou uma moratória da divida externa peruana, não recebeu sequer apoio de governos da região, não conseguiu controlar a inflação e caiu, sem apoio interno. Na sua sucessão se degladiaram Vargas Llosa, com um programa claramente neoliberal, e o desconhecido Alberto Fujimori, que se valeu da rejeição do estilo aristocrático do escritor, para triunfar.

No governo, Alberto Fujimori (1990-2000) assumiu um projeto de contrainsurgencia que, ao mesmo tempo em que combatia a guerrilha do Sendero Luminoso, destruía a espinha dorsal do forte movimento popular peruano, tanto no campo, quanto na cidade. Entre as ações do Sendero – que atacaram também as forças populares que não se submetiam à sua ação - e as ações do Exercito, o movimento popular peruano sofreu, sob um fogo cruzado, ações demolidoras, que o reduziu a uma expressão mínima. Fujimori deu um golpe, fechou o Congresso e interveio na Justiça (para o que recebeu, vergonhosamente para nós, o apoio de FHC), estendeu seu mandato, mas terminou caindo por processos de corrupção e violência, pelo que, depois de fugir para o Japão, foi condenado a 23 anos de prisão, cumprindo atualmente a pena.

Foi a partir dessa destruição da capacidade de defesa e resistência do movimento popular que se erigiu o projeto neoliberal no Peru, mediante os governos de Fujimori, Toledo (2001-2006) e Alan Garcia (2006-2011) cobrindo um período de mais de 20 anos, em que a economia peruana voltou a crescer, em base a uma extensa exploração extrativista exportadora das riquezas do pais, centrada no ingresso maciço de empresas estrangeiras. As condições não poderiam ser melhores para essas empresas, dado que a tributação geral no país gira em torno de 15% do PIB, sem recursos para que os governos fizessem políticas sociais.

Repetiu-se assim com Fujimori, Toledo e Alan Garcia, o mesmo padrão de governo: continuidade do alto crescimento do PIB, centrado na exportação de minerais – ouro, zinco, cobre, gás, basicamente -, sem políticas sociais, com governos que, eleitos, perdiam popularidade de forma estrepitosa, seja pela corrupção que os envolveu a todos, seja pela falta de políticas sociais redistributivas.

Na eleição anterior se enfrentaram o projeto nacionalista de Ollanta Humala e Alan Garcia. Valendo-se de forte campanha de medo, depois que Ollanta havia triunfado no primeiro turno, com o apoio explícito de Hugo Chávez, Garcia triunfou por pequena margem e voltou ao governo, desta vez para dar continuidade aos programas neoliberais de seus antecessores e sofrer o mesmo tipo de desgaste. No final do seu governo, já com menos de 10% de apoio, Toledo havia assinado um Tratado de Livre Comércio com os EUA. Apesar de não se comprometer explicitamente em mantê-lo durante a campanha, Garcia assumiu o TLC e consolidou a abertura neoliberal da economia peruana. Com a recessão norte-americana, no entanto, o Peru passou a ter na China o seu principal parceiro e no Brasil um sócio muito importante, ambos com crescentes investimentos no país.

A invasão de terras indígenas na região amazônica por empresas transnacionais para explorar suas riquezas minerais levou ao despertar de importantes movimentos indígenas, o que ocasionou, entre outros conflitos, um massacre chamado de Baguazo, em junho de 2009, que teve 34 mortos, pela resistência indígena a ocupação de terras para exploração mineral. O Congresso peruano aprovou nesse momento uma legislação que contemplava a consulta aos movimentos indígenas sobre os investimentos.

Essa legislação passou a se constituir em um obstáculo a investimentos já existentes e a outros programados, mas o governo nunca a regulamentou, promovendo situações de incerteza, tanto para os investimentos, como para os movimentos indígenas. Dias antes do segundo turno das eleições desta semana, um movimento parou a região de Cuzco, só aceitando suspendê-lo pela intervenção de Ollanta, mas com a perspectiva de retomá-lo em seguida, se não houver solução para suas reivindicações.

Movimentos deste tipo fizeram com que o país tivesse que reconhecer a região amazônica como região importante para o Peru e despertaram movimentos antes pouco conhecidos no país, promovendo os conflitos sociais mais importantes, que devem se prolongar no novo governo.

O desprestigio de Garcia fez com que seu partido praticamente desaparecesse – elegeu apenas 4 parlamentares -, deixando aberta a sucessão, para a qual se apresentaram vários candidatos neoliberais – entre eles Toledo, um ex-ministro de economia de Garcia, um ex-prefeito de Lima, a filha de Fujimori, diante do único candidato que criticava o modelo, Ollanta Humala. O Apra nem sequer conseguiu apresentar um candidato próprio, com Garcia apoiando ao candidato neoliberal que chegasse ao segundo turno.

Humala reciclou suas posições para um modelo de continuidade do desenvolvimento, mas com redistribuição de renda mediante elevação da taxação dos investimentos mineiros e políticas sociais, modelo próximo ao de Lula. Conseguiu, com base de apoio popular, especialmente no interior do país, chegar de novo em primeiro lugar no segundo turno, desta vez contra Keiko, a filha de Fujimori, que gozava também de apoio popular, baseado nas políticas assistencialistas do seu pai na luta contra o Sendero Luminoso. Em viagem oficial ao Peru, quando se encontrou com Garcia, Lula recebeu publicamente também a Ollanta, com quem trocou opiniões sobre experiências brasileiras na construção de alternativas ao neoliberalismo. Desde então Ollanta veio ao Brasil, tanto na eleição de Dilma, quanto na sua posse, consolidando laços com Lula, Dilma e o PT, o que se traduziu, inclusive, em apoio político à campanha de Ollanta. (enquanto os tucanos, envergonhados, torciam por Keiko, filha do amigo de FHC.)

O segundo turno foi muito acirrado, tanto na disputa de votos, quanto nas acusações. O apoio da velha mídia peruana, fortemente alinhada com Keiko e as campanhas, conhecidas por nós, de calunias e terror contra Ollanta – a ponto de chegar a revoltar a Vargas Llosa, que rompeu com o jornal tradicional, El Comercio, no qual historicamente publicava suas colunas -, incluindo falsas declarações e telefonemas de Ollanta e, horas antes da abertura da votação, uma suspeita ação, atribuída ao Sendero Luminoso.

Na fase final da campanha, os movimentos de rua e pela internet de rejeição a Keiko, pelos riscos de retorno da camarilha do governo do seu pai – governo de que ela participou como primeira dama -, contribuíram para a vitória apertada de Ollanta. Isso, apesar do apoio maciço da classe média e da oligarquia peruanas em Lima e em regiões do norte do país, além do apoio do governo de Garcia e dos 2 candidatos neoliberais derrotados – Toledo, que havia se elegido no bojo das mobilizações populares que derrubaram a Fujimori, ficou em quarto lugar e apoiou Ollanta.

Ollanta soube, no segundo turno, estabelecer as alianças para conseguir triunfar, renunciando a algumas propostas do seu programa inicial, como nacionalizações de empresas e convocação de Assembleia Constituinte.

Seu triunfo fecha o ciclo de 20 anos de governos neoliberais no Peru, e o mesmo se dá no marco de compromissos já estabelecidos, como o TLC com os EUA. Mas mesmo nesse marco, haverá uma clara aproximação com o Mercosul e, em particular com o Brasil, seja por afinidades políticas, seja pelos interesses econômicos mútuos entre os dois países e distanciamento do pólo neoliberal em que o México, a Colômbia e o Chile pretendiam construir, como alternativo aos processos de integração regional que envolvem a grande maioria dos países da região.

Abre-se para o Peru o caminho de colocar em prática políticas sociais redistributivas – apelo forte da campanha de Humala e, de alguma forma, também de Keiko – e nova inserção internacional do país, que passa a se somar aos governos posneoliberais da região. Não se pode definir precisamente quando o Peru se havia estrepado, mas certamente seguiu por esse caminho nas duas últimas décadas e 2011 marca o momento em que o país, sob a liderança de Ollanta e com forte respaldo popular, começa a ser resgatado para um projeto de ampla democratização econômica, social, política e cultural.

Brasil credor do FMI é idéia falsa, apregoada pelo governo e difundida pela mídia

Escrito por Paulo Passarinho

A vaga deixada em aberto pela renúncia de Dominique Strauss-Khan do cargo de diretor-gerente do FMI abriu uma aparente disputa entre diferentes pretendentes ao cargo. Nesta semana, estiveram aqui no Brasil dois postulantes: a ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, e o mexicano, presidente do Banco Central do seu país, Agustin Carstens.

Essas movimentações reforçam dois aspectos que devem ser mais bem entendidos, fora do contexto da manipulação política e midiática, que em muito dificulta uma real compreensão do que, de fato, hoje se passa no cenário das relações de disputa entre diferentes Estados nacionais.

Quais são esses dois aspectos aos quais me refiro, que estariam embaralhados e dificultando uma avaliação daquilo que realmente se encontra em disputa?

Primeiramente, a real situação do FMI, após a saída de DSK e a necessidade de se encontrar um substituto para seu ex-cargo. Na verdade, se há alguma disputa - o nome não seria adequado -, ela vai se restringir às tratativas da França e da Alemanha com os Estados Unidos, na definição do novo nome para o comando do Fundo.

A China é o único país que poderá aproveitar o momento e aumentar o seu poder político em postos de comando da instituição. Sempre de acordo com o seu "perfil baixo" de movimentações na diplomacia internacional, o governo de Pequim já manifestou o seu interesse em, no máximo, estar disposto a indicar um nome para assumir o segundo cargo na hierarquia do FMI, que é o de economista-chefe do órgão. Claramente, não reivindica nada mais, e sabe, também, que uma eventual vitória neste seu objetivo dependeria de negociações com os europeus e, particularmente, com os EUA.

A razão desses fatos se relaciona com a estrutura de poder do Fundo. As decisões da instituição se baseiam no poder de voto dos países. E esse poder de voto se relaciona à participação de cada país, em termos de cotas, no capital total do Fundo. O número de votos pertinentes aos americanos e europeus, somados a aliados estratégicos como o Japão e a Arábia Saudita, lhes garantem o comando da instituição, na medida em que eles detêm, juntos, mais da metade do total de votos. Qualquer novidade, diríamos assim, em termos de mudanças na estrutura de comando do FMI somente seria possível, hoje, a partir de negociações e da vontade dos países-acionistas principais.

A segunda questão, objeto de muita manipulação e engano, relaciona-se ao que se denomina de "poder dos países emergentes". Trata-se de uma abstração que precisa ser desmistificada, definida melhor.

Em outubro do ano passado, o FMI aprovou uma mudança na estrutura de cotas dos países-membros. A idéia foi reforçar o caixa do Fundo, com um aumento no aporte de capital dos países em desenvolvimento. A emergência da crise global financeira fez com que o FMI voltasse a aparecer como uma tábua de salvação de bancos credores de países que entravam em crise, especialmente na Europa Oriental e em países como a Grécia, a Irlanda e Portugal.

A crise global, nesse sentido, foi funcional para o FMI, na medida em que os fracassos acumulados pela instituição nos anos 1990, especialmente aqui na América Latina, haviam colocado o órgão em uma espécie de limbo. Contudo, estando os países mais ricos – tendo os EUA à frente – com sérios problemas para enfrentar, dentro de suas próprias economias domésticas, os tais países emergentes foram convocados a aumentar as suas respectivas cotas no FMI, buscando aumentar o poder de empréstimo da instituição.

Porém, a situação dos ditos países emergentes é muito diferenciada, em termos de poder de fogo e nas suas objetivas condições macroeconômicas. A China, por exemplo, ao aumentar a sua cota de participação no FMI, aplicando pequena parte de suas gigantescas reservas na instituição, tem hoje apenas mais um trunfo para futuras negociações no contexto da própria instituição. Para os chineses, sob o ponto de vista financeiro, é um jogo praticamente de soma zero, pois tanto a sua taxa média de captação quanto os rendimentos que os empréstimos do Fundo lhe rendem são muito baixos.

O Brasil, por sua vez, acumulando reservas internacionais com base nas taxas de juros mais elevadas do mundo, onde o Tesouro Nacional paga hoje 13% de juros ao ano, mesmo se descontarmos o que retorna ao seu caixa na forma de tributos, ao aplicar parte de seus recursos no FMI apenas faz um péssimo negócio.

Entretanto, o governo brasileiro – tanto o de Dilma quanto, principalmente, o de Lula – procura manipular simbolicamente, a seu favor, esse tipo de operação e, com o apoio da mídia dominante – nacional e internacional –, tenta projetar uma falsa imagem de liderança e poder global do Brasil.

Em torno da questão do FMI e do pagamento da dívida do país com esse órgão, durante o governo de Lula, exemplos de manipulação foram abundantes. Aproveitou-se o desconhecimento e aridez do tema e muitas versões do episódio procuraram difundir a idéia – absolutamente falsa – de que "o Brasil pagou a dívida externa". Há muita gente que jura que o Lula conseguiu essa proeza. Ao contrário, podemos afirmar que nunca, na história desse país, o Brasil teve uma dívida externa tão elevada. De fato, a dívida externa total do Brasil – dívida externa pública (da União, de estados e municípios), dívida externa de empresas e dívida entre as filiais de empresas sediadas no país com as suas matrizes, no exterior – ultrapassa hoje o montante de US$ 300 bilhões.

Mesmo em relação ao FMI, o governo Lula fez um péssimo negócio. Na prática, pagamos uma dívida financeira relativamente barata (juros de 5% a 7% ao ano) para continuar nos endividando a taxas de 13%. Além disso, o grande problema do FMI é o seu receituário de política econômica, que, aqui no Brasil, continuou dando as cartas: câmbio flutuante, superávit primário e metas de inflação para justificar altíssimas taxas de juros, para a alegria de especuladores daqui e do mundo afora.

Por fim, em meio a toda essa badalação sobre o sucesso brasileiro atual, de fato presente na mídia dominante (que, quando lhes interessa, os lulistas acusam de golpista), eu apenas lembro que, nos anos 1990, o México, a Argentina ou mais recentemente a Espanha sempre foram cobertos de elogios pela boa condução de suas economias.

Todos esses aparentes sucessos foram, um a um, sendo desmascarados. Contrariamente, países que nunca receberam a simpatia da comunidade financeira internacional, como são os casos da China e da Índia, despontam nesse século XXI como verdadeiras potências emergentes. A grande diferença é que esses dois países apostaram, com clareza estratégica, na construção de projetos nacionais soberanos, sem maiores concessões às pressões internacionais.

Para o Brasil de hoje, a verdade - e a tristeza - é que nós nunca estivemos tão distantes de um projeto nacional soberano.

Paulo Passarinho é economista e membro do Conselho Regional de Economia do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

AVANÇA REVOLUÇAO DEMOCRATICA BOLIVARIANA NA AMERICA LATINA!

Lima, 6 jun (Prensa Latina) A lentidão na publicação das cifras oficiais faz demorar a confirmação da vitória do nacionalista Ollanta Humala no segundo turno eleitoral peruano, antecipada por pesquisas e reconhecido pela imprensa e dos empresários. O Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe), a cargo da eleição de ontem, lançou ontem à noite um relatório de 78 por cento das atas de votação com um resultado ligeiramente favorável a Humala, com 50,087 por cento, frente a 49,913 por cento de sua rival, Keiko Fujimori.

A chefe do Onpe, Magdalena Chu, esclareceu que as cifras correspondem principalmente a Lima e capitais regionais, isto é, que não inclui as populações menores e as áreas rurais, onde Humala tem grande arraigo, por isso não se trata de cifras representativas.

Uma contagem rápida da organização Transparência indicou previamente uma vantagem consolidada e irreversível de 51,5-48,5 a favor de Ollanta Humala.

Ante a cifra parcial do Onpe, Daniel Abugattás, parlamentar eleito de Gana Peru, explicou frente uma concentração de seguidores de Humala que as primeiras cifras do Onpe não significam uma fraude, mas a recontagem não representativa de atas urbanas.

Pediu que se espere com tranquilidade o encerramento da apuração do organismo eleitoral e que não se caia em impaciências nem provocações, porque a vitória de Humala é segura e não há modo de que seja falseada.

O candidato nacionalista foi felicitado por sua vitória ontem à noite pelo ex-presidente Alejandro Toledo, seu aliado, e sua qualidade de virtual mandatário eleito foi reconhecida por quase todos os comentaristas de televisão.

Inclusive a empresarial Câmara de Comércio de Lima felicitou Humala por ter recebido o respaldo popular maioritário para ser presidente entre 2011 e 2016, e assinalou que os resultados devem ser respeitados por todos.

A câmara expressou sua disposição a contribuir para fixar as bases do desenvolvimento nacional a fim de gerar emprego, erradicar a pobreza e incentivar o desenvolvimento do capital humano do país.

Rebeldes líbios fazem acordo de traição nacional com Israel

A cada dia que passa cai a máscara do imperialismo norte-americano e seus cúmplices sionistas durante esta guerra de agressão à Líbia para roubar petróleo.
A mais nova denúncia está sendo publicada hoje na maioria dos jornais árabes e trata de um documento israelense vazado dos arquivos secretos do governo judeu sionista: em troca de armas e dinheiro, os chamados ?rebeldes? de Benghazi, o ?Conselho de Transição?, assinou um documento com o Ministério de Defesa de Israel, com validade de 30 anos, permitindo a construção de uma base militar estrangeira israelense na Montanha Verde da Líbia, um dos pontos mais estratégicos do país, em função de sua altitude.
Este documento revela que os chamados ?rebeldes? líbios, criados pelo imperialismo norte-americano e financiados pela CIA e governos da França e Inglaterra, não passam de traidores que estão tentando vender a soberania do país.
Mas o povo árabe líbio que soube resistir heroicamente à colonização italiana na Segunda Guerra, e ao imperialismo norte-americano nas últimas décadas, saberá, mais uma vez, vencer seus inimigos para defender e garantir sua soberania.

Andre Vargas elogia Beto Richa

"Crise em Londrina dificulta obtenção de recursos", avalia Vargas Deputado petista ataca o prefeito Barbosa Neto: "Cidade é vítima de uma administração incompetente"

O deputado federal André Vargas (PT-PR), disse que Londrina perde credibilidade com as denúncias de corrupção. "Infelizmente a credibilidade da nossa cidade para procurar soluções foi abalada pela denúncia do envolvimento de setores do alto escalão da administração municipal na corrupção e no desvio de dinheiro. Isso dificulta muito a obtenção de recursos em Brasília ou mesmo em Curitiba", ressaltou.

Elogio ao governador
"Mesmo sendo do PT e o governador do PSDB, temos que elogiar a postura do governador ao assumir os recursos dos repasses para que o atendimento de urgência e emergência nos hospitais não seja suspenso", disse Vargas.

Pesquisa eleitoral em Londrina‏

sábado, 4 de junho de 2011

Metendo os Peitos: Prognósticos da Rodada

por Carolaine

O Campeonato está apenas começando! Alguns times começam a se destacar na tabela, e alguns jogos prometem emoções mais fortes que outros:

Palmeiras x Atlético-PR – A boa fase do Palmeiras deve agravar ainda mais a situação Atleticana. Dizer que o Furacão está em péssima fase é chover no molhado. A situação é crítica não só pela falta de resultados (afinal está “cedo”), mas pela falta de perspectivas. O técnico Rubro-Negro já deve se sentir balançando em seu cargo. O atacante Guerrón anunciou que pode estar indo para a Rússia. A Arena da Baixada logo deve ser fechada para obras da Copa. Adversidades não faltam. Resta saber se o time paranaense finalmente vai começar a esboçar alguma reação. Jogando no Canindé, durante esta temporada, o Alviverde não tomou um gol sequer. Prestaremos atenção especial aos jogadores Danilo (Palmeiras) e Manoel (Atlético), que já se estranharam em campo ano passado.

Fluminense x Cruzeiro – O atual campeão da competição segue em busca da regularidade. A boa apresentação de Deco na última partida e a chegada de Leomir, auxiliar técnico de Abel Braga, foram as melhores notícias da semana no clube. No Cruzeiro a maior preocupação do técnico Cuca são os erros nas finalizações, afinal o time busca ainda a primeira vitória no Campeonato. Considerando o potencial das duas equipes poderíamos esperar um jogo movimentado e equilibrado. Para isso, no entanto, ambas teriam que estrear o bom futebol tão aguardado por suas torcidas.

Ceará x Botafogo – O Ceará vem animado e embalado para este jogo diante de sua torcida. Passando por boa fase e surpreendendo os desavisados a equipe de Vagner Mancini não é facilmente batida em casa. O Botafogo terá o retorno de Herrera, mas ainda deve sofrer com o isolamento do ataque e com a falta de Loco Abreu.

Figueirense x Atlético-GO – Jogo que promete ser equilibrado. Os dois lados apresentaram força defensiva nos primeiros jogos, mas ainda buscam maior efetividade no ataque. O Rubro-Negro do Cerrado deve entrar mais cauteloso na partida, porém, se o Figueirense não se impuser ofensivamente pode esperar problemas.

Flamengo x Corinthians – O Clássico das Multidões deve ser um dos grandes jogos da rodada. O Flamengo vem marcando muitos gols, mas também dá essa chance aos adversários, proporcionando partidas emocionantes. O jogo marcará a despedida de Petkovic dos campos de futebol, fato que deve acentuar a força de vontade do time da Gávea.

Grêmio x Bahia – O tricolor gaúcho procurará reafirmar a sua força como anfitrião. Após estrear em casa com derrota o time se recuperou como visitante e deve pressionar a defesa do Bahia. O ataque gremista, que ainda não mostrou muita qualidade, terá pela frente uma zaga conhecida, com Titi e Danny Morais, ex-jogadores do Internacional.

Coritiba x Vasco – Grande coincidência da rodada, os finalistas da Copa do Brasil se enfrentam neste fim de semana pelo Campeonato Brasileiro. Apesar da predominância de jogadores reservas a partida deve ser levada a sério, principalmente pelo Coritiba que joga em casa e ainda não pontuou na competição. Com as duas equipes focadas na Copa do Brasil o placar mais provável é um empate, no entanto esse não seria um bom resultado para o Coritiba, que deveria buscar essa vitória com o mesmo afinco que buscará na quarta-feira.

Santos x Avaí – O Santos é finalista da Taça Libertadores da América! O único time brasileiro a passar das oitavas de final jogará a primeira partida decisiva dia 15/06, no Uruguai contra o Peñarol. O motivo para poupar jogadores é mais do que justo, no entanto, como o intervalo entre os jogos é razoável, muitos titulares devem estrear nesta rodada do certame nacional. O Avaí por sua vez exibe uma das piores campanhas até o momento, com sete gols contra e apenas um a favor. Além disso, o time catarinense perdeu jogadores como Renan e Marquinhos essa semana. A tarefa do visitante não será nada fácil dentro da Vila Belmiro neste domingo.

América-MG x Internacional – O Coelho vai tentar agravar o clima de apreensão dentro do Internacional. O jogo será em campo neutro, no Mato Grosso, mas a pressão está toda sobre o Colorado, que vem decepcionando no campeonato e sofrendo com problemas internos. O técnico Paulo Roberto Falcão chegou a dizer que, com o elenco que possui, o Internacional não tem como ser Campeão Brasileiro. A torcida espera que ele esteja errado.

Atlético-MG x São Paulo – Este jogo será realizado na próxima quarta-feira dia 8, na Arena do Jacaré. Confronto de líderes, os dois times venceram as suas primeiras partidas e estão com 100% de aproveitamento. Apesar do time do Morumbi ainda não ter se acertado muito bem em campo, o jogo promete ser um dos melhores da rodada.


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Paraplégico mexe pernas após terapia com células-tronco

folhaonline

Um paraplégico de 47 anos voltou a ter sensibilidade nas pernas e nos pés e a movimentar os membros inferiores após ser submetido a tratamento experimental à base de células-tronco, na Bahia.

Desenvolvido por cientistas do Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael, em Salvador, e da Fiocruz, o tratamento consiste na retirada de células-tronco adultas do osso da bacia e no reimplante no local da lesão.

O primeiro paciente, um policial militar de Salvador cuja identidade foi preservada, ficou paraplégico há nove anos, após uma queda que traumatizou a coluna na região lombar.

Seis semanas após a implantação de células-tronco adultas no local da lesão, o paciente já voltou a sentir as pernas e os pés.

Ele iniciou fisioterapia para fortalecer os músculos que ficaram muito atrofiados após o longo período de inatividade.

A bióloga Milena Soares, que participa do projeto, é cautelosa ao prever se o paciente voltará a andar um dia.

Segundo ela, isso vai depender, sobretudo, da fisioterapia. "Ele já consegue fazer alguns movimentos com a perna, e os resultados já mostram avanços muito significativos para a qualidade de vida do paciente", diz.

Os pesquisadores afirmam que houve um aumento do controle da bexiga e do esfíncter. Com isso, o paciente ficará livre de cateterismos diários feitos para retirar urina.

"Houve uma resposta muito boa no pós-operatório. Quatro dias depois [da cirurgia], o paciente já demonstrou melhora", diz Marcus Vinícius Mendonça, neurocirurgião que integra o grupo.

Nessa fase experimental, que visa atestar a segurança do procedimento, a técnica será aplicada em 20 voluntários. Dois deles receberam as células anteontem e ontem. O próximo fará o procedimento na semana que vem.

Segundo Mendonça, características do pós-operatório verificadas no primeiro paciente, como ausência de dores neuropáticas (característica de lesões neurológicas), se repetiram nos outros dois pacientes.

42 camponeses ameaçados de morte foram assassinados em 11 anos

A Comissão Pastoral da Terra (CPT) informou que, entre 2000 e 2011, 42 camponeses que foram ameaçados de morte vieram a ser assassinados. Anualmente, a CPT divulga relatórios que apontam os camponeses que receberam ameaças de morte no ano anterior.

Na década passada, agricultores receberam 1.855 ameaças de morte ao todo. Do total, 207 foram ameaçados duas ou mais vezes. Destes, 42 foram mortos e outros 30 sofreram tentativas de assassinato. Só no Pará ocorreram dezesseis mortes, o campeão em violência no campo. Em segundo aparece o Mato Grosso, com oito mortes (veja a lista no final do texto).

A lista deste ano, divulgada em abril, aponta que 125 pessoas, entre ambientalistas, camponeses e lideranças sindicais do campo sofreram ameaças de morte em 2010. Os Estados do Pará e do Amazonas são os campeões de ameças, com 30 registros cada. O Maranhão vem na sequência, com 37 ocorrências de ameaças - clique aqui para ver a lista em PDF.

Ainda segundo a CPT, ocorreram 401 assassinatos no campo entre 2000 e 2010.

Onda de mortes

Três dos quatro camponeses mortos na semana passada estão entre os que foram ameaçados mais de uma vez entre 2000 e 2010.

O casal de castanheiros José Cláudio Ribeiro da Silva, 52, e Maria do Espírito Santo da Silva, 50, executados na terça-feira (24) em Nova Ipixuna (PA), estavam na lista dos ameaçados de morte divulgada neste ano, referente a ameaças sofridas em 2010. Os nomes dos dois também apareceram nas listas de 2004, 2005 e 2010. José Cláudio ainda aparece sozinho nos relatórios de 2001, 2002 e 2009.

Agricultor anunciou que poderia morrer

Durante uma conferência realizada em novembro de 2010, José Cláudio afirmou que recebia ameaças de morte e que poderia ser morto a qualquer momento.

Também foi morto em Nova Ipixuna o agricultor Eremilton Pereira dos Santos, 25, cujo corpo foi encontrado nesse domingo (29) no mesmo assentamento onde o casal Silva residia. A polícia investiga se há relação entre os crimes.

Já Adelino Ramos, o Dinho, liderança do Movimento Camponês Corumbiara (MCC), morto na sexta-feira (67) em enquanto vendia verduras no distrito de Vista Alegre do Abunã, em Porto Velho, figurou na lista de 2008 e em edições anteriores.

Dinho foi um dos sobreviventes do massacre de Corumbiara ocorrido em agosto de 1995, no qual pelo menos 12 pessoas, entre elas crianças, morreram nas mãos de pistoleiros e policiais militares. Assim como o casal Silva, o líder do MCC denunciava a ação de madeireiros ilegais que atuavam nas divisas dos Estados de Rondônia, Acre e Amazonas.

Perícia indica possível assassinato de Allende

Adital

No último dia 30, em um programa televisivo chileno, o médico legista Hugo Rodríguez apontou a possibilidade de o ex-presidente Salvador Allende ter sido assassinado.

Rodríguez analisou um relatório de autópsia do corpo de Allende que estava na Promotoria Militar e concluiu, por meio de uma "autópsia histórica” (quando os restos mortais não estão disponíveis para perícia), que o ex-mandatário recebeu dois tiros, um de arma de baixo calibre, e outro de um fuzil. Este último teria sido disparado contra a cabeça, provocando a morte de Allende.

Com isso, Rodríguez contrapõe-se à versão oficial, que sustentou durante 38 anos que Allende cometeu suicídio para não se entregar com vida aos militares durante o bombardeio ao Palácio de La Moneda, em setembro de 1973.

"Encontramos dois buracos (de tiros) diferentes, um que costuma ser deixado por uma bala de efeito explosivo, disparado por uma arma de guerra, e outro que é provocado por uma bala de menor velocidade", disse. Ele considerou "perfeitamente possível” que o disparo do fuzil tenha matado o ex-presidente, antes alvejado pela arma de menor calibre.
O legista Luis Ravanal já havia chegado à mesma conclusão em 2008, ao comparar a autópsia feita pelos militares, logo após a morte de Allende, e a perícia policial.

Agora, segundo Rodríguez, um fragmento ósseo, descrito na autópsia dos militares, é a chave do mistério. Contudo, é provável que tenha se perdido, junto a outros fragmentos importantes, durante a primeira vez em que o corpo de Allende foi exumado, em 1990, quando funcionários transladaram os ossos para outro caixão.

No dia 23 de maio, por determinação da Justiça chilena, os restos mortais de Allende foram novamente exumados, desta vez com o objetivo de esclarecer a morte do ex-presidente.

A filha de Salvador Allende, a senadora Isabel Allende, demonstrou insatisfação com o programa televisivo, por considerar que pode prejudicar a investigação judicial em curso.

Partido pede justiça

Em nota emitida ontem (1º), o Partido do Socialismo Allendista afirmou que o mais importante com a investigação é que "se estabeleça não somente a verdade jurídica, senão que sejam processados e condenados ante a justiça os responsáveis e autores materiais da tentativa de assassinato do Presidente Allende”.

Diante das novas evidências periciais, os membros do partido pediram "que se estabeleça o mais claramente a maneira em que morreu o ex-presidente Allende”.

Eles farão requerimentos para impedir que o governo tente impor obstáculos aos avanços da investigação. Um desses requerimentos solicita a lista dos pilotos que bombardearam o Palácio de La Moneda.

Sobre a questão, o advogado Roberto Ávila, que cuida do processo de investigações da morte de Allende, rechaçou as declarações de ministro da Justiça, Felipe Bulnes, de que o governo estaria colaborando com as investigações.

"Já faz três meses que se enviou um ofício ao Ministério de Defesa, ofício dirigido ao titular Andrés Allamand, para que a Força Aérea do Chile entregasse a lista dos pilotos que bombardearam La Moneda”, disse. Ele afirmou ainda que o governo tem se mostrado "passivo” frente à resposta da Força Aérea de que não há registros das operações no dia do bombardeio.

Com informações de Associated Press

quinta-feira, 2 de junho de 2011

PT hesita em manifestar apoio a Palocci

Fragilizado desde a revelação de sua evolução patrimonial, o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, terá nesta quinta-feira (2) uma nova demonstração de seu isolamento político. Reunida em Brasília, a Executiva Nacional do PT, seu partido, descartou na véspera a hipótese de manifestação em apoio de Palocci.

Questionado sobre a hipótese de divulgação de nota em favor do ministro, o presidente do PT, deputado Rui Falcão, disse que o caso não está na pauta do partido. “O governo tem tratado de forma adequada o caso. Ele [Palocci] também. Não cabe ao PT se manifestar sobre isso.”

Secretário de Comunicação do PT, o deputado André Vargas (PR), endossa o argumento de que “essa não é uma questão partidária”. Já segundo o secretário-geral do PT, Eloi Pietá, “os fatos importantes da política, e a questão do ministro Palocci é um deles, serão abordados” na análise de conjuntura. Mas não há qualquer texto preparado sobre o assunto.

A omissão do partido é apontada entre petistas como um mau sinal para Palocci. Petistas reclamam do crescimento de patrimônio de Palocci, que, segundo revelou a Folha, foi multiplicado por 20 em quatro anos.

Ainda segundo Pietá, a montagem de outros pontos a serem debatidos na reunião será: reforma política (com a presença de nossos líderes na Câmara e Senado, e do relator da Comissão de Reforma Política na Câmara), reforma do Estatuto do PT, encaminhamentos relacionados às eleições de 2012.

Presidente do PT de São Paulo, o deputado estadual Edinho Silva chamou de equívoco o “PT fazer coro com a oposição”. “O PT tem de sair da defensiva. Se Palocci não fosse importante para o governo Dilma, não seria tão atacado.”

Hora de falar

Enquanto o PT busca a melhor maneira de reagir às suspeitas, lideranças no Congresso começam a dar sinais de que, no momento, a melhor saída seria se o ministro viesse a público se manifestar. Líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP) avalia que “talvez seja a hora de Palocci falar”.

A oposição quer que Palocci explique na Câmara as atividades de consultoria que prestou enquanto ainda era deputado, entre 2006 e 2010. Para Teixeira, o ministro não deve mais justificativas, mas se beneficiaria se viesse a público tratar do assunto. “Ele já tem dado as explicações necessárias à Procuradoria Geral da República”, argumenta.

A avaliação do líder petista não é isolada entre os governistas. Na quarta-feira 1º, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), também declarou que Palocci deve se explicar publicamente, mas avaliou que seria melhor esperar um posicionamento da Procuradoria.

Logo na manhã desta quarta, a oposição conseguiu aprovar a convocação de Palocci na Comissão de Agricultura. Mais tarde, os governistas apresentaram uma questão de ordem e o presidente Marco Maia suspendeu a convocação até a próxima terça 7, quando tomará uma decisão definitiva.

Para Teixeira, a convocação foi “um atropelo ao regimento”. A base aliada afirma que não foram respeitadas as orientações de bancada. “A minoria combinou um roteiro, eles combinaram que não precisava se preocupar com a votação nominal e, em sete segundos, encerrou-se a discussão.”

Na avaliação do líder do PT, “a corrente de forças não é favorável à convocação de Palocci na Câmara”. A situação é mais tensa, porém, no Senado, onde alguns aliados do PMDB ameaçam apoiar a criação de uma CPI para investigar o ministro da Casa Civil.

Fonte: CartaCapital

Lula visita Fidel e encerra viagem a Cuba

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu quarta-feira (1º/6) em Cuba com o presidente Raúl Castro e com o ex-presidente Fidel Castro, líder da Revolução Cubana, que, segundo o brasileiro, se mostrou "muito falante como sempre".

A reunião, que teve uma hora de duração, aconteceu na tarde de ontem na residência do ex-mandatário cubano em Havana, informou Lula aos jornalistas locais.

Em declarações feitas na capital, o brasileiro disse estar "feliz" pela visita de dois dias à ilha, a primeira após ter deixado a Presidência, e também por ter se encontrado com Fidel.

Na companhia de Raúl, Lula visitou durante a manhã de ontem as obras do porto de Mariel, localizado a cerca de 40 quilômetros da capital, onde está sendo construída uma "área especial de desenvolvimento".

O ex-presidente revelou sua satisfação com o andamento do projeto que visa ampliar a capacidade portuária do local, a fim de receber barcos de grande porte. O Brasil disponibilizou ao porto de Mariel um crédito de US$ 150 milhões.

Ele ainda manifestou seu desejo de que sua sucessora, Dilma Rousseff, visite a ilha caribenha e que Raúl Castro viaje para o Brasil.

Despedida

Nesta quinta-feira, o presidente cubano Raúl Castro despediu-se de Lula no aeroporto internacional José Marti. Em declarações à mídia cubana, Raúl fez referências ao excelente estado das relações entre os dois países, assim como da importância da criação, em 5 de julho, da Comunidade de Estados Latino Americanos e Caribenhos (Celac), em Caracas.

Lula expressou sua satisfação pelos resultados da visita e se pronunciou a favor da consolidação dos vínculos bilaterais. Presente à despedida estava também o chanceler cubano, Bruno Rodríguez.

Lula fez quatro visitas Havana enquanto presidente do Brasil, a última delas aconteceu em 2010.

Os dois países mantêm excelentes relações bilaterais e vínculos de cooperação econômica, comercial, de saúde e capacitação, entre outras.

Historicamente, o Brasil votou nas Nações Unidas a favor do projeto de resolução cubano contra o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba.

Com informações da Prensa Latina

Morre em São Paulo cantor espanhol Manolo Otero

O cantor espanhol Manolo Otero, uma das vozes românticas de maior sucesso nos países latinos nas décadas de 70 e 80, morreu na cidade de São Paulo, onde morava há anos, informou nesta quinta-feira uma pessoa próxima ao artista.

Otero, de 63 anos, faleceu nesta quarta-feira no Hospital das Clínicas de São Paulo, onde estava internado por causa de um câncer de fígado, descoberto há pouco tempo, como informou por telefone à Agência Efe Evandro Segato, da Vibra Produções, empresa que o representava no Brasil.

"Fomos pegos de surpresa, ninguém esperava por isso", declarou Segato, quem contou que o artista morava na cidade de Indaiatuba, nos arredores de São Paulo, com sua mulher e produtora artística, a brasileira Celeste Ferreira.

Segundo Segato, Manolo Otero perdeu em dezembro sua mãe. Depois disso viajou à Espanha para resolver assuntos familiares e quando retornou ao Brasil, neste ano, descobriu a doença em estágio avançado.

Por decisão de sua esposa, o artista, nascido em Madri, será cremado nesta quinta-feira no cemitério da cidade de Santos, adiantou Segato à Efe.

Manolo Otero começou a estudar canto aos 14 anos com sua madrinha, que era professora de piano e diretora do coral da filarmônica de Madri, como consta em seu site oficial.

O artista, que estudou Filosofia e Letras na Universidade de Madri, gravou seu primeiro disco em 1975, com o título de "Todo el tiempo del mundo", sucesso de vendas nos países latinos e também no Brasil.

Em 1973, ele casou-se com a atriz e cantora María José Cantudo, com a qual teve um filho, Manolo Otero Júnior, e de quem se divorciou em 1979.

O intérprete de "Vuelvo a ti", "Bella mujer" e "Qué he de hacer para olvidarte", figurou nos palcos até pouco tempo. No ano passado, ele apresentou-se nos Estados Unidos, Colômbia, Venezuela e Bolívia.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

CONDENAR A CORRUPÇÃO PELA QUESTÃO MORAL É UMA GRANDE ILUSÃO E ESSE ENGANO POUCO AJUDA A COMBATÊ-LA

educação política

A corrupção tão presente nas democracias modernas é muitas vezes vista por nós, seus críticos, como um problema moral, ético. É comum pensarmos que o sujeito, seja político, empresário, trabalhador ou funcionário público, apropria-se do dinheiro alheio ou do dinheiro público porque não tem caráter, ou seja, é um ladrão, corrupto, desonesto, sem vergonha. Quando nos referimos assim aos políticos, por exemplo, estamos colocando a questão da corrupção no âmbito da moralidade.

É dessa forma que muitas vezes somos levados a pensar quando reportagens jornalísticas mostram um cidadão (gari, taxista etc) que encontra uma grande soma de dinheiro e devolve ao dono. A atitude do cidadão que devolve o dinheiro nos expõe de forma tão evidente que a corrupção é uma questão moral quanto quando olhamos para o sol e imaginamos que ele gira em torno da terra.

Condenar a corrupção no aspecto moral é uma ilusão, um grande engano e que ajuda pouco no combate a esse grave problema das democracias contemporâneas.

A moralidade é uma pequena parte do problema, que muitas vezes tomamos pelo todo. Isso porque a corrupção é mais profunda e se revela mais como um problema humano, inerente ao homem, que com certeza envolve uma infinidade de aspectos além do moral. É por isso, inegavelmente, que desde a bíblia, reproduzimos a expressão: “atire a primeira pedra quem nunca pecou”, ou seja, quem reproduz essa frase acredita que é muito possível que todo mundo, em algum momento, cometeu alguma deslize, alguma atitude desprezível na vida.

E é esta natureza humana que permite aos corruptos dormirem tranquilos, cuidarem dos seus filhos e continuarem a fazer falcatruas. Ele justifica sua consciência com frase do tipo: “se eu não fizer, outro faz” ou “todo mundo tem o rabo preso”, “todo homem tem seu preço”. Ou seja: atire a primeira pedra…

Em um texto intitulado “O que os professores e os lutadores de sumô têm em comum?”, Steven Levitt, economista norte-americano, desvenda estatisticamente a natureza da corrupção e pergunta em certo momento: “Quem trapaceia? Ora, praticamente todo mundo, se a oportunidade for propícia. Você pode dizer a si mesmo: “eu não, seja qual for a situação”. Depois, talvez se lembre de quando trapaceou, digamos, no jogo de damas. (Freakonomics, Editora Elsevier, 2005). Alguém acredita que há um local mais propício para a corrupção que a administração pública? Da mesma forma, Espinoza já alertava que a cidade que depende de um governante honesto está perdida.

Todos estamos sujeitos à corrupção porque ela está inscrita na própria natureza humana. Mas não precisamos ser deterministas como os corruptos praticantes que, para ter paz de consciência, a justificam como inexorável. A habilidade ao esporte também é algo humano, mas nem todos os humanos praticam esporte. A habilidade para o aprendizado é humana, mas nem todos gostam de aprender. A corrupção é algo humano, mas nem todos querem isso como sua prática constante e inelutável.
Há também nos humanos a habilidade da racionalidade, que nos permite criar soluções para, por exemplo, combater a corrupção. A partir do momento que temos conhecimento de que a corrupção não é um problema moral, mas humano, pode-se construir mecanismos mais eficientes de combate a esse problema.

A corrupção se expressa de forma mais evidente nas democracias contemporâneas. Claro, nos estados autoritários ou monárquicos não há a res pública, a coisa pública. Há uma mistura entre o privado e o público e, por isso, o benefício pessoal, de grupos e amigos é algo legal. Nas democracias contemporâneas, essa relação se manifesta na corrupção. Ela é uma espécie de efeito colateral das democracias, mas que pode ser combatido.

Se a corrupção é humana e não um problema moral, então todos os que chegam aos cargos públicos são potencialmente corruptos. E muitos desenvolverão essa potencialidade. Então precisamos de mecanismos muito rigorosos, transparentes e duros com relação ao dinheiro público. Temos de dar total transparência às contas públicas. Ou seja, precisamos de mecanismos de combate a corrupção no poder público que tome como princípio que todos os administradores são corruptos, ainda que tenhamos a sorte de eleger eventualmente um sujeito honesto.

Nuvens negras no horizonte

Já se delineiam duas sérias ameaças em nível global, que podem indicar um primeiro desdobramento da crise financeira originada nos Estados Unidos em 2008. É a situação crítica da questão fiscal dos Estados Unidos e Grécia. Os holofotes agora estão na Grécia, mas não levará tempo para se dirigirem aos EUA. Face a esse quadro, o melhor para o Brasil é apostar as fichas da saúde econômica e financeira naquilo em que somos bons: alto potencial de mercado interno inexplorado. Assim, é bom repensar as políticas do pé no freio, que podem fragilizar o País aos trancos que poderão vir de fora. O artigo é de Amir Khair.

Ainda não se passaram três anos e já se delineiam duas sérias ameaças em nível global, que podem indicar um primeiro desdobramento da crise financeira originada nos Estados Unidos em 2008. É a situação crítica da questão fiscal dos Estados Unidos e Grécia. Os holofotes agora estão na Grécia, mas não levará tempo para se dirigirem aos EUA.

Vale recordar. Na primeira tentativa de sair do buraco, a Grécia acertou com o FMI que sua economia deveria encolher 4% em 2010, 2,6% em 2011 e o desemprego, de 9,4% em 2009, subiria para 14,8% em 2012. Esse o custo da redução do déficit fiscal de 13,6% do PIB em 2009, para 8,1% em 2010 e 6,5% em 2012. Mesmo assim, sua dívida se estabilizaria em 150% do PIB! Mas em 2010 em vez de conseguir a meta de déficit de 8,1%, obteve 10,5%, o que acendeu a luz vermelha.

Os holofotes agora estão na questão fiscal da Grécia, que precisará de um novo empréstimo em 2012. Com um crescimento mais baixo que o esperado, a tendência é o agravamento fiscal e a necessidade de mais empréstimos que, se vierem, trarão sérias dificuldades de satisfazer as condições impostas pelo FMI, com impacto social crescente e sério risco político ao governo.

A aposta dos “salvadores” (Banco Central Europeu - BCE, países da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional - FMI) ao concederem o primeiro socorro era de que uma profunda restrição fiscal, com rebaixamento de salários, demissões no setor público e freada no crescimento econômico, seria capaz de gerar os excedentes para honrar as parcelas dos empréstimos, que tiveram prazos mais alongados.

Esse aperto fiscal deveria ser imposto à população e as reações foram imediatas com paralisações e manifestações de massa, que na ocasião poderia inviabilizar as negociações em curso. Mas o governo grego conseguiu vencer o primeiro round e aprovou as duras exigências dos financiadores, mas com importante condição: a dívida teria que ser integralmente paga, sem nenhum prejuízo aos credores.

Esse socorro financeiro implica em dois problemas fiscais, de solução quase impossível, pois crescem as despesas com o serviço da dívida pelo forte aumento do endividamento e cai a arrecadação pela redução da atividade econômica e pelo aumento da inadimplência dos contribuintes, ou seja, forma-se um “sanduíche” fiscal.

Os credores, no entanto, partiram da premissa de que a redução das despesas públicas seria suficiente para superar esses dois problemas. Não foi o que aconteceu e nem acontecerá. Assim, seria necessário reduzir o valor a ser pago no serviço da dívida, ou seja, seu deságio, com perda para os credores.

Mas, o deságio não bastaria para solucionar o problema, pois os desequilíbrios macroeconômicos já existentes tornam necessários outros esforços para viabilizar o equilíbrio de suas contas internas e externas. Atualmente ocorre déficit na balança comercial de 4% do PIB, maior déficit comercial entre os países da região do euro. Se esse déficit persistir, terá de captar o volume total em instituições de crédito estrangeiras, mesmo se os déficits orçamentários pós-inadimplência puderem ser financiados com captações domésticas.

A simples ameaça do deságio na Grécia precipitou a elevação dos riscos das dívidas de Portugal e Espanha. Portugal foi o primeiro a pedir socorro e já está seguindo o mesmo caminho grego. Tomou em maio recursos do FMI e da União Europeia de US$ 110 bilhões, que representa 47% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O último pacote de auxílio do FMI ao Brasil, em 1998 foi de US$ 40 bilhões ou 4,7% do PIB. Assim, esse socorro a Portugal foi, em termos de tamanho de sua economia, 10 vezes maior do que o nosso.

Para situar a gravidade do problema que ronda a Europa, o pacote da Grécia de US$ 156 bilhões foi também de 47% do PIB e o da Irlanda de US$ 120 bilhões, 52,9% do PIB, segundo matéria publicada no jornal Estado de São Paulo (22/maio).

Esses socorros foram também sem deságio nas dívidas e será apenas questão de tempo para evidenciar a falta de visão dos “salvadores” e o agravamento da inevitável deterioração fiscal nesses países.

Não tem como escapar do deságio das dívidas. Esse deságio, por sua vez, poderá trazer novos desdobramentos na rede financeira europeia já fragilizada pela crise iniciada nos Estados Unidos com as hipotecas de alto risco (subprime) e por a nu os títulos podres em posse do BCE ao socorrer o sistema bancário da Irlanda, Grécia, Espanha entre outros países.

A nova tentativa de socorro à Grécia continuará tentando preservar os credores, alongando mais a dívida, sem reestruturá-la, com nova injeção de empréstimos, e o calote será inevitável e maior mais a frente. É uma exigência do BCE para tentar empurrar com a barriga os títulos podres em seu poder cujo montante é desconhecido.

O mesmo poderá ocorrer com Portugal, mais à frente à Espanha e, em seguida a Itália, países de maior expressão econômica na zona do euro. Poderá ser essa a sequência dos PIIGS. É claro que isso atingirá o sistema bancário das economias mais sólidas como França e Alemanha, agravando a crise européia com repercussões em outros países fora da área. Como existe forte relação entre os sistemas financeiros de Europa e Estados Unidos, esse país certamente será afetado.

EUA - Em 16/5, os Estados Unidos atingiram o teto de US$ 14,294 trilhões da dívida pública e o Departamento do Tesouro planeja anunciar que vai parar de emitir e reinvestir títulos do governo em certos fundos de pensão públicos, parte de uma série de medidas para adiar a moratória até 2/8. Essas medidas do Tesouro visam ganhar tempo para a Casa Branca e líderes do Congresso chegarem a um acordo de redução do déficit, para atingir número suficiente de congressistas a votar o aumento da dívida.

A disputa política entre republicanos e democratas pode fornecer o combustível necessário para começar a por em dúvida a capacidade do país honrar o pagamento aos credores, que estão espalhados por todo o mundo, especialmente países que acumularam fortes reservas ligadas ao dólar, como China, Japão, Alemanha e o Brasil. Para agravar esse quadro o déficit fiscal previsto ao final deste ano pode atingir US$ 1,7 trilhões ou 11% do Produto Nacional Bruto (PNB).

A tentativa de ativar a economia via elevação da liquidez é outro motivo de preocupação. De 2004 a 2008 a base monetária girava em torno de US$ 0,8 trilhão e a disparada sem cessar a partir de 2009 a elevou para US$ 2,4 trilhões. Apesar disso, os empréstimos bancários ficaram estabilizados desde o final de 2008 em US$ 9 trilhões, evidenciando o deslocamento dessa elevação da liquidez para fora dos EUA.

É possível que as agências de classificação de risco, que dormiram no ponto na crise de 2008/2009, não tenham o mesmo comportamento agora. Alguns sinais já apontam nessa direção. O primeiro foi dado pela Standard & Poor's que rebaixou de ‘estável’ para ‘negativa’ a perspectiva de rating de crédito soberano de longo prazo dos Estados Unidos. Com isso sinalizou que poderá piorar a nota da dívida americana. As razões apontadas para a decisão foram o persistente déficit orçamentário e o elevado endividamento do país.

De acordo com a agência, mesmo após dois anos após a eclosão da crise financeira que abalou o mercado de hipotecas dos EUA, o governo do presidente Barack Obama dá sinais de que não chegou num acordo sobre como reverter a deterioração fiscal por que passa o país atualmente, nem aponta soluções para as pressões fiscais de longo prazo.

O dólar já vem de longo processo de perda de valor perante outras moedas e commodities, e isso expressa a doença que se abate lentamente sobre a economia americana. As análises sobre as perspectivas deste país oscilam a cada dia ao sabor de dados sobre pedidos de desemprego, construção de novas moradias, produção industrial, inflação, etc. Fato é que a reação aos fortes estímulos dados desde 2008 produziram efeitos pífios e os déficits fiscais passaram de 3% do PNB em 2008 e poderão atingir 11% neste ano, e a dívida sobe de forma ameaçadora, indicando claros riscos em seu pagamento.

Para agravar esse quadro a elevação dos preços do petróleo e outras commodities subtraem o poder aquisitivo dos americanos, com reflexos negativos sobre o consumo que representa 70% do PIB do país. Isso afeta o crescimento econômico, a arrecadação e eleva o déficit fiscal.

Parecem esgotados os instrumentos monetários para tirar o país da crise. A forte injeção de dólares feita pelo Fed (banco central americano) e os juros negativos não conseguiram estimular o consumo. É incerto se terminará em junho a escalada da injeção de US$ 600 bilhões. Essa elevação da liquidez já dá sinais de problemas com a inflação, que começam a aparecer no front de preocupações do Fed. E nada mais potente para retirar o poder aquisitivo do americano do que a inflação.

A forma que seria possível para romper com esse agravamento é a ampliação das exportações e contenção das importações, para gerar empregos suficientes para tirar da letargia o mercado interno. Mas não é isso que vem ocorrendo no nível necessário, pois a disputa no mercado internacional cresceu fortemente como consequência da crise de 2008.

Face a esse quadro, o melhor para o Brasil é apostar as fichas da saúde econômica e financeira naquilo em que somos bons: alto potencial de mercado interno inexplorado. Assim, é bom repensar as políticas do pé no freio, que podem fragilizar o País aos trancos que poderão vir de fora.

Corte espanhola decreta prisão de 20 militares salvadorenhos

Adital

Onze anos após o assassinato de seis jesuítas e de duas mulheres que atuavam na Universidade Centroamericana (Uca), em El Salvador, o juiz da Audiência Nacional da Espanha, Eloy Velasco, decretou ontem (30) a prisão imediata de 20 militares e ex-militares salvadorenhos envolvidos nos crimes. A maioria dos jesuítas era de origem espanhola e entre eles estava o reitor da Universidade, Ignacio Ellacuría.

Os crimes, conhecidos como 'massacre da Uca', aconteceram em novembro 1989, em um contexto de guerra que facilitou a violação de direitos humanos de caráter xenófobo, que teve como foco os jesuítas da Uca.

O reitor espanhol Ignacio Ellacuría tinha um papel de liderança e intermediava as negociações de paz entre a guerrilha revolucionária da Frente Farabundo Martí para a Liberação Nacional (FMLN) e o Poder Executivo, tendo por isso sido considerado uma ameaça para os setores mais reacionários do governo e do exército de El Salvador. O juiz que sentenciou o caso acredita que, para o exército, a iniciativa do religioso era uma tentativa de acabar com a influência do grupo de militares conhecido como Tandona.

Diante desta 'ameaça', o grupo Tandona, que ocupava altos cargos de responsabilidade no Exército durante a guerra no país (1982 - 1992), decidiu organizar uma campanha contra Ellacuría e outros cinco jesuítas, quatro deles espanhóis.

Ao que tudo indica, o plano para o assassinato dos jesuítas começou depois da ruptura das negociações entre o executivo e a guerrilha. O Exército teria lançado então uma 'operação psicológica' consistente em emitir ameaças contra Ellacuría, que era acusado de ser o 'cérebro do FMLN' e contra os jesuítas, chamados de ‘terroristas’.

Como parte do plano a Uca foi tida como 'centro de planejamento' e 'refúgio seguro do FMLN', então, foram enviados soldados para controlar a entrada e a saída de pessoas da universidade, dias antes dos crimes, que aconteceram em 16 de novembro de 1989.

A Comissão da Verdade acredita que existam provas de que os militares teriam dado ordem de matar Ignacio Ellacuría e que depois do crime, teriam tomado providências para ocultar o crime. A justiça nacional resistiu em investigar os responsáveis materiais deste massacre, e para oprimir ainda mais a verdade foi decretada no país uma Lei de Anistia que favoreceu os criminosos.

A investigação do caso começou depois de a ‘Associação Pro-Direitos Humanos’ da Espanha e da organização norte-americana ‘Centro para justiça e prestação de contas’ terem apresentado uma denúncia à Corte espanhola. Entre os militares acusados de serem os responsáveis do crime está o ex-ministro da Defesa do país, Rafael Humberto Larios. O presidente de El Salvador na época, Alfredo Cristiani, também foi denunciado e apontado como encobridor do massacre, mas ele não foi incluído na investigação.

Para o diretor da radio Ysuca, Carlos Ayala Ramírez, a punição dos culpados é importante para que El Salvador encontre a paz e a justiça. "O espírito que anima esta iniciativa não é voltar ao passado mais ou menos imediato com sede de vingança, senão com sede de justiça que não exclui o perdão", opinou.

Para ele, essa é a razão da expectativa em "satisfazer a necessidade coletiva de justiça como fonte primordial de redenção do mal da impunidade; particularmente em um crime que por sua natureza abominável, ofende, agrava, insulta a humanidade em seu conjunto".

Com informações da radio Ysuca e El País.

Coxa joga em São Jenuário por título inédito

Vivendo mais um momento histórico, o Coritiba entra em campo,às 21h50, para encarar o Vasco da Gama na primeira partida da final da Copa do Brasil. É a primeira vez que o Alviverde chega tão perto da conquista da competição nacional, que vale vaga na Libertadores do ano que vem.

Por isso, a ordem é atacar o time da Colina, mesmo em São Januário, fazer gols e trazer uma boa vantagem para a partida de volta, na semana que vem, no Couto Pereira.

Para tanto, o Coxa terá que quebrar uma invencibilidade de 19 jogos do adversário, que está em ascensão. “É um momento importante, não só para mim, mas como para o clube. Um momento histórico e o torcedor, que há dois anos sofreu muito com a queda, agora tem uma oportunidade de receber esse presente. Vamos trabalhar muito por isso”, analisa o goleiro Edson Bastos. Para ele, é difícil não ficar pensando na decisão e no que o time pode conquistar.

“Nesse momento passa tudo na nossa cabeça, desde a queda até esse jogo. É um momento muito bom. Temos uma possibilidade real de apagar o que passou. Sabemos da nossa responsabilidade e o que representa essa partida”, avalia o arqueiro.

Segundo o atacante Anderson Aquino, todos estão conscientes do que podem fazer na decisão. “Está todo mundo muito feliz por ter uma oportunidade dessas na mão. Sabemos da nossa responsabilidade e o que a torcida, a diretoria e o clube esperam de nós. Estamos focados e vamos procurar fazer o máximo para comemorar com a nossa torcida”, diz o jogador.

De acordo com ele, um título fará muito bem a todos. “Um título de nível nacional é importante para nossas carreiras e para o clube, porque vai marcar nosso nome na história do Coritiba e do futebol paranaense”, projeta Aquino.

Até quem começou desde cedo nas categorias de base também sonha alto. “Acho que é a oportunidade que todos os garotos da base esperam: chegar no profissional e atuar em uma final da Copa do Brasil. É algo que qualquer jogador do mundo queria disputar, ainda mais um da base”, destaca o volante Willian.

Esse sonho vai ser real para ele. “Eu assistia muito e ia muito ao estádio ver o time jogar. Estar vivendo isso deixa minha família muito feliz. É um sonho que vem se realizando na minha vida”, finaliza Willian, que substituirá Leandro Donizete.

Resistência hondurenha: de olho nas eleições 2013

Adital

Resistência em Honduras anuncia criação de partido de olho nas eleições de 2013
Sub-ccordenador da FNRP avaliza propostas de Zelaya

Após o retorno do ex-presidente Manuel Zelaya a Honduras, no último dia 28 de maio, a FNRP (Frente Nacional de Resistência Popular) anunciou que iria criar um partido político, com o objetivo de ganhar as próximas eleições, em 2013. A informação foi confirmada pelo sub-coordenador da FNRP, Juan Barahona.

"O caminho para a Resistência chegar ao poder tem que ser por meio de uma Frente Ampla, onde caibam todas as organizações que integram a FNRP”, afirmou Barahona ao Opera Mundi.

Segundo ele, o primeiro passo será iniciar uma coleta de assinaturas para solicitar ao Supremo Tribunal Eleitoral o reconhecimento da organização como partido político. "Depois vamos impulsionar um plebiscito para que se convoque uma Assembleia Constituinte, e depois, vamos participar das eleições gerais", explicou o dirigente da FNRP. Esta proposta será apresentada nos próximos meses para sua aprovação diante da Assembleia Geral da FNRP, que é a autoridade máxima da entidade.

No domingo (29/05), em sua primeira entrevista coletiva desde que voltou ao país, Zelaya disse estar disposto a dirigir "a organização mais importante de Honduras desde a data da independência". Também afirmou que impulsionará alianças entre grupos políticos e organizações que integram a Resistência "para poder ter um triunfo de poder popular nas próximas eleições".

Com essas declarações ficam esclarecidas as dúvidas sobre os planos partidários de Zelaya, se ao regressar a Honduras, voltaria ao Partido Liberal ou ao processo de consolidação política da Resistência. "Me somo à Frente, sem perder minha identidade política como liberal”, afirmou.

Zelaya regressou ao país no domingo (28/05), no marco do processo de mediação e da assinatura dos Acordos de Cartagena, impulsionado pelos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, e da Colômbia, Juan Manuel Santos.

Oposição

A volta do ex-presidente, vítima de um golpe de Estado em junho de 2009 e suas pretensões de voltar imediatamente à atividade política, foram fortemente questionadas pela oposição. "Eu acredito que Zelaya deve se dedicar a cantar e tocar violão. Que se esqueça da política porque sua época já passou", disse a ex-deputada Irma Acosta de Fortín.

Segundo Roberto Micheletti, que assumiu a presidência após o golpe em 28 de junho de 2009, o povo hondurenho está pronto "para enfrentar qualquer situação de qualquer natureza". E el afirmou que "os democratas vão brigar contra os comunistas e os socialistas. Não vamos permitir que um mau discípulo de [Hugo] Chávez impere neste país".

Para o sociólogo e analista político Eugenio Sosa, a direita nacional estaria cometendo um segundo grave erro. O primeiro foi "dar um golpe de Estado sem prever a reação popular que deu origem à FNRP" e o segundo seria "subestimar a liderança de Zelaya e a força organizadora da Resistência".

Para Sosa, se estes elementos conseguem ser coerentes entre eles e estruturam uma estratégia política e de poder compartilhada, "a Resistência e Zelaya poderiam conquistar seus objetivos, o que seria algo histórico para Honduras”.

Roma by night: os casos secretos dos padres no Vaticano

Livro de jornalista italiano fala sobre como a regra do celibato é ignorada no coração da Igreja Católica e retrata as consequências nocivas desta proibição

veja.com

Duas strippers entram no palco e iniciam suas performances. Decidem, então, homenagear o organizador da festa. Ele usa calças jeans, cinto branco, camisa rosa desabotoada até o umbigo e tem uma pele bronzeada. Trata-se de um francês, de mais ou menos 35 anos, que mora em Roma. As moças o envolvem em uma dança lasciva.

A cena descrita acima não aconteceu em uma das festas promovidas pelo premiê italiano Silvio Berlusconi e conhecidas como bunga-bunga. É um excerto do livro Sex and the Vatican: Viaggio Segreto nel Regno dei Casti (Sexo e o Vaticano: Viagem Secreta ao Reino dos Castos, Piemme), do jornalista Carmelo Abbate, que está sendo lançado em cinco países - Bélgica, Canadá, França, Itália e Suíça - entre abril e maio deste ano. O texto, que defende o fim do celibato, traz uma nova visão sobre a sexualidade dos padres, especialmente em um momento em que eles são associados aos escândalos de pedofilia na Igreja Católica.

Nas palavras do autor, a noitada em Roma continua da seguinte maneira: “Há poucos dias esse francês celebrou a missa matinal da Basílica de São Pedro. No Vaticano. O francês não é o único padre presente na festa. Há um sacerdote italiano. Há um sacerdote alemão. Há um sacerdote brasileiro, jovem, alto e bonito."

Sex and the Vatican: Viaggio Segreto nel Regno dei Casti

Os padres e o celibato - Em Sex and the Vatican¸ Abbate revela os segredos da vida noturna romana, quando muitos padres se dirigem a clubes privados, saunas e casas de suas (ou seus) amantes. O livro é uma coletânea de depoimentos anônimos e cenas que o próprio Abbate presenciou enquanto investigava o tema. “Segundo minhas averiguações, a regra do celibato é ignorada por grande parte dos padres com o decorrer do tempo”, disse o autor ao site de VEJA.

Richard Sipe, conselheiro em saúde mental clínica que conduziu um estudo de 25 anos sobre o tema e se especializou no tratamento de padres católicos com transtornos mentais, confirmou que a conclusão de Abbate não vale só para o Vaticano. Segundo sua pesquisa, cerca de 25% dos padres americanos têm relações secretas com mulheres - e 30% são gays. Outros estudos mostraram que, na Alemanha, de um total de 18.000 presbíteros, pelo menos 6.000 têm relacionamentos ocultos. Na Áustria, são mais de 20% dos clérigos. No Brasil, 3.000 sacerdotes se encaixam nesse caso - alguns deles têm relações estáveis em sigilo, mas não abandonam a batina.

Ponto de vista católico - É possível descrever o ponto de vista da Igreja sobre o tema com base em sua história e literatura. O celibato não é um dogma da fé católica ou uma exigência bíblica e não foi sempre uma norma da Igreja. Muitos dos apóstolos de Jesus Cristo nos textos evangélicos, por exemplo, eram casados. Somente em 1537, durante o papado de Gregório VII, os padres foram proibidos de se casar sob pena de serem excomungados. A intenção da Igreja era proteger seus bens de futuras disputas dos herdeiros de seus sacerdotes.

Em 1967, o papa Paulo VI chegou a se questionar sobre a necessidade da exigência nos dias de hoje, mas optou por mantê-la. Seu principal argumento foi o de que o próprio Jesus, considerado por ele o “sacerdote eterno”, viveu o celibato e é um exemplo a ser seguido. Além disso, o pontífice acreditava que, abdicando da família, os padres estariam mais livres para se dedicar completamente às coisas do espírito.

Os últimos papas mantiveram a tradição. Bento XVI chegou até a propor uma seleção rígida para impedir que os homens mais inclinados a cair nas “tentações da carne” fossem incorporados ao clero.

Ainda assim, "alguns padres de diversas nacionalidades dividem suas vidas entre as austeras salas da Via della Conciliazione (a avenida que leva ao Vaticano) e a movimentada 'Roma by night'", afirma a editora italiana do livro, Piemme. Eles também constroem relações amorosas estáveis com mulheres, têm filhos ilegítimos e, segundo Abbate, alguns até participam de orgias.

Consequências - Mas quando o dia amanhece em Roma, a culpa vira companheira desses homens. Nas missas, escutam a condenação da sensualidade e da homossexualidade. Nos livros, a exaltação do celibato dos santos. A vida dupla ganha um peso divino, e eles, embora sejam guardiões do espiritual, continuam tendo apenas sua força humana. “E quanto mais o tempo passa, mais difícil é para os padres abandonar a Igreja e se livrar dessa culpa horrível”, conta Abbate.

Enquanto colhia depoimentos para seu livro, o autor ficou especialmente tocado com a história de uma jovem que havia se relacionado secretamente com um padre por alguns anos. Um dia, o sacerdote terminou o caso e pediu transferência para bem longe de sua paróquia. “Fiquei tocado pela ingenuidade e inocência da moça, sua vontade de perdoá-lo apesar de tudo que a fez sofrer. Como ela, há muitas outras mulheres que carregam um sentimento de culpa: acreditam que são a razão de todo o sofrimento de seus amados padres”.

Reação da Igreja - Já para a Santa Sé, com poder e dinheiro em mãos, não é tão complicado se livrar dos escândalos. Abbate desvenda casos em que mulheres italianas assinaram acordos com a Igreja para que recebessem pensões em troca de seu silenzio. Conta histórias de freiras que foram estupradas e de outras obrigadas a abortar. “A Igreja usa duas medidas para julgar determinadas coisas. Por um lado, excomunga os médicos que realizam o aborto em uma garota de nove anos que havia sido estuprada no Brasil. Por outro, permite que coisas muito piores aconteçam em seus bastidores”, diz.

A tese que ele sustenta em seu livro é a de que a alta cúpula do Vaticano tem conhecimento destas transgressões. Mas faz vista grossa, contanto que não tenha de lidar com escândalos. “Além de não ser respeitada, a regra do celibato produz consequências terríveis, como abortos, esposas clandestinas e pessoas cheias de culpa”, diz o autor. “Não seria a hora de a Igreja mudar essa postura e prevenir que histórias assim continuem acontecendo?”.