quinta-feira, 16 de junho de 2011

PARA LINGUISTA DA UNICAMP, NOÇÃO DE ERRO NÃO FAZ SENTIDO: “O QUE EXISTE SÃO FORMAS DIFERENTES DE FALAR UMA MESMA LÍNGUA”

por Maura Voltarelli

A língua esteve no centro das discussões da mídia nos últimos dias com a aprovação de um livro didático pelo MEC que, segundo muitos jornalistas, conteria erros gramaticais e estaria prejudicando o ensino do português no Brasil. Não faltou quem dissesse que o país estava jogando definitivamente a toalha e entregando a educação das crianças e jovens à sua própria sorte. No meio de toda crítica, faltou um pouco de bom senso e o mínimo de conhecimento de questões relativas à linguagem, ao aprendizado linguístico e à natureza de uma língua, bem como do próprio livro didático tão criticado.

O Educação Política se manifestou sobre a questão em dois posts recentes defendendo que o ensino de uma língua não pode se pautar pela lógica do certo ou errado. As diferentes formas linguísticas são fatos e como fatos devem ser encaradas como tal. Escrevemos em favor de uma lógica da totalidade sem qualquer tipo de hierarquização ou privilégio de uma coisa em detrimento da outra, pois não se conhece uma moeda olhando apenas para um lado.

Por isso, as novas formas devem ser explicadas pela escola, não defendidas, como lembra o linguista Sírio Possenti que é professor do Departamento de Linguística do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp e autor de livros como Discurso, estilo e subjetividade, A cor da língua e outras croniquinhas de linguística, Os humores da língua, Mal comportadas línguas e Por que (não) ensinar gramática na escola.

Sírio concedeu uma entrevista ao Educação Política em que expõe, dentre outras coisas, que a noção de erro a partir da qual se orientou toda cobertura midiática não faz sentido. Segundo ele, o que existe são formas diferentes de falar a mesma língua que, quando descritas com procedimentos adequados, ajudam a descobrir a gramática, as regras e as regularidades dessa língua. Além disso, ele ressalta que a noção de erro é social, a própria sociedade, antes das gramáticas, é que diz se uma pessoa sabe ou não falar uma língua.

Agência EP: Em episódio recente, boa parte da mídia nacional criticou um livro didático aprovado pelo MEC que, segundo alguns jornalistas, era uma ameaça ao ensino do português no Brasil por conter o que eles chamaram de “erros gramaticais”. Como linguista, como você vê a atitude da imprensa nacional? O livro de fato ensina o brasileiro a falar errado ou, na verdade, é a própria gramática tradicional – do certo e do errado – que repete a todo o momento que o brasileiro não sabe falar português?

Sírio Possenti: Há dois aspectos a serem destacados: a) de um ponto de vista científico (observacional, descritivo), a noção de erro não faz sentido. O que existe são formas diferentes de falar uma mesma língua. Todas elas podem ser explicadas (o que é diferente de dizer que são defendidas…). Para descrever tais variedades, existem procedimentos de coleta de dados e de aplicação de outros procedimentos metodológicos que podem ser aprendidos. Esta descrição de cada variadade descobre sua gramática, suas regras, suas regularidades. b) a noção de erro é social, decorre de uma avaliação de formas da língua feitas por critérios soiciais (em geral, consideram-se erradas as formas de falar dos grupos de menor prestígio – os do campo, da periferia das cidades etc.). Há uma forte associação entre escrita e os modos de falar ditos corretos. Assim, não é bem a gramática que diz que se fala errado; é a própria sociedade, mesmo que ela não conheça a gramática.

AEP: O caso do livro do MEC fez ressurgir uma polêmica que vez ou outra aparece quando se trata do aprendizado de uma língua: a relação entre escrita e oralidade. Em seu livro Por que (não) ensinar gramática na escola, você diz que “a escola deve privilegiar a escrita, mas que características da oralidade são cruciais para compreender o processo geral”. Exatamente como a oralidade se faz importante para o aprendizado de uma língua e por que ela geralmente tende a ser vista quase como um “patinho feio”, como algo menos importante, uma forma errada ou própria para apenas algumas ocasiões?

Sírio: Valorizar a oralidade é valorizar o conhecimento linguístico que os alunos têm quando começam sua vida escolar. Não se ensina ninguém a falar na escola. E as aulas são ministradas em português, o que deixa claro que a própria escola sabe que os alunos sabem a língua. O que eles não sabem é escrever. E é o conjunto de “habilidades” que se exigem para escrever (e ler, claro) que devem ser desenvolvidas aos poucos na escola. Paralelamente, faz-se uma avaliação das formas mais e das formas menos aceitáveis pela sociedade, a depender dos contextos sociais em que se fala, ou das esferas ou campos em que se escreve. Não se trata de oralidade pela oralidade, portanto, mas do conhecimento “implícito” da língua.

Misteriosa é a língua

AEP: Quais são os principais problemas que você vê hoje no ensino de gramática nas escolas? Por que os professores têm uma dificuldade tão grande em se desprender dos manuais e reger o ensino mais sob uma lógica da totalidade do que simplesmente do certo ou errado? A escola deveria apenas ser o lugar da análise sintática ou ela pode ser algo mais?

Sírio: Há diversos problemas. Alguns: a) não se ensina gramática para analisar fatos (como se faz em outras disciplinas), mas para ensinar normas; b) a metodologia não é boa: as definições e os critérios de análise não são claros; c) repetem-se as mesmas lições (eventualmente erradas) todos os anos… Eventualmente,pode ser também que os que ensinam não sabem bem o que ensinam. Ourtro problema: confunde-se saber gramática com saber a língua…

AEP: No campo da arte, trabalhos muito interessantes já foram feitos com a linguagem. O escritor Guimarães Rosa, por exemplo, manifestava o desejo de que as línguas fossem se corrompendo umas às outras, por isso, ele alterava o significante das palavras, valendo-se do seu conhecimento em várias línguas como grego, latim e até sânscrito. Além disso, em romances como Grande Sertão: Veredas, o poder da fala vira quase uma forma de existência, de conhecimento e reconhecimento, pois é apenas quando Riobaldo vai dizendo suas memórias que ele entende de fato a sua experiência. Em sua opinião, a linguagem tem mesmo todo esse poder diante da existência humana? Ela é capaz de organizar nossa experiência, assim como organizou a de Riobaldo?

Sírio: Não sei se eu leria Grande Sertão assim… Mas você menciona um fato importante: a língua da literatura não só não coincide com a língua falada, como também não coincide com a língua de outros campos, como o científico ou o jurídico. Outro fato importante: a língua (língua materna) é provavelmente o principal ingrediente da identidade das pessoas. Mas não sei dizer se elas se “conhecem” fazendo narrativas (de si).

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Nos 83 anos de Che, livro traz textos inéditos do guerrilheiro

Ontem o guerrilheiro Ernesto "Che" Guevara completaria 83 anos se estivesse vivo. Para marcar a data, será lançado um livro com alguns textos inéditos do líder revolucionário. “Diário de um combatente” reúne testemunhos de Che durante o movimento de Sierra Maestra que levou Fidel Castro ao poder em 1959.

As editoras Ocean Press e Ocean Sur anunciaram que a obra tem 303 páginas e 40 fotos e fac-símiles. O diário recorre a momentos da luta armada em Cuba desde a chegada do iate Granma, embarcação que levou os revolucionários até a ilha, em 2 de dezembro de 1956 até o triunfo em 1º de janeiro de 1959. Todos os acontecimentos são "narrados por quem foi um de seus principais protagonistas'", informa a contra capa do livro.

“O alto valor do testemunho humano presente no livro ajuda a entender as percepções de Che sobre a realidade da ilha, da sua cultura, identidade e contexto político”, explicou um dos editores, acrescentando que nem todas as revelações são extraordinárias, uma vez que, muitas destas anotações já foram expostas ao público. A novidade é a junção de todos os textos e que permitem agora uma nova leitura e visão sobre os acontecimentos.

O Centro de Estudos Che Guevara, responsável pela obra e legado de revolucionário cubano, demorou a publicar este livro por faltar um grupo importante de notas, que incluem vários meses de luta e cujo paradeiro se desconhece, e ainda por apresentar vários erros ortográficos e imprecisões, devido ao desconhecimento inicial de Che Guevara da geografia cubana e das zonas dos acontecimentos narrados, assim como também existem falhas nos nomes de alguns combatentes.

Nos últimos anos foi feito um estudo exaustivo do diário, na tentativa de retificar grande parte dos erros e falhas das notas. Trabalho que culmina assim na publicação do livro no aniversário de Che Guevara.

Che nasceu em 14 de junho de 1928, em Rosário, na Argentina, e foi assassinado na Bolívia em 9 de outubro de 1967, aos 39 anos, depois de ser capturado do Exército desse país, quando comandava um foco guerrilheiro.

Beto Richa pretende privatizar Copel, Sanepar e Celepar

do blog do tarso

O Governador Carlos Alberto Richa (PSDB) enviou Projeto de Lei Complementar nº 361/2011 para a Assembléia Legislativa com previsão de inclusão na Lei da Agência Reguladora do Paraná (Lei Complementar 92/2002) que ela fará a regulação nas áreas de energia, saneamento e tecnologia da informação.

Segundo a Mensagem do Projeto de Lei assinada por Beto Richa, seu Governo pretende ampliar a abrangência da agência reguladora com a inclusão do Saneamento, Energia, Tecnologia e Informática. Justifica no seu “novo jeito de governar”.

As agências reguladoras existem para regular os serviços públicos e atividades econômicas de interesse público que são prestados pela iniciativa privada. Não há qualquer sentido que uma agência reguladora seja criada para regular os serviços executados pelo próprio Estado.

Assim, a mudança legislativa pretendida pelo Governador tucano sinaliza a intenção que tem o Governo Beto Richa de privatizar a Copel – Companhia de Energia do Paraná, a Sanepar – Companhia de Saneamento do Paraná e a Celepar – Companhia de Informática do Paraná.

Com isso o Governador Carlos Alberto pretende finalizar o que iniciou o Governo Jaime Lerner, que privatizou as estradas, o Banestado, tentou.

Continuam na Bolívia atividades em homenagem a Che Guevara

La Higuera, Bolívia (Prensa Latina) As atividades comemorativas pelo aniversário 83 do natalício do guerrilheiro argentino-cubano Ernesto Che Guevara continuam hoje no povoado boliviano da Higuera.

Em dito lugar, onde foi assassinado em 9 de outubro de 1967, enquanto lutava na zona oriental dessa nação andina, cooperantes cubanos da educação e a saúde e servidores públicos da embaixada de Cuba na nação andina renderão tributo ao mítico combatente.

Segundo comunicaram a Prensa Latina os organizadores, durante a jornada visitarão vários lugares de interesse como o Monumento à Vanguarda da Guerrilha, o consultório onde trabalham os médicos cubanos e ao lugar que recorda a escola na qual o assassinaram.

Assim mesmo terá um momento cultural com a participação de trovadores da Maior das Antilhas.

Ontem teve lugar o ato central pela data na localidade boliviana de Vallegrande, onde repousaram seus restos por três décadas.

Durante sua intervenção o embaixador de Cuba em Bolívia, Rafael Dausá, ressaltou o internacionalismo do Che, exemplo de inspiração para os colaboradores cubanos na nação andina.

Dausá destacou o espírito solidário e de unidade que os impulsiona no objetivo comum de apoiar o processo de mudança comandado pelo presidente Evo Morales.

Por sua vez, representantes da brigada médica cubana em Bolívia, sublinharam o trabalho que há cinco anos realizam os galenos caribenhos na Bolívia.

Acrescentaram que durante esse tempo têm atendido a milhões de pacientes, a muitos dos quais lhes salvaram a vida.

Assim mesmo, a coordenadora nacional da Missão Educativa cubano-venezuelana, Vivian Hernández, precisou que até a data têm graduado a mais de 50 mil bolivianos em segundo e terceiro grau da Educação Primária, o qual deve converter a Bolívia no terceiro país da América Latina em atingir a educação básica de jovens e adultos.

Também enfatizaram a jornada a visita à lavanderia onde levaram os restos do Che e ao lugar no que encontraram a sua colega de luta, Tamara Bunke, Tania a guerrilheira.

Essa cerimônia foi a antessala de outras atividades pelo aniversário 83 do natalício de Guevara de 14 de junho de 1928 na cidade argentina de Rosario.

Frei Betto: ‘Lamento que líderes do PT deem consultoria aos donos do dinheiro’

Sete anos após deixar o governo Lula, no qual foi assessor especial da Presidência, o escritor e assessor de movimentos sociais Frei Betto é um entusiasta da experiência do PT no poder e crítico ferrenho dos dirigentes da sigla. Em meio à crise política e ao impacto do lançamento do programa Brasil sem Miséria, Frei Betto falou ao Estado. Ele elogiou o plano social e não poupou ataques à direção petista no caso Antonio Palocci: "Já não encontro os dirigentes dando consultoria a movimentos sociais".

A entrevista é de Fernando Gallo e publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 12-06-2011].

Eis a entrevista.

Como o sr. analisa a saída de Antonio Palocci do governo?

O governo demorou a agir diante da crise que se instalou a partir da constatação desse surpreendente aumento do patrimônio. Isso gerou muitas dúvidas. Dilma, diante de casos como esse, deveria seguir o exemplo do ex-presidente Itamar Franco, que licenciou o Hargreaves (Henrique Hargreaves, ministro da Casa Civil acusado de irregularidades no cargo) até que as coisas ficassem claras. Comprovada sua total inocência, foi reintegrado. No caso do Palocci, houve uma suspeita que os próprios correligionários abraçaram. O fato de a Executiva do PT não emitir uma nota de apoio, de solidariedade, era sintoma de que no partido pairavam dúvidas. Ali foi o momento em que Dilma deveria ter tomado a providência de afastá-lo.

O episódio pode ser considerado um indicativo de que o PT mudou seus ideais ao virar governo?

Exatamente. Nunca me filiei a nenhum partido político, mas ajudei a construir o PT, assessorei muitos movimentos que formaram lideranças que hoje integram o PT e a política profissional. Lamento que os dirigentes do PT hoje deem consultoria aos donos do dinheiro. Andando pelo Brasil, já não encontro esses dirigentes prestando consultoria a movimentos sociais.

O PT revisou o seu projeto?

Ah, sim! No conjunto do partido, salvo exceções de honrosos militantes, o PT trocou um projeto de Brasil por um projeto de poder. Quando se estende demasiadamente o bloco de alianças, há que fazer concessões. Elas levaram o PT a ter grande prestígio eleitoral, mas não é mais, infelizmente, o partido representativo dos movimentos sociais. Já não identificam nele o partido que vai enfrentar as forças que impedem reformas de estrutura no Brasil.

Em um olhar mais geral, para além da crise, que avaliação o sr. faz do governo Dilma?

Ainda é muito cedo para uma avaliação. A equipe de governo é boa. Tem muita gente que vem do governo Lula, já calejada. O governo está mantendo a política externa do Lula, que eu considero brilhante, e está aprofundando os programas sociais, o que é muito positivo. Não gosto do lema "País rico é país sem miséria". Devia ser "país digno", não "rico". Os Estados Unidos são ricos, mas têm 30 milhões de miseráveis. A China é rica e tem milhões de miseráveis.

O sr. vê alternativa fora das alianças feitas pelo PT?

É difícil governar sem alianças, concordo. Mas elas têm de ser feitas em cima de princípios, não de interesses. Quando os interesses aparecem, como no caso do Código Florestal, as divergências também transparecem. A posição do PT e a do governo não coincidiam com a de muitos membros da base, sobretudo a do PMDB.

Como viu a atuação do governo na votação do Código Florestal?

O PT ficou isolado, mas nesse assunto Dilma tem muita clareza e firmeza. Ela sabe que o Brasil vai abrigar no ano que vem uma importante conferência ambiental. Ela foi a Copenhague acompanhando Lula e assumiu compromissos internacionais. Espero que continue com essa posição firme de não ceder frente às flexibilizações da proposta aprovada na Câmara, que parecem prejudicar o meio ambiente e favorecer os desmatadores, aqueles que praticam assassinatos no campo, invadem a Amazônia com o agronegócio e derrubam árvores para fazer pasto.

O sr. já criticou o governo por suspender o kit anti-homofobia.

Pode ser um recuo tácito, mas o tema está em pauta. Você não pode ignorar uma questão que atinge milhões de brasileiros que têm uma opção de vida amorosa e sexual. Como a questão do aborto, também. O governo pode colocar debaixo do tapete, mas uma hora ela vai ter de vir à tona. São questões relevantes para a sociedade no mundo inteiro. Como um feliz ING que sou hoje - "indivíduo não governamental" -, penso que esses temas terão de ser encarados. Espero que Dilma, que tem passado de combatividade, venha a acabar com tabus e trazer mais luz a esses temas.

O governo se omitiu no assassinato dos líderes do Pará?

Para ser generoso, acho que agiu muito timidamente. Tinha de ter mandado ministros, o do Desenvolvimento Agrário, a dos Direitos Humanos. Deveriam ter ido à região, participado dos enterros, cobrado pessoalmente do governo do Pará, que não abre inquéritos. Deveria ter tido atuação mais rigorosa. No enterro do Chico Mendes, foi todo mundo. As pessoas que estão no governo se mexiam. As coisas são vistas pela TV, pelo jornal. Isso é inconcebível. Os mandantes e assassinos estão convencidos da impunidade. Você tem 98 mandantes e assassinos identificados e apenas um preso, que é o Bida, assassino da Dorothy Stang. Liberou geral o faroeste.

Apesar das críticas, o sr. disse que a experiência do PT no poder é a melhor da história brasileira.

Considero o governo Lula o melhor da história republicana, porque gosto muito do governo de d. Pedro II. Espero que o governo Dilma seja o prosseguimento do governo Lula, principalmente por causa dos avanços do ponto de vista social e à política externa. Minha expectativa é de que o governo consiga transformar políticas de governo, como o combate à miséria e a questão ambiental, em políticas de Estado. Que promova as sonhadas reformas de estrutura: política, tributária, agrária. Isso é urgente. Desde o início dos anos 60 o Brasil clama por isso.

Qual a sua avaliação sobre o plano Brasil sem Miséria?

Vejo com bons olhos. Ao menos no papel é um avanço em relação ao Bolsa Família. Espero, e desconfio, como bom mineiro, que o Brasil sem Miséria seja uma reedição do Fome Zero, que era um programa emancipatório. O Bolsa Família é um programa compensatório. Prova disso é que esse programa até agora não tem porta de saída. Quem entra não sabe como sair assegurando a própria renda e condições dignas de vida. O Brasil sem Miséria não só aumenta o número de famílias e os benefícios de três para cinco filhos até 15 anos, como abre perspectivas de funcionamento da porta de saída. Vamos ver na prática se funciona.

Por que o projeto seria uma reedição do Fome Zero?

O Bolsa Família foi introduzido no lugar do Fome Zero por questões eleitorais. O dinheiro não passava pelas prefeituras e os prefeitos se rebelaram. Pressionaram e conseguiram ganhar a guerra. Eles têm o controle do cadastro e evitam que surjam lideranças populares ameaçadoras das minioligarquias municipais. Além disso, segundo o TCU, há indícios de corrupção em 70% das prefeituras do Brasil. Para bom entendedor, meia palavra basta.

Metendo os Peitos: Análise da Rodada

por Carolaine

A quarta rodada do Brasileirão pode ser inspiradora para alguns técnicos e jogadores; muitos gols nos últimos minutos reforçam a tese de que segurar jogo com apenas um gol de vantagem não é uma “tática” segura. Além da grande quantidade de empates, também assistimos a um festival de pênaltis, expulsões e falhas grosseiras das zagas. Bom para a média de gols, que ficou acima de 3 por jogo nessa rodada. Apesar de muitos atacantes estarem devendo, o Campeonato ainda não viu um 0x0.

Avaí 2 x 2 América-MG – Partida desesperadora para a torcida avaiana! Depois de ficar duas vezes com o placar desfavorável o Leão conseguiu empatar o jogo e conquistar seu primeiro ponto no Campeonato. Foi suado, sofrido e chorado. Alexandre Galo não terá descanso, já chega no Avaí com as cobranças em alta. Destaque para o belo gol de Alessandro do América e para a boa atuação de Julinho, lateral do Avaí que sofreu e bateu um dos pênaltis do jogo. A outra penalidade foi para o América, cobrada e convertida por Fábio Júnior.

Cruzeiro 1 x 1 Santos – Mais uma vez assistimos a equipe de Minas bombardear a meta adversária sem obter grandes sucessos. O Cruzeiro atacou muito e dominou a maior parte do jogo, mas continua refém de uma fase que insiste em não passar. O gol marcado por Montillo foi de pênalti. A Raposa continuou tentando, mas, como diz a célebre frase futebolística – “time que não faz, leva”, e no finzinho do jogo Borges empatou para o Santos. Parte do insucesso pode ser delegada à boa atuação do goleiro Aranha, mas a falta de equilíbrio emocional dos jogadores também é visível. Inclusive do técnico Cuca, que colocou seu cargo à disposição ao fim da partida, mas segundo a diretoria deve permanecer no clube.

São Paulo 3 x 1 Grêmio – O time de Carpegiani continua 100%. O de Renato Gaúcho continua irregular. O Tricolor Gaúcho poderia ter ido para o intervalo já sendo goleado, não fosse a atuação de seu único destaque em campo – o goleiro Victor. No segundo tempo Casemiro marcou seu segundo gol, dessa vez contra o próprio time, mas voltar a dominar o placar não foi um problema diante da atuação gremista. Com um bom toque de bola, velocidade e jogadores inspirados, o São Paulo ampliou com Marlos e Jean (impedido, mas validado pelo juiz). Mesmo com atuações oscilantes o Tricolor Paulista vêm garantindo ótimos resultados, o que deve ajudar muito a equipe que pode perder alguns jogadores para a Copa América e para o Mundial Sub-20.

Vasco 1 x 1 Figueirense – A partida começou fazendo crer que não seria apenas uma pelada comemorativa. Éder Luis jogava bem e criava boas chances, tendo dado o ótimo passe para o gol de Élton. Mas depois do gol o jogo tomou outras feições. O ataque vascaíno já não tinha tanto fôlego, Bernardo não ajudava, e o Figueirense sentia-se a vontade. Com maior posse de bola a equipe visitante cresceu e Jorginho ousou. Com a entrada de Héber o Figueirense ganhou ofensividade e empatou aos 44 do segundo tempo com gol de Aloísio. Ao fim da partida as vaias concorriam com os gritos de “é campeão” na torcida.

Bahia 1 x 1 Atlético Mineiro – No Pituaçu o jogo teve um protagonista inusitado. Não foi Jobson, que custou tanto aos cofres baianos, nem Magno Alves, que continua perdendo gols inacreditáveis. O nome mais comentado da partida foi o de Marcos André da Penha, árbitro capixaba que comandou o apito com muitos erros. É certo que errou para os dois lados, como também é certo que deveria ganhar um bom período de “geladeira” depois dessa. Para o Bahia quem marcou foi Souza de pênalti e, do lado Alvinegro o gol veio de Neto Berola, expulso de campo pouco depois. O Galo pressionou mais, principalmente na segunda etapa, mas o goleiro Marcelo Lomba não permitiu a virada mineira.

Atlético Goianiense 4 x 1 Ceará – De virada e com facilidade surpreendente o Dragão goleou no fim de semana. O jogo foi muito diferente do esperado; ofensivo, pleno de espaços e de bons lances. O Ceará começou bem a partida e abriu o placar com Thiago Humberto, mas caiu muito no segundo tempo. O time da casa soube aproveitar as diversas oportunidades e mostrou o poder de fogo que faltava à equipe até então, com dois gols de Anselmo, um de Bida e outro de Adriano.


Internacional 2 x 2 Palmeiras – Empate com sabor de derrota para a equipe Alviverde. O Palmeiras dominou o jogo, mas sofreu com a infelicidade do gol contra marcado por Márcio Araújo e com a bola alçada na área nos minutos finais, onde Damião aproveitou para empatar. O Colorado também marcou um contra, com Rodrigo, e mostrou ainda a fragilidade da zaga e a falta de entrosamento do grupo. O segundo gol do Palmeiras foi marcado por Luan, num belo chute cruzado que o goleiro Renan aceitou, depois de boas defesas em chutes de Marcos Assunção.

Corinthians 2 x 0 Fluminense – A expectativa de um bom jogo foi confirmada! No entanto a profusão de gols foi barrada pela ótima partida do goleiro Júlio César. Inspiradíssimo (talvez também pela chegada de Renan ao CT do clube) o arqueiro não deixou passar nada! Foi o único goleiro da rodada a não ser vazado, e não foi por falta de tentativas. O Fluminense, depois de um primeiro tempo ruim, voltou buscando a recuperação, com mais ousadia e ofensividade o Tricolor das Laranjeiras tentou mostrar serviço ao recém-chegado Abel Braga, mas não foi dessa vez. Os dois gols da partida saíram no primeiro tempo e ambos do jogador Willian, que vêm se destacando no clube do Parque São Jorge.

Atlético Paranaense 1 x 1 Flamengo – A sina flamenguista continua! O time não consegue vencer na Arena da Baixada, mas mesmo jogando pouco conseguiu sair com um pontinho. O Atlético conseguiu marcar seu primeiro gol no Campeonato com uma bela cobrança de falta de Madson, indefensável para Felipe. A ansiedade e o nervosismo atrapalham o Furacão, que só não carrega a lanterna da competição porque o Avaí tem um saldo de gols ainda pior. O empate do Flamengo começou com um erro de Rafael Santos, o mesmo do gol contra no jogo com o Grêmio, e terminou com a finalização de Deivid, aos 29 do segundo tempo.

Botafogo 3 x 1 Coritiba – Jogo que, como o previsto, surpreendeu muita gente. O Coritiba começou melhor e já marcou no primeiro minuto, com Bill. Buscando se afirmar cada vez mais no cenário nacional o Coxa não se deixou abater e jogou bem, mas o Botafogo está em grande fase e correu atrás do prejuízo. Elkeson foi o destaque Alvinegro; deixou Maicosuel na cara do gol para o empate e depois marcou ele mesmo o da virada em bela cobrança de falta. No final da partida Alexsander ainda aumentou a diferença e sacramentou a derrota Alviverde.

terça-feira, 14 de junho de 2011

Caso Palocci ilustra a “oligarquização do PT” e o “disfuncionamento da República”

Mais uma vez, o país se deparou com uma grande crise nos altos escalões do governo logo no início de um novo mandato presidencial, no caso, o enriquecimento do chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, por meio de consultorias corporativas que lhe teriam auferido uma riqueza de 20 milhões de reais entre 2006 e 2010. Para analisar todo o contexto político que culminou na queda de outro cacique petista desse posto-chave, o Correio da Cidadania conversou com o filósofo Roberto Romano.

Para o professor, o caso apenas reflete a instabilidade inerente ao modo de funcionamento do Estado brasileiro, calcado numa grande concentração de força pelo Poder Executivo, hegemônico nas políticas públicas e na arrecadação de recursos. Assim, nada mais previsível que Palocci tenha se tornado alvo fácil do jogo político violento que permeia nosso Congresso, “que pratica lobby selvagem para si mesmo” – explicativo também da falta de vontade parlamentar de regulamentar tal prática.

Mantendo as mesmas características de “funcionamento”, o Estado brasileiro se encontra em momento mais instável, colocando à prova a habilidade política de Dilma, ainda pouco comprovada. Na opinião do filósofo, casos com a aprovação do Código Florestal apenas ilustram o “grande xadrez que se joga, no qual a presidente está levando xeque-mate”, agravado pela interferência de Lula em meio à tormenta.

Romano volta a bater na tecla da democratização dos partidos, hoje cada vez mais reduzidos às vontades de seus líderes. Sem esta democratização, a discussão sobre uma reforma política é nada mais que um “engodo”, pois não será enfrentada a “oligarquização dos partidos”, fenômeno que o filósofo já identifica no PT.

Tal confusão no seio do governo só abre mais caminho para o retorno triunfal de Lula em 2014, acredita Romano. (texto completo)

MALEITA MOBILIZA CIENTISTAS NA AMAZÔNIA EM BUSCA DE RESPOSTAS PARA O ENIGMA DO MOSQUITO TRANSMISSOR

Da Unesp Ciência que conta como cientistas brasileiros, peruanos e norte-americanos estão literalmente dando o próprio sangue para compôr um quadro detalhado de como a malária se propaga pela região da Amazônia, onde se localizam a maioria dos casos da doença que, inclusive, já se tornou endêmica em muitas áreas.

O objetivo do grupo é descobrir formas mais eficientes de controle e até de erradicação da doença e é a própria pele que os cientistas observam para ver se a fêmea do mosquito de gênero Anopheles (vetor do parasita que transmite a maleita) não deixou, sorrateira e silenciosamente, as suas marcas. E assim eles vão… Perscrutando as pistas de uma presa que ainda desafia a ciência!

Decifra-me ou te devoro
Por Giovana Girardi

São seis da tarde quando três pesquisadores paulistas sentamse nas cadeiras da varanda de uma casa na zona rural de Acrelândia (AC), tiram os tênis e as meias, arregaçam as calças até os joelhos e esperam. De quando em quando, iluminam as próprias pernas com lanternas para checar se as demais convidadas para o encontro não chegaram sorrateiras. Finas, escuras e com inconfundíveis “botinhas” brancas, elas têm o hábito de se aproximar na perpendicular junto à pele exposta, como um prego.

Mas tão logo o fazem, são interpeladas pela equipe e conduzidas ao local reservado para elas – pequenos potes de plástico cobertos com uma redinha. A rapidez da ação é fundamental para que o resultado do encontro não seja muito doloroso. Afinal, a expectativa daqueles cientistas, numa literal doação de sangue pela ciência, era atrair naquela noite de abril, e nas muitas outras que vão se seguir periodicamente pelos próximos anos, fêmeas de mosquitos do gênero Anopheles, vetores do parasita causador da malária.

O trabalho visa capturar especificamente os insetos que chegam até as casas dos moradores de áreas onde a doença
é endêmica. E é uma das etapas de um amplo projeto que pretende compor um quadro detalhado de como a malária se
propaga na Amazônia. A iniciativa reúne um time multidisciplinar de pesquisadores brasileiros (de universidades como USP, Unesp e Federal do Acre), peruanos e americanos, sob coordenação geral do patologista Joseph Vinetz, da Universidade da Califórnia, em San Diego.

É um esforço para fornecer subsídios para a elaboração de mecanismos mais eficientes de controle da doença. E, quem sabe, sua erradicação. No Brasil, a partir do início da década de 1990, a malária se estabilizou em cerca de 500 mil casos por ano – a maciça maioria na Amazônia Legal –, experimentando uma queda para pouco mais de 300 mil em 2008 e 2009 (último ano com dados fechados), de acordo com o Ministério da Saúde. Também houve redução na mortalidade: de 3 em 10 mil habitantes, em 1999, para 1,5 em 10 mil, em 2008, ainda segundo o ministério. O órgão credita esses resultados à ampliação da rede de diagnóstico e tratamento na região amazônica.(Texto completo)

África reduz dependência com países ricos

Aumento de relações com emergentes, como China, Brasil e Índia, ajuda continente a 'virar a página' do pós-colonialismo, afirma relatório

Flickr-Creative Commons/Jilldruschke
AMANDA ROSSI
da PrimaPagina

O crescimento das transações comerciais e financeiras entre a África e países emergentes, como China, Brasil e Índia, contribuiu para o continente integrar-se na economia global e entrar em uma nova fase nas relações internacionais, avalia o relatório African Economic Outlook 2011, lançado pelo Banco Africano de Desenvolvimento. “O reordenamento africano vira a página após 50 anos de uma superdependência do Ocidente, um período algumas vezes chamado de era pós-colonial. As ligações com os parceiros tradicionais enfrentam profundas mudanças", diz o documento.

Muito dependente de Estados Unidos e Europa para obter ajuda econômica, trocas comerciais e investimentos, a África aumentou seus negócios com países em desenvolvimento nos últimos dez anos. “A crise mundial [de 2008-2009] acelerou significativamente a mudança da riqueza global (...). A história da África e de seus parceiros emergentes é uma parte chave da recalibragem da economia global ao longo da última década”, afirma o estudo, divulgado em 6 de junho, em Lisboa.

As trocas comerciais do continente com os emergentes dobraram na última década e já somam 37% do total africano. Em 2009, a China ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o maior parceiro comercial do continente. Já as exportações do Brasil para a África mais que triplicaram entre 2003 e 2010, chegando a cerca de US$ 9 bilhões. Os países em desenvolvimento também aumentaram sua ajuda aos africanos, por meio do financiamento de obras de infraestrutura, empréstimos com taxas de juros menores e concessão de créditos de exportação (o Brasil, por exemplo, forneceu US$ 1,75 bilhão para a Angola até 2010 através do BNDES).

Apesar disso, o papel dos parceiros tradicionais, como são chamados os membros da OCDE (Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento), ainda é central. Eles são responsáveis por 62% das trocas comerciais, 80% do investimento e 90% da ajuda oficial ao desenvolvimento da África. Porém, o aumento da presença dos emergentes, principalmente a China, é um complemento importante que pode contribuir para melhorar a vida de milhões de africanos, avalia o relatório.

O African Economic Outlook considera que as relações com os novos e velhos parceiros são complementares e recomenda que a África se una para aumentar seu poder de barganha. “Para maximizar os benefícios do desenvolvimento das novas relações, as nações africanas podem extrair lições dos seus acordos com os parceiros tradicionais (...). A independência econômica que as economias africanas estão ganhando na globalização pode ser mantida se os países estabelecerem políticas de desenvolvimento próprias e criarem uma coordenação regional e continental para negociar melhor com os parceiros tradicionais e emergentes".

Revoltas no Norte da África

O relatório também faz uma previsão para a economia africana deste ano. A onda de protestos contra regimes ditatoriais que varreu o norte da África e o Oriente Médio no início deste ano, na chamada Primavera Árabe, abalou a economia do continente. O crescimento previsto para 2011 é de 3,7%, abaixo dos 4,9% de 2010. As revoltas dos últimos meses provocaram perdas na produção e prejudicaram o turismo, que é a maior fonte de renda de Egito e Tunísia. Outro fator para a queda no crescimento é a alta do preço dos alimentos, que esteve, inclusive, entre as motivações dos protestos.

A publicação é organizada por PNUD, OCDE, Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) e Comissão Econômica da ONU para a África. Desde sua primeira edição, em 2002, o African Economic Outlook faz análises econômicas sobre o continente e realiza estudos sobre desenvolvimento.

Empresas priorizam mais meio ambiente e trabalho do que combate à corrupção

Corporações que integram Pacto Global estão incorporando princípios relativos a sustentabilidade e direito trabalhista com maior agilidade

Reprodução
Os dez princípios do Pacto Global
Princípios de Direitos Humanos
1. Respeitar e proteger os direitos humanos;
2. Impedir violações de direitos humanos;

Princípios de Direitos do Trabalho
3. Apoiar a liberdade de associação no trabalho;
4. Abolir o trabalho forçado;
5. Abolir o trabalho infantil;
6. Eliminar a discriminação no ambiente de trabalho;

Princípios de Proteção Ambiental
7. Apoiar uma abordagem preventiva aos desafios ambientais;
8. Promover a responsabilidade ambiental;
9. Encorajar tecnologias que não agridem o meio ambiente.

Princípio contra a Corrupção
10. Combater a corrupção em todas as suas formas, inclusive extorsão e propina.
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ONU tira 2 mil empresas do Pacto Global
da PrimaPagina

As empresas que integram o Pacto Global, iniciativa da ONU em prol da responsabilidade social, estão incorporando os princípios relativos à preservação do meio ambiente e aos direitos trabalhistas em um ritmo mais acelerado do que os referentes a direitos humanos e combate à corrupção. É o que aponta a Pesquisa de Implementação do Pacto Global 2010, divulgada nesta terça (7).

Em novembro de 2010, todas as 6 mil empresas participantes do pacto foram convidadas a responder a uma pesquisa on-line. O questionário foi preenchido por 1.251 empresas de 103 países, ou 20% das que integram o compromisso. No Brasil, participaram 48 dos 370 empreendimentos filiados (13% do total).

O objetivo foi fazer um balanço do desempenho das corporações nos dez princípios do Pacto, que envolvem direitos humanos, trabalho, meio ambiente e combate à corrupção. O estudo foi conduzido por uma equipe da Escola Wharton, da Universidade da Pensilvânia.

Dentre as empresas que participaram, cerca de 60% afirmaram atuar em questões ambientais e trabalhistas, percentual bem superior ao apresentado em setores como política de direitos humanos, que teve adesão de 26%. Já com relação a medidas de combate à corrupção, uma minoria das corporações dispõe de planos relacionados à limitação do valor de presentes (38%) e divulgam suas doações políticas (10%).

Outra conclusão do estudo é que as corporações de grande porte tendem a implantar maior quantidade de medidas previstas no pacto. Quase 90% das empresas com mais de 50 mil funcionários, por exemplo, indicaram que incluem princípios dos direitos humanos em seu código global, contra 56% dos pequenos e médios empreendimentos. O mesmo ocorre em relação à instalação de linhas anônimas para denúncias (68% contra 9%) e registro de casos de corrupção (57% e 12%).

O relatório aponta ainda que 65% das empresas levam em consideração se os seus parceiros da cadeia de abastecimento adotam princípios de sustentabilidade, e 12% exigem que os fornecedores participem do Pacto Global antes de fazer negócio. Além disso, 79% das empresas declaram fazer esforços para difundir o compromisso entre suas subsidiárias e 28% exigem que as filiais apliquem os princípios e avaliem os progressos.

Segundo Maria Celina Arraes, coordenadora de Planejamento Estratégico do PNUD, os dados coletados no Brasil coincidem com os registrados em nível global. “De maneira geral, as empresas contam com políticas e códigos para respeito aos princípios do Pacto Global, mas ainda existem desafios no campo de implementação”, afirma.

Sobre o Pacto Global

O Pacto Global é uma iniciativa que reúne 6 mil empresas, organizações sociais e instituições com o objetivo de mobilizar a comunidade empresarial internacional para a adoção, em suas práticas de negócios, de dez princípios nas áreas de direitos humanos, relações de trabalho, meio ambiente e combate à corrupção.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Após 87 dias, indígenas mapuche decidem terminar greve de fome

Adital

Os quatro indígenas mapuche presos no Chile decidiram pelo fim da greve de fome que levavam desde o dia 15 de março. Ramón Llanquileo, José Huenuche, Héctor Llaitul e Jonathan Huillical passaram 87 dias em jejum em demanda de um julgamento justo.

Os indígenas terminaram a greve após um acordo com familiares, organizações de direitos humanos e integrantes da Igreja Católica de formar uma "Comissão pela Defesa dos Direitos do Povo Mapuche”. De acordo com declaração pública divulgada hoje (10) pela Comissão, o grupo atuará na promoção e na defesa dos direitos dos indígenas.

No documento, os integrantes do grupo chamaram o Governo para "um diálogo permanente e transparente "com o objetivo de garantir os direitos dos povos indígenas e de reformar a Lei Antiterrorista para adequá-la aos padrões internacionais de direitos humanos”.

"É de suma gravidade a estigmatização e discriminação que tem sofrido o Povo Mapuche por meio da aplicação de leis de exceção, tal como a Lei Antiterrorista. Dita lei tem sido amplamente condenada por não se ajustar aos padrões internacionais de um devido processo. Responsabilidade que, novamente, recai em todos os poderes do Estado, sem exceção, ao não derrogá-la ou reformulá-la, e outros por invocá-la e aplicá-la”, justificaram.

Tal Comissão está formada por: Fernando Chomalí, arcebispo de Concepción; Lorena Fríes, diretora do Instituto Nacional de Direitos Humanos; Amerigo Incalcaterra, alto comissionado das Nações Unidas para os Direitos Humanos; Pedro Ossandon, bispo auxiliar de Concepción; José Fernando Díaz, da Comissão Nacional da Pastoral Indígena da Zona Sul; Natividad Llanquileo e Millaray Garrido, porta-vozes dos mapuche; e Pamela Matus, familiar dos indígenas.

Mesmo com o fim da greve de fome, os quatro mapuche permanecem no Hospital de Victoria devido ao estado de saúde ainda frágil. Um informe médico divulgado na terça-feira passada (7) revelou que os quatro indígenas estavam com hidratação no limite e desnutrição severa. Em média, cada um perdeu cerca de 20 quilos.

Llanquileo, Huenuche, Llaitul e Huillical iniciaram a greve de fome no dia 15 de março em demanda de um "julgamento justo” e sem a aplicação da Lei Antiterrorista. Os quatro foram condenados, no dia 22 de março, a penas que iam de 20 a 25 anos de prisão por roubo com intimidação e pelo ataque ao fiscal Mario Elguete, em outubro de 2008.

Os indígenas, integrantes da Coordenação Arauco Malleco (CAN), questionam o julgamento realizado pelo Tribunal de Cañete pela utilização da Lei Antiterrorista – imposta pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) – e de testemunhas protegidas.

Na sexta-feira passada (3), a Suprema Corte de Justiça do Chile decidiu reduzir as penas dos indígenas. A sentença de Llaitul passou de 25 para 14 anos de prisão. Já os outros três líderes mapuche tiveram a pena reduzida de 20 para oito anos de encarceramento. A Corte, porém, rechaçou o pedido dos indígenas de anulação do julgamento.

Essa não foi a primeira vez que os quatro mapuche protagonizaram uma greve de fome nas prisões chilenas. Em 2010, os líderes, juntamente com outros 30 indígenas presos, passaram 81 dias em jejum pela não aplicação da Lei Antiterrorista no julgamento deles.

Com informações de agências.

Pandora e Stradivarius

Frei Betto
Escritor e assessor de movimentos sociais
Adital

Conta o mito grego que Epimeteu ganhou dos deuses uma caixa que continha todos os males. Advertiu a mulher, Pandora, que de modo algum a abrisse. Mordida pela curiosidade, ela desobedeceu e os males escaparam.

Hoje, uma das caixas de Pandora mais ameaçadoras são as usinas nucleares – 441 em todo o mundo. Por mais que os Epimeteu das ciências e dos governos apregoem serem seguras, os fatos demonstram o contrário. As mãos de Pandora continuam a provocar vazamentos.

O vazamento da usina nuclear de Chernobyl, em 1986, na Ucrânia, afetou milhares de pessoas, sobretudo crianças, e promoveu séria devastação ambiental. Calcula-se que Chernobyl provocou a morte de 50 mil pessoas.

Agora temos o caso da usina japonesa de Fukushima, atingida pelo tsunami. Ainda é cedo para avaliar a contaminação humana e ambiental provocada por vazamento de suas substâncias radioativas, mas o próprio governo japonês admite a gravidade. Se o Japão, que se gaba de possuir tecnologia de última geração, não foi capaz de evitar a catástrofe, o que pensar dos demais países que brincam de fogo atômico?

No Brasil, temos as três usinas de Angra dos Reis (RJ), construídas em lugar de fácil erosão por excesso de chuva, como o comprovam os desmoronamentos ocorridos na região a 1o de janeiro de 2010.

Ora, não há risco zero em nenhum tipo de usina nuclear. Todas são vulneráveis. Portanto, a decisão de construí-las e mantê-las é de natureza ética. Acidentes naturais e falhas técnicas e humanas podem ocorrer a qualquer momento, como já aconteceu nos EUA, na União Soviética e no Japão.

Em 1979, derreteu o reator da usina de Three Mile Island, nos EUA. Em Chernobyl, o reator explodiu. Em Fukushima, a água abriu fissuras. Portanto, não há sistema de segurança absoluta para essas usinas, por mais que os responsáveis por elas insistam em dizer o contrário.

Ainda que uma usina não venha a vazar, não são seguros os depósitos de material rejeitado pelos reatores. E quando a usina for desativada, o lixo atômico perdurará por muitas e muitas décadas. Haja câncer!

No caso de Angra, se ocorrer algum acidente, não há como evacuar imediatamente a população da zona contaminada. A estrada é estreita, não há campo de pouso para aviões de grande porte e os navios demorariam para aportar nas proximidades.

Cada usina custa cerca de US$ 8 bilhões. O investimento não compensa, considerando que a energia nuclear representa apenas 3% do total de modalidades energéticas em operação no Brasil. Nosso país abriga 12% da água potável do planeta. Com tantos recursos hídricos e enorme potencial de energias solar e eólica, além de energias extraídas da biomassa, não se justifica o Brasil investir em reatores nucleares.

Na Itália, eles foram proibidos por plebiscito. A Suécia agora desativa suas usinas, e a Alemanha decidiu, em maio deste ano, fechar todas as suas usinas nucleares.

Usinas nucleares são como violinos Stradivarius. Antônio Stradivari (1648-1737), italiano, construiu os mais perfeitos violinos. Mais de mil unidades, das quais restam 650. Hoje, um Stradivarius vale, no mínimo, R$ 5 milhões. Um violino nunca é exatamente igual ao outro. As madeiras utilizadas possuem diferentes densidades, a radiação sonora e a vibração diferem e podem ser percebidas por um bom ouvido. Todos os Stradivarius foram feitos por artesãos que souberam guardar os segredos de sua fabricação.

Assim são as usinas nucleares. Não existe uma exatamente igual à outra. Não é previsível o que pode ocorrer no núcleo de uma delas se houver um acidente, incidente ou crise. Assim como se reconhece a qualidade de um violino pelo seu som, apenas por sinais externos se pode avaliar a gravidade de um vazamento nuclear, verificando a temperatura, a radiação e emissão de isótopos radioativos como iodo 131, césio 137, estrôncio 90 e plutônio 238.

Um detalhe da caixa de Pandora: só não escapou o único bem que se misturava aos males – a esperança. E a ela nos atemos neste momento em que, em todo o mundo, há mobilizações pela desativação de usinas nucleares. É hora de o povo brasileiro reagir, antes que se rompam as cordas do violino e as malditas mãos de Pandora venham a abrir de novo a caixa nuclear.

[Frei Betto é escritor, autor de "Diário de Fernando – nos cárceres da ditadura militar brasileira” (Rocco), entre outros livros.

PROGRAMAS SOCIAIS DO GOVERNO SERÃO AMPLIADOS PARA DIMINUIR ALCANÇE DO TRABALHO INFANTIL NO BRASIL

Educação Política

O Brasil quer retirar do trabalho infantil 1,2 milhão de crianças até 2014, por meio da ampliação do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), informou a secretária nacional de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), Denise Colin, em entrevista à Agência Brasil. Essa ampliação está dentro do Programa Brasil sem Miséria, lançado este mês pela presidenta Dilma Rousseff.

Denise Colin disse que hoje o programa atende mais de 800 mil crianças em todo o país. Elas foram encontradas em situação de trabalho no campo, de trabalho doméstico, exploração sexual, entre outros. Segundo a secretária, quando é feita a identificação de trabalho infantil, as crianças são inseridas no Programa Bolsa Família e é anotada na inscrição do programa a situação de trabalho infantil.

“As famílias recebem o benefício do Programa Bolsa Família. Essa criança tem a oportunidade de ser atendida em serviços que possam retirá-la da situação de exploração no trabalho”, disse.

A secretária acrescentou que “os pais são encaminhados a vários serviços, como de qualificação profissional, de documentação, de intermediação de mão de obra. Isso é feito pela política do trabalho e os técnicos orientam essas pessoas, mantêm contato com a equipe do Ministério do Trabalho e fazem toda essa mediação para encaminhamento”.

A secretaria disse ainda desde que o Peti foi integrado ao Bolsa Família, em 2006, houve maior garantia da transferência de renda, o que ajuda a família a manter as crianças longe do trabalho. “Foi um grande avanço a integração do Peti com o Programa Bolsa Família porque possibilitou a garantia da transferência de renda para a família, o que passou a não justificar o uso das crianças nessas situações”.

domingo, 12 de junho de 2011

Time de Fidel pode ter Sócrates como técnico

O ex-meia Sócrates, ídolo do Corinthians e da seleção brasileira, pode voltar a atuar ativamente no futebol. E à frente de uma seleção.

O ex-jogador deve se reunir ainda neste mês com representantes de Cuba para discutir a possibilidade de "colaborar" com a seleção nacional de futebol.

À Folha, Sócrates disse que ainda não existe nada concreto. Também não informou se será treinador. "No que eu puder ajudar, eu vou ajudar", afirmou ontem.

O ex-jogador disse que a possibilidade de ir para Cuba foi levada a ele por amigos, que vão colocá-lo em contato com a diplomacia cubana.

A reportagem procurou ontem a embaixada de Cuba em Brasília, mas não obteve informações sobre o assunto.

Se fechar com o país de Fidel Castro, Sócrates terá pela frente o desafio de comandar uma seleção inexpressiva internacionalmente --o país só disputou uma Copa até hoje.

"Mas Cuba terminou a última eliminatória sem perder. Foi desclassificada, mas saiu invicta", comentou Sócrates.

O ex-atleta também reconheceu não saber "quase nada" da atual situação do futebol cubano, mas que, ainda assim, seria um "desafio interessante" dirigir a seleção.

"O futebol nunca foi o esporte predileto deles [dos cubanos]. Talvez seja isso [que explique seu fraco desempenho]", disse o ex-jogador.

Mais do que um retorno ao mundo do futebol, Sócrates, 57, vislumbra a possibilidade de se aproximar ainda mais de uma de suas paixões.

Socialista assumido, ele diz que a chance de atuar na seleção cubana tem um peso bem mais ideológico do que o do próprio futebol.

A paixão de Sócrates por Cuba não é de hoje. Um dos seus filhos foi batizado como Fidel em homenagem ao ex-ditador Fidel Castro, que comandou a ilha até 2006.

Em entrevistas anteriores, o ex-jogador disse que o país dos irmãos Castro é o "símbolo de um sonho" de igualdade de oportunidades.

Na concepção de Sócrates, esse sistema de Cuba pautado pela igualdade tem relações com a chamada Democracia Corintiana, período da história do time paulista em que as decisões mais importantes eram tomadas por meio do voto democrático.

Nessa época, no início da década de 80, fala ele, o voto do roupeiro do Corinthians valia o mesmo do que o do presidente da agremiação.

Dentro desse espírito de igualdade, Sócrates, jogador do Brasil nas Copas de 1982 e 1986, diz ter uma única exigência para treinar Cuba: quer ganhar o mesmo salário pago a qualquer trabalhador.

"Disso eu não abro mão. Tenho que me sentir como um cubano, receber a mesma cesta básica, as mesmas coisas que eles têm lá, que não é pouca coisa, não."

sábado, 11 de junho de 2011

Metendo os Peitos: Prognósticos da Rodada

por Carolaine

O fim de semana chegou com promessas de grandes emoções! A quarta rodada do Brasileirão está recheada de jogos que tem tudo para encher os olhos da audiência! A maioria das equipes demonstra estar evoluindo e encontrando seus padrões de jogo. Algumas estrelas ainda não brilharam, mas outras vêm surgindo e buscando seu espaço.

As partidas dessa rodada serão:

Avaí x América-MG – Disputa entre dois times em situação complicada. O Avaí principalmente, pois além dos jogadores perdidos para outros times na rodada anterior, agora perderam também o técnico! Silas aceitou proposta e vai para o Qatar, abandonando o barco numa situação delicada. Para piorar, os atacantes titulares do Leão catarinense estão vetados por problemas médicos. A bruxa está solta em Florianópolis, mas o time terá que achar forças e superar essa crise, pois a oportunidade é de ouro. Depois dessa rodada o Avaí enfrentará uma sequência contra Palmeiras, Fluminense e Grêmio. Se a confiança não for restabelecida nesse sábado os problemas tendem a aumentar e muito. Os ingressos para a partida custarão metade do preço cobrado normalmente e a diretoria espera que a torcida lote a Ressacada para incentivar o time.

Cruzeiro x Santos – Esse pode ser um dos bons jogos da rodada. O Cruzeiro ainda não brilhou como no começo da Libertadores, mas o recém chegado atacante Anselmo Ramon já mostrou que tem faro de gol e que pode ajudar a Raposa a reencontrar seu caminho vitorioso. A equipe mineira precisa muito desses três pontos e, com a ajuda da torcida, espera que os bons jogadores do time como Montillo e Wallyson finalmente desencantem e mostrem tudo que sabem. O Santos por sua vez deve entrar em campo com os reservas, poupando os titulares para a final da quarta-feira. Apesar de jogar sem os medalhões a equipe Alvinegra é perigosa, principalmente agora com Borges no ataque.

São Paulo x Grêmio – Mais um jogo que gera grandes expectativas. O São Paulo é o líder isolado da competição; com 100% de aproveitamento, meninos talentosos como Lucas, Casemiro e Wellington, o oportunismo de Dagoberto e um ídolo da torcida no gol. Mas, tirando isso tudo da teoria e assistindo aos jogos, podemos dizer que o Tricolor do Morumbi apresentou o futebol vistoso que o elenco parece capaz apenas na estréia, contra o Fluminense. Contra o Grêmio a equipe paulista pode enfrentar as mesmas dificuldades que teve jogando com o Figueirense. O Imortal Tricolor vêm embalado por uma boa vitória e sempre foi um time “encardido”. Se o São Paulo não tiver paciência e toque de bola, para achar o caminho através do truncado miolo gremista, podemos esperar uma partida centrada no meio de campo, com muitas bolas rifadas e, com sorte, alguns contra-ataques pra dar emoção.

Vasco x Figueirense – O Vasco, ainda em clima de comemoração pela Copa do Brasil, deve contar com uma bela festa em São Januário neste sábado. Além do título a equipe celebrará o retorno de Juninho Pernambucano ao time. A torcida espera que a empolgação apareça em forma de gols, pois o jogo não deve ser fácil. O Figueirense vem mostrando muita solidez na defesa e deve entrar fechadinho e pronto pra estragar a festa vascaína.

Bahia x Atlético Mineiro – Outro jogo que promete emoções fortes. O Bahia ganha muita força jogando perante sua fanática torcida e precisa muito da vitória. A partida marcará a estréia de Ricardinho e provavelmente também contará com a presença de Jobson, protagonista da novela da semana. Por questões contratuais o atacante não poderia jogar contra o Galo, mas a diretoria do Bahia insistiu e afirmou que pagará a multa se for preciso. Fica a expectativa; será que o gasto será recompensado? O atacante promete fazer valer o custo, mas nem só de ataque vive um time. A zaga do Tricolor terá que começar a mostrar serviço no Campeonato, pois os habilidosos jogadores atleticanos irão correr muito atrás do prejuízo tomado na última partida, onde perderam em casa.

Atlético Goianiense x Ceará – Posso até me surpreender, mas essa deve ser a partida menos interessante da rodada. Ambos já venceram na competição, mas ainda não convenceram. O ataque do Dragão não tem apresentado a mesma eficiência que a torcida assistiu no Campeonato Estadual. Tampouco o Ceará, desde que Marcelo Nicácio, Thiago Humberto e Geraldo caíram bruscamente de rendimento. O Vozão parece sobreviver das bobeiras dadas pelas defesas adversárias e de lances individuais, com Michel e Iarley. No time da casa as promessas ficam a cargo de Vitor Júnior e Marcão.

Internacional x Palmeiras – Grande duelo entre o ataque recém acordado do Internacional e a ótima defesa do Palmeiras. Já com fama de estraga prazeres na competição, a equipe Alviverde não vai facilitar a vida das estrelas Coloradas. O time de Falcão comemorou na última rodada sua primeira vitória e, jogando em casa, deve ir pra cima do Palmeiras, que ainda não convenceu ofensivamente, mas é sempre perigoso nas bolas paradas e contra-ataques.

Corinthians x Fluminense – Mais um confronto interessante da rodada, com esperanças de bom futebol e muitos gols. O Corinthians enfrentará no Pacaembu um Fluminense que estreia Abel Braga no comando e conta com a volta de Fred da Seleção. Além disso, a equipe toda vem mostrando melhoras a cada jogo, deixando pra trás a derrota na abertura da competição e buscando defender o título. O time da casa jogará com Liédson, Willian e Jorge Henrique. A partida promete muita ofensividade e correria.

Atlético Paranaense x Flamengo – O Furacão espera manter o ótimo histórico das partidas jogadas em casa contra o Flamengo. É uma grande oportunidade para melhorar o clima no clube, conseguir os primeiros pontos e ganhar auto-estima. Manter um tabu de muitos anos contra um time como o Flamengo deve acariciar o ego de qualquer time e, se o Atlético conseguir essa façanha deve ganhar novo fôlego no Campeonato. Para buscar esse resultado Adilson Batista designou Madson para o lugar de Paulo Baier, que não vinha rendendo, e o atacante Guerrón no lugar de Adaílton. No Flamengo veremos o retorno de Thiago Neves, que não foi aproveitado na seleção.

Botafogo x Coritiba – Essa partida pode surpreender muita gente. Muitos esperam ver um Coritiba abatido depois de perder o título da Copa do Brasil para o Vasco. É certo que o Botafogo tem uma boa equipe e está numa crescente no Campeonato, no entanto, não conto com jogo fácil para a equipe de Caio Júnior. O Coxa vêm afirmando que deseja chegar à Libertadores e vimos que a equipe tem potencial e força para buscar tal meta, resta confirmar se isso refletirá também no campo psicológico.




sexta-feira, 10 de junho de 2011

Pais que elegeu Berlusconi diz que Brasil não é serio

do blog da cidadania

Em 29 de dezembro do ano passado, 48 horas antes de deixar a Presidência da República, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como um de seus últimos atos de governo, concedeu asilo político ao ex-ativista italiano Cesare Battisti, de quem a Itália pôs a cabeça a prêmio por envolvimento nas guerrilhas daquele país nos anos 1970.

Chegou-se àquele ponto após intensa campanha da grande imprensa brasileira para que o governo Lula cedesse às exigências, ameaças e insultos que a Itália vinha fazendo ao Brasil. Cada manchete que a “nossa” mídia publicava era no sentido de mostrar que estaríamos nos desmoralizando diante do resto do mundo ao não atendermos à cosmopolita Itália.

O governo italiano e autoridades do judiciário do país europeu, além da imprensa local, estavam do mesmo lado. Falavam do Brasil como país subdesenvolvido que contrariaria os seus interesses por deficiências não só de sua cultura, mas de seu povo. Na imprensa italiana não faltaram referências racistas ao nosso país.

Isso sem falar nas ameaças. Por conta da decisão de Lula, as autoridades italianas recorreriam à Corte Internacional de Haia, promoveriam retaliações em acordos militares, votariam sistematicamente contra o Brasil nos fóruns internacionais e proibiriam a todos nós de comer pizzas e lasanhas para todo o sempre.

A grande imprensa golpista e entreguista, ao contrário da italiana, que ficou ao lado das demandas nacionais e passou a tratar o Brasil como um escravo insolente, correu para o lado dos detratores da pátria, escandalizada com a falta de “primeiro-mundismo” do governo do operário abusado que desacatara a “metrópole”.

Após alguns dias de abusos verbais e perda de controle por parte de autoridades e imprensa italianas, o premiê Silvio Berlusconi, um dos que mais “botaram pilha” nas ameaças e desqualificações ao Brasil, veio dizer que não era bem assim, que o caso Battisti não afetava, de fato, as rentáveis e desejáveis relações comerciais com o paiseco atrasado de pouco antes.

Agora, o STF enterra as reportagens da “stampa brasiliana” que previam virada da decisão de Lula no STF, com a entrega de Battisti ao seriíssimo país que deu a espetacular prova de maturidade política ao eleger o “estadista” Silvio Berlusconi, que anda tendo que explicar danças de bunga-bunga com garotas pouco mais do que adolescentes.

"QUANDO A GENTE GOSTA, CLARO QUE A GENTE CUIDA..."

FELIZ ANIVERSÁRIO, TERRA ADORADA!

por Tércio Albuquerque

Pois é minha gente, cumprindo minha promessa de um "até breve" retornei a nossa FOZ.

Na verdade nunca estive fora, quando um cidadão se dispõe ao sacerdócio da vida pública, está sujeito a todas as tribulações e alegrias que esta opção lhe reserva.

Aqui nesta que chamo de TERRA ADORADA, nossa FOZ, iniciei minha trajetória. Recebido de braços abertos como todos que para aqui migraram em variadas épocas, gozei da hospitalidade, da receptividade de uma população gentil e acolhedora.

Pela generosidade desse povo trilhei uma vida pública da qual muito me orgulho. Fui eleito Vereador, fui Prefeito, Deputado Estadual, Diretor de Itaipu, Delegado Regional do Trabalho, Secretário de Estado do Trabalho e Promoção Social. Nessa vitoriosa trajetória, sempre tive o apoio o respaldo, desta generosa população.

Hoje é dia de homenagear nossa terra, essa TERRA ADORADA, em seu aniversário.

Felicitá-la em versos e prosa, saudá-la com alegria esperança e amor.

De nosso belo hino nacional peço emprestado um pedacinho no trecho que exalta que UM FILHO TEU NÃO FOGE A LUTA, e declaro e declamo meu amor a nossa FOZ, TERRA ADORADA entre outras mil.

Aos habitantes de nossa terra que também saúdo, inumeráveis amigos e amigas, cantaria..."Amigos para Sempre..."

E assim cantarolando em saudações a cidade e seu povo, canto também aquela que talvez represente da melhor forma meus sentimentos, a belíssima canção do compositor Peninha, que "explodiu de sucesso" na voz de Caetano Veloso, aproveitando o momento que também além de festivo é de reflexão pra convocar a todos para o refrão,..."Quando a Gente Gosta, Claro Que a Gente Cuida...", pois esse é meu maior sentimento, minha real intenção e preocupação.

Dia de júbilo sim, alegria, festa e também de compromisso.

Comemorar o aniversário de FOZ e renovar nossos desejos felicidades e prosperidade a sua gente, pois não existe território sem nação, cidade sem cidadão.

A construção e o bem estar de uma comunidade se mede também pela qualidade de vida de seus habitantes, portanto, saudar o Município é também saudar sua gente, que em última instância é a razão de ser da Municipalidade.

Parabéns a Cidade, felicidades aos Cidadãos!

Viva a TERRA ADORADA, Viva FOZ!

Tércio Albuquerque

A crise européia e o “moinho satânico” do capitalismo global

A crise européia é não apenas uma crise da economia e da política nos países europeus, mas também – e principalmente - uma crise ideológica que decorre não apenas da falência política dos partidos socialistas em resistir à lógica dos mercados financeiros, mas também da incapacidade das pessoas comuns e dos movimentos sociais de jovens e adultos, homens e mulheres explorados e numa situação de deriva pessoal por conta dos desmonte do Estado social e espoliação de direitos pelo capital financeiro, em perceberem a natureza essencial da ofensiva do capital nas condições do capitalismo global. O artigo é de Giovanni Alves. A crise financeira de 2008 expõe com candência inédita, por um lado, a profunda crise do capitalismo global e, por outro, a débâcle político-ideológico da esquerda socialista européia intimada a aplicar, em revezamento com a direita ideológica, os programas de ajustes ortodoxos do FMI na Grécia, Espanha e Portugal, países europeus que constituem os “elos mais fracos” da União Européia avassalada pelos mercados financeiros.

Aos poucos, o capital financeiro corrói o Estado social europeu, uma das mais proeminentes construções civilizatórias do capitalismo em sua fase de ascensão histórica. Com a crise estrutural do capital, a partir de meados da década de 1970, e a débâcle da URSS e o término da ameaça comunista no Continente Europeu, no começo da década de 1990, o “capitalismo social” e seu Welfare State, tão festejado pela social-democracia européia, torna-se um anacronismo histórico para o capital. Na verdade, a União Européia nasce, sob o signo paradoxal da ameaça global aos direitos da cidadania laboral. É o que percebemos nos últimos 10 anos, quando se ampliou a mancha cinzenta do desemprego de longa duração e a precariedade laboral, principalmente nos “elos mais fracos” do projeto social europeu. Com certeza, a situação do trabalho e dos direitos da cidadania laboral na Grécia, Espanha e Portugal deve piorar com a crise da dívida soberana nestes países e o programa de austeridade do FMI.

Vivemos o paradoxo glorioso do capital como contradição viva: nunca o capitalismo mundial esteve tão a vontade para aumentar a extração de mais-valia dos trabalhadores assalariados nos países capitalistas centrais, articulando, por um lado, aceleração de inovações tecnológicas e organizacionais sob o espírito do toyotismo; e por outro lado, a proliferação na produção, consumo e política, de sofisticados dispositivos de “captura” da subjetividade do homem que trabalha, capazes de exacerbar à exaustão, o poder da ideologia, com reflexos na capacidade de percepção e consciência de classe de milhões e milhões de homens e mulheres imersos na condição de proletariedade.

Deste modo, a crise européia é não apenas uma crise da economia e da política nos países europeus, mas também – e principalmente - uma crise ideológica que decorre não apenas da falência política dos partidos socialistas em resistir à lógica dos mercados financeiros, mas também da incapacidade das pessoas comuns e dos movimentos sociais de jovens e adultos, homens e mulheres explorados e numa situação de deriva pessoal por conta dos desmonte do Estado social e espoliação de direitos pelo capital financeiro, em perceberem a natureza essencial da ofensiva do capital nas condições do capitalismo global.

Ora, uma parcela considerável de intelectuais e publicistas europeus têm uma parcela de responsabilidade pela “cegueira ideológica” que crassa hoje na União Européia. Eles renunciaram há tempos, a uma visão critica do mundo, adotando como único horizonte possível, o capitalismo e a Democracia – inclusive aqueles que se dizem socialistas. Durante décadas, educaram a sociedade e a si mesmos, na crença de que a democracia e os direitos sociais seriam compatíveis com a ordem burguesa. O pavor do comunismo soviético e a rendição à máquina ideológica do pós-modernismo os levaram a renunciar a uma visão radical do mundo. Por exemplo, na academia européia – que tanto influencia o Brasil – mesmo em plena crise financeira, com aumento da desigualdade social e desmonte do Welfare State, abandonaram-se os conceitos de Trabalho, Capitalismo, Classes Sociais e Exploração. Na melhor das hipóteses, discutem desigualdades sociais e cidadania...

Há tempos o léxico de critica radical do capitalismo deixou de ser utilizado pela nata da renomada intelectualidade européia, a maior parte dela, socialista, satisfeita com os conceitos perenes de Cidadania, Direitos, Sociedade Contemporânea, Democracia, Gênero, Etnia, etc – isto é, conceitos e categoriais tão inócuas quanto estéreis para apreender a natureza essencial da ordem burguesa em processo e elaborar com rigor a crítica do capitalismo atual. Na verdade, para os pesquisadores da “classe média” intelectualizada européia, muitos deles socialistas “cor-de-rosa”, a esterilização da linguagem crítica permite-lhes pleno acesso aos fundos públicos (e privados) de pesquisa institucional.

É claro que esta “cegueira ideológica” que assola o Velho Continente decorre de um complexo processo histórico de derrota do movimento operário nas últimas décadas, nos seus vários flancos – político, ideológico e social: o esclerosamento dos partidos comunistas, ainda sob a “herança maldita” do stalinismo; a “direitização” orgânica dos partidos socialistas e sociais-democratas, que renunciaram efetivamente ao socialismo como projeto social e adotaram a idéia obtusa de “capitalismo social”; o débâcle da União Soviética e a crise do socialismo real, com a intensa campanha ideológica que celebrou a vitória do capitalismo liberal e do ideal de Democracia. A própria União Européia nasce sob o signo da celebração da globalização e suas promessas de desenvolvimento e cidadania. Last, but not least, a vigência da indústria cultural e das redes sociais de informação e comunicação que contribuíram – apesar de suas positividades no plano da mobilização social – para a intensificação da manipulação no consumo e na política visando reduzir o horizonte cognitivo de jovens e adultos, homens e mulheres à lógica do establishment, e, portanto, à lógica neoliberal do mercado, empregabilidade e competitividade.

Na medida em que se ampliou o mundo das mercadorias, exacerbou-se o fetichismo social, contribuindo, deste modo, para o “derretimento” de referenciais cognitivos que permitissem apreender o nome da “coisa” que se constituía efetivamente nas últimas décadas: o capitalismo financeiro com seu “moinho satânico” capaz de negar as promessas civilizatórias construídas na fase de ascensão histórica do capital.

Não deixa de ser sintomático que jovens de classe média indignados com a “falsa democracia” e o aumento da precariedade laboral em países como Portugal e Espanha, tenham levantado bandeiras inócuas, vazias de sentido, no plano conceitual, para expressar sua aguda insatisfação com a ordem burguesa. Por exemplo, no dia 5 de junho de 2011, dia de importante eleição parlamentar em Portugal, a faixa na manifestação de jovens acampados diante da célebre catedral de Santa Cruz em Coimbra (Portugal), onde está enterrado o Rei Afonso Henriques, fundador de Portugal, dizia: “Não somos contra o Sistema. O Sistema é que é Contra Nós”. Neste dia, a Direita (PSD-CDS) derrotou o Partido Socialista e elegeu a maioria absoluta do Parlamento, numa eleição com quase 50% de abstenção e votos brancos. Enfim, órfãos da palavra radical, os jovens indignados não conseguem construir, no plano do imaginário político, uma resposta científica e radical, à avassaladora condição de proletariedade que os condena a uma vida vazia de sentido.

Na verdade, o que se coloca como tarefa essencial para a esquerda radical européia - e talvez no mundo em geral - é ir além do mero jogo eleitoral e resgatar a capacidade de formar sujeitos históricos coletivos e individuais capazes da “negação da negação” por meio da democratização radical da sociedade. Esta não é a primeira - e muito menos será a última - crise financeira do capitalismo europeu. Portanto, torna-se urgente construir uma “hegemonia cultural” capaz de impor obstáculos à “captura” da subjetividade de homens e mulheres pelo capital. Para que isso ocorra torna-se necessário que partidos, sindicatos e movimentos sociais comprometidos com o ideal socialista, inovem, isto é, invistam, mais do que nunca, em estratégias criativas e originais de formação da classe e redes de subjetivação de classe, capazes de elaborar – no plano do imaginário social – novos elementos de utopia social ou utopia socialista. Não é fácil. É um processo contra-hegemônico longo que envolve redes sociais, partidos, sindicatos e movimentos sociais. Antes de mais nada, é preciso resgatar (e re-significar) os velhos conceitos e categorias adequadas à critica do capital no século XXI. Enfim, lutar contra a cegueira ideológica e afirmar a lucidez crítica, entendendo a nova dinâmica do capitalismo global com suas crises financeiras.

Ora, cada crise financeira que se manifesta na temporalidade histórica do capitalismo global desde meados da década de 1970 cumpre uma função heurística: expor com intensidade candente a nova dinâmica instável e incerta do capitalismo histórico imerso em candentes contradições orgânicas.

Na verdade, nos últimos trinta anos (1980-2010), apesar da expansão e intensificação da exploração da força de trabalho e o crescimento inédito do capital acumulado, graças à crescente extração de mais-valia relativa, a produção de valor continua irremediavelmente aquém das necessidades de acumulação do sistema produtor de mercadorias. É o que explica a financeirização da riqueza capitalista e a busca voraz dos “lucros fictícios” que conduzem a formação persistente de “bolhas especulativas” e recorrentes crises financeiras.

Apesar do crescimento exacerbado do capital acumulado, surgem cada vez mais, menos possibilidades de investimento produtivo de valor que conduza a uma rentabilidade adequada às necessidades do capital em sua etapa planetária. Talvez a voracidade das políticas de privatização e a expansão da lógica mercantil na vida social sejam estratégias cruciais de abertura de novos campos de produção e realização do valor num cenário de crise estrutural de valorização do capital.

Ora, esta é a dimensão paradoxal da crise estrutural de valorização. Mesmo com a intensificação da precarização do trabalho em escala global nas últimas décadas, com o crescimento absoluto da taxa de exploração da força de trabalho, a massa exacerbada de capital-dinheiro acumulada pelo sistema de capital concentrado, não encontra um nível de valorização – produção e realização - adequado ao patamar histórico de desenvolvimento do capitalismo tardio.

Deste modo, podemos caracterizar a crise estrutural do capitalismo como sendo (1) crise de formação (produção/realização) de valor, onde a crise capitalista aparece, cada vez mais, como sendo crise de abundância exacerbada de riqueza abstrata. Entretanto, além de ser crise de formação (produção/realização) de valor, ela é (2) crise de (de)formação do sujeito histórico de classe. A crise de (de)formação do sujeito de classe é uma determinação tendencial do processo de precarização estrutural do trabalho que, nesse caso, aparece como precarização do homem que trabalha.

Ora, a precarização do trabalho não se resume a mera precarização social do trabalho ou precarização dos direitos sociais e direitos do trabalho de homens e mulheres proletários, mas implica também a precarização-do-homem-que-trabalha como ser humano-genérico. A manipulação – ou “captura” da subjetividade do trabalho pelo capital – assume proporções inéditas, inclusive na corrosão político-organizativa dos intelectuais orgânicos da classe do proletariado. Com a disseminação intensa e ampliada de formas derivadas de valor na sociedade burguesa hipertardia, agudiza-se o fetichismo da mercadoria e as múltiplas formas de fetichismo social, que tendem a impregnar as relações humano-sociais, colocando obstáculos efetivos à formação da consciência de classe necessária e, portanto, à formação da classe social do proletariado.

Deste modo, o capitalismo global como capitalismo manipulatório nas condições da vigência plena do fetichismo da mercadoria, expõe uma contradição crucial entre, por um lado, a universalização da condição de proletariedade e, por outro lado, a obstaculização efetiva – social, política e ideológica - da consciência de classe de homens e mulheres que vivem da venda de sua força de trabalho.

Imerso em candentes contradições sociais, diante de uma dinâmica de acumulação de riqueza abstrata tão volátil, quanto incerta e insustentável, o capitalismo global explicita cada vez mais a sua incapacidade em realizar as promessas de bem-estar social e emprego decente para bilhões de homens e mulheres assalariados. Pelo contrário, diante da crise, o capital, em sua forma financeira e com sua personificação tecnoburocrática global (o FMI), como o deus Moloch, exige hoje sacrifícios perpétuos e irresgatáveis das gerações futuras.

Entretanto, ao invés de prenunciar a catástrofe final do capitalismo mundial, a crise estrutural do capital prenuncia, pelo contrário, uma nova dinâmica sócio-reprodutiva do sistema produtor de mercadorias baseado na produção critica de valor.

Apesar da crise estrutural, o sistema se expande, imerso em contradições candentes, conduzido hoje pelos pólos mais ativos e dinâmicos de acumulação de valor: os ditos “países emergentes”, como a China, Índia e Brasil, meras “fronteiras de expansão” da produção de valor à deriva. Enquanto o centro dinâmico capitalista – União Européia, EUA e Japão - “apodrece” com sua tara financeirizada (como atesta a crise financeira de 2008 que atingiu de modo voraz os EUA, Japão e União Européia), a periferia industrializada “emergente” alimenta a última esperança (ou ilusão) da acumulação de riqueza abstrata sob as condições de uma valorização problemática do capital em escala mundial (eis o segredo do milagre chinês).

Portanto, crise estrutural do capital não significa estagnação e colapso da economia capitalista mundial, mas sim, incapacidade do sistema produtor de mercadorias realizar suas promessas civilizatórias. Tornou-se lugar comum identificar crise com estagnação, mas, sob a ótica do capital, “crise” significa tão-somente riscos e oportunidades históricas para reestruturações sistêmicas visando a expansão alucinada da forma-valor. Ao mesmo tempo, “crise” significa riscos e oportunidades históricas para a formação da consciência de classe e, portanto, para a emergência da classe social de homens e mulheres que vivem da venda de sua força de trabalho e estão imersos na condição de proletariedade. Como diria Marx, Hic Rhodus, hic salta!

(*) Giovanni Alves é professor da UNESP, pesquisador do CNPq, atualmente fazendo pós-doutorado na Universidade de Coimbra/Portugal e autor do livro “Trabalho e Subjetividade – O “espírito do toyotismo na era do capitalismo manipulatório” (Editora Boitempo, 2011). Site: http://www.giovannialves.org /e-mail: giovanni.alves@uol.com.br

Contra Palocci e contra a direita farsante

Escrito por Milton Temer

Conjuntura complexa a que vivemos. Um dos principais quadros do grande capital internacional, e de seus cúmplices no Brasil, Antonio Palocci, consegue ser também, por força de guinada programática da corrente majoritária na cúpula do partido, um dos "intocáveis" do Partido dos Trabalhadores. O que lhe permite operar como eficiente quinta-coluna das classes dirigentes junto até a alguns militantes de boa-fé. Militantes que, na conjuntura atual, encontram motivo para ver, nos ataques a Palocci, uma manobra do famigerado PIG (partido da imprensa golpista).

Mas é interessante que o próprio autor da sigla - o bem informado e combativo jornalista Paulo Henrique Amorim, com o seu twitter @conversafiada - é um dos principais contestadores da bizarra decisão do Procurador Geral da República, ao se negar a abrir investigação contra Palocci. De minha parte, prefiro ler pelo lado positivo, para continuar o embate contra esse embuste. Ele diz não haver indícios para investigar, no Código Penal, mas admite a legitimidade da iniciativa do Ministério Público do Distrito Federal, que investiga Palocci por improbidade administrativa.

E é para isso que têm de atentar os não cooptados pelo pragmatismo palaciano que contaminou amplos segmentos privilegiados do PT. Para isso têm de atentar os que não compõem o PT da "boquinha", e seguem convictos de que opor-se ao avanço do neoliberalismo com roupagem nova, que essa corrente defende, constitui tarefa fundamental.

Qual o grande prejuízo que a esquerda tem com a defesa de Palocci assumida por Lula e lideranças maiores do PT? É o de abrir um campo de ação falacioso para o "udenismo moralista". É abrir para bancadas do PSDB-PFL e seus sucedâneos a possibilidade de portar bandeiras com as quais nada têm a ver, por seus passados muito mais identificados com "folhas corridas" do que com currículos de vida airosa.

Esses farsantes, todos financiados pelos parceiros de Palocci, não querem por fim às práticas criminosas de privatização do bem público, porque é nessa prática que sempre encontraram os recursos para encher suas burras. Apenas se aproveitam do momento para dar luz ao embate parlamentar. Para poder substituir o próprio Palocci nas práticas que o levam a ser investigado pelo MP de Brasília.

Nesse contexto, o que cabe à esquerda? Calar-se para não se misturar com essa escumalha reacionária? Nem de perto. Cabe denunciar os dois como produtos inerentes do caráter essencialmente predatório dessa ordem econômica que oprime maiorias para enriquecer privilegiados. Dessa ordem capitalista.

É isso que temos que deixar claro permanentemente. Embora estejamos taticamente coincidentes, até juntos, não estamos misturados. Estamos contra os dois: os que se venderam, como Palocci e seus aliados - dos maganos do PT aos cardeais desprezíveis do PMDB -, e os que sempre estiveram cúmplices dos que corrompem e degradam as instituições, ditas, republicanas - PSDB,PFL e seus sucedâneos.

E é por aí que fazemos a diferença. É por aí que nos fazemos imprescindíveis.

Milton Temer é jornalista.

Professor acusado de supostas ligações com as Farc é liberado depois de 2 anos

Adital

A justiça da Colômbia decidiu libertar o professor Miguel Ángel Beltrán, que era acusado de ter ligações com a ala política e ideológica das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Beltrán, identificado como "Jaime Cienfuegos”, foi capturado em maio de 2009 no México, e permaneceu por 747 dias na prisão.

No entanto, o acadêmico sempre negou as acusações e declara ser vítima de uma perseguição de Estado. "São dois anos duros frente ao pensamento crítico, mas ao final triunfou a liberdade”, disse.

Segundo informações da TeleSur da Colômbia, o professor foi recebido por familiares e alunos, e logo seguiu para a Universidade Nacional, onde deverá retomar suas aulas. Ainda de acordo com a TeleSur, Beltrán solicitará medidas de proteção especiais ao governo, "depois das perseguições e da agitação política”, provocadas pela medida judicial.

O processo contra Beltrán se baseava em 159 e-mails que teriam sido encontrados nos computadores apreendidos de Raúl Reyes, mandante número 2 das Farc, morto em março de 2008, durante a Operação Fênix no Equador. No entanto, devido a esta operação ter acontecido em território equatoriano, e as provas terem sido recolhidas no local, sem a participação das autoridades deste país, a Corte colombiana decidiu que estas provas baseadas nos arquivos dos computadores de Reyes são ilegais e não poderiam ser validadas na Colômbia.

A Procuradoria afirmava que o professor era um dos colunistas da revista Resistência e o acusava de estar recrutando estudantes no México, onde foi preso. As autoridades colombianas afirmam que graças a sua atuação, um grupo de universitários mexicanos viajou ao acampamento de Reyes nos dias em que aconteceu a Operação Fênix.

Outras sentenças similares à de Beltrán, em casos de acusações baseadas nas ‘provas’ dos computadores de Reyes, são esperadas para os próximos dias. Na lista está o subdiretor da Agência de Notícias Nueva Colômbia (Anncol), Joaquín Pérez Becerra, que foi capturado e extraditado na Venezuela há dois meses.

Protestos

Desde que o governo da Venezuela, liderado por Hugo Chávez, entregou o comandante das Farc, Julián Conrado, e o diretor da Anncol, Joaquín Pérez Becerra, ao governo da Colômbia, ativistas e intelectuais iniciaram um indignado protesto, acusando o governo venezuelano de ter um tratado de cooperação com as polícias colombianas.

Os ativistas dizem que durante anos Hugo Chávez apelou para o reconhecimento das Farc como força revolucionária de guerra. O movimento Resistir também acusa o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, de ser neofascista e de ter ligações com o narcotráfico, além de praticar o terrorismo de Estado como estratégia de poder.

"Na esperança de que as autoridades venezuelanas libertem imediata e incondicionalmente o comandante Julián Conrado, os abaixo-assinados – solidários com a Revolução Bolivariana – sublinhamos que as opções democráticas e progressistas do governo de Hugo Chávez são incompatíveis com o gesto que motiva o nosso protesto veemente”, afirmam.

Em apoio à libertação de Conrado, o movimento Resistir está coletando assinaturas de simpatizantes com a causa, que podem ser enviadas para o endereço eletrônico: conrado_adesao@resistir.info. Dezenas de pessoas de diversos países já assinaram. Mais informações em: http://resistir.info/

O ex-representante do governo venezuelano na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), Freddy Gutiérrez, também se pronunciou sobre os casos. Em carta enviada ao presidente Hugo Chávez, no último dia 26, ele lembrou que o Pacto de San José, de 1969, dispõe que "toda pessoa tem o direito de buscar e receber asilo em território estrangeiro em caso de perseguição por crimes políticos ou comuns conexos com os políticos”, e que "em nenhum caso o estrangeiro pode ser expulso ou devolvido a outro país, seja de origem ou não, onde seu direito à vida ou à liberdade pessoal esteja em risco de violação”.

Com informações da TeleSur.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Metendo os Peitos: Análise da Terceira Rodada

por Carolaine

Palmeiras 1 x 0 Atlético-PR –
O time Alviverde permanece sem tomar gols no Canindé nessa temporada. O Furacão (já apelidado de “brisa” por alguns comentaristas) segue sem vitórias e preocupando a torcida. O jogo foi corrido, sofrido, cheio de faltas e com uma expulsão (Rômulo do Atlético-PR). Apesar da pressão exercida, o Palmeiras não teve muitas chances claras de gol. As duas equipes dependem muito das bolas paradas de Assunção por um lado e de Baier do outro. Melhor para o Palmeiras, que tem o seu homem forte em melhor fase e conseguiu marcar, ironicamente, com Chico ex-jogador da equipe adversária.

Fluminense 2 x 1 Cruzeiro – Partida equilibrada e muito movimentada. As duas equipes demonstraram estar evoluindo na competição e buscando regularidade em suas apresentações. O time de Cuca melhorou em relação às primeiras partidas do Campeonato, foi até mais incisivo no ataque em muitos momentos da partida, no entanto, o Fluminense foi mais efetivo. Com dois gols de Rafael Moura e belas atuações de Deco e Conca o Tricolor das Laranjeiras decretou uma importante vitória e só tem a crescer na competição com a chegada do técnico Abel Braga.

Ceará 2 x 2 Botafogo – Empate justo e emocionante no Estádio Presidente Vargas. Destaque para a atuação de Elkeson do Botafogo e para o golaço de Michel do Ceará. O resultado não foi bom para nenhuma das equipes, que permanecem no meio da tabela, mas o Vozão mostrou sua garra e capacidade de reação, enquanto o Botafogo parece estar se aproximando de um padrão de jogo, apesar da atuação apagada de Maicosuel.

Figueirense 2 x 0 Atlético-GO – O jogo foi equilibrado como prevíamos. Os donos da casa começaram melhor, mas a falta de ação no ataque chamou o adversário pro jogo. Apesar disso a partida foi esfriando. Quando parecia que o empate sem gols era certo, um erro da defesa atleticana deixou Héber livre para marcar o primeiro. Aparentemente desnorteado o Dragão tomou mais um, desta vez assinalado de cabeça pelo zagueiro Edson Silva, para fechar o placar.

Flamengo 1 x 1 Corinthians – O Clássico protagonizado pela despedida de Petkovic foi responsável pelo melhor público da rodada. Quarenta e duas mil pessoas presenciaram o jogo e homenagearam o “gringo”. O Corinthians jogou melhor no primeiro tempo e mereceria até ter saído para o intervalo vitorioso, mas Pet não merecia tal destino. Teve a chance dele mesmo marcar o gol de empate, mas, consciente do cansaço de suas pernas pediu para Renato bater a falta, que em seus tempos mais brilhantes lhe seria perfeita. Renato honrou a presença do Sérvio e empatou para o Flamengo. A partida poderia ter um placar mais elástico, mas os goleiros brilharam. Ficou clara também a falta que Thiago Neves faz na equipe Rubro-Negra.

Grêmio 2 x 0 Bahia – O tricolor gaúcho finalmente encerrou seu jejum de vitórias em casa. Venceu sem grandes dificuldades, com dois gols de Júnior Viçosa. Apesar de ter desperdiçado muitos gols, a torcida gremista já deve sentir-se aliviada. Já o Bahia precisa urgentemente arrumar a casa. O elenco possui alguns jogadores talentosos, mas precisa acordar na competição para fugir das últimas posições da tabela.

Coritiba 5 x 1 Vasco – Jogo surpreendente! Até mesmo para quem contava com a vontade do Coxa em mostrar à que veio no Brasileirão, o placar foi além das expectativas. Quatro gols em vinte minutos e finalmente o Alviverde acorda na competição para a qual passou o último ano lutando para voltar. A abertura do placar foi com o gol de Tcheco, os outros três com Anderson Aquino (que pediu música no Fantástico – o Hino do Coritiba). E teve mais no segundo tempo! Maranhão ampliou e Elton fez o gol de honra para o time cruz-maltino. A partida animou a torcida Alviverde para a decisão da Copa do Brasil e jogou um balde de água gelada na equipe reserva do Vasco que vinha de duas belas vitórias.

Santos 3 x 1 Avaí – O Santos conseguiu sua primeira vitória e o estreante Borges já garantiu gols para homenagear os dois rebentos no ventre da esposa. A equipe santista, apesar do excessivo número de passes errados, ganhou com tranquilidade e piorou ainda mais a situação do Avaí, ainda sem vitórias e com uma média superior a três gols tomados por partida.

América-MG 2 x 4 Internacional – Com o mando de campo mas sem torcida (o jogo foi realizado no Mato Grosso), o Coelho até que tentou, mas não conseguiu reagir frente ao ofensivo Internacional, que só diminuiu o ritmo após marcar o terceiro gol. Com a larga vantagem no placar o Colorado esfriou. O América correu atrás do prejuízo, pressionou, conseguiu marcar dois gols, mas volta para Minas com os mesmos três solitários pontos conquistados na estréia. O Internacional mostrou sua força ofensiva, mas mostrou também muitas fragilidades na zaga. Falcão volta para o sul satisfeito com a primeira vitória e com a bela atuação de Oscar, mas com a plena consciência de que ainda tem muito trabalho pela frente.

Atlético-MG 0 x 1 São Paulo – Apesar do placar magro, o jogo foi um dos melhores da rodada. A equipe visitante conseguiu, com muito esforço e muitos volantes, segurar o ímpeto ofensivo do time da casa. O Galo não parou de lutar, mas deu chances para o adversário nos contra-ataques e acabou sofrendo um gol onde Casemiro apareceu livre de marcação. Rogério Ceni também foi um dos grandes responsáveis pela vitória do Tricolor, que agora é líder isolado com três vitórias em três jogos.