quinta-feira, 15 de março de 2012

Os fantasmas do passado visitam a Venezuela

carta maior

A América Latina foi a região do mundo que teve mais governos neoliberais e nas suas modalidades mais radicais. Praticamente nenhum país foi poupado desses governos – com exceção de Cuba – que devastaram os direitos sociais, o potencial de desenvolvimento econômico, a soberania nacional, os Estados latino-americanos.


O neoliberalismo começou pela extrema direita – com Pinochet e sua ditadura -, mas depois se alastrou para correntes originariamente nacionalistas – como o PRI mexicano e o peronismo de Carlos Menem. Para posteriormente ser incorporado por partidos social democratas – como o Partido Socialista do Chile, a Ação Democrática da Venezuela, o PSDB do Brasil.

Todos foram ao governo e colocaram em prática políticas neoliberais muito similares: privatização do patrimônio publico, abertura das economias ao mercado externo, desarticulação dos Estados em favor da centralidade dos mercados, alienação das soberanias nacionais, expropriação dos direitos sociais, precarização das relações de trabalho. Todos tem em comum outro traço: todos fracassaram estrepitosamente, saíram do governo expulsos pelo povo, não puderam eleger seus sucessores e vários deles foram processados, condenados e presos; alguns outros fugiram dos seus países.

Entre tantas consequências negativas, promoveram a degeneração das democracias, mediante o poder do dinheiro, que corrompeu os sistemas políticos. São uma geração de políticos fracassados, que buscaram seu exemplo nos socialistas espanhóis.

A direita latino-americana, tendo fracassado, não tem hoje o que propor. Fizeram o que se haviam proposto e levaram nossos países à ruina. À falta de propostas, a direita retoma bandeiras da guerra fria, se articula em torno dos monopólios privados da mídia, lançam mão de personagens fracassados como os únicos apoios que lhes restam.

Convidados por um banco privado, três desses personagens foram a Venezuela, não se sabe bem fazer o quê. Quem sabe, sentindo falta do seu amigo Carlos Andres Perez, vão transmitir as experiências frustradas que tiveram e que os levaram à derrota e à debacle dos seus países. Basta que Felipe Gonzalez conte como na Espanha eles aplicaram brutal pacote econômico antipopular e entregaram o governo à direita, com uma economia desfeita, desemprego juvenil de 49%, com um retrocesso recorde da economia. Gonzalez pode recordar como, há 10 anos, apoiou o golpe militar contra Hugo Chavez.

Ricardo Lagos pode contar como os governos socialistas chilenos não saíram do modelo herdado de Pinochet e finalmente foram derrotados e entregaram a presidencia a um mandatário neo-pinochetista.

FHC teria que convencer o candidato da direita venezuelana, que deveria reivindicar sua figura e não a de Lula. Deveria explicar por que Lula é o presidente mais popular da história do Brasil, enquanto que ele é o político com maior rejeição. Deveria explicar ao candidato da direita de lá que seu partido e seu governo são os parentes mais próximos deles e que Lula certamente apoia a Hugo Chavez.

Grotesca a imagem dessa caravana dos derrotados, de um passado que não volta mais, viajando para levar uma palavra de desesperança ao candidato da direita venezuelana. Não é um bom augúrio para a oposição a Hugo Chavez.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Mudar para continuar tudo igual

por Ivan Ivanovick

Na segunda-feira Ricardo Teixeira e João Claudio Derosso renunciaram das presidências da CBF e CMC, respectivamente. Ambas as renúncias foram motivadas diretamente por denúncias de corrupção. Não fossem as denúncias, muito provavelmente suas gestões erráticas se prolongariam ou serviriam de trampolim para voos maiores. Teixeira queria a FIFA. Derosso almejava qualquer coisa com status superior a um reles vereador de Curitiba.

Meu amigo Joel Benin costuma dizer que até a guerra é negociada em algum nível. Dentro da guerra, até as sacanagens mais sacanas são negociadas. A renúncia dos dois também foi, claro. Manoel Carlos Karam fala dos subterrâneos inconfessáveis da política com maestria e muito humor no seu “Jornal da Guerra contra o Taedos”. Esclarecedor.

O fato é que Teixeira e Derosso renunciaram quando perceberam que a cada dia sua situação pioraria. Então era entregar os anéis para pelo menos manter os dedos. A filha do Teixeira ainda apita forte na CBF e o PSDB e a turma do Beto prometeram uma reabilitação em médio prazo para que o barbudo ex-manda chuva da CMC saísse de cena para não prejudicar (ainda mais) a eleição municipal deste ano.

Fora isso, e alguma biografia arranhada, as coisas não devem mudar em nada. O cara que assume a CBF é um filhote da ditadura que embolsou uma medalha da copinha Júnior de Sampa. Olhe o nível!. O vereador que substituirá Derosso deve ser um dos beneficiados (praticamente todos eram, ou são) da farra feita com dinheiro de publicidade(!) da CMC.

E, onde eu quero chegar? Quero entender por que oTeixeira e o Derosso não caíram antes. Ora, quem estava contra eles, já estava antes das denúncias. E quem estava a favor, não mudou de opinião por causa das denúncias.

Desde a queda do Collor no começo dos anos 90, as denúncias de corrupção são uma forte arma política. Na ótica da média nacional é praticamente a única.

Ora, se fosse só por discordar da forma escrota como o Teixeira conduzia a seleção brasileira de futebol masculino, jogando contra seleções inexpressivas, em partidas caça-níqueis pela Europa, ou em algum emirado petrolheiro, o cara ainda estaria lá. Se fosse pela quase absoluta falta de apoio ao futebol feminino, no máximo alguma crítica nos rodapés dos jornais. Mudar, sem chance.

Mesma coisa o Derosso, que não largaria o osso só por tocar a CMC como se fosse a sapolândia. Só. Só????? O que era para ser a casa do povo curitibano virou poleiro para frangotes e pavões que tentam superar seus voos de galinha, sem medir esforços ou largar o saco do prefeito, do governador, almejando um poleiro mais alto para melhor aparecer e mais calibre proporcionar às sua negociatas. Honrosa exceção é a brava oposição. Desnutrida, mas brava.

Eu acho que a gente mais avançada para as bandas da esquerda sofre de uma certa letargia e as denúncias como as elencadas contra o Derosso acabam soando como uma ordem unida e daí conseguimos fazer marolas, vanzeros (como se diz na minha terra) e alguma canoa acaba virando.

Mas é duro viver só disso. E a ideologia, as idéias, os princípios, não servem de nada?

Goias e o caso Leonardo Pareja

Luis Nassif

O episódio Carlinhos Cachoeira, envolvendo autoridades goianas, o ex-Secretario de Seguranca Demóstenes Torres, talvez ajude a deslindar um dos grandes mistérios do sistema penal estadual: o caso Leonardo Pareja.

Trata-se daquele rapaz preso no CEPAIGO, presídio goiano, que, aproveitando um dia de visitas no presídio, transformou vários visitantes em reféns, denunciando as condições em que viviam os prisioneiros.

A rebelião foi dominada. Tempos depois, Pareja se envolveu com a filha de uma alta autoridade do estado.

Foi morto. Há suspeitas de que sua execução foi decidida em salas influentes do estado.

O fim da exclusão de Cuba nas Cúpulas das Américas

Brasil e Argentina não querem Cúpulas das Américas sem Cuba

De EFE / Terra

O chanceler argentino, Héctor Timerman, de visita no Brasil, e seu colega brasileiro, Antonio Patriota, manifestaram nesta terça-feira sua intenção de que a próxima Cúpula das Américas, que será realizada na Colômbia em abril, seja a última sem a participação de Cuba.

"Esta tem que ser a última cúpula da qual Cuba não participa", disse o ministro argentino de Relações Exteriores em entrevista coletiva conjunta com Patriota em São Paulo.

Timerman, que nesta terça-feira se reuniu com o chefe da diplomacia brasileira, acrescentou que seu Governo "agradece à Colômbia", país anfitrião, pelos esforços realizados.
p>O ministro acrescentou que a presença da ilha caribenha na reunião é necessária para que "finalmente a Cúpula seja das Américas".

Patriota mostrou sua concordância com a postura de Timerman e acrescentou que na reunião anterior o então presidente Lula já tinha manifestado sua intenção de que Cuba participasse do encontro.

Por outra parte, o ministro brasileiro expressou seu objetivo de visitar a Argentina "em breve" e anunciou reuniões mais frequentes entre os subsecretários dos dois ministérios para "aprofundar a agenda de cooperação" entre os países.

O chanceler brasileiro também afirmou que a reunião tinha sido eminentemente de caráter político e que tinham revisado os assuntos bilaterais, regionais e globais.

A primeira Cúpula da Américas aconteceu em Miami em 1994 com a participação dos 34 países-membros ativos da Organização dos Estados Americanos (OEA), da qual Cuba foi suspensa em 1962.

A suspensão foi levantada em 2009, mas o Governo cubano não fez os trâmites para se reincorporar e disse que não tem intenção de fazer.

O Governo dos EUA manifestou abertamente sua rejeição a convocar Cuba a Cartagena de Indias, onde será realizada a reunião de abril, por considerar que esse país não cumpre com os requisitos democráticos fixados em 2001 pelos participantes.

Belluzzo: Globo e Teixeira viveram relação de mútua dependência

Nesta entrevista em que comenta a queda do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, e as mudanças que podem ocorrer no esporte a partir de agora, o ex-presidente do Palmeiras Luiz Gonzaga Belluzzo diz que a TV Globo manteve uma relação forte com o ex-mandatário para não correr o risco de perder o principal item de sua programação. "O problema são todos esses interesses privados, que não levam em conta o interesse público", afirma o economista. São Paulo – Ex-presidente do Palmeiras (2009/10) e um apaixonado pelo futebol, o economista Luiz Gonzaga Belluzzo se encontrou apenas duas vezes com o ex-mandatário da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que renunciou nesta segunda-feira (12).

O ano era 2010 e ocorria a eleição para o comando do Clube dos 13, entidade que representa as mais importantes equipes do país. Teixeira articulava a candidatura do ex-presidente do Flamengo, Kléber Leite, contra Fábio Koff. Na ocasião, Belluzzo "trombou" com o então comandante da CBF.

"Eu defendi que a entidade dos clubes precisava ser autônoma, e não vinculada à CBF", lembra ele. No fim, Koff venceu, mas o Clube dos 13 saiu enfraquecido. Era cada vez mais previsível o racha, que acabou ocorrendo em 2011, na disputa pelo dinheiro do futebol pago pela TV Globo.

Nesta entrevista à Carta Maior, Belluzzo diz que espera por mudanças no futebol brasileiro, mas afirma que dificilmente elas virão dos clubes, verdadeiras "casamatas que reúnem os interesses mais díspares, dos maiores aos mais mesquinhos.

Carta Maior - Quem foi Ricardo Teixeira para o futebol brasileiro?
Luiz Gonzaga Belluzzo - Para entender o papel dele precisamos voltar no tempo, até a eleição de João Havelange na Fifa, em 1974, quando ele substituiu Stanley Rous. A partir dali houve uma mudança importante na administração do futebol, na relação com os patrocinadores. A direção do futebol deixou de ser feita de maneira amadora e se tornou um grande negócio, sobretudo para a área de marketing, que aproveitou o fato de o esporte ter se tornado uma impressionante manifestação de massa. Esse processo tomou corpo nos anos 80 e se acentuou nos 90.

CM - Foi essa transformação que ocorreu no Brasil em 1989, com a eleição de Ricardo Teixeira para a CBF?
LGB - Exatamente. O futebol se tornou um grande centro de negócios, legais e ilegais, e atraiu aventureiros interessados em ganhar dinheiro. Os escândalos começaram aí, e não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Se você deixa a lógica do dinheiro dominar, precisa tomar cuidado para não perder a natureza da atividade. Esse é o problema do futebol, o mais interessante de todos os esportes quando é bem jogado.

CM - Isso afetou o esporte dentro de campo?
LGB - No Brasil e em todo o mundo. Houve o caso da Copa do Mundo na França, em 1998, quando a Nike teria se envolvido na escalação de Ronaldo no jogo final. E o campeonato brasileiro de 2005, com a questão das apostas e a manipulação de resultados.

CM - Ricardo Teixeira sempre dependeu muito de sua relação com a TV Globo, não?
LGB - Era uma relação muito forte, de mútua dependência. A Globo tem o futebol como o principal item de sua programação, então seria muito complicado ficar sem ele. O problema são todos esses interesses privados, que não levam em conta o interesse público.

CM - O futebol é um bem material e imaterial da cultura brasileira. Sua gestão não teria de ser mais pública?
LGB - Você tem razão. Os clubes de futebol são entidades semipúblicas, responsáveis por um esporte que interessa a todos os brasileiros. Uma mudança de gestão, porém, teria de passar por uma mudança da organização desses clubes. Mas isso é muito difícil, porque eles são controlados por oligarquias que não querem que algo mude. Falo por experiência própria, como ex-presidente do Palmeiras. Os clubes são casamatas que reúnem os interesses mais díspares, dos maiores aos mais mesquinhos.

CM - É difícil que a democratização venha debaixo?
LGB - Muito difícil. Sem uma regulação geral, os clubes têm se enfiado nas mais complicadas negociações financeiras. Se sou presidente do Palmeiras e o Corinthians gasta muito com um jogador, eu tenho de fazer o mesmo. Veja o caso do Flamengo, que está em uma situação difícil e, mesmo assim, segue contratando jogador. Países como Alemanha e França já criaram regulações coletivas para fazer o controle financeiro do clube, impor teto de endividamento e levá-los a segunda divisão se eles quebrarem. Precisamos de algo similar aqui.

CM - O senhor discutiu alguma vez esses assuntos com Ricardo Teixeira?
LGB - Eu me encontrei com ele apenas duas vezes, uma em São Paulo e outra no Rio, quando havia a eleição do Clube dos 13 em 2010. Ele articulou a candidatura do Kleber Leite contra o Fábio Koff, mas felizmente os clubes barraram. Venceu o Koff. Naquela época, eu defendi que a entidade dos clubes precisava ser autônoma, e não vinculada à CBF.

CM - E a CBF sem Ricardo Teixeira? Muda algo?
LGB - A CBF é um pote de ouro, uma arca perdida que todo mundo quer. Minha esperança é que surja alguém mais isento. Mas é difícil, porque a eleição depende dos presidentes das federações. E aí é um jogo de compromissos.

Por unanimidade, PMDB decide ter candidatura própria para prefeito em Foz

gazeta do iguaçu

O diretório municipal do PMDB reuniu-se na noite de sextafeira para tratar assuntos relativos à eleição de outubro. De acordo com o presidente do diretório, Sérgio Beltrame, a disposição de candidatura própria, anunciada no ano passado pela executiva regional, foi ratificada pelos membros da diretoria. "A pauta do encontro foi para discussão geral sobre as próximas eleições", explicou Beltrame. "Ficou deliberado que o PMDB terá candidatura própria para prefeitura", acrescentou o presidente do diretório.

Durante a reunião, a possibilidade de alianças com outros partidos na corrida à chefia do Poder Executivo foi completamente descartada. "Existiam opiniões por coligações e por candidatura própria, mas na hora da votação, a candidatura própria (venceu) por unanimidade", reafirmou. Praticamente toda a executiva municipal esteve presente na reunião de sexta-feira, incluindo os três vereadores do partido: o próprio Beltrame, Valdir de Souza Maninho e Hermógenes de Oliveira. Também foram registradas as presenças do exdeputado estadual e ex-prefeito Dobrandino Gustavo da Silva, do ex-secretário do Estado do Trabalho, Emprego e Promoção Social e ex-prefeito de Foz do Iguaçu Tércio Albuquerque, dentre outros.

Definida a candidatura própria para prefeito, o PMDB agora trabalhará os nomes de pré- candidatos. "Em princípio, temos nomes para candidatura a prefeito e chapa completa para vereador", afirmou o presidente do diretório. Para a disputa à Câmara e Vereadores, conforme explicou Beltrame, o partido conta com 24 précandidatos, sendo que 30% são mulheres.

Em permanecendo as atuais 15 cadeiras para a próxima legislatura, cada partido deverá apresentar apenas 22 pré-candidatos na convenção municipal. "Havia uma expectativa de
aumento de cadeiras na Câmara. Por isso, todos os partidos estão enfrentando dificuldades, porque, com 21 (cadeiras), seria mais tranquila a eleição para vereador; seria menos disputado. Agora, pode ser que alguém reveja a possibilidade de disputar", declarou. Conforme Beltrame, a convenção deverá acontecer na data-limite, ou seja, dia 30 de junho. Por ser num sábado, a direção do partido espera a forte participação da militância.

Hoje, o partido conta com 6,5 mil filiados, sendo um dos maiores do município.

MPF abre 1a. ação penal por crimes da ditadura

O Ministério Público Federal anunciou nesta terça (13) a abertura da primeira ação penal contra crimes praticados por agente público a serviço da ditadura militar (1964-1985). Na peça, acusa-se o coronel da reserva do Exército Sebastião Curió de sequestrar cinco militantes durante a repressão à guerrilha do Araguaia.

A petição será protocolada nesta quarta (13) na Justiça Federal de Marabá (PA), onde o episódio vinha sendo investigado desde 2009. Concluiu-se que, entre janeiro e setembro de 1974, após terem sido recolhidos a bases militares, os militantes presos por tropas comandadas por Curió, chamado à época pelo codinome de “Dr. Luchini”, jamais reapareceram.

A Procuradoria sustenta que o sumiço das vítimas torna os crimes de Curió “permanentes”. Por essa razão, não seriam alcançados nem pela prescrição nem pela Lei da Anistia.

A denúncia faz referência à decisão do STF que, ao julgar ação proposta pela OAB, confirmou a validade da lei que anistou os crimes praticados durante a ditadura. Alega-se que a deliberação do Supremo não impede a responsabilização criminal por crime de sequestro.

Subscrevem a ação sete procuradores: Tiago Modesto Rabelo e André Casagrande Raupp, de Marabá; Ubiratan Cazetta e Felício Pontes Jr., de Belém; Ivan Cláudio Marx, de Uruguaiana; Andrey Borges de Mendonça, de Ribeirão Preto; e Sérgio Gardenghi Suiama, de São Paulo.

terça-feira, 13 de março de 2012

Dilma convida Brizola Neto para o Ministério do Trabalho

Brasília - A presidente Dilma Rousseff (PT) convidou o deputado Brizola Neto (PDT-RJ) para ser o novo ministro do Trabalho, revelam interlocutores próximos ao deputado. A escolha ainda vai passar pelo crivo do presidente da legenda, Carlos Lupi. O cargo está sendo ocupado interinamente desde novembro por Paulo Roberto Pinto, quando Lupi foi demitido por denúncias de corrupção.

O nome de Brizola Neto ainda não foi divulgado oficialmente porque Dilma precisa conversar com Lupi e enfrenta rejeição de setores do partido. Na última sexta-feira, mesmo dia em que demitiu Afonso Florence do ministério do Desenvolvimento Agrário, a presidente recebeu Brizola Neto para tratar da sucessão no comando do Trabalho.

Na época da queda de Lupi, havia rumores de que o PDT poderia perder o comando da pasta e por isso Dilma teria colocado o secretário-executivo como ministro interino para que pudesse fazer uma manobra mais ousada. A legenda conseguiu manter o ministério. Brizola Neto tem apoio da ala sindical do partido.

Ele é filiado ao PDT desde 1997 e está na Câmara dos Deputados desde 2007. Em 2011, ele voltou ao mandato como parlamentar como suplente do deputado Sérgio Zveiter (PSD-RJ).

A queda de Lupi

O ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi (PDT), pediu demissão no dia 4 de dezembro, cerca de um mês após denúncias de que seus assessores cobrariam propina de organizações não governamentais (ONGs) conveniadas com a pasta e de que teria ocupado cargo-fantasma na Câmara dos Deputados por seis anos. No governo federal desde 2007, Lupi culpou a "perseguição política e pessoal da mídia" por sua saída.

A crise começou no início de novembro, quando a revista Veja publicou que funcionários do ministério estavam envolvidos em um suposto esquema de cobrança de propina de ONGs conveniadas com a pasta comandada pelo ministro. Segundo a publicação, entidades tinham o repasse bloqueado após problemas com a fiscalização. Assessores de Lupi, então, procuravam os dirigentes para resolver o problema cobrando propinas de 5% a 15%. Na ocasião, Lupi disse que irregularidades de funcionários, se existiam, não podiam ser atribuídas a ele, pedindo investigação do caso.

Mas o escândalo se ampliou quando o ministro teve que ir ao Congresso explicar uma viagem no avião do empresário dono da ONG Pró-Cerrado, que tem convênios de R$ 14 milhões com o Trabalho, para cumprir agenda no Maranhão. Inicialmente, o ministro negou conhecer Adair Meira, mas voltou atrás depois de ter fotos divulgadas ao lado dele. Lupi argumentou ter dito apenas que não mantinha "relações pessoais" com Meira.

Na última semana antes de deixar o cargo, o jornal Folha de S. Paulo, denunciou que o ministro foi lotado na liderança do PDT por seis anos, mas no período exerceu atividades partidárias como vice-presidente da sigla. As normas da administração pública dizem que ocupantes desses cargos devem exercer funções técnicas e precisam trabalhar nos gabinetes. Apesar do apoio do partido e da vontade da presidente Dilma Rousseff em não perder mais um ministro para denúncias de corrupção, a permanência de Lupi no comando da pasta se tornou insustentável após a Comissão de Ética Pública aplicar, por unanimidade, uma advertência e recomendar sua demissão.

Derosso renuncia ao cargo de presidente da Câmara de Curitiba

Ele estava afastado desde novembro, após uma série de denúncias.
Pedido foi lido em plenário pelo presidente em exercício, Sabino Picolo.

O presidente licenciado da Câmara de Vereadores de Curitiba, João Cláudio Derosso (PSDB) renunciou ao cargo no início da sessão desta segunda-feira (12). O documento com o pedido foi lido em plenário pelo presidente em exercício, Sabino Picolo (DEM). Derosso, que presidia a Casa há 15 anos, não estava na sessão no momento do anúncio.

O vereador estava afastado espontaneamente do cargo desde novembro de 2011, quando justificou a saída como maneira de “preservar a instituição e os demais vereadores”. Um novo pedido de afastamento por mais 90 dias foi requerido por Derosso em fevereiro, o que gerou reclamações da oposição.

A bancada de oposição na Câmara planejava apresentar em plenário nesta segunda um requerimento de afastamento definitivo de Derosso do cargo. As assinaturas foram recolhidas com a adesão de parlamentares do PSDB, partido do então presidente, cujo líder chegou a afirmar que Derosso estava "politicamente condenado". A oposição, inclusive, planejava uma manobra para garantir participação na Comissão Processante que analisaria o pedido.

O G1 tentou falar com Derosso, mas não obteve retorno das ligações.

Denúncias
Derosso foi denunciado pelo Ministério Público por improbidade administrativa, oriunda de irregularidades na administração da Câmara. Entre elas, está a contratação da empresa Oficina da Notícia, de propriedade de sua esposa, Cláudia Queiroz. Ela era funcionária da Câmara quando venceu a licitação de um contrato de publicidade estimado em R$ 30 milhões.

Há ainda suspeitas sobre a impressão do informativo “Câmara em Ação”, um veículo com as notícias publicadas no site do órgão. Dados do Tribunal de Contas do Paraná, que também investiga denúncias de irregularidades nos contratos de publicidade do legislativo municipal, apontam que o órgão gastou R$ 14 milhões com a impressão mensal de 201,05 mil exemplares do “Câmara em Ação” de julho de 2006 a janeiro de 2008. Este valor corresponde a 41% de todos os gastos do legislativo municipal no mesmo período.

segunda-feira, 12 de março de 2012

RICARDO TEIXEIRA RENUNCIA À PRESIDENCIA DA CBF

Ricardo Teixeira não é mais presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014 (COL). Em entrevista coletiva nesta segunda-feira, na sede da entidade no Rio de Janeiro, José Maria Marin - vice-presidente do Sudeste e mandatário em exercício após a licença médica de Teixeira na última semana - anunciou que o cartola renunciou aos cargos.

Marin leu uma carta de Teixeira em que o dirigente dizia: "Hoje, deixo definitivamente a presidência da CBF". No texto, o ex-presidente anuncia Marin, de 79 anos, como seu substituto na confederação. No COL, os ex-jogadores Bebeto e Ronaldo fazem parte do conselho de administração. Segundo Marin, ele também entrará no COL.

No comunicado, Teixeira deixou um "muito obrigado" à torcida brasileira, lembrou os títulos conquistados pela Seleção desde sua chegada em 1989 e considerou injustas as acusações que tem sofrido. "Fiz nesses anos o que estava ao meu alcance, sacrificando a saúde", dizia o texto. Na última sexta, o dirigente havia pedido licença médica. Na véspera da Assembleia Geral da CBF, que foi realizada dia 29 de fevereiro, ele passou mal durante uma reunião e teve que deixar a sede da entidade com dificuldades de se locomover. Em setembro do ano passado, Teixeira foi internado por dois dias no Rio de Janeiro devido à diverticulite (processo inflamatório e infeccioso do divertículo - bolsas circulares da parede do colón que têm ligação com o intestino grosso).

Ex-genro de João Havelange, Teixeira assumiu a CBF em 16 de janeiro de 1989. Com ele no comando, a Seleção conquistou duas Copas do Mundo (1994 e 2002), três Copas das Confederações (1997, 2005 e 2009) e cinco Copas Américas (1989, 1997, 1999, 2004 e 2007). O dirigente também criou a Copa do Brasil (1989) e transformou o Campeonato Brasileiro em disputa de pontos corridos, com turno e returno, a partir de 2003. Sua maior vitória foi conquistada em 2007: liderou a candidatura do Brasil para ser sede da Copa do Mundo de 2014 e, logo em seguida, tornou-se presidente do Comitê Organizador Local (COL).

Antes do carnaval, alguns jornais e sites brasileiros passaram a divulgar que Teixeira deixaria o poder em breve. A esposa e a filha mais nova do dirigente viajaram para Miami, assim como o dirigente, o que aumentou a especulação. As notícias sobre a possível saída de Teixeira aumentaram com as denúncias da imprensa internacional sobre o envolvimento dele em escândalos de corrupção da Fifa, onde é membro do Comitê Executivo.

O nome de Teixeira foi envolvido em uma denúncia da TV inglesa BBC, que apontou o dirigente como um dos que teriam recebido comissões da agência de marketing ISL (extinta em 2001 por falência). Por causa dessas relações, a ISL teria obtido lucrativos contratos de patrocínio e de direitos de televisão com a Fifa. No Brasil, a Polícia Federal chegou a instalar um inquérito para apurar a suposta lavagem de dinheiro e evasão de divisas do presidente da CBF.

Desafeto de Teixeira, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, prometeu em outubro do ano passado que tornaria público os arquivos do "caso ISL". Contudo, por questões legais, a promessa ainda não foi cumprida.

No Brasil, o dirigente também virou alvo de acusações sobre o envolvimento com a empresa Ailanto, responsável pela organização do amistoso em Brasília entre Brasil e Portugal em 2008 e que recebeu R$ 9 milhões do governo do Distrito Federal. A Polícia Civil da capital abriu inquérito para investigar suposto desvio de dinheiro público. A Ailanto tem como sócio o presidente do Barcelona, Sandro Rosell, um dos melhores amigos de Teixeira.(globo esporte)

Do ilusório gene egoísta ao caráter cooperativo do genoma humano

Leonardo Boff

Tempos de crise sistêmica como os nossos favorecem uma revisão de conceitos e a coragem para projetar outros mundos possíveis que realizem o que Paulo Freire chamava de o “inédito viável”.

É notório que o sistema capitalista imperante no mundo é consumista, visceralmente egoísta e depredador da natureza. Está levando toda a humanidade a um impasse, pois criou uma dupla injustiça: a ecológica, por ter devastado a natureza, e outra social, por ter gerado imensa desigualdade social. Simplificando, mas nem tanto, poderíamos dizer que a humanidade se divide entre aquelas minorias que comem à tripa forra e aquelas maiorias que se alimentam insuficientemente. Se agora quiséssemos universalizar o tipo de consumo dos países ricos para toda a humanidade, necessitaríamos, pelo menos, de três Terras, iguais à atual.

Este sistema pretendeu encontrar sua base científica na pesquisa do zoólogo britânico Richard Dawkins, que há trinta e seis anos escreveu seu famoso O gene egoísta(1976). A nova biologia genética mostrou, entretanto, que esse gene egoísta é ilusório, pois os genes não existem isolados, mas constituem um sistema de interdependências, formando o genoma humano que obedece a três princípios básicos da biologia: a cooperação, a comunicação e a criatividade. Portanto, o contrário do gene egoísta. Isso o demonstraram nomes notáveis da nova biologia como a Prêmio Nobel Barbara McClintock, J. Bauer, C. Woese e outros. Bauer denunciou que a teoria do gene egoísta de Dawkins “não se funda em nenhum dado empírico”. Pior, “serviu de correlato biopsicológico para legitimar a ordem econômica anglo-norte-americana” individualista e imperial (Das kooperative gen, 2008, pág.153) .

Disto deriva que, se quisermos atingir um modo de vida sustentável e justo para todos os povos, aqueles que consomem muito devem reduzir drasticamente seus níveis de consumo. Isso não se alcançará sem forte cooperação, solidariedade e uma clara autolimitação.

Detenhamo-nos nesta última, a autolimitação, pois é uma das mais difíceis de ser alcançada devido à predominância do consumismo, difundido em todas classes sociais. A autolimitação implica numa renúncia necessária para poupar a Mãe Terra, para tutelar os interesses coletivos e para promover uma cultura da simplicidade voluntária. Não se trata de não consumir, mas de consumir de forma sóbria, solidária e responsável face aos nossos semelhantes, a toda a comunidade de vida e às gerações futuras que devem também consumir.

A limitação é, ademais, um princípio cosmológico e ecológico. O universo se desenvolve a partir de duas forças que sempre se autolimitam: as forças de expansão e as forças de contração. Sem esse limite interno, a criatividade cessaria e seríamos esmagados pela contração. Na natureza funciona o mesmo princípio. As bactérias, por exemplo, se não se limitassem entre si e se uma delas perdesse os limites, em bem pouco tempo ocuparia todo o planeta, desequilibrando a biosfera. Os ecossistemas garantem sua sustentabilidade pela limitação dos seres entre si, permitindo que todos possam coexistir.

Ora, para sairmos da atual crise, precisamos mais que tudo reforçar a cooperação de todos com todos, a comunicação entre todas as culturas e grande criatividade para delinearmos um novo paradigma de civilização. Há que darmos um adeus definitivo ao individualismo que inflacionou o “ego” em detrimento do “nós”, que inclui não apenas os seres humanos mas toda a comunidade de vida, a Terra e o próprio universo.

Israel bombardeia 6 alvos na Faixa de Gaza

DA EFE

O Exército israelense bombardeou esta madrugada seis alvos na Faixa de Gaza, que vive desde a sexta-feira uma espiral de violência na qual morreram 18 palestinos, dois deles civis.

"A Força Aérea de Israel atacou um paiol de armas e quatro pontos de lançamento de foguetes no norte da Faixa de Gaza, além de outro local de lançamento no sul da faixa", informou o Exército em comunicado.

Uma porta-voz militar disse que, durante a noite, as milícias palestinas lançaram cerca de 20 foguetes, que não provocaram danos nem vítimas em Israel.

Os aviões israelenses também "impediram uma tentativa de lançar um foguete no sul de Gaza, atacando um terrorista pouco antes de ele disparar o foguete contra Israel", explicou o porta-voz, afirmando que haviam "atingido o alvo".

No entanto, da Faixa de Gaza não se informou por enquanto de nenhuma vítima fatal como consequência dos últimos ataques, que são, segundo a nota do Exército, "uma resposta direta ao contínuo lançamento de foguetes contra o sul de Israel".

Músico Marcelo Yuka será candidato a vice na chapa do PSOL no Rio

O músico e compositor Marcelo Yuka vai concorrer como vice na chapa do pré-candidato do PSOL à Prefeitura do Rio, o deputado estadual Marcelo Freixo.

Yuka, filiado ao PSOL desde 2010, foi um dos fundadores da banda O Rappa e ficou paraplégico depois de levar um tiro em um assalto em 2000.

De acordo com Freixo, que presidiu a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) das Milícias na Assembleia Legislativa do Rio e inspirou personagem do filme "Tropa de Elite 2", a ideia de convidar o artista surgiu durante uma conversa por acaso em seu gabinete.

"Conversávamos sobre o vice e uma pessoa falou o nome do Yuka. Nem lembrava que ele era filiado. No mesmo dia à noite liguei para ele e disse que queria conversar."

O nome de Yuka será levado à executiva do PSOL e o anúncio oficial da chapa deverá ser feito em cerca de 15 dias.

Freixo deverá disputar o comando da cidade com o prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição com apoio do PT; o deputado federal Rodrigo Maia (DEM), que terá como vice a deputada estadual Clarissa Garotinho (PR); a vereadora verde Aspásia Camargo; e o deputado federal tucano Otávio Leite.

O PSOL não fechou acordos partidários para a campanha. Freixo diz que a escolha de Yuka não foi por falta de opção, mas por atender à busca de alianças com a sociedade civil.

"É mais difícil pensar em campanha dessa forma, mas é saudável. Apesar de ter grande atuação política, Yuka não é visto do ponto de vista partidário, e sim como um músico, um artista. Representa muito bem a nossa proposta."

Yuka disse que recebeu o convite com surpresa: "Aceitei porque confio nele, pela forma como se relaciona com o poder. Freixo tem uma conduta humanizante".

Questionado se a atuação como político pode mudar a maneira de verem seu trabalho na música, Yuka disse que não."Milito há muito tempo. Por esse ponto de vista, pode ser uma consequência do meu trabalho. Não vou mudar minha vida como artista".

Obama diz que massacre no Afeganistão é 'trágico e chocante'

presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse neste domingo estar "profundamente triste" pelo massacre de 16 civis no Afeganistão, mortos supostamente por um soldado americano. "Ofereço minhas condolências às famílias e entes queridos daqueles que perderam a vida e ao povo do Afeganistão, que suportou muita violência e sofrimento", disse Obama em uma declaração por escrito, na qual classificou o incidente de "trágico e chocante".

"Este incidente é trágico e chocante, e não representa o caráter excepcional de nossos militares nem o respeito dos Estados Unidos em relação ao povo do Afeganistão", disse Obama.

O presidente ofereceu seu apoio completo à investigação "para estabelecer os fatos o mais rápido possível e para responsabilizar" os culpados.

MASSACRE

Dezesseis civis afegãos, entre eles crianças e idosos, morreram supostamente pelas mãos de um soldado americano que teria saído na madrugada deste domingo de sua base na província de Kandahar, bastião talibã do sul do Afeganistão, para realizar o massacre.

A missão da Otan no Afeganistão (Isaf) divulgou no começo da manhã um comunicado no qual lamentou "um incidente que causou vítimas afegãs" e expressou suas condolência às famílias dos envolvidos.

A nota informou que o autor do "incidente" havia sido detido, mas não revelou o número de vítimas causadas por sua ação. O texto também não indicou o motivo que o teria levado a cometer o massacre, sobre o qual a Isaf anunciou que abrirá uma "investigação".

Segundo fontes militares disseram posteriormente, o soldado foi vítima de uma crise nervosa.

TALEBAN

Por outro lado, em declarações à agência local AIP, um porta-voz do movimento taleban, Qari Muhammad Yousaf Ahmadi, afirmava que 45 civis haviam morrido no incidente e que não havia se tratado de uma ação individual.

"Não foi obra de um soldado só, mas de vários que entraram nas casas para matar as pessoas", disse o porta-voz insurgente, que garantiu que em apenas um povoado tinham morrido 11 membros da mesma família.

No entanto, é comum o movimento taleban superestimar os incidentes armados entre a população local e as tropas internacionais.

Berço do movimento taleban na década de 1990, Candahar é um dos principais redutos dos insurgentes, que contam com a simpatia popular na província e a transformaram em palco frequente de operações armadas.

Em declarações dadas ao canal de televisão local Tolo, o porta-voz do Ministério de Interior afegão Sediq Sediqi fez um apelo à calma, e pediu à população de Candahar que permaneça tranquila até que "o incidente seja esclarecido".

PRESIDENTE AFEGÃO

O presidente Hamid Karzai condenou o massacre "imperdoável" de 16 civis afegãos por um militar americano, neste domingo na província de Kandahar, reduto talibã do sul do Afeganistão.

"O governo condenou reiteradamente operações realizadas em nome da guerra contra o terror, que causam perdas civis. Mas quando afegãos são mortos deliberadamente por forças americanas, trata-se de um assassinato e de uma ação imperdoável", afirmou Karzai em um comunicado.

TENSÃO

O massacre ocorreu em meio a um forte clima antiamericano no Afeganistão registrado após a queima do Corão por soldados dos Estados Unidos no final de fevereiro na base de Bagram, próxima a Cabul e a principal da Otan em solo afegão.

Obama fixou 2014 como prazo para a retirada da força de 130 mil homens da Otan liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão, enquanto Washington treina as forças de segurança afegãs para assumir a liderança e busca negociar com os talibãs.

Viva as mulheres!

Selvino Heck

Você chega em qualquer lugar, em qualquer canto, em qualquer repartição, em qualquer banco, em qualquer ônibus, em qualquer palácio, em qualquer escritório, lá está uma mulher trabalhando, lá estão mulheres mostrando que foi-se o tempo em que o preconceito e o machismo eram mais fortes, e elas eram "do lar". Hoje estão na presidência da Petrobras, estão no Supremo Tribunal Federal, hoje jogam futebol, são agricultoras, ministras, hoje são juízas de direito e de campo, engenheiras, mestres de obra, hoje são médicas, professoras, empresárias, reitoras, motoristas, deputadas, prefeitas, vereadoras, astronautas, governadoras, mecânicas, procuradoras, jornalistas, hoje são Presidenta da República, pois sim!

Hoje são do lar se assim o quiserem. Ou, como em muitos lugares e cada dia mais, do lar são os homens, ou também os homens, e por que não? Não são mais apenas elas que cozinham ou limpam a casa, as que ficam com os filhos enquanto eles trabalham, as que levam os cachorros a passear enquanto eles tomam sua cervejinha. Como não são mais apenas eles que consertam a pia ou os canos furados, entendem o barulho dos motores, como se houvesse algum segredo inalcançável nas paredes das casas ou nos carros modernos computadorizados. Tarefas são para serem divididas. Responsabilidades são para serem partilhadas. Ninguém é dono exclusivo do saber, do conhecimento e do poder.

E não faz tanto tempo que elas são donas do seu voto e nariz. São eleitoras, votam e podem ser votadas há apenas oitenta anos. Descontadas as ditaduras, não poucas, faz pouquíssimo tempo, meia dúzia de eleições. E já chegaram lá, na garra e no voto! Coordenam, planejam, distribuem a palavra. Só falta chegarem em postos de mando em algumas igrejas. Mas isso é uma questão de espera e de luta. Não vai demorar oitenta anos.

Há muito a avançar e conquistar. Há ainda preconceitos arraigados, há ainda olhares e gestos desconfiados, há ainda muros e torres a serem derrubados. Com filhos, sem filhos, solteiras, viúvas, separadas, elas fazem parte da humanidade que busca novas luzes, que ama profundamente a vida, quer repartir utopias, vê a emancipação de todas e todos como essencial, luta por direitos a direitos, direito ao prazer, à liberdade, à felicidade e pretende construir solidariamente novas estradas e caminhos.

Este é um novo tempo, o tempo do século 21 e do terceiro milênio. Barreiras ainda existentes serão derrubadas, novos ventos soprarão, até que mulheres e homens, homens e mulheres, mulheres e mulheres olharão um no olho do outro e saberão que, acima de tudo, são companheiras e companheiros, irmãs e irmãos, dar-se-ão as mãos em espírito e em verdade.

Até onde irão essas bravas mães guerreiras, essas jovens cientistas que pensam e fazem o mundo, constroem casas, pensam campos e jardins e tornam a vida de todas e todos mais fácil e digna de ser vivida? Essas mulheres que não se entregam nunca, que lutam contra a fome, a miséria, a pobreza e a desigualdade? O que poderão ainda projetar estas trabalhadoras da palavra e do gesto, estas promotoras da paz e da justiça, estas protagonistas do amanhã e da vida, estas plantadoras de luz e utopia?

Desconfio que não há limites nem horizontes, a não ser sua imaginação, coragem e sonhos. O horizonte está sempre além e adiante. Sem perder a ternura, o charme, o sorriso, a alegria de ser e viver, e a vontade de mudar o mundo.

O tempo urge.

Viva as mulheres!

Selvino Heck é assessor especial da Secretaria Geral da Presidência da República

Risco do fascismo voltar à Europa é 'muito grande', afirma psicanalista italiano

Governantes, intencionalmente ou não, podem fazer sociedades inteiras se tornarem paranóicas. Essa é a principal mensagem que o renomado psicanalista italiano Luigi Zoja trouxe em sua palestra "Aspectos Coletivos da Paranóia", realizada neste sábado, no Centro de Estudos e Pesquisas do Envelhecimentono, no Rio. O intelectual tira esta conclusão de seu mais recente livro, "Manhã de Setembro: o Pesadelo Global do Terrorismo", no qual faz reflexões sobre o Estados Unidos pós-11/09.
Zoja vivia em Nova York quando dois aviões foram atirados por terroristas da Al Qaeda nas torres do World Trade Center, matando quase 3 mil pessoas:

Luigi Zoja realizou uma palestra no Rio de Janeiro durante sua terceira passagem pelo Brasil e falou sobre a volta do fascismo na Europa, em entrevista ao JB.

"O mais preocupante, naquela situação, era a política do medo. De se eleger um inimigo e tentar exterminá-lo a todo custo. Nós, como psicanalistas, deveríamos dedicar mais atenção não ao fenômeno clínico da paranóia, mas sim na maneira como ela pode aprisionar as massas", reflete.
Segundo o especialista, uma das constatações que o espantaram após os atentados terroristas foi a presença massiva de termos com óbvio caráter paranóico nos meios de comunicação de massa norte-americanos:

"O que me deixou com medo é o quanto eles usavam a palavra conspiração na política e na mída dos Estados Unidos. Os islâmicos viraram a grande ameaça, e o Iraque foi escolhido como bode espiatório. A paranóia tem isso, de apontar um inimigo e puní-lo, mesmo que haja apenas a suspeita. E o Iraque foi punido, mesmo que a acusação de manter um arsenal de armas de distruição em massa fosse mentira", afirma.

Após o evento, promovido pelo Instituto Junguiano do Rio de Janeiro, o psicanalista concedeu uma entrevista exclusiva ao Jornal do Brasil:

JB:
Entre os seus exemplos de influência da paranóia, está a crescente onda de nacionalismos e racismos na Europa. O senhor acha que há risco do facismo voltar a ser relevante?
Zoja: O perigo é muito grande. Na França, um terço dos operários, que historicamente votam em representantes socialistas, afirma que vai votar na candidata facista Marine Le Pen. E isso também é notado em outros países da Europa, com um despertar do racismo e dos movimentos anti-imigração. Como disse Régis Debray, A economia é global, mas os homens são tribais. Vivemos a era do localismo, algo ainda mais restrito que o nacionalismo.

JB:
O senhor critica os meios de comunicação de massa por ajudarem a criar um clima de paranóia em diversos países. É possível mudar ou essa é uma característica inata deste tipo de comunicação?
Zoja: Os meios de comunicação de massa têm um tanto de paranóia. É bom lembrar que, até bem pouco tempo atrás, o povo da Inglaterra consumia os produtos de Rupert Murdoch em escala impressionante. Depois que os escândalos a respeito dele ganharam repercussão mundial, os ingleses ficaram paralizados, mas não querem saber mais sobre isso. Neste caso, nem foi uma paranóia política, mas sim de expor a vida do outro, espionar. Mas esses barões da mídia, desde o Século XIX, perceberam que é muito mais lucrativo oferecer esse tipo de informação supersimplificada, comercialmente falando.

JB:
O senhor cita especificamente Hitler, Stalin e George W. Bush como exemplos de líderes paranóicos que acabaram contaminando uma grande parcela da população de seus países. É possível observar esse tipo de conduta mesmo em governantes que não sofrem deste tipo de transtorno?
Zoja: É difícil distinguir o quanto é interesse. Mas posso afirmar que o líder pode não ser paranóico, mas toda sociedade tem um potencial desse tipo. E muitas vezes as pessoas, por interesse, trabalham para despertar esse tipo de característica.

JB:
A crescente tensão entre Israel e Irã talvez seja hoje a principal ameaça à paz mundial. A postura de Benjamin Netanyahu, que incentiva seguidamente às potências ocidentais a apoiarem um ataque preventivo, também pode ser encarada sob a sua ótica?
Zoja: A ideia de ataque preventivo, por si só, é paranóica. Mas este caso é diferente do Iraque, porque de fato os iranianos possuem um programa nuclear, então fica difícil saber o quanto é paranóia e o quanto é informação verdadeira. Um ataque talvez até seja a melhor opção, se de fato vier a evitar uma guerra nuclear entre as duas nações. Mas, de qualquer forma, o governo israelense utiliza-se disso para contaminar toda sua sociedade. Mesmo que o perigo iraniano seja real, a postura israelense vai de encontro à conspiração.

JB:
No Rio de Janeiro, nós temos muitos problemas com a criminalidade urbana e é muito comum ver, nos noticiários, expressões como "guerra" e "poder paralelo". O senhor acredita que os governantes que comandaram o Rio de Janeiro ao longo das últimas décadas transformaram o tráfico em um inimigo?
Zoja: Eu não gosto disso, o uso da palavra guerra neste tipo de contexto já comprova, em si mesmo, um ato de paranóia evidente. Quando falamos em guerra, estamos transformando o outro no mal absoluto, com o qual não há espaço para diálogo.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Falta de acessibilidade na Associação da Copel prejudica candidata cadeirante


cbn

A atleta Janaína Azevedo Gonçalves Aguilera, de 23 anos, se sentiu marginalizada nesta quinta-feira.

Ela não esperava passar por uma situação embaraçosa na porta de umas das empresas mais sólidas do estado.

Janaína foi aprovada para o cargo de auxiliar comercial da Copel, a Companhia Paranaense de Energia.

Ouça o aúdio da reportagem da CBN clicando aqui

quarta-feira, 7 de março de 2012

UGT-PARANÁ realiza congresso em clima de União, Paulo Rossi é reeleito presidente

O 2º congresso estadual da UGT - União Geral dos Trabalhadores do Estado do Paraná, UGT-PARANÁ, realizado nos dias 2 e 3 de março em Curitiba, tendo como temas a “Copa do Mundo de 2014” e as “Olimpíadas de 2016”, com ênfase na qualificação profissional e no empreendedorismo, reuniu 513 delegados e delegadas sindicais, representando 189 entidades filiadas à UGT no estado.

A abertura contou com a presença de diversas lideranças sindicais nacionais, dentre as quais o presidente nacional da UGT Ricardo Patah; do vice-presidente Enilson Simões de Moura, o “Alemão”; do secretário-geral Canindé Pegado; do secretário de Relações Institucionais Miguel Salaberry; do secretário Nacional de Fomento Institucional, Gilmar Pedruzzi; do secretário de Organização, Chiquinho Pereira; dos presidentes da UGT-RS, Paulo Barck e da UGT-SC, Waldemar Schultz, o “Mazinho”, e da UGT-RJ, Nilson Duarte que foi um dos palestrantes sobre o tema da Copa do Mundo de 2014.

Dentre as autoridades políticas, destacamos a presença do deputado federal Eduardo Sciarra (PSD-PR); do prefeito de São José dos Pinhais, Ivan Rodrigues (PSD); do vereador e 1º Secretário da Câmara Municipal de Curitiba, Celso Torquato (PSD); do Assessor Especial da Secretaria Geral da Presidência da República, José Lopez Feijóo que representou o ministro Gilberto Carvalho; do diretor da FIEP – Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Biratã Giacomoni que representou o presidente da FIEP, Edson Campagnolo; do secretário municipal do Trabalho e Emprego de Curitiba, Paulo Bracarense, que representou o prefeito de Curitiba Luciano Ducci; do procurador-geral do Ministério Público do Trabalho no Estado do Paraná, Dr. Ricardo Bruel da Silveira; do chefe da FUNDACENTRO no Paraná, Adir de Souza.

Mário Celso Cunha, secretário do Estado do Paraná para Assuntos da Copa do Mundo 2014, fez excelente explanação sobre os preparativos e as obras em andamento em todo o estado do Paraná relativas à Copa 2014. “Gostaríamos de parabenizar a UGT-PARANÁ e ao presidente Paulo Rossi, que tive o prazer em trabalhar com ele quando esteve na Superintendência da Secretaria Municipal do Trabalho e Emprego. Esse debate, para nós do Governo do Estado do Paraná, é de fundamental importância, pois estamos qualificando milhares de trabalhadores visando a preparação para esse evento que trará mais avanços econômicos e sociais para o nosso estado. Quero convidar a UGT para ser a nossa parceira na qualificação desses trabalhadores”, concluiu o secretário.

Todas as palestras tiveram muita participação e empolgaram os participantes. Entre elas a que abordou o tema: “Congresso Nacional e o Movimento Sindical” tendo como palestrante o assessor do DIAP, André Luis dos Santos e sobre o “Empreendedorismo e as oportunidades de geração de emprego e renda na Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016”, cujo palestrante foi o secretário Nacional de Empreendedorismo da UGT e presidente licenciado do SINDIMEI – Sindicato dos Empreendedores Individuais do Estado de São Paulo, José Artur Aguiar.

Tendo como tema “O Trabalho Decente nas obras da Copa do Mundo de 2014”, o presidente da UGT do Estado do Rio de Janeiro, Nilson Duarte, mostrou aos presentes como estão os preparativos do estádio do maracanã e como foi a greve liderada por ele nas obras que resultaram em melhores condições de segurança e melhores salários para centenas de trabalhadores envolvidos nas obras.

Outro debatedor foi o chefe da FUNDACENTRO no Paraná, Adir de Souza, que explanou sobre os trabalhos realizados pela fundação no Paraná e das parcerias que as entidades sindicais podem firmar, bem como da aplicação das normas coletivas.

Durante os trabalhos, o congresso ainda teve a visita do deputado federal Ratinho Júnior (PSC-PR) e do deputado estadual Ney Leprevost (PSD).

No encerramento dos trabalhos, o presidente da Comissão Eleitoral, companheiro Miguel Salaberry, secretário nacional de Relações Institucionais da UGT, secretariado pelo companheiro Wagner de Souza, que também é secretário Nacional-Adjunto para relações internacionais da UGT, foi reeleito o presidente Paulo Rossi, tendo como 1º vice-presidente Leocides Fornazza, presidente do Sindicato dos Comerciários de Maringá; 2º vice-presidente Marcelo Urbaneja, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos de Londrina; 3º vice-presidente Edionir Piaia, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Escolas Particulares de Cascavel; 4º vice-presidente Joel Martins Ribeiro, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Celetistas em Cooperativas da Região Sul do Paraná, tendo como secretária geral, a companheira Iara Freire, diretora da Federação dos Bancários no Estado do Paraná.

Além dos mais de 100 dirigentes eleitos para a direção estadual, fazem parte do órgão colegiado da UGT-PARANÁ, e compõem a chapa “União em Prol da Classe Trabalhadora” na condição de vices-presidentes, os dirigentes das seguintes federações filiadas à UGT: Gladir Basso – Federação dos Bancários; Vicente Silva – Federação dos Comerciários; Clair Spanhol – Federação dos Trabalhadores Celetistas em Cooperativas; Mário Cordeiro – Federação dos Trabalhadores na Saúde e Luiz Carlos de Oliveira – Federação dos Servidores Públicos do Estado do Paraná.

“Quero mais uma vez agradecer o apoio e a confiança de todos que acreditaram e acreditam no nosso projeto. Tenho a convicção de que a UGT no Paraná vai crescer mais ainda em qualidade com a ajuda e dedicação desses companheiros e companheiras que se juntaram à nós para fazermos da UGT um exemplo a ser seguido pelas demais entidades. Não posso deixar de ressaltar o desprendimento dos companheiros Marcelo Urbaneja e Edionir Piaia e da companheira Regina Freitas, pois sem o apoio deles, essa União não teria acontecido. Meu muito obrigado aos membros da comissão organizadora do nosso 2º congresso e as regionais Oeste, Norte e Litoral da UGT-PARANÁ, pois sem o apoio deles não teríamos realizado um dos melhores e mais representativo congresso já realizado por uma central sindical em nosso estado”, disse emocionado o presidente reeleito Paulo Rossi.

segunda-feira, 5 de março de 2012

CTB lança campanha nacional em defesa da unicidade sindical

A Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) lançou oficialmente, nesta quinta-feira (1º), uma campanha inédita, de abrangência nacional, em nome da unicidade sindical. A partir da publicação de uma série de materiais de comunicação, como anúncios em jornais, outdoors, publicidade em ônibus, na internet e nas redes sociais, a Central espera promover um debate a respeito do fortalecimento do movimento sindical e da classe trabalhadora.

“Na condição de uma central sindical classista, sentimos que era necessário promover esse debate. No entanto, entendemos que esse debate não deve se restringir à unicidade versus pluralidade. Precisamos ir além”, afirmou Wagner Gomes, presidente da CTB.

A campanha tem como destaque a bandeira da unicidade sindical, mas ela está permeada por um mote muito claro: a necessidade de o Brasil alcançar um padrão mais elevado de desenvolvimento, a partir da valorização do trabalho e da distribuição de renda.

A partir dessa premissa, a CTB decidiu direcionar sua campanha aos dirigentes sindicais de todo o país. Para Eduardo Navarro, secretário de Imprensa e Comunicação da Central é preciso se contrapor de uma maneira firme em relação àqueles que lutam pela pluralidade e pela divisão dos trabalhadores.

“A CTB traz a público esta campanha em defesa da unicidade sindical como um grito preso na garganta. São muitos os que tentam dividir a classe trabalhadora, como o DEM e o PSDB, além de centrais sindicais equivocadas, entre outros. Os trabalhadores exigem sindicatos fortes e estão imbuídos da importância de financiarem sua própria organização”, afirmou Navarro.

Sindicatos fortes

A CTB, desde sua fundação, defende a manutenção do Artigo 8º da Constituição Federal, que, entre outros pontos importantes, garante a unicidade e a contribuição sindical. Sua posição é clara: a unicidade é uma proteção legal e um freio para a fragmentação dos sindicatos, ao garantir uma única organização por base territorial.

“Um sindicato forte não pode ser dividido. E, para que seja forte, precisa ser custeado pela classe trabalhadora, por meio da contribuição sindical”, defende Wagner Gomes.

Participe da campanha!

A partir de 1º de março, é importante que todos os sindicatos filiados à CTB participem dessa discussão sobre a unicidade. Isso pode ser feito por meio da distribuição de materiais em cada base.

Além disso, todos podem participar dessa discussão por meio das redes sociais na internet. Basta curtir no Facebook a página da Unicidade Sindical, seguir o perfil da Campanha no Twitter (@unicidadectb) e acompanhar o canal de vídeo no YouTube (Unicidade Sindical). Se preferir, envie sugestões para o endereço unicidadesindical@portalctb.org.br Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

Israel invade e fecha duas estações de TV na Palestina

Ataque aconteceu de madrugada e incluiu destruição e confisco de computadores, transmissores e outros equipamentos

brasil de fato

Às duas da manhã de quarta-feira, 29 de fevereiro, sob uma temperatura abaixo de zero, soldados do exército israelense entraram na cidade de Ramala, onde fica a sede da Autoridade Nacional Palestina, e invadiram duas estações de televisão, Al-Watan, canal privado, e Al-Quds Educacional, operada pela Universidade de Al-Quds (nome árabe de Jerusalém).

Além de prender quatro funcionários da Watan, incluindo jornalistas – liberados mais tarde –, os soldados levaram computadores, arquivos financeiros, todos os equipamentos de transmissão, arrasaram escritórios e redação e finalmente fecharam as estações de TV. De acordo com a jornalista palestina radicada em Viena Kawther Salam, a incursão foi aprovada pelos ministros israelenses da Defesa, Ehud Barak, das Comunicações, Moshe Kahlon e pelos generais Avi Mizrahi e Motti Almoz.

“Fomos surpreendidos pelos soldados”, disse um dos funcionários da Watan à agência palestina de notícias Ma’an. “Eles nos prenderam e promoveram uma enorme bagunça nos escritórios. Ficaram particularmente furiosos quando viram a foto de Khader Adnan (prisioneiro político que fez greve de fome durante 66 dias, até a Suprema Corte de Israel decidir por sua libertação, em 20 de fevereiro) na parede da nossa sala.”

Lideranças palestinas criticaram com veemência a ação israelense. Mustafá Barghouti, secretário-geral do partido político Iniciativa Nacional Palestina, emitiu uma declaração condenando o ato, que “não é apenas uma violação de direitos humanos e da lei humanitária mas também uma quebra do acordo que proíbe às forças militares israelenses a entrada ou a realização de operações na área A”. A área A, segundo os acordos de Oslo, compreende as cidades palestinas e está sob a responsabilidade administrativa e policial da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

Abdel Nasser Al-Najjar, presidente do Sindicato dos Jornalistas Palestinos em Ramala, denunciou a ação israelense como “crime contra a mídia palestina, para impedir que a verdade chegue ao mundo”. O primeiro ministro Salam Fayyad, além de condenar a incursão nas estações de TV, esteve na Watan assim que soube do ataque. Mahmoud Abbas, presidente da ANP, condenou a ação do exército israelense como “um assalto flagrante contra a liberdade de expressão e da mídia”. Apesar do discurso, fontes palestinas denunciaram à jornalista Kawther Salam que o exército de Israel avisou a ANP sobre a ação antes que ela fosse realizada. “Segundo essas fontes, o comando militar da ANP em Ramala ordenou a suas tropas que não ficassem no caminho do exército israelense, para não interferir, de modo nenhum, no ataque às estações de TV”, disse ela. “Isso mostra de que lado a lealdade da ANP está”, completou.

O governo israelense alegou que a ação se deveu ao fato de a frequência de ambos os canais interferir nas comunicações do aeroporto de Tel Aviv e da rede sem fio do país, o que foi desmentido por Mashoor Abu Dakka, ministro palestino das Telecomunicações e da Tecnologia da Informação. “As frequências das emissões de TV não são as mesmas do aeroporto ou da rede sem fio de Israel”, afirmou ele em entrevista coletiva na quinta-feira, 1º. de março. “O Ministério das Comunicações israelense jamais se queixou desse tipo de interferência por parte da Watan e da Al-Quds Educacional”, disse Dakka, o que, de acordo com ele, levanta dúvidas sobre os verdadeiros objetivos do ataque.

“O governo de Israel quer controlar as frequências UHF das TVs palestinas para usá-las em telefones de quarta geração, que utilizam as ondas [eletromagnéticas] das televisões e precisam delas para funcionar”, denunciou o ministro. “Acreditamos que Israel quer construir um sistema digital baseado nessas frequências”, acrescentou, e manifestou a preocupação de que a ação israelense possa expandir-se para outras estações de TV e rádio palestinas.

Ainda na quinta-feira (01), jornalistas, sociedade civil e o primeiro-ministro Salam Fayyad participaram de uma manifestação em frente à Watan, em protesto contra a invasão e o fechamento das duas emissoras.

Esse não foi o primeiro ataque de Israel às duas estações de TV. Em 2002 o exército invadiu ambas e confiscou seus transmissores. Em 2008, soldados do exército e da polícia, bem como funcionários da Administração Civil e do Ministério das Comunicações israelense, destruíram e vasculharam as rádios Wan FM, BBC e Freedom Radio Al-Huryyah, e a TV Al-Majed, de Hebron.

Maradona se declara “hincha número uno de Palestina” y anima a Chavéz en su recuperación

cubadebate

El técnico argentino Diego Maradona quiere visitar a la selección de fútbol palestina, de visita en los Emiratos Árabes Unidos, porque es su “hincha número uno”.

“Quiero visitar a la selección palestina para saludarlos. Ir a visitar (a la selección de) Palestina es como que Benjamín (su nieto) me dé un beso”, dijo el viernes Maradona en Baniyas, donde su equipo, el Al Wasl, ganó por 4-3 al Al Jazira y se clasificó para las semifinales de la Copa Etisalat de los Emiratos.

“El pueblo palestino necesita que lo ayudemos entre todos, y yo estoy a disposición de Palestina. Soy el hincha número uno de Palestina, se enoje quien se enoje”, aseguró el argentino.

“Lo digo de corazón porque lo siento, desde la época de Cuba me hice hincha de Palestina”, agregó Maradona.

La selección de fútbol palestina está reconocida por la FIFA y ocupa el puesto 162 en el ranking mundial.

Maradona anima a Chávez: “Lo quiero por encima de todas las cosas”

Maradona asegura que reza por la recuperación de su amigo Hugo Chávez, que se encuentra en Cuba recuperándose de una lesión.

“Lo amo, rezo por él todos los días, lo amo por encima de todas las cosas”, dijo Maradona a la agencia DPA en Baniyas, en los Emiratos Árabes Unidos, donde el viernes su equipo, el Al Wasl de Dubai, ganó por 4-3 al Al Jazira y se clasificó a las semifinales de la Copa Etisalat.

Maradona afirmó que está en contacto con la gente cercana a Chávez para seguir su evolución.

“Sigo recuperándome, gracias a las atenciones del batallón de médicos y a las simpatías del pueblo cubano, del pueblo venezolano, Estoy con mi familia, con mis hijas, mi hijo. Con un apoyo así estoy comenzando a levantar vuelo”, dijo Chávez el viernes.

Maradona mantiene amistad tanto con Chávez como con el líder cubano Fidel Castro, anfitrión del presidente venezolano mientras se recupera en La Habana.

(Con información de DPA)

La tortura y los abusos reinan en la nueva Libia

cubadebate

Un nuevo video en Internet revela la realidad libia escondida por los “medios occidentales” que apoyaron la invasión a ese país árabe. Se trata de un grupo de opositores a Gadaffi torturando a inmigrantes de África Subsahariana.

Los hombres de raza negra aparecen con las manos atadas y encerrados en una jaula de zoológico y son obligados a comerse la antigua bandera libia.

“Comete la bandera, perro. Paciencia perro, paciencia. Dios es grande “, grita una voz fuera de cámara en la grabación subida por LiveLeak el pasado 28 de febrero.

En el video también se ve a los torturadores obligando a un grupo de cautivos a ponerse de pie con tozos de tela color verde en la boca y aparentemente los obligan a saltar.

Después del asesinato de Muammar Gaddafi, cientos de trabajadores inmigrantes de los estados vecinos fueron encarcelados por los combatientes del nuevo régimen provisional, quienes acusan a los africanos de haber sido mercenarios del ex mandatario.

En el curso de la lucha para derrocar a Gaddafi, los inmigrantes y refugiados subsaharianos “fueron estigmatizados, discriminados y tratados con violencia”, según aseguró el grupo de derechos humanos Amnistía Internacional el mes pasado.

Los ex revolucionarios libios, que llegaron al poder después del derrocamiento de Muammar al Gadafi, mantienen en prisión a más de 6.000 partidarios del difunto coronel y muchos son sometidos a duras torturas. Esta cifra fue hecha pública por el portavoz del secretario general de la ONU en Libia, Yan Martin, ante los miembros del Consejo de Seguridad de la ONU.

Según la información de Martin, el Ministerio de Justicia de Libia consiguió tomar el control tan solo sobre ocho prisiones, en las que están encarceladas 2.382 personas.

No obstante, el Comité Internacional de la Cruz Roja da otras cifras sobre el tema. Según el organismo, los ex rebeldes crearon unas 60 cárceles que contienen, según los cálculos preliminares, alrededor de 8.500 personas.

(Con informaciones de Rusia Today)

Televisão venezuelana divulga imagens de Chávez e anuncia programa especial

O canal estatal de televisão venezuelano "VTV" divulgou breves imagens do presidente venezuelano, Hugo Chávez, durante um encontro com o líder cubano, Fidel Castro, e anunciou a transmissão neste domingo de um programa especial do líder desde Havana.

Nas imagens, que duram alguns segundos, se pode ver Chávez sentado e conversando com o líder cubano, Fidel Castro, durante um encontro de uma hora, segundo assinalou o canal de televisão, e do qual na sexta-feira tinham sido divulgadas fotografias.


Reuters
Chávez, em encontro com Fidel Castro; imagens de recuperação do presidente foram reveladas na sexta
Chávez, em encontro com Fidel Castro; imagens de recuperação do presidente foram reveladas na sexta

O canal de televisão e o ministro de Comunicação, Andrés Izarra, informaram da transmissão do programa especial no domingo, às 11h (horário local, 12h30 de Brasília).

"Não percam este domingo pelo SNMP programa especial com o Presidente Chávez desde Havana", escreveu o ministro em sua conta no Twitter, ao assinalar que o espaço será divulgado pelo SNMP (Sistema Nacional de Meios Públicos).

Chávez está há oito dias em Havana, onde na segunda-feira passada foi submetido a uma cirurgia para extrair uma "lesão pélvica" e o "tecido circundante".

quinta-feira, 1 de março de 2012

SUS: 27% dos brasileiros vivem em cidades com índices mais baixos de qualidade dos serviços

Agência Brasil

Brasília – Vinte e sete por cento da população brasileira vivem em cidades com as notas mais baixas de acordo com o Índice de Desempenho do Sistema Único de Saúde (Idsus), criado pelo governo federal para medir o acesso do usuário e a qualidade dos serviços da rede pública.

Dos 5.563 municípios, 1.150 (20,7% do total) receberam pontuação abaixo de 5, em uma escala de 0 a 10 estabelecida pelo índice. Nessas cidades, onde a infraestrutura de saúde é classificada de alta, média ou baixa, vivem mais de 50 milhões de brasileiros.

Mais de 70% da população (134 milhões de pessoas) estão em 4.066 cidades (73,1% do total de municípios), que receberam notas entre 5 e 6,9. Somente 1,9% – cerca de 3,2 milhões de brasileiros – reside no grupo dos 347 municípios mais bem pontuados, que conquistaram nota superior a 7.

Para calcular o desempenho do SUS em cada cidade do país, os técnicos dividiram os municípios em seis grupos, dependendo da condição econômica e da estrutura de saúde disponível (hospital, posto de saúde, laboratório).

O grupo 1 reúne os 29 municípios com melhor renda e infraestrutura de atendimento, com população total de 46 milhões de pessoas. No topo da lista, aparece Vitória, com nota 7,08. O grande número de exames para detecção de aids (84% em 2010), alto percentual de cura de pacientes com tuberculose (80% em 2010) e atendimento de excelência a crianças com câncer são alguns dos indicadores que elevaram o resultado da cidade, segundo análise de técnicos do Ministério da Saúde.

Em último lugar desse grupo está o Rio de Janeiro, com 4,33. Mesmo com a expressiva condição econômica e com a existência de hospitais e atendimento de referência, a baixa cobertura de assistência básica, como equipes do Programa Saúde da Família, afetou o desempenho da capital, conforme o diretor de Monitoramento e Avaliação do SUS do ministério, Paulo de Tarso.

No outro extremo, o grupo 6 é formado pelas cidades que não têm estrutura de serviços especializados, como um hospital ou pronto-socorro, e população total de 23,3 milhões de brasileiros. A maioria dos municípios brasileiros está nesse grupo, totalizando 2.183. A pequena Fernandes Pinheiro, no Paraná, com 5.932 habitantes, obteve a melhor nota (7,76) do grupo. A menor pontuação ficou com Pilão Arcado, na Bahia, onde vivem 32.815 pessoas. O município obteve 2,5 – o pior resultado do país.

O levantamento inédito também traz um ranking dos estados. Santa Catarina (6,29), o Paraná (6,23) e o Rio Grande do Sul (5,9) são os primeiros colocados. Os últimos são o Pará (4,1) Rondônia (4,49) e o Rio de Janeiro (4,58). Além disso, apenas nove estados ficaram acima da média do Brasil, que é 5,47.

O Sul teve o melhor resultado (6,12) entre as cinco regiões do país. Em seguida, vem o Sudeste (5,56), o Nordeste (5,28), o Centro-Oeste (5,26) e o Norte (4,67).

O Idsus é o cruzamento de 24 indicadores que avaliaram o acesso e a efetividade dos serviços nas unidades públicas de saúde. Entre eles, a proporção de gestantes com mais de sete consultas pré-natal, a quantidade de exames preventivos de câncer de colo do útero em mulheres de 25 a 59 anos, a cura de tuberculose e hanseníase e mortes de vítimas de infarto.

Os dados estão disponíveis no endereço eletrônico www.saude.gov.br/idsus.

Chávez manda recado pelo Twitter: "Viveremos e venceremos"!

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, enviou uma mensagem através da rede social Twitter na qual saudou os venezuelanos e assegurou: “Viveremos e venceremos!”

“Muito boa noite, meus queridos compatriotas! Aqui vou, levantando voo como o Condor! Mando-lhe todo o meu amor supremo! Viveremos e venceremos!” – escreveu através de sua conta @chavezcandanga.

Minutos mais tarde confirmou que estava vendo o programa “Contragolpe” da Venezuelana de Televisão: “Estou vendo vocês, minhas queridas Vanessa e Gabriela! Que bom programa!”, disse, referindo-se às jornalistas que participam.

Chávez se recupera plenamente após ser submetido a uma cirurgia em Cuba na qual foi removida uma lesão na região pélvica, onde já tinha sido tratado por câncer, disse antes o vice-presidente Elas Jaua.

O vice-presidente declarou na Venezuelana de Televisão que conversou por telefone com Chávez, que enviou suas saudações “com voz firme, enérgica e vitoriosa” aos venezuelanos.

“Comente com todo o povo e todos os companheiros que conversamos e que estou em pleno processo de recuperação”, informou Jaua sobre o que lhe disse Chávez, que o aconselhou também a contar com a Assembleia Nacional e o governo em geral “para avançar politicamente e na realização das grandes missões”, mencionando especialmente a missão Saber e Trabalho.

Jaua também disse que Chávez destacou o anúncio do ministro do Petróleo e Mineração, Rafael Ramírez, a respeito da construção de um oleoduto de 36 polegadas, no estado de Monagas, para transportar 120 mil barris de petróleo.

“O presidente reiterou seu agradecimento pelo imenso amor de seu povo e de todos os povos do mundo. Disse-me para comentar com todo o povo que conversamos e que ele está em pleno processo de recuperação.” Jaua informou que Chávez se despediu dizendo: “Viveremos e venceremos!”.

Na terça-feira (28), o vice-presidente leu um comunicado perante a Assembleia Nacional detalhando que foi removida completamente uma nova lesão na região pélvica e que nos próximos dias se saberá se era cancerígena ou não.

Fonte: Cubadebate

Sobre a Síria: a batalha de propaganda e outras batalhas

A revolta na Síria, que vai em breve entrar no seu segundo ano, levanta questões dramáticas para as quais não existem respostas simplistas – para não se fazer a política do quanto pior melhor. A batalha pela Síria é também uma batalha de propaganda. O regime perdeu-a há muito, tanto que as suas afirmações são frequentemente grotescas, as suas mentiras óbvias e as suas práticas bárbaras. No entanto, as informações que se multiplicam 24 horas sobre 24 em todas as cadeias de rádio e de televisão, e que frequentemente têm uma única fonte, a oposição no exterior do país, são verdadeiras? O artigo é de Alain Gresh, do Le Monde Diplomatique.

Numa conversa telefônica entre o presidente russo e o rei saudita, este último afirmou ao seu interlocutor que qualquer diálogo sobre a Síria era “agora fútil” (agência de imprensa saudita, 22 de fevereiro 2012). O que quer isto dizer? Que a única via possível é a da intervenção militar? Que é preciso armar a oposição? Parece que é nesta direção que se orienta a reunião dos amigos da Síria realizada sexta feira 24 de fevereiro em Tunes.

A revolta na Síria, que vai em breve entrar no seu segundo ano, levanta questões dramáticas para as quais não existem respostas simplistas – para não se fazer a política do quanto pior melhor. É preciso recordar o que o derrube de Saddam custou, custa e continuará a custar aos iraquianos nas próximas décadas.

As causas da revolta
A revolta na Síria nasceu das mesmas três causas que provocaram, de Marrocos ao Iraque, movimentos de contestação:

– A recusa de um regime autoritário, da arbitrariedade total do Estado e dos serviços de repressão, da banalização da tortura;

– A amplitude da corrupção – a abertura econômica (largamente encorajada pelo Ocidente) que levou à apropriação das riquezas nacionais por uma máfia em torno do chefe de Estado –, a riqueza ostensiva de uma pequena casta contrastando com uma pobreza agravada pela perda do papel social do Estado (desejada também pelos conselheiros ocidentais);

– O peso da juventude. A geração mais numerosa da história que chega à idade adulta nos países árabes e que, ainda que melhor educada, não dispõe dos meios de uma inserção social à altura das suas aspirações – no trabalho, mas não só, igualmente no exercício das responsabilidades.

Estes três fatores permitiram uma vitória rápida dos movimentos na Tunísia e no Egito, mais difícil no Iêmen. Foi precisa a intervenção das forças militares da OTAN, que ultrapassaram largamente o quadro do mandato da resolução 1973 do conselho de segurança da ONU, para derrubar o coronel Kadhafi. No Bahrein, o movimento foi contido por uma intervenção dos tanques sauditas, mas continua a exprimir-se com força. Além disso, uma mistura de concessões políticas (Marrocos) e de concessões financeiras (Argélia, Arábia Saudita) permitiu – mas por quanto tempo? – conter a contestação.

E na Síria? O presidente Bashar Al-Assad, que dispunha à partida de um certo capital de popularidade, pensou que a política regional desenvolvida pelo seu país (a sua oposição a Israel e às políticas dos Estados Unidos) o resguardariam. Estava totalmente enganado e, ao longo dos meses, tentou apresentar a contestação pacífica como militarizada, manipulada pelo estrangeiro, cujo objetivo seria fazer desaparecer um regime que se opõe às ambições israelitas e americanas. Pela sua recusa em se empenhar em reformas sérias e num diálogo com a oposição, pelo seu uso indiscriminado da violência contra manifestações que, no essencial, continuavam pacíficas, por um uso generalizado da tortura, contribuiu para o aumento da violência, para a passagem de uma parte da oposição à luta armada; favoreceu, num mesmo movimento, as ingerências que pretendia querer combater (1).

Da mesma forma, ele ajudou os projetos daqueles que não visam a reforma (nem evidentemente a instauração de um regime democrático), mas preparam uma ofensiva contra o Irã e esperam fazer cair antes o seu principal aliado árabe.

Quem pode acreditar por um segundo que seja, que o regime saudita procura instaurar a democracia em Damasco, ele que não reconhece qualquer assembleia eleita? Ele cujo ministério do Interior acaba de declarar que as manifestações do leste do país são “uma nova forma de terrorismo” (2)?

Quem pode pensar que as liberdades são o que motivam as declarações dos Estados Unidos, eles que não hesitaram em enviar “terroristas” presos por eles para serem interrogados na Síria (prática conhecida pelo termo inglês de rendition), porque este país utilizava a tortura?

Quem pode acreditar que a democracia é a preocupação de Nicolas Sarkozy, ele que recebeu Bashar Al-Assad em julho de 2008 e o visitou em setembro, apoiava os ditadores tunisino e egípcio e não dizia uma palavra sobre o massacre de Gaza durante a invasão israelita de dezembro de 2008? Uma pequena história significativa: naqueles dias, os jornalistas do Figaro receberam instruções da sua direção para não evocarem nos seus artigos os prisioneiros políticos na Síria.

Para todos estes países, e para Israel, o objetivo é derrubar um regime aliado do Irã, no quadro da preparação de uma ofensiva contra este país.

É evidente agora que numerosas forças, incluindo no Conselho Nacional Sírio (CNS), pressionam para uma intervenção militar, apoiada numa formidável campanha midiática.

A batalha pela Síria é também uma batalha de propaganda. O regime perdeu-a há muito, tanto que as suas afirmações são frequentemente grotescas, as suas mentiras óbvias e as suas práticas bárbaras. No entanto, as informações que se multiplicam 24 horas sobre 24 em todas as cadeias de rádio e de televisão, e que frequentemente têm uma única fonte, a oposição no exterior do país, são verdadeiras? Durante muito tempo a mídia rejeitou as informações sobre a morte de oficiais e de polícias, elas estão contudo confirmadas; desde há um ano, regularmente, a mídia anuncia que a contestação atingiu Damasco. Só podemos lamentar a morte de dois jornalistas em Homs e recordar que o regime, interditando aos jornalistas (na maior parte do tempo) a entrada no país ou de se deslocarem nele, contribui para o que ele pretende denunciar.

Este relatório pode, certamente, ser contestado num ou noutro ponto, mas fornece uma investigação no terreno que deveria ter merecido uma pouco mais de atenção: “Syrie, une libanisation fabriquée” (“Síria, uma libanização fabricada), CIRET-AVT e CF2R, 11 de fevereiro de 2012.

Militarização
Em Homs, o comportamento das tropas do regime é inaceitável. Elas pretendem aniquilar, não a cidade inteira, mas os bairros sunitas que se rebelaram. Porque o exército enfrenta combatentes frequentemente devotados e prontos a se baterem até ao fim, com o apoio de uma parte da população. Se isto explica a violência dos combates, a situação não justifica evidentemente as atrocidades do regime. Todavia é interessante notar que os argumentos utilizados contra o Hamas em dezembro de 2008 – janeiro de 2009 (“eles tomam a população como refém escondendo-se no seu seio”) não são retomadas no caso sírio; esperemos que sejam também abandonados no próximo ataque israelense...

Uma das dimensões mais perigosas deste conflito tem a ver com os riscos da sua transformação em confrontos “confessionais”. Seria falso dizer que, na Síria, tudo se reduz a se pertencer a uma religião ou comunidade: existem alauítas que apoiam a oposição e sunitas que preferem o regime aos insurretos. Mas o poder, apoiando-se na sua base alauíta, tem incontestavelmente aumentado as tensões. Pelo seu lado, a oposição – ou alguns dos seus componentes, nomeadamente o CNS – não é diferente e mostra-se incapaz de dar garantias sérias para o futuro. Ninguém parece notar como os curdos, por exemplo, que foram dos primeiros a se manifestarem (especialmente para obter documentos de identidade) se tenham agora posto à margem, chocados pela recusa do conselho nacional sírio de reconhecer os seus direitos3. Por seu lado, o regime parece querer relançar as atividades do PKK, um partido que ele utilizou no seu confronto com a Turquia nos anos 90 e que continua muito popular entre os curdos da Síria.

Para além disso, o CNS é contestado por numerosos opositores, que o acusam de ser dominado pelos islamistas, com algumas figuras pró-ocidentais para falar à mídia. Assim, um novo grupo acaba de ser criado, o Movimento Nacional para a Mudança (MNC), dirigido pelo Dr. Ommas Qurabi, antigo presidente da organização síria de defesa dos direitos humanos4. Ele critica o CNS por recusar militantes alauítas ou turquemenos.

Outras comunidades, especialmente as comunidades cristãs mas também drusa (5) hesitam, não por simpatia para com o regime, mas por receio do caos que resultaria da sua queda sem negociações.

A militarização do conflito está em marcha e transporta com ela o germe de uma guerra civil (talvez a única via de saída para o regime). Uma reportagem do diário libanês Daily Star (23 de fevereiro) sobre o Exército sírio livre confirma dois elementos que a imprensa oculta frequentemente: este exército tem bases no Líbano (e para além disso também na Turquia); ele não hesita nas represálias confessionais, matando alauítas por vingança (6). Da mesma forma, combatentes iraquianos juntaram-se aos insurretos sírios (7), incluindo membros da Al-Qaida, o que foi confirmado pelo departamento de Estado dos Estados Unidos.

Estamos num impasse. A oposição – ou melhor, as oposições – é incapaz de derrubar o regime e o regime é incapaz de superar a oposição. Pode-se mesmo dizer que o futuro do regime está traçado e já não dura mais do que alguns meses. A questão é por conseguinte saber se o país se vai afundar na guerra civil ou conhecerá uma forma de transição política que necessita, queira-se ou não, de um diálogo.

É neste quadro que é preciso compreender o veto dos dirigentes russos e chineses à resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas de 4 de fevereiro. O texto tinha sido emendado para ter em conta algumas das suas objeções mas continuava a pedir a retirada das tropas governamentais sem falar da oposição armada, e a fazer referência ao plano da Liga Árabe, imposto pela Arábia Saudita, que implicava o afastamento de Bashar Al-Assad. Esta resolução podia servir de cobertura a uma intervenção militar? Obviamente, isso foi o que temeram Moscou e Pequim, escaldados com a precedente resolução1973 sobre a Líbia. Pode-se compreender as suas suspeitas, tanto que as declarações francesas e outras deixam entrever uma ação armada sob pretexto de proteger as populações.

A via da negociação
Então, não podemos fazer nada? Podemos. Mas as possibilidades não se reduzem apenas à opção militar. Por um lado, as pressões sobre a Síria, especialmente no domínio econômico, existem (elas podem ser reforçadas sob condição de terem como alvo os dirigentes e não a população) e leva já uma parte da burguesia que apoia o regime a se interrogar. Por outro lado, as primeiras missões da Liga Árabe, apesar das dificuldades, tinham servido para limitar a violência; foi a Arábia Saudita que obteve a sua retirada (é preciso ler o relatório que elas publicaram; não tem nada a ver com o que têm dito os meios de comunicação, a tal ponto que este texto foi escondido durante muito tempo); é necessário, pelo contrário, conseguir que estas missões recomecem e se alarguem. Por fim, ao contrário do que se tem escrito, nem os russos nem os chineses deram luz verde a Assad, mas tentam fazer pressão sobre ele.

Como relata um jornal libanês bem informado, as autoridades sírias abstiveram-se, por pressão dos russos, de utilizar a aviação e outras armas de guerra à sua disposição, na sua repressão atual – deste ponto de vista, não se está na situação de Hama em 1982 (8).

A via da negociação é estreita vai levar tempo. Enquanto isso, pessoas morrem... Mas uma intervenção militar faria ainda mais vítimas.

Além disso, mencionemos um interessante artigo de Efraim Halevy, antigo diretor da Mossad e antigo conselheiro nacional de segurança, aparecido no International Herald Tribune de 7 de fevereiro com o título “O calcanhar de Aquiles do Irã”. Ele explica, no essencial, que o derrube do regime de Damasco permitiria evitar a alternativa desastrosa: bombardear o Irã ou intensificar as sanções, o que poderia empurrar o preço do barril para além do suportável. Privando Teerão do seu aliado sírio, pelo contrário, enfraquecia-se o Irã consideravelmente.

(*) Artigo de Alain Gresh, editor do Le Monde Diplomatique, publicado em blog.mondediplo.net Tradução de Carlos Santos para o Esquerda.net

(1) Ler “Jours de tourmente en Syrie” - [Dias de tormenta na Síria] Le Monde diplomatique, agosto de 2011.

(2) http://arabnews.com/saudiarabia/article578082.ece

(3) Dogu Ergil, “Syrian Kurds” (“Curdos sírios”), Zaman, 21 février

(4) İpek Yezdani, “Syrian dissidents establish new bloc” (“Dissidentes sírios constituem novo bloco”), Daily News, 21 février

(5) lire Phil Sands, « Syria’s Druze community : A silent minority in no rush to take sides », The National, 22 de fevereiro

(6) “FSA soldier in Lebanon discloses tactics” (“Soldado do Exército Sírio livre revela táticas”)

(7) ler Tim Arango et Duraid Adnan, “For Iraqis, Aid to Rebels in Syria Repays a Debt” (“Para iraquianos, a ajuda aos rebeldes na Síria paga uma dívida”), The New York Times, 12 de fevereiro de 2012

(8) Al-Akhbar, 22 de fevereiro de 2012.

Kassab incendeia: Serra sairá do PSDB

Por Altamiro Borges

Após namorar com a petista Dilma Rousseff e casar com o tucano José Serra, o prefeito de São Paulo e líder do PSD desembestou e resolveu virar incendiário. Segundo Josias de Souza, da Folha, “em seus diálogos privados, Gilberto Kassab informa que, se for eleito para a prefeitura, o tucano José Serra vai romper com o PSDB e abandonar os quadros da legenda”. A especulação incendiou o ninho tucano.

O clima de desconfiança no PSDB já era pesado. Isolado e desgastado, mas sem perder a pose, Serra fez o tucanato de “palhaço”. Depois de muito enrolar, disse que toparia a “missão” de disputar a prefeitura e bagunçou a “palhaçada” das prévias partidárias. Mesmo assim, ele deixou todos de pulga na orelha ao explicitar que o seu sonho presidencial está apenas “adormecido”. Aécio Neves, o inepto rival, deve ter perdido o sono. Agora, a sua cria ainda insinua que ele poderá deixar o PSDB caso seja eleito.

Vale conferir alguns trechos da bombástica matéria de Josias de Souza, que nunca dá ponto sem nó:

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Na versão difundida por Kassab nos subterrâneos, Serra pretende articular a formação de um novo partido. A base dessa legenda seria o PSD. Ao partido presidido por Kassab seriam incorporadas outras agremiações.


Nesses diálogos travados a portas fechadas, Kassab repete algo que disse sob holofotes. Segundo ele, Serra não cogita disputar a Presidência da República em 2014. Planeja dedicar-se à prefeitura.


Em conversa com o blog, um dos ouvidos que escutaram Kassab juntou as duas pontas da argumentação e concluiu: não faz nexo. Indaga-se: por que Serra iria à nova legenda se não pretendesse ressuscitar o projeto presidencial que o PSDB lhe sonega?

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Duas visões distintas do Brasil

Na primeira entrevista que deu como pré-candidato, Serra deixou patente que a sua maior preocupação é com a questão nacional. Como ele mesmo já confidenciou, a prefeitura paulistana é um “enterro” – ele nunca se sentiu motivado para discutir os problemas da cidade. Ele só aceitou ingressar na disputa para “deter o avanço do PT como força hegemônica na política nacional”.

Na entrevista, Serra definiu a eleição municipal como um embate entre “duas visões distintas de Brasil”. Ele sabe que uma derrota na principal cidade do Brasil terá impacto negativo na disputa pelo governo estadual, controlado pelos tucanos há quase 20 anos, e na sua obsessão de se candidatar pela terceira vez à presidência da República. O bloco neoliberal-conservador ficaria ainda mais fragilizado.

A sua aposta é de alto risco. Mas ele não descarta nenhuma hipótese – pelo jeito, nem mesmo a de deixar o PSDB, como revelou seu fiel amigo. Neste ponto é preciso reconhecer a coerência de José Serra. Ele sabe que o que está em curso é o embate entre “duas visões distintas de Brasil” - uma neoliberal e outra, ainda em construção, pós-neoliberal. O pragmatismo exacerbado costuma ofuscar este referencial.

Aliança com Reni Pereira é impossível admite presidente do PT

foz notícias

A informação de uma aliança entre PT e PSB na cidade está fora de cogitação. Nos bastidores foi ventilada a união dos partidos, caso o diretor Geral de Itaipu, Jorge Samek, desista da candidatura. Boatos até envolveram o nome de Gilmar Piolla, da Itaipu, como vice em uma possível composição com o deputado Reni Pereira. Mas isso está longe de se tornar realidade.

“Neste momento é impossível. É uma alternativa muito difícil. O Reni Pereira estará representando o projeto tucano, avalizado pelo Beto Richa”, admite o presidente do PT, Pedro Tonelli.

Tonelli confirmou, com exclusividade, que existe apenas uma possibilidade: a saída de Reni Pereira da base aliada do governador Beto Richa. Neste caso, o deputado precisaria abandonar projeto tucano no Paraná. Esta é a equação política para a união dos partidos.

No cenário nacional, PT e PSB estão juntos. Mas no Paraná, segundo ele, os pessebistas mantém uma forte ligação com o projeto do PSDB. A aliança começou com o ex-governador Jaime Lerner, e agora está consolidada com Beto Richa, que representa um projeto político concorrente ao Governo Dilma no país.

Em recente visita a Foz, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, fez questão de reiterar que a orientação é que a sigla não esfacele a aliança nacional nas eleições municipais. PDT, PC do B, PSC, PP e PMDB são alguns dos partidos aliados.

“Se o PSB se redimir; fazer uma autocrítica, nós vamos conversar. Eu conheço os pessebistas de Foz, temos um bom relacionamento, só que enquanto jogarem água no moinho tucano, serão nosso projeto concorrente”, analisa o dirigente.

O presidente petista também diz desconhecer a existência de um grupo influente dentro da Itaipu que defenda a indicação de um vice do pré-candidato Reni Pereira. “Não passa de boato. Na Itaipu não existe essa conversa e lá nem é o lugar para isso”, afirma.

Segundo ele, a definição sobre a candidatura de Samek está próxima. Um encontro com a presidente Dilma Roussef está perto de acontecer. A vontade do diretor é ser candidato, mas pesa contra a instabilidade na direção da Itaipu no lado paraguaio e os projetos em andamento com o país vizinho.

“Se ele (Samek) puder escolher o caminho, vai assumir a candidatura. O prazo para sucessão na Itaipu é dia 07 de abril, mas acredito que antes teremos uma definição. Se o Samek não for candidato, vamos fazer prévias, apresentar outro nome e discutir o lançamento de candidatos de outros partidos aliados de Dilma, como: PSC,PDT, PC do B, PMDB”, pontuou Tonelli.