Servidores federais eram felizes com o PSDB e não sabiam
Ah, que saudades dos tucanos...
Crônicas do Motta
Até agora não consegui entender essa investida das centrais sindicais e dos servidores públicos federais contra o governo. Claro que a greve é um direito dos trabalhadores, que devem sempre lutar por salários maiores e melhores condições de trabalho. Mas ganhar sem trabalhar não está certo: uma relação trabalhista nada mais é do que a compra e a venda da mão de obra e, se uma das partes rompe o acordo, a outra se desobriga de cumprí-lo.
Simples assim, não há nada de "autoritarismo", como dizem os trabalhadores, na atitude do governo de querer que a greve termine, de um modo ou de outro. Afinal, é dever do governo fazer com que a burocracia funcione de modo a prover a população de serviços eficientes. Para isso é que a gente paga impostos.
O "Valor" publicou uma tabela bem interessante, que mostra que alguns cargos do funcionalismo público tiveram aumentos reais - ou seja, acima da inflação do período - de cerca de 90% entre dezembro de 2002 e dezembro de 2012. O menor salário inicial, nos exemplos da tabela, é dos policiais rodoviários, de R$ 5.800. Um auditor fiscal ou do trabalho começa sua carreira no funcionalismo federal recebendo R$ 13.600, o que, convenhamos, é um excelente salário.
Não dá para comparar o que o governo Lula e os anteriores fizeram em prol dos servidores - e isso eles mesmo reconhecem. Mas até mesmo a boa vontade tem limites. Hoje, a prioridade do Brasil é passar pela crise internacional sofrendo o mínimo possível, e só se alcançará esse objetivo se a economia crescer a um ritmo mais intenso do que o atual.
Na semana passada, a presidente Dilma se referiu, indiretamente, às demandas dos servidores, dizendo que ela estava preocupada era em arranjar emprego para a parcela mais fraca da população.
Nada mais justo. O país não pode se dar ao luxo de comprometer o esforço que faz para, ao mesmo tempo, crescer economicamente e diminuir a desigualdade social, somente para atender a uma parcela ínfima de seus trabalhadores.
Do jeito que essas greves dos servidores estão sendo conduzidas parece que eles vivem na penúria, que o Estado simplesmente não cuida deles, que eles não têm a menor importância.
Parece que este governo - uma continuidade do anterior - é contra os trabalhadores.
Desse jeito, dá a impressão de que os funcionários públicos federais têm saudades dos velhos tempos em que FHC e sua turma faziam o possível para deixar o Estado brasileiro do tamanho de sua mediocridade.
Bons tempos aqueles, não é mesmo, pessoal?
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